The sick (sub)rose

A rosa doente- The sick rose

William Blake-the sick rose

O Rose, thou art sick!
The invisible worm,
That flies in the night,
In the howling storm,

Has found out thy bed
Of crimson joy;
And his dark secret love
Does thy life destroy.

William Blake (Londres, 1757-1827)

♣♣♣

Augusto de Campos - A Rosa doente

Augusto de Campos - A Rosa doente

.Ó Rosa, estás doente!
Um verme pela treva
Voa invisivelmente
O vento que uiva o leva
Ao velado veludo
Do fundo do teu centro:
Seu escuro amor mudo
Te rói desde dentro.

Tradução: Augusto de Campos

♣♣♣
Outras traduções/Outras palavras/outras línguas:
Do meu querido Ed: (Diego Barreto Ivo): e o labor poético do tradutorlink. (vale a pena acompanhar esse debete)

.Domingos Van Erven.

.José Paulo Paes.  José Antonio Arantes.Alberto Marsicano …

♣♣♣

(*)Blake

Um estudo primoroso sobre tradução.

Blake com pitadas de Jorge Luis Borges.

.
Recebi este poema emblemático como presente de Luana Chnaiderman, minha amiga, discreta, delicada, uma das mais queridas.

Madrigal para Cecília Meireles

MADRIGAL PARA CECÍLIA

(Cacaso)*

Quando na brisa dormias,
não teu leito, teu lugar,
eu indaguei-te Cecília:
Que sabe o vento do mar?
Os anjos que enternecias
romperam liras ao mar.
Que sabem os anjos, Cecília
de tua rota lunar?
Muitas tranças arredias,
um só extremo a chegar:
Teu nome sugere ilha.
teu canto: um longo mar.
Por onde as nuvens fendias
Aaface deixou de estar.
Vida tão curta, Cecília
pra quê então tanto mar?
Que música mais tranqüila,
quem se dispôs a cantar?
São tuas falas, Cecília,
o barco tragando o mar.
Que céu escuro havia
há tanto por te espreitar?
Que alma se perderia
na noite de teu olhar?
Sabemos pouco, Cecília,
temos pouco a contar:
Tua doce ladainha,
a fria estrela polar
a tarde em funesta trilha,
a trilha por terminar
precipita a profecia:
Tão curta a vida, Cecília
tão longa a rota do mar.
Em te saber andorinha
Cravei tua imagem no ar.
Estamos quites, Cecília:

Joguei a estátua no mar.
A face é mais sombria
quanto mais se ensimesmar:
Tão curta a vida, Cecília,
tão negra a rota do mar
Que anjos e pedrarias
para erguer um altar?
Escuta o coral, Cecília
O céu mandou te chamar.
Os anjos com tantas liras
precisam do teu cantar.
Com tua doce ladainha
(vida curta, longo mar)
Proclames a maravilha.

Rio, 1964

(*)Antônio Carlos de Brito (Cacaso) [1944-1987]. In:Cacaso lero-lero. Rio de Janeiro,7 letras, 2002/ São Paulo,Cosac&Naify,2002 (Col Ás de Colete)

*  *  *

Cecília Meireles (7/11/1901-9/11/1964) é a intelectual mais consistente de toda a literatura brasileira. Conhecida pelo profundo lirismo, de tal modo deixou uma nação mergulhada na *encantaria* de seu verso, no reino do *maravilhoso* que esse lado quase ofusca o seu brilhantismo na cena pública por muitos anos.

Viajora admirável, correspondente inigualável. Escritora, dramaturga, jornalista ( seu último escrito foi para a Folha de S. Paulo)… Tradutora dos poetas chineses Li PO e Tu Fu (em edição de 1996) e antologista da poesia de vários países: de poetisas japonesas, persas e árabes. Traduziu Rabindranath Tagore…Escreveu cinco (5) peças para teatro.

* * *
Entre junho de 1930 e janeiro de 1933, CECÍLIA MEIRELES dirigiu a ‘Página da Educação‘ no Diário de Notícias do Rio de Janeiro. Em seus artigos sobre política, educação e cultura, defendia uma política menos casuísta e uma educação moderna. Ela rompeu tabus de uma sociedade, deixando sua marca na História Brasileira como defensora da idéia universal de democracia,  numa década em que o mundo vivia o período de transição das duas Grandes Guerras. No Brasil,  Getúlio Vargas era o vitorioso da Revolução de 1930.

Pois bem, a “Página da Educação”, comandada por CECÍLIA MEIRELES,
causava fúria no meio político nacional. Ela referia-se ao presidente Vargas como “Sr. Ditador”. Sustentando a idéia de um Brasil menos ufanista, coleciona inimigos e desafetos. Entre eles Alceu Amoroso Lima, crítico católico que, em 1971, reconheceria na poeta “uma grande figura feminina do
modernismo”. Os modernistas, aliás, já a consideravam uma revelação, a partir da publicação de “Espectros” e “Baladas Para El-Rei”.

Em janeiro de 1933, ela encerrou seu trabalho frente à Página da Educação, cansada da perseguição que sofria e manifestou, em correspondência, seu “horror” ao jornalismo. No entanto, troca o Diário de Notícias pelo jornal A Nação, contratada sob a condição de não escrever sobre política. Em 1934, com o marido, inaugurou o Centro de Cultura Infantil do Pavilhão do Mourisco, no Rio, a primeira biblioteca infantil do país. A convite do governo português, dá início a um período de viagens ao exterior. Em Lisboa e Coimbra difunde a cultura, literatura e o folclore brasileiros, em uma série de conferências.

Em 1940 , o poeta e crítico portugues Vitorino Nemésio a definiu como uma intelectual completa, de vastíssima erudição: ‘Humanista que libou o mel das grandes culturas’.

Você, como, praticamente,  todo o mundo associa de imediato o seu nome com o Romanceiro da Inconfidência (toda vez que um justo grita/um carrasco o vem calar/ quem não presta fica vivo/quem é bom mandam matar/. Ou com o poema musicado pelo compositor e cantor Fagner (canto porque o instante existe/e a minha vida está completa/não sou alegre nem sou triste/sou poeta) Mas, ela escreveu muito, muito mais. Sua obra, infelizmente, rareia nas editoras: problemas com direitos de herdeiros, não que eu esteja afirmando, assim parece.

Morreu também num mês de novembro. Coberta de glória, Todos os intelectuais , principalmente poetas como Manuel Bandeira, Drummond e tantos outros fizeram homenagens poéticas explícitas. Morreu, com apenas, 63 anos. Cacaso tem toda razão.

=-=-=-

A Internet está inundada com informações sobre Cecília e sua obra e sua vida fascinante. ainda bem. Grande, imensa poeta, grande, admirável personalidade. Eu mesma fiz um trabalho… razoável sobre ela, no centenário de seu nascimento, em 2001, ano  em que comecei a fazer o Sub Rosa (hoje se pode encontrar apenas no web archive). Grande parte do que está escrito aqui foi retirada desse trabalho.
Mas experimente esta página. Claro, existem muitas, muitas, mais. Ainda bem, também.

Para as músicas que se fizeram de seus poemas, este aqui é o melhor, IMSHO.

E aqui, leia sobre Cacaso. O poeta da palavra cerzida.

O assassino era o escriba

PAULO LEMINSKI (*)

Uma observação antes do texto:

Leminski, como podem ver, foi um dos mais cultos escritores brasileiros. Teve uma vida intelectual tão intensa quanto variada. Além de poesia e ficção,  foi biógrafo (Leon Trotski – a revolução segundo a paixão), traduziu obras de Yukio Mishima, Samuel Becket, John Lennon, John Fante, Ferlinghetti, James Joyce e outros. Foi também compositor e letrista, trabalhou com Itamar Assumpção e Caetano Veloso entre outros. Foi seminarista, comunista e cristão. Professor de ‘cursinho’ lecionava história e português. (E, como ninguém deixa esquecer, era faixa preta de judô). Não obstante, há muita gente que ‘torce o nariz’ quando se fala nele, quando se menciona Paulo Leminski.

No meu entender, isto se dá, porque ficou mais conhecido pelos poemas breves e por textos leves, irônicos, fragmentados. Textos poéticos, sim, mas sempre flertando com a “brincadeira“. Chegou a dizer, certa vez, em uma conferência que “precisamos recuperar o sentido de brincar“. Dizia que no próprio uso da palavra fica muito claro o sentido depreciativo: *brincar* é coisa de criança num mundo em que a criança tem pouco valor. Quando alguém quer se referir a uma coisa séria, importante, sempre diz “fora de brincadeira” ou “acabou a brincadeira“.

Exatamente por isso, porque a leveza, a (palavra) brincadeira desautoriza uma ação e remete a um ato infantil, penso que o nome Leminski ficará, cada vez mais, associado pelas mentes de hoje, seus pósteros, a um poeta mediano que produziu apenas uma poesia atomizada. Mas Leminski , em minha opinião, escreveu o fácil, porque é exatamente o mais difícil.E porque ele tendo feito uma obra densa, sentia-se em plena liberdade para escrever o que quisesse.

O texto que apresento é um desses. Leve . Despretensioso. No final, vemos que é ótimo. Fora de brincadeira :-)

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O assassino era o escriba

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida, regular como um paradigma da 1a. conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conetivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia matei-o com um objeto direto na cabeça.

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Do livro Caprichos & Relaxos
Coleção Cantadas Literárias. Ed. Brasiliense.

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(*) Clique no link.

Fim de agosto: Glorious in Translation (UPDATED)

Queridos, eu estou quase *tudo de bom*. Ou de boa?-)

Dependo de umas confirmações pequeninas e começo  o mês de SETEMBRO (mês do aniversário do SUB ROSA) de forma gloriosa.  Mentira: agora é que vai começar,  – finalmente – a minha recuperação, como se só hoje, quase 3 mses depois é que a cirurgia tivesse sido feita, caso não houvesse acidentes  – e que INcidentes – de percurso.  Mas a gente  dá um “jeito de corpo”, já  que o Bardo ensina que “All’s Well That Ends Well” e… mete bronca.

Mas  o início de Setembro parece auspicioso. Olha só:

IB_soshannah
src photo: http://film.com.

Acabo de saber que o filme do *meu* Tarantino  (Inglorious Basterds) que recebeu a pavorosa (hohoho) tradução no Brasil de  Bastardos Inglórios – oh gente sem imaginação.. ô raça!  apud Tutty Vasques – foi gloriosa e gracilmente  traduzido ali do outro lado do Atlântico  pela seguinte expressão: ” SACANAS SEM LEI”. Eu achei mi-mo-so!

E, você aí, tá  achando que podia fazer melhor? Melhor?!Ora, ora,  por quem sois!

=-==-=-

Claro que não podemos falar nada, nadica de nada, afinal, sem nenhuma ironia, até hoje o Brasil não consegue levantar a cabeça nem social, nem cultural nem politicamente, principalmente- pelo fato de ter traduzido The Godfather por ..  er…O PODEROSO CHEFÃO!  Sem ironia, mas sem ironia messsmo, pode? Pode uma coisa dessas? Ora, sinceramente,  admitimos, envergonhados que não.

Entretanto, com mês de agosto não se trasteja! (nada de coisas sérias, pois o mês é sinistro)  caso queiram, leiam este delicioso post antigo do  CARDOSO, (Contraditorium) o homem responsável pela explosão (boom!?) dos blogs em Belém do Pará..

O FILHO QUE ERA A MÃE.

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É isso, e  se tudo der certo, Setembro chega amanhã.:-)

=-=-=

Este post é, claro, uma imensa boutade, o post do Cardoso HOUSE é delicioso, e – devo confessar, mesmo com algumas dores,  e ainda com um longo caminho a percorrer,  muitas consultas, medicações e,  sobretudo, cuidados responsáveis e sérios,  – nada, nada poderia me manter de melhor humor do que  pensar que todo o drama das minhas operações e reoperações terminou. As ameaças de coisas mais perigosas foram todas sendo aplacadas e resolvidas,  a ESTENOSE foi competentemente “reparada” cirurgicamente pelo Dr. Mario Homma.

Meus grandes, maravilhosos queridos amigos, alguns de toda a minha vida,  em especial Regina Alves, Ibi Cavalero de Macedo, Lúcia Almeida, Luzia, Bianca, Felipe, Missdley,  Vevé…, entre tantos outros que torceram, estiveram atentos, comentaram aqui no blog, telefonaram , enviaram emails… ah!  e  ajudaram a minha Dorothy,  bem, foram os anjos da minha vida. Cuidando de mim, me apoiando, me dando o suporte  de que necessita quem não tem uma família, mas precisa receber muito, mas muito amor.

Amanhã, espero, ou assinzinho que puder, estarei aqui, rente que  nem pão quente, com Santo Expedito e Santa Rita de Cássia. E aí??!! E disposta a começar- com mais graça,  digo, garra,  mais uma que outra, ou menos as duas:-) – o Sub Rosa  ano 9 (XIX). Iuhuuuu!

Obrigada a todos.  Tudo o mais que eu dissesse seria  inefável.

****

Ah! sim, – e pra cortar o  excesso do sensível – e o Belchior, hein? que eu nem sabia que tinha sumido.  Mas o povo continua o mesmo tsc.. tsc…  Bem, mas melhor assim: ninguém vai deixar de falar com ele,  não sei se está sendo chamado de “doido de distúrbios cabeçais” por “especialistas especiais” , parece que  (também)  há questão de dinheiro no caso – e quem tem alguma coisa a ver com isso? e tomara que não sofra retaliações infantis, imbecis , como sói acontecer.  Gostei de ler o Tom Zé  dizer que acha que também vai sumir. Hohoho.

As coisas – tudo bem , lentamente, muito lentamente – vão mudando…

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Para os devotos de San Quentin:

***** Read at your own peril. OK?*****

SIBILA – POESIA SOBRE TUDO, POESIA

por Claudio Boczon
(Foco –Retirado daqui)

POESIA, SOBRE TUDO, POESIA


Do poeta Régis Bonvicino – nome importantíssimo quer  na criação literária, na crítica, na divulgação, nos experimentos editoriais e numa verdadeira ‘militância/missão’ incessante de  “bateia”, ou seja a crivar a poesia de valor incontestável  – recebo o material de divulgação de mais um número da bela e especialíssima revista SIBILA  (não conheço um grande Poeta que não saiba a importância da revista e que não leia  a revista.
O nome SIBILA,  uma homenagem, de certa forma,  foi  retirado de um poema de Murilo Mendes(*)-um dos mais importantes Poetas brasileiros em todos os tempos e que merece ser muito mais divulgado. Dizendo melhor, merece ser muito, muito *conhecido*

Ao lado de uma equipe  respeitável  que você pode ler aqui , Bonvicino criou e fundou a SIBILA, cujo  primeiro número  foi lançado  nos Estados Unidos e no Brasil (São Paulo).  Agora, a revista que já possui 11 números impressos. E está on line. Ganho nosso, espero.

 O que importa ressaltar não é exatamente o impacto e a importãncia dessa revista, pois cada um pode ver pela matéria poética e o rico material traduzido.  Importa reconhecer um convite desafiador que a palavra SIBILA engendra: o desafio de interpretar uma nova maneira de dizer o já-dito,  o não-dito, o que é renovo, rompendo a cegueira da familiariedade.
Susan Bee
Susan Bee (Revista Sibila)
 
Sibila é a personagem ( na verdade, pelo menos há seis)  da mitologia grega e da romana que possui o dom da profecia, do vaticínio, muitas vezes enigmático. A Poesia é a arte que carrega  consigo o dom profético e o de ser  morada da linguagem. A poesia é  a linguagem.  Haverá  entre elas um parentesco semiótico e semiológico . Eis um ambicioso projeto. Uma ruptura. E que traz consigo, a crítica, o ensaio, a tradução,  e pricipalmente o olhar voltado para a atualidade atemporal, para o  que é materia de fatura poética.  A ingerência do olhar, da análise e posivelmente a posse, mas sobretudo e sobre tudo, a inovação e o sem limite.

No número 7, a capa, por exemplo, traz MANÉ GARRINCHA,  em outro número Oiticica em um ensaio,  ou ainda em outro,  Miriam Chnaiderman fazendo seu filme sobre José Agripino de Paula.

O que me impressiona  ao lado disso tudo, sem dúvida, é o material iconográfico. A produção fotográfica, as gravuras, as pinturas, tudo isso é de fazer a gente se orgulhar de ter um veículo de expressão. A arte de se fazer arte. Poeticamente.

E a polêmica esquenta, esquenta: sobre  INIMIGO RUMOR a outra revista brasileira, hoje luso-brasileira!

Seguem dois excertos, um deles contido na SIBILA que é uma jóia , uma gema e merece ser lida . massivamente.
Afinal, não há escrita de qualidade sem leitura de qualidade
Este aqui  :

“Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.” 
Oswald de Andrade. Manifesto Antropófago

Leia mais deste post

Um Poema para o Ano Novo com um pedido pelo meio;-)

.ELEGY: GOING TO BED

COME, Madam, come, all rest my powers defy ;
Until I labour, I in labour lie.
The foe ofttimes, having the foe in sight,
Is tired with standing, though he never fight.
Off with that girdle, like heaven’s zone glittering,
But a far fairer world encompassing.
Unpin that spangled breast-plate, which you wear,
That th’ eyes of busy fools may be stopp’d there.
Unlace yourself, for that harmonious chime
Tells me from you that now it is bed-time.
Off with that happy busk, which I envy,
That still can be, and still can stand so nigh.
Your gown going off such beauteous state reveals,
As when from flowery meads th’ hill’s shadow steals.
Off with your wiry coronet, and show
The hairy diadems which on you do grow.
Off with your hose and shoes ; then softly tread
In this love’s hallow’d temple, this soft bed.
In such white robes heaven’s angels used to be
Revealed to men ; thou, angel, bring’st with thee
A heaven-like Mahomet’s paradise ; and though
Ill spirits walk in white, we easily know
By this these angels from an evil sprite ;
Those set our hairs, but these our flesh upright.

; ; ; License my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O, my America, my Newfoundland,
My kingdom, safest when with one man mann’d,
My mine of precious stones, my empery ;
How am I blest in thus discovering thee !
To enter in these bonds, is to be free ;
Then, where my hand is set, my soul shall be.

; ; ; Full nakedness ! All joys are due to thee ;
As souls unbodied, bodies unclothed must be
To taste whole joys. Gems which you women use
Are like Atlanta’s ball cast in men’s views ;
That, when a fool’s eye lighteth on a gem,
His earthly soul might court that, not them.
Like pictures, or like books’ gay coverings made
For laymen, are all women thus array’d.
Themselves are only mystic books, which we
—Whom their imputed grace will dignify—
Must see reveal’d. Then, since that I may know,
As liberally as to thy midwife show
Thyself ; cast all, yea, this white linen hence ;
There is no penance due to innocence :

; ; ; To teach thee, I am naked first ; why then,
What needst thou have more covering than a man?

John Donne (1572-1631)

Este é um dos meus poemas preferidos ever e eu ofereço para todos.
Eu queria pedir que, por favor, os amigos me perdoassem se não os estou visitando constantemente, ou se nem os estou visitando. Não gosto de cultivar imagem de coitadinha, mas as coisas por aqui não estão bem, estou muito cóf.. cóf… e às vezes falo – como diz a Rose Marinho Prado. essa moça que se vocês não lêem o blog dela então, tadinhosss, nem sabem o que estão perdendo: eu por exemplo , que estou quase centenária, desde o tempo do Império não via alguém citar o Spengler;-00 hohoho ) – com alguma dificuldade e muita ‘chiadeira’, com poucas almas piedosas, pelo telefone. Obrigada. Às vezes nem isso, ou deixo de retribuir e-mails, cartões e telefonemas. Por favor, perdoem a coitadinha tísica, OK? Oh gente é tempo de Natal Ano Novol, perdão, paz e coisa e talz, certo? (Só lembro que, imaginem, pelo calendário azteca ou maia está previsto pra tudo terminar em 2012 portanto, nada de paz e amor só agora , certo?

Bem, para que todos possam desfrutar di questo belíssimo Poema, coloco também a tradução em português, feita por Augusto de Campos – execrado – isso mesmo, pelo Lord Broken Pottery, meu querido Amigo, o escritor Ricardo (Ramos) Filho . E esta, Lord? Para mim: simplesmente, uma das melhores que ele já fez. Diga lá! ;-)
E vai um beijo especial para minha querida Drang und Sturm: Denise.

………..ELEGIA: INDO PARA O LEITO

VEM, Dama, vem, que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu Anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

; ; ;Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo
; ; ;Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo)
sem Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
Ë dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.

; ; ;Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

Johnn Donne, traduzido/recriado por Augusto de Campos. In: Campos, Augusto de (1931- ). S. Paulo, Companhia das Letras, 1986 .

GRAMATOLOGIA; Livro de Artista; livro-objeto; e, incidentalmente, elogios críticos

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Este é um post in progress, como quase todos os que faço. Sei exatamente o que quero fazer, mas também sei que envolve muita coisa por acréscimo, que pode ou deve ser dita ou não: como a questão de vivermos numa sociedade em que as pessoas lidamos mal ou *NÃO* sabemos ser elogiadas. Em conversas com amigos, professores, críticos ou não, chego mesmo a dizer que ao receber uma “constatação elogiosa” sentimo-nos como desnudadas, expostas ao frio. O insulto parece ser muito mais bem recebido ou pelo menos recebido de modo menos desconfortável do que *a enunciação de algo agradável* a respeito da criação, obra ou objeto da autoria de alguém. E é fácil explicar isso: ao insulto sabemos como revidar. Ou falando ou desqualificando quem fala. Paradoxalmente – e aí reside o melhor da reflexão – esta mesma sociedade é aquela que não aceita críticas. Nem poucos encômios. Leia mais deste post