Curtas e delicadas

the greeting /le Salut/1938/paul delvaux

the greeting /le salut/1938/Paul Delvaux

Felipe Fortuna (*) num  *exercício crítico*, cheio de  ironia e sarcasmo, fustigando o ridículo, o moralismo das mazelas tão amplamente terrenas da vida literária.  Retrata a esgrima dos contrários, a “discordia concors“, o cânone posto do avesso. A chamada lex inversa. Um certo tom muriliano e  talvez, sem querer, em algumas provocações, deixa ressair uma ponta de dor e sim, uma espécie de compaixão. Curtas e  cruelmente delicadas. Com ou sem *notalgia*.
O que você acha?

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O provérbio transforma a realidade num vasto lugar-comum.

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O poeta mais ou menos mostra seu poema a outros poetas mais ou menos. Juntos, decidem publicar uma revista e tudo termina sem mais nem menos.

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Durante a Semana de Arte Moderna, quanto subiu o preço do café?

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O livro de bolso não publicou os textos do artista minimalista. Por sua vez, impressa em papel bíblia, a obra extensa do poeta ficou reduzida ao Gênesis e ao Apocalipse.

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O bibliófilo acaricia dia e noite o cólofon e o frontispício: fica sozinho entre livros por toda a vida, sem amor e sem folha de rosto.

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De repente, percebeu que o escritor tinha muito mais livros publicados do que ideias.

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O cantor popular afirma que suas canções são poemas. O poeta precisa transformar o seu poema numa canção, pois está sem dinheiro. Juntos, o cantor e o poeta concorrem à nova edição do Big Brother Brasil.

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Dou um boi morto, de Manuel Bandeira, para não entrar em briga; e a boiada vai, como um navio, de Guimarães Rosa, para não sair.

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O lugar-comum transforma o provérbio numa vasta realidade.

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Tarde da noite, o PhD em sonetos se encontra com o aprendiz de poeta concreto. Juntos, fundam a Tradicional Família da Forma.

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Durante a Exposição Nacional de Arte Concreta, quantos prédios foram erguidos em Brasília?

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Uma epigrama mordaz, porém escrita pelo epígono. Ainda assim, sentiu-se no epicentro da vida literária, onde o que há de mais profundo é a epiderme, segundo escreveu o imitado poeta francês. À procura de uma epifania, acabou sendo apenas um episódio, que hoje se lê em epígrafe.

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Fui tomando notas enquanto lia aqueles poemas muito eruditos, que, segundo me garantiu o amigo, “têm peso”. Em silêncio, lembrei que a dor na região dorsal se chama notalgia.

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Há de tudo na internet, por que se preocupar? Já se pode surfar de Platão a Schopenhauer, de Anchieta e Euclides, de Deleuze a Derrida. Mas quem disse que o surfista tem tempo para ler em alto mar?

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“O seu poema visual tem mesmo influência de Mondrian?” “Tem sim senhor, não seja quadrado…” “Mas eu estou apenas perguntando…” “Se meu verso não deu certo, foi seu olho que entortou.”

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Então está combinado: eu escrevo o poema no domingo e você publica um comentário elogioso no sábado. A literatura brasileira só acabará quando for abolido o fim de semana.

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Durante o Festival Nacional da Canção, as aves que aqui gorjeiam gorjearam como lá?

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O poeta encontra a musa. Juntos, haveria um baby boom?

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Agora que existe poesia feminina, gay, racial, religiosa, grupal, é hora de se preocupar com o leitor desamparado.

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Aqui jaz o Príncipe dos Poetas, que deu seu reino por um enjambement e evitou o blog porque não suportava os numerosos acessos. Preferiu mesmo, juntamente com o trono, uma edição fora do comércio.

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Ainda que mal lhe pergunte, e agora, José?

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Concordo: cada um tem um modo de usar as palavras. Mas as palavras fazem amor, como lembrou Roland Barthes, e eu não vou ficar aqui plantado de voyeur.

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Etiqueta, até onde entendo, é o uso da ética com o menor esforço possível.

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“Sou professor de literatura e me especializei em vanguardas literárias.” “E que autores o senhor mais estuda?” “Aqueles que aceitam as vanguardas literárias.”

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De dois em dois anos, durante a Bienal do Livro, quantos escritores ímpares comparecem?

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O poeta mandou seu livro pelo correio, mas esqueceu de escrever na frente do envelope a crise do verso.

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Durante a Festa Literária Internacional de Parati, quantos poetas herméticos mereceram tradução simultânea?

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A realidade transforma o lugar-comum num vasto provérbio.
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(*) Publicado, com o título Pílulas de sabedoria, no  Jornal do Brasil Caderno Ideias & Livros. 31 Jan 2009.
Faz parte do seu livro, Esta Poesia e mais outra, 2010, lançado pela Topbooks.  Veja resenha de Antonio Miranda.
Do qual se falou aqui no Sub Rosa.

— ‘Poeta, ensaísta, tradutor e diplomata, Felipe Fortuna estreou com o livro de poemas Ou vice-versa (1986), a que se seguiram Atrito (92) e Estante (97), este pela Topbooks, que no ano seguinte editou também Curvas, ladeiras – bairro de Santa Teresa, dedicado ao lugar onde o autor viveu no Rio de Janeiro. Esta poesia e mais outra reúne uma série de textos de crítica literária capazes de fazer o leitor refletir sobre os mais diferentes temas: do projeto totalizante do Livro de Mallarmé às origens medievais da canção “Coração materno”, sucesso de Vicente Celestino, passando pelo famoso ficcionista e crítico francês Philippe Sollers e pelos poetas brasileiros Armando Freitas Filho e Paulo Henriques Britto, entre muitos outros. Para o filósofo, poeta e letrista Antonio Cícero, que assina o texto de apresentação, “este livro invulgarmente perspicaz, erudito e espirituoso traz uma contribuição preciosa à nossa reflexão sobre a literatura e, em particular, sobre a poesia”.

Leia Felipe Fortuna –  por Antonio Cícero.
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Site de Felipe Fortuna


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Acerca da vida, da amizade e … da crítica.

sandra bréa em foto de antonio guerreiro, seu ex-marido. em 1970

sandra bréa.foto de antonio guerreiro.seu ex-marido. em 1970

“Brevity is the soul of wit”. Shakespeare. Hamlet.Act 2, Scene 2

“Eu achei, sim, uma nova amiga. Mas você sae perdendo. Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo. Sou uma pessoa muito medrosa. Tenho problemas reais gravíssimos que depois lhe contarei. E outros problemas, esses de personalidade. Você me quer como amiga mesmo assim?

“Se quer, não me diga que não lhe avisei. Não tenho qualidades, só tenho fragilidades. Mas ás vezes (não repare na acentuação, quem acentua pra mim é o tipógrafo) mas às vezes tenho esperança. A passagem da vida para a morte me assusta: é igual como passar do ódio que tem um objetivo e é limitado, para o amor que é ilimitado. Quando eu morrer (modo de dizer) espero que você esteja perto. Você me pareceu uma pessoa de enorme sensibilidade, mas forte.[…]

“Vc foi o meu melhor presente de aniversário. Porque no dia 10, quinta-feira era meu aniversário e ganhei de você o Menino Jesus que parece uma criança alegre brincando […]. Apesar de, sem você saber, ter me dado um presente de aniversário, continuo achando que meu presente [..] foi você mesma aparecer, numa hora difícil, de grande solidão.

“Precisamos conversar. Acontece que eu achava que nada mais tinha jeito. Então eu vi um anúncio de uma água de colônia da Coty, chamada Imprevisto. O perfume é barato. Mas me serviu para me lembrar que o inesperado bom também acontece. E sempre que estou desanimada, ponho em mim o Imprevisto. Me dá sorte. Você, por exemplo, não era prevista. E eu imprevistamente aceitei … [..]. Sua, Clarice”

Em 11 de dezembro de 1970, Clarice Lispector escreveu essa carta para Olga Borelli, escritora, professora, sua amiga, secretária e acompanhante.

Sei que é uma coisa muito feia, querer fazer *bonito* com o talento dos outros, mas eu, tal como aquele rapaz grego, o Sócrates, não tenho em mim nenhum talento, sabedoria, nenhuma capacidade criadora. E nisso reside a pequeníssima diferença que me faz ser … assim, digamos, diferente. (o grifo da ironia).Talvez acredite mesmo que sou especial. (modesta, então nem se fala). Aliás, a modéstia é o segredo do meu sucesso e não me pergunte: que sucesso?
Essas considerações, portanto, são inspiradas nas inseguranças – fragilidades – incoerências -inadequações de Clarice, já se vê.
A única coisa que eu sei, é que a vida é muito pouco pra tudo o que eu desejo e preciso aprender. E sei que amo a Vida. Sem apego, mas com zelo.
O resultado disso é que é espantoso: ao viver, desenvolvi uma habilidade singular, meu olho (quase) só vê a beleza, a delicadeza de um mundo de pessoas gentis. Elegantes (lat. elègans ‘que sabe escolher; bem escolhido). Consigo ver à distância o que é bom, o que é bonito, o que tem valor. Mesmo que esse valor esteja muuuito escondido. Preciso muito de ser assim, e agradeço por ser assim, pois como não morrer de tristeza, quando há tanta coisa feia nesse mundo, ao redor, ao perto e ao longe. Ao saber que na Amazônia, meu país, mon royaume, assassinaram o velejador neozelandês Sir Peter Blake. A Irmã Dorothy? E aí onde você está, ontem foi a guerra! O horror! O horror. E  um ror de coisas mais.
Um poeta espanhol que eu amo muito, Juan Jose Jiménez (1811-1958), poeta de los poetas cunhou a frase que me tem servido de lema de vida, e como não terei epitáfio, queria ser lembrada por ela. “ Não sou eu que escolhe o melhor; o melhor é que me escolhe.”
Vivo sempre como se me restassem horas de vida, e precisasse ver toda a beleza. Pessoas desabrochando. Florescendo. Expressando o seu *melhor*.
Paulo Francis, uma de minhas paixões irrecorríveis, (OK, há que se ter coragem pra dizer isso nos tempos atuais, diga lá?… ‘pero soy uma chica con clase’) Francis costumava dizer, nos últimos tempos, todos sabem, que se sentia tecnicamente morto. Eu , se passar um dia sem que tenha descoberto algo de bom, papa fina, como se dizia antes, algo de que eu possa falar bem, sou vice-morta.
Não, não se trata de “só falar bem” do que  é escrito ou criado, (*) a diferença é sutil, o que eu quero é escrever acerca do que realmente é bom e tentar mostrar porque o que é bom é bom.
Um dia alguém descobrirá isso , ou ninguém descobrirá e minha vida terá sido em vão. Se descobrirem captarão a ânsia que pauta até o próprio ato de (eu) respirar…
‘Viver nunca foi pra mim uma calma tessitura de dias que se juntam hesitantemente a outros dias, plácido trabalho, lentíssima costura…’ sou ansiosa, não paro pra ser gentil, tenho um gênio danado de danado,  tenho urgências e corro o mais rápido que posso, para chegar aonde? Ao que você, meu outro, faça ou crie e que seja algo original (se é que existe o… original), que você escreva ou crie o melhor.
O que fazer com a ânsia, se viver começa pela paciência da espera? A escrita começa pela paciência da espera. A música começa pela vitória sobre a pausa. (depois da paciência da espera). Quem é músico sabe, quem é escritor sabe.
Eu apenas ardo e espero.
* * *
(*) Para os que acham que só é bom crítico aquele que fala mal (crítico bom é ‘crítico cruel’, o que desce o “pau” hmmm… Masoch perde) eu ainda vou escrever algo  sobre a origem da crítica que remonta aos três trágicos, você sabe, aqueles Ésquilo, Eurípedes, Sófocles. Acredite, se quiser, crítica não é assim. Não era (para ser) assim. Era critério para saber a diferença entre o bom e o fazer bem.
Sorry.

* * *
Rose Marinho Prado, esta ‘crônica'(?) é para você. Obrigada pelo texto, Clarice está em Clarice. Por que a Sandra Bréa? Ora, e não é Clarice?!, você depois verá. Imprevisto, hora da estrela, brevidade… você sabe.

Benedito Nunes – homenagem

Mais uma homenagem ao grande sábio:

mais homenagens

clique.

O professor, crítico, ensaísta, pensador e escritor Benedito Nunes ganha homenagem da Saraiva

Ele será homenageado em meio ao coquetel de lançamento da inauguração  da Saraiva Megastore, aqui em Belém, na quinta, 19, às 19 horas.

Leia aqui um perfil de um dos mais respeitados intelectuais reconhecido mundialmente, ainda em vida. Leia e aí então vc vai entender por que ele é uma glória, simplesmente o “mACSSimo”, um orgulho para o Brasil, em tempos de valorização de tanta mediocridade.

Ah! sim, não é por nada, não, mas é que eu vejo e leio por aí tanta gente se definindo como “filósofo” (grossas aspas e fat chance) que fica meio difícil a gente saber por que um estudioso e pensador da mais rara estirpe filosófica, recusa o título de filósofo ligado a seu nome.

O assassino era o escriba

PAULO LEMINSKI (*)

Uma observação antes do texto:

Leminski, como podem ver, foi um dos mais cultos escritores brasileiros. Teve uma vida intelectual tão intensa quanto variada. Além de poesia e ficção,  foi biógrafo (Leon Trotski – a revolução segundo a paixão), traduziu obras de Yukio Mishima, Samuel Becket, John Lennon, John Fante, Ferlinghetti, James Joyce e outros. Foi também compositor e letrista, trabalhou com Itamar Assumpção e Caetano Veloso entre outros. Foi seminarista, comunista e cristão. Professor de ‘cursinho’ lecionava história e português. (E, como ninguém deixa esquecer, era faixa preta de judô). Não obstante, há muita gente que ‘torce o nariz’ quando se fala nele, quando se menciona Paulo Leminski.

No meu entender, isto se dá, porque ficou mais conhecido pelos poemas breves e por textos leves, irônicos, fragmentados. Textos poéticos, sim, mas sempre flertando com a “brincadeira“. Chegou a dizer, certa vez, em uma conferência que “precisamos recuperar o sentido de brincar“. Dizia que no próprio uso da palavra fica muito claro o sentido depreciativo: *brincar* é coisa de criança num mundo em que a criança tem pouco valor. Quando alguém quer se referir a uma coisa séria, importante, sempre diz “fora de brincadeira” ou “acabou a brincadeira“.

Exatamente por isso, porque a leveza, a (palavra) brincadeira desautoriza uma ação e remete a um ato infantil, penso que o nome Leminski ficará, cada vez mais, associado pelas mentes de hoje, seus pósteros, a um poeta mediano que produziu apenas uma poesia atomizada. Mas Leminski , em minha opinião, escreveu o fácil, porque é exatamente o mais difícil.E porque ele tendo feito uma obra densa, sentia-se em plena liberdade para escrever o que quisesse.

O texto que apresento é um desses. Leve . Despretensioso. No final, vemos que é ótimo. Fora de brincadeira :-)

*********

O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida, regular como um paradigma da 1a. conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia matei-o com um objeto direto na cabeça.

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Do livro Caprichos & Relaxos
Coleção Cantadas Literárias. Ed. Brasiliense.

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(*) Clique no link.

Vidas Secas, assim dizem…

Capa de edição holandesa, 1998, Coppens & Frenks

Capa ed.holandesa, 1998, Coppens & Frenks


Veja todas as capas e artes gráficas aqui no site: Graciliano Ramos . Diga-se, aliás, que site fantástco. Merece prêmio também. Explore tudo o que há lá.

Acho que foi a  amazing Amazon que lançou esse recurso  não só de pedir aos consumidores que opinassem sobre o produto comprado, mas também  de consultarem os indecisos se as “reviews”, poderiam gerar  outros compradores. Eu acho ótimo,  quando não estou segura da qualidade do que quero. Principalmente eletrodomésticos que, dizem axiomaticamente, é como casamento:  para acertar só tendo *sorte*.;-)
Bem, eu sei o que o texto hoje (?) está ruim, mas acho que vocês estão me entendendo.  Por exemplo,  a Cultura  manda emails pra gente convidando-nos a dar nossa opinião sobre vários produtos que compramos, portanto isso por aqui é conhecido. Abre-se então  um fórum e as pessoas chegam a conversar entre si. Ou até a trocar desaforos. Olha só Desaforos no Forum (Claudio Boczon, essa é sua)

Agora quando o produto é um livro… vejam o que pode sair.
Estes exemplos foram tirados de  uma grande livraria, e eu bem que entrei em contato com as pessoas que emitiram opinião, pedindo permissão para reproduzir. Eu adorei, adoro ler, afinal eu vivo disso, não é?
=====
Vejam só e depois digam o que acham, OK?
=-=-=-=-=-=
Animalização
Adriana C. – email@email.com

Exemplo de adequação perfeita entre técnica literária e realidade expressa, o romance “Vidas secas”
exibe, por meio de uma estrutura fragmentada e de uma linguagem enxuta, o isolamento de seus
personagens diante dos limites da sobrevivência. Limites que justamente se revelam na dificuldade de
compreensão e expressão dessa realidade pela palavra. Entre outros aspectos, é esse primitivismo
lingüístico de Fabiano, Sinhá Vitória, e dos dois filhos, que os animaliza, aproximando-os do outro
componente do grupo, a cachorra Baleia. Os seres humanos, comunicando-se precariamente por
fragmentos de frases, balbucios, interjeições guturais, xingamentos, onomatopéias, não parecem
elevar-se do nível do animal que, mesmo sem possuir a faculdade da fala, comunica-se “com o rabo,
com a língua, com movimentos fáceis de entender.”
Nesse sentido, isolamento, primarismo de raciocínio e linguagem, e animalização são as várias faces
concorrentes de uma mesma realidade, aquela que se inscreve nos sobreviventes do drama social e
geográfico da região natal de Graciliano Ramos e aqui expressa por meio de sua genialidade literária.
por Adriana C.

==-=-=-=-=-=
Péssimo
10/08/2002

César Garcia, – Vargem Grande do Sul , email@rantac.com.br

Livro chatíssimo, se você está cansado de estar de bom humor leia,
assim seu humor vai piorar rapidamente!

=-=-=-=-=-=-=
Eu Sou Teimoso! 15/08/2002

Lorêdo F., São Luís – MA , email@globo.com

O nome dele não é César Maia, é César Garcia.
Como pode um sujeito desse afirmar que “Vidas Secas” é um livro chato?
Quem diz uma coisa dessas só pode ser uma pessoa tola, cuja existência é carente de intelecto  e estima pela genuína literatura de qualidade.
O principal livro do alagoano Gracialiano Ramos é simplesmente, meus caríssimos amigos,o maior fenômeno da prosa nacional e estrangeira de todos os tempos. Não tem pra ninguém!

=-=-=-=-=
Opinião não se discute
08/09/2002

L. H S., – Porto Alegre , email@wabstar.com.br
Temos o direito de expressar nossa opinião ou estamos expostos ao ataque pessoal grosseiro e prepotente?
Quanto ao livro, considero-o chato, mal estruturado,
realidade muito artificial e personagens mal definidas e superficiais.

=-=-=-=-=-=-=
Quanto absurdo!!!
24/09/2002

Vera M. – São Paulo , email@hotmail.com
Lorêdo… Escrevo êste apenas para deixar meu apoio: CONCORDO CONTIGO PLENAMENTE:
EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU!!!!!!
=-=-=-=-=-=-=-
A mudez em Vidas Secas
25/09/2002

Marta C. M., – Vitória da Conquista-Ba , mcardmoura@ig.com.br

Vidas Secas é mais uma extraordinária obra de Graciliano Ramos que deveria ser lida por todos os brasileiros.
A obra chama a atenção para a incomunicabilidade do homem com o mundo e consigo mesmo.
Tal incomunicabilidade dá-se por um processo que podemos definir como alienação cultural.
Um homem que se alimenta do papagaio de estimação (que pouco falava), serve para ilustrar não apenas a condição miserável de vida a que é submetido, mas também como uma excelente metáfora para provar que aquele que não se expressa, que não tem condições de defender-se, também é devorado pela vida.
Fabiano desejava muito ter um espelho.
Metaforicamente o autor nos chama a atenção para o fato de que submetido a condições desumanas de vida e reificado, o homem não consegue ver a si mesmo, sua auto-estima é praticamente nula. – por Marta C. M.

=-=-=-=-=-=-=-=-=

Clássico
18/04/2003

Leonardo, Recife – PE , email@hotmail.com

Não o considero o meu [livro] favorito.Aliás, é muito difícil ter uma obra favorita quando se fala de Graciliano Ramos.
Se eu escolher Vidas Secas, vou deixar de lado São Bernardo, Angustia, Infancia, Memorias do Carcere e as compilações de crônicas Linhas Tortas e Vivente das Alagoas.
Dificilimo escolher mas posso lhe assegurar que Vidas Secas é de uma qualidade dificilima de se encontrar atualmente. O livro É perfeito.Já li umas quinze vezes e toda noite leio sempre um capitulo
(que pode ser lido separadamente) e não me canso.
É bizarro mas não me canso.O Estilo de Graciliano, nesse livro não tão complexo quanto Angustia,
chega ao seu apice. É impossivel detesta-lo!.Eu lhe asseguro ainda mais: compre esse, não vai se arrepender.

PS: Clássicos estão alem do nosso julgamento.
Só podemos dizer algo que ateste o seu status.O resto? é ladainha.
=-=-=-=-=-
Um monstro
23/07/2003

Rafael, – Fortaleza , email@hotmail.com

Graciliano Ramos não nasceu nem morreu rico. Não frequentou, nem de longe, universidades e academias. Escreveu escassos quatro romances, 3 livros de memória, um de contos (Embora ”Vidas Secas” e Infância possam ser lidos como contos) e um outro que não sei dizer (Alexandre é sarcástico demais para Lit.Juvenil.). No entanto, o alagoano aprendeu (sozinho) e ao mesmo tempo: português, espanhol, italiano, francês.
Na cadeia, arranhou um pouco de Russo. Lia tudo em Francês, amava Emile Zola, Flaubert, Stendhal, os russos(Dostoievski, Gorki, Andreiev, Tolstoi [o maior escritor de todos os tempos, para ele]) e não ia muito com a cara de Machado (preferia mais Aluisio Azevedo, pela firmeza e preocupação social. Também lia muito Machado mas não morria de amores). Esse homem, que vivia trabalhando pesado (tinha vários empregos e morreu ganhando menos do que os própios filhos!) com apenas quatro livros, superou ou ficou ao lado de Machado. Perfecionista, cultor da forma e do estilo- mais sempre com conteúdo.
Um Descartes, que ousou combater Shakespeare (para o velho, Hamlet não tinha uma loucura lógica, até está tem que, para ele, ser lógica).
Vidas Secas não é um marco mas apenas uma obra-prima entre São Bernardo, Infância, Memórias do Cárcere e Angústia. Um livro duro, pesado, mas com um “punch” forte. Dostoievski teria amado.
10 / 10
=-=-=-=-=-=-=

Graciliano Imortal!!
05/02/200

Diogo, – Recife-PE , email@bol.com.br
Coloco Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, entre outros da geração regionalista,
como os melhores escritores que esse país já conheceu!
O livro apesar de áspero e realista, envolve o leitor do começo ao fim.
Romancista de primeira o Velho Graça, como era conhecido nessa sujíssima ABL de hoje!!
Ótimo livro leia esse e aproveite para continuar lendo todas as outras grandes obras desses escritores maravilhosos que eu citei no começo!!

=-=-=-=-=-

Uma obra crítica e sincera
17/07/2005

Vinícius R., – Porteirnha – MG , email@gamil.com
Graciuliano Ramos fala da vida atual, no contexto político e econômico, por meio das metóforas deste livro. É sublime o modo com que se inicia e encerra a obra, mostrando que a vida segue sempre em frente e nada é duradouro…
=-=-=-=-=-=
Prática de leitura
15/08/2006

Marcio L, RIO DE JANEIRO – RJ , email@uol.com.br
Este é um dos livros mais recomendado.

=-=-=-=-=-=-=
muiuto bom
14/01/2008

RAIMUNDO M. C., açailândia – MA , email@hotmail.com
eu indico esse livro, tem uma otima historia e afinal de contas é excelente

E ah! sim: Vejam a review de BARREN LIVES (título da tradução em inglês para VIDAS SECAS). U-ma coi-sa!

Queridos continuem votando lá na pesquisa e torçam por mim, vou ao médico e volto, tá bom? Digam o que acham, não de eu ir ao médico mas das *quentes, abrasadas” opiniões sobre Vidas Secas. Algumas vão sobre o autor pessoalmente.  E o que que vocês queriam?;-)

Como diz o Jeff Corwin, viram o que eu faço por vocês;-)))

SIBILA – POESIA SOBRE TUDO, POESIA

por Claudio Boczon
(Foco –Retirado daqui)

POESIA, SOBRE TUDO, POESIA


Do poeta Régis Bonvicino – nome importantíssimo quer  na criação literária, na crítica, na divulgação, nos experimentos editoriais e numa verdadeira ‘militância/missão’ incessante de  “bateia”, ou seja a crivar a poesia de valor incontestável  – recebo o material de divulgação de mais um número da bela e especialíssima revista SIBILA  (não conheço um grande Poeta que não saiba a importância da revista e que não leia  a revista.
O nome SIBILA,  uma homenagem, de certa forma,  foi  retirado de um poema de Murilo Mendes(*)-um dos mais importantes Poetas brasileiros em todos os tempos e que merece ser muito mais divulgado. Dizendo melhor, merece ser muito, muito *conhecido*

Ao lado de uma equipe  respeitável  que você pode ler aqui , Bonvicino criou e fundou a SIBILA, cujo  primeiro número  foi lançado  nos Estados Unidos e no Brasil (São Paulo).  Agora, a revista que já possui 11 números impressos. E está on line. Ganho nosso, espero.

 O que importa ressaltar não é exatamente o impacto e a importãncia dessa revista, pois cada um pode ver pela matéria poética e o rico material traduzido.  Importa reconhecer um convite desafiador que a palavra SIBILA engendra: o desafio de interpretar uma nova maneira de dizer o já-dito,  o não-dito, o que é renovo, rompendo a cegueira da familiariedade.
Susan Bee
Susan Bee (Revista Sibila)
 
Sibila é a personagem ( na verdade, pelo menos há seis)  da mitologia grega e da romana que possui o dom da profecia, do vaticínio, muitas vezes enigmático. A Poesia é a arte que carrega  consigo o dom profético e o de ser  morada da linguagem. A poesia é  a linguagem.  Haverá  entre elas um parentesco semiótico e semiológico . Eis um ambicioso projeto. Uma ruptura. E que traz consigo, a crítica, o ensaio, a tradução,  e pricipalmente o olhar voltado para a atualidade atemporal, para o  que é materia de fatura poética.  A ingerência do olhar, da análise e posivelmente a posse, mas sobretudo e sobre tudo, a inovação e o sem limite.

No número 7, a capa, por exemplo, traz MANÉ GARRINCHA,  em outro número Oiticica em um ensaio,  ou ainda em outro,  Miriam Chnaiderman fazendo seu filme sobre José Agripino de Paula.

O que me impressiona  ao lado disso tudo, sem dúvida, é o material iconográfico. A produção fotográfica, as gravuras, as pinturas, tudo isso é de fazer a gente se orgulhar de ter um veículo de expressão. A arte de se fazer arte. Poeticamente.

E a polêmica esquenta, esquenta: sobre  INIMIGO RUMOR a outra revista brasileira, hoje luso-brasileira!

Seguem dois excertos, um deles contido na SIBILA que é uma jóia , uma gema e merece ser lida . massivamente.
Afinal, não há escrita de qualidade sem leitura de qualidade
Este aqui  :

“Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.” 
Oswald de Andrade. Manifesto Antropófago

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O suplício e a sedução dos corsets, high heels e outras artes:-) – Updated 2

Mesmo não sendo expert no assunto, mas adorando sapatos, saltos, tanto quanto um bom tênis hohoho, sempre me perguntei porque a gente vira Maria Antonieta e perde a cabeça por um sapato  de salto alto Luís XV (pelo menos era sssim  que chamavam) . Alguém lembra os tais saltos Czarina?  Eu lembro e invejava.  
Sempre tive adoração por sapatos que mostrassem meus pés. Inocentemente, é claro.  e tenho muitas vivências (inocente, claro den ovo,  a respeito de sapatos. Número lindo, não é Regina ?;-))))
Pois  bem, até que agora, hora de não me sentir mais uma borralheira, por causa da asma, da gripe,  da gargantite e da virose, (CRUZESSS!)  resolvi – como é meu estilo, nas más horas pensar em coisas boassss.
E assim, decidi  interrogar, a gentil senhorita e o distinto cavalheiro por que o Ferragamo e agora, o Manolo mexem tanto com a nossa e a vossa cabeça;-)))). E importunar meus amigos mais queridos.
Vejam o resultado:
Bem… eu penso que uma  bonita bolsa, de grife importante, satisfaz o senso de estilo e alimenta a auto-imagem social, já os sapatos fazem tudo isso e ainda agem numa área muito mais sensível: a do erotismo. Belos sapatos aumentam o potencial de sedução, e não é preciso ser nenhum podólatra para entender por que o fetichismo em torno dos pés tem um capítulo especial na história do comportamento erótico.
Sabem  o filósofo amigo meu, mencionado láááá no outro post, lembram?  Pois é ele que pontifica:  “ao forçar para cima o arco do pé, um par de saltos altos transforma o corpo, obrigando a mulher a empinar seios e bumbum, além de harmonizar o perfil da perna  alinhando-a desde o alto da coxa até o tornozelo e ressaltando a  er…canela (canela???!!!! e se usa essa palavra .. canela, aplicada a uma mulher elegante…não sei não, o que vocês acham?)  ou seja a musculatura da coxa e da panturrilha”. 
Como resultado,  um andar ondulante, que será entendido pelos que gostam de dominar como uma oferta e pelos que gostam de ser dominados como uma ordem. 
Aí reside, justamente, o fascínio e o mistério dos high heels.
In my  so so humble opiniaum;-), impossível falar do sapato sem falar no outro  principal símbolo dos sacrifícios estéticos: o * espartilho*.  Estive vendo  sites especializados, vi peças de colecionadores, réplicas, anúncios de época e estudos sobre seus efeitos nas vértebras das mocinhas de então,  colocados lado a lado.  Talvez até  o insuspeito árbitro da *real* elegância feminina – o querido Amigo Réprobo, possa mostrar mais.  Seja como  for, de tudo o que vi e vejo, o  resultado é sempre  aflitivo e encantador, ao mesmo tempo.
Voltando aos sapatos, quanto mais alto o salto, maior a obsessão. Tão profundo é esse mistério que às vezes nem precisa  existir o sapato.
Basta a sugestão, como se pode ver  nas fotos. (Olhem o tango).
Tesouro muitas vezes enterrado no closet feminino. Disposto apenas ao olhar reservado e compartilhado entre eleitos.
Ah os sofrimentos estéticos!  … ah! as  artimanhas da sedução e os sacrifícios cometidos em busca de seduzir ou ser seduzido. Na  moda, nas artes plásticas, cinema, objetos e publicidade, um interessante e questionador esboço de comportamento feminino.  Mas seria só feminino?
Vocês é que sabem. Eu sou pequenininha e não entendo nada.
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Neste site – vi muitos e talvez melhores –  mas este, especialmente,  tem uma história, ou seja apresenta os corsets, (aaaah! sim, corsets, corselets, são espartilhos como todos sabem) e eles apresentam assim: desde os 1800 (os anos jacksonianos e vitorianos,) os antes das guerras, até os nossos dias.
Daqui se passam para muitos outros, mas dá para iniciar.
Corsets Trough Time

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Bem, have fun, enjoy , I hope.
Agora estou mergulhado no livro da escritora, poeta e jornalista  Ana VidalContos do Sul” e há muito não lia contos tão bem-feitos, tão bem construídos, imbricados em sólida literatura da qual é herdeira e já tão sua, e que me fazem lembrar Mario de Andrade, pelo humor à sorrelfa e a construção literária, onde a vida pulsa… Ai: “Não sirvas a quem já serviu…, não peças a quem já pediu”. Que delicia! . Flaubert dizia de Bouvard e Pécuchet que isso era realmente o Zeitgeist.

Fiquem bem.
Paratodos e para a Ana:
Diane Krall:  Temptation (I adore it)

Annie Lennox, a magnífica – Talk to me like lovers do .

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Per favore, não saiam daqui sem ir lá no árbitro da elegância dos pés femininos. Não, não é o escritor Alex Castro, “O” Libertino Radical, de livro novo,  que também entende profundamente do assunto.  Trata-se do nosso Amigo, o Réprobo,  especialista em parcialismos;-),  o nosso Réprobo das Afinidades Efectivas. Sumidade!
E prometo que este é o último post sobre este assunto tão ‘caro’, não é Saramar?. Aliás. acho que isso de sapatos é ruim pras nossas bolsas;-) (OK, foi mal)

AGORA ACHTUNG; Espartilhos (corsets, corselets) não são só instrumento de suplício, parece que há muit(o/a)s adeptos dessa bela peça do vestuário que o usam mais por prazer, mais por apimentada elegância, propriamente, se é que me faço entender;-)))
Vejam este site´- cliquem em português

MADAME SHER!

Por favor, em todas as fotos de slideshows e em alguns links (enlaces) passem o mouse, OK?

Volto depois pra responder tu-di-nho!, Viu,, Ju, querida altona:-)
Ah! se alguém tiver aquela foto da Scarlett O’Hara, no início de GWTW (…E o vento levou.)  com a Babá apertando e sufocando a coitada com um lindo espartilho, me manda por favor? Manda… ? Ah Obrigada,  que lindas e lindos vocês são.

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Ahá! vejam só, não percam o post da querida Marília sobre o descobrimento do…bem vão lá e vejam por vocês mesmos.  Quem diria, ó querido Réprobo:-) afinal tem origem … real, realíssima;_)

Essa menina é ótima e o blog dela é um dos meus favoritos:-)