Ausencia – Vinícus de Moraes

Jean Seberg no Maxim's Paris, 1957, no filme "Bonjour Tristesse"(1958)

Jean Seberg no Maxim's Paris, no filme "Bonjour Tristesse"


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

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♣  ♣ 
Ah! Parabéns e muitas graças ao  santo nosso de cada dia, almost teen:-)
Parabéns, São Google

Alguma coisa acontece…

AUSÊNCIA (updated)

o coração fica assim 
Queridos. Todos. Todíssimos.
Ainda não tenho muita  condição de escrever alguma coisa aqui. Pois eu, além de doentinha estou  triste, mas  triste de não ter jeito … Mas sei que passa… Me aguardem (eu aguardo)  porque sei que  passa.

Ah sim, se você está se perguntando se tanta tristeza é fora de proporções, respondo que não, não é. Entristeci  porque ninguém fica com dor e sem poder respirar normalmente há tanto tempo como estou, sem entristecer .  E pensar na vida, nas “fragilidades  dos laços humanos”.

Daqui a alguns dias eu mostro a vocês uma palinha do livro “Amor líquido” (afinal, Amizade não é uma forma de amor?) de um escritor que eu adoro e  rrrrecomeindo: Zygmunt Bauman,  um pensador polonês, brilhante e atualíssimo, exilado, vive hoje  na Grã-Bretanha. (*)
Pensando melhor, não vou mostrar ‘um dia’, mostro logo agora:

“Não importa o que você aprendeu sobre amor e amar, sua sabedo­ria só pode vir, tal como o Messias de Kafka, um dia depois de sua chegada.

 

Enquanto vive, o amor paira à beira do malogro. Dissolve seu passado à medida que prossegue. Não deixa trincheiras onde possa buscar abrigo em caso de emergência. E não sabe o que está pela frente e o que o futuro pode trazer. Nunca terá confiança suficiente para dispersar as nuvens e abafar a ansiedade. O amor é uma hipo­teca baseada num futuro incerto e inescrutável.

O amor pode ser, e freqüentemente é, tão atemorizante quan­to a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. Faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa. Pensan­do bem, contudo, não se pode ter tanta certeza disso. As promessas do amor são, via de regra, menos ambíguas do que suas dádivas. Assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas tam­bém o é a atração de escapar. E o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir.”

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ADENDA:

Eu não sei que valor isso terá, talvez nenhum, para os outros, mas tem para mim. Eu queria deixar aqui registrado a minha solidariedade e talvez mais compreensão do que se possa imaginar, para a JANAINA LEITE do blog Arrastão – que fica aqui-> clique. Aliás, no meu entendimento, eu acho até que ela nem precisa de meu apoio;-), mas… Tudo isso (sim, não é pouco) advém de eu ter lido o blog de Gravataí Merengue – tal como foi sugerido neste post magistral (já disse que  ao contrário do que parece não uso adjetivos nem superlativos em vão) do Idelber Avelar  que, além de todas as credenciais que tem, é uma das pessoas mais corretas, mais decentes e um dos Amigos a quem mais admiro.

Basta ver este final do post do (professor) Idelber Avelar:

“5. A decisão editorial da casa, para este post, é manter a caixa de comentários fechada. Acredito que devo uma satisfação aos leitores por ela: não me sinto confortável transformando uma caixa de comentários do meu blog em imenso tribunal armado ao redor de uma fogueira de Torquemada, ante a qual se debate a integridade de uma colega blogueira (seja ela de que posição política for). (**) Os foros apropriados para este debate são o [blog do ...] e o blog da própria […], ambos dotados de moderação de comentários, sagrado direito blogueiro que o Biscoito prefere não exercer. “

 Uauuu!!!!! Desculpa o mau jeito, minha gente, não é por mal, juro, mas não posso me furtar a dizer que o professor Idelber Avelar, brasileiro, mineiro;-) ,  professor  da  Universidade de Tulane (USA) não é jornalista. Mas sendo ou não, com esse post  provou que, além de ter caráter, pode ensinar muita coisa a algumas pessoas quem dizem ser. E digo isso, numa boa!
Os grifos e outras marcas de edição são, claro, meus.  Olha,  gente, blogar e viver estão sendo coisas muito difíceis aqui pelo Brasil, e olha que não sou monoglota e já fui para o bem (o-ba!) ou para o bem e mal, citada (hélas) em muitos blogs estrangeiros. Portanto, acho que *EU* (com ênfase no *EU* sim), posso falar de cadeira, do respeito com que Idelber tratou da questão.

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(*) Este livro maravilhoso (Amor líquido) foi presente de minha Amiga querida e minha médica Dra. Júnia, a maior e  a melhor (depuis toujours).

(*) Mocinhas  asmáticas amigas, por favor podemos retomar o contato na base do “unidas venceremos”?. Estou tomando montelukaste… Afinal, sou uma Forasecq e ‘singulaire’;-). E vem cá: homem não tem asma, não? Nem brônquica, nem alérgica, nem nada?…Life is unfair.;-)

Acho que volto depois para colocar umas duas músicas. Se é que neste post cabe música.

 Everybod hurts – R. E. M

Confesso que sempre quis confessar isso e não tinha coragem:

E sei que vão rir de mim, mas tenho estado triste, muito triste com a situação dos animais. Juro, tô vendo vocês rirem, seus batráquios queridos, mas é que nós primatas estamos extinguindo criminosamente nossos próprios primos primatas. Agora me diga, se as relações entre  nós ditos humanos, soi-disant “gente” ou pessoas, estão essa coisa incompreensível , inconcebível, difícil de sequer de supor,  que está aí –  como imaginar   o que não passível de ser feito com os animais, sobretudo os great apes. Viram a reportagem de capa e  a própria capa da revista Galileu?  Dá o que pensar. Quantas revistas aquele ‘chimp’ não vai ajudar a vender… E, segredo só aqui entre nós, estou abafadíssima com a situação dos orangotangos. Não adianta que se diga que eles têm em comum conosco 97% ou mais do DNA.  Claro, sim você tem razão sou uma idiota. Afinal se a *SUA* vida, a minha, a nossa , a de uma criança, enfim, queridos, a  vida humana já é tratada como se  de nada valesse….  por que iríamos nos preocupar com eles, não é?  Pois é, mas há gente que acha que não. E isso é bom . Eu acho.  Btw: você conhece uma cientista chamada Jane Goodall?

Links que valem a pena uma visita: ***B O S
***VÍDEOS
***No Brasil: PROJETO GRANDES PRIMATAS

ONTEM FOI O DIA DA POESIA (II)

Tal como foi no ano passado, deixo um poema para comemorar a data, um dia depois.
Sabemos todos que fora da Poesia não há salvação. Eu queria Celan, ou René Char que quase nunca publico, ou mesmo Mario Faustino que já vejo ser um pouquinho mais citado. Mas estou re-re-reapaixonada por Vinicius de Moraes. Todo o Rio de Janeiro está e acho que o Brasil precisava esquecer um pouco os estereótipos de enfant gaté, e letrista, boêmio e os diminutivos e se voltar para ao menos tentar (re) conhecer o grande poeta que ele foi. (Uma excelente sugestão seria o ler o próprio Vinícius acuradamente e ao mesmo tempo ler o livro do crítico e ensaísta José Castello, que já é um clássico: Vinícius, o Poeta da Paixão.
Assim sendo, permitam-me hoje homenagear Poeta e Poesia, com Vinicus de Moraes…porque hoje é sábado. Com este poema que o Poetinha (urgh!) certamente deve ter escrito, inspirando-se na ‘ideiazinha’ do querido Milton Ribeiro, neste “superpostzinho” aqui. Vinícius chamaria Miltinho, veja lá.

Este é um poema muito comentado e pouco conhecido: Leia mais deste post