Vivina de Assis Viana: ‘Será que estou lendo o que estou lendo?’

Será que estou lendo o que estou lendo?

“Nos últimos tempos, com uma frequência que eu gostaria que fosse menor, tenho me perguntado se realmente estou lendo o que estou lendo. Ou ouvindo o que estou ouvindo… Explico: às vezes, é tudo tão absurdo, tão irreal, que fico pensando que minha mãe, que me alfabetizou – à noite, na cozinha da fazenda –, não trabalhou direito. Ensinou errado. […]
“Li, nos jornais diários, que uma professora de Belo Horizonte, justamente da UFMG, enviou um parecer ao MEC sugerindo que o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, não seja distribuído nas escolas públicas, por induzir ao preconceito.” […]
“Literatura não é coisa que chega pronta, nunca foi. É uma linha de pensamento que nasce no autor e atinge, na outra ponta, o leitor. Não passivamente. Pensativamente. Discordando, questionando, indagando. Até concordando, por que não?[..]” Leia mais deste post

Coda – Vivina de Assis Viana escreve…

Quando fiz a consulta às pessoas que mais admiro na blogosfera  acerca de Graciliano Ramos, soube logo que seria imprescindível consultar a consagrada escritora Vivina de Assis Viana, que conheci há bastante tempo através dos livros que li (eu e Regina Alves, professora da UFPa e minha melhor amiga) e que como mágica, vi aparecer – um dia! –  em letra e espírito, nas caixas de comentários de vários blogs amigos, em especial a do Lord Broken Pottery.
Enlevada, magnetizada e com a excitação de quem vê um(a) deus(a) do Olimpo se materializar,  escrevi à Regina, e logo iniciamos um contato por email. A freqüência dependia das viagens que Vivina faz grande parte do tempo para a fazenda que possui no interior das Minas Gerais. E, claro, de suas (muitas) ocupações.

Quando enviei as peguntas às quais Vivina respondeu com o estilo elegante de sempre, trocamos um breve comentário. Claro que como sou “saída, apresentada e saliente” , tudo  culminou hoje com a publicação de um texto que Vivina de Assis Viana escreveu  es-pe-ci-al-men-te para o Sub Rosa (conheceram, er…queridos? ;-)

Então, em grande estilo, a coda (excelsa conclusão) à homenagem a Graciliano Ramos, ao seu filho e ao seu neto.  Uma família dinástica.
Fiquem com ela . Primeiro as respostas, o que facilmente se encadeia com o texto especialíssimo.  Obviamente, palmas ao final:-)

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano …
Se você se refere a contato pessoal, não tive, infelizmente não o conheci.
Conheci Ricardo Ramos, filho dele, que entrevistei quando fiz, para o Jornalivro, um trabalho sobre o pai. Isso deve ter sido em 71, 72.
Se você se refere a contato literário, eu o conheci cursando a faculdade de Letras, em Belo Horizonte, anos sessenta. O primeiro livro dele que li foi São Bernardo, que nunca mais esqueci. Até hoje é o livro de que mais gosto, daqui ao fim do mundo.

2-Acha que o texto dele é de difícil leitura (leitura “difícil”)
Não, de forma alguma. Trata-se, isso sim, de um texto elaboradíssimo. De uma concisão e de uma simplicidade resultantes de muito trabalho e muito talento.
Afinal, escrever “fácil” é que é “difícil”.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
O que seria um autor popular?
Ser lido, conhecido pela maior parte da população? Se for isso, não.
Escrever sobre seu povo, denunciar, descrever, lutar com palavras e idéias? Se for isso, sim.
Ser conhecido, lido e respeitado por professores, escritores, intelectuais em geral? Se for isso, claro que sim.
Não, Graciliano não é freqüentemente citado/lembrado, mas deveria. Como sonhar não é proibido, sonho com o dia em que isso aconteça, com justiça e propriedade.

Fui – e sou – amiga da família, sim. Família muito afetuosa, muito generosa quando se trata de sentimentos. Sempre me senti bem entre eles e, como disse, eu os conheci por causa de meu primeiro trabalho sobre o Graciliano.
Quem dirigia o
Jornalivro era o Roberto Freire, que me sugeriu conversar com o Ricardo – que eu não conhecia – sobre o pai. Roberto soube que eu gostava do Graciliano, essas coisas.
Pois bem:conheci o Ricardo na agência McCann-Ericsson , ele era o diretor. Conversamos após o expediente, ficou tarde, ele me sugeriu continuarmos outro dia, na casa dele, à noite.
O outro dia virou outros dias, muitos, todos.
Conheci Marise, a mulher, os filhos Ricardo e Rogério, adolescentes, Mariana, oito/nove. Depois conheci D. Heloisa, pessoa maravilhosa, avó homenageada – com razão – nas histórias do
Caco.(*)
Começamos a conviver, nunca mais paramos. Almoços, jantares, ora em casa deles, ora na nossa, papos sem fim, meus primeiros textos, meus filhos nascendo, visitas na maternidade, aniversários, casamentos dos filhos dele, ah, quanta convivência enriquecedora.
Mais tarde, 78, quando eu estava grávida do segundo filho, Bernardo, fui convidada pra escrever o volume Graciliano Ramos para a coleção Literatura Comentada, da Abril Cultural.
O livro ficou legal, D. Heloisa gostou muito, os afetos cresceram.
Nos anos 80, Ricardo me convidou pra trabalhar com ele na Fundação Nestlé de Cultura, onde ele coordenava a Bienal Nestlé de Literatura Brasileira.
Daí pra frente, você já sabe:
Ricardo Filho, o Caco, começou a escrever, Ricardo pai me mostrou os originais, me entusiasmei, você sabe.
De todos os escritores, Graciliano é o que eu mais gostaria de ter conhecido. ( Entre os cantores, meu sonho tá realizado: conheço o Paulinho da Viola).
Como não aconteceu – ele faleceu em 53, eu tinha treze anos, no interior mineiro – sinto que, através destes descendentes tão queridos, pude conhecer um pouco – ao menos um pouco – mais do escritor talentoso que os livros sempre me mostraram.
Conheci um pouco mais do pai por inúmeras conversas com Ricardo, e por algumas outras, poucas, como Luísa, irmã dele que mora na Bahia, e que eu encontrava em festas, casamentos, um Natal.
Conheci um pouco do companheiro por muitas conversas com D. Heloisa que, sentindo o fervor de minha admiração, contava casos dele, deles, se revelava, me enriquecia.
Conheci um pouco do sogro, e não me esqueço de Marise me dizer que ele queria vê-la vestida de noiva, mas não podia, estava mal, hospitalizado. Pois o casal foi ao hospital, e a noiva foi considerada linda pelo sogro emocionado, que se iria logo depois.”

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Vivina, coisas como essa a gente não consegue expressar, não se abarca com as mãos e nem com as palavras, como disse um admirador de Graciliano Ramos, o J.G.R. o que você escreveu é “puro brilho de estrelas”.

Podria haver conclusão mais bela, melhor, para  um trabalho?  Fico muito honrada e agradecida.  No fim das contas esse trabalho todo foi tecido com o etéreo estado de graça que dominou todas pessoas envolvidas. Eu apenas uni os fios da tessitura.

Todas as flores do mundo para você, e muitas músicas de Paulinho da Viola (preferência nacional, espero) .Obrigada, Vivina.

World AIDS Day: December 1, 2007

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SANDRA BREA morreu no dia 5 de maio de 2000, vítima da AIDS. Mas morreu mesmo de câncer do pulmão.

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QUAL A SUA ATITUDE?  Clique e leia



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SOCIEDADE VIVA CAZUZA
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THE RED CAMPAING ou simplesmente RED,  porque esse problema também é seu:

É NOSSO!

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Queridos: Attention, please, apenas duas coisas, mas muito importantes:
1- Desde o ano 2001, quando começou pioneiríssimo na Internet, o movimento LINK THINK e que durou até 2003 – o Sub Rosa (e, claro muitos outros blogs da época) fazem posts sobre o Dia Mundial da Luta contra a AIDS. Geralmente são posts informativos (que acompanham a situação da doença em relação tanto aos seus avanços quanto aos esforços para combatê-lo). Eu peço desculpas se este ano não está sendo assim. Fiz o que pude, como diria Mestre Cartola. Mas, lembrem-se, a AIDS não é doença que dê só da casa (ou país) do vizinho ou conhecido para lá.
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2-Já num outro departamento., eu queria aqui mesmo -mas uma coisa não tem a nada a ver com outra, hein? – agradecer às muitas e adoráveis pessoas que me têm ajudado tanto, falado comigo por telefone, por emails, que têm feito com que eu acredite que ainda vou dar a volta por cima, desta vez, mais uma vez, na &#%$#&% dessa doença que é minha minha luta mais particular. Vocês são meus amores, meus anjos e meu bem. Permitam que eu agradeça, citando aqui um presente maravilhoso em forma de esperança e confiança:

Obrigada, minha (já querida amiga) Palpi. Valeu! vc é linda, minha amorinha.
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E um beijo para Vivina, (nossa escritora de culto, minha e de Regina Alves) que ontem/ na altíssima madrugada de hoje;-) – acesa, comigo, nós, as duas , naquele momento ainda comovidas com a inteligência e a sensibilidade da Luciana, do Cintaliga. Vão lá e vejam, por que, como disse certa vez Dalva de Oliveira (putz, hoje eu tô caprichando nos 475 anos): O amor… é o amor“. Grande Dalva, Grande Vivina de Assis Viana, Grande Ricardo (Ramos) Filho, Lord Broken Pottery (foi tudo por causa dele) e Grande Luciana.

Confiram aqui: é lindo demais.