O que mais devo fazer ou esperar

…  para poder continuar escrevendo e publcamdo neste blog há mais de 10 anos?

Minha senha nunca é recebida e está correta

Mweu Deus, eu nunca sei qual é minha senha. Vamos resolver isso de uma vez por todas. Agora!

 

Crítica & Críticos

Acabo de receber uma preciosidade: o livro de AFRÂNIO COUTINHO, um dos maiores e proeminentes críticos brasileiros.

Minha curiosidade rivaliza  o conhecimento e  aguça  a vontade de saber como se constituiu a crítica literária _à época , especialmente –  mas não nego que quero saber demais a respeito do panorama polêmico que reinava à sua época.  Nada mais, nada menos do que  Alvaro Lins.  Sim, sim: ainda não havia os “resenhistas”, Volto assim que tiver algo “publicável”.

Por enquanto, deixo para quem se interessar, uma visita a este endereço:

goo.gl/RPy5Gm

Algarismos, números e nomes

Machado de Assis – 15 de Agosto de 1876

Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.

Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:

– Quando uma constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.

A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:

– A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, – por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.

Replico eu:

– Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições …

– As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.

E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

Referências:

‘ – ASSIS, Machado. Analfabetismo. In: Crônicas Escolhidas. São Paulo: Editora Ática S.A, 1994.

2 – Ver também: goo.gl/1zBqUt

Números e nomes

A frase é de Machado de Assis:

Machado de Assis – 15 de Agosto de 1876

Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.

Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:

– Quando uma constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.

A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:

– A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, – por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.

Replico eu:

– Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições …

– As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata.

E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

 

Referência

ASSIS, Machado. Analfabetismo. In: Crônicas Escolhidas. São Paulo: Editora Ática S.A, 1994.

Antologia da maldade: Um dicionário de citações, associações ilícitas e …

Por Gustavo H. B. Franco

Groucho Marx

https://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2017/08/19/40-anos-depois-de-sua-morte-groucho-marx-segue-como-referencia-de-comedia.htm

40 anos depois de sua morte, Groucho Marx segue como referência de comédia

Reprodução/Telegraph

Groucho MarxImagem: Reprodução/Telegraph

Helen Cook

De Nova York

19/08/2017 08h32

O mundo do cinema e da comédia completa 40 anos sem o gênio Groucho Marx, que com seu humor sagaz e o seu empenho em denunciar a hipocrisia da sociedade se tornou uma das figuras mais marcantes do século XX.

Em 19 de agosto de 1977, aos 86 anos de idade, Goucho morria em uma clínica de Los Angeles devido a uma pneumonia, mas deixou como legado atuações e frases satíricas que o transformaram em uma lenda do mundo do entretenimento.

Uma de suas entrevistas mais conhecidas foi a que ele afirmou que queria que inscrevessem em sua lápide: “Perdoe-me por não me levantar”, um desejo que nunca se concretizou.

Apesar da sua morte há quatro décadas, a figura de Groucho continuou muito presente na cultura popular, e seus característicos óculos, nariz, charuto e bigode se transformaram em um ícone da comédia.

Nos últimos dias, milhares de pessoas prestaram homenagens ao ator nas redes sociais escrevendo suas frases mais conhecidas, como “Desculpem-me se os chamo cavalheiros, é que não os conheço muito bem” e “Em quem você vai acreditar? Em mim ou em seus próprios olhos?”.

Nascido em 2 de outubro de 1890 em Manhattan, Julius Marx foi o quarto dos seis filhos de Sam Marx e Minnie Schonberg, imigrantes judeus, e o mais jovem do trio cômico “Os Irmãos Marx”, completado por Leonard, que adotou o nome de “Chico”, e Arthur, que era chamado de “Harpo”.

Ainda que as ambições de Minnie Schonberg os tenham levado aos palcos desde a adolescência, Groucho só se tornou famoso após a formação dos “Irmãos Marx”, inicialmente nos teatros da Broadway, onde os três se consolidaram como grandes estrelas da comédia.

Quando gravou o primeiro dos 13 filmes dos “Irmãos Marx”, “Hotel da Fuzarca” (1929), o trio já era bem conhecido.

Em seus 86 anos de vida, Groucho não só participou de 26 filmes, mas também criou gosto pela literatura. Escreveu cinco livros e fez amizade com romancistas como T.S Elliot e Carl Sandburg.

Notável também foi sua simpatia pelo cineasta Woody Allen, sobre quem chegou a dizer que era “o melhor”.

“Dizem que Allen pegou coisas dos ‘Irmãos Marx’. Não pegou nada. Talvez há 20 anos tenha se inspirado, mas hoje é original. O melhor, o mais engraçado”, disse em uma entrevista ao crítico de cinema Roger Ebert.

A posição que alcançou e o seu caráter indomável o permitiram rejeitar trabalhos com grandes ícones do cinema como Federico Fellini, considerado um dos melhores diretores da história.

Muito conhecida também foi a sua reação ao convite para fazer parte do exclusivo clube de comediantes “Friars Club of Beverly Hills”, respondendo com um taxativo “me recuso a entrar para qualquer clube que me aceite como membro”.

Outro atrevimento que refletiu perfeitamente seu caráter irreverente foi o de dançar sobre o bunker em que Adolf Hitler se suicidou no verão de 1958, quando Groucho viajou para a Alemanha para visitar o país natal da sua mãe, de família judia.

Apesar de suas conquistas, Groucho Marx, que se casou e se divorciou três vezes, sempre conservou o humor ácido que o fez ver a vida com um realismo extremo.

“Sucesso? O segredo do sucesso está na sinceridade e na honestidade. Se for capaz de simular isso, você o alcançará”, disse em uma de suas frases mais célebres.

Sejamos delicados.

Como  Vinícius de Moraes em sua Elegia  ao primeiro amigo.

Elegia ao primeiro amigo

Seguramente não sou eu
Ou antes: não é o ser que eu sou, sem finalidade e sem história.
É antes uma vontade indizível de te falar docemente
De te lembrar tanta aventura vivida, tanto meandro de ternura
Neste momento de solidão e desmesurado perigo em que me encontro.
Talvez seja o menino que um dia escreveu um soneto para o dia de teus anos
E te confessava um terrível pudor de amar, e que chorava às escondidas
Porque via em muitos dúvidas sobre uma inteligência que ele estimava genial.
Seguramente não é a minha forma.
A forma que uma tarde, na montanha, entrevi, e que me fez tão tristemente temer minha própria poesia.
É apenas um prenúncio do mistério
Um suspiro da morte íntima, ainda não desencantada…
Vim para ser lembrado
Para ser tocado de emoção, para chorar
Vim para ouvir o mar contigo
Como no tempo em que o sonho da mulher nos alucinava, e nós
Encontrávamos força para sorrir à luz fantástica da manhã.
Nossos olhos enegreciam lentamente de dor
Nossos corpos duros e insensíveis
Caminhavam léguas – e éramos o mesmo afeto
Para aquele que, entre nós, ferido de beleza
Aquele de rosto de pedra
De mãos assassinas e corpo hermético de mártir
Nos criava e nos destruía à sombra convulsa do mar.
Pouco importa que tenha passado, e agora
Eu te possa ver subindo e descendo os frios vales
Ou nunca mais irei, eu
Que muita vez neles me perdi para afrontar o medo da treva…
Trazes ao teu braço a companheira dolorosa
A quem te deste como quem se dá ao abismo, e para quem cantas o teu desespero como um grande pássaro sem ar.
Tão bem te conheço, meu irmão; no entanto
Quem és, amigo, tu que inventaste a angústia
E abrigaste em ti todo o patético?
Não sei o que tenho de te falar assim: sei
Que te amo de uma poderosa ternura que nada pede nem dá
Imediata e silenciosa; sei que poderias morrer
E eu nada diria de grave; decerto
Foi a primavera temporã que desceu sobre o meu quarto de mendigo
Com seu azul de outono, seu cheiro de rosas e de velhos livros…
Pensar-te agora na velha estrada me dá tanta saudade de mim mesmo
Me renova tanta coisa, me traz à lembrança tanto instante vivido:
Tudo isso que vais hoje revelar à tua amiga, e que nós descobrimos numa incomparável aventura
Que é como se me voltasse aos olhos a inocência com que um dia dormi nos braços de uma mulher que queria me matar.
Evidentemente (e eu tenho pudor de dizê-lo)
Quero um bem enorme a vocês dois, acho vocês formidáveis
Fosse tudo para dar em desastre no fim, o que não vejo possível
(Vá lá por conta da necessária gentileza…)
No entanto, delicadamente, me desprenderei da vossa companhia, deixar-me-ei ficar para trás, para trás…
Existo também; de algum lugar
Uma mulher me vê viver; de noite, às vezes
Escuto vozes ermas
Que me chamam para o silêncio.
Sofro
O horror dos espaços
O pânico do infinito
O tédio das beatitudes.
Sinto
Refazerem-se em mim mãos que decepei de meus braços
Que viveram sexos nauseabundos, seios em putrefação.
Ah, meu irmão, muito sofro! de algum lugar, na sombra
Uma mulher me vê viver… – perdi o meio da vida
E o equilíbrio da luz; sou como um pântano ao luar.

***
Falarei baixo
Para não perturbar tua amiga adormecida
Serei delicado. Sou muito delicado. Morro de delicadeza.
Tudo me merece um olhar. Trago
Nos dedos um constante afago para afagar; na boca
Um constante beijo para beijar; meus olhos
Acarinham sem ver; minha barba é delicada na pele das mulheres.
Mato com delicadeza. Faço chorar delicadamente
E me deleito. Inventei o carinho dos pés; minha palma
Áspera de menino de ilha pousa com delicadeza sobre um corpo de adúltera.
Na verdade, sou um homem de muitas mulheres, e com todas delicado e atento
Se me entediam, abandono-as delicadamente, desprendendo-me delas com uma doçura de água
Se as quero, sou delicadíssimo; tudo em mim
Desprende esse fluido que as envolve de maneira irremissível
Sou um meigo energúmeno. Até hoje só bati numa mulher
Mas com singular delicadeza. Não sou bom
Nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado
Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida
Como um lobo. Se não fosse delicado
Já não seria mais. Ninguém me injuria
Porque sou delicado; também não conheço o dom da injúria.
Meu comércio com os homens é leal e delicado; prezo ao absurdo
A liberdade alheia; não existe
Ser mais delicado que eu; sou um místico da delicadeza
Sou um mártir da delicadeza; sou
Um monstro de delicadeza.
***
Seguramente não sou eu:
É a tarde, talvez, assim parada
Me impedindo de pensar. Ah, meu amigo
Quisera poder dizer-te tudo; no entanto
Preciso desprender-me de toda lembrança; de algum lugar
Uma mulher me vê viver, que me chama; devo
Segui-Ia, porque tal é o meu destino. Seguirei
Todas as mulheres em meu caminho, de tal forma
Que ela seja, em sua rota, uma dispersão de pegadas
Para o alto, e não me reste de tudo, ao fim
Senão o sentimento desta missão e o consolo de saber
Que fui amante, e que entre a mulher e eu alguma coisa existe
Maior que o amor e a carne, um secreto acordo, uma promessa
De socorro, de compreensão e de fidelidade para a vida.

Rio de Janeiro, 1943

Vinícius de Moraes

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