Vivina de Assis Viana: ‘Será que estou lendo o que estou lendo?’

Será que estou lendo o que estou lendo?

“Nos últimos tempos, com uma frequência que eu gostaria que fosse menor, tenho me perguntado se realmente estou lendo o que estou lendo. Ou ouvindo o que estou ouvindo… Explico: às vezes, é tudo tão absurdo, tão irreal, que fico pensando que minha mãe, que me alfabetizou – à noite, na cozinha da fazenda –, não trabalhou direito. Ensinou errado. […]
“Li, nos jornais diários, que uma professora de Belo Horizonte, justamente da UFMG, enviou um parecer ao MEC sugerindo que o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, não seja distribuído nas escolas públicas, por induzir ao preconceito.” […]
“Literatura não é coisa que chega pronta, nunca foi. É uma linha de pensamento que nasce no autor e atinge, na outra ponta, o leitor. Não passivamente. Pensativamente. Discordando, questionando, indagando. Até concordando, por que não?[..]” Leia mais deste post

Wanna Be Startin’ Somethin’ (UPDATED)

Tributo a MJ- Bye, by CCARRICONDE
Tributo a MJ- Bye, by CRISTINA CARRICONDE

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Voilà! E por que não (re)começar agora, não é, gente?

Tenho mil coisas a dizer, nenhuma porém de que me sinta capaz de falar agora…

Só sei que agradeço a todos, todos que me ajudaram neste momentos difíceis, a alguns até agradeço por me terem feito rir (ah! esse danado do Lord Caco )

Aliás, só para *me amostrar* e e embora sem querer ofender ninguém, o Lord é tão chique , mas-tão-mesmo que … lembram a coleção TEMPO_REI da Editora Positivo de que falei aqui em outro post há algum tempo? Pois muito bem, agora na mesma coleção Ricardo [Ramos] Filho e a escritora Vivina Viana são colegas . Ela lançou – como toda a torcida de todos os times já sabem – o livro Aqui em Nova York . Bem, na verdade, segundo ela me informaou, agora que está  nas Minas que ela  as tem  Gerais e completas)  houve outros lançamentos, relançamentos, mas comentarei depois.
Olha aqui, só por agora: Cronopinhos

No mais quero dizer, que apesar de todos os contratempos e alguns dias de raro sofrimento, nunca estive tão feliz. Et pour cause…
Daí o título, que fico devendo ao querido Fausto Rego, que ganhou a Bia para enriquecer o grande elenco das mulheres (lindíssimas) da família.

Magaly, eu te amo. Pela sua amizade e apoio que nunca falharam. E isso a gente não agradece, apenas, emociona-se. E Oh moça linda do Des Tours,  Des ‘Incommunales’ Délices, je t’aime aussi bien.

Pessoas todas, queridas, (as que sabem a quem estou me referindo) eu amo vocês. Obrigadíssima- pelos emails, telefonemas, colo, orações, receitas, piadas, paciência com meu humor..como é mesmo o meu humor…:-), enfim, por tudo, obrigada, e muito graças a vocês, já estou quase boa e já é hora de voltar a ser feliz.

E só pra eu ir embora, tomar meu chá com o Chapeleiro, devo dizer que não, não, não acreditem… há pessoas que morrem… e outras que, ao contrário, se imortalizam. Viva o Rei! Magina… mais vivo que jamais.

E um obrigada especial a (poucos) quem têm gentileza, sensibilidade , superioridade para, já que não podem impedir o massacre, pelo menos com elegância cobrem a nudez das almas vergastadas.

(ai, essa frase tá meio assim … não está?.., mas deixa ficar.(=)

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Um R. I. P. sentido  ao escritor  RODRIGO SOUZA LEÃO. – ( 1963 – 02 julho 2009) – aqui  entrevista ao Portal Literal.

Aqui, o blog do poeta, músico, jornalista e wordsmith .  Aliás, eu pergunto, quem não se lembra do seu lado *zineiro*? Quem não recebia o Balacobaco? Pois é…
Notem os posts. O último é de 25 de junho.

Rodrigo era também um provocante entrevistador. (E eu, claro,  tinha as minhas preferidas).

Segundo consta aqui, está pronto um livro com suas  entrevistas.

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Gente, meninos, eu juro: Eu,  acreditem, não sei mais fazer post. Pelo menos, aqui. Se é que algum dia eu soube:-(

UPDATE / NOTA / ESCLARECIMENTO: Pessoinhas queridas,   eu não disse que não sabia mais fazer posts, at all, ou  em relação ao conteúdo deles.  Isso, sem o menor medo de estar em crise de vertigem de pequena altura hohoho – acho que ainda sei. Um tiquinho, pois assunto nunca me faltou. E modéstia(falsa ou verdadeira) é coisa que como vocês sabem… vocês sabem. Existe?

O que eu disse, ou quis dizer e não me fiz entender, amados e ‘alcandorados ‘leitores atentos, foi não saber mexer com essas imensas e permanentes  e incessantes  inovações que são feitos a cada 3 dias aqui no WordPress Até pra colocar as categorias a coisa “pega”… Deve ser por ter passado quase 5 meses sem vir aqui.  depois  eu pego o jeito. Pronto, falei:-).

Coda – Vivina de Assis Viana escreve…

Quando fiz a consulta às pessoas que mais admiro na blogosfera  acerca de Graciliano Ramos, soube logo que seria imprescindível consultar a consagrada escritora Vivina de Assis Viana, que conheci há bastante tempo através dos livros que li (eu e Regina Alves, professora da UFPa e minha melhor amiga) e que como mágica, vi aparecer – um dia! –  em letra e espírito, nas caixas de comentários de vários blogs amigos, em especial a do Lord Broken Pottery.
Enlevada, magnetizada e com a excitação de quem vê um(a) deus(a) do Olimpo se materializar,  escrevi à Regina, e logo iniciamos um contato por email. A freqüência dependia das viagens que Vivina faz grande parte do tempo para a fazenda que possui no interior das Minas Gerais. E, claro, de suas (muitas) ocupações.

Quando enviei as peguntas às quais Vivina respondeu com o estilo elegante de sempre, trocamos um breve comentário. Claro que como sou “saída, apresentada e saliente” , tudo  culminou hoje com a publicação de um texto que Vivina de Assis Viana escreveu  es-pe-ci-al-men-te para o Sub Rosa (conheceram, er…queridos? ;-)

Então, em grande estilo, a coda (excelsa conclusão) à homenagem a Graciliano Ramos, ao seu filho e ao seu neto.  Uma família dinástica.
Fiquem com ela . Primeiro as respostas, o que facilmente se encadeia com o texto especialíssimo.  Obviamente, palmas ao final:-)

1- Como foi seu primeiro contato com Graciliano …
Se você se refere a contato pessoal, não tive, infelizmente não o conheci.
Conheci Ricardo Ramos, filho dele, que entrevistei quando fiz, para o Jornalivro, um trabalho sobre o pai. Isso deve ter sido em 71, 72.
Se você se refere a contato literário, eu o conheci cursando a faculdade de Letras, em Belo Horizonte, anos sessenta. O primeiro livro dele que li foi São Bernardo, que nunca mais esqueci. Até hoje é o livro de que mais gosto, daqui ao fim do mundo.

2-Acha que o texto dele é de difícil leitura (leitura “difícil”)
Não, de forma alguma. Trata-se, isso sim, de um texto elaboradíssimo. De uma concisão e de uma simplicidade resultantes de muito trabalho e muito talento.
Afinal, escrever “fácil” é que é “difícil”.

3- Acha que ele não é popular? É popular?
O que seria um autor popular?
Ser lido, conhecido pela maior parte da população? Se for isso, não.
Escrever sobre seu povo, denunciar, descrever, lutar com palavras e idéias? Se for isso, sim.
Ser conhecido, lido e respeitado por professores, escritores, intelectuais em geral? Se for isso, claro que sim.
Não, Graciliano não é freqüentemente citado/lembrado, mas deveria. Como sonhar não é proibido, sonho com o dia em que isso aconteça, com justiça e propriedade.

Fui – e sou – amiga da família, sim. Família muito afetuosa, muito generosa quando se trata de sentimentos. Sempre me senti bem entre eles e, como disse, eu os conheci por causa de meu primeiro trabalho sobre o Graciliano.
Quem dirigia o
Jornalivro era o Roberto Freire, que me sugeriu conversar com o Ricardo – que eu não conhecia – sobre o pai. Roberto soube que eu gostava do Graciliano, essas coisas.
Pois bem:conheci o Ricardo na agência McCann-Ericsson , ele era o diretor. Conversamos após o expediente, ficou tarde, ele me sugeriu continuarmos outro dia, na casa dele, à noite.
O outro dia virou outros dias, muitos, todos.
Conheci Marise, a mulher, os filhos Ricardo e Rogério, adolescentes, Mariana, oito/nove. Depois conheci D. Heloisa, pessoa maravilhosa, avó homenageada – com razão – nas histórias do
Caco.(*)
Começamos a conviver, nunca mais paramos. Almoços, jantares, ora em casa deles, ora na nossa, papos sem fim, meus primeiros textos, meus filhos nascendo, visitas na maternidade, aniversários, casamentos dos filhos dele, ah, quanta convivência enriquecedora.
Mais tarde, 78, quando eu estava grávida do segundo filho, Bernardo, fui convidada pra escrever o volume Graciliano Ramos para a coleção Literatura Comentada, da Abril Cultural.
O livro ficou legal, D. Heloisa gostou muito, os afetos cresceram.
Nos anos 80, Ricardo me convidou pra trabalhar com ele na Fundação Nestlé de Cultura, onde ele coordenava a Bienal Nestlé de Literatura Brasileira.
Daí pra frente, você já sabe:
Ricardo Filho, o Caco, começou a escrever, Ricardo pai me mostrou os originais, me entusiasmei, você sabe.
De todos os escritores, Graciliano é o que eu mais gostaria de ter conhecido. ( Entre os cantores, meu sonho tá realizado: conheço o Paulinho da Viola).
Como não aconteceu – ele faleceu em 53, eu tinha treze anos, no interior mineiro – sinto que, através destes descendentes tão queridos, pude conhecer um pouco – ao menos um pouco – mais do escritor talentoso que os livros sempre me mostraram.
Conheci um pouco mais do pai por inúmeras conversas com Ricardo, e por algumas outras, poucas, como Luísa, irmã dele que mora na Bahia, e que eu encontrava em festas, casamentos, um Natal.
Conheci um pouco do companheiro por muitas conversas com D. Heloisa que, sentindo o fervor de minha admiração, contava casos dele, deles, se revelava, me enriquecia.
Conheci um pouco do sogro, e não me esqueço de Marise me dizer que ele queria vê-la vestida de noiva, mas não podia, estava mal, hospitalizado. Pois o casal foi ao hospital, e a noiva foi considerada linda pelo sogro emocionado, que se iria logo depois.”

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Vivina, coisas como essa a gente não consegue expressar, não se abarca com as mãos e nem com as palavras, como disse um admirador de Graciliano Ramos, o J.G.R. o que você escreveu é “puro brilho de estrelas”.

Podria haver conclusão mais bela, melhor, para  um trabalho?  Fico muito honrada e agradecida.  No fim das contas esse trabalho todo foi tecido com o etéreo estado de graça que dominou todas pessoas envolvidas. Eu apenas uni os fios da tessitura.

Todas as flores do mundo para você, e muitas músicas de Paulinho da Viola (preferência nacional, espero) .Obrigada, Vivina.