Duas linhas, enquanto não volto: o que acham?

É mesmo assim?

“… havendo de tratar da dor do bem perdido, o primeiro perdido sou eu, porque, quando quero combinar a dor com a perda, a perda com o bem, e o bem com a dor, me acho cercado por todas as partes, e preso sem saída, dentro de um círculo por uma parte inevitável, e por outra incrível. Todos crêem que a dor é a medida da perda, e a perda a medida do bem; sendo, porém, certo, como é, que o bem possuído se estima menos, e o mesmo bem perdido se estima mais, daqui se segue que a perda cresce e faz maior o bem, e que o bem perdido, feito maior, faz também maior a dor. De maneira que, caminhando do bem para a perda, e da perda para a dor, o bem, a perda e a dor são menores; porém, tornando da perda para o bem, e do bem perdido para a dor, a dor, a perda e o bem são maiores; e tudo isto, sendo o bem o mesmo, e não diverso”

Antônio Vieira (Portugal [Lisboa]*1608 + Brasil[Salvador/Bahia] 1698)
Pe. Antonio Vieira
Fico uns dois dias fora do ar.
Volto logo. Nem respirem;-)
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P.S. Meninas e meninos:-) Volto logo com o post sobre esta delícia aqui.

Um beijinho para a Sofia.

Padre Antônio Vieira – 400 anos. O barroco no Brasil(*)

Amazônia, Vieira & Companhia

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Dia 6 de fevereiro: há 400 anos, no subúrbio de Lisboa (Portugal), nascia o filho de Maria de Azevedo e Cristóvão Ravasco Vieira. O menino era neto de uma serviçal do conde de Unhão. Mas, um fado quis que ele viesse a ser o célebre Padre Antônio Vieira, conselheiro de El-Rei; na Amazônia precursor dos direitos humanos dos povos indígenas e da teologia da libertação; imperador da língua portuguesa nomeado por Fernando Pessoa, perpetuado pela filosofia de Agostinho da Silva no reinado do Espírito Santo.

O menino criou-se na Bahia de Todos os Santos. Para estudar fugiu da casa dos pais e foi abrigar-se no colégio dos Jesuítas, onde se tornou padre. Na velhice voltou a Salvador para se recolher ao convento e morreu no sítio do Tanque, depois de longa e atribulada vida dividida entre o Brasil e a Europa, consumindo-se com a obra-mestra, jamais concluída, A Chave dos Profetas.

Criticou a cegueira dos outros, mas não viu o Bom Selvagem que, muitas vezes, lhe guiou e levou de canoa a remo rio acima. Tampouco, compreendeu a “eucaristia” brava dos antropófagos tão bem quanto o beato José de Anchieta, que a sublimou no culto do Sagrado Coração de Jesus no sertão de Piratininga… Se caíssem a Vieira as escamas dos olhos, teria ele além de entender a profecia do Bandarra; compreendido também o espírito Jurupari (que, por ignorância dos frades capuchos da França Equinocial, fora diabolizado).

Assim, o Payaçu poderia ser verdadeiramente grande e antecipar a descoberta do alemão Curt Unkler, que se indianizou Niemandeju (“o que constrói a própria casa”). Este um que, em 1920; revelou ao mundo a “Terra sem mal”: paraíso selvagem procurado pelos tupinambás, do Paraná até o alto Amazonas.

O Diabo são os outros
E o espírito dos outros
São demônios
O nosso é santo, santo
Nossos santos anjos são
Tudo estaria
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