Bom tempo.

“Um marinheiro me contou/ Que a boa brisa lhe soprou/Que vem aí bom tempo/  O pescador me confirmou/  Que  o passarinho lhe cantou/ Que vem aí bom tempo…” (Chico Buarque)

Delicado equilíbrio (aff… como o diz o maior blogueiro do mundo Rafael Galvão: “Sem trema. Acabaram com o trema. Coisa chata.”).

Meus grandes amigos, independente de idade, mais novos, mais velhos, amigos queridos, outros nem tanto, mas pessoas que de algum modo admirei, pessoas que amei como o querido Walter Bandeira, meu professor na Escola de Teatro,  *o*  cantor – confessa e confessada paixão musical de Elis Regina-poucos sabem disso)  enfim, pessoas que faziam parte da população afetiva do *meu* mundo. E do mundo em que  (me) vivi. Do mundo do qual, no tempo hábil, emigrei para  me impor – a partir deles – os standards de altitude e platitude que eu seguiria ou recusaria.

Não foi só Walter, foram vários. Mas em Walter homenageio todos eles. Cada um deles,  cada uma delas, nesses últimos tempos, , de maneira diferente, levam ao morrer, um pouco de minha compleição interna, dos *golden slumbers*; do desenho, do traço de minha existência (na concepção de Ortega y Gasset).

Sinto-me mais aferrada, mais ligada e mais amante de meus Amigos, dos meus mais íntimos.  Nem quero ir , nem quero que eles me deixem.

Daí os dois trechos: uma promessa, à qual me agarro. E como não posso deixar de ser quem sou, orgulhosa em minha solidão, busco o Poeta (um dos maiores) para o consolo de quem espera. Afinal, il faut avoir de la patience, la grande patiente…  Il faut “pacienter”.

“O trágico, na medida em que não depende da culpa, mas do momento em que o destino se cumpre, afasta-se da moral. Dificilmente podemos falar de moral quando há situações que não controlamos. Mas não deixam de ser trágicas, uma vez que são também irreversíveis, desequilibradas e injustas.”  Teócrito.

Meu carinho a todos. Bom fim de semana. Carpe diem!


Arthur C. Clarke completa sua odisséia

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Clarke lutava desde os anos 60 contra uma sindrome pós polio e sucumbiu diante de uma crise respiratória.

O escritor britânico de ficção científica Arthur C. Clarke, autor do conto que deu origem ao film e 2001: Uma Odisséia no Espaço, morreu nesta terça-feira, aos 90 anos.

Segundo informações do seu secretário pessoal, Clarke teve uma parada cardio-respiratória às 18h30 (1h30 da manhã de quarta-feira no horário do Sri Lanka).
Físico e escritor, Clarke escreveu cerca de 100  livros, incluindo “2001 – Uma Odisséia no Espaço” (que ganhou versão cinematográfica sob direção de Stanley Kubrick em 1968) além de cerca de 500 artigos e contos.

Em 1968, seu conto A Sentinela foi transformado no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick.

As descrições vívidas e detalhadas de naves espaciais e supercomputadores nos livros de Clarke conquistaram milhões de leitores ao redor do mundo.

Muitos creditam ao escritor o mérito de dar uma face mais humana e prática à ficção científica.

Nascido em Somerset, Clarke era filho de um fazendeiro. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Royal Air Force (a Força Aérea Real britânica) em um então projeto ultra-secreto de desenvolvimento de radares.

“Ele estava à frente de seu tempo de tantas maneiras”, disse o astrônomo britânico Sir Patrick Moore, amigo de Clarke desde a adolescência. “Um grande escritor de ficção científica, um ótimo cientista, um grande profeta e um amigo muito querido. Estou muito, muito triste com a sua partida.”

Três desejos
Durante as comemorações de seu 90º aniversário em dezembro de 2007, Clarke fez três desejos: encontrar extraterrestres, que o homem abandone seu hábito petroleiro e que o Sri Lanka encontre a paz.

“Se me fosse permitido fazer apenas três desejos, eu gostaria de ver alguma evidência de vida extraterrestre. Sempre acreditei que não estamos sozinhos no universo, mas ainda aguardamos que um ET venha nos visitar ou nos deixar algum tipo de sinal”, disse Clark em vídeo publicado na Internet.

“Em segundo lugar, eu gostaria que nos livrássemos de nossa atual dependência do petróleo e adotássemos fontes de energia limpas”, acrescentou. E finalmente: “Vivo no Sri Lanka há mais de 50 anos, e durante metade desse tempo tenho sido uma testemunha entristecida de um conflito amargo que divide meu país adotivo. Eu desejaria ardentemente ver uma paz duradoura no Sri Lanka o quanto antes”, disse o autor ao completar sua 90ª órbita ao redor do sol.

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BBC e UOL
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Longe de mim  fazer o Sub Rosa parecer um obituário.  Au  contraire, fico feliz de ter vivido no mesmo século de Sir Arthur Charles Clarke, que, ao lado Ray Bradbury e Isaac Asimov, faziam a Santíssima Trindade, o A B C  da Sci-fi  (desculpe, caro Fábio, mas ainda vou ler o Robert Heilein, graças a você, por enquanto estou com  o grande Sturgeon, aguardando por mim).

Dá-me uma sensação de inexprimível felicidade ver completar-se um ciclo, os Grandes se vão  e a Vida a continuar. Parabéns à minha queridíssima , muito mesmo, amiga Alena Cairo, que está conduzindo uma  pequena e doce peregrina numa viagem de renovação da força da alegria,  da paz na medida em que é possível e necessária e esperança concreta de Vida melhor, mais digna e mais justa. Melhor essência humana. Milhões de beijos para minha sobrinha, por mim,  ela nascerá com um livro na mão e rosas em volta:-)

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