Nelson Cavaquinho

http://youtu.be/qUQ8xu9rteY

Ariano Suassuna por Millôr Fernandes

cena da minissérie a pedra do reino

cena da minissérie a pedra do reino

O nome de Millôr Fernandes, está associado a mais de cem espetáculos teatrais, caso de O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna — Millôr é o autor do cartaz da montagem dirigida por Ziembinski em 1958. Abaixo o que ele diz de Ariano Suassuna:

“O passado, todos sabem, é uma invenção do presente. Quem busca datas para os acontecimentos já os está deturpando. Além do que, de datas eu não sei mesmo. Por isso afirmo que foi no fim dos anos 50 que me levantei entusiasmado e invejoso, no Teatro Dulcina, na Cinelândia, para aplaudir o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Ao meu lado, fazendo o mesmo, Silveira Sampaio, médico que há pouco tinha abandonado a medicina para se transformar no autor de algumas peças leves e refinadas, que dirigia e interpretava. Terminado o espetáculo, fomos os três para minha casa — já na praia de Ipanema, idílica então — e ficamos conversando, varando a noite. E o dia foi amanhecendo por trás das montanhas Dois Irmãos, ainda livres do Hotel Sheraton, da favela do Vidigal, dos sinais luminosos, do tráfego ensandecido, enfim, da civilização. Só com raparigas em flor caminhando cronologicamente pro encontro fatal com Vinicius e Tom.

Não me lembro de uma só palavra de Ariano. Ficou-me a forte impressão. Resíduos. A memória da memória.

Quantos encontros tive com Ariano desde então? Não mais de dez. mas em nossa profissão, lavradores do nada, o contato é permanente. E, se fiz alguma coisa para decepcioná-lo, não sei. Ele não fez nada que me decepcionasse. Não lhe cobro nem com a Academia. Merece todas as imortalidades, até mesmo essa, pechisbeque (corrida ao Aurélio).

Meu outro e imediato contato com Ariano foi em O Santo e a Porca. A pedido de Walmor Chagas e Cacilda Becker fiz o cartaz para a peça, cartaz que me defrontou um dia, para minha vergonha — sempre tenho vergonha do que faço, meu sonho é ser autor morto —, num dos caminhos do Aterro. Nem sei se Ariano jamais viu ou soube desse contato.

Enquanto isso, Ele se expandia. Professor nato — não há nada mais fascinante do que didática, e a dele é excepcional — e criador compulsivo, se fez batalhador de causas culturais populares, exibiu em espetáculos teatrais sua capacidade de representar — é um grande showman, quem não viu não sabe o que perdeu —, fez-se um desenhista primoroso e escreveu A Pedra do Reino, que coloco facilmente entre os 10 maiores romances brasileiros (nunca me arrisco a dizer que alguma coisa é a maior), incluindo aí Guimarães Rosa e excluindo Machado de Assis, quem quiser que me siga.

Uma das outras vezes que estive com meu herói foi no Recife, Instituto Joaquim Nabuco, onde Ele, enquanto aguardávamos minha oportunidade de incitar o povo com meu verbo flamante, recitou o primeiro poema (soneto) que escrevi na vida, aos 20 anos (já tive!, posso provar), e que também recito aqui, para vocês verem que há que ter memória:

Penicilina puma de casapopéia
Que vais peniça cataramascuma
Se partes carmo tu que esperepéias
Já crima volta pinda cataruma.

Estando instinto catalomascoso
Sem ter mavorte fide lastimina
És todavia piso de horroroso
E eu reclamo Pina! Pina! Pina!

Casa por fim, morre peridimaco
Martume ezole, ezole martumar
Que tua pára enfim é mesmo um taco.

E se rabela capa de casar
Estrumenente siba postguerra
Enfim irá, enfim irá pra serra.

No dia seguinte, autor ingrato, almoçando com Ele, cobrei ter errado uma palavra no soneto. ‘Errei não’, voltou ele. ‘Corrigi. Você é que errou a métrica”. Somos do tempo em que havia métrica.

E a última vez em que estivemos juntos foi o momento mais extraordinário. Na casa de nosso comum amigo José Paulo Cavalcanti, jornalista, escritor e causídico (a ordem é a do leitor), numa praia de quatro quilômetros de extensão, em Porto de Galinhas. Ficamos lá horas, conversando dentro d’água, num mar indizível mas que vou tentar dizer.

A meu lado, dentro das águas claras, mansas e verdes, a presença absolutamente surreal de Ariano, secundado por (apertem os cintos!) Luis Fernando Verissimo. E eu ali, galera, me boquiabrindo diante da loquacidade brilhante de Suassuna e me boquifechando diante do mutismo perturbador de Verissimo, mostrando, como sempre, que não é homem de jogar conversa fora.

Ao redor, a meteorologia no seu melhor, enviando leves pancadas de chuva em momentos precisos, e vento sempre fresco, com dezoito nós e alguns laços — os da amizade.

PS: Ah, e existe coisa mais nobre do que criar cabras? Ele cria. Coisas de grão-senhor.”

CADERNOS DE LITERATURA BRASILEIRA. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, nº 10, nov. 2000. pp. 20-21.

Cadernos de Literatura Brasileira
sobre Ariano Suassuna
Instituto Moreira Salles

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Retirado de http://goo.gl/SLLHDx

 

“A matéria Clarice”, por José Miguel Wisnik

No site do Instituto Moreira Salles, está disponível uma aula do professor José Miguel Wisnik a respeito de Clarice Lispector. A aula tem duração de 1h30m e faz considerações excelentes sobre a obra dessa autora e sua recepção crítica

via“A matéria Clarice”, por José Miguel Wisnik.

Blogs em Papel e Tinta: Entrevista com César Miranda

Blogs 

Desenredo

VIDA 


“Todo abismo é navegável a barquinhos de papel.” 
“Esperar é reconhecer-se incompleto.” 

Guimarães Rosa: Desenredo, em Tutaméia. 



*”Viver é um descuido prosseguido.”

*Esta vida é de cabeça-para-baixo, ninguém pode medir suas perdas e colheitas. 

*Pensar mal é fácil, porque esta vida é embrejada. 

*A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir e desmisturar. A senvergonhice reina, tão leve, e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade. 

Viver perto das pessoas é sempre dificultoso, na face dos olhos. 

A vida não dá demora em nada. 

Vida, e guerra, é o que é: esses tontos movimentos, só o contrário do que assim não seja. 

A vida devia de ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho. 

Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas. 

Certo de que, nesta vida? Pois eu nem costumo nunca xingar ninguém de filho daquela ou dessa, por receio de que seja mesmo verdade… 

A primeira coisa, que um para ser alto nesta vida tem de aprender, é topar firme as invejas dos outros restantes… 

A que era: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar o saber? 

A vida é um vago variado. 

A gente vive é caminhando de costas? 

Tempo é a vida da morte: imperfeição. 

Viver é muito perigoso. 



Guimaraes Rosa, João. Grande Sertão: Veredas. 
Apud: Leonardo Arroyo. A Cultura Popular em Grande Sertão: Veredas. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1984

A consciência da finitude – Sein zum Tode

“[…] Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração

[ ] …. você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu…” 

(Leia mais:  no MacMagazine

Ouça aqui. How to live before I die.)

Mesmo sem ser original (como se isso fosse possível) todos hão de convir que eu não podia deixar passar … assim… sem … :”o-(

Jonathan Mak
Para os meus amigos, devo confessar que somente há pouco tempo chegou em mim, para-mim, com uma razoável dose de desencanto –  e em absoluto não deveria ser assim – a consciência da finitude. Penso que em todas as vezes em que falei sobre isso (as Ekstases, para meus alunos, or whoever),  jamais falei pensando nisso objetivamente.  Hoje, penso sem falar. “Sein zum Tode”. 

[(*) Querido amigo, obrigada por me lembrar.]

SR10 – Y así pasan los dias! (updated)

Sim, sim,  eu já sei, já se passaram 10 anos,  os 10 anos também se passaram, grandes coisas fazer dez anos de internet, e quem vive de passado é museu, OK, eu sei disso mas quero, como agradecimento a essas pessoas e às coisas tão lindas  e tão queridas que disseram ,  dividir lembranças. Apenas duas belas lembranças.

1- Assim eram as nossas primeiras páginas: (clique e se não abrir, não vamos nos ‘descorçoar’ (hahah!é assim, Isa?) persevere, em algum momento a Webarchive: Wayback Machine  libera).
a)Sub Rosa em setembro  de 2001  -

b)Sub Rosa em outubro de 2001

2- E, por fim, aqui uma entrevista ao jornal O Globo- à época  CadernoInfoETC - em fevereiro de 2002. A jornalista é (a também então blogueira) Elis Monteiro.

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EM – Nome, idade (se quiser), onde mora e profissão.
Meg – Maria Elisa Guimarães, Meg para os amigos, já passei dos 40 ;  -) moro no Rio de Janeiro, (nasci em Belém do Pará) ; sou professora de Filosofia, e faço  Crítica Literária.

EM – a)Endereço do blog e uma pequena descrição dele (sobre quais assuntos costuma escrever mais). b)Qual ferramenta de edição usa e há quanto tempo fez o blog. c) Como classificaria o seu? Humor, entretenimento, poesia, etc?
Meg – O Sub Rosa, em sua origem foi no Blogger com este endereço: http://flabbergasted.blogspot.com ) . Não há como descrever um blog, Coloco nele tudo que desperta minha admiração, o que me deixa entusiasmada, o que me tira o fôlego. Me interesso por tudo, tenho um apetite insaciável pelo mundo. Tenho espírito de filósofo, mesmo. E a Filosofia se interessa por absolutamente tudo: não há limites.

b)Não uso nenhuma ferramenta de edição especial como Dreamweaver, Front Page etc, porque sou de uma magnífica burrice cibernética, o que já me fez decidir doar o meu cérebro pra quem possa estudar isso:  -). O João Ubaldo Ribeiro vai doar o dele para a NASA, acho que farei o mesmo. Hohoho. Daí que usava o próprio Editor do Blogger . Agora uso o Grey Matter, que é o programa de um cara muito bacana o Noah Grey http://www.noahgrey.com (adoro o blog dele).

Fiz vários blogs e alguns eu até perdi o endereço (fui influenciada pela Fernanda Guimarães Rosa que tem o pioneiro The Chatterbox). Mas só comecei pra valer, no final de agosto de 2001, vivi um pouquinho a fase do “Antes do 11 de Setembro.”
Classifico o meu SubRosa como sendo de uma generalidade irritante. Tento dizer que corresponde à chamada clínica geral, afinal dá pra escolher o que escrever, se a gente se interessa por tudo? Mas posso dizer duas coisas das quais trato poucamente ou nadamente: -) Filosofia e Sexo : -).

EM – Número de visitas (se tiver contador). Se não tiver, pode ter uma noção da repercussão de seu blog junto à comunidade “blogueira”?
Meg – Tenho vários contadores. Sabe o que acho? Que ao final do dia contar quantas pessoas vieram, equivale a uma firma ou loja que contasse a féria do dia, hahaha…
Agora falando sério, é através dos contadores que você sabe quem lhe visitou, e principalmente você conhece blogs que estão surgindo. (Visitar é bem melhor do que escrever um comentário, Ei, visite meu blog:- (. É mais inteligente, também)
Mas é preciso ter cuidado com os números: tem que saber que os AMIGOS vão várias vezes por dia. Alguns contadores registram como visita as suas próprias entradas (tenho um que me diz quando entrei) E acho que o número de visitas que tenho é modestíssimo.
Soube que há blogs com mais de 500 visitantes por dia e outros que recebem até 5.000 : D . Ao saber disso é que vi que não tenho a menor importância na comunidade blogueira, mas tenho – se tiver – entre os amigos.

EM – Você já conheceu pessoas devido a seu blog? Fez amigos?
Meg – Oh yessss. Você quer dizer pessoalmente, não é? Sim, conheço vários blogueiros, já recebi vários em minha casa, e principalmente, já hospedei uma blogueira famosa em minha casa. Foram dias maravilhosos de fevereiro deste ano. A Aninha [Ana Maria Gonçalves, blogueira, escritora, autora de “Defeito de Cor”) do Udigrudi. E essas pessoas são amigas sim, e que não relaciono mais com o blog. Elas transcendem esse fato.
Algumas outras falam comigo pelo telefone. E outras pessoas, ainda, eu já conhecia antes, ou conhecia alguém da família. Laura Rónai, queridíssima amiga do Mostly Music - eu já a conhecia como a brilhante música que é, agora, ela  faz parte da minha vida.

EM – A que horas costuma “blogar”? Por quê?
Meg – A qualquer hora. Estou sempre no ar ; -) Costumo blogar mais à noite (insônia), mas também blogo de dia. Agora, sou muito lenta para fazer posts. Levo horas. E algumas vezes refaço.

EM – Como são os seus hábitos diários e como o blog se insere neles (se trabalha, a que horas escreve, se tem filhos, como concilia todas essas coisas). Vê o blog como lazer?
Meg – Querida, o próprio blog foi uma mudança de hábito ; -) Tiro muita coisa do meu trabalho para colocar no blog. Não tenho filhos, queria tê-los:- )
Decididamente o Sub Rosa não é lazer, embora me dê muito prazer (angústias também)

EM – Sua família conhece seu blog? Como eles vêem o fato?
Meg – Sou uma celebridade pra eles..hahaha. Sabe como é, não é?;  -)

EM – Qual foi o motivo que te levou a “blogar”? Informar as pessoas, se conhecer um pouco mais, escrever alguma coisa que não tinha onde publicar?
Meg – Às vezes me sinto como num trabalho voluntário ; -).
O que me levou a blogar, sempre escrevo isso, foi a dor causada por duas doenças graves,  entre elas, uma  severíssima depressão… Foi terrível. Uma amiga de Lista de Discussão, me disse que eu me desse um presente. Algo de que eu gostasse muito. Eu adoro viajar e escrever…Viagem não podia, naquele momento,  então…
Dois dias depois eu fiz o blog Sub Rosa (que é uma expressão latina de origem egípcia, mas que todo mundo pensa que é modéstia minha [que sou uma rosa “sub”:  -) . Logo não é papo furado quando eu digo que escrevo para mim.
Hoje estou melhor, convivo com as oscilações da saúde., e o blog se tornou uma parte importante da minha Vida.
Claro que o movimento e a experiência weblog fazem parte de uma das maiores revoluções acontecidas dentro da revolução Internet. Foi uma ‘recuperação da subjetividade'; o que filósofos como Baudrillard, por exemplo, tanto condenaram na Internet: fragmentação do sujeito e desaparecimento da alteridade. O blog é a maior das vertigens da subjetividade.
E claro o blog foi um canal para que se escrevesse sem o rigor exigido pelas publicações,acadêmicas ou não; e com autonomia para se escrever sobre o que se quisesse e gostasse. Onde mais? ;  – ))

EM – Vc vê o blog como uma espécie de hobby?
Meg – Aaaah, não! De jeito nenhum: hobby é coisa pra madame, pra perua , né não?
Eu sou profissional ; – )) Blog, de um modo geral, é algo que é importante pra mim.Também sou observadora e analiso esse fenômeno.

EM – Qual é a relação que vc mantém com seu blog e com os visitantes? Costuma responder os emails que eles mandam? Como costumam ser esses emails? Agradáveis, críticos?
Meg – O blog é minha forma preferencial de me comunicar com as pessoas (essa é uma necessidade inerente ao ser humano, não é?). Então, é isso: o blog tornou-se uma parte importante da minha forma de vida, atualmente. Não é tudo, mas modificou muito a minha vida. E com os visitantes eu partilho as coisas que gosto, as que não gosto e só de saber que existe quem leia já é ótimo. Elas conferem a alteridade ao que expresso. Amo e respeito cada um que escreve para mim, por causa do blog. Só existe eu porque existe o OUTRO, não é? Adoro que comentem, me entristece ver um post sem comment. Mas, sou de opinião que só se deve comentar como uma solicitação do assunto do post. Não o comentário burocrático, como forma de cordialidade. É como dizia sabiamente o Paulo Francis: “Gosto que as pessoas me leiam e saibam o que acho das coisas. É uma forma de existir”.
Agora quanto a e-mails eu adoro. Pinta de tudo:-) E muitas vezes os críticos são extremamente agradáveis. Devo a muitos visitantes que me escrevem, novos pontos de vista sobre assuntos que abordo, principalmente quando eles questionam e são gentis a ponto de me escreverem ou comentarem, apontando um engano.
Muito legal ter perguntado isso, pois é um novo tópico a respeito dos blogs que talvez muitos não tenham se dado conta. Eu tento responder a todos, mas isso demanda tempo e muita gente não entende a demora:
EU NÃO TENHO ASSESSORIA DE IMPRENSA !! ;  – )).
Por outro lado, antes éramos uma rua de blogs. E costumávamos visitar todos os nossos conhecidos, e comentar praticamente todos os posts. Agora, não, querida. Surgiram milhões de blogs,  somos uma cidade de blogs e não damos conta de retribuir todas as visitas, e na verdade, hoje eu deixo de visitar os blogs que adoro para visitar os novos, os que estão chegando. E sinto muito que as pessoas a quem eu passo dias sem visitar, tomem isso como uma forma de desamor. Não é!.

EM – Você acredita que o blog seja capaz de fazer uma rede (ring) de amigos? Já percebeu isso?
Meg – Como assim, Bial??? ;  – ) Não sei se entendi sua pergunta. Rede de amigos? ou ring de blogs amigos? Se for isso , obviamente que sim. Se a Afrodite, a Aninha ou a Joyce visitam e descobrem algum blog interessante, pode crer que isso é uma referência, e eu vou lá. A Cora é a blogueira que mais faz isso. (Aliás se tenho alguma notoriedade, devo à Zel, à Cora e só depois a mim mesma; -)] A Cora tem um papel de difusora, de reunir em torno de si, os mais diferentes tipos de blogueiros, e de nos indicar blogs que por nós mesmos demoraríamos muito a saber deles. As opiniões dela são importantíssimas também, e fico feliz se minhas opiniões coincidem com as dela.
Agora, se for uma rede de amigos, pessoas que se conhecem e que blogam…etc.. eu também percebo isso e cito como exemplo, os glo-blogueiros: os blogueiros jornalistas d’ O GLOBO. Como você, Elis, a Joana, querida, e todo o grande elenco.

EM – O que vc acha essencial que os blogs tenham?
Meg – Links querida, links. Os blogs são a expressão da vontade de seus donos. Mas se não houver links não é blog. É qualquer outra coisa menos blog. Acho que o grande diferencial do blog, é que ele oferece um enriquecimento à parte, para quem o visita. Um blog não pode se esgotar em si mesmo. Ele deve oferecer caminhos, deve permitir que o leitor saia dele com mãos (mentes) cheias, o blogueiro deve mostrar os caminhos que percorreu e oferecer esse caminho de links, URLs, para que o leitor  possa ver o que o blogueiro não viu, possa ir mais além.Aprendi isso com o  o Hernani Dimantas  (Por que linkar outros blogs?). Linkar bem é tudo!

EM – Você tem o hábito de visitar blogs de outras pessoas? Quais considera os melhores?
Meg – Uhuuu! Ia ter muita graça alguém fazer blog e não visitar outros…
Visito todos que eu posso , todos que conheço, até os de  que eu não gosto ;- )
Os melhores? Todos os que estão na minha Lista de favoritos, (mesmo os que estão extintos. Uma lista é um statement) e os que ainda vão estar. Como já disse, no momento estou preocupada com os que estão chegando agora.

EM – Você tem medo ou vergonha de se expor através do blog? Ou gosta disso?
Meg – Querida, sabe o que acho? Não são as pessoas que se expõem nos blogs. São os blogs que expõem seus autores. O blog, em sua continuidade, ‘denuncia’ quem somos. E depois, não controlamos o nosso índice de exposição. E finalmente, não há como fazer auditoria da auto-exposição.
Quando eu digo expor-se, não me refiro apenas aos blogs confessionais, o blog é um ótimo índice de como somos realmente. Livro aberto pra quem souber ler. Principalmente nos Arquivos.

EM – Você usa uma espécie de sistema de comentários, como o Yaccs? O que acha da importância da interatividade nos blogs?
Meg – Sim, e interatividade é importantísima, e faz parte da essência do blog, quer se use ou não ferramenta de comentários. Quem não usa comentários, usa Livro de visitas, ou coloca o email bem visível para o contato.
E entre as mais importantes significações da interatividade está o fato de que os visitantes são ou se tornam co-blogueiros. Escrever um blog é uma tarefa que não se faz sozinho. Vira um trabalho coletivo. Quer no fato de que as pessoas que nos lêem seguem indicações e chegam a outros destinos, vão em frente, como também, suas críticas, seus questionamentos, os que apontam erros nossos, contribuem expressivamente para se saber a quantas se anda. Mais importante que o contador.
Um outro tipo de interatividade é a de visitantes que escrevem indicando links, mandando fotos, imagens; isso acontece comigo e fico felicíssima. Eles nos estimulam. Com alguns chega-se a estabelecer uma discussão, por e-mail, que às vezes me faz atrasar na atualização do blog.
Do mesmo modo, o que chamo de  ‘patrocínio cultural’: posts inteiros que são levados pelos leitores – uhuuu, isso é maravilhoso.
Acho que blog é uma experiência conjunta de se viver melhor. Da prática da partilha, a negação da propriedade absoluta. Exercício de esforços do afeto.

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Confesso que  hoje, com a proporção que essa ferramenta  ganhou,  fico pensando: ainda que se pudesse prever era muito difícil ter consciência do que realmente isso iria significar. Sempre achei dificílima a seção de futurologia. Gosto mais mesmo é de passadologia, é mais certeira. Indesmentível, não dá pra contar vantagem. É isso, e vou falar o menos possível. Nada. *pisc.

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