SR10 – A perda do eu no outro: solidão e desamparo

”  — Deveria haver uma lei que proibisse a obscenidade do abandono, uma lei, um decreto cheio de artigos, parágrafos, itens e subitens que proibissem esse tipo de usurpação das ilusões, de fraudes amorosas. Do direito humano inalienável e incontestável de ser amado pela pessoa amada.

E deveria haver um parágrafo único sobre a minha dor inteira.
ESTATUTO – Lei n° 000/Do início dos tempos

Título I: Do Amor
Título II: Do Sexo
Título III: Das Disposições Transitórias

Título I Do Amor

Art. Io – O amor abrange os processos formativos que… Diz a filosofia: “Se, como os animais, temos ne­cessidades, somente como humanos temos desejo.” A essência dos seres humanos é desejar. Somos seres desejantes. “Não apenas desejamos, mas sobretudo desejamos ser desejados por outros.”

PARÁGRAFO ÚNICO – “O desejo não suporta o tem­po, ou seja, desejar é querer a satisfação imediata e o prazer imediato.”

§ 1o — Esta Lei disciplina o amor.

Capítulo V

Dos impedimentos

São impedidos de servir no mesmo conselho amante e mulher de bígamo.

Capítulo VI
Do acesso à justiça

É garantido ao amante o direito humano inalienável e incontestável de ser amado pela pessoa amada.

Capítulo VII
Da proteção judicial dos interesses individuais, difu­sos e coletivos (existenciais) dos amantes

Art. 208° – Regem-se pelas disposições desta Lei as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos as­segurados ao amante, referentes ao não-oferecimento ou oferta irregular:
I – de amor
II  – de atendimento sexual amoroso aos que se entregam por puro amor

Seção III
Da obrigação de reparar o dano

Art. 116° – Em se tratando de ato de abandono com reflexos no abandonado, a autoridade poderá deter­minar que o outro restitua a coisa, promova o ressar­cimento do dano ou compense o prejuízo da vítima (o abandonado).

PARÁGRAFO ÚNICO – As hipóteses previstas neste artigo não excluem da proteção judicial outros interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios dos amantes.

Art. 22°  – Para defesa dos direitos e interesses protegidos por esta Lei, são admissíveis todas as espécies de ações pertinentes.

PARÁGRAFO ÚNICO (das disposições trnsitórias sobre a minha dor definitiva):

[…] Eu estou tão ferida tão ferida, tão ferida de amor recusado que é como quando ferem  um bicho e ele resiste ainda vivo, quando não o mataram de todo. Eu sou um urro só, uma dor inteira…


[…]”Meu único caminho teria sido aceitar a solidão como quem aceita uma marca de nascença… ”
“Meu erro foi a insistência, a procura incessante por um complemento, por um encontro, uma companhia que fosse  […] A gente devia ter aulas de solidão nas escola […] Devia ter uma matéria no currículo: “Meus queridos alunos, bom dia, sou o professor de solidão. repitam comigo, conjuguem o verbo comigo: nigué te quer, ninguém te quis… Alguma dúvida? Quem tiver dúvida levante a mão” “Ah! acostumar-se com a solidão, aceitar as caçadas solitárias do meu coração. Reconhecer a minha como uma agenda de possibilidades em código, de encontros marcados com gente que não vou encontrar” […]”

=-=-=-=

O texto acima foi retirado do livro Obsceno abandono, de Marilene Felinto.
O texto não necessita de explicações ou justificativas, está impresso na alma e em sua dobras a dor do desamparo, o fel da devastação, a lucidez da angústia e o cansaço da crueldade, erosão do ser.  A visceral busca do ser humano pelo outro e com ele formar um outro e único eu, impossível demanda. Ódio e revolta, desnudamento explícito.
Nesses 10 anos e desde o ano em que o livro foi publicado, 2002, pensei em publicar no blog  vários excertos desse discurso desesperado, raivoso, cansado, desesperançado. Por alguma razão fui adiando até hoje, talvez por causa de um outro viés a partir do qual a autora já declarou querer ser identificada, o da escritora, jornalista e (exacerbada) militante política. A gente pensa que isso não tem importância ou como se diz “não tem nada a ver”…  Eu, sinceramente, não sei.  Um trabalho acadêmico, tudo bem, uma publicação ocasional num blog, já é diferente. Política divide, sofrimento une.  Ou não?
Fica então, nesses dias de anivesário, um presente que o SUB ROSA dá a si mesmo,  a todos que o lêem e aos que, estou certa, ainda irão ler.  Para refletir,  e talvez para ir mais além.

♦Felinto, Marilene. Obsceno abandono: amor e perda. Rio, Record, 2002. (Coleção Amores Extremos)

SR10- Augusto Monterroso-pequena antologia

CÉSAR MIRANDA,  poeta, músico, advogado, blogueiro e compositor, a meu pedido, apresenta  Augsto Monterroso :

Meg pediu uma “breve introdução a Monterroso”. Seria um desrespeito escrever sobre Monterroso uma introdução longa. Trata-se do rei da síntese. Autor do menor conto de todos os tempos “O Dinossauro”. O Picasso das letras, complexo e simples. Um amigo meu, a quem respeito, me ouviu recitar “O Dinossauro” (“Quando acordou, o dinossauro estava lá”) de Monterroso, “é fantástico, não é?”, indaguei. “Não achei, não”, respondeu.
Monteroso que diz o suficientemente necessário parece estranho; mas a quem o texto desse senhor da Guatemala pega, vicia. Não se pode julgar mal quem não goste dele ou de Picasso. Pode-se julgar mal sim é às Editoras que não mantém Monterosso em seu catálogo. Millôr e Borges são alguns de seus entusiasmados fãs. Seu único livro em português é “A ovelha negra e outras fábulas”, lançado pela Editora Record – Rio de Janeiro, 1983, com tradução de Millôr Fernandes e ilustrações de Jaguar. Deve ser difícil achar em sebos, quem se livraria do seu?  Nada mais direi.

César Miranda – BSB – 14.10.02 ”

Não é maravilhoso?
Sábio e prudente conselho, também nada mais direi. Às fabulas, pois.
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Pequena Antologia de fábulas de Augusto Monterroso

A FÉ E AS MONTANHAS
Augusto Monterroso
No princípio a Fé removia montanhas só quando era absolutamente necessário, e por isso a paisagem permaneceu igual a si mesma durante milênios.
Porém, quando a Fé começou a propagar-se e as pessoas começaram a achar divertida a idéia de mover montanhas, estas não faziam outra coisa senão mudar de lugar, e cada vez era mais difícil encontrá-las no lugar em que a gente as tinha deixado na noite passada: coisa que se percebe, criava mais dificuldades do que as que resolvia.
A boa gente preferiu então abandonar a Fé, e agora as montanhas geralmente permanecem em seu lugar.
Quando numa estrada acontece um desmoronamento debaixo do qual morrem vários viajantes é porque alguém, muito longe ou por ali mesmo, teve uma ligeiríssima recaída de Fé.

*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=

O BURRO E A FLAUTA

Jogada no campo estava desde faz tempo uma Flauta que já ninguém tocava, até que um dia um Burro que passeava por ali soprou forte nela fazendo-a produzir o som mais doce de sua vida, quer dizer, da vida do Burro e da Flauta.
Incapazes de compreender o que tinha acontecido, pois a racionalidade não era o seu forte e ambos acreditavam na racionalidade, se separaram rapidamente, envergonhados do melhor que um e outro tinham feito durante toda a sua triste existência.
(trad: Millôr Fernandes)

*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=

O MACACO QUE QUIS SER ESCRITOR SATÍRICO

Na Selva vivia uma vez um Macaco que quis ser escritor satírico.
Estudou muito, mas logo se deu conta de que para ser escritor satírico lhe faltava conhecer as pessoas e se aplicou em visitar todo mundo e ir a todos os coquetéis e observá-las com o rabo do olho enquanto estavam distraídas com o copo na mão.
Como era verdadeiramente muito gracioso e as suas piruetas ágeis divertiam os outros animais, era bem recebido em toda parte e aperfeiçoou a arte de ser ainda mais bem recebido.
Não havia quem não se encantasse com sua conversa, e quando chegava era recebido com alegria tanto pelas Macacas como pelos esposos das Macacas e pelos outros habitantes da Selva, diante dos quais, por mais contrários que fossem a ele em política internacional, nacional ou municipal, se mostrava invariavelmente compreensivo; sempre, claro, com o intuito de investigar a fundo a natureza humana e poder retratá-la em suas sátiras.
E assim chegou o momento em que entre os animais ele era o mais profundo conhecedor da natureza humana, da qual não lhe escapava nada.
Então, um dia disse vou escrever contra os ladrões, e se fixou na Gralha, e começou a escrever com entusiasmo e gozava e ria e se encarapitava de prazer nas árvores pelas coisas que lhe ocorriam a respeito da Gralha; porém de repente refletiu que entre os animais de sociedade que o recebiam havia muitas Gralhas e especialmente uma, e que iam se ver retratadas na sua sátira, por mais delicada que a escrevesse, e desistiu de fazê-lo.
Depois quis escrever sobre os oportunistas, e pôs o olho na Serpente, a qual por diferentes meios — auxiliares na verdade de sua arte adulatória — conseguia sempre conservar, ou substituir, por melhores, os cargos que ocupava; mas várias Serpentes amigas suas, e especialmente uma, se sentiriam aludidas, e desistiu de fazê-lo.
Depois resolveu satirizar os trabalhadores compulsivos e se deteve na Abelha, que trabalhava estupidamente sem saber para que nem para quem; porém com medo de que suas amigas dessa espécie, e especialmente uma, se ofendessem, terminou comparando-a favoravelmente com a Cigarra, que egoísta não fazia mais do que cantar bancando a poeta, e desistiu de fazê-lo.
Finalmente elaborou uma lista completa das debilidades e defeitos humanos e não encontrou contra quem dirigir suas baterias, pois tudo estava nos amigos que sentavam à sua mesa e nele próprio.
Nesse momento renunciou a ser escritor satírico e começou a se inclinar pela Mística e pelo Amor e coisas assim; porém a partir daí, e já se sabe como são as pessoas, todos disseram que ele tinha ficado maluco e já não o recebiam tão bem nem com tanto prazer.

**********========********-========********


O COELHO E O LEÃO

Um célebre Psicanalista encontrou-se certo dia no meio da selva, semiperdido.
Com a força que dão o instinto e o desejo de investigação, conseguiu facilmente subir numa árvore altíssima, da qual pôde observar à vontade não apenas o lento pôr-do-sol mas também a vida e os costumes de alguns animais, que comparou algumas vezes com os dos humanos.
Ao cair da tarde viu aparecer, por um lado, o Coelho; por outro, o Leão.
A princípio não aconteceu nada digno de mencionar, mas pouco depois ambos os animais sentiram as respectivas presenças e, quando toparam um com o outro, cada qual reagiu como desde que o homem é homem.

O Leão estremeceu a selva com seus rugidos, sacudiu majestosamente a juba como era seu costume e feriu o ar com suas garras enormes; por seu lado, o Coelho respirou com mais rapidez, olhou um instante nos olhos do Leão, deu meia-volta e se afastou correndo.

De volta à cidade, o célebre Psicanalista publicou cum laude seu famoso tratado em que demonstra que o Leão é o animal mais infantil e covarde da Selva, e o Coelho, o mais valente e maduro: o Leão ruge e faz gestos e ameaça o universo movido pelo medo; o Coelho percebe isso, conhece sua própria força, e se retira antes de perder a paciência e acabar com aquele ser extravagante e fora de si, a quem ele compreende e que afinal não lhe fez nada.

(Tradução: Millôr Fernandes)
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
*********************
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Augusto Monterroso ( 1921 – 2003) nasceu em Tegucigalpa (ai, como eu tinha vontade de escrecver essa palavra fascinante), na Guatemala. Em 1944, mudou-se para o México e, depois de muito observar a fauna daquele país e de outros, se convenceu de que “os animais se parecem tanto com o homem que às vezes é impossível distingui-los deste”. Assim surgiu “A ovelha negra e outras fábulas”, lançado pela Editora Record – Rio de Janeiro, 1983, com tradução de Millôr Fernandes e ilustrações de Jaguar.

Isaac Asimov, escritor russo que se criou nos Estados Unidos, disse dele:
“Os pequenos textos de “A ovelha negra e outras fábulas”, de Augusto Monterroso, aparentemente inofensivos, mordem os que deles se aproximam sem a devida cautela e deixam cicatrizes. Não por outro motivo são eficazes. Depois de ler “O macaco que quis ser escritor satírico”, jamais voltei a ser o mesmo.”
Foi-lhe conferido, em 2000,o Prêmio Príncipe de Astúrias de Letras. Um dos escritores latinos mais notáveis, Monterroso tem predileção por contos e ensaios.
Foi casado com a escritora mexicana Barbara Jacobs.
“O dinossauro”, uma de suas obras mais célebres, é considerado o menor conto da literatura mundial:
“Quando acordou, o dinossauro estava lá”.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Nesta edição, trabalhamos:

César Miranda, advogado, poeta, compositor, musico, internauta, colecionador e autor de palíndromos e meu eterno professor de sabedorias, e de como manter uma AMIZADE. Mora em Brasília, e eu o respeito e lhe quero um bem enorme.
e eu,
Meg Guimaraes que apenas ouvi, ouvi e li. Fiz cara de quem pede e quer;-) e ganhei de César Miranda o livro de Monterroso, num aniversário há alguns anos. E recebi, digitadas, as fábulas de Monterroso.

*Ah sim e eu de novo, que fiz um pequeno aggiornamento.; e agora, outro:-)
Obrigada, César. Falamo-nos no MSN, OK?

*******
Publicado, originalmente, no Sub Rosa em Outubro de 2002. Faço este remake, para homenagear César Miranda, blogueiro excepcional (e humorista cheio de graça e da Graça – é isso mesmo, César?, só sei com segurança  é que você  é filósofo], de quem sou amiga, e ele é meu amigo meu, Deo gratias, desde o início dos tempos.

Aqui você pode ler vários de seus contos. E aqui você pode ouvir Monterroso -ele mesmo- lendo suas fábulas. Clique – (a página é horrível, cheio de pop ups. Mas vale a pena.

Coda: Poiesis e Techné

   

     A publicação do  texto a seguir foi inspirada pela Dra.  Marília Jackelyne Nunes, a minha querida Marília, preciosa amiga, de muito tempo, a quem tanto admiro, sobretudo pela lucidez e inteligência proficientes. Advogada e poetisa, dupla qualificação que maneja com igual habilidade, conduziu um vivo debate, no Sub Rosa, a respeito do fazer literário, seu valor, sua utilidade, seu sentido, sua função e objetivo. Movida pelo apreço a este espaço, em minha ausência, acorreu voluntariamente no difícil momento, introduzindo uma discussão acerca do valor das duas linguagens, a poética e a técnica. Claro está que ela “mimetizou” o verdadeiro questionamento do tema. Seu objetivo real, creio -firmemente -, era acender a troca de opiniões – o velho exercício grego tão caro a esta que vos tecla.
Como o tema geral do debate é de minha particular preferência e estima, só posso agradecer à querida Marília, pelo desvelo, carinho e respeito. Pela sensatez e sabedoria (tão jovem ela é) com que ela sempre nos proporciona viver plenamente a única e breve vida que nos é dada. Ter uma amiga como a Marília  só faz me dar uma inveja danada de mim mesma:-). Pertinente ao tema, peço licença a todos os leitores, para dedicar a ela este curioso e esclarecedor(?) artigo.

“Psicoterapeutas estão sempre diante de um objeto de trabalho fugidio, fluido, impossível de ser aprisionado completamente nas teias da compreensão racional. A literatura técnica é preciosa, porém muitas vezes árida e complexa, fazendo com que o pensamento e a comunicação se tornem densos, pesados e obscuros.

Um jeito de sair desse dilema é ter contato com a poesia. Com ela se aprende a dizer o indizível, a falar e a pensar de um jeito que vai diretamente ao coração e aos sentidos, a expressar as coisas mais complexas de um jeito cativante e belo. Como exemplo, convido o leitor a um exercício lúdico com base em um soneto de Fernando Pessoa. Quero, através da justaposição de discursos diversos, alcançar uma região onde possa haver uma ressonância e fecundação mútua entre as diferentes formas de expressão. De um lado a científica, que rodeia e detalha o tema, com estrutura voltada para a coerência e a clareza. De outro, a poética:  fluida, vibrante, contundente, aberta. Vamos a ele:

“A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.”

Nesta primeira parte do poema, o poeta pode estar descrevendo o fato de haver frequentemente, no processo de desenvolvimento pessoal, uma ruptura precoce (primeiros anos de vida) com algo muito essencial no âmbito emocional e psíquico. Há a criação como que de uma “casca” que não é realmente o indivíduo, uma camada que recobre a essência e que é mostrada ao mundo e a si mesmo como sendo o “eu”. Diversos autores descreveram esse fenômeno, com nomes e explicações diferentes, mas com diversas semelhanças entre si: Gerda Boyesen o chamou de personalidade secundária; Reich, de caráter neurótico; Winnicott, de falso self, Jung de identificação com a persona. Encontramos ainda em Freud o conceito de amnésia infantil, que apresenta ressonâncias com o tema abordado.

Verificamos que, apesar do falso self ser algo diferente da essência do ser, a maioria das pessoas está identificada com essa camada externa. Muitas vezes o fluir da vida e seus acontecimentos acabam levando à percepção de que há “algo mais”, que aquilo que parecia ser o “eu” na realidade não o é, e que permanecer nessa camada seria levar uma vida oca e sem sentido. O poema parece falar desse momento em que é percebido o vazio da armadura externa, e do desejo de buscar aquilo em si mesmo que é essencial, que necessariamente é infantil (uma ruptura dessa magnitude só poderia se dar num estágio precoce do desenvolvimento) e chora (sem sofrimento não haveria pressão suficiente para tal cisão).

Se fossemos utilizar o jargão, ficaria mais ou menos assim em linguagem técnica:

No meu desenvolvimento psicossexual, no decorrer da minha infância, houve conflitos que me fizeram sofrer. Meu ego, usando o recalque e outros mecanismos de defesa, tornou esse conflito inconsciente, havendo como consequência uma fixação da libido em uma das fases desse desenvolvimento. Gerou-se em mim uma típica amnésia infantil que me pro¬tege de memórias doloridas e conflituosas. Esse processo foi tão intenso e profundo que deu-se uma ruptura no contato com meu cerne biológico, criando-se em mim uma estrutura de caráter neurótico, uma personalidade secundária. Muito cedo na vida meu self verdadeiro não encontrou um ambiente que permitisse sua expressão espontânea e livre. Devido a isto, criei um falso self através da submissão às exigências ambientais e é isto que vivo hoje como sendo o meu eu, tendo a vaga noção de que em algum lugar de mim existe este self verdadeiro, aguardando um momento propício para vir à tona, qual semente em solo seco esperando a chuva. Isso tudo bloqueia minha circulação libidinal e minha capacidade de auto-regulação, a um ponto tal que impede o contato com meu desejo e com minha energia vital, e por isso sinto minha vida bloqueada e sem sentido. Quero reverter este quadro e creio que o caminho a ser trilhado nesse sentido é o de retornar ao momento do conflito infantil original para tentar resgatar a minha essência vital. Devo, para tanto, conscientizar aquilo que é inconsciente para poder resgatar o material infantil patogênico causador da minha neurose e do meu descontato comigo mesmo.

Observamos que a linguagem da psicanálise é mais detalhada e precisa. Mas nunca terá o sabor, o impacto e a concisão de um bom poema.
Podemos e devemos pensar como Freud, mas seria bom se pudéssemos nos expressar como Pessoa.
Como diz Helena Rosenfeld, “a arte, a linguagem poética e metafórica, é um dos meios pelos quais podemos tangenciar o indizível, roçar o não-representável, isso que escapa da designação, essa realidade que a linguagem busca e não acha”.

Fica aqui o convite ao leitor para que, caso tenha achado interessante a brincadeira, divirta-se com o poema completo:

“A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.”

Ricardo Amaral Rego
Médico e psicoterapeuta. Diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.

Alma Lusa, por Luis C. Nelson

            Quando,  em abril deste ano,  discutíamos a respeito da lírica portuguesa, a do conceptismo, a do Cancioneiro Geral, com a valorosa e aguerrida equipe de comentaristas que, imodéstia à parte, só o Sub Rosa tem;-), o meu amigo Nelsinho (Luís C. Nelson, do blog Mukandas ) manifestou neste belo comentário (clique para ler) (“Devo ter recebido um pouco da alma de Bernardim, a julgar pelas vezes que entro em choque frontal comigo próprio...”)  a sua identificação com Bernardim Ribeiro, o poeta do Eu dividido.
Gostamos tanto do comentário,  que logo  surgiu a questão:  nós, brasileiros, teríamos  herdado algo da   triste, melancólica por natureza, alma lusitana? O que se entende por “alma melancólica do português” ? E, ao fim e ao cabo, portugueses e brasileiros partilhariam o mesmo substrato melancólico?
Claro que diante disso, eu não ia deixar por menos. Pedi a Nelson que – em sendo possível, expandisse para nós esse conceito.
E ele – que há muito me honra com sua amizade, não regateou esforços para, a despeito da sua eterna falta de tempo, produzir este belíssimo texto que se segue.
Deixem-me apenas dizer que o texto a seguir   vem reconfirmar que seja onde quer que escreva, no seu blog, em sua página pessoal no Facebook, nos comentários, Nelsinho faz de cada lugar um palco textual em que – utilizando o distanciamento da ironia, na observação da realidade e sua percepção poética –  algumas das suas  inquietações metafísicas e, por que não dizer?, alguns sutis malaises existenciais, encontram a sua melhor expressão literária. Muitíssimo obrigada, Nelsinho.

ALMA LUSA
“Se meu mestre estivesse aqui para me elucidar e ajudar a escrever algumas frases sobre a tão cantada alma lusitana, por certo ele começaria com uma afirmação, que poderia muito bem ser …

“…que dos lusos poetas os corações,

de tão tristes parecem talhados,
com aqueles mesmos machados
que talham as tábuas dos seus caixões…”

Não disponho de tempo para os caminhos da pesquisa nos velhos e belos alfarrábios do Real Gabinete Português de Leitura, ou nas fontes mais ou menos escondidas, mais ou menos esclarecidas nos meandros da Internet, sobre as origens dessa tão intrínseca tristeza, que de tão intrínseca, é tumor que o tempo não logra extirpar.
Recuo decididamente no tempo, diretamente para as madrugadas de frias névoas. Junto-me aos rudes, andrajosos e miseráveis autômatos que desfilam ecoando seu calçado de madeira com brôchas de ferro pelas graníticas vielas e quelhos da aldeia sem idade, suas enxadas às costas, seus mirrados estômagos roncando de mau humor a água-ardente e algumas gramas de pão de milho oferecidos pelo senhor da terra como mata-bicho, até que suas mulheres lhes aportem às lavouras, a habitual e pobre malga de caldo de cebola. Exausto, sigo-os enquanto descem os montes ao final da massacrante jornada de sol-a-sol. Olho as reações dos seus rostos tristes, que tão tristemente se alegram com as parcas moedas que, com desprezo, são colocadas sobre suas calejadas mãos. Completando o soldo, um copo único de vinho tinto e uma côdea a mais de pão de milho. A poesia sai-me esfomeada e mortalmente triste, mortalmente tísica…

Flano para os meus verdes anos e relembro a minha paixão pelos grandes veleiros aparelhados para a pesca do bacalhau. Furtivo e ladino, escalo o portaló e esgueiro-me por entre os dóris empilhados ao longo do convés, do qual se solta e sobe aquele inebriante odor do piche e da estopa do madeirame recém calafetado. Encho os pulmões, inspirando a coragem e sacrifício daqueles homens de rudes modos por cujas faces rolam lágrimas enquanto agitam lenços brancos em resposta aos amargurados acenos de despedida das mulheres em prantos, com suas crianças ao colo, sua triste sina da difícil sobrevivência em terra, enquanto esperam a promessa de improváveis melhores dias com boas comissões de pescado. Muitos meses passarão, alguns perecerão, perdidos dentros dos seus pequenos doris que remam frenéticamente para o nada, no meio do súbito e assassino nevoeiro, sobre as geladas águas da Terra Nova. A poesia sai-me soluçada em saudade, solidão, medo e sofrimento atroz…

Serão estes dois exemplos suficientes para justificar a alma de um povo? Certamente que não mas, se o pesquisador se embrenhar pelos “mists”da história, por guerras e perigos esforçado muito mais do que promete a força humana, por vidas errantes, por terras estranhas, por sofrimentos lancinantes, por dores tamanhas…”

.
“Nelson Castro, ou Luis C. Nelson, ou simplesmente Nelsinho,  nasceu na invicta e mui nobre cidade do Porto, Portugal, nos idos de 1944. Seu pai era um daqueles fotógrafos-artistas de studio, que retocava pacientemente os negativos e coloria manualmente suas incríveis ampliações, delas fazendo verdadeiras obras de arte, geralmente muito mal pagas.

De seu pai, recebeu não só o gosto pela fotografia e paixão pela literatura e musica, mas também “skill” para as coisas técnicas. E foram as habilidades técnicas que o levaram a ingressar na Escola Técnica Elementar e depois na Escola Industrial Infante D. Henrique, o que lhe valeu a inesquecível honra de haver sido aluno do Poeta Pedro Homem de Melo, que nesse estabelecimento lecionava língua portuguesa.

Sua trajetória profissional incluiu estaleiros navais em Angola e no Brasil, mas gastou a maior parte da sua vida nas lides da exploração de Petróleo ou a ela ligado ao redor do planeta, motivo pelo qual gosta de dizer-se simplesmente ‘Oilman’.

A poesia é sua mais cara atividade no universo das letras, no qual aliás não possui nenhum crédito acadêmico, dedicando-se também a contos e crônicas da vida real.”

Ora bem, agora teremos música, a condizer com o tema e com o texto. Ouçamos:
Havemos de ir a Viana
Música: Alain Oulman e Letra: Pedro Homem de Mello
Intérprete: Amália Rodrigues (Disco: Amalia e Vinicius)

***
Fado triste
Autor: Vitorino/Intérprete: Misia
(Disco: Paixões Diagonais)

***
Ser Aquele
Letra: o poema “Ser Aquele”, de Fernando Pessoa
Intérprete: Camané (Disco: Sempre de Mim)

***

If we don’t, remember me

Eu estava pensando assim, quem inventou a carta? Não a carta de baralho, que essas a gente sabe, estuda na escola, mas as cartas cartas mesmo, quando foram inventadas, quem primeiro se viu distante um do outro que teve a idéia de  “cobrir” a distancia e ausencia com uma… carta,  ou bilhete,  epístola, misssiva , não é? No Brasil, até onde se sabe  a primeira carta foi a de Pero Vaz e seguem sendo  (ou não são?) insubstituíveis, pelo menos até o aparecimento do telefone…  Pois bem, esse post é sobre palavras (a dita e a escrita) e as imagens, esse fascínio que pega de jeito gente como eu.

Então, tão: já não é mais novidade para ninguém, e eu corro o risco de ser a última da classe… mas, com dizem os nossos irmãos do outro lado do oceano,  mais vale tarde que mais tarde e aqui está minha homenagem  e agradecimento ao moço (meu companheiro de Tumblr) do blog IWDRM,  que é campeão absoluto no quesito, luxo, riqueza e poder:-)  Estou encantada, um amor de perdição, pelas GIF‘s! Este post foi adiado desde dezembro do ano passado e acho que jamais o publicaria pois cismei que as gifs não funcionavam (perdiam o sutil movimento) no WordPress. (bem, eu ainda não sei, me digam, vocês). Burrinha, eu. Obrigada, Cat Miron.

Voilà: algumas gifs, todas de amados meus, incluindo ele, o mais poderoso, que faz aniversário no dia 31, ai, Jesus, apaga a luz! o meu Clint, ô lá em casa!…

“Hi, Lloyd. Little slow tonight, isn’t it?”

The Shining – (O Iluminado, 1980) – meu filme ‘tenebroso’ preferido. Jack Nicholson, adorado. Um Kubrick perfeito que a gente vê de olhos bem… fechados, lembram? ♦ ♦ ♦ Ela.  Mais linda, rycah e phynah impossível! Kim Novak:

kim novak

“Only one is a wanderer. Two together are always going somewhere”. Vertigo (Um corpo que cai), Hitchcock, 1958.

♦ ♦ ♦ OMG!

clint rulz: the good the bad the ugly

“Every gun makes its own tune.” (The good, the bad and the beautiful, Três homens em conflito, 1966

♦ ♦ ♦

Mas nem só de GIF’s vive a nossa atual fantasia. Também há lugar para as imagens digamos, tradicionais (JPG). Leia mais deste post

Anotações

marlon brando, desconheço a fonte desta foto.

* * *

” Há dois pecados humanos capitais, dos quais todos os outros decorrem: a impaciência e a preguiça. Por causa da sua impaciência, foi o homem expulso do paraíso. Por sua preguiça nao retornou a ele. Talvez não exista senão um pecado capital, a impaciência. Por causa da impaciência, foi o homem expulso, por causa dela não consegue voltar. Tenhamos paciência — uma longa, interminável paciência – e tudo nos será dado por acréscimo”.

Diário Íntimo. Franz Kafka)

* * *

“A pessoa que não consegue enfrentar a vida – sempre precisa, enquanto viva, de uma mão para a afastar um pouco de seu desespero pelo seu destino… mas com a sua outra mão ela pode anotar o que vê entre as ruínas, pois vê mais coisas, e diferentes, do que as outras; afinal está morto durante sua vida e é o verdadeiro sobrevivente.”

Franz Kafka. Diários. Apontamentos de 19 de outubro de 1921

* * *

“Deus é sutil mas não é maldoso”
(Einstein)
* * *
* * *
“As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso vê-las, porque elas não vêm até nós.”
(Júlio Cortázar)
* * *

Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos…”

(Cecília Meireles)
* * *

“A gente sempre destrói aquilo que mais ama – em campo aberto ou numa emboscada.  Alguns, com a leveza do carinho; outros, com a dureza da palavra.  Os valentes, destroem com a espada. Os covardes destroem com um beijo.”

* * *

– “A pior forma de tirania que o mundo sempre viu é a tirania do fraco sobre o forte. Esta é a única forma de tirania que dura.”

(Oscar Wilde)
* * *

Não sei vocês, mas eu tenho, ainda, o hábito de fazer anotações em uma agenda. Claro que isso só vale para os que conhecem uma vida antes da atual, on line.  De tempos em tempos,  eu as revisito.  E,  de lá,  retiro essas notas. Outro dia, vi que o Carlos Drummond de Andrade até publicou um livro, dentro desse método. Chama-se  O Observador no escritório, 1943 . Por aqui e por enquanto,  estou observando o mundo, da janela do carro, dos consultórios ou laboratórios médicos. Vocês nem imaginam as maravilhas que tenho encontrado. Essas são algumas, poucas, que divido com vocês. O Marlon Brando, também.

Até mais ver/ler. Obrigada por cuidarem do blog. Ah! sim, não que não concorde com você que está achando que isso só se faz quando falta imaginação para um post mais comme il faut:-)

Ah! sim 2– :  tem aqui mais algumas do Millôr. Afinal, quem é que não sabe, uma, duas ou centenas de tiradas do Millôr? Algumas eu  quase não consigo escrever, morro de rir. Outras eu sei desde… antigamente.:-)

* Comida é bom, bebida é ótimo, música é admirável, literatura é sublime; mas só o sexo provoca ereção.
*É um desses livros que quando você larga, não consegue mais pegar”
* A falsa modéstia é o rabo escondido com o gato de fora.
* Grande erro da Natureza é incompetência não doer.
*O haddock é um bacalhau que venceu na vida.
*O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas.
*Não existe tendência para engordar. Existe tendência para comer.
* “Morrer é um coisa que se deve deixar sempre pra depois.”
*O importante não é o relógio; importante são as horas.
* O padre deu uma topada e fez um silêncio cheio de heresias
* Era um homem tão forte, tão saudável que um dia sentiu-se mal, foi ao médico e disse: Doutor, sinto-me fraco como um touro.
♣  ♣  ♣
*Há males que vêm pra pior.
*Eu posso não ser um bom exemplo. Mas sou um bom aviso.
* Quando você está fora de si, o pessoal vê melhor o que você tem dentro.
* Dinheiro compra até amor verdadeiro.
* À noite (na penumbra aconchegante das alcovas permissivas) todos os pardos são gatos.
* O quartzo é o mineral que fica entre o terzo e quintzo.
*Toda fotografia antiga é uma punhalada.
*Quem sai aos seus não endireita mais.
* A humildade é uma espécie de orgulho que aposta no perdedor.

♣ ♣ ♣

* Se os animais falassem não seria conosco que iriam bater papo.
* Nos momentos de perigo é fundamental manter a presença de espírito, embora o ideal fosse conseguir a ausência do corpo.
* Bahia – a maior agência de publicidade do mundo.
* O mal do mundo é que Deus e o Diabo envelheceram, mas o diabo fez plástica.
* Baiano só tem pânico no dia seguinte.

***^***^***^

* O maior erro de Noé foi não ter matado as duas baratas que entraram na Arca.-
* A morte é hereditária.
* Todo homem nasce original e morre plágio
* A psicanálise não tem cura.
* O dinheiro não é tudo. Tudo é a falta de dinheiro

EUGÉNIO DE ANDRADE (1923-2005)



Eugénio de Andrade 

ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

In «Os Amantes sem Dinheiro» (1950)

Eugénio de Andrade (*)
=-

***** *** ***** *** ******

CHUVA DE MARÇO

A chuva detrás dos vidros,
a chuva de março,
acesa até aos lábios, dança.
Mas a maravilha
não é a primavera chegar assim
como se não fora nada,
a maravilha são os versos
de Williams
sobre a rasteira e amarela
flor da mostarda.

in “Rente ao Dizer” (1992)
***

Poemas enviados pela Isabela Percov, uma arquiteta, amiga nossa (de todos os que leem este blog) em Portugal. Manda beijos e cita com saudade, a Marilia Jacqueline, a Magaly,   a Tereza e a Rose, (“estou cheiiinha de saudades“). Ela vive em Sintra, ‘ um sítio de sonho’ e que Lord Byron considerou um paraíso, dizendo que “A vila de Cintra na Estremadura é, talvez, a mais bela do mundo inteiro”.

E em  mim ficou a dúvida: afinal é Sintra ou Cintra? Mas, para quem em os leitores que tenho, isso não vai ser problema. Não mais.( pisc*)

Tenho a honra de  ter também a Isabela como leitora. Assim são as alegrias que  este blog e sua caixa de comentários me dão.

*****

(*) Eugénio de Andrade é um dos meus poetas de culto. Isabela recomendou especificamente, o acento agudo :-)
(*) Dali de minha estante, olha-me o livro O mistério da estrada de Sintra, de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão :-)
Lord Byron – Ultra Romantismo na Poesia