Whaddya got?

Mildred: “What’re you rebelling against, Johnny?”
Johnny:  “Whaddya got?”

Antológico. Lembrei hoje.

Eu volto, tento fazer uma homenagem ao escritor Haroldo Maranhão mas, como sempre, tenho a impressão de que não vou conseguir. Vamos a ‘veire’, ai, ai, ai . O.O

P.S. ” E , juro, falando em cinema: sabe a Denise Richards, ex-entre-tapas-e-beijos-Sra. Charlie Sheen? Pois é, contrariando a ditadura do bom gosto e coisa e tal, eu na minha fase moouito rebelde:-) peguei a segunda metade  de Garotas Selvagens (Wild Things, 1998), com a própria “no auge do pelotaço”.
É filmeco, mas muuuito bem levado, pelo John McNaughton um “thriller” (tem também Matt Dillon, Kevin Bacon, Neve Campbell de “white trash”, Bill Murray (oba! olha só, não disse que vale uma olhada?), Theresa Russel, Robert Wagner e outros menos votados) com um “plot twist”, e um “plot twist”, e um “plot twist”, e um “plot twist”, e um “plot twist”, e um “plot twist”, e um fim, e, nos créditos finais, *outro* “plot twist”, e *mais outro* “plot twist”…  Pipoca pura.
Nada mal pra uma noite fria.” (aí no Rio, claro, Carlos e Julio).

Ainda volto, um dia, com uma lista de filmes analisada pelo meu crítico (de arte/cinema do coração). Socializo, juro.

Anotações

marlon brando, desconheço a fonte desta foto.

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” Há dois pecados humanos capitais, dos quais todos os outros decorrem: a impaciência e a preguiça. Por causa da sua impaciência, foi o homem expulso do paraíso. Por sua preguiça nao retornou a ele. Talvez não exista senão um pecado capital, a impaciência. Por causa da impaciência, foi o homem expulso, por causa dela não consegue voltar. Tenhamos paciência — uma longa, interminável paciência – e tudo nos será dado por acréscimo”.

Diário Íntimo. Franz Kafka)

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“A pessoa que não consegue enfrentar a vida – sempre precisa, enquanto viva, de uma mão para a afastar um pouco de seu desespero pelo seu destino… mas com a sua outra mão ela pode anotar o que vê entre as ruínas, pois vê mais coisas, e diferentes, do que as outras; afinal está morto durante sua vida e é o verdadeiro sobrevivente.”

Franz Kafka. Diários. Apontamentos de 19 de outubro de 1921

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“Deus é sutil mas não é maldoso”
(Einstein)
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“As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso vê-las, porque elas não vêm até nós.”
(Júlio Cortázar)
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Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos…”

(Cecília Meireles)
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“A gente sempre destrói aquilo que mais ama – em campo aberto ou numa emboscada.  Alguns, com a leveza do carinho; outros, com a dureza da palavra.  Os valentes, destroem com a espada. Os covardes destroem com um beijo.”

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– “A pior forma de tirania que o mundo sempre viu é a tirania do fraco sobre o forte. Esta é a única forma de tirania que dura.”

(Oscar Wilde)
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Não sei vocês, mas eu tenho, ainda, o hábito de fazer anotações em uma agenda. Claro que isso só vale para os que conhecem uma vida antes da atual, on line.  De tempos em tempos,  eu as revisito.  E,  de lá,  retiro essas notas. Outro dia, vi que o Carlos Drummond de Andrade até publicou um livro, dentro desse método. Chama-se  O Observador no escritório, 1943 . Por aqui e por enquanto,  estou observando o mundo, da janela do carro, dos consultórios ou laboratórios médicos. Vocês nem imaginam as maravilhas que tenho encontrado. Essas são algumas, poucas, que divido com vocês. O Marlon Brando, também.

Até mais ver/ler. Obrigada por cuidarem do blog. Ah! sim, não que não concorde com você que está achando que isso só se faz quando falta imaginação para um post mais comme il faut:-)

Ah! sim 2– :  tem aqui mais algumas do Millôr. Afinal, quem é que não sabe, uma, duas ou centenas de tiradas do Millôr? Algumas eu  quase não consigo escrever, morro de rir. Outras eu sei desde… antigamente.:-)

* Comida é bom, bebida é ótimo, música é admirável, literatura é sublime; mas só o sexo provoca ereção.
*É um desses livros que quando você larga, não consegue mais pegar”
* A falsa modéstia é o rabo escondido com o gato de fora.
* Grande erro da Natureza é incompetência não doer.
*O haddock é um bacalhau que venceu na vida.
*O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas.
*Não existe tendência para engordar. Existe tendência para comer.
* “Morrer é um coisa que se deve deixar sempre pra depois.”
*O importante não é o relógio; importante são as horas.
* O padre deu uma topada e fez um silêncio cheio de heresias
* Era um homem tão forte, tão saudável que um dia sentiu-se mal, foi ao médico e disse: Doutor, sinto-me fraco como um touro.
♣  ♣  ♣
*Há males que vêm pra pior.
*Eu posso não ser um bom exemplo. Mas sou um bom aviso.
* Quando você está fora de si, o pessoal vê melhor o que você tem dentro.
* Dinheiro compra até amor verdadeiro.
* À noite (na penumbra aconchegante das alcovas permissivas) todos os pardos são gatos.
* O quartzo é o mineral que fica entre o terzo e quintzo.
*Toda fotografia antiga é uma punhalada.
*Quem sai aos seus não endireita mais.
* A humildade é uma espécie de orgulho que aposta no perdedor.

♣ ♣ ♣

* Se os animais falassem não seria conosco que iriam bater papo.
* Nos momentos de perigo é fundamental manter a presença de espírito, embora o ideal fosse conseguir a ausência do corpo.
* Bahia – a maior agência de publicidade do mundo.
* O mal do mundo é que Deus e o Diabo envelheceram, mas o diabo fez plástica.
* Baiano só tem pânico no dia seguinte.

***^***^***^

* O maior erro de Noé foi não ter matado as duas baratas que entraram na Arca.-
* A morte é hereditária.
* Todo homem nasce original e morre plágio
* A psicanálise não tem cura.
* O dinheiro não é tudo. Tudo é a falta de dinheiro

“Indomável pecadora” ou a loura inteligente de Hollywood

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Mae West

Filha de imigrante alemã e de lutador de boxe afeito à bebidas, Mae West encantou-se pelo show biz aos 7 anos. Como garota prodígio – muitas vezes irritante -, participava de concursos com a anuência da mãe e reprovação do pai. A figura paterna estimulou sua repulsa ao modelo de sociedade patriarcal. Após ter se tornado a mulher (atriz) mais bem paga dos EUA, disse:

ball.jpgNos meus filmes e nos meus livros, fiz o possível para mostrar que uma mulher deve ter os mesmos direitos de um homem. Mas nem pensar em trocar meu vestido e minhas jóias por um terno.”

A professora de História na Universidade da Califórnia, Jill Watts é autora de “African-American History” e ” The 1930s and the Great Depression”, e com esse cacife é autora de uma biografia da louraça, An Icon in Black and White, na qual mostra e liga o panorama social do pós-crash de 29 com o movimento negro e o emblema máximo da cultura americana na época: Mae West. Os ingredientes eram piscadas maliciosas e rebolado insinuante. Mas não só.

A aproximação de Mae, uma mulher branca, com a cultura negra, era tida como trabalho precursor e original, mas não era bem-visto. Com suas palavras e gestos, representava a exacerbação da sexualidade e, por tais contornos, não se encaixava na categoria das brancas de classe média dos EUA. Por causa disso, muitos se referiam a ela como devassa, libertina, indecente e monstro de lubricidade;-) Juro!. Chegou até a ser presa! Mas nem assim ela segurou o “tchã” (ops, isso significa que ela ‘não deixou a peteca cair’, ou seja, continuou impávida e atrevida). Continuou a escrever sobre prostituição, homossexualidade e relacionamentos inter-raciais. “Por não estar na mesma sintonia da maioria branca, Mae era vista pela sociedade branca como uma atriz afro-americana, mesmo que inconscientemente”, diz a autora.
A influência da cultura afro na carreira da atriz surgiu na infância, quando ela morava no Brooklyn. Nos arredores de casa, teve contato com o blues e se tornou fã do artista negro Bert Williams, em quem se inspiraria para peças de vaudeville. Enquanto estrelas brancas contemporâneas revelavam a descoberta do jazz, Mae se referia à magia de ouvir os trompetes na adolescência.
Apesar do ponto de vista – aquela frase do terno ali acima – Mae nunca foi engajada com a causa feminista, com a causa da mulher. Mas isso não significa que sua carreira não fosse ligada à resistência e à rebeldia. Começou e terminou na contramão. Na década de 30, enquanto o sucesso das atrizes era associado à beleza e à juventude, Mae conquistou espaço em Hollywood como mulher madura, com 40 anos, acostumada a se relacionar com homens e fazer deles objeto. Em uma de suas muitas frases de efeito, comentou:
ball.jpg “Tenha um namorado para um dia de chuva – e outro, caso não chova.”

É verdade que apesar de não preencher os quesitos para a indústria da fama, Mae enchia palco e tela com seu corpo curvilíneo e talento para falar de sexo com espontaneidade. Fora das telas, admirava a beleza apolínea e valorizava a variedade de parceiros. Casou-se apenas uma vez, mas teve inúmeros amantes.
ball.jpg “Geralmente evito tentações, a não ser as que eu não possa resistir”, disse.

Não é de espantar que sua carreira deslanchasse com a peça “Sex“, em 1926. (OK, SEX?!…isso lembra quem, mesmo???).  O início, porém, veio com sabor de problemas. Pouco depois da estréia, foi presa por “corromper a juventude” e solta dez dias depois com o pagamento de fiança. O que não “aliviou” sua peça seguinte, intitulada “Drag”, sucesso absoluto em Nova Jersey ao tratar da vida de travestis. Apesar dos bons resultados, a Broadway recusou a montagem porque a polícia de Nova York havia advertido que, se a peça fosse para lá, Mae seria presa outra vez.

Rejeitada até o início dos anos 30, sua grande chance ocorreu quando o estúdio Paramount, que lutava para manter seu lugar ao sol, ofereceu a ela o papel principal de “Noite após Noite“. Foi assim:
Acostumada a escrever os roteiros de suas peças com versão pessoal, Mae odiou a história do estúdio e se ofereceu para reescrever tudo, tudinho – mas só que com seu tempero, muuuito tempero, é claro. O resultado não poderia ser melhor. Seu humor corrosivo a levou imediatamente ao estrelato e salvou o estúdio da falência. Mae representava uma possibilidade de otimismo para os americanos que estavam com problemas por causa da depressão. O humor era uma saída. E Mae West tinha também uma idéia muito clara sobre isso. Olha só:nesse primeiro filme , ela fazia uma cena na qual entregava um belo casaco prateado a uma camareira que, maravilhada, comentava:
ball.jpg – “Nossa Senhora, que belos diamantes.”
Com o estilo que a imortalizou, Mae respondia:
 “Nossa Senhora não teve nada a ver com isso, queridinha.”

Sua resposta ficou tão conhecida, que deu nome à sua autobiografia anos mais tarde.

Em 1933, Mae West adaptou para o cinema sua peça mais famosa, “Diamond Lil” (“Uma Loira para Três”), outro sucesso espetacular. Mas, apesar desses êxitos, Hollywood tentou fazer de Mae uma moça bem-comportada. Não adiantou, claro. Em 1934, se intensificou a censura no cinema e a atriz tornou-se o alvo número um. Mesmo assim, não fez concessões.
No filme “Uma Dama do Outro Mundo”, soltou mais uma ao ser abraçada por um admirador:
ball.jpg “Isso é um revólver que você tem no bolso ou você está apenas contente por me ver?”

Apesar da perseguição, Mae era única em Hollywood. Apenas Shirley Temple despontava como estrela infantil e disputava as bilheterias com a loira. E não é curioso perceber que os dois principais ícones americanos eram uma mulher ousada e uma criança? É bem o reflexo de uma sociedade confusa.
Depois da tirania da censura, seus filmes foram editados e se tornaram menos saborosos. Em 1940, Mae fez “Minha Dengosa“, que pouco entusiasmou o público e, menos ainda, a atriz. O resultado foi o seu afastamento do cinema por 27 anos.
Essa coisa de censura, estabeleceu um Código de Moral tão severo que Mae foi obrigada a parar de trabalhar em Hollywood. Se permanecesse, teria de renegar-se. O que não aceitou.

Longe do cinema, Mae dedicou-se aos palcos da Broadway. Com mais de 60 anos, ainda saracoteava numa boa, dançava e cantava com halterofilistas em suas comédias. Mas fez ainda dois filmes inexpressivos: “Homem e Mulher até Certo Ponto”, em 1970, e “Myra Breckiridge“, de 1978. Apesar disso, jamais interrompeu os disparos de sua metralhadora giratória em entrevistas sarcásticas até pouco antes de sua morte, em 1990, aos 87 anos. Mae gostava muito e tinha grande prazer de ser a lenda na qual se transformou.

Passados mais de 70 anos de sua explosão, a indústria cultural não foi capaz de apresentar outra artista com seu registro e talento”, comenta Jill. “Muitos dizem que Madonna é sua discípula. Apesar de ver paralelos, acho que Mae sempre será única”, conclui.

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Agora vejam , ou relembrem as Pérolas de uma sabedoria ou a  Sabedoria de uma pérola;)

ball.jpgO amor tudo pode, exceto contra a pobreza e a dor de dentes.

ball.jpgO resto da América pode pedir vida, liberdade e felicidade. Eu fico com o spotlight“.

ball.jpgQuando descobri que adorava minha mae e não gostava lá muito de meu pai, me senti culpada. Infelizmente, o Dr. Freud não estava para me dar explicações.”

ball.jpg “Casei quando aconteceu entre mim e [Frank] Wallace, aquilo que os especialistas chamam de ‘química’ e eu chamo de ‘aquela coisa física'”.

ball.jpg Garota da chapelaria: – “Nossa Senhora, que belos diamantes!”
Mae West:- “Nossa Senhora, não teve nada a ver com isto, querida.”

ball.jpg Durante a filmagem de “Nigth after nigth”, Alison Skipworth se aborreceu com Mae, que lhe roubava todas as cenas:- “Quero que você saiba que sou uma atriz!”
Mae, com ar de cumplicidade: “Tudo bem querida, guardarei seu segredo.”

ball.jpg “A virtude tem suas vantagens, mas não dá bilheteria.”

ball.jpg “É quando uma garota sai da linha que os homens vão atrás dela”

ball.jpg Num diálogo em Diamond Lil, sua empregada dizia:
– “Quero encontrar um homem moreno alto e bonito
Mae: “ Querida, você quer encontrar três homens, não um”

ball.jpg Quando Cary Grant (What a man!, ela dizia dele) lhe pergunta: “Nunca encontrou um homem que a fizesse feliz”?
Mae:- “Claro que sim, uma porção de vezes“.

ball.jpgEntre dois pecados, escolho sempre aquele que ainda não experimentei

A um repórter, sobre sua situação quase insustentável, depois de filmes como I’m no Angel e “It Ain’t no Sin” e com sua fama de bad girl:
ball.jpgEu e o sexo temos muito em comum. Não quero o crédito de tê-lo inventado, mas posso dizer (modéstia à parte) que o redescobri, e o melhorei bastante”

Respondendo à campanha de William Randolph Hearst (sim, o “Cidadão Kane”) que escreveu um editorial intitulado “Não é hora de o Congresso tomar uma providência contra Mae West?”, quando um jornalista lhe perguntou sobre sexo e religião, Mae disse:
ball.jpg “Tudo o que eu quero é divertir as pessoas, fazê-las rir tanto a ponto de esquecerem que são capazes de chorar”.

Sobre um moço, digamos, pouco atraente:
ball.jpg “Sua mãe devia tê-lo jogado fora e ficado com a cegonha.”

Certa vez, Anita Loos, a consagrada roteirista de “Os Homens preferem as louras” e fã ardorosa de Mae, após uma conversa de negócios, mandou-a deixar em casa, em seu Rolls Royce, dirigido por um chofer negro. Quando chegou em casa, após darem muitas ‘voltas’ por toda Beverly Hills, Mae telefonou para Anita:
ball.jpg Obrigada, querida, por tudo, e principalmente por aquela sinfonia de chocolate.

ball.jpg “Errar é humano, mas é divino. Aliás, eu adoro uma coisa errada

(Assim disse Mae West, atriz americana, 1892[?]/ – 1980) .

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“Tudo o que eu quero é divertir as pessoas, fazê-las rir tanto a ponto de esquecerem que são capazes de chorar” (M.W.)

Mae West tem muitas outras frases famosíssimas, plenas de *wit*, mas essa última me comove, me faz ter o maior respeito por ela. Ela é uma das minhas personalidades preferidas. Fico boba, com tudo o que ela dizia, muitas de suas ‘boutades’ poderiam ter sido ditas, sei lá…não sei como não escolheram a Mae West pra Prêmio Nobel da Paz categoria Faça Amor , Não Faça a Guerra. Sério.
Viveu por 92 anos. Trabalhou até os 81 anos, em seu último filme “Myra Breckinridge” escrito e adaptado por, imaginem, Gore Vidal. Precisava mesmo ser muito especial. E o que dizia gostar de fazer parece que fazia um bem incrível para a saúde dela. Com todo o respeito;-)))

Ah,  vão  essas tiradas de Mae. Podem acrescentar outras, digam as que mais  (ou menos) gostam. Reparem que não coloquei aquela famosa “Quando sou boa sou muito boa, mas quando sou má, sou melhor ainda. Resisti e não coloquei;-)

“Enquanto o homem certo não aparece,me divirto com os errados”