The sick (sub)rose

A rosa doente- The sick rose

William Blake-the sick rose

O Rose, thou art sick!
The invisible worm,
That flies in the night,
In the howling storm,

Has found out thy bed
Of crimson joy;
And his dark secret love
Does thy life destroy.

William Blake (Londres, 1757-1827)

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Augusto de Campos - A Rosa doente

Augusto de Campos - A Rosa doente

.Ó Rosa, estás doente!
Um verme pela treva
Voa invisivelmente
O vento que uiva o leva
Ao velado veludo
Do fundo do teu centro:
Seu escuro amor mudo
Te rói desde dentro.

Tradução: Augusto de Campos

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Outras traduções/Outras palavras/outras línguas:
Do meu querido Ed: (Diego Barreto Ivo): e o labor poético do tradutorlink. (vale a pena acompanhar esse debete)

.Domingos Van Erven.

.José Paulo Paes.  José Antonio Arantes.Alberto Marsicano …

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(*)Blake

Um estudo primoroso sobre tradução.

Blake com pitadas de Jorge Luis Borges.

.
Recebi este poema emblemático como presente de Luana Chnaiderman, minha amiga, discreta, delicada, uma das mais queridas.

Sextinas – Bernardim Ribeiro

Da vida de Bernardim Ribeiro [ c.1482 – c.1550] quase nada se sabe: nasceu provavelmente no Alentejo; teria freqüentado a Corte; é muito provável ter sido ele quem escreveu poemas que aparecem com um nome igual ao seu no Cancioneiro geral de Garcia de Resende; e é bem possível ter sido amigo de Sá de Miranda.
Como poeta (não se fala aqui do prosador de Menina e moça), é autor de cinco éclogas, um romance em verso, a sextina aqui publicada e alguns poemas menores. Foi um dos primeiros (se não o primeiro) a adotar em Portugal: o dolce stil nuovo (pelo menos a écloga – gênero helenístico, celebrizado por Teócrito, grego de Siracusa, e continuada por Virgílio e pelos italianos, sendo Sannazaro o mais célebre), mas em suas composições pastoris pulsa, na verdade, um cultor entranhado da ‘medida velha’ peninsular.

Senhor de uma linguagem estilizada, repleta de arcaismos, Bemardim prolonga a tradição dos Cancioneiros medievais, tendente a confundir-­se com a simplicidade da linguagem popular – neste caso, uma simplicidade sábia ( a sageza) de poeta culto e complexo (não erudito, embora leitor de Virgílio, Ovídio, Petrarca, Sannazaro), um dos grandes representantes do “abstracionismo lírico”, da “intelecção devaneadora” ( cf. Jorge de Sena) que permeia toda a poesia portuguesa, dos Cancioneiros a Camões, Antero de Quental e Femando Pessoa.

Em Bemardim – continua Jorge de Sena – “a melancolia mergulha no mais cruciante desespero, raiando pelo desvario de um fatalismo herético, muito diferente da anarquia heróica do lirismo camoniano”.
A sextina aqui publicada, uma obra-prima, é provavelmente a primeira a ser escrita em português. Seu arcabouço é difícil: uma composição não rimada, composta de seis estrofes de seis versos cada uma, e em que as palavras finais de todas as estâncias repetem as da primeira, nesta ordem:

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Anotações

marlon brando, desconheço a fonte desta foto.

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” Há dois pecados humanos capitais, dos quais todos os outros decorrem: a impaciência e a preguiça. Por causa da sua impaciência, foi o homem expulso do paraíso. Por sua preguiça nao retornou a ele. Talvez não exista senão um pecado capital, a impaciência. Por causa da impaciência, foi o homem expulso, por causa dela não consegue voltar. Tenhamos paciência — uma longa, interminável paciência – e tudo nos será dado por acréscimo”.

Diário Íntimo. Franz Kafka)

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“A pessoa que não consegue enfrentar a vida – sempre precisa, enquanto viva, de uma mão para a afastar um pouco de seu desespero pelo seu destino… mas com a sua outra mão ela pode anotar o que vê entre as ruínas, pois vê mais coisas, e diferentes, do que as outras; afinal está morto durante sua vida e é o verdadeiro sobrevivente.”

Franz Kafka. Diários. Apontamentos de 19 de outubro de 1921

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“Deus é sutil mas não é maldoso”
(Einstein)
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“As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso vê-las, porque elas não vêm até nós.”
(Júlio Cortázar)
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Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos…”

(Cecília Meireles)
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“A gente sempre destrói aquilo que mais ama – em campo aberto ou numa emboscada.  Alguns, com a leveza do carinho; outros, com a dureza da palavra.  Os valentes, destroem com a espada. Os covardes destroem com um beijo.”

* * *

– “A pior forma de tirania que o mundo sempre viu é a tirania do fraco sobre o forte. Esta é a única forma de tirania que dura.”

(Oscar Wilde)
* * *

Não sei vocês, mas eu tenho, ainda, o hábito de fazer anotações em uma agenda. Claro que isso só vale para os que conhecem uma vida antes da atual, on line.  De tempos em tempos,  eu as revisito.  E,  de lá,  retiro essas notas. Outro dia, vi que o Carlos Drummond de Andrade até publicou um livro, dentro desse método. Chama-se  O Observador no escritório, 1943 . Por aqui e por enquanto,  estou observando o mundo, da janela do carro, dos consultórios ou laboratórios médicos. Vocês nem imaginam as maravilhas que tenho encontrado. Essas são algumas, poucas, que divido com vocês. O Marlon Brando, também.

Até mais ver/ler. Obrigada por cuidarem do blog. Ah! sim, não que não concorde com você que está achando que isso só se faz quando falta imaginação para um post mais comme il faut:-)

Ah! sim 2– :  tem aqui mais algumas do Millôr. Afinal, quem é que não sabe, uma, duas ou centenas de tiradas do Millôr? Algumas eu  quase não consigo escrever, morro de rir. Outras eu sei desde… antigamente.:-)

* Comida é bom, bebida é ótimo, música é admirável, literatura é sublime; mas só o sexo provoca ereção.
*É um desses livros que quando você larga, não consegue mais pegar”
* A falsa modéstia é o rabo escondido com o gato de fora.
* Grande erro da Natureza é incompetência não doer.
*O haddock é um bacalhau que venceu na vida.
*O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas.
*Não existe tendência para engordar. Existe tendência para comer.
* “Morrer é um coisa que se deve deixar sempre pra depois.”
*O importante não é o relógio; importante são as horas.
* O padre deu uma topada e fez um silêncio cheio de heresias
* Era um homem tão forte, tão saudável que um dia sentiu-se mal, foi ao médico e disse: Doutor, sinto-me fraco como um touro.
♣  ♣  ♣
*Há males que vêm pra pior.
*Eu posso não ser um bom exemplo. Mas sou um bom aviso.
* Quando você está fora de si, o pessoal vê melhor o que você tem dentro.
* Dinheiro compra até amor verdadeiro.
* À noite (na penumbra aconchegante das alcovas permissivas) todos os pardos são gatos.
* O quartzo é o mineral que fica entre o terzo e quintzo.
*Toda fotografia antiga é uma punhalada.
*Quem sai aos seus não endireita mais.
* A humildade é uma espécie de orgulho que aposta no perdedor.

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* Se os animais falassem não seria conosco que iriam bater papo.
* Nos momentos de perigo é fundamental manter a presença de espírito, embora o ideal fosse conseguir a ausência do corpo.
* Bahia – a maior agência de publicidade do mundo.
* O mal do mundo é que Deus e o Diabo envelheceram, mas o diabo fez plástica.
* Baiano só tem pânico no dia seguinte.

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* O maior erro de Noé foi não ter matado as duas baratas que entraram na Arca.-
* A morte é hereditária.
* Todo homem nasce original e morre plágio
* A psicanálise não tem cura.
* O dinheiro não é tudo. Tudo é a falta de dinheiro