PAULO MENDES CAMPOS (IV e V)- Feliz Aniversário, Paulo!

kiki de Montparnasse/Man Ray

Kiki de Monparnasse por Man Ray

SABEDORIA

Se acaso, por um momento, teu coração, como o de teu pai, ficar vazio, arruma a casa, abre a janela, põe tua roupa nova — para que o vento a caminho, mais uma vez, te arrebate vivo.
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Fotógrafo de parque faz instantâneo de eternidade.
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Vinho farto e mulheres limpas consolarão do exílio o estrangeiro.
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São seis os elementos: ar, terra, fogo, água, sexo e morte. Não, são sete: e lirismo.
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Sabedoria… a máxima seria anoitecer como um bêbado e amanhecer como um abstêmio.
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Maturidade é recolocar, em juízo, os dramas do adolescente.
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Rebeldia é instinto de conservação do entendimento.
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O diabo da escola da vida é a bagunça do método pedagógico.
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O bom historiador que escreve mal devia entregar o seu material ao mau historiador que escreve normal.
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Quase todos vivem em permanente rendição. Os melhores alternam períodos longos de rendição com tumultos libertários. E só os raros vivem em guerra permanente pela independência.
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A verdade, esta mitômana.
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O vazio me enche.
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O grave do homem grave é que ele não está fingindo: é grave mesmo.
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Fotógrafo de parque documenta para a posteridade o insuportável silêncio do anonimato.
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Executados os exercícios da dor, os ofícios humanos se arrastam numa gelatina desculpavelmente ridícula.
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A natureza para ser comandada precisa ser obedecida.
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Quem jamais foi traído não sabe o que perdeu.
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O povo é o silêncio. Serei o advogado desse silêncio.
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O amor amplia o horror da morte.
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Todo herói acaba chato.
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Medo. Tem-se. Mas não se deixa ele mandar na gente.
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Morte. Não estou pronto agora, mas, se ela chegar agora, estou pronto.
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Homem sou: e um bom pedaço do que é humano me é alheio.
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Mandamento marginal: não tirar ninguém de seu engano.
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APANHADAS NO CHÃO

– De um amigo meu, no bar: “Trabalho tanto que não tenho tempo para nada; à noite, bebo um pouco para lembrar as minhas mágoas.”

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– De um vendedor de cinzeiros de barro em Belém: “Se eu escrever [cinzeiro]com C, em vez de S, ninguém vai comprar.”
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– De um conhecido meu, quando lhe disse que certo homem público, embora de poucas luzes, era grave e honesto: “O jumento também é grave e honesto.”
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– Do mais preto, passando por mim, quando o menos preto lhe disse que ele só pensava em mulher: “Ué, pensar então em quê?”
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– De uma expressão mineira: “Fala mais que pobre na chuva.”
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– Do finado Humphrey Bogart: “Um homem está sempre duas doses abaixo do normal.”
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– De um forjador de provérbios: “Caranguejo idoso pensa muito e brinca pouco.”
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– De um velhinho, ante o ar conjectural do caixeiro, quando pediu na livraria um manual sobre limitação de filhos: “Não é para mim; é para papai.”
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– Do matuto para o médico: “Foi tiro e queda, doutor: a pílula desceu e parou direitinho na casa da dor.”
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– De um velho do interior ao provar soda pela primeira vez: “Tem um gostim de pé dormente.”
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– De Jaime Ovalle: “O importante não é saber se a pessoa gosta de uísque, mas se o uísque gosta da pessoa.”
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– De Camilo Paraguassu, em um poema: “Vista de Paquetá, a lua é linda.”
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– De Garrincha, muito absorto, meio segundo antes de ser dada a saída no jogo do Brasil com o selecionado soviético em 1958: “Olha ali, Nilton, aquele bandeirinha é a cara de seu Carlito…”
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– Do mesmo, contando ao colega onde comprara uma gravata (Roma): “Foi naquela cidade onde seu Zezé deu um tombo no vestiário.
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– Do mesmo para um companheiro de pelada: “Quer parar de driblar!”
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– De “Osvaldo Cabeça de Ovo, no dia em que seu time de areia perdia de cinco a zero: “Arrecui os arfe para invitar a catastre.”
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– Do treinador, também de praia, Trindade: “A missão do centrefór é atrapaiar os beque.”
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– De um outro treinador para o goleiro: “Carambolou, arreia.”
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– De um torcedor a meu lado, vendo uma jogada magistral do enciclopédia Nilton Santos, errando, paroxismado, na tônica: “Dá-lhe, catédra!”
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– De Graciliano Ramos, quando ouviu pela primeira vez um rouxinol: “Eta passarinho chato!”
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– Do cabo Firmino, na revolução de 30, promovido pelo comandante da Força Pública Mineira, por ato de bravura em batismo de fogo: “Uai, seu coronel, tava pensando que era manobra.”
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– De Hemingway sobre a famosa modelo Kiki de Montparnasse: “A única mulher que nunca dormiu em sua própria cama.”
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– De um estudante para mim: “Escritor é o Euclides! Olha só: O sertanejo é — vírgula! — antes de tudo — vírgula! — um forte — ponto!”

Paulo Mendes Campos (1922-1991)- De um caderno cinzento — Apanhadas no chão – Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro,1969

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Prestem atenção em todas, mas reparem a do “nosso” Graciliano;-)

Este post – no qual, reconheço não ter mérito algum, a não ser o carinho da escolha, é para todos, mas mui especialmente, um regalo para o meu Queridíssimo PAULO CUNHA PORTO, um Cavalheiro. Cavaleiro da Ordem da Jarreteira e dos Corsets . Honni soit…:-). Parabéns e Felicidade, all my best wishes pelo seu aniversário . Um bocadinho chateada pois ele está tomando de assalto os corações das meninas brasileiras. Que o digam Marie e Maríla;-).
Obrigada, imenso, pelos dardos! Você é simplesmente *o* MÁC-SI-MO!!!:-)

Meu presente musical .. ai, ai, vc não gosta de música brasileira, mas vou arriscar esta:

Paulo Mendes Campos revisited – “A Marquesa…” pelos (geniais) leitores do Sub Rosa

marquesa_chaise.jpg

Pessoas queridas. Nem vou falar muito, aliás, nada, nada, nada…

Apenas recomendo que abanquem-se…oopss! que é isso?…*amarquesem-se” na marquesa ao lado para ler a respeito da Marquesa láááá em baixo.
E testemunhem, comigo, o talento dos leitores e amigos do Sub Rosa… Woo-hoo!

Isto sem contar a alegria que me deram: viva a interatividade, que eu imaginava ter antes e agora não mais…. Tô tão feliz que acho que Deus existe e gosta de mim;-))). Dei umas sutis mexidinhas, qualquer coisa, reclamem . Obrigada, gente… Voilà:

♣♣♣

ALIKI – ma chérie-

“O Wolfgang embarcou! On dirait un message codé de la BBC à la Résistance ! Résistons donc. Foi registrado…E acho que a marquesa saiu foi às 5 da matina pé ante pé e farta de tanta farra. (Tipo Secretaria -Geral dos Annales de la Résistance;-))

♣♣♣

*Ana Vidal – Porta do Vento

1 -Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
A marquesa saíu
às cinco horas da tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

(Ana Vidal, em cima do lance, em parceria com Federico García Lorca)

2Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o
ser, muda-se a confiança;
E muda-se a marquesa, pr’a
festança
Às
cinco horas da tarde, em ansiedades!

2-Alma minha gentil que te partiste
Tão cedo desta vida descontente
Às
cinco em ponto dá-se o acidente:
Morre a marquesa, ai de
mim tão triste
(Luís de Camões, amante da marquesa)

3- A marquesa é uma fingidora.
Finge
tão completamente
Que chega a fingir que entra
Quando sai, às cinco horas.
(Fernando Pessoa, apaixonado platónico da marquesa)

4- “- Então, homem? Quando chega a nova marquesa? – perguntou o cirurgião, impaciente. – Como quer você que eu opere, se a velha se partiu ao meio??”
– Daqui saíu às 5
horas, doutor. Mas, com o trânsito que está… – (Diálogo do médico com o fornecedor de equipamento hospitalar, atrapalhado.”)

♣♣♣

*Carmen-
“A marquesa (aquela cabra) que não faz nada de nada na vida saiu às 5 horas. Da tarde. Às cinco da manhã é a hora que ela chega. Esse mundo tá perdido. Aliás, “Marquesa” é o nome de guerra dela. (Colega de “ponto* da marquesa)

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* Célia Trakl

“A markz se mandoh as 5hs naum sei pq, vei. Vai ver entrou numas, o markz q se cuide, vei. (Garotão com culpa no cartório)

♣♣♣

Claudio Boczon – Porão abaixo
1-Às cinco horas, saiu marquesa (édito durante o Regime do Terror)

2-“A marquise caiu às cinco horas, e a marquesa, oras, saiu?” (T. psicografia do Galo do Gugala, também vitimado pela laje)

3- -”Às 5 horas, saiu marquesa mas, voltará a mesma à mesma? (filósofo existencialista e gramático;-))

♣♣♣

Elis Marchioni –

1-A marquesa saiu às cinco horas para tomar um delicioso café na Cristallo (ou na Di Cunto).Enfim, a marquesa saiu para tomar café. (Tipo cafeína)

2- Sorte da marquesa ter saído às cinco horas. Às cinco e quinze invadiram sua residência, à rua Gusmão, arrombaram a porta, mataram o empregado, o gato e o canário. No cofre arrombado, não encontraram jóias ou dinheiro. Estavam na mala quadrada que a marquesa despachou mais cedo no porto.Elis, depois de ver uns programas forenses.

♣♣♣

Ery Roberto – Infinito Positivo:

1-Se 5:00 A.M.: “A Marquesa está chegando, mas finge que é saída”.
Se 5:00 P.M.: “A Marquesa saiu e o
Marquês foi visto tomando catuaba.”

2- “Se a Duquesa [cometendo mais uma gafe, era Marquesa] saiu às 5 era coisa dela, se saiu às 6 era coisa dela, se saiu às 7 era coisa dela. A única coisa que posso dizer é que não sei de nada.
(Luiz Inácio LULULALA da Silva)

3- Se chorou ou se sorriu, o importante é que a Marquesa saiu… às cinco horas (Ery RobertoeErasmo”.

♣♣♣

Fabio – PROSÁPIA

Quanto à marquesa, não posso dizer nada. Nunca a encontrei, não a conheço e os dólares que ela levava não são do partido. O quê? Você pergunta como eu sabia dos dólares? Não, eu não sabia de nada, você entendeu mal, você está colocando palavras na minha boca. Vai acreditar numa monarquista como ela e me colocar assim contra a parede? Exijo respeito. Tenho uma biografia!” (Tipo o quê? Eu não sei de nada!)

♣♣♣

Gugala – Ao³:

1- “- A marquesa não saiu às cinco horas. ”
(Depoimento de um conhecido politko brasuca à uma comissão de inquérito de alguma CPI

2- ” Aquela vaca não voltou ainda
(
marquês marcão)

3- “A marquesa trepou as 5 horas. Sem parar.”
(
Marquês de Sade)

♣♣♣

Isa

“A marquesa saiu as cinco horas da tarde?! Cortem sua cabeça!!!”
(
Tipo Rainha de Copas / Lewis Carroll)

♣♣♣

Ju –After the fall

Cinco da tarde, hora estranha. Até a marquesa, sem dar explicação do porquê de tal decisão, saiu.;) (Juliana Marques, não-marquesa)

♣♣♣

Magaly Campelo de Magalhães –

1- A Marquesa, às cinco? Da matina? A ou de coche?Não, não diga mais nada. Como todos imaginavam, menos eu, claro, que não sou de muito falar, não é mesm… ? (D. Guarámulher do barbeiro, este doublé de fotógrafo de Passaperto / Triângulo Mineiro)

2- Da matina, sim, mas vai embora. pelas cinco da tarde, depois que o Doctor House fizer os exames mais estrabóticos do mundo, ameaçar o Marquês de viuvez precoce, e, finalmente, diagnosticá-la com precisão meticulosa (Magaly, programadora do Universal Channel, especial para o Sub Rosa.)

 

♣♣♣

Marie Tourvel – As letras da sopa

1– “A empregada da Marquesa estava ouvindo um belo Odair José no radinho de pilha: “Eu vou tirar você deste lugaaar”, quando a patroa a chama: Suzineeeeete, tô saindo. E se foi a Marquesa às 5 pro bailão pra dançar ao som do Wando.” (Estilo Marie Tourvel)

♣♣♣

Orlando Gemaque:

1-Se saiu, ninguém sabe ninguém viu, mas as inimigas da marquesa juram que ela saiu, como era seu costume de uns tempos pra , ás cinco. Vá saber se foi da manhã ou se foi da tarde (Testemunha ocular)

2- “A Marquesa? saiu? às 5 h? Que Marquesa? Que 5 horas? Ainda existe marquesa no Brasil? (Moçoila com chiclete na boca, distraída)

3- A Marquesa levantou-se da marquesa e correu, foi atropelada e agora está no Pronto Socorro na última marquesa que restava, pensando 5 horas não é hora boa para sair. (Orlando, aluno virtual da professora Rose)

 

♣♣♣

Peri S C – Armazém Peri S. C

“A marquesa escafedeu-se impávida, ali pelas 5 horas, afinal uma mulher elegante ao escafeder-se não pode ser muito precisa no horário. ( ouafinal, ninguém se escafede em horários precisos )”

(Peri, nosso blogosférico Petrônio, árbitro da elegância, filosofando)

♣♣♣

Pedro S BOTELHO (PSB) – articulista do Porta do Vento

Porra! – disse a Marquesa, dando um murro e batendo com as tetas na mesa.
São cinco horas e tenho que dar corda aos sapatos… (Tipo .. ora, o Piorio Sabe-me Bem – às vezes.)

♣♣♣

 

O Réprobo – As Afinidades Efectivas

1- “É evidente que a Marquesa não saiu às cinco horas, pois´essa é a impreterível altura do seu chá”. – O Fornecedor de Alibis.

2- “A Marquesa saiu às cinco horas. Da casca, não da casa, como ficou por gralha tipográfica, sem ser notícia”. – A Redacção do Periódico, desculpando-se ante os protestos dos leitores.

3- “A única Marquesa quehoje é a cama do consultório do médico. Como querem que ela se tenha posto a andar às cinco horas?” – O Republicano.

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Rose Marinho Prado – Aulas da Rose

“Temos a presença da Intertextualidade e também a primeiridade pierceana, quando trafegamos pela modernidade , flertando assim com as flotilhas malarmaicas , poundianas e, também !com o signo , por que não? o quali e ,mui digno, signo. Em ” marquesa saiu às cinco horas”, há o dialogismo do narrador personagem, o tempo, o qual em instantes verbivoco ( Ler meu livro, lançado pela editora do Cogeae. “Onde anda a onda de Haroldo?” – um excerto design literário e por que não? culinário, que um signo envolve os órgãos todos do humano e também daquilo oculto
Tem-se
que Bakthin, oculto, trafega e flerta ( sim o flerte existencial e materializado em signos palpáveis) com o tempo, no tempo e para o tempo. Tempo que pára engendrando a epifania (que também flerta com “O Búfalo”, de Clarice Lispector. O tempo, a Marquesa e a impossibilidade do ódio, nessas contemporaneidades dum texto que contempla autores como Domenico di Masi, em “O Ócio Criativo”.
Fica
evidente que , no ócio , toda a epifania clariceana vislumbra e atravessa num esgar a narrativa que, assim como um bailarina em pas-de-deux alça ao ar a Marquesa, sustentando-a em criaçoes que funcionam tal qual orgasmos múltiplos, que também dialogam com o qualissigno pierceano , engendrando para o leitor a segundidade que, febril caminhará par aa terceiridade, onde a Marquesa surge numa linguagem pictórica . O eme (m) de Marquesa delineiam suas pernas abertas, envolvendo o tempo que é o ponto G. Este que flerta com o dialogismo das flotilhas não de Lispector mas também de Sousândrade.Este que coaduna com a criação, fechando o tempum, usando seu chapéu, símbolo fálico,marcando assim a presença freudiana ; Lacan também comparece, embora, não cobre nada à Marquesa que, num exato divã, ouve de sua analista que o tempo acabou.
Cabe
assinalar a cumplicidade da narrativa com o flerte que capta as sonoridades: o som esa em associação densa e em primeiridade capta o Guesa Errante . (Professora da Semiótica da Puc)

2- “Pela primeira vez na história do Brasil , a marquesa saiu às cinco horas, porque, hoje, neste país, ninguémmole pra marquesa. A marquesa trabalha duro, minha gente. E pessimista nenhum vai dizer que a marquesa não faz parte do meu governo.” (tipo Governo)

3 – “1970…
Saiu a marquesa, a
baixela, o tapete, os dois candelabros, a bergère, a banheirinha dos pés, o aquário. A televisão.
À
noite, o dela. Gritado. Eu, a um passo da meia-noite.
Exaustos, no colchão. Amanhã, à estrada.” (Tipo Memorialista)

 

4-

Marquesa
Martelulia vibrilínica
Babe
lúdica , barbeirando
Cloacacaquesa
Cloalíndrigo
Estrela dalvadando
Vale publicitas
Saindoindonde
Marc, doramarca
Doriana, dorilama
Dore a cama
discreto pianolando
Setas cinco viajando
Vituperiana javanesa
Piano piano
Babe
Coca
Beba a marquesa
(Tipo concretino estilo ‘criado’ pelo Ruy )

 

♣♣♣

Teresa –A Gota de Rantanplan
“«A desavergonhada da marquesa saiu às cinco horas do leito do adultério – já ia atrasada para o chá conjugal com o corno do marquês»João da Ega para Carlos da Maia.

♣♣♣

Sum – já com um blog à espera;)

“Já a tarde ia longa
Quando o cuco espreitou
E cinco badaladas cantou.
A marquesa levantou-se e desceu
o seu cabelo ajeitou,
Pegou no lulu e basou.
Já a noite espreitava
Quando a Marquesa voltou
E o que fez, a ninguém contou.”

A Marquesa deu de frosques por volta das cinco.
Um embrulho trouxe quando voltou
E no lixo o deitou
Mas quem lho fez a ninguém contou

A Marquesa vestiu-se, bateu a porta e sumiu.
Eram cinco da tarde, mas ninguém viu.

No limiar da porta a criada espreitou e avisou a sua senhora de que as cinco tinham acabado de bater. Calmamente a Marquesa levantou-se, deu um jeito no cabelo amassado, vestiu um casaco e dirigiu-se à porta. Sem dar explicações saiu.

♣♣♣

Ladies and Gentlemen: Muito obrigada! Olha aí: ELA! A MARQUESA! Tadinha!;-) marquesa_villefranche_goya.jpg

PAULO MENDES CAMPOS (II) – UPDATED

Partilhamos (o Dudi Maia Rosa, o João Antônio Bührer, e eu ) uma tese: a de que o escritor mineiro PAULO MENDES CAMPOS (um dos quatro mineiros do Encontro Marcado) foi o primeiro blogueiro brasileiro. Publicado! hohoho
Eu sempre vivo prometendo sem cumprir:-( re-publicar coisas do Paulo Mendes Campos e sei muito dele, por causa do meu querido blogueiro de estima e eleição, o JOÃO ANTÔNIO BÜHRER; que me envia coisas maravilhosas sobre a Marilyn Monroe, claro, sobre HQ, discos, resgates de revistas, editoria, – ele é editor, e sobre o PMC e não só.

Hoje eu queria publicar uma coletânea de alguns dos livros do escritor, tradutor, cronista, poeta.
E para facilitar minha vida, o próprio Paulo escreveu a sua autobiografia. É uma autobiografia que é ao mesmo tempo um “Zeitgeist” (depois publico, ou acho até que já publiquei, isto é, transcrevi.)

Nao sei vocês, mas eu acho que Paulo sempre foi muito na dele e visceralmente diferente dos demais.
Eu acho, pode ser apenas impressão, que o Brasil não faz justiça a Paulo Mendes Campos que é praticamente desconhecido, fora dos meios literários e adjacências.
:o(
É ou não é?
Então eu resolvi transcrever, um exercício de estilo à maneira de Queneau.
É essa maravilha:
A MARQUESA SAIU ÀS CINCO HORAS

“Paul Valéry, com seu horror à vulgaridade literária, dizia-se incapaz de escrever um romance por não possuir a coragem de redigir uma frase como esta: A marquesa saiu às cinco horas.
Pois se dá que neste momento, em crise de frivolidade, fico pensando nas inúmeras maneiras de descrever um episódio tão banal. Tais como:

*********
* A marquesa talvez tenha saído às oito horas, talvez um pouco antes, talvez um pouco depois, talvez nem tenha saído. Eu pelo menos nem a vi (Tipo mineiro, à la José Maria de Alkmin)

* Ninguém poderia jurar que a marquesa saiu às cinco horas (Tipo agnóstico)

* Se a marquesa saiu às cinco horas, às cinco horas, logicamente, a marquesa não devia estar em casa. (T. policial carioca)

* Teria realmente a marquesa saído às cinco horas? (Cético)

* A marquesa, ô lá lá, saiu às às cinco horas (T. Pichador)

* A marquequequesa sasaiu às cicinco horas (Nervoso)

* Madame la Marquise est sortie à cinq heures (T. francófilo)

* A maphyeza saiu cay ac cihko gopac (Criptografico primário)

* Se a marquesa saiu às cinco horas devia estar ligada a movimentos subversivos (DOPS)

* A MARQUESA SAIU ÀS CINCO HORAS ! (Manchete de vespertino)

* A Marquesa deu a saída às cinco horas ( Repórter esportivo)

* Por que a marquesa saiu às cinco horas? (Marquês)

* A marquesa saiu at five o’ clock (Colunista social)

* A marquesa saiu às cinco en punto de la tarde (Associativo)

* A marquesa saiu , sem a mudança, às cinco horas. (Dono de transporte de móveis)

* A marquesa saiu às cinco horas, mas eu não fui. (Mitômano)

* A marquesa por cima saiu por baixo às cinco horas por cima (Débil mental)

*A-pa marpaquepesapa sapaiupiu aspas cinpincopo hoporaspas (Pueril)

* A marquesa saiu às cinco horas. Uma pouca vergonha. (Ressentido)

* A Msa. saiu às 5 (Sintético)

* Venho pela presente declarar, a quem interessar possa, que a marquesa saiu às cinco horas (Comercial)

* A marquesa saiu às cinco horas na tarde azul rumando ao Sul no barco em flor do meu amor (Bossa nova)

* A marquesa saiu às cincos horas gozando o favor do preceito constitucional que lhe assegura o direito de ir e vir (Bacharelesco)

* A marquesa tá um pavor, minha filha, saiu às cinco horas (Uma Amiga da Marquesa)

* A marquesa saiu às cinco horas como um raio de sol belo e terrível (Augusto Frederico Schmidt)

* &%$#%$@*%$§#%5&*§§£³ (Henry Miller)

* A marquesa saiu às cinco horas lançando pianos na tarde (Murilo Mendes)

* A marquesa saiu às cinco horas, mas posso garantir que aqui na casa do velho Braga ela não esteve .(Rubem Braga)

* Quando soube que a marquesa tinha saído às cinco horas, a macróbia de Boca do Mato me telefonou para dizer: “Essa bruaca já estava sobre a borocochô no baile da Ilha Fiscal” (Stanislaw Ponte Preta)

* A Marquesa! Saiu! Às cinco horas! Ba-ta-ta! (Nelson Rodrigues)

* Eu jamais escreveria: A marquesa saiu às cinco da tarde (Paul Valéry)

* A marquesinha, que gracinha, saiu às cinco horas (Vinicinho de Moraesinho)

* Salve a marquesa/ real turquesa do Brasil/ do Brasil do céu de anil /que saiu às cinco horas /de reco-reco e tamborim/ ai de miiiiiiim ( Escola de Samba)

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CAMPOS. Paulo Mendes. O colunista do morro. Rio, Editora do Autor. 1965

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Você quer continuar? Estão todos convidados, hahahah, ah! vamos nessa? Vai?;-) pisc*

Pode deixar, obviamente, aí nos comentários;-) E eu claro, publico aqui.

Pra incentivar começo eu mesma, nós duas:

**”A marquesa , tão querida, aquela maravilhosa criatura, muito sabiamente e após muita reflexão, decidiu sair às 5 (cinco) horas da tarde. Ora, quem pode negar, que essa fantástica mulher estava exercendo corajosamente o seu inalienável direito de pensar, escolher, decidir e finalmente, mostrar a autonomia que tem sobre suas decisões…Viva a marquesa e mil beijos para ela. Hohoho! (Meg – Sub Rosa, blogueira prolixa, encomiástica e muito meiga, tadinha…. hohoho)

Agora, você;-)))

UPDATE:

Meninos e meninas:-)))
Este blog é vosso – (sim, tenho que falar assim, porque – respeitinho comigo – o blog voltou a ser transatlântico, mas quem diria, não é? O que é a vida hohoho?
Ó tempora ó mores!!!!
Mas queridos, vim só pra dizer que não contem comigo. Prossigam se for o caso. Não o sendo, aguardem-me que neste final de semana farei o que é devido e se impõe: tal como o Ery Roberto, eu colocarei tudo, tudinho num outro post à laia de continuação. Afinal a marquesa merece e os marqueseiros mais ainda. hohoho!
Quero agradecer à queridíssima Ana Vidal e seus amabilíssimos leitores (não sei o que me deu, pois não sou dada a usar superlativos;-))) –
De facto, Rose, como falar em melhor ou melhores quando todos estão excelentes.
Embora , de coração eu destaque a do PedroSBotelho -o do PSB!!!!;-)))) -sigam o link.
Este gajo é porreiro, é tiro certeiro! Fiquei a chorar de tanto rir, “dar corda aos sapatos” é demais:-))))
Todos , todos os meus amigos foram maravilhosos. Finos, fantásticos e outros efes. Gugala, Gugalus;-) vc se superou… e eu agradeço. Antes de ir ao ponto final, quero agradecer a Teresa, uma lady graciosa – cheia de graça- que conta histórias idem e que me lembrou do que gosto -O meu querido Eça, n’OS Maias. E não só.

O ponto final é agradecer a todos que superaram as minhas expectativas, nuca as tenho – é bom dizer. Obrigada, obrigada aos que vieram, embora eu não tenha podido nesses meses ser constante nas visitas, mas a essência do blog é essa mesma nem tanta reciprocidade e nenhuma retaliação. Ops… estou quase a imbuir-me do espírito de tristeza e mal estar que me causam essas coisas mal paradas entre a Espanha e o Brasil… Que coisa, mas se nem entre pessoas que se conhecem não há generosidade… como esperar que haja em âmbito mais geral.? Sim, estou chateada. Nem Bob Dylan consegue me acalmar… Apetece-me ler novamente o Canto de Inês de Castro… o((( “Põe-me onde se use toda a feridade/Entre leões e tigres e verei/Se neles achar posso a piedade/Que entre peitos humanos não achei/”

Ah ! Marie e Rose nem me falem do Ruy, o homem que sabe DJAVANÊS;-)… Sim, ele é o maior, o maioríssimo, gênio, realmente gênio, mas ele deixou de gostar de mim. Mas eu gosto dele mesmo assim… Buááááá´!

Bem,, queridos, agora tanto o computador e sua dona vão para revisão neste final de semana
Já disse que (v)os amo?;-)
E falando em amor: Parabéns para minha adorável Amiga MAGALY CAMPELO DE MAGALHÃES !
E para que não haja dúvidas: Vocês AR-RE-BEN-TA-RAM! Iuhuuu!

Cuidem de tudo por aqui, por favor, sim? A casa é de todos. Sempre. Sintam=se à vontade, vocês sabem…;-)