Graciliano Ramos – Biblioteca

Biblioteca de Quebrangulo, cidade de Graciliano Ramos é destruída.

Ainda consequencias da tragédia.

Veja aqui –  Vidas secas e as águas .

Hoje e assim termina o mes de junho, o mais belo dos meses, modéstia à parte.

Uma vida fabiana

Vidas Secas - 70 anos - Edição Especial Edição especial que contém, além do texto integral, fotografias de Evandro Teixeira que, durante dez dias, percorreu o sertão nordestino especialmente para produzir as imagens deste livro. Publicação prevista para 28/11/2008.

Olá pessoal.

A nossa Meg não está bem de saúde e me pediu que viesse aqui para agradecer a todos vocês, leitores do Sub Rosa e amigos que enviaram seus depoimentos e deixaram comentários durante esses dias de comemoração.

Ela também me pediu para publicar meu depoimento, o texto “Uma vida fabiana” e o artigo “Enxada versus caneta: educação como prerrogativa do urbano no imaginário de jovens rurais” em seu outro blog Textos Especiais.

Fico encabulada, confesso, mas não consegui me escusar: quando tentei falar com ela ontem à noite, não pôde me atender. Assim, antes de irmos aos Textos Especiais, breves explicações sobre os textos.

No início deste ano, ao concluir uma especialização, depositei uma monografia onde procurei homenagear “Dialética do esclarecimento” (1947-2007), obra de Adorno e Horkheimer e “Vidas Secas” (1938-2008), de Graciliano Ramos. Abaixo, seu resumo:

Além de homenagear os aniversários de setenta anos de Vidas secas (1938-2008), romance de Graciliano Ramos, e de sessenta anos de Dialética do esclarecimento (1947-2007), clássico dos filósofos Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, este trabalho é uma análise comparativa entre o imaginário de Fabiano – personagem de Vidas Secas – e o de jovens da zona rural do sul e sudeste do Brasil pesquisados por Maria José Carneiro (1998), para discutir a educação como prerrogativa do urbano no imaginário do homem rural. Através da análise de resultados da referida pesquisa de campo (CARNEIRO, 1998), pôde-se constatar que, tal qual Fabiano, o homem rural ainda percebe a educação como prerrogativa do urbano, tendo as vezes que optar entre sair do rural para freqüentar escolas e universidades ou ficar, se não tiver aptidão para os estudos, ocorrendo, dessa forma, a antinomia do título deste trabalho: enxada versus caneta. Ao mesmo tempo, o esclarecimento está associado à evolução, modernidade e domínio da natureza, visão que é dialética e filosoficamente criticada por Horkheimer e Adorno (1985) na obra também objeto desta homenagem. Este trabalho também enfoca o fenômeno da desruralização em busca de educação e qualidade de vida, políticas públicas de incentivo à permanência no campo e as novas configurações dos espaços urbanos e rurais. Ressalta que o desenvolvimento rural deve ser promovido porque é um direito do cidadão rural, que este deve ter acesso a educação em seu espaço de origem para que não continue a ser forçado pelas circunstâncias a optar entre sua profissão e a educação, ou seja, enxada ou caneta.

Em outubro, para participar de um colóquio internacional de educação, converti a monografia em artigo e, já que precisava resumir o trabalho a um máximo de quinze páginas, retirei a crítica filosófica de Adorno e Horkheimer, mas consegui publicá-la a parte, na Revista Autor, com o título “Uma vida Fabiana” em 01-Nov-2008.

Quanto ao artigo apresentado no colóquio, estou aguardando o parecer – tomara que uma carta de aceite – de uma revista. Assim, pelo menos por enquanto, não poderei atender ao pedido de Meg e postá-lo em Textos Especiais, pois uma das exigências para sua publicação é que seja inédito. Mas vejam como ficou o resumo de seu resumo:

Este artigo […] adotou trabalho de campo de Carneiro (1998) sobre o ideal “rurbano” dos jovens de duas áreas rurais do sul e sudeste do Brasil e o comparou ao imaginário de Fabiano, personagem do romance Vidas secas de Graciliano Ramos (2006). Tal qual Fabiano, embora desejem educação, os jovens pesquisados a percebem como prerrogativa do mundo urbano, enquanto o espaço rural é visto como lugar de trabalho , tendo que optar entre sair do rural para freqüentar escolas e universidades ou ficar, quando não têm aptidão para os estudos […].

Em Vidas Secas, vocês devem lembrar, um dos filhos faz uma pergunta à Fabiano e este “vira o rosto para fugir à curiosidade infantil”. Acha que os filhos não têm o direito de saber, porque vão querer aprender sempre mais. O que eles devem aprender mesmo é a cortar mandacaru, amansar gado, consertar cercas… No entanto, já no final do livro, quando mais uma vez fogem da seca em direção à cidade grande, pensa nos filhos “em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias”. É esta antinomia que meu trabalho aborda, comparando-a a resultado de trabalho de campo realizado por Maria José Carneiro, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em 1998. Espero que ele seja publicado.

Meg manda beijos.

Um abraço,

Isabela.

Textos especiais – Uma vida fabiana

Coda – Vivina de Assis Viana escreve…

Quando fiz a consulta às pessoas que mais admiro na blogosfera  acerca de Graciliano Ramos, soube logo que seria imprescindível consultar a consagrada escritora Vivina de Assis Viana, que conheci há bastante tempo através dos livros que li (eu e Regina Alves, professora da UFPa e minha melhor amiga) e que como mágica, vi aparecer – um dia! –  em letra e espírito, nas caixas de comentários de vários blogs amigos, em especial a do Lord Broken Pottery.
Enlevada, magnetizada e com a excitação de quem vê um(a) deus(a) do Olimpo se materializar,  escrevi à Regina, e logo iniciamos um contato por email. A freqüência dependia das viagens que Vivina faz grande parte do tempo para a fazenda que possui no interior das Minas Gerais. E, claro, de suas (muitas) ocupações.

Quando enviei as peguntas às quais Vivina respondeu com o estilo elegante de sempre, trocamos um breve comentário. Claro que como sou “saída, apresentada e saliente” , tudo  culminou hoje com a publicação de um texto que Vivina de Assis Viana escreveu  es-pe-ci-al-men-te para o Sub Rosa (conheceram, er…queridos? ;-)

Então, em grande estilo, a coda (excelsa conclusão) à homenagem a Graciliano Ramos, ao seu filho e ao seu neto.  Uma família dinástica.
Fiquem com ela . Primeiro as respostas, o que facilmente se encadeia com o texto especialíssimo.  Obviamente, palmas ao final:-)

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano …
Se você se refere a contato pessoal, não tive, infelizmente não o conheci.
Conheci Ricardo Ramos, filho dele, que entrevistei quando fiz, para o Jornalivro, um trabalho sobre o pai. Isso deve ter sido em 71, 72.
Se você se refere a contato literário, eu o conheci cursando a faculdade de Letras, em Belo Horizonte, anos sessenta. O primeiro livro dele que li foi São Bernardo, que nunca mais esqueci. Até hoje é o livro de que mais gosto, daqui ao fim do mundo.

2-Acha que o texto dele é de difícil leitura (leitura “difícil”)
Não, de forma alguma. Trata-se, isso sim, de um texto elaboradíssimo. De uma concisão e de uma simplicidade resultantes de muito trabalho e muito talento.
Afinal, escrever “fácil” é que é “difícil”.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
O que seria um autor popular?
Ser lido, conhecido pela maior parte da população? Se for isso, não.
Escrever sobre seu povo, denunciar, descrever, lutar com palavras e idéias? Se for isso, sim.
Ser conhecido, lido e respeitado por professores, escritores, intelectuais em geral? Se for isso, claro que sim.
Não, Graciliano não é freqüentemente citado/lembrado, mas deveria. Como sonhar não é proibido, sonho com o dia em que isso aconteça, com justiça e propriedade.

Fui – e sou – amiga da família, sim. Família muito afetuosa, muito generosa quando se trata de sentimentos. Sempre me senti bem entre eles e, como disse, eu os conheci por causa de meu primeiro trabalho sobre o Graciliano.
Quem dirigia o
Jornalivro era o Roberto Freire, que me sugeriu conversar com o Ricardo – que eu não conhecia – sobre o pai. Roberto soube que eu gostava do Graciliano, essas coisas.
Pois bem:conheci o Ricardo na agência McCann-Ericsson , ele era o diretor. Conversamos após o expediente, ficou tarde, ele me sugeriu continuarmos outro dia, na casa dele, à noite.
O outro dia virou outros dias, muitos, todos.
Conheci Marise, a mulher, os filhos Ricardo e Rogério, adolescentes, Mariana, oito/nove. Depois conheci D. Heloisa, pessoa maravilhosa, avó homenageada – com razão – nas histórias do
Caco.(*)
Começamos a conviver, nunca mais paramos. Almoços, jantares, ora em casa deles, ora na nossa, papos sem fim, meus primeiros textos, meus filhos nascendo, visitas na maternidade, aniversários, casamentos dos filhos dele, ah, quanta convivência enriquecedora.
Mais tarde, 78, quando eu estava grávida do segundo filho, Bernardo, fui convidada pra escrever o volume Graciliano Ramos para a coleção Literatura Comentada, da Abril Cultural.
O livro ficou legal, D. Heloisa gostou muito, os afetos cresceram.
Nos anos 80, Ricardo me convidou pra trabalhar com ele na Fundação Nestlé de Cultura, onde ele coordenava a Bienal Nestlé de Literatura Brasileira.
Daí pra frente, você já sabe:
Ricardo Filho, o Caco, começou a escrever, Ricardo pai me mostrou os originais, me entusiasmei, você sabe.
De todos os escritores, Graciliano é o que eu mais gostaria de ter conhecido. ( Entre os cantores, meu sonho tá realizado: conheço o Paulinho da Viola).
Como não aconteceu – ele faleceu em 53, eu tinha treze anos, no interior mineiro – sinto que, através destes descendentes tão queridos, pude conhecer um pouco – ao menos um pouco – mais do escritor talentoso que os livros sempre me mostraram.
Conheci um pouco mais do pai por inúmeras conversas com Ricardo, e por algumas outras, poucas, como Luísa, irmã dele que mora na Bahia, e que eu encontrava em festas, casamentos, um Natal.
Conheci um pouco do companheiro por muitas conversas com D. Heloisa que, sentindo o fervor de minha admiração, contava casos dele, deles, se revelava, me enriquecia.
Conheci um pouco do sogro, e não me esqueço de Marise me dizer que ele queria vê-la vestida de noiva, mas não podia, estava mal, hospitalizado. Pois o casal foi ao hospital, e a noiva foi considerada linda pelo sogro emocionado, que se iria logo depois.”

=-=-=-=

Vivina, coisas como essa a gente não consegue expressar, não se abarca com as mãos e nem com as palavras, como disse um admirador de Graciliano Ramos, o J.G.R. o que você escreveu é “puro brilho de estrelas”.

Podria haver conclusão mais bela, melhor, para  um trabalho?  Fico muito honrada e agradecida.  No fim das contas esse trabalho todo foi tecido com o etéreo estado de graça que dominou todas pessoas envolvidas. Eu apenas uni os fios da tessitura.

Todas as flores do mundo para você, e muitas músicas de Paulinho da Viola (preferência nacional, espero) .Obrigada, Vivina.

Graciliano Ramos e ‘Vidas Secas’ 70 anos depois (Final)

[atualizado]

Olá a todos.

Este é o final dos depoimentos a respeito de VIDAS SECAS, e por extensão, acerca de Graciliano Ramos. Mas digo que alguém que eu queria ouvir muito /ler a respeito de quase tudo é  a maravilhosa Vivien Morgato. Bloody timidez a minha. Damnit! Fico felicíssima quando ela me dá a honra de vir ao Sub Rosa.  Na próxima enquete que eu fizer, vocês são testemunhas, a Vivien não me escapa, mas não mesmo). Ah! leonina, eu sabia! :-)

Comecemos, pois:

M.
cá estão minhas respostas:

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano. (Se não houve, digam por favor)
Mamãe é alagoana. Graciliano veio por ela, como um velho amigo da família. Não lembro o primeiro contato, ele sempre esteve por perto. Claro que A Terra dos Meninos Pelados tem grande influência no meu bem-querer a Graciliano Ramos. A terra de Tatipirum, a Caralâmpia e o Raimundo brincaram comigo quando eu era menina.

2-Acha que o texto dele é de dificil leitura/(leitura “difícil”)
Não acho difícil. Acho que o leitor tem que estar preparado para ele, o que é diferente. Graciliano não é Paulo Coelho :)

3- Acha que ele não é popular? É popular?
É mais popular que uns e menos do que outros. Guimarães Rosa e Machado de Assis estão mais em alta, agora. Mas é tudo uma questão de efemérides :D Chegam centenários, a mídia explora mais um escritor do que outros… Por exemplo, eu acho Graciliano mais acessível que Rui Barbosa. Ele não é tão citado quanto José de Alencar, por exemplo, que é a base de trezentos vestibulares e Iracema é uma das coisas mais chatas que eu já li até hoje.

4- Sobre citações, ser citado como Machado e Guimarães Rosa, Graciliano está nessa situação? Acha que vai estar?
Vai depender. Do quê? De começarem a citar. De tirarem o pó dos livros. Não dá para comparar Graciliano a Mario Quintana, em matéria de citações em blog, por exemplo. Mas o Graciliano tem uma aura de regionalismo que o limita, no meu ponto de vista. Ele está no nincho de José Lins do Rêgo e Rachel de Queiroz. (Mesmo tendo escrito Memórias do Cárcere, que eu não li e não vi o filme) E precisa abrir as asas, abrir as páginas dos livros para alcançar mais gente – gente que não tem preguiça de pensar :D

Da queridíssima Stella Cavalcanti, uma das inteligências mais raras da blogosfera. Eu que a conheço pessoalmente, e a chamo de Ariana Suassaninha, de tão sabida que ela é. Enriqueceu as perguntas, esclareceu exatamente o que considerei como *popular*. Exatamente como Mario Quintana é. Obrigada, figliola. Ai, que orgulho.

Nota: Stella é a primeira a fazer referência à literatura infantil dentro do conjunto da obra de Graciliano Ramos.

Magaly Campelo de Magalhães:

Conheci G.R. em 1953 por um presente que ganhei de uma amiga, o livro Vidas Secas que, já em sua 4ª edição, causava impacto ao leitor desavisado. Sua leitura me tomou de assalto. Li, reli aquele texto que primava pela economia . Linguagem substantiva , seca, esturricada como a terra em que circulavam seus mirrados personagens , as figuras de Fabiano, vaqueiro destemido no trato do animal, retirante impotente diante da tragédia da seca, sua mulher Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia. A partir daí, Caetés, São Bernardo, Angústia, Insônia, Infância, Memórias do Cárcere. Não conheço seus livros para crianças.

***

Não, em absoluto. É uma leitura accessível, despojada, clara, franca, direta, sem excessos. Irrepreensível.

***

Pode não ser tão citado como os dois grandes nomes , mas é um autor reverenciado por seu seguro domínio do português, pelo tratamento psicológico que deu a seu texto através da análise das peculiaridades de seus personagens e pelo caráter universal de seus temas dentro de uma literatura regional. E, na minha opinião, tão grande quanto seus pares, um dos pilares de nossa literatura.

***

Trecho de Graciliano:
“Liberdade completa ninguém desfruta: começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a delegacia de ordem política e social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”.

Magaly, grande dama da blogosfera, só lhe digo uma coisa: eu queria, eu queria mesmo ser você. Na impossibilidade tento ser como você, o que é dificílimo. Obrigada. Beijos para Laurinha e André.

ALIKI – Suíça.


Meg ma très chère,

estou num estagio […] e longe, longe, longe de Graciliano, assim que vou responder short and sweetly, com a cabecinha enferrujada:

1. 1° contato com Graciliano foi no colégio, leitura de vestibular (inicio de anos 70). Eu ja adorava ler de tudo, menos o obrigatorio, entao entrei em gracilianidade freiando. O cinema depois é que me devolveu o gosto do Graciliano lido.

2. Difícil não diria. Rigoroso sim. Construçao séria, solida.

3. e 4. Posso falar da “popularidade” dele com relaçao aos brasileiros letrados longe da patriamada: sinceramente, não é de Graciliano que sentimos saudades de chorar, de reler, de trocar reliquias, livros anotados, citações, personagens. Graciliano não surge nos sonhos, nao nos faz buscar precisamente como aconteceu nem onde foi nem como exatamente ele escreveu aquilo. Nao quero parecer injusta, mas Meg, até verifiquei com amigas proximas, que tb se lembram dele de forma escolar (uma prova, um trabalho sobre ele, uma leitura em voz alta).
Ta de bom tamanho?
Beijos

Da ALIKI, que é pessoa-presente-de-Natal-o ano-inteiro, orgulho para nós, os privilegiados que somos visitados por ela.

Oi, Meg

Bem, vamos lá:

1- Meu primeiro contato com Graciliano Ramos foi com o romance Angústia. Não consegui separar a realidade da alucinação: não sei se o matou de verdade ou apenas em sua mente. Angústia é um livro forte, e com uma narrativa psicológica densa. Angustiei-me junto com ele.

2- Sim, acho que é difícil pois possui uma linguagem extremamente objetiva e formal. Com o passar dos anos e por força da profissão, ele acaba ficando fácil de entender, mas, para quem inicia em sua leitura, há um processo difícil , com certeza.

3- Em minha área de atuação ele é popular, mas, no dia a dia, ele não é tão citado quanto os autores que você citou. Mas, por outro lado, acredito que ele seja bem popular pela força de sua mensagem.

Espero que tenha ajudado.
beijo, menina

Denise Rangel, a Dêzinha, do meu coração é grande e experiente professora de Língua Portuguesa e Literaturas.

De uma das pessoas mais atuantes, atentas e que mais tem amigos na blogosfera: Ery Roberto.

Meg, querida!

Perdoe a demora em responder. Nem mais me justifico porque você sabe das minhas multi-ocupações.

Mas, é um prazer responder às suas perguntas.

1- Meu primeiro contato com Graciliano deu-se alguns anos depois que me foi recomendado como uma leitura capaz de revelar o dom de escrever o essencial, construção de narrativas fabulosas a partir do sintético. A produção de uma linguagem rígida resultando em trabalho admirável. Foi-me dito também que se tratava de um estilo onde eu não encontraria sentimentalismos, todavia podia esperar perfeccionismo (Graciliano submetia seus textos a uma enxurrada de revisões e, dizem, nunca estava satisfeito). Não tenho condições de reproduzir com perfeição, mas foi mais ou menos isto que me disse uma querida professora de língua portuguesa no longínquo curso ginasial.

2- Fui ler Graciliano somente quando estrava na Faculdade de Filosofia. […} fui movido pela recomendação e porque havia necessidade de participar de alguns grupos de trabalho à época.
Confesso que não senti entusiasmo em uma primeira leitura. “Vidas Secas” trazia uma abordagem social na exploração do psiquê daqueles personagens. Achei difícil. E acabei mandando Graciliano para a prateleira. Ah, que desperdício, né?  Somente fui mudar de opinião 10 ou 15 anos depois quando voltei a ler e aí mergulhei em “Memórias do Cárcere”.

3- Meg, o conceito de popular em literatura é muito relativo, penso. [—] Depois, em análise assim, a época de Graciliano era totalmente diferente para a literatura se comparada à nossa época mais recente. Creio, não posso afirmar, que os autores do início do século passado ainda não escreviam romances para serem “comercializados”. Havia, intrinsecamente, uma proposta mais parecida com arte. Arte literária. E você sempre soube o quanto é difícil se tornar popular com arte. Esta condição do escrito de Graciliano, trazida para nossa realidade hodierna, embora não o torne impopular, causa, no mínimo certo receio dos novos leitores pela falta que sofrem de transmissão de referências. Depois, a escola hoje em dia não incentiva à leitura como éramos incentivados em nosso tempo. Veja minha experiência – não li tão logo me foi recomendado, mas guardei aquilo e na primeira oportunidade que tive vontade eu lembrei e fui ler.

4- Penso que Graciliano não está na mesma situação de Guimarães e Machado. Talvez o que leve as pessoas a guardarem mais frases destes dois é o fato de serem mais lidos, pelo menos é possível afirmar isto de Machado de Assis. Mas em Graciliano uma frase me marcou muito, justo porque nela vi reproduzida a prova do argumento que utilizou minha velha mestra na sua recomendação: “. Quer algo mais direto para justificar a maneira “enxuta” com escrevia?

Meg, eu não li “O Grande Sertão Veredas”. Sei o que estou perdendo. Ainda o farei um dia.
Do que li senti Graciliano como um revolucionário tempestivo, um grande conhecedor do seu tempo, um crítico social corajoso, pois não apenas mostrou com tanta propriedade as mazelas sociais do sertão nordestino, como muito principalmente expôs até a nudez profunda os seus personagens, revelando-lhes todos os recantos da intimidade (entenda-se  todos os dramas, angústias, desejos e sonhos).

Querida, desculpe a minha pouca intimidade com ele, o que reconheço, mas não poderia deixar de responder isto, pelo menos, pra você.

Beijos.

Ery Roberto

Ery, querido, está faltando você atribuir o ouro a um post seu, OK?

Da queridíssima Marie Tourvel, culta e de uma afabilidade inimaginável. Adorei “conhecer” a Marie. E que  respostas sinceras e certeiras:

Olá, Megleen, querida.

Falarei o pouco que sei sobre Graciliano. Já vou dizendo que não é dos meus favoritos [—]

1- Meu primeiro contato com Graciliano foi com Vidas Secas que li na adolescência. Papai me deu o exemplar. Papai me disse que ele era um comunista carcamano (sabe como é italiano, né?), mas que valia a leitura. Confesso que me entediou um pouco, mas sei da importância da obra. Em seguida pediram para que lêssemos para uma prova na escola. Não consegui reler, fiz a prova na raça e me saí bem, até. Não considero uma leitura tão difícil, não.

2- Repetindo: não acho que seja uma leitura difícil, acho uma leitura densa, isso sim.

3- Na realidade, Megleen, não considero nenhum escritor brasileiro popular. Injustamente, claro. Nem Machadão é popular. Eles são populares dentro de um universo muito pequeno por aqui. Repito: infelizmente. O maior exemplo é Lima Barreto. Gosto demais do Policarpo Quaresma, que pra mim é um dos melhores livros escritos por aqui.

4- Li Memórias do Cárcere e Angústia, também. Angústia lembra vagamente Dostoiévski em Crime e Castigo e acho que é o melhor livro dele. Eu me lembro de uma coisa que ele falou: “só posso escrever o que sou“. Acho que ele era um idealista mesmo. Daqueles que acreditavam piamente que o comunismo nos moldes sovéticos era o caminho. Muito diferente do esquerdismo petista que vemos hoje.

Confesso que não lembrei de nenhum trecho de cabeça. Lembrava vagamente de uma parte do livro Angústia em que ele falava alguma coisa de vitrines de livros e prostituição. Naturalmente fui procurar e encontrei:
“Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição.”

[—]não acho que esse meu relato chinfrim sobre o Graciliano ajudará alguém. Não entendo tão bem ele. Talvez a partir deste seu e-mail e de seu post você me faça reler as obras dele. E isso é muito bom.

Marie Tourvel. Adora Baudelarie e Auden. É perigooosa:-) e excelente blogueira. A-do-rá-vel Marie. E para não haver problemas, eu chamo a Marie de “perigosa”,  numa alusão à personagem que ela escolheu para pseudônimo, do romance de Choderlos de Laclos, Liaisons Dangereuses.

Leiam com toda atenção (como devem ter lido os demais, este especial depoimento, de Julio César Rocha Gomes.  Além de tudo de maravilhoso que ele é,  ele ainda é meu Amigo, de *ages*, desde antes da era dos blogs e é meu crítico de cinema insurpassable.

Oi, Mozamô!

First of all, desculpe a demora. As deadlines, cada vez mais vivas e urgentes, aqui do trabalho, impediram-me de responder suas questões ontem. Ainda dá tempo? Vamos lá, anyway.

Quase não conheço nada do Graciliano: só li, mesmo, “Vidas Secas” e “São Bernardo” (este último no ano passado (ou no começo deste ano, nem lembro direito) – o Vidas veio primeiro e faz tempo que li, ainda no colégio).
Como sou um completo achonauta em matéria de literatura (e em quase tudo o que resta na vida, também, vá lá), vamos “empirizar”:

A julgar por essa experiência mínima, acho (olha o achonauta, aí, gente!) a linguagem do Graciliano bem fácil e acessível, mais até que o Machado (do que a do Rosa, nem se fala, né?). Ele é bem direto, mesmo num romance de cunho intimista, como “São Bernardo”, é possível perceber isso de maneira muito simples, mas nem por isso menos engenhosa. A deterioração da fazenda como alegoria da derrocada existencial/moral do protagonista é um artifício muito comum entre os escritores (vide “Morte em Veneza”, [de Thomas Mann]para ficarmos num exemplo conhecido).

Talvez seja justamente essa “simplicidade” que tenha seduzido os cinemanovistas para transportar (tão bem) Graciliano para a tela. Esses dois livros (não li e nem vi “Memórias do Carcere”) possuem um apego à objetividade que parece querer aprisionar os protagonistas à realidade que os cerca e, ao mesmo tempo, estão sempre oferecendo linhas de fuga pelos cantos de página… Tô viajando, já, né? Baixou um sub-infra-Antonio Candido aqui rsrsrsrs Não sei explicar bem, acho que é justamente a incrível humanidade (no sentido físico, mesmo; como pessoas plausíveis que eu quase conheço de tão vivas) desses personagens que mais me fascina. Achei “São Bernardo” primoroso; de “Vidas Secas” não posso falar muito além daquilo que foi dito por aí, até mesmo por não lembrar quase nada além do básico da história.

Popular? O Graciliano? Não diria isso. Ao menos, não o vejo integrando um caderno de citações (ou “pensamentos” rsrsrs) assim à toa (joguei no Google para testar e os resultados foram timidíssimos, quase protocolares, eu diria). Sua escrita não provoca esse impacto imediato que alguns textos do Rosa, Clarice ou Machado trazem. Eu diria que o Graciliano seduz mais pelo conjunto do texto (o tema, a abordagem, a força da narrativa) do que por trechos isolados. Decididamente, ele não é um frasista ou aforista.”   Júlio Gomes.

Não posso acrescentar mais nada. Conversando com a escritora Vivina de Assis Viana (por email, eu dizia que era exatamente essa simplicidade, expresiva e objetiva que eu queria alcançar. Aliás,  Vivina é que fará a coda dessa série.  Julio, mon Jules, obrigadíssima. Você é o mácsimo;-)

♣  

Fim da primeira parte. Agora, vamos à segunda:

São pessoas especialíssimas para mim (não que os demais não sejam e muito) mas é que essas pessoas, ah! eu ia morrer (ops) se elas não tivessem respondido. Agora vejam se eu não tenho razão em dizer que meus amigos são messssmo o MAC-SI-MO (como diz o querido Gravatá):

“Ei Meg,
Desculpe a demora…mas estou atolada de trabalho e viajo amanhã. Bom, meu primeiro contato com graciliano foi em casa, Minha mãe tinha São Bernardo.
Eu vou te contar que eu não posso entrar nessa pesquisa, porque eu sou super falha com autores nacionais. Eu gostava muito do machado quando era adolescente, dos contos. Porque minha mãe era fã e tal. Mas depois eu parei de ler literatura brasileira. e eu sei que é uma falha de caráter mas…

eu nem sei direito falar academicamente também, porque minha formação é em arquitetura. não sei o que falam do GR lá. (aliás boa parte da minha vida eu não conseguia diferenciar o Guimarães rosa do Graciliano porque os dois tem as mesmas iniciais e isso é uma tortura pra mim que sou disléxica).
Então eu tenho essa dificuldade toda. O nome, a literatura nacional, minha ignorância.

Eu sei que esse e-mail foi um grande desapontamento e me perdoe…eu não sabia o que era pior, te desapontar ou não te responder, hehe
J.”

Gente,  hahaha, que lindinha, não é? vocês estão vendo porque eu sou metida? Meus amigos, à vera, são todos como eu gostaria de ser. Essa moça , na realidade, uma menina linda e lida, é arquiteta, vive no Cad monkey, já viu Jesus e escreve lindamente, faz literatura em *forma breve* e é modesta. Tanto quanto é engraçadíssima e so, so sweetie. J. eu te adoro. E tudo o que vc disse, como essa coisa das “iniciais” é importante.

Leiam esse conto- divagação da J. Eu morri de rir e fiquei boba;-) “Falha de caráter” e hipersensibilidade no nervo vago, eu a-do-ro- isso. Sem contar que ela viu Jesus;-))

E voltem para ler o que segue:

Dear Meg, tentei responder suas perguntas, espero que sejam de alguma serventia…
Se tivesse menos tarefas com prazo, falaria de modo mais elaborado, mas me pegou numa hora difícil….

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano.
Li trechos de Vidas Secas no livro de português da sétima série. Li o livro completo pelo menos duas vezes – uma espontânea e outra porque o livro foi indicado para o vestibular. Li também Memórias do Cárcere e Infância, ainda durante o Colégio. Estranhamente, não li A Terra dos Meninos Pelados, que está até hoje na minha infindável lista de leituras pendentes – tem horas em que eu odeio ter estudado Direito!

2-Acha que o texto dele  é de difícil (leitura “difícil”)?
Não achei a leitura de Graciliano difícil. Entretanto, ouvi meu sobrinho mais velho dizer que “ele não sabe contar histórias…”, no sentido de que como a narrativa não é linear (ele estava se referindo a Vidas Secas, indicado como “leitura obrigatória” no primeiro ano do ensino médio), ele tinha dificuldade de apreender o conteúdo do livro.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
Apesar de abordar temas referentes a experiências cotidianas, principalmente do Nordeste, Graciliano não costuma ser citado, do modo como contido nos exemplos. Entretanto, já vi muitos cachorros feiosos serem chamados de Baleia, em homenagem ao gracioso personagem canino de Vidas Secas…
Não sei se ele vai virar “pop”, a despeito da profecia de que o pop não poupa ninguém… Mas é muito abordado no colégio, tanto no ensino fundamental como no médio.

P.S.:
No caso específico de Vidas Secas, o aniversariante do ano, talvez os “meninos de cidade” (como meu já citado sobrinho) tenham mais dificuldade para apreender o conteúdo da narrativa, pelo distanciamento da realidade retratada. Eu, por ter nascido a apenas cento e poucos quilômetros do sertão retratado no livro, sabia o que era gibão, arreio, conhecia gente feito Fabiano e Sinhá Vitória, policiais amarelos, meninos como o menino maior e o menino menor e cachorros como Baleia. Para mim, tudo aquilo fazia sentido – talvez muito mais sentido do que, por exemplo, Memórias do Cárcere, cuja realidade hominizada que se apresentava era contraponto e complemento às lições de história aprendidas no Colégio…
É evidente, Meg, que a minha leitura de Vidas Secas é absolutamente pessoal e não pode servir como parâmetro exatamente por retratar uma paisagem familiar. Foi diferente para mim ler esse livro em relação a qualquer outro em que o ambiente fosse fundamental para o desenrolar narrativo, simplesmente pelo fato de que a minha vivência anterior fazia parte da leitura que fazia do livro, sendo que os personagens adquiriam rostos conhecidos.

P.P.S.: Não sei como poderia utilizar esse desabafo, mas está sempre autorizada a me citar.
Beijos, querida Meg, espero ter ajudado de alguma maneira…

Marília J. Nunes é a advogada mais jovem do Brasil. Ah! ela é juíza: acredita na Justiça. Após tudo isso, é minha filhota.

Carlos Eduardo Martins:

“A Mesa reconhece a cumpanhêra Maria Elisa!

À tareeefa, pois.

1. Vidas Secas. Só não tenho certeza se li o livro antes de ver o filme do Nelson Pereira dos Santos, ou vice-versa, pode ter sido uma coisa ou outra (minha mãe, surpreendentemente, tinha Memórias do Cárcere, mas esse eu só li mais tarde).

2. Não; difícil é ler Os Sertões de enfiada…

3. / 4. No sentido de ser muito lido / citado, não; suponho – não foi meu caso, não passei por tais dissabores – que, fora dos círculos acadêmico-literários, muita gente só tenha lido Graciliano (provavelmente Vidas Secas) como tareeeefa escolar, e nunca mais. Acho que é mais conhecido “de nome”, “ah, já ouvi falar”.

Frase (afora a célebre anedota do “Via de regra é a b****a da sua mãe!”), pra mim continua sendo: “E o sertão continuaria a mandar para a cidade gente bruta, forte, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos” (estou citando de memória, não garanto a literalidade), que fecha livro e filme.

Pode citar à vontade. Já disse, minha vida é um livro aberto (com algumas páginas coladas e outras cobertas por tarjas pretas, bien sûr).

Carlos Eduardo Martins é economista,  sabe tudo e me faz rir sempre. Sempre que eu não sei, ele ensina. Está amplamente citado com destaque no Sub Rosa.  Em LEIA você verá porque é destaque. Ah! escreveu um clássico sobre HQ ou similar. AS TARZANAS. Foi publicado na Espanha. Tá vendo só, esses nossos bons economistas!

UPDATE:

Mais dois depoimentos que não poderiam faltar:

Minha mais que querida amiga, a jornalista Elis Marchioni Rojas e o não menos querido, Leo.

Elis:

Meg, faz muito tempo que eu li um único romance de Graciliano, Vidas Secas. Mas vamos lá.

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano?
Meu pai tinha o romance Vidas Secas, uma edição antiga, e eu peguei da estante para ler, por conta própria. Faz muito tempo, eu devia ter uns 17 anos.

2-Acha que o texto dele  é de dificil (leitura “difícil”)
Não, ao contrário. Ele não é de muito rococó, considero um texto bom de ler.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
Popular, claro. É inspiração para autores mais jovens, teve personagens copiados na teledramaturgia, adaptações para o cinema e seus livros caem sempre nos vestibulares, além de possuir fãs. Mas, sinceramente, não sei o que é ser popular. Seria um Paulo Coelho? Neste caso, Graciliano não é popular. Meu conceito é mais abrangente.

Bravíssima, Elis!  e esta sua terceira resposta servirá de inspiração para todos que mencionaram aqui a questão da intertextualidade. E os que já me avisaram estar fazendo trabalhos sobre Graciliano usando esta abordagem.

Agora, o Leo, conhecimento recente, mas que se tornou uma das pessoas cuja opinião mais respeito na blogosfera:

1 – Como foi seu primeiro contato com Graciliano?
Por incrivel que pareça foi pela televisão. em um programa de vestibulares que passava na TV Cultura. Um resumo pela tv. O livro, Vidas Secas. Eu tinha 15 anos. 1 ano depois, li esse livro para a escola. Devo dizer que primeiramente a ‘contação’ me ganhou mais que a leitura. Para adolescente, tá valendo. Com 21 li Infância e a porrada de gostar do Velho Graça começou aí. Depois vieram os Grandes “São Bernardo” e “Angústia”, me abalei no 2º capítulo deste. Sensação boa demais.

2-Acha que o texto dele é de difícil leitura “leitura difícil”)
Não. Acho que não é convidativo. É um texto que não quer seduzir pela doçura, alías nem quer seduzir. Pra mim me parece giló. Tem que saber fazer senão é intragável. ele soube preparar. Mesmo assim não é todo mundo que gosta.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
Os livros são populares na medida em que os vestibulares o cobram, infelizmente. Estranhamente, acho a figura pública dele muito popular, principalmente para quem está começando a ler ou a conhecê-lo. Caso assim, também acontece com Lobato. é claro, dos regionalistas (argh!) depois do Jorge Amado, ele é o mais conhecido. Mais até que a Rachel de Queirós. Acho…

[Sobre ser citado…] Acredito que Graciliano nunca fez frases ou dizeres marcantes na sua literatura. E, de certa maneira, esse truque linguístico iria um pouco contra o que ele acreditava como literatura. Em compensação, ô homem… pra criar cenas de tensão e de imagens lindíssimas:
– Fabiano encontrando o soldado amarelo no canavial
– A morte da baleia
– Todo o penúltimo capítulo de Angústia
– Paulo Honório descrevendo a relação do filho com o capataz
– A morte de Mariana

Gente, que coisa, estou muito feliz, mas devo confessar que cometi uma injustiça, deixei de citar algumas pessoas. Não intencionalmente , é claro. Imagine se eu deixo esse trabalho sem as respostas do Leo ? Peço desculpas, publicamente.

Agora, queridos, vou deixá-los com esse presente. Para seguir a sugestão do Leo, os depoimentos  e trabalhos acadêmicos – como os da professora Isabela Menezes (junto com suas resposta à consulta) para citar um exemplo, serão publicados em um blog especial para Graciliano Ramos.

Até mais, mas não antes sem dizer que a data – ou a efeméride como diz Dra. Marília – foi comemorada nacionalmente. Evoé!

=-=- UM PEDIDO: Queridos, sempre que houver um link quebrado ou errado, qualquer erro, por favor, mas por favor, me avisem: a blogueira é cegueta. E tem 250 anos:-) Juro. Obrigada. Isabela, me perdoe, sim?

Para (não) concluir…

Oi queridos,
Rá, estou vendo e lendo seu pensamento, “ih lá vem Graciliano, ainda? … esse negócio não acaba?” e outas coisas que não posso dizer. Pois saiba que não, não acaba, afinal as coisas só acabam quando a gente acaba, não é?. Pois é. A gente pára mas não termina. Havia (haveria há) mais sendas e trilhas de Graciliano  Ramos a percorrer.
É agora que vem a parte que mais adoro: as respostas às perguntas que fiz a algumas das pessoas  que eu mais admiro  na blogosfera – e não só nela –  às pessoas que têm um conhecimento literário respeitável e, principalmente, às pessoas que lêem, entendem de leitura , isto é, que “sabem ler”, e que possuem textos ótimos – entenda-se: que “sabem escrever”.
A pergunta mais importante é a terceira. Não se enganem quanto ao sentido em que uso o *conceito * popular. Não é no sentido de vulgarização, mas de disseminação. De ser conhecido , divulgado e reconhecido.

Eu a-do-ro essas pessoas.   E  podia ser diferente se elas foram gentilíssimas comigo e se até melhoraram minhas perguntas?

Vamos lá, com o meu agradecimento a todos eles.

O primeiríssimo: Rafael Galvão, *o* cara, . (Conservo tudo que foi escrito)

Rumbora.

1 – Como foi seu primeiro contato com Graciliano.

Primeiro, uma imagem: a cachorra Baleia sonhando com o céu cheio de preás, tadinha. E depois o pobre do Fabiano tendo que sacrificar a bichinha. Nada disso veio de leitura, mas de comentários. Então eu li “São Bernardo”. E depois, antes de “Vidas Secas” ou de “Angústia”, trechos de relatórios na Prefeitura de Palmeira dos Índios.

2 – Acha que o texto dele é de dificil [leitura] (leitura “difícil”)

Nem de longe. É um dos escritores mais claros que o Brasil já teve, na minha opinião. Pode-se achar a simplicidade dele enganadora, eu não.

3- Acha que ele não é popular? É popular?

É tão popular quanto um escritor brasileiro pode ser, ou mais. Certamente é mais lido que Guimarães Rosa. E especificamente no Nordeste, onde moro, é um escritor mais fácil e mais facilmente compreendido. Seu universo é mais próximo da realidade atual. Acho também que essas diferenças regionais fazem-no mais popular cá pras bandas do Norte do que no sul, por exemplo. Se Rosa é mais mistificado por parte da inteligência nacional, algumas das imagens de “Vidas Secas” (como essas que eu citei logo no começo, que não li nos livros a princípio, nem na escola ou faculdade) definem a noção de muita gente por aqui sobre experiência do sertanejo na seca.

Acho que é isso. :)

Beijo,
Rafael

 DANIELA ABADE, escritora, criadora de ai meu Deus tanta coisa, como o Mundo Perfeito e tantas outras sacações, autora de “Depois que acabou” e “Crônicos”. Agora escreve Foreigners, lá no Interney Blogs.

Meg,
Desculpe não responder. Estou a mil com um monte de coisas acontecendo na minha vida. [,,,]. Mas de qualquer forma eu nunca tive essa percepção de que Graciliano fosse menos popular que Guimarães Rosa ou Machado de Assis. Para mim sempre foi a santíssima trindade e continua sendo. Difícil não é o que ele escreve, é viver sem o ler.

Fui apresentada a ele em grande estilo: Vidas Secas.

Bjo, Dani

OMG! Não são maravilhosos meus amigos brilhantes?

Milton Ribeiro, escritor,  dispensa apresentações e comentários, o grande Mirto!

1-NA CASA DE MEU PAI, HAVIA UM LIVRINHO CHAMADO INFÂNCIA. COMO ERA PEQUENO, PEGUEI-O PARA LER.

2-DE MODO ALGUM, É TUDO MUITO LÓGICO, ENCADEADO, BEM ESCRITO, CLARO, INTELIGENTE.

3- NA MINHA OPINIÃO, É POPULAR. NO ÚLTIMO SÁBADO, ESTAVA NUM ANIVERSÁRIO E UM CARA VEIO ME DIZER QUE EU NÃO DEVERIA ESCREVER — ESCREVI ISSO NA SEMANA PASSADA — QUE MACHADO E GUIMARÃES ROSA ERAM FUNDAMENTAIS, SEM CITAR  GRACILIANO TAMBÉM.
LEIO MAIS CITAÇÕES DE MACHADO, ROSA E PAULO COELHO DO QUE DE GRACILIANO. NÃO TENHO CERTEZA SE GRACILIANO É UM FRASISTA OU AFORISTA TÃO BOM QUANTO M. DE A. OU G.R., MAS ACHO QUE ELE PODERIA CHEGAR AO GRAU DE “MUITO CITADO”, SIM. EU JÁ O CITEI NO BLOG.

BEIJOS. MILTON. PODE USAR E ABUSAR DO MEU NOME.

Vocês estão vendo, não é? :-)

Roselene PRADO, ‘nossa’ professora de semiótica, de redação e muitas outras coisas.

Bem a Rose enviou as respostas em arquivo doc. , e eu publiquei separadamente, aqui. em  TEXTOS ESPECIAIS. Confira e, comentários são bem-vindos

E para terminar, lindamente, as publicações de hoje, as respostas de GUILHERME RESSTOM, que é advogado, editor, e sábio. Leitor sábio, também. Poeta que não se quer publicar. A quem recorro sempre,  eu que nada sei sobre Poesia. Ele sabe tudo. E, orgulhosamente, para mim, meu Amigo, sempre solícito em dividir o que sabe.
(Desculpem o arroubo, é que tenho tão poucas oportunidades de dizer e repetir isso. E, aqui pra nós, são tão poucas pessoas a respeito de quem se pode dizer isto.)
Então, as respostas:

1 – O primeiro contato foi na escola (hoje seria o último ano do 1º grau, imagino), um tanto quanto traumático, como soía acontecer nos melhores educandários da época. Deram-nos para ler e fichar “São Bernardo”. Tive, confesso, enorme dificuldade inicial com as confissões de Paulo Honório. Pouco depois, antes do vestibular ainda,  fiz as pazes com Graciliano ao ler os contos de “Insônia” e  fui definitivamente seduzido com “Angústia”. Depois, com “Vidas Secas”. Mais tarde, reli duas vezes “São Bernardo”, que acho um monumento, o grande livro do homem. Que também teve uma bela adaptação para o cinema, com atuações inesquecíveis do Othon Bastos e Isabel Ribeiro. Memórias do Cárcere é forte e implacável. Também deu um belo filme. Não li, ainda,  “Caetés”. Mas lerei.

2 – Não acho difícil. O narrador do Graciliano passa sempre uma irritabilidade, um desconforto e e incapacidade de adequação à convivência visíveis: nunca negocia, facilita ou alisa a cabeça do leitor. Não à toa foi tradutor do Camus. Mas não é um escritor hermético nem na linguagem nem na construção dos enredos.

3 – Popular não creio, mas é um escritor sempre ventilado. As grades curriculares, vestibulares e uma certa construção de uma imagem institucional fazem com que as reedições sempre estejam na praça. Nas citações (será que é mais citado do que efetivamente lido?), há sempre os chavões da “secura da linguagem” etc e tal.

4 – Graciliano parece que não era muito afeito à prosa digressiva, às vezes lapidar, do Machado nem aos torneios de linguagem e metafísica do Guimarães Rosa. Entrou para o anedotário literário com uma espécie de mau-humor militante. É famoso o mot d’esprit (cito de cabeça, nem sei de onde tiraram) de que “Alagoas daria um bom Golfo”.

Foi um prazer participar, Meg. Se quiser citar, fique à vontade. Grande beijo,

Guilherme

E então?  Estendo as perguntas a vocês, o que acham? E o que acham do que eles acharam?

(To be continued…  pisc*)

Vidas Secas, assim dizem…

Capa de edição holandesa, 1998, Coppens & Frenks

Capa ed.holandesa, 1998, Coppens & Frenks


Veja todas as capas e artes gráficas aqui no site: Graciliano Ramos . Diga-se, aliás, que site fantástco. Merece prêmio também. Explore tudo o que há lá.

Acho que foi a  amazing Amazon que lançou esse recurso  não só de pedir aos consumidores que opinassem sobre o produto comprado, mas também  de consultarem os indecisos se as “reviews”, poderiam gerar  outros compradores. Eu acho ótimo,  quando não estou segura da qualidade do que quero. Principalmente eletrodomésticos que, dizem axiomaticamente, é como casamento:  para acertar só tendo *sorte*.;-)
Bem, eu sei o que o texto hoje (?) está ruim, mas acho que vocês estão me entendendo.  Por exemplo,  a Cultura  manda emails pra gente convidando-nos a dar nossa opinião sobre vários produtos que compramos, portanto isso por aqui é conhecido. Abre-se então  um fórum e as pessoas chegam a conversar entre si. Ou até a trocar desaforos. Olha só Desaforos no Forum (Claudio Boczon, essa é sua)

Agora quando o produto é um livro… vejam o que pode sair.
Estes exemplos foram tirados de  uma grande livraria, e eu bem que entrei em contato com as pessoas que emitiram opinião, pedindo permissão para reproduzir. Eu adorei, adoro ler, afinal eu vivo disso, não é?
=====
Vejam só e depois digam o que acham, OK?
=-=-=-=-=-=
Animalização
Adriana C. – email@email.com

Exemplo de adequação perfeita entre técnica literária e realidade expressa, o romance “Vidas secas”
exibe, por meio de uma estrutura fragmentada e de uma linguagem enxuta, o isolamento de seus
personagens diante dos limites da sobrevivência. Limites que justamente se revelam na dificuldade de
compreensão e expressão dessa realidade pela palavra. Entre outros aspectos, é esse primitivismo
lingüístico de Fabiano, Sinhá Vitória, e dos dois filhos, que os animaliza, aproximando-os do outro
componente do grupo, a cachorra Baleia. Os seres humanos, comunicando-se precariamente por
fragmentos de frases, balbucios, interjeições guturais, xingamentos, onomatopéias, não parecem
elevar-se do nível do animal que, mesmo sem possuir a faculdade da fala, comunica-se “com o rabo,
com a língua, com movimentos fáceis de entender.”
Nesse sentido, isolamento, primarismo de raciocínio e linguagem, e animalização são as várias faces
concorrentes de uma mesma realidade, aquela que se inscreve nos sobreviventes do drama social e
geográfico da região natal de Graciliano Ramos e aqui expressa por meio de sua genialidade literária.
por Adriana C.

==-=-=-=-=-=
Péssimo
10/08/2002

César Garcia, – Vargem Grande do Sul , email@rantac.com.br

Livro chatíssimo, se você está cansado de estar de bom humor leia,
assim seu humor vai piorar rapidamente!

=-=-=-=-=-=-=
Eu Sou Teimoso! 15/08/2002

Lorêdo F., São Luís – MA , email@globo.com

O nome dele não é César Maia, é César Garcia.
Como pode um sujeito desse afirmar que “Vidas Secas” é um livro chato?
Quem diz uma coisa dessas só pode ser uma pessoa tola, cuja existência é carente de intelecto  e estima pela genuína literatura de qualidade.
O principal livro do alagoano Gracialiano Ramos é simplesmente, meus caríssimos amigos,o maior fenômeno da prosa nacional e estrangeira de todos os tempos. Não tem pra ninguém!

=-=-=-=-=
Opinião não se discute
08/09/2002

L. H S., – Porto Alegre , email@wabstar.com.br
Temos o direito de expressar nossa opinião ou estamos expostos ao ataque pessoal grosseiro e prepotente?
Quanto ao livro, considero-o chato, mal estruturado,
realidade muito artificial e personagens mal definidas e superficiais.

=-=-=-=-=-=-=
Quanto absurdo!!!
24/09/2002

Vera M. – São Paulo , email@hotmail.com
Lorêdo… Escrevo êste apenas para deixar meu apoio: CONCORDO CONTIGO PLENAMENTE:
EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU!!!!!!
=-=-=-=-=-=-=-
A mudez em Vidas Secas
25/09/2002

Marta C. M., – Vitória da Conquista-Ba , mcardmoura@ig.com.br

Vidas Secas é mais uma extraordinária obra de Graciliano Ramos que deveria ser lida por todos os brasileiros.
A obra chama a atenção para a incomunicabilidade do homem com o mundo e consigo mesmo.
Tal incomunicabilidade dá-se por um processo que podemos definir como alienação cultural.
Um homem que se alimenta do papagaio de estimação (que pouco falava), serve para ilustrar não apenas a condição miserável de vida a que é submetido, mas também como uma excelente metáfora para provar que aquele que não se expressa, que não tem condições de defender-se, também é devorado pela vida.
Fabiano desejava muito ter um espelho.
Metaforicamente o autor nos chama a atenção para o fato de que submetido a condições desumanas de vida e reificado, o homem não consegue ver a si mesmo, sua auto-estima é praticamente nula. – por Marta C. M.

=-=-=-=-=-=-=-=-=

Clássico
18/04/2003

Leonardo, Recife – PE , email@hotmail.com

Não o considero o meu [livro] favorito.Aliás, é muito difícil ter uma obra favorita quando se fala de Graciliano Ramos.
Se eu escolher Vidas Secas, vou deixar de lado São Bernardo, Angustia, Infancia, Memorias do Carcere e as compilações de crônicas Linhas Tortas e Vivente das Alagoas.
Dificilimo escolher mas posso lhe assegurar que Vidas Secas é de uma qualidade dificilima de se encontrar atualmente. O livro É perfeito.Já li umas quinze vezes e toda noite leio sempre um capitulo
(que pode ser lido separadamente) e não me canso.
É bizarro mas não me canso.O Estilo de Graciliano, nesse livro não tão complexo quanto Angustia,
chega ao seu apice. É impossivel detesta-lo!.Eu lhe asseguro ainda mais: compre esse, não vai se arrepender.

PS: Clássicos estão alem do nosso julgamento.
Só podemos dizer algo que ateste o seu status.O resto? é ladainha.
=-=-=-=-=-
Um monstro
23/07/2003

Rafael, – Fortaleza , email@hotmail.com

Graciliano Ramos não nasceu nem morreu rico. Não frequentou, nem de longe, universidades e academias. Escreveu escassos quatro romances, 3 livros de memória, um de contos (Embora ”Vidas Secas” e Infância possam ser lidos como contos) e um outro que não sei dizer (Alexandre é sarcástico demais para Lit.Juvenil.). No entanto, o alagoano aprendeu (sozinho) e ao mesmo tempo: português, espanhol, italiano, francês.
Na cadeia, arranhou um pouco de Russo. Lia tudo em Francês, amava Emile Zola, Flaubert, Stendhal, os russos(Dostoievski, Gorki, Andreiev, Tolstoi [o maior escritor de todos os tempos, para ele]) e não ia muito com a cara de Machado (preferia mais Aluisio Azevedo, pela firmeza e preocupação social. Também lia muito Machado mas não morria de amores). Esse homem, que vivia trabalhando pesado (tinha vários empregos e morreu ganhando menos do que os própios filhos!) com apenas quatro livros, superou ou ficou ao lado de Machado. Perfecionista, cultor da forma e do estilo- mais sempre com conteúdo.
Um Descartes, que ousou combater Shakespeare (para o velho, Hamlet não tinha uma loucura lógica, até está tem que, para ele, ser lógica).
Vidas Secas não é um marco mas apenas uma obra-prima entre São Bernardo, Infância, Memórias do Cárcere e Angústia. Um livro duro, pesado, mas com um “punch” forte. Dostoievski teria amado.
10 / 10
=-=-=-=-=-=-=

Graciliano Imortal!!
05/02/200

Diogo, – Recife-PE , email@bol.com.br
Coloco Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, entre outros da geração regionalista,
como os melhores escritores que esse país já conheceu!
O livro apesar de áspero e realista, envolve o leitor do começo ao fim.
Romancista de primeira o Velho Graça, como era conhecido nessa sujíssima ABL de hoje!!
Ótimo livro leia esse e aproveite para continuar lendo todas as outras grandes obras desses escritores maravilhosos que eu citei no começo!!

=-=-=-=-=-

Uma obra crítica e sincera
17/07/2005

Vinícius R., – Porteirnha – MG , email@gamil.com
Graciuliano Ramos fala da vida atual, no contexto político e econômico, por meio das metóforas deste livro. É sublime o modo com que se inicia e encerra a obra, mostrando que a vida segue sempre em frente e nada é duradouro…
=-=-=-=-=-=
Prática de leitura
15/08/2006

Marcio L, RIO DE JANEIRO – RJ , email@uol.com.br
Este é um dos livros mais recomendado.

=-=-=-=-=-=-=
muiuto bom
14/01/2008

RAIMUNDO M. C., açailândia – MA , email@hotmail.com
eu indico esse livro, tem uma otima historia e afinal de contas é excelente

E ah! sim: Vejam a review de BARREN LIVES (título da tradução em inglês para VIDAS SECAS). U-ma coi-sa!

Queridos continuem votando lá na pesquisa e torçam por mim, vou ao médico e volto, tá bom? Digam o que acham, não de eu ir ao médico mas das *quentes, abrasadas” opiniões sobre Vidas Secas. Algumas vão sobre o autor pessoalmente.  E o que que vocês queriam?;-)

Como diz o Jeff Corwin, viram o que eu faço por vocês;-)))

Psiu, podia responder…

Pessoas queridas e lindas, podiam responder, assim fazendo um favor:-)? Brigada. Depois, vejam o vídeo. Ou o inverso, vejam o vídeo e depois respondam.
Ah! olha só: não é ‘pecado’ não ter lido o Graciliano. Leram o texto do Ricardo? E mesmo que não tivessem lido o texto do Ricardo.  Acho que jamais leremos os livros que gostaríamos.  Falo sempre do meu exemplo que comecei a ler gibi, HQ e depois pulei direto pro Kafka.  Eu juro… que malvadeza, por isso que sou assim;-). Só queria ter uma idéia. E acho que vocês também, não é? Amanhã tenho um médico, mas antes passo por aqui.
Adoro vocês e obrigada pelos lindos emails.
Ah e “essa coisa de Graciliano” – como me disse a Céu, pois é essa coisa de Graciliano é como todas as outras do Sub Rosa. Leves, livres, soltas, divertidas e se possível que a gente possa se emocionar.E  Luciana Rayol, a nossa queridíssima amiga (ex- Cintaliga) agora tem o seu próprio portal e, como ela é um (agri)doce de menina:-) claro, tem  seu próprio blog. Ela é fã da Vivina e isso me basta;-)

Frase e música do dia:
“Prefeito não tem pai”. G.R.

Update: Continuem votando, OK?. Obrigadíssima.