Triste Marta! Triste, Marta.

Every-body who’s anybody”, como diria Cole Porter , não se furtou a falar no triste papel de Marta Suplicy na campanha para a prefeitura de São Paulo,  trazendo um tom de aviltante moralismo e atropelamento da ética.

Evito o máximo falar em política neste blog. Só me manifesto se for impossível deixar de fazê-lo.
Já comprei muita briga e principalmente pelos outros. Discutir política em blog faz com que você rapidamente navegue pelo mar do desafeto e da inimizade.
De uma forma tão leviana quanto espúria não ser petista passou a ser sinômimo de direitista e tem até uma ex-célebre pessoa (tipo ex-amigo) que ganhou epíteto de neocon ou neo-con, por declarar não ‘ser’ PT.

A esta altura do campeonato, os poucos que me lêem sabem que não sou de direita – o que não me impede de me dar bem com pessoas bacanas, honestas e amigas que o sejam e admitam – do mesmo modo que admiro (por outros motivos) – pessoas que até se declaram petistas e até xiitas e nunca disse que eles eram ‘xaatos’, como dizia o grande Carlito Maia.

Mas hoje tenho de falar. Tudo porque um dia essa triste senhora já fez parte de meu Panteón particular.
Essa senhora, acreditem ou não, já esteve na vanguarda do pensamento, aquele que se caracteriza pela open mind, pela largueza e amplitude do pensamento  numa época obscurantista. Seu pensamento me ajudou  como professora  a abrir algumas aléias  de tolerância e bom convívio com a diversidade. Em mim mesma e em alunos meus.

Hoje, afinal,  é o Dia do Professor, e como todos sabem  Professor não é só aquele que a gente tem em sala de aula.  E o mais importante,  Professor também tem os seus Professores , por toda a vida.

Sem contar que a ação do Professor deve transpor o espaço intramuros da sala de aula e ganhar a Cidade, a Polis (πόλις).

Daí minha profunda comoção ao ver aquela Marta que na antiga TV MULHER, como psicóloga e sexóloga (?!) ajudava alunos e professores a se tornarem maiores que o preconceito, maiores que as estreitezas da intolerância. Ensinava , enfim, que ter princípios ainda era e deveria ser sempre o norte de nossas ações.
Hoje, tristemente constato que Marta Suplicy numa desenfreada sucessão de gestos cada vez mais comprometores de quem não sabe pedir desculpas à Cidade e ao País, por um erro (já que houve sim um erro) , e mais: negação do óbvio, recibo de irresponsabilidade (‘eu não sabia’)  enfim…mostra que que pode até saber de moralismo, no seu pior sentido, mas esfacela a ética.
O que é uma coisa lamentável e condenável, para quem disputa um cargo na Pólis! Bom,  isto para quem entende a diferença entre o grego éthos (“ἔθος” )– com o “e” longo e que significa propriedade do caráter – , éthos (‘ἤθος”) com o “e” breve que significa costume – que é igual a mores – tradução para o latim que se confundiu com a primeira acepção de éthos.
Triste Marta. Parece que nunca mais vai poder sequer mencionar ,nem no todo  nem em parte, o que era um dos seus mais belos e importantes conhecimentos.

Agora do outro ponto de vista, mas como tudo é político e o referencial é o mesmo, aqui estão pessoas que escreveram bem, muito bem, o melhor possível. Esses dois  primeiros foram os que melhor sintetizaram o que realmente está em jogo.

Pedro Dória
Ricardo Kotscho

Mais além:
Jayme Serva

Gilberto Dimenstein

Pedro Alexandre Sanches

e vários, vááários outros.

O suplício e a sedução dos corsets, high heels e outras artes:-) – Updated 2

Mesmo não sendo expert no assunto, mas adorando sapatos, saltos, tanto quanto um bom tênis hohoho, sempre me perguntei porque a gente vira Maria Antonieta e perde a cabeça por um sapato  de salto alto Luís XV (pelo menos era sssim  que chamavam) . Alguém lembra os tais saltos Czarina?  Eu lembro e invejava.  
Sempre tive adoração por sapatos que mostrassem meus pés. Inocentemente, é claro.  e tenho muitas vivências (inocente, claro den ovo,  a respeito de sapatos. Número lindo, não é Regina ?;-))))
Pois  bem, até que agora, hora de não me sentir mais uma borralheira, por causa da asma, da gripe,  da gargantite e da virose, (CRUZESSS!)  resolvi – como é meu estilo, nas más horas pensar em coisas boassss.
E assim, decidi  interrogar, a gentil senhorita e o distinto cavalheiro por que o Ferragamo e agora, o Manolo mexem tanto com a nossa e a vossa cabeça;-)))). E importunar meus amigos mais queridos.
Vejam o resultado:
Bem… eu penso que uma  bonita bolsa, de grife importante, satisfaz o senso de estilo e alimenta a auto-imagem social, já os sapatos fazem tudo isso e ainda agem numa área muito mais sensível: a do erotismo. Belos sapatos aumentam o potencial de sedução, e não é preciso ser nenhum podólatra para entender por que o fetichismo em torno dos pés tem um capítulo especial na história do comportamento erótico.
Sabem  o filósofo amigo meu, mencionado láááá no outro post, lembram?  Pois é ele que pontifica:  “ao forçar para cima o arco do pé, um par de saltos altos transforma o corpo, obrigando a mulher a empinar seios e bumbum, além de harmonizar o perfil da perna  alinhando-a desde o alto da coxa até o tornozelo e ressaltando a  er…canela (canela???!!!! e se usa essa palavra .. canela, aplicada a uma mulher elegante…não sei não, o que vocês acham?)  ou seja a musculatura da coxa e da panturrilha”. 
Como resultado,  um andar ondulante, que será entendido pelos que gostam de dominar como uma oferta e pelos que gostam de ser dominados como uma ordem. 
Aí reside, justamente, o fascínio e o mistério dos high heels.
In my  so so humble opiniaum;-), impossível falar do sapato sem falar no outro  principal símbolo dos sacrifícios estéticos: o * espartilho*.  Estive vendo  sites especializados, vi peças de colecionadores, réplicas, anúncios de época e estudos sobre seus efeitos nas vértebras das mocinhas de então,  colocados lado a lado.  Talvez até  o insuspeito árbitro da *real* elegância feminina – o querido Amigo Réprobo, possa mostrar mais.  Seja como  for, de tudo o que vi e vejo, o  resultado é sempre  aflitivo e encantador, ao mesmo tempo.
Voltando aos sapatos, quanto mais alto o salto, maior a obsessão. Tão profundo é esse mistério que às vezes nem precisa  existir o sapato.
Basta a sugestão, como se pode ver  nas fotos. (Olhem o tango).
Tesouro muitas vezes enterrado no closet feminino. Disposto apenas ao olhar reservado e compartilhado entre eleitos.
Ah os sofrimentos estéticos!  … ah! as  artimanhas da sedução e os sacrifícios cometidos em busca de seduzir ou ser seduzido. Na  moda, nas artes plásticas, cinema, objetos e publicidade, um interessante e questionador esboço de comportamento feminino.  Mas seria só feminino?
Vocês é que sabem. Eu sou pequenininha e não entendo nada.
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Neste site – vi muitos e talvez melhores –  mas este, especialmente,  tem uma história, ou seja apresenta os corsets, (aaaah! sim, corsets, corselets, são espartilhos como todos sabem) e eles apresentam assim: desde os 1800 (os anos jacksonianos e vitorianos,) os antes das guerras, até os nossos dias.
Daqui se passam para muitos outros, mas dá para iniciar.
Corsets Trough Time

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Bem, have fun, enjoy , I hope.
Agora estou mergulhado no livro da escritora, poeta e jornalista  Ana VidalContos do Sul” e há muito não lia contos tão bem-feitos, tão bem construídos, imbricados em sólida literatura da qual é herdeira e já tão sua, e que me fazem lembrar Mario de Andrade, pelo humor à sorrelfa e a construção literária, onde a vida pulsa… Ai: “Não sirvas a quem já serviu…, não peças a quem já pediu”. Que delicia! . Flaubert dizia de Bouvard e Pécuchet que isso era realmente o Zeitgeist.

Fiquem bem.
Paratodos e para a Ana:
Diane Krall:  Temptation (I adore it)

Annie Lennox, a magnífica – Talk to me like lovers do .

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Per favore, não saiam daqui sem ir lá no árbitro da elegância dos pés femininos. Não, não é o escritor Alex Castro, “O” Libertino Radical, de livro novo,  que também entende profundamente do assunto.  Trata-se do nosso Amigo, o Réprobo,  especialista em parcialismos;-),  o nosso Réprobo das Afinidades Efectivas. Sumidade!
E prometo que este é o último post sobre este assunto tão ‘caro’, não é Saramar?. Aliás. acho que isso de sapatos é ruim pras nossas bolsas;-) (OK, foi mal)

AGORA ACHTUNG; Espartilhos (corsets, corselets) não são só instrumento de suplício, parece que há muit(o/a)s adeptos dessa bela peça do vestuário que o usam mais por prazer, mais por apimentada elegância, propriamente, se é que me faço entender;-)))
Vejam este site´- cliquem em português

MADAME SHER!

Por favor, em todas as fotos de slideshows e em alguns links (enlaces) passem o mouse, OK?

Volto depois pra responder tu-di-nho!, Viu,, Ju, querida altona:-)
Ah! se alguém tiver aquela foto da Scarlett O’Hara, no início de GWTW (…E o vento levou.)  com a Babá apertando e sufocando a coitada com um lindo espartilho, me manda por favor? Manda… ? Ah Obrigada,  que lindas e lindos vocês são.

+_+_+_+_+_+_+_

Ahá! vejam só, não percam o post da querida Marília sobre o descobrimento do…bem vão lá e vejam por vocês mesmos.  Quem diria, ó querido Réprobo:-) afinal tem origem … real, realíssima;_)

Essa menina é ótima e o blog dela é um dos meus favoritos:-)

Ela voltou. (Updated)

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É da essência do ser humano ser relativo aos outros, mesmo que se esqueça isso muitas vezes. Consciências anestesiadas não sentem.  Sensibilidades distorcidas não identificam as relações.  Reconheço: a cada dia fica mais fácil perdermos as referências, tanto as maiores (Tempo e História) quanto as mais sutis.  E fica mais difícil identificarmo-nos com com quem as representa.

Claro que me incluo nisso, tanto que às vezes penso que somos treinados para fazer do cotidiano algo cego (sob pena de sermos taxados de idealistas, românticos,  conservadores, reacionários etc. ) ou , o que é bem pior, a praticar o afeto e a ação  imediatistas.

Mudando o tom cinzento, eu queria só dizer que estou encantada  com a volta dessa moça,  linda, encantadora, que nos salva de comportamentos desvinculados de compromissos, de certas referências.  E como ela faz isso, tarefa tão difícil? De muitas maneiras, suponho, mas  é através de seu blogue que  testemunhamos o engendramento de novas formas de pensamento que matam o desencanto,  promove projetos  e reconstitui  territórios de jovens pessoas: os seus alunos.

Mas ela faz isso fazendo o mesmo a si própria. Ela se faz, se refaz e se traduz. E nos conta como é… que se faz.

Eu nem vou falar muito mais, porque eu não me faria entender, eu os subtrairia da essência e da importância que ela tem. Da sua paixão e mesmo do que ocorre quando ela está – muitas vezes sem querer –  nas entressafras da paixão.

Porém,  uma coisa eu não dispenso: dizer que tive minha vida enriquecida com a presença dela, ela evitou  grande parte do aniquilamento de minha crença nas pessoas com seu belos  gestos de acolhimento, sorrisos  encorajadores, expressões de ternura, compreensão  e delicadeza. No início, foi  virtualmente.  E depois tudo foi mais que confirmado…. ao vivo e de forma adoravelmente  colorida (lembra os guarás, Lu?) , quando estivemos juntas aqui em Belém do Pará. Na minha terra, na minha/nossa casa. Em dias maravilhosos de um julho inesquecível.

Então,  pessoas, eu posso falar, porque vi, testemunhei e  sei do que estou falando;-))) Ela é demais!

Lulu, eu te amo. Você é que é! ;-0)   E é também um território sem limites de entrega,  é prova de amor, e é um universo de magia vital.

AquiA volta da que não foi

Aquipraticamente tudo o que ela mostra que é.

A ilustração é um magnífico Mapplethorpe  porque sim. E em preto e branco porque há muito de vida, cor e som na Lulu.

Da maior importância: Augusto Boal e Felipe Fortuna

Boal e o Teatro do Oprimido

Augusto Boal, teatrólogo brasileiro que hoje está completando 77 anos) foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2008. A indicação de Boal ao prêmio foi feita em reconhecimento a seu trabalho com o Teatro do Oprimido, técnica criada por ele no final dos anos 60 e que utiliza a estética teatral para discutir questões políticas e sociais.

As comemorações  -tanto pelo aniversário quanto pela indicação – se espalham pelo mundo, (sim, senhor, pelo mundo, tá pensando o quê?) com eventos públicos dedicados à conscientização sobre o aquecimento global, numa iniciativa de grupos do Teatro do Oprimido internacionais. (Conheceram, papudos?) No Rio de Janeiro, cidade do teatrólogo, as homenagens acontecem no Parque do Flamengo.
Dê uma vista na programação de todas as cidade, neste site aqui:
http://headlinestheatre.com/2Degrees08/jokers_events.htm

É o caso de dizer: Ele merece! ele merece!!! Ele merece! E nós, parece que merecemos, não é?

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QUANDO QUEIMAM BIBLIOTECAS

“Tudo é possível quando a política se une à barbárie – incluindo-se a publicação de um livro e a queima de uma biblioteca. Cada um de nós reagirá de modo previsível diante do lançamento editorial e do ato de vandalismo: respeito e admiração por um, horror e repulsa pelo outro. Num poema ainda ensinado nas escolas francesas como lição de humanismo, “De quem é o erro?”, Victor Hugo castiga com dureza uma pessoa que acaba de confessar haver incendiado uma biblioteca. E começa a exclamar colericamente: “Crime cometido por você contra você mesmo, infame! / Você acaba de matar o raio de luz de sua alma! / É a sua própria chama que você acaba de assoprar! / (…) Uma biblioteca é um ato de fé (…) / Então você esqueceu que o seu libertador / É o livro? (…)”. Terminada a longa descompostura, em tom de sermão, o poeta que falou sobre a verdade, a virtude e o progresso, permite que o delinqüente possa pronunciar uma única frase: “Eu não sei ler”. Subitamente, todo o poema se transforma numa composição irônica na qual a força moral do poeta torna-se oca diante do descaso da sociedade em relação a um analfabeto, que reagiu e se vingou a seu modo.

 Por associação, lembrei-me do poema enquanto lia um ensaio perturbador, “Por que queimamos as bibliotecas?”, que trata das violências sociais contra a cultura escrita. Seus autores são dois sociólogos franceses, Denis Merklen e Numa Murard, estudiosos dos recentes episódios de revolta popular que atingiram os subúrbios de Paris – e, especialmente, as bibliotecas de bairro. Eles explicam que, desde 2005, dezenas de bibliotecas foram atacadas e destruídas por moradores do lugar, e se perguntam qual seria o alvo nos casos em questão: uma instituição pública? Um prédio que representa o poder ou a República? Essas questões conduzem os sociólogos, por fim, à interrogação decisiva: o que significa, para os vândalos, uma biblioteca…”

Continue lendo no link abaixo o estupendo ensaio do poeta FELIPE FORTUNA. Lembram de Farenheit 451 de Bradbury? Não estamos longe disso.

 Caderno Idéias- Jornal do Brasil – 15 de março de 2008

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Hoje há dois aniversários importantes para o blog: o da querida  Viv e o do grande  Jerry Lewis, (tomara que se faça justiça a ele em vida, e parem de vê-lo como um mero careteriro) e possivelmente voltarei logo. 

P.S. – Ery Roberto, fique bem, meu Amigo. Você fez o que lhe cabia.  Então…