O aniversário do Rei, ainda

elvis king creole

Vem cá eu esqueci o dia do aniversário de Elvis? Logo ele que, como eu,  não morreu?

Bem, esquecer não esqueci- eu estava no estaleiro -, mas sempre é tempo de lembrar, afinal as comemorações dos 75 anos continuam.

Olhem aqui, matéria do Marcio Ferrari.

Bem, então esta é a minha homenagem (pífia, eu sei) para o Rei: Na foto, ele, autografando, e os fãs nas locações de seu filme (ou melhor, de Michael Curtiz) – veja tudo aqui e muito mais aqui) King Creole,  1958. Elvis lindão e já servindo  o Exército (?) americano.

Algumas curiosidades a respeito [bem este é um *pspqg*. Ou seja, só para quem gosta:-). E eu curti muito fazer este post.]:

*uma das partners de Elvis, Dolores Hart, não é que virou freira??!!! (sabia dessa, Carlos Eduardo?) e é a única freira que tem direito a voto, no  Oscar ©.

* o filme tem um encanto particular para mim: nele, atua o unsung Walther Mattau, (não,  não que eu seja da época dele hohoho, mas adoro). Amo os filmes dele, todos, mas especialmente os que fez com Jack Lemmon, aliás um dos meus filmes preferidos, depuis toujours, é o The Odd Couple, quem não viu não sabe o que está perdendo, é uma lacuna im-per-do-á-vel na biografia de qualquer cinéfilo hohoho, de novo. Corra, corra para a locadora., e depois me diga. Dipressa:-)

* ah! e sabia que no filme, originalmente, o papel de Danny Fisher era para James Dean? E que seria um boxeador, e quando o Elvis *levou* o papel, o personagem virou cantor?

* este filme é considerado por muuuita gente boa, o melhor filme de Elvis. E a trilha sonora, uma das melhores, também

Pois é, e tem mais:-), mas isso eu vou deixar que você descubra se é você é um dos qg.

FIONA APPLE

Deixo hoje, para um domingo mais feliz, esta música – Why  try  to change me now,  do outstanding  Cy Coleman, que adoro.

Divido com todos e dedico a meu good friend and noble Lord Broken-Pottery, cujo gosto musical quase sempre coincide com os meus. Espero que esta também coincida, com Fiona Apple.

Boa semana a todos!

Amor condusse noi ad una morte

Quando o olhar adivinhando a vida
prende-se a outro olhar de criatura
o espaço se converte na moldura,
o tempo incide incerto sem medida.

As mãos que procuram ficam presas,
os dedos estreitados lembram garras
da ave de rapina quando agarra
a carne de outras aves indefesas.

A pele encontra pele e se arrepia,
oprime o peito o peito que estremece,
outro rosto desafia.

A carne entrando a carne se consome,
suspira o corpo todo e desfalece
e triste volta a si com sede e fome.

PAULO MENDES CAMPOS
(Belo Horizonte, 28 de fevereiro de 1922 — Rio de Janeiro, 1 de julho de 1991)

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1- Este soneto foi concebido em prosa. A divisão é minha seguindo o ritmo da ilocução. É o que mais (me) impressiona em Paulo Mendes Campos, o arrojo inventivo. Além de ele ser grande poeta, é claro. Que foi também cronista, contista, jornalista, redator de publicidade (propaganda), funcionário público (IPASE),  diretor da Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, entre outras ocupações. Foi também um grande tradutor tanto de prosa quanto de poesia. Foi um dos quatro cavaleiros da crônica apocalíptica, juntamente com Hélio Pelegrino, Otto Lara Resende e Fernando Sabino.
Alguns amigos meus acham que ele foi o primeiro blogueiro brasileiro:-). Eu concordo.

RIMANCETE

RIMANCETE

À dona de seu encanto,
à bem-amada pudica,
Por quem se desvela tanto,
Por quem tanto se dedica,
Olhos lavados em pranto,
O seu amante suplica:

-O que me darás, donzela,
Por preço do meu amor?
Dou-te os meus olhos (disse ela),
Os meus olhos sem senhor…
– Ai não me fales assim!
Que uma esperança tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço do meu amor?
Dou-te meus lábios (disse ela),
Os meus lábios sem senhor…
– Ai não me enganes assim,
Sonho meu! Coisa tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
-__ Dou te as minhas mãos (disse ela),
As minhas mãos sem senhor
– Não me escarneças assim!
Bem sei que prenda tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
Dou-te os meus peitos (disse ela),
Os meus peitos sem senhor…
– Não me tortures assim!
Mentes! Dádiva tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
Minha rosa e minha vida…
Que por perdê-la perdida,
Me desfaleço de dor…
– Não me enlouqueças assim,
Vida minha! Flor tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela?…
Deixas-me triste e sombria,
Cismo… Não atino o quê…
Dava-te quando podia…
Que queres mais que te dê?

Responde o moço destarte:
– Teu pensamento quero eu!
Isso não… não posso dar-te…
Que há muito tempo ele é teu…

MANUEL BANDEIRA. Ritmo Dissoluto.In: BANDEIRA. Manuel Carneiro de Souza BANDEIRA Filho) *Estrela da Vida Inteira *; poesias reunidas e poemas traduzidos). Introdução de Gilda e Antônio Cândido. Estudos de Otto Maria Carpeaux. Edição Comemorativa do Centenário de Nascimento do Bardo (1886-1986). Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1986 .

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ADAO ITURRUSGARAIA

Para o fim de semana:

mulhrt ideal

Tenho essa tira há tempos e tempos (é tira que se diz?) Mas agora sei que o Adao fica aqui.

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O assassino era o escriba

PAULO LEMINSKI (*)

Uma observação antes do texto:

Leminski, como podem ver, foi um dos mais cultos escritores brasileiros. Teve uma vida intelectual tão intensa quanto variada. Além de poesia e ficção,  foi biógrafo (Leon Trotski – a revolução segundo a paixão), traduziu obras de Yukio Mishima, Samuel Becket, John Lennon, John Fante, Ferlinghetti, James Joyce e outros. Foi também compositor e letrista, trabalhou com Itamar Assumpção e Caetano Veloso entre outros. Foi seminarista, comunista e cristão. Professor de ‘cursinho’ lecionava história e português. (E, como ninguém deixa esquecer, era faixa preta de judô). Não obstante, há muita gente que ‘torce o nariz’ quando se fala nele, quando se menciona Paulo Leminski.

No meu entender, isto se dá, porque ficou mais conhecido pelos poemas breves e por textos leves, irônicos, fragmentados. Textos poéticos, sim, mas sempre flertando com a “brincadeira“. Chegou a dizer, certa vez, em uma conferência que “precisamos recuperar o sentido de brincar“. Dizia que no próprio uso da palavra fica muito claro o sentido depreciativo: *brincar* é coisa de criança num mundo em que a criança tem pouco valor. Quando alguém quer se referir a uma coisa séria, importante, sempre diz “fora de brincadeira” ou “acabou a brincadeira“.

Exatamente por isso, porque a leveza, a (palavra) brincadeira desautoriza uma ação e remete a um ato infantil, penso que o nome Leminski ficará, cada vez mais, associado pelas mentes de hoje, seus pósteros, a um poeta mediano que produziu apenas uma poesia atomizada. Mas Leminski , em minha opinião, escreveu o fácil, porque é exatamente o mais difícil.E porque ele tendo feito uma obra densa, sentia-se em plena liberdade para escrever o que quisesse.

O texto que apresento é um desses. Leve . Despretensioso. No final, vemos que é ótimo. Fora de brincadeira :-)

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O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida, regular como um paradigma da 1a. conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia matei-o com um objeto direto na cabeça.

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Do livro Caprichos & Relaxos
Coleção Cantadas Literárias. Ed. Brasiliense.

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(*) Clique no link.

Sub rosa: Axiomas

Agora em meu retorno, após quase um ano no estaleiro, me vem uma sensação em que creio que não tenho mais ou quase não tenho mais nada a dizer em blog. Os blogs agora parecem fora de moda, depassés, exceto os de política ou os corporativos.
Isso merece um post: *para que serve um blog, after all?*(***)
Vejo uma quantidade imensa de blogs que eram meus favoritos e que ao se chegar lá há uma mensagem : “aberto exclusivamente a leitores convidados”, beijomeliga. Pfui! Triste! afinal o que  eu posso fazer pra ser convidada? Eles nem vão saber que eu fui lá:-( . Lembro  o  grande Groucho Marx:  “Não entro pra clube que me aceita como sócio”…
Então, fico chupando o dedo, imaginando que meu tempo (o tempo do blog) passou. É como diz na missa: ‘felizes os convidados par a ceia do Senhor’.
Volto cabisbaixa. E vou me queixar à Magaly que tem uma percepção muito correta do que acontece e do que deixa de acontecer:-)
Insisto, porém – já que estou alegre e cheia de vida (e cheia de amor pra dar, hoho) – pelo menos por algum tempo, nos meus poemas, nas minhas rosas e fico com a leve impressão de quando eu deixar de fazer o Sub Rosa, já vou tarde, como diria o Chico, na canção.
Me voilà:

AXIOMAS
Orides FontelaSempre é melhor
saber
que não saber

Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer

Sempre é melhor
desfazer
que tecer

Sem mão
não acorda
a pedra

sem língua
não ascende
o canto

sem olho
não existe
o sol .

Orides Fontela (São Paulo, 1940- 1998)
P.S. Não deixem de ler o artigo do também Poeta Donizete Galvão no mesmo site.
Infelizmente, esgotadíssimo, a Livraria Duas Cidades editou a obra completa de Orides, na admirável coleção “Claro Enigma”

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That is it.

***Em tempo, ainda em tempo:
Fui visitar o querido  Lord Broken Pottery e lhes digo, esqueçam tudo o que eu disse acima. Vim de lá a tal ponto tocada que  só posso, sem palavras, recomendar que leiam aqui:

Maria Guimaraes Sampaio

e aqui:

Alguém escreveu

Toques de encantarias. Alumbramento.