‘Excuse my dust’ – Dorothy Parker

 

retrato da terrível quando jovem

Dorothy, a terrível.

A mais arrasadora personalidade feminina de sua época, Dorothy (nascida Rotschild) Parker (1893-1967), considerada “the wittiest woman in América, escreveu nas revistas Vogue, Vanity Fair e pontificou na mais especial e brilhante revista semanal americana,  The New Yorker.
Jornalista, poetisa, contista, roteirista e crítica teatral, ficou famosa nas décadas de 1920 e 1930 pelos seus poemas curtos e implacáveis. Espírito mordaz, crítico , marcada por algumas tragédias e pela causticidade de seu estilo, ela era devastadora, atingiu a todos e não poupou a si mesma do riso.
Ficou conhecida, justamente, por ser a mais espirituosa e irreverente escritora do século passado.

O texto da orelha da edição da “Modern Library” diz que seus poemas são “aguçados como pontas de flechas, e mergulhados no ácido borbulhante de seu humor.” Poucas mulheres (e poucos homens, aliás) terão tido uma vocação tão grande para a metáfora surpreendente, para a comparação “na mosca”, para o soco demolidor com luvas de pelica, para as coisas ternas ditas com crueldade e vice-versa.

“There’s a hell of a difference between wisecracking and wit.
Wit has truth in it; wisecracking is just calisthenics with words.”

Ela foi uma dessas mulheres que não têm medo de homem nenhum e, como todas elas, pagou um preço maior do que podia, além de suas posses. Casamentos, divórcios, abortos, tentativas de suicídio (várias, o que chegou a virar um folclore), rejeições, depressões e decepções, tudo está rigorosamente dito e descrito em suas biografias e, claro, na internet, em várias homepages.
A primeira vez que publiquei algo a respeito de Dorothy foi em 2001 e a principal página na Internet dedicada a ela, continua a mesma. É a da revista Bohemian Ink, a literary underground review.
Ou seja, uma escritora do mainstream mas tratada e retratada  (muito bem) por uma publicação underground, não é o máximo? E até hoje, apesar de em um grande período ter ficado quase esquecida, o culto ainda hoje persiste. Aqui mesmo no WordPress, temos a Sociedade Dorothy Parker. E tantos outros, que vocês mesmos vão me ajudar a descobrir. Fan pages é que não faltam, nas melhores famílias.
Em seus poemas, ficou a auto-imagem de uma mulher ao mesmo tempo cínica e carente, cuja vida amorosa foi “uma sucessão de saltos no escuro e de ossos partidos; de convalescenças e de recaídas.
Sua linguagem poética é minimalista, dando preferência às estrofes com esquema silábico britânico (8-6-8-6), ocasionais sonetos no modelo italiano, pequenos epigramas em quadras ou dísticos. O mais famoso deles é:
“Men seldom make passes / at girls who wear glasses”
para o qual assenta bem esta tradução:
“Os homens não roubam ósculos / de garotas que usam óculos”

***  ***  ***
Sua poesia é difícil de traduzir, mesmo tendo uma linguagem simples, de imagens fortes e diretas. Grande parte do seu charme reside em ser impecavelmente rimada e metrificada, a um ponto quase impossível de preservar nos versinhos curtos e compactos que eram sua forma predileta.
Seu talento para a rima rica e original é também famoso. Seu poema mais conhecido talvez seja este:

Razors pain you; Rivers are damp;
Acids stain you; And drugs cause cramp.
Guns aren’t lawful; Nooses give;
Gas smells awful; You might as well live.

Résumé

“Résumé”, é sobre o suicídio. Tradução mais adotada:

“Navalha dói./Rios são úmidos./
Ácido mancha. Drogas dão cãibras./
Revólveres são ilegais. Forcas cedem.
O gás tem um cheiro horrível. Melhor ficar viva.”

*** *** ***
Dorothy também foi roteirista em Hollywood (duas vezes indicada ao Oscar, em 1937 e 47).
Depois da guerra, voltou para New York e para o trabalho jornalístico. Em 1944, Dorothy ganhou edição luxuosa do Portable, uma coleção prestigiadíssima, reunindo o melhor dos melhores escritores, onde ela fica, ao lado de Shakespeare e da Bíblia, como as três, únicas, coleções a serem editadas ou reimpressas contínuamente. Ruy Castro em  Big Loira,  diz que Dorothy está, de fato, em companhia de Oscar Wilde, Mark Twain, Platão, Voltaire, James Joyce, Cervantes e Nietzche e por aí vai, até mesmo a Bíblia. E arremata: “isso é o que se pode chamar de uma escritora em boa companhia. Resta saber é se Dorothy gostaria da companhia deles.”. Eu acho que sim.

Ao envelhecer, afastou-se dos círculos intelectuais onde um dia chegou a ser considerada “a mulher mais espirituosa dos EUA”. E a mais amarga, também: morreu aos 73 anos, sozinha num quarto de hotel. Sua morte pegou de surpresa muitas pessoas que a imaginavam morta há muito tempo. Quando morreu, em seu testamento, para desespero de Lilian Hellman sua amiga e espécie de protetora de Dorothy (alguns dizem que ela esperava ser herdeira da amiga, fosse do que fosse) e espanto de todos os demais, havia deixado tudo o que possuia, para Martin Luther King (e a causa negra), a quem não conhecia e , ele, jamais sequer ouvira falar dela.
Dorothy apoiou muitas causas da esquerda nos Estados Unidos. E chegou a ser alvo de investigações por supostas ligações com o comunismo. A tal Comissão Mc Carthy de investigações “antiamericanas”.
Suas cinzas ficaram vinte anos num escritório jurídico, sem que ninguém as reclamasse. Coisas de Dorothy, que certa vez, ao escolher seu epitáfio, escreveu: “Excuse my dust”.

*** *** ***

Dorothy tornou-se um daqueles casos em que a personalidade do artista supera sua obra na memória coletiva. A presença do inferno da rejeição, abandono,  amores fracassados, alcoolismo, inúmeras tentativas de suicídio(*) e, principalmente,  porque todos esses ingredientes sustentam as suas inúmeras tiradas de humor mordaz – por essas, absolutamente tantalizantes e geniais, é que Dorothy ficou, para sempre,  na memória da literatura.
Aqui, algumas dessas tiradas. Algumas em português, na tradução de Angela Carneiro e outras, em inglês, porque são absolutamente, intraduzíveis.
(Grande parte delas ganharam vida, nas reuniões promovidas na famosa  Round Table do (hotel) The Algoquin : ao lado de Dorothy Parker, Harold Ross (fundador da The New Yorker) e Robert Benchley, Franklin Pierce Adams, colunistas e Heywood Broun, Ruth Hale; o crítico Alexander Woollcott; o comediante Harpo Marx, os dramaturgos George S. Kaufman, Marc Connelly, a escritora Edna Ferber, e Robert Sherwood, todos esses formando o seleto e fechado vicious circle, a Mesa Redonda do Algonquin, que incorporou a fina flor da inteligência e o espírito de  uma era em que  foi mudado para sempre a cara do humor e costumes americanos. Da era do jazz, uma era de ouro.
(*) A respeito das várias tentativas de suicídio, Dorothy, judia que era, chegada a uma tragédia, numa certa época, tentava o suicídio quase toda semana. Dizem que certa vez, o maravilhoso, adorável (esses adjetivos são meus) Robert Benchley , seu amigo, olhou para ela e, sinceramente, preocupadíssimo, lhe disse, “Dottie, tome cuidado, menina: essa coisa de  tentar se suicidar toda semana, puxa, um dia  você ainda acaba ficando doente!”.)
*** *** ***
Deixo algumas aqui, que retiro de meus livros sobre Dorothy… E não sou boba de querer traduzir algumas, não é , mesmo? Quer ver? Vejam:

  • *** You know, that woman speaks eighteen languages. And she can’t say “No” in any of them.
  • **** Scratch an actor and find an actress.
  • **** Everything that isn’t writing is fun.
  • **** Hemingway avoids New York, for he has the most valuable asset an artist can possess – the fear of what he knows is bad for him.
  • **** Respondendo a um interrogatório do FBI: “Listen, I can’t even get my dog to stay down. Do I look like someone who could overthrow the government?”
  • **** I require only three things of a man: he must be handsome, ruthless and stupid.
  • *** I like to think of my shining tombstone. It gives me, as you might say, something to live for.
  • *** I write doodads because it’s a doodad kind of town.
  • ***
  • *** Time doth flit; oh shit.
  • *** I’d kiss you, but I’m not sure it’d come out right.
  • ***Men seldom make passes At girls who wear glasses
  • *** Travel, trouble, music, art A kiss, a frock, a rhyme – I never said they feed my heart But still they pass the time

*** *** ***

Ave ! Dottie. Em português:

  • “Só exijo três coisas de um homem : que ele seja bonito, insensível e burro”
  • (Quando lhe disseram que sua arqui-rival, Clare Boothe Luce, era muito gentil “com os seus inferiores”): “E onde é que ela os encontra ?!?”
  • Ainda a respeito de Clare, que era a mulher do editor da Revista Time, ouviu desta, que era mais nova: “As velhas antes das belas”. A resposta foi: “As pérolas, antes das porcas”
  • “Essa mulher fala 18 línguas e não sabe dizer não em nenhuma delas”
  • “A cura para o tédio é a curiosidade. Não há cura para a curiosidade.”
  • “Brevidade é a alma de lingerie” (parafraseando Shakespeare que disse, “Brevidade é a alma do espírito –> “Brevity is the soul of wit”)
  • “Fui expulsa de um convento em Nova Iorque por insistir em que a Imaculada Conceição não passou de uma combustão espontânea” (essa aqui, aqui pra nós, é meio difícil de entender , seja em inglês ou em qualquer outra língua. Eu não entendi e também não gostei, mas  como está entre as mais citadas… noblesse oblige)
  • “Dinheiro não pode comprar saúde. Mas eu me contentaria com uma cadeira de rodas cravejada de diamantes” . (adoro essa e sempre digo hohoho)
  • (Quando lhe pediram que dissesse o epitáfio que gostaria de ter sobre seu túmulo) “DESCULPE A POEIRA… “
  • “Dele só ganhei até hoje uma flor  /  E tão terna, mas com um coração à espreita  /  Pura, púrpura, e tendo do orvalho o odor  /  Uma rosa perfeita.  /  Já conheço a linguagem do buquê  /  “Nestas folhas frágeis  /  Meu coração se estreita”.  /  E imagino perfeitamente em quê :  /  Numa rosa perfeita.  /  Bolas, por que nunca me dão  /  Uma bela limusine – ou…você não suspeita ?!?  /  Não, todos eles me mandam  /  Uma rosa perfeita”.
  • (Depois do fracasso de suas inúmeras tentativas de suicídio) ” Navalhas machucam / Rios são úmidos / Ácidos mancham / E drogas dão cãimbras / Armas são ilegais / Nós escorregam / Gás tem mau cheiro / É melhor viver”
  • “Qualquer mulher que aspire a comportar-se como um homem, é certo que carece de ambição.”
  • “Quatro coisas há que eu passaria melhor sem elas: amor, curiosidade, pecados e dúvidas”
  • “Mulheres e elefantes nunca esquecem.”
  • “Este não é um livro para ser sutilmente jogado de lado. Ele tem que ser jogado com toda a força”
  • Dorothy nasceu de sete meses. Depois diria: “Foi a última vez que cheguei cedo para um compromisso”.
  • Onde está o homem capaz de acalmar tão bem um coração quanto -uma camisola de cetim?
  • ♣ ♣ ♣

    (*) A tradução de todos os poemas e citações, aqui,   são de Angela Carneiro.

    Alguns links, especialmente escolhidos: (**)

    Modern American Poetry. . – Em especial este ensaio: Dorothy Parker and Her Intimate Public.

    As Malvadas./ Recanto das Letras

    Big Loira

    O espantoso obituário do New York Times. Quando Dorothy morreu, em 1967, estava tão esquecida que todo mundo se espantou com as notícias estampada nas front pages dos mais importantes jornais. Este obituário, na front page do NYT foi decisivo: os poucos que lembravam dela achavam que já tivesse morrido. Os outros não tinham a real dimensão de sua importância.

    Dorothy em tese. USP,  por Juliana Rosenthal Knoepfelmacher.
    A dependência feminina do telefonema masculino.

    Socidade Dorothy Parker (aqui tem coisas do arco da velha e da nova).

    DOT AUDIO: Vídeos interessantíssimos com Dorothy. (enviados pela Rose)

    ♣ ♣ ♣

    Livros em português:

    Praticamente não há uma bibliografia em português a respeito de Dorothy Parker, a não ser a coletânea de contos Big loira e outras histórias, de Ruy Castro, lançada pela Companhia das Letras. E, pela editora Civilização Brasileira uma biografia “A extravagante Dorothy Parker“, pela escritora francesa Dominique de Saint Pern , o que é ótimo. Mas, cuidado, é longa e maçante, o que pode afastar os que já não estejam convencidos de que vale a pena. E a tradução…tsc, tsc… (embora eu dificilmente fale mal de tradutrores. Tenho o maior respeito pela classe laboriosa , da qual faz parte, a minha adorável e querida tradutora preferidíssima Fal Azevedo. Que fez a magistral tradução do livro O amor é fogo , da não menos adorável Nora Ephron. Que aconselho veementemente.

    (**)Eu disse que este seria um post in progress. E interativo. É verdade: o melhor do post vem depois, nos comentários. Pelo menos aqui é assim *pisc.  Simplesmente os melhores links. Melhor, muito melhor do que eu poderia fazer. Então os links virão depois, com os devidos créditos:-). Agora é com vocês, queridas. Voilà! (*pisc, de novo.)

    Ah! queria dividir uma coisa com você: eu hesitei em dizer aqui que tenho uma linda puppy, uma cadelinha yorkshire, lindíssima, of course, chamada Dorothy (que torce pelo Yuri). Adivinhem qual a razão do nome? Pois é!  Agora, o melhor de tudo foi encontrar um blog em que a autora conta que  os filhos de sua foram ‘batizados’ com os seguintes nome:s Dot (ponto) Dash (traço) e Ray. Agora, por quê? Simplesmente, os nomes foram inspirados em Dottie Parker, Dashiel Hammet (lembram o marido da Lilian Hellman?) e Raymond Chandler. Quem gosta de romances policiais, aí, levante o braço:-). O blog é aqui. E Dorothy adorava cães. Ela era per-fei-ta!

    Curtas e delicadas

    the greeting /le Salut/1938/paul delvaux

    the greeting /le salut/1938/Paul Delvaux

    Felipe Fortuna (*) num  *exercício crítico*, cheio de  ironia e sarcasmo, fustigando o ridículo, o moralismo das mazelas tão amplamente terrenas da vida literária.  Retrata a esgrima dos contrários, a “discordia concors“, o cânone posto do avesso. A chamada lex inversa. Um certo tom muriliano e  talvez, sem querer, em algumas provocações, deixa ressair uma ponta de dor e sim, uma espécie de compaixão. Curtas e  cruelmente delicadas. Com ou sem *notalgia*.
    O que você acha?

    ***

    O provérbio transforma a realidade num vasto lugar-comum.

    ***

    O poeta mais ou menos mostra seu poema a outros poetas mais ou menos. Juntos, decidem publicar uma revista e tudo termina sem mais nem menos.

    ***

    Durante a Semana de Arte Moderna, quanto subiu o preço do café?

    ***

    O livro de bolso não publicou os textos do artista minimalista. Por sua vez, impressa em papel bíblia, a obra extensa do poeta ficou reduzida ao Gênesis e ao Apocalipse.

    ***

    O bibliófilo acaricia dia e noite o cólofon e o frontispício: fica sozinho entre livros por toda a vida, sem amor e sem folha de rosto.

    ***

    De repente, percebeu que o escritor tinha muito mais livros publicados do que ideias.

    ***

    O cantor popular afirma que suas canções são poemas. O poeta precisa transformar o seu poema numa canção, pois está sem dinheiro. Juntos, o cantor e o poeta concorrem à nova edição do Big Brother Brasil.

    ***

    Dou um boi morto, de Manuel Bandeira, para não entrar em briga; e a boiada vai, como um navio, de Guimarães Rosa, para não sair.

    ***

    O lugar-comum transforma o provérbio numa vasta realidade.

    ***

    Tarde da noite, o PhD em sonetos se encontra com o aprendiz de poeta concreto. Juntos, fundam a Tradicional Família da Forma.

    ***

    Durante a Exposição Nacional de Arte Concreta, quantos prédios foram erguidos em Brasília?

    ***

    Uma epigrama mordaz, porém escrita pelo epígono. Ainda assim, sentiu-se no epicentro da vida literária, onde o que há de mais profundo é a epiderme, segundo escreveu o imitado poeta francês. À procura de uma epifania, acabou sendo apenas um episódio, que hoje se lê em epígrafe.

    ***

    Fui tomando notas enquanto lia aqueles poemas muito eruditos, que, segundo me garantiu o amigo, “têm peso”. Em silêncio, lembrei que a dor na região dorsal se chama notalgia.

    ***

    Há de tudo na internet, por que se preocupar? Já se pode surfar de Platão a Schopenhauer, de Anchieta e Euclides, de Deleuze a Derrida. Mas quem disse que o surfista tem tempo para ler em alto mar?

    ***

    “O seu poema visual tem mesmo influência de Mondrian?” “Tem sim senhor, não seja quadrado…” “Mas eu estou apenas perguntando…” “Se meu verso não deu certo, foi seu olho que entortou.”

    ***

    Então está combinado: eu escrevo o poema no domingo e você publica um comentário elogioso no sábado. A literatura brasileira só acabará quando for abolido o fim de semana.

    ***

    Durante o Festival Nacional da Canção, as aves que aqui gorjeiam gorjearam como lá?

    ***

    O poeta encontra a musa. Juntos, haveria um baby boom?

    ***

    Agora que existe poesia feminina, gay, racial, religiosa, grupal, é hora de se preocupar com o leitor desamparado.

    ***

    Aqui jaz o Príncipe dos Poetas, que deu seu reino por um enjambement e evitou o blog porque não suportava os numerosos acessos. Preferiu mesmo, juntamente com o trono, uma edição fora do comércio.

    ***

    Ainda que mal lhe pergunte, e agora, José?

    ***

    Concordo: cada um tem um modo de usar as palavras. Mas as palavras fazem amor, como lembrou Roland Barthes, e eu não vou ficar aqui plantado de voyeur.

    ***

    Etiqueta, até onde entendo, é o uso da ética com o menor esforço possível.

    ***

    “Sou professor de literatura e me especializei em vanguardas literárias.” “E que autores o senhor mais estuda?” “Aqueles que aceitam as vanguardas literárias.”

    ***

    De dois em dois anos, durante a Bienal do Livro, quantos escritores ímpares comparecem?

    ***

    O poeta mandou seu livro pelo correio, mas esqueceu de escrever na frente do envelope a crise do verso.

    ***

    Durante a Festa Literária Internacional de Parati, quantos poetas herméticos mereceram tradução simultânea?

    ***

    A realidade transforma o lugar-comum num vasto provérbio.
    *** *** ****

    (*) Publicado, com o título Pílulas de sabedoria, no  Jornal do Brasil Caderno Ideias & Livros. 31 Jan 2009.
    Faz parte do seu livro, Esta Poesia e mais outra, 2010, lançado pela Topbooks.  Veja resenha de Antonio Miranda.
    Do qual se falou aqui no Sub Rosa.

    — ‘Poeta, ensaísta, tradutor e diplomata, Felipe Fortuna estreou com o livro de poemas Ou vice-versa (1986), a que se seguiram Atrito (92) e Estante (97), este pela Topbooks, que no ano seguinte editou também Curvas, ladeiras – bairro de Santa Teresa, dedicado ao lugar onde o autor viveu no Rio de Janeiro. Esta poesia e mais outra reúne uma série de textos de crítica literária capazes de fazer o leitor refletir sobre os mais diferentes temas: do projeto totalizante do Livro de Mallarmé às origens medievais da canção “Coração materno”, sucesso de Vicente Celestino, passando pelo famoso ficcionista e crítico francês Philippe Sollers e pelos poetas brasileiros Armando Freitas Filho e Paulo Henriques Britto, entre muitos outros. Para o filósofo, poeta e letrista Antonio Cícero, que assina o texto de apresentação, “este livro invulgarmente perspicaz, erudito e espirituoso traz uma contribuição preciosa à nossa reflexão sobre a literatura e, em particular, sobre a poesia”.

    Leia Felipe Fortuna –  por Antonio Cícero.
    *
    Site de Felipe Fortuna


    *** **** *****
    Leia mais deste post

    Pérola!

    Ollha só:

    “Eu comprei um sutiã tudo de bom, arribagarotos, com capinha durinha pra não aparecer os beecos. Quando comprei ele não cabia, ficou meses me esperando, e finalmente tá dygno. Tudo isso, todo esse empenho, praGui pegar o sutiã hoje de manhã, pedir pra amarrar no próprio peito e dizerque tava fantasiada de ORANGOTANGO. E ainda pra bater no peito e urrar e tudo. Nhé. Ser mãe é abdicar da dignidade.”

    Eu não podia deixar de dividir com vocês essa pérola phyna. Quando vou ler o blog dela, ela nunca me decepciona.

    A Tati é que é!  Quer mais? Bem, ela  é minha amiga no Facebook (thank goodness) , e escreve  posts bárbaros, aqui, no Perolada.

    =-=-=-=-

    Ah! eu também estou atrasada nas respostas aos mil e sete comentários que meus queridos me deixaram.  Juro que logo estou estou voltando pra responder.

    Tiau!

    Gênio! Esta crônica do César Miranda é de gênio. Falei!

    Ou Olimpíadas Internacionais de PEQUI;-)

    Olimpiadas de Pequi
    Pequi, arroz de pequi, flor de pequi e por aí vai!

     

    Então, como vocês todos (não) sabem  quando fico desaparecidinha é porque a coisa está mal-parada (leva hífen?) De saúde, claro, ah se eu tivesse saúde como tenho felicidade, ou sorte, ou whatever tudo de bom, nos outros departamentos. Ah! vocês iam ver o que era bom pra tosse (ops). Felizmente tenho médicos lindos e maravilhosos e quem sabe, graças a eles,  eu ainda vou sair ‘sambando , me  acabando num cordão, na multidão de re-reco na mão e desaparecer no turbilhão da galeria’;-) A minha amada Dra. Júnia que o diga! Obrigada, doutora…

     

    Pois é, mas como ia dizendo, antes de ser violentamente interrompida por mim mesma, eu só hoje pus, botei, coloquei;-) a cabecinha de fora e vim ver o que estaria acontecendo nesta FEIRA MODERNA, a que chamam de blogosfera, ver se não tinham esquecido de mim, (bem os visitantes diminuíram bastante, mas não faz mal… Mentiiiira, FAZ MAL SIM, seus adoráveis batráquios ingratos me esqueceram, não é?)  e eis que deparo com  esta maravilha (e nem vou falar mais nada, corram para lá)
    É o César Miranda, em um dos seus inúmeros melhores momentos,  subvertendo os sentidos, os significados, e com o humor no ponto máximo de descolamento…ops, deslocamento significante.  Recortes e desvios. De risos.

     

    “[…] Além disso, há tanta gente não mantém a palavra comigo, por que eu iria fazê-lo? Seria ridículo eu considerar a palavra de quem, logo a minha, como se fosse lei. Aliás, nem toda lei eu obedeço. A lei da gravidade, por exemplo, burlo de vez em quando e vou em vôo por aí. A lei da gravidade por sua vez também não me obedece e estamos quites (eu, com alguns hematomas). As leis não obrigam ninguém a nada, apenas nos impõem sua sanção, mas quem quiser pode desobedecer, não é proibido […].”
    Ave, César, poeta, sonetista e rei dos palíndromos. Você é a quinta coisa melhor do mundo, depois de amor de Mãe;-). Aqui, a doida (na verdade a moça falou em *distúrrrrbios mentaisss* hohoho)  que te ama.  E confirma isso, pois como todos sabemos, amor é coisa que não é para amadores.  E parece que nem para humoristas. Aliás, principalmente;-). Salut!

     Todos lá, segurem o gajo pelos pés, pois ele promete voltar a escrever, mas diz que não cumpre suas promessas. Perceberam o sentido desviante da escrita do César.?

    ATENÇÃO: Agora o César está em novo endereço!!!!!! No A POSTOS

    Um feliz fim de semana;-)

    METAFÍSICA DA IQUITIOLOGIA

    – TÁ, MAS, SE DEUS NÃO EXISTE,
    QUEM É QUE MUDA A ÁGUA ?

    Millôr Online: clique.

    ****************

    Até o Oscar® ;-)

    Fiquem com Mr Zimmer(Tambourine)man;-)



    *****************

    Agora, os que gostam de cinema, vejam isso aqui! Utterly gorgeous!

    Fezoca e Moa queridos: all about Bette

    a)The number two fan;-)

    Essa moça é uma sorcière…Linda! Agradeço por todos.;-)

    Imaginem Bette Davis cantando a QUE RESTE_T_IL DE NOS AMOURS, (I wish you love) . Étonnant!