Um Poema para o Ano Novo com um pedido pelo meio;-)

.ELEGY: GOING TO BED

COME, Madam, come, all rest my powers defy ;
Until I labour, I in labour lie.
The foe ofttimes, having the foe in sight,
Is tired with standing, though he never fight.
Off with that girdle, like heaven’s zone glittering,
But a far fairer world encompassing.
Unpin that spangled breast-plate, which you wear,
That th’ eyes of busy fools may be stopp’d there.
Unlace yourself, for that harmonious chime
Tells me from you that now it is bed-time.
Off with that happy busk, which I envy,
That still can be, and still can stand so nigh.
Your gown going off such beauteous state reveals,
As when from flowery meads th’ hill’s shadow steals.
Off with your wiry coronet, and show
The hairy diadems which on you do grow.
Off with your hose and shoes ; then softly tread
In this love’s hallow’d temple, this soft bed.
In such white robes heaven’s angels used to be
Revealed to men ; thou, angel, bring’st with thee
A heaven-like Mahomet’s paradise ; and though
Ill spirits walk in white, we easily know
By this these angels from an evil sprite ;
Those set our hairs, but these our flesh upright.

; ; ; License my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O, my America, my Newfoundland,
My kingdom, safest when with one man mann’d,
My mine of precious stones, my empery ;
How am I blest in thus discovering thee !
To enter in these bonds, is to be free ;
Then, where my hand is set, my soul shall be.

; ; ; Full nakedness ! All joys are due to thee ;
As souls unbodied, bodies unclothed must be
To taste whole joys. Gems which you women use
Are like Atlanta’s ball cast in men’s views ;
That, when a fool’s eye lighteth on a gem,
His earthly soul might court that, not them.
Like pictures, or like books’ gay coverings made
For laymen, are all women thus array’d.
Themselves are only mystic books, which we
—Whom their imputed grace will dignify—
Must see reveal’d. Then, since that I may know,
As liberally as to thy midwife show
Thyself ; cast all, yea, this white linen hence ;
There is no penance due to innocence :

; ; ; To teach thee, I am naked first ; why then,
What needst thou have more covering than a man?

John Donne (1572-1631)

Este é um dos meus poemas preferidos ever e eu ofereço para todos.
Eu queria pedir que, por favor, os amigos me perdoassem se não os estou visitando constantemente, ou se nem os estou visitando. Não gosto de cultivar imagem de coitadinha, mas as coisas por aqui não estão bem, estou muito cóf.. cóf… e às vezes falo – como diz a Rose Marinho Prado. essa moça que se vocês não lêem o blog dela então, tadinhosss, nem sabem o que estão perdendo: eu por exemplo , que estou quase centenária, desde o tempo do Império não via alguém citar o Spengler;-00 hohoho ) – com alguma dificuldade e muita ‘chiadeira’, com poucas almas piedosas, pelo telefone. Obrigada. Às vezes nem isso, ou deixo de retribuir e-mails, cartões e telefonemas. Por favor, perdoem a coitadinha tísica, OK? Oh gente é tempo de Natal Ano Novol, perdão, paz e coisa e talz, certo? (Só lembro que, imaginem, pelo calendário azteca ou maia está previsto pra tudo terminar em 2012 portanto, nada de paz e amor só agora , certo?

Bem, para que todos possam desfrutar di questo belíssimo Poema, coloco também a tradução em português, feita por Augusto de Campos – execrado – isso mesmo, pelo Lord Broken Pottery, meu querido Amigo, o escritor Ricardo (Ramos) Filho . E esta, Lord? Para mim: simplesmente, uma das melhores que ele já fez. Diga lá! ;-)
E vai um beijo especial para minha querida Drang und Sturm: Denise.

………..ELEGIA: INDO PARA O LEITO

VEM, Dama, vem, que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu Anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

; ; ;Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo
; ; ;Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo)
sem Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
Ë dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.

; ; ;Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

Johnn Donne, traduzido/recriado por Augusto de Campos. In: Campos, Augusto de (1931- ). S. Paulo, Companhia das Letras, 1986 .

Ana Vidal, Poesia: Presente!


Ana Vidal. Poeta e poetisa (em breve saberão porque faço esta diferença que não difere nada, acopla duas formas de lidar com a Poesia) é também escritora, cronista, letrista, sim, faz, e muito bem, letras de música (lyrics); e ainda, quando ninguém está a olhar, ela se transforma em legião;-) e faz-se espantosamente conhecedora da Poesia brasileira.

Bem, na verdade , Ana nos faz corar por conhecer tanto da Poesia – a grande e majestosa Poesia – que se faz no Brasil. “Conhecemo-nos” a quando da morte da capixaba Marly de Oliveira, uma das grandes , das maiores Poetas brasileiras modernas – que, casualmente, por acaso, era mulher de João Cabral de Melo Neto. (Tinha cacife poético para as duas coisas!) . Ora, ora, ora, eu só poderia mesmo ficar muitíssimo bem impressionada. Pois se nem maior parte dos brasileiros nem er..”poetas” a conheciam!!!!

E Ana é jornalista –  e publicitária, redatora de publicidade, e – cansem e descansem – também roteirista (em Portugal chama-se a isso de *guionista* – como eu só sabia ser em espanhol) e virem essa boca pra lá, ela é das melhores blogueiras – em Portugal, parece – chamam *bloguistas, pessoas que fazem blogagens… ah! essa(s) nossa(s) língua(s) – que termos, cujo texto é de fato *texto* e não… bom, é um ótimo texto;-) . Seu blog PORTA DO VENTO é simplesmente delicioso.

Sim, eu adoro, ela possui um humor gostosíssimo mas nossa miúda portuguesa nos mata de agonia: Quando virá lançar seus livros no Brasil? Tanta gente me pergunta. Eu não sei. Vou logo aviando que não sei. E já que estou neste (des) interessante estado ela bem que podia dizer para mim. Afinal “informação privilegiada” é do que sempre viveu o Sub Rosa.
A poesia é para comer_ana_vidal.jpg

Sei e saibam todos, porém, que Ana Vidal é autora dos seguintes livros: “A Poesia é para comer” em que – idéia maravilhosa e original, junta, a partir de referências gastronômicas, poetas e receitas culinárias na mais mais bela entre as mais belas regras da arte. Destaque especial para os poetas brasileiros com João Cabal de Melo Neto (!), Hilda Hist, Ferreira Gullar, Astrid Cabral, Leminski, Thiago de Melo e Alice Ruiz e outros maravilhosos. É nahm e yummy ver os poemas e acepipes. Mas, além dos poetas portugueses, há os poetas lusófonos – como de S. Tomé e Príncipe e Goa. O título como todos (não) sabem é extraído do último verso de um poema da extraordinária Natália Correia, ativista que essa sim todos conhecem. E se não conhecerem sempre vale a pena conhecer.
“Ó subalimentados do sonho/
A poesia é para comer.” (*)
Este livro de Ana ganhou o Gourmand World Cookbook Award 2007, para o melhor livro português na categoria de Best Food Literature Book.

ana_vidal_sedaeaco.jpg
Já o outro livro de Ana Vida – cronologicamente o primeiro, é o delicado e forte SEDA e AÇO.

Neste, o registro é a subjetividade iluminada. A musicalidade é, sobretudo, mais sentida nos intervalos: é um estar-quase, um estar-entre si própria e as lembranças. Lindos tons entre o que é e acaba não sendo sem que se deixe de capturar o ser. Como num rapto.
Ana é perfeita perita das manobras de sensibilidade. É Poeta esta poetisa. Brava, bravissima Ana!
Colocarei aqui um ou dois poemas para que vejam e sintam.
Mais não posso dizer, afinal que posso eu dizer mais da Beleza com que Ana harmoniza tons e nos faz reféns, se o livro é apresentado por ninguém menos que Vasco Graça Moura?

Certamente falarei mais de Ana Vidal e de seu outro livro Gente do SUL, um livro belo belo, em post posterior (viram? Not bad : Bandeira e uma aliteração). Por ora, fiquem com dois poemas que escolhi de SEDA E AÇO.

UM NUNCA MAIS DE NÓS

Abraça-me
que eu sinto que se esboça já
na tua voz
um nunca mais de nós

No teu sorriso
há sombras de cansaço
há sinais de aviso
As cinzas, o fracasso
deste paraíso

Abraça-me
mas não digas as frases rituais:
Que é o melhor
Que outros braços virão
trazer-me mais calor
Que outros beijos farão
esquecer o teu sabor

Porque terás razão
uma vez mais….

CICLO

Do corpo
ficou o cheiro.
Do cheiro
a memória.
Da memória
o desejo.
Do desejo
a fantasia.
Da fantasia
o corpo.

Mais Ana Vidal: aqui e em seu Site Oficial.

♣ ♦ ♣

A Defesa do Poeta por Natália Correia

♣ ♦ ♣
Amália, the Great, cantando, não, não, divinizando SUMERTIME. Aqui;-). Clique para ouvir.

CHARLOT – 30 anos sem…

charlot.jpg

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes, a vida será de violência
e tudo será perdido.

Charles Spencer Chaplin

(16 abril 1889-25 dezembro 1977)

GRAMATOLOGIA; Livro de Artista; livro-objeto; e, incidentalmente, elogios críticos

amir_britto_cador

Este é um post in progress, como quase todos os que faço. Sei exatamente o que quero fazer, mas também sei que envolve muita coisa por acréscimo, que pode ou deve ser dita ou não: como a questão de vivermos numa sociedade em que as pessoas lidamos mal ou *NÃO* sabemos ser elogiadas. Em conversas com amigos, professores, críticos ou não, chego mesmo a dizer que ao receber uma “constatação elogiosa” sentimo-nos como desnudadas, expostas ao frio. O insulto parece ser muito mais bem recebido ou pelo menos recebido de modo menos desconfortável do que *a enunciação de algo agradável* a respeito da criação, obra ou objeto da autoria de alguém. E é fácil explicar isso: ao insulto sabemos como revidar. Ou falando ou desqualificando quem fala. Paradoxalmente – e aí reside o melhor da reflexão – esta mesma sociedade é aquela que não aceita críticas. Nem poucos encômios. Leia mais deste post

Um presente (muito, muito) especial

roseisameg.jpg

P’ssoas queridas.

Olhem só:

Mirem e vejam:

Recebi, eu, euzinha, recebi:
“Acho que isto aqui merece ser compartilhado: http://oglobo.globo.com/cultura/info/niemeyer
E já me adianto: um lindo Natal e um ano novo do tamanho dos seus sonhos!”
Como eu guardo ciosamente os meus presentes, perdoem-me não ‘declinar’ o nome de quem presenteia;-) a maravilha, e mais os best wishes.
Deixo aqui, além da alegria da partilha e do presente, uma reflexão que estou começando a apre(e)nder:

” Conservo meus amigos da mesma forma que os avarentos cuidam de seus tesouros, porque, de todas as coisas que a sabedoria pode nos proporcionar, nenhuma é maior ou melhor do que a Amizade.

Pietro Aretino Leia mais deste post

Para dizer obrigada e (re)confirmar uma paixão.

Woman and Cats

This woodcut, entitled Woman and Cats, was created by American printmaker Will Barnet.The elegance of the cats in this work recalls the “good old days” in Egypt when humans thought we were divine.

[1962, Will Barnet, Woman and Cats, woodcut printed in color

*

Two cats
One up a tree
One under the tree
The cat up the tree is he
The cat under the tree is she
The tree is a witch elm, just incidentally.
He takes no notice of she, she takes no notice of he
He stares at the woolly clouds passing, she stares at the tree.
There’s been a lot written about cats, by Old possum, Yeats and Company
But not Alfred de Musset or Lord Tennyson or Poe or anybody
Wrote about one cat under, and one cat up, a tree.
God knows why this should be left for me
Except I like cats as cats be
Especially one cat up
And one cat under
A witch elm
Tree.

 

– Ewart Milne

Stuffs, adorable stuffs – notes. Os agradecimentos.
1- Com a delicadeza dos gatos que amo profundamente, os que me conhecem um pouquinho sabem, eu quero agradecer a uma das pessoas mais especiais, a quem admiro muito e tive a sorte de “conhecer”… apresentada pelo meu querido Amigo Nelsinho – que é chique a não mais poder, diga-se). Dela eu tenho tido Leia mais deste post

MARCIO MONTARROYOS – (R.I.P) (Upadated)

mmomtarroyos.jpg

Ainda ontem, com a gripe infernal que assola o meu país, digo o corpo, a cabeça e a respiração, e a garganta e tudo mais, eu o ouvi , no disco “ESSA MULHER” da Elis Regina, um dos meus preferidos.
Afora os discos-solo.
Agora isso.
Triste, muito triste.
********

P.S. Bom, pelo menos – se é que se pode dizer assim, pelo menos, isso. Que, aliás, é muito lindo!
UPDATE mais que importante:

Obrigada, querido Fausto Rego. Se não é você, nem sei…:)

Então, vamos ouvir Marcio Montarroyos.
Uma de suas primeiras interpretações que o tornou muito conhecido na década de 70, um som belíssimo:

Um ótimo resumé (você pode colaborar para ficar melhor ainda) aqui: Marcio Montarroyos

=-=-=

E fica este link de presente. Answers.com