Ana Vidal, Poesia: Presente!


Ana Vidal. Poeta e poetisa (em breve saberão porque faço esta diferença que não difere nada, acopla duas formas de lidar com a Poesia) é também escritora, cronista, letrista, sim, faz, e muito bem, letras de música (lyrics); e ainda, quando ninguém está a olhar, ela se transforma em legião;-) e faz-se espantosamente conhecedora da Poesia brasileira.

Bem, na verdade , Ana nos faz corar por conhecer tanto da Poesia – a grande e majestosa Poesia – que se faz no Brasil. “Conhecemo-nos” a quando da morte da capixaba Marly de Oliveira, uma das grandes , das maiores Poetas brasileiras modernas – que, casualmente, por acaso, era mulher de João Cabral de Melo Neto. (Tinha cacife poético para as duas coisas!) . Ora, ora, ora, eu só poderia mesmo ficar muitíssimo bem impressionada. Pois se nem maior parte dos brasileiros nem er..”poetas” a conheciam!!!!

E Ana é jornalista –  e publicitária, redatora de publicidade, e – cansem e descansem – também roteirista (em Portugal chama-se a isso de *guionista* – como eu só sabia ser em espanhol) e virem essa boca pra lá, ela é das melhores blogueiras – em Portugal, parece – chamam *bloguistas, pessoas que fazem blogagens… ah! essa(s) nossa(s) língua(s) – que termos, cujo texto é de fato *texto* e não… bom, é um ótimo texto;-) . Seu blog PORTA DO VENTO é simplesmente delicioso.

Sim, eu adoro, ela possui um humor gostosíssimo mas nossa miúda portuguesa nos mata de agonia: Quando virá lançar seus livros no Brasil? Tanta gente me pergunta. Eu não sei. Vou logo aviando que não sei. E já que estou neste (des) interessante estado ela bem que podia dizer para mim. Afinal “informação privilegiada” é do que sempre viveu o Sub Rosa.
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Sei e saibam todos, porém, que Ana Vidal é autora dos seguintes livros: “A Poesia é para comer” em que – idéia maravilhosa e original, junta, a partir de referências gastronômicas, poetas e receitas culinárias na mais mais bela entre as mais belas regras da arte. Destaque especial para os poetas brasileiros com João Cabal de Melo Neto (!), Hilda Hist, Ferreira Gullar, Astrid Cabral, Leminski, Thiago de Melo e Alice Ruiz e outros maravilhosos. É nahm e yummy ver os poemas e acepipes. Mas, além dos poetas portugueses, há os poetas lusófonos – como de S. Tomé e Príncipe e Goa. O título como todos (não) sabem é extraído do último verso de um poema da extraordinária Natália Correia, ativista que essa sim todos conhecem. E se não conhecerem sempre vale a pena conhecer.
“Ó subalimentados do sonho/
A poesia é para comer.” (*)
Este livro de Ana ganhou o Gourmand World Cookbook Award 2007, para o melhor livro português na categoria de Best Food Literature Book.

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Já o outro livro de Ana Vida – cronologicamente o primeiro, é o delicado e forte SEDA e AÇO.

Neste, o registro é a subjetividade iluminada. A musicalidade é, sobretudo, mais sentida nos intervalos: é um estar-quase, um estar-entre si própria e as lembranças. Lindos tons entre o que é e acaba não sendo sem que se deixe de capturar o ser. Como num rapto.
Ana é perfeita perita das manobras de sensibilidade. É Poeta esta poetisa. Brava, bravissima Ana!
Colocarei aqui um ou dois poemas para que vejam e sintam.
Mais não posso dizer, afinal que posso eu dizer mais da Beleza com que Ana harmoniza tons e nos faz reféns, se o livro é apresentado por ninguém menos que Vasco Graça Moura?

Certamente falarei mais de Ana Vidal e de seu outro livro Gente do SUL, um livro belo belo, em post posterior (viram? Not bad : Bandeira e uma aliteração). Por ora, fiquem com dois poemas que escolhi de SEDA E AÇO.

UM NUNCA MAIS DE NÓS

Abraça-me
que eu sinto que se esboça já
na tua voz
um nunca mais de nós

No teu sorriso
há sombras de cansaço
há sinais de aviso
As cinzas, o fracasso
deste paraíso

Abraça-me
mas não digas as frases rituais:
Que é o melhor
Que outros braços virão
trazer-me mais calor
Que outros beijos farão
esquecer o teu sabor

Porque terás razão
uma vez mais….

CICLO

Do corpo
ficou o cheiro.
Do cheiro
a memória.
Da memória
o desejo.
Do desejo
a fantasia.
Da fantasia
o corpo.

Mais Ana Vidal: aqui e em seu Site Oficial.

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A Defesa do Poeta por Natália Correia

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Amália, the Great, cantando, não, não, divinizando SUMERTIME. Aqui;-). Clique para ouvir.