Sub Rosa orgulhosamente (re)apresenta Juan José Arreola

perspective by ruth bernhardth

LIBERDADE

 Acabo de proclamar a independência dos meus atos. À cerimônia compareceram apenas alguns desejos insatisfeitos, duas ou três atitudes condenáveis. Um propósito nobilitante, que prometera aparecer, enviou à última hora sua escusa humilde. A cena transcorreu num silêncio pavoroso.

Creio que o erro esteve na proclamação ruidosa: trombetas e sinos, foguetes e tambores. E, para culminar, uma engenhosa queima de moral pirotécnica, que não chegou a arder de todo.

No final das contas, achei-me sozinho comigo mesmo. Despojado de todos os atributos de caudilho, os confins da noite me encontraram empenhado na simples tarefa de escritório. Com os últimos restos de heroísmo, atirei-me à penosa incumbência de redigir os artigos de uma extensa Constituição, que amanhã submeterei à assembléia-geral. O trabalho divertiu~me um pouco, apagando do meu espírito a triste impressão do fracasso.

Leves e insidiosos pensamentos de rebeldia voam como mariposas noturnas em volta da lâmpada, enquanto sobre os escombros de minha prosa jurídica passa, de quando em vez, um tênue sopro da Marselhesa.

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Dois pontos que se atraem não têm por que seguir forçosamente uma linha reta. Sem dúvida, é o caminho mais curto. Há, no entanto, os que preferem o infinito.

ENCONTRO

 

 

As pessoas caem umas nos braços das outras sem delinear a aventura. Quando muito, avançam num ziguezague. Mas, uma vez no rumo certo, corrigem o desvio e se juntam. Amor tão repentino representa um choque, e aqueles que assim se defrontaram são devolvidos ao ponto de partida como por efeito de um disparo. Projetados violentamente, sua trajetória de retorno os incrusta novamente, canhão adentro, num cartucho sem pólvora

Vez por outra, um par se afasta desta regra invariáveI. Seu propósito é francamente linear, não carece de retidão prévia. Misteriosamente, escolhem o labirinto. Não podem viver separados. Esta é a única certeza que os possui, e terminam perdendo-a ao se procurarem. Quando um deles erra e marca o encontro, o outro finge não perceber e passa sem cumprimentar.

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Juan José Arreola.Mexico, [Jalisco] – (1918-2001) – Grande representante da literatura latinoamerica. Foi amigo e interlocutor de Jorge Luis Borges. Da mesma geração que Juan Rulfo, foi um  renovador da literatura não só mexicana, mas de toda a literatura de LatinoAmerica, e abriu caminho para Carlos Fuentes e Elena Poniatowska, e outros bastante atuais.
Finíssimo representante da chamada narrativa breve (também conhecida  por minicontos ou microcontos), mas que é mais narativa tal como deve ser, e não necessita ter o minúsculo tamanho de uma linha. (Augusto Monterosso é exceção, mas, ele com o devido respeito pelos demais, era gênio, com “G”  maiusculamente maiúsculo.)

No Brasil, foi traduzido o seu livro Confabulário Total, pelo premiado Haroldo Bruno e foi recepcionado por ninguém menos que Otto Maria Carpeaux, que não hesitou em chamar a atenção para os toques fantásticos, mas mais kafkianos.

Deixo esse exemplar de Juan José Arreola,  um miniconto fantástico e kafkiano ao mesmo tempo, para meu Amigo, escritor e poeta Milton Ribeiro. Claro que é pro Milton, mas é ‘paratodos’, queridos todos, todíssimos; e – também, em seguida, uma Cláusula, o mesmo que frase, sentença lapidar, mas decidiamente não é conto.:

La mujer que amé se ha convertido en fantasma. Yo soy el lugar de sus apariciones.”

*” Soy un Adán que sueña en el paraíso, pero siempre despierto con las costillas intactas..”

Juan José ARREOLA
 

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Um beijo a todos.

Peço a todos a quem devo emails e outras coisas mais, e mais outras  que não me ocorrem agora;-), por favor, be patient!, OK?  Eu tardo e só muito raramente falho. Juro.

 

Marilyn forever e Parabéns, Nelsinho!

marilyn as theda bara, a original vampire, para ensaio de richard avedon

clique para vê-la ampliada
Aqui, Marilyn está  caracterizada para um ensaio do grande fotógrafo Richard Avedon, [santo do meu altar, meu fotógrafo de culto] mimetizando a original VAMP, a chiquerésima Theda Bara.  Esta foto foi publicada na Revista LIFE de  de 1958.(*). Já conheciam?
Marilyn Monroe  (1926-1962)
There never was a person like her.”
Algumas citações que vão em inglês pois eu não domino suficientemente o idioma para atrever-me a traduzir. Eu, hein, Rosa?:-)

• I don’t know who invented high heel, but all women owe him a lot.
• I don’t mind living in a man’s world as long as I can be a woman in it.
Hollywood is a place where they’ll pay you a thousand dollars for a kiss and fifty cents for your soul.”
I have too many fantasies to be a housewife…. I guess I am a fantasy.
A career is wonderful thing, but you can’t snuggle up to it on a cold night.
. Sex is part of nature. I go along with nature  (What a wit wit!)
* ON underwear:
” I have no prejudice against it”.
ON being asked why she posed for the famous nude calendar:
“Hunger”

A melhor para mim, de todos os seus filmes:

Lorelei Lee:
“Don’t you know that a man being rich is like a girl being pretty?
You wouldn’t marry a girl just because she’s pretty, but my goodness, doesn’t it help?”

(In: Howard Hawks’ Gentlemen Prefer Blondes – 1953)

A respeito dela, disseram:
“She was an absolute genius as a comedic actress, with an extraordinary sense for comedic dialogue. It was a God-given gift. Believe me, in the last fifteen years there were ten projects
that came to me, and I’d start working on them and I’d think, ‘It’s not going to work, it needs Marilyn Monroe.’ Nobody else is in that orbit; everyone else is earthbound by comparison.”

Billy Wilder, director of “Some Like it Hot and The Seven Year Itch”

“She listens, wants, cares. I catch her laughing across a room and I bust up. Every pore of that lovely translucent skin is alive, open every moment-even though this world could make her vulnerable to being hurt. I would rather work with her than any other actress. I adore her.”
Montgomery Clift, Marilyn co-star in The Misfits

She understood photography, and she also understood about what makes a great photographer – not the technique but the content..”
    Richard Avedon, photographer

There’s someting extremely alert and vivid in her: an intelligence. It’s her personality, it’s a glance, it’s somethimg very tenous, very vivid that disappears quickly, that appears again.
Henry Cartier-Bresson

“I’ve learned about living from her. I took her as a serious actress even before I met her. I think she’s an adroit comedienne, but I also think she might turn into the greatest tragic actress that can be. imagined.”

” She has a tremendous native feeling. She has more guts than a slaughter house. Being with her people vant not to die. She’s all woman, the most womanly woman in the world. (**)
Arthur Miller, writer and husband

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Há muito, muito mais, mas para mim, isto é suficiente no dia do aniversário  de seu nascimento). I love her so so much, M. Forever.
(*) Desfazendo alguns mitos:
*
Não, eu não conheci a Marilyn Monroe.;-)))
Ah e nem fui contemporânea dela;-))) Nem da Theda Bara, nem da Katherine Hepburn, nem do Cary Grant e outros e outras menos ou mais votados OK?
(**) Demorôôô!. Gostei, gostei…

E uma diva pede música, na voz de outra diva: Miss Peggy Lee: duas divas ambas super, ultra temptressess. E Miss Lee, puro jazz!
‘My heart belongs to Daddy’
(essa música foi cantada por Marilyn  em Let’s Make Love (adorável Pecadora,  com Yves Montand – e gravada em disco. Marilyn era uma cantora afinada. A voz era meio infantil, sempre. A isso atribuo o fato de não ser levada a sério como cantora, mas cantava ‘direitinho’.  Reparem a voz possante de Peggy (a quem adoro)   e ‘Love me or Leave me’, que está aqui por lembrar outra ‘divindade’: Billie Holiday, que tem a melhor rendition  desta música. Deixem-me ver se tenho, se tiver colocarei aqui. Doris Day (grande cantora mesmo, excelente!) também gravou Love me or leave me.


Se você tiver, souber mais algumas quotes,  dela ou sobre ela, tipo assim, arrasadoras, além do Chanel numéro 5,  pode me mandar pelos comentários. Contribuirá para minha coleção e para o livro que estou escrevendo sobre… ops. ;-))) Thx.

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ADENDA:
Para quem está acompanhando os links/enlaces do nosso querido Réprobo  em belo posts acerca de Marilyn, aviso que um deles está quebrado e portanto aqui coloco  o link efetivo: História de Beijos.

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Aqui estão os registros de Billie Holiday em Love me or leave me. E o da própria Marilyn em My heart belongs to Daddy;-)

HEAR! HEAR! HEAR! O MUKANDAS FAZ TRÊS ANOS HOJE.  OH! QUE DIA MAIS FELIZ!!!

Pessoas, todas , minhas queridas!: vocês sabem o que significa *MUKANDAS*? Claro,  eu sabia que você sabia. Ora, *Mukanda* significa notícias, cartas, notícia, avisos, oh minha mãe Menininha:-) – então, é claro que isso é o significado de quê, mesmo? Iiiissssooo, exatamente,  a definição perfeita de blog.

E digam se o MUKANDAS não é mesmo um blog gostoso de ser lido ?
Este é um post que adoro. É de quando o Nelsinho querido, começou em junho de 2005) . Só podia ser mesmo: o  Nelsinho correndo e voando da Finlândia para Patagônia. Das geleiras e dos fjords até os ranchos texanos.  O Nelsinho, uma pessoa adorável, culta, sensível e às vezes mostrando seu repúdio da forma firme como queríamos todos fazer a todas essas coisas ruins do mundo. Mas sempre e sempre, sempre a viajar e a voltar para os braços ternos e para os lindos olhos verdes da sua amada Nina!

Todos, os meus 11 ou 12,  lá a dar nosso abraço ao querido Amigo, por favor, está bem?

PARABÉNS,NELSINHO, OBRIGADA! VIDA LONGA AO MUKANDAS!