ZUENIR, VERÍSSIMO e(m) BELÉM -Só Vendo.

Entre os dias 25 de agosto e 5 de setembro, realizou-se em Belém, a XIV  FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO . O mundo inteiro e  mais algumas  pessoas frequentaram o local (HANGAR, centro de convenções) durante esses dias, como podem ver no link.
O jornalista e escritor Zuenir Ventura, o escritor e colunista Luis Fernando Veríssimo, entre muitos outros, estiveram aqui como conferencistas e participantes em debates . No dia 8, de setembro, já de volta ao Rio Janeiro, mestre Zuenir escreveu no jornal O Globo esta crônica. Muito a contragosto, deixo de fazer qualquer comentário. Eu e meus adjetivos saímos de cena.( Afinal, como diria Noel Rosa: a Vila não quer abafar ninguém…)

ZUENIR VENTURA

SÓ VENDO

Acostumados com o clichê preconceituoso que acredita não haver vida inteligente fora do eixo Rio-São Paulo, nos surpreendemos quando encontramos alguma atividade cultural em cidades do chamado “interior” — o “centro” somos nós, claro. Por exemplo: onde é possível reunir cerca de 650 mil pessoas, um terço dos moradores, para tratar de um assunto meio fora de moda, a leitura? Pois acabo de ver o fenômeno em Belém, na XIV Feira Pan-Amazônica do Livro, um dos três principais eventos do gênero no Brasil, este ano dedicada à África de fala portuguesa. Houve shows com Gilberto Gil, Lenine, Emílio Santiago, Luiza Possi, mas o destaque foram os R$30 milhões faturados com a venda de 500 mil volumes, superando, segundo os organizadores, a Bienal do Rio.

Há cidades brasileiras que só vendo. A capital do Pará é uma delas. Além de ser uma das mais hospitaleiras do país, gosta de seu passado e é hoje um exemplo de como revitalizá-lo. Já escrevi e repito que a intervenção que o arquiteto Paulo Chaves fez no cais da cidade, transformando armazéns e galpões na monumental Estação das Docas, é uma obra que não deve nada à que foi realizada em Barcelona ou Nova York (o prefeito Eduardo Paes devia ir lá ver). Outro genial exemplo de reaproveitamento é o centro onde se realiza a Feira, o Hangar, um gigantesco espaço que antes, como diz o nome, servia de estacionamento para aviões.

E não fica nisso. Há roteiros culturais como o do núcleo Feliz Lusitânia e seu Museu de Arte Sacra, onde se encontram uma Pietá toda em madeira, o São Sebastião de cabelos ondulados e a famosa N. S. do Leite, com o seio esquerdo à mostra dando de mamar. Sem falar nos museus do Encontro e de Gemas do Pará, e numa ida a Icoaraci para ver as cerâmicas marajoara, tapajônica e rupestre.

Para quem gosta de experiências antropológicas, recomenda-se — além dos 48 sabores regionais, a maioria, do sorvete Cairu — uma manhã no mercado Ver-o-Peso, onde me delicio nas barracas de banhos de cheiro lendo os rótulos: “Pega não me larga”, “Amansa corno”, “Afasta espírito”, “Chora nos meus pés”. Com destaque para o patchuli, que a vendedora me diz ser o odor de Belém. Mas antes deve-se passar pela área dos peixes: douradas, sardas, tucunarés, enchovas, piranhas, tará-açus. “Esse aqui é o piramutaba”, vai me mostrando o nosso guia, o cronista Denis Cavalcanti; “aquele é o mapará, olha o tamanho desse filhote”.

Desta vez, o ponto alto da visita foi uma respeitável velhinha fazendo o comercial do Viagra Amazônico para mim e o Luis Fernando Verissimo: “O sr. dá três sem tirar, e depois ainda toca uma punhetinha”. Isso com a cara mais séria do mundo, sem qualquer malícia, como se estivesse receitando um remédio pra dor de cabeça. Só vendo.

Publicado no Jornal O Globo . Fonte: Radio do Moreno

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Brevíssima iconografia da crônica de Zuenir:
XIV FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO – ESCRITORES
ZUENIR VENTURA:

Zuenir na XIX FPL
Zuenir na XIV FPL

XIV FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO – ARTISTAS


A Pietà, do Museu da Arte Sacra:
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Pietà, Museu de Arte Sacra, Belém/PA foto Octavio Cardoso.

2- A Estação das Docas – projeto de Paulo Chaves.
belem2.jpg

3- O Mercado Ver-o-Peso, onde Veríssimo e Zuenir receberam a receita. Não que precisassem, é claro:-)

mercado ver o peso

E, last but not least …. ele!

viagra natural
viagra natural (amazônico)

Com isso, estou *fazendo a minha parte*, viu Denise Rangel, e viu, só, Allan? :-)
(a) Viagra Natural
(b). No Facebook – Sustentabilidade.

Nota :

Devo este post ao jornalista Fernando Jares Martins que escreveu sobre o assunto, em seu ótimo blog “Pelas Ruas de Belém”..

Dois pontos, um link e… Bienal do Rio

Machado de A-X

Letras, palavras e algarismos.

“Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases; o algarismo não tem frases, nem retórica.”

Machado de Assis “Histórias de 15 dias”, 15 de agosto de 1876. Crônicas.
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Alegria

“Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular”

Machado de Assis. Memorial de Aires.

(Particularmente, eu a-do-ro esta última reflexão;-)

Ah: O link é este.
Chama-se Relógio do Mundo. DON’T EVEN ASK por que ele é importante. Só sei que o recebi, há mais de um mês, do escritor Luigi Augusto de Oliveira .

Então, fica assim : A primeira citação é para Magaly, Selma Santalices e Lord Broken Pottery, unidos, de algum modo, pela Matemática.
O link…don’t even ask ;-o) e a música é para o meu estrelo. Tá bem?

Ouviram a música? Pois é!
Agora, não esqueçam da bienalriomf.jpg(como se alguém pudesse esquecer e visitem este blog maravilhso, com uma única postagem mensal. Do grande artista plástico Eduardo Lunardelli: o CHAPA BRASIL. Inconcebível não conhecer.

Parem as rotativas: Joel Silveira, profissão repórter (R.i.p)

Seria mesmo muita pretensão (coisa que aliás não me falta, para meu embaraço, algumas vezes e alguma pequena glória, em outras) a minha de fazer um necrológio de Joel Magno Ribeiro Silveira, na certidão e conhecido por todos os brasileiros que não só respiram, mas vivem, como um dos maiores repórteres de toda a História do Jornalismo.
Para escrever este texto não quis consultar nada nem ninguém. Sei como são os elogios fúnebres, ah eu sei. Afinal, o gênero é grego. Se é que me façoclara.

JOEL SILVEIRA ( setembro de 198 – agosto de 2007) foi um ser híbrido. Híbrido por demais eu diria: foi poeta, cronista, contista e tentou o romance em suas incursões literárias. Mas foi também político (Secretário de Educação do Estado de Sergipe).Agora o que fez de melhor, mesmo, no duro, foi ser repórter. Escritor (no sentido que se dá a quem escrve e é publicado) prolífico, repórter absoluto!

Ganhou prêmios importantes: o Machado de Assis , em 1998, pelo conjunto de sua obra e ganhou um honroso Prêmio Jabuti. Um prêmio Líbero Badaró (prêmio jornalístico)

O que eu queria escrever aqui é que ele era e foi muito, mas muito importante. A última notícia que tive dele foi em conversa com o querido Luiz Gravatá, meu Captain, e amigo de Joel – afinal, de quem o Gravatá não é amigo? E é *ruim* achar alguém com relevo e importância que não seja também amigo do Gravatá. Ou conhecido: ele estava mesmo muito doente.

Agora me digam, se ele estava tão doente e se atingiu a tal *idade provecta*, porque será que Carlos Heitor Cony na Folha de S. Paulo fez uma homenagem, re- publicando um texto antigo de 1998? Por que os necrológios dos colegas não estão coalhando a Internet ou os blogs de jornais? Por que esse vexame tão fácil de ser evitado?

A única – aprendi duramente, como crítica, que não se devem usar esses advérbios generalizantes, superlativos e excludentes, portanto deixem-me logo acrescentar que a única grande e boa matéria sobre o Repórter que se vai é a do Geneton Moraes Neto , em seu site e que tem a qualidade de mostrar que doente embora, Joel estava trabalhando e investigando, ocupado com os acidentes envim o descalabro (não só) aéreo do País e certamente sem poupar o Governo.

Agora o que eu queria mesmo era saber quem foi que colocou na cabeça de quantos que o Joel Silveira guardava alguma parecença, semelhança com Paulo Francis… ah isso eu queria.

Nada, absolutamente nada a ver.

Eu comecei a conhecer e a saber a respeito de Joel numa época em que a Universidade (ou se quiserem a Academia, se eriçava com a questão jornalismo X literatura.

E conheci o maravilhoso (meg-avilhoso, sim) texto de Joel, um encanto, uma delícia de sarcasmo, pimenta bem ardida, rascante e ferino, e um magnífico contador de causos. E criador de casos. E que ia às raias da deselegância e da ofensa mais desatinada.

And that is that.

Ele foi protagonista de uma das mais sborosas histórias que se têm notícia no mundo jornalísticos e eu que proverbialmente não sei contar piadas e nem *anedotas* (que são coisas diferentíssimas) como estou no meu blog e com meus leitores que são condescentes comigo (sim, eu sou uma flor amorosa) vou tentar reproduzir, pois já soube em terceira mão, contado, por ele, para uma entrevistadora famosa a nossa Oriana Fallaci, pisc* , Marilia Gabriela:

O Joel SILVEIRA deve muito da aura que possui ao seu talento colocado em cheque pelo medo: Ele se meteu numa enrascada do tipo “cherchez la femme” nos Diários Associados e como castigo o Assis Chateaubriand o mandou ser correspondente da F. E, B traduzindo, ele foi obrigado a ser correspondente de guerra. Morria de medo e Chatô lhe deu a ordem, sabendo o grande repórter que tinha, ordenou: “Você me vá cobrir a guerra e por favor não me morra!”

E Marília, séria perguntou: E aí? você não morreu?

Joel ainda mais sério: Claro que não morri, Marília, se eu morresse estava despedido.

Pano rápido!

E toda a minha admiração por Joel. Um comprador de casos . Grande Repórter. Grande bibliografia que eu me dispenso de escrever aqui. Vale tudo o que você encontrar que não seja literatura, mas Tempo de Contar, Record, 1985 – é o máximo. Faça-se o favor de não deixar de ler.

TUDO(quase tudo) s/ a SBPC-BELÉM: Mangal das Garças

nimbus_cumulus
Ó, isso aqui é só uma foto para vocês não dizerem que sou ingrata e me esqueço de vocês, logo eu que adoro vocês muito, mas deixa eu dizer o porque dessa foto (tirada de dentro do restaurante chi-qu-ré-ré-ré-simo MANJAR DAS GARÇAS, é assim:

quando eu era pequena, e estudava ‘na’ professora particular (explicadora) tínhamos sabatinas – um meia roda em torno da professora que fazia perguntas sobre a matéria dada; perguntava (mal sabíamos que ela tinha todas as perguntas e respostas já escritas num caderno). Se errássemos a resposta, pimba! apanhávamos um palmada de palmatória, ou seja ferro na boneca, um pedaço de pau e levávamos ‘bolo’ (vem cá vcs estão entendendo?) nas palmas da mão.
Eu, a mamãezinha aqui, claro e obviamente nunca, nunquinha que apanhei um bolo sequer;-))… quer dizer, apanhar, apanhei, mas foi injusto, claro: eu já ia responder, mas demorei demais. A pergunta era, ameaçadora: “Tipo de nuvens que prenunciam chuva?
Duvido vc responder depressa. Pois é. Eu demorei porque fiquei na dúvida entre nimbus e cúmulus. (se estiver errada a grafia é porque desde que eu apanhei o tal bolo /palmada até hoje, jamais me perguntaram de novo e… pois é! Ou seja, claro que não errei, apenas demorei, concordam? Professora malvada, aluna vacilosa;-))) , Ah! e quem dava o bolo era outro aluno mais esperto, ou que até colava do caderno da”profe” e respondia tudinho. Uns sádicos. Daí que quando vi essa foto meu coração parou e eu disse a: Ai, mamãe!, olha as nuvens!!!!

Temos mais de 200 , não 180, não, quase 500 fotos que temos eu e Luana- (que foi ver o pôr do sol numa ilha próximo de Belém, u-ma-coi-sa de lindo!) – da paisagem amazônica perfeitamente conservada e protegida dentro, absolutamente dentro da cidade. Foi o arquiteto Paulo Chaves (é o maior) que projetou o complexo inteiro, onde era um mangal, hoje há viveiros de garças , “guarás”- essa é uma história à parte -, restaurantes, a melhor cozinha do mundo, venham tirar a prova – tudo, tudinho que a floresta tem, o homem intervindo na natureza, mas de uma forma absolutamente filosófica, arística e recriadora;
Vejam só o que há no pórtico , na entrada do Mangal das Garças, que é dentro da cidade , repito, num bairro chamado ARSENAL e que fica na chamada Cidade Velha, ou seja o Cenrtro Histórico de Belém, como em Espanha, o El Viejo Madrid:
barco_vazante_trapiche

“O homem que deixou de ser escravo da natureza, tampouco é o senhor que nela impera, deveria ser o seu vigilante guardião.”

Benedito Nunes, o sábio paraense, que o mundo inteiro conhece e resoeita e admira.

Como? Você não sabe o que é um MANGAL???!!!!!! Olha a palmatória:-)), mas que nada, aqui há uma definição de mangal que é um caoisa fantástica e eu se morresse na quarta-feira, morria e não sabia hohoho. Já quanto a outra coisa: pode ler o que é o Mangal das Garças aqui. E podem até, para não ficarem meio tristinhos, fazer um passeio virtual.
É per-fei-to!
Depois colocarei aqui as fotos das pessoas, as pessoas cientistas e as pessoas não-cientistas. Se bem que a Selminha – a professora SELMA Amadora Lima Henriques SANTALICES aí, é cientista : ela é matemática, a melhor etc etc etc.
Por ora , é só! ah! e não confundam: Mangal é uma coisa e o Manjar das Garças é o restaurante.
sabrina_glasses

M3367S-4507 Sabrina é da Ciência da Informação : Redes. Ela é de Brasília. Tudo o que ela está vestindo ou usando é de Belém, artesanato e produção regional desde o vestido até os brincos etc.
Beijos madrugadores. Sawubona, people e gente e pessoas queridas: também podem acompanhar a saga aqui no FLICKR.COM , certo? E comentar lá também, certo? hahaha, James e everybody!!!!
—***—
Queridos , um pedido especial: façam como o Valter Ferraz, ele quando vê que o comment não aparece, manda logo um aviso. O antispam é novo e às vezes se engana. Grazie. Buongiorno. Ciao!

P.S Gente, voltarei depois, no final do dia para responder os demais , mas já agradeço à Magaly, à Lou, a todos, e em especial à querida MATILDA PENNA . Uau!!! Como essa moça escreve bem . Escrever bem é difícil e escrever bem e belissimamente como ela faz, é coisa de sonho, de deuses.
Matilda escrevesse eu como você e já não falava mais com ninguém!;-))) Beijos.

P.PPS -A comunidade SELMA SANTALICES, no ORKUT é esta e mais esta: ..te mete!;) . Ela é profe de Geometria Analítica e Calculo Diferencial Intyegral e Geometria Euclidiana.. agora, vão lá para ver as melhores frases dela, segundo os alunos e é a unica professora de Matemática que os alunos e ex-alunos adoram…Eu, hein?

Ainda sobre o ensino público…comentário ao post de Lulu

Olá a todos os que eventualmente me lêem:
Seguinte: eu escrevi um post sobre o que me cabia (pelo menos o que eu achava que me cabia dizer) a respeito da ocupação da Reitoria da USP, e que possivelmente o panorama já deve ter mudado, baseado em um post da minha amiga, a professora Luana que escreve o blog Diário da Lulu
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Cultura digital – desconferências (Updated)

“[…] cultura digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural.O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte.”

Gilberto Gil . Ministro da Cultura, em aula magna na USP, 2004.

E *desconferência* você sabe o que é?
Se, como eu , você não sabe, sabe pouco, ou muito a respeito, leia, com atenção, este blog; um dia, logo, você vai precisar saber:

DIVERSIDADE DIGITAL

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