A perda do eu.


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“Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio – nem sequer o princípio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para além dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa verdadeira obsessão a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência.”

Inês Pedrosa.

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“A profunda harmonia entre ela e o mundo – uma harmonia difícil, instável, porque ela insistia sempre em viver com rigor, com uma atenção que não afrouxava nunca, mesmo quando dormia – o rigor, por exemplo, com que domava ou desmanchava os sonhos, obrigando-se a lembrá-los, obrigando-os a saltar por dentro de arcos incendiados, as flores imaginadas formando finalmente um ramo, as flores de sombra, de sol, de areia, domar o vento, aprender a cavalgar o vento, pôr um risco de azul a contornar o mar, a dura acrobacia do seu corpo, ao mesmo tempo solto e geométrico, os difíceis exercícios interiores, os saltos mortais de olhos vendados sobre um fio de arame estendido entre o possível e o impossível.”

Gersão, Teolinda. Os Guarda-Chuvas Cintilantes, 2ª ed. Lisboa, Dom Quixote, 1997.

“Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto/ E hoje quando me sinto,/ É com saudades de mim…”

“Um pouco mais de sol – e fora brasa,
Um pouco mais de azul – e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…” 

Mario de Sá-Carneiro. Dispersão. Quase. (fragmentos), 1914.

Alma Lusa, por Luis C. Nelson

            Quando,  em abril deste ano,  discutíamos a respeito da lírica portuguesa, a do conceptismo, a do Cancioneiro Geral, com a valorosa e aguerrida equipe de comentaristas que, imodéstia à parte, só o Sub Rosa tem;-), o meu amigo Nelsinho (Luís C. Nelson, do blog Mukandas ) manifestou neste belo comentário (clique para ler) (“Devo ter recebido um pouco da alma de Bernardim, a julgar pelas vezes que entro em choque frontal comigo próprio...”)  a sua identificação com Bernardim Ribeiro, o poeta do Eu dividido.
Gostamos tanto do comentário,  que logo  surgiu a questão:  nós, brasileiros, teríamos  herdado algo da   triste, melancólica por natureza, alma lusitana? O que se entende por “alma melancólica do português” ? E, ao fim e ao cabo, portugueses e brasileiros partilhariam o mesmo substrato melancólico?
Claro que diante disso, eu não ia deixar por menos. Pedi a Nelson que – em sendo possível, expandisse para nós esse conceito.
E ele – que há muito me honra com sua amizade, não regateou esforços para, a despeito da sua eterna falta de tempo, produzir este belíssimo texto que se segue.
Deixem-me apenas dizer que o texto a seguir   vem reconfirmar que seja onde quer que escreva, no seu blog, em sua página pessoal no Facebook, nos comentários, Nelsinho faz de cada lugar um palco textual em que – utilizando o distanciamento da ironia, na observação da realidade e sua percepção poética –  algumas das suas  inquietações metafísicas e, por que não dizer?, alguns sutis malaises existenciais, encontram a sua melhor expressão literária. Muitíssimo obrigada, Nelsinho.

ALMA LUSA
“Se meu mestre estivesse aqui para me elucidar e ajudar a escrever algumas frases sobre a tão cantada alma lusitana, por certo ele começaria com uma afirmação, que poderia muito bem ser …

“…que dos lusos poetas os corações,

de tão tristes parecem talhados,
com aqueles mesmos machados
que talham as tábuas dos seus caixões…”

Não disponho de tempo para os caminhos da pesquisa nos velhos e belos alfarrábios do Real Gabinete Português de Leitura, ou nas fontes mais ou menos escondidas, mais ou menos esclarecidas nos meandros da Internet, sobre as origens dessa tão intrínseca tristeza, que de tão intrínseca, é tumor que o tempo não logra extirpar.
Recuo decididamente no tempo, diretamente para as madrugadas de frias névoas. Junto-me aos rudes, andrajosos e miseráveis autômatos que desfilam ecoando seu calçado de madeira com brôchas de ferro pelas graníticas vielas e quelhos da aldeia sem idade, suas enxadas às costas, seus mirrados estômagos roncando de mau humor a água-ardente e algumas gramas de pão de milho oferecidos pelo senhor da terra como mata-bicho, até que suas mulheres lhes aportem às lavouras, a habitual e pobre malga de caldo de cebola. Exausto, sigo-os enquanto descem os montes ao final da massacrante jornada de sol-a-sol. Olho as reações dos seus rostos tristes, que tão tristemente se alegram com as parcas moedas que, com desprezo, são colocadas sobre suas calejadas mãos. Completando o soldo, um copo único de vinho tinto e uma côdea a mais de pão de milho. A poesia sai-me esfomeada e mortalmente triste, mortalmente tísica…

Flano para os meus verdes anos e relembro a minha paixão pelos grandes veleiros aparelhados para a pesca do bacalhau. Furtivo e ladino, escalo o portaló e esgueiro-me por entre os dóris empilhados ao longo do convés, do qual se solta e sobe aquele inebriante odor do piche e da estopa do madeirame recém calafetado. Encho os pulmões, inspirando a coragem e sacrifício daqueles homens de rudes modos por cujas faces rolam lágrimas enquanto agitam lenços brancos em resposta aos amargurados acenos de despedida das mulheres em prantos, com suas crianças ao colo, sua triste sina da difícil sobrevivência em terra, enquanto esperam a promessa de improváveis melhores dias com boas comissões de pescado. Muitos meses passarão, alguns perecerão, perdidos dentros dos seus pequenos doris que remam frenéticamente para o nada, no meio do súbito e assassino nevoeiro, sobre as geladas águas da Terra Nova. A poesia sai-me soluçada em saudade, solidão, medo e sofrimento atroz…

Serão estes dois exemplos suficientes para justificar a alma de um povo? Certamente que não mas, se o pesquisador se embrenhar pelos “mists”da história, por guerras e perigos esforçado muito mais do que promete a força humana, por vidas errantes, por terras estranhas, por sofrimentos lancinantes, por dores tamanhas…”

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“Nelson Castro, ou Luis C. Nelson, ou simplesmente Nelsinho,  nasceu na invicta e mui nobre cidade do Porto, Portugal, nos idos de 1944. Seu pai era um daqueles fotógrafos-artistas de studio, que retocava pacientemente os negativos e coloria manualmente suas incríveis ampliações, delas fazendo verdadeiras obras de arte, geralmente muito mal pagas.

De seu pai, recebeu não só o gosto pela fotografia e paixão pela literatura e musica, mas também “skill” para as coisas técnicas. E foram as habilidades técnicas que o levaram a ingressar na Escola Técnica Elementar e depois na Escola Industrial Infante D. Henrique, o que lhe valeu a inesquecível honra de haver sido aluno do Poeta Pedro Homem de Melo, que nesse estabelecimento lecionava língua portuguesa.

Sua trajetória profissional incluiu estaleiros navais em Angola e no Brasil, mas gastou a maior parte da sua vida nas lides da exploração de Petróleo ou a ela ligado ao redor do planeta, motivo pelo qual gosta de dizer-se simplesmente ‘Oilman’.

A poesia é sua mais cara atividade no universo das letras, no qual aliás não possui nenhum crédito acadêmico, dedicando-se também a contos e crônicas da vida real.”

Ora bem, agora teremos música, a condizer com o tema e com o texto. Ouçamos:
Havemos de ir a Viana
Música: Alain Oulman e Letra: Pedro Homem de Mello
Intérprete: Amália Rodrigues (Disco: Amalia e Vinicius)

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Fado triste
Autor: Vitorino/Intérprete: Misia
(Disco: Paixões Diagonais)

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Ser Aquele
Letra: o poema “Ser Aquele”, de Fernando Pessoa
Intérprete: Camané (Disco: Sempre de Mim)

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Sextinas – Bernardim Ribeiro

Da vida de Bernardim Ribeiro [ c.1482 – c.1550] quase nada se sabe: nasceu provavelmente no Alentejo; teria freqüentado a Corte; é muito provável ter sido ele quem escreveu poemas que aparecem com um nome igual ao seu no Cancioneiro geral de Garcia de Resende; e é bem possível ter sido amigo de Sá de Miranda.
Como poeta (não se fala aqui do prosador de Menina e moça), é autor de cinco éclogas, um romance em verso, a sextina aqui publicada e alguns poemas menores. Foi um dos primeiros (se não o primeiro) a adotar em Portugal: o dolce stil nuovo (pelo menos a écloga – gênero helenístico, celebrizado por Teócrito, grego de Siracusa, e continuada por Virgílio e pelos italianos, sendo Sannazaro o mais célebre), mas em suas composições pastoris pulsa, na verdade, um cultor entranhado da ‘medida velha’ peninsular.

Senhor de uma linguagem estilizada, repleta de arcaismos, Bemardim prolonga a tradição dos Cancioneiros medievais, tendente a confundir-­se com a simplicidade da linguagem popular – neste caso, uma simplicidade sábia ( a sageza) de poeta culto e complexo (não erudito, embora leitor de Virgílio, Ovídio, Petrarca, Sannazaro), um dos grandes representantes do “abstracionismo lírico”, da “intelecção devaneadora” ( cf. Jorge de Sena) que permeia toda a poesia portuguesa, dos Cancioneiros a Camões, Antero de Quental e Femando Pessoa.

Em Bemardim – continua Jorge de Sena – “a melancolia mergulha no mais cruciante desespero, raiando pelo desvario de um fatalismo herético, muito diferente da anarquia heróica do lirismo camoniano”.
A sextina aqui publicada, uma obra-prima, é provavelmente a primeira a ser escrita em português. Seu arcabouço é difícil: uma composição não rimada, composta de seis estrofes de seis versos cada uma, e em que as palavras finais de todas as estâncias repetem as da primeira, nesta ordem:

Leia mais deste post

Sociedade da poetisa viva – Adília Lopes

canova

NO MORE TEARS
Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho da casa de minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar

IN: O decote da dama de espadas, 1988

*** *** ***
NÃO GOSTO TANTO

Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito de seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever.

In:Florbela Espanca espanca (1999)

***  ***  ***
FRAGMENTO


“Em 81 disse à Dr.ª Manuela Brazette, psiquiatra, “Eu sou feia”. Ela disse-me “Não é ser feia. Não há pessoas feias. Não tem é atractivos sexuais”. Lembrei-me então do homem que em 74, tinha eu 14 anos, se cruzou comigo no Arco do Cego. Lembrei-me do homem, da cara do homem vagamente, mas lembrei-me muito bem do que ele me tinha dito ao passar por mim. Tinha-me dito “Lambia-te esse peitinho todo”. Lembrei-me também da meia-dúzia de outros homens que durante a minha adolescência me tinha dito quando eu passava “Coisinha boa” e “Borrachinho”. Ainda hoje me sinto profundamente agradecida a esses homens. Pensei que estavam a avacalhar, que eram uns porcalhões. Mas quem estava a avacalhar era a Dr.ª Manuela Brazette, ela é que é uma porcalhona. Acho que um homem nunca consegue ser mau para uma mulher como outra mulher.

(In: Irmã barata, irmã batata. Braga/Coimbra: Angelus Novus, 2000)

**** **** *****
COUP DE GRÂCE

Uma mulher
nunca pode
apaixonar-se
por um homem
antes de o homem
se apaixonar
por ela
o homem pune-a
por isso
e por muito mais
o homem não a abate
vai-se embora
fechado em copas
a mulher pune-se
a si mesma
se não tem vergonha
por si
tem pena
menina e mãe
num saco
estóicas
como a pescada
que antes de o ser
já o era

(In: Obra. Lisboa: Mariposa Azual, 2000

**** **** *****

Não podemos
desamar
quem nos ama

Se nem
quem nos desama
podemos desamar
****
Mesmo
uma linha
recta
é o labirinto
porque
entre
cada dois pontos
está o infinito

IN:Caderno, &Etc, 2007

*******

COM FOGO NÃO SE BRINCA

Com fogo não se brinca
porque o fogo queima
com o fogo que arde sem se ver
ainda se deve brincar menos
do que com o fogo que arde sem se ver
é um fogo que queima
e muito
e como queima muito
custa mais
a apagar
do que o fogo com fumo.

In: Um Jogo bastante perigoso, 1985.

********

Clarice Lispector,
a senhora não devia
ter-se esquecido
de dar de comer aos peixes
andar entretida
a escrever um texto
não é desculpa
entre um peixe vivo
e um texto
escolhe-se sempre o peixe
vão-se os textos
ficam os peixes
como disse Santo António
aos textos.

******
Minha avó e minha mãe
perdi-as de vista num grande armazém
a fazer compras de Natal
hoje trabalho eu mesma para o armazém
que por sua vez tem tomado conta de mim
uma avó e uma mãe foram-me
entretanto devolvidas
mas não eram bem as minhas
ficámos porém umas com as outras
para não arranjarmos complicações.

In: Clube da Poetisa Morta, 1997

*** *** ***
Palavra (escolhidas) de Adília:


“Adília Lopes e Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira são uma e a mesma pessoa. São eu.”

*****
“Há sempre uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade naquilo que escrevo”.

*****
“Tive um esgotamento psíquico no Natal e estou a escrever isto no princípio da Primavera. Sinto que ainda não estou bem. Peço desculpa por o texto ser breve e aos saltos, aos trambolhões.
Escrevo sempre por inspiração e num impulso. Sophia de Mello Breyner Andresen diz muito melhor do que eu o que é e como é para mim escrever um poema. Está tudo em “Arte Poética IV” de Dual.
O poema que ilustra e encima este meu texto foi escrito da seguinte maneira que passo a registar.
Eu vivo de uma maneira sofrida actualmente porque tenha uma doença psíquica, posso vir a ter dificuldades de dinheiro e o mundo não está cor-de-rosa. O dia a dia é muito sofrido. Desde que o meu pai morreu que decidi deixar crescer o cabelo que usei sempre muito curtinho durante 21 anos seguidos. Passados dois anos e só dois pequenos acertos do cabelo, decidi experimentar fazer rabo de cavalo. Comprei um elástico e quatro ganchos. Essa compra motiva o poema, a meu ver.
O poema surge assim de minha vida presente e passada. É autobiográfico à sua maneira. Já não uso rabo de cavalo. Surge da leitura. E surge da Sophia. Decalquei o poema “Soror Mariana – Beja”, de O nome das coisas.

SOROR MARIANA – BEJA

Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor.

A expressão “em rabo de cavalo” é o quotidiano. As minhas grandes influências, que admito e reconheço, são Sophia, Ruy Belo e Sylvia Plath. Foi com eles que comecei a escrever e é com eles e por eles que continuo a escrever e a ler.
Eu tenho a minha vida, mas assim como digo “Bom dia!” e a expressão “Bom dia!” não é de minha autoria, alguém a inventou muito antes de mim, a minha poesia é como se não fosse minha. Sinto-me despojada, desapossada, despossuída da minha poesia. O que faço é conviver: pôr a minha vida em comum.
A ideia das sombras e do desassombro não é também minha. Um namorado dizia a certa altura que havia menos sombras em mim, o que me fez ver que tinha havido e que havia sombras em mim. Um programador de televisão falou de desassombro a respeito de algumas das minhas prestações televisivas.
A minha poesia é uma poesia ao quadrado. Fiz uma metáfora de uma metáfora: em vez de trigos cortados, o cabelo apanhado em rabo de cavalo. Acrescentei um capitel: as sombras. Onde a Sophia viu paisagem, eu vi o meu corpo.”

(publicado originalmente na revista Relâmpago número 14, de Portugal e em 2008 na revista Inimigo Rumor nº 20)

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OBRAS DE ADÍLIA:

Este é um grande problema. Só tomei conhecimento do mundo de  Adília Lopes, quando ela “desembarcou” no Brasil, em 2002, com a ‘Antologia’, organizada pelo Carlito Azevedo, com posfácio da Flora Susssekind – minha ‘ídola’-  publicada pela  Cosac Naify, e a essa altura, ela já fazia poemas e poesia há tempos. (Observem os títulos, o que já é uma pista “quente” sobre a autora e os sutilíssimos vieses de sua obra. Sempre sarcástica, irônica e dedoublée. Aparentemente ingênua ou de menor importância, devia vir com um aviso: cuidado, o que vc está lendo  contém referências – as  nem sempre  e as completamente – explícitas a Ann Sexton, Sylvia Plath, Rimbaud, Verlaine, Camões, Clarice Lispector, Soror Mariana Alcoforado, Fernando Pessoa, Sophia, ah! e as intertextualidades todas e mais algumas…  ). Adília não tem medo do ridículo. Faz-se de tonta e muitos dizem que se expõe mais do que se devia.  Fala de sua doença e de sua aparência. E daí? Afinal… e o risco subscrito que faz parte do jogo perigoso?

Deliberadamente não escrevi nada pessoal ou (im)pessoalmente crítico. Para quê? Não só agora, Adília é já conhecidíssima, a internet está coberta de ‘adílias’. Uma verdadeira *sociedade da poetisa viva*.  Reparem, ela escreveu um  livro chamado “Clube da poetisa morta”.  Melhor alusão que essa? Para além disso, a mistura que faz entre o (auto)biografismo, o lírico  e o poético e o prosaismo da narração, alguns de seus poemas são narrativas – ela faz questão de mostrar… é o  que  imprime beleza,  em seu modo tão ‘despreconceituoso’ , a uma  invenção intertextual, que é  um verdadeiro  ganho insuspeito para quem a souber ler. Leiam comigo e descubra – e me ajudem a descobrir,  as marcas, os slogans, os aforismos, os *ditados*, os provérbios reconstruídos (a pão e agua de colônia, não é lindo e genial?), seus gatos que gostam de brincar com as baratas (dela). Vocês  lembram de um shampoo [xampu] chamado Vidal Sassoon?, pois Adília faz a festa, com Judith, Dalila e Salomé e seus próprios cabelos.

Pois bem, falando de águas que são passadas e de moínhos que são movidos, até que não faz mal dar uma lida  aqui na wikipedia.

Só para (não) finalizar, fiquem com esse presente  que me dei: Adilia Lopes; as crônicas do meu moínho.

***** Bibliografia:
[Primeiras edições:  Um jogo bastante perigoso. Lisboa: da Autora, 1985;
O poeta de Pondichéry. Lisboa: Frenesi/ & etc., 1986;
A pão e água de colônia (seguido de uma autobiografia sumária). Lisboa: Frenesi/ & etc., 1987;
O marquês de Chamilly (Kabale und Liebe). Lisboa: Hiena, 1987;
O decote da dama de espadas (romances).  Lisboa: INCM/Gota D’Água, 1988;
Os 5 livros de versos salvaram o tio. Lisboa: da Autora, 1991;
Maria Cristina Martins. Lisboa: Black Sun, 1992;
O peixe na água. Lisboa: & etc., 1993;
A continuação do fim do mundo. Lisboa: & etc., 1995;
A bela acordada. Lisboa: Black Sun, 1997;
Clube da poetisa morta. Lisboa: Black Sun, 1997;
Sete rios entre campos. Lisboa: & etc., 1999;
Florbela Espanca espanca. Lisboa: Black Sun, 1999;
Irmã barata, irmã batata. Braga/Coimbra: Angelus Novus, 2000.]
A mulher-a-dias. Lisboa: & etc., 2002.
César a César. Lisboa: & etc., 2003.
Poemas novos. Lisboa: & etc., 2004.
Le vitrail la nuit * A árvore cortada. Lisboa: & etc., 2006
***
E mais:
Dobra – Poesia Reunida. Assírio & Alvim, 2009
Apanhar Ar. Assírio & Alvim, 2010

(Neste, último, o que reservará Adília para nós? Eu, confesso muito triste, ainda não sei. E você o que achou? O que acha? Foi para vocês que fiz o post, talvez tenha ficado assim mais ou menos,  mais pra menos, mas lhes digo, falar de Adília é isso, uma odisséia, verdadeira  tarefa de Ulisses:-)

(updated)