Benedito Nunes (1929-2011) RIP (Updated)

Hoje, em Belém, morreu o professor, pensador, escritor, crítico de arte e ensaísta, Benedito José Viana da Costa Nunes. Palavras? Palavras não há.

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Benedito Nunes, um sábio, o mestre. clique para ampliar

Leia aqui, o texto-homenagem:

Benedito Nunes, o iluminista dos trópicos.

Na excelente Revista Brasileiros.

E aqui, uma bela matéria da revista CULT – clique.
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Folha de S. Paulo.

Jornal do Brasil

O Estado de São Paulo

Entrevista para o jornal O Liberal. Não deixem de ler os comentários.

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Update:


Benedito Nunes,  insuperável  crítico de arte, fala a respeito de pintura e fotografia com Jorge Coli (em video do Itaú Cultural)

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Rose, muito obrigada, esse vídeo é precioso. Eu não conhecia, claro… se não fosse você...

Noël Rosa – o centenário do poeta do samba.

noel e o cigarro emblemático
Noël Rosa
, nascido em11 de dezembro de 1910,   é o maior, e muito possivelmente, o melhor compositor popular brasileiro. Morreu, em 4 de maio de 1932. E esse  é o fato que mais impressiona: morrreu aos 26 anos e compôs cerca de 256 músicas.

Duas obras nos dão conta desse gênio :

1A famosa biografia de Noel,  por João Máximo que hoje está sendo contestada pelos herdeiros, apesar de a obra de e sobre Noel já estar em regime de domínio público. E dificilmente será reeditada ou haverá alguma reimpressão. (queira ver neste link )

Ironia, em sua música Fita amarela de 1932:  “ Quando eu morrer, não quero choro nem vela/Quero uma fita amarela gravada com o nome dela/Não quero flores nem coroa com espinho/Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho/Estou contente, consolado por saber/Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer./Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém/Eu vivi devendo a todos mas não paguei a ninguém…/

2- Noel pela primeira vez. A totalidade da obra de Noel foi recolhida, num trabalho cheio de percalços, que durou cerca de 10  anos, pelo professor e pesquisador  Omar Jubran, Por dez anos, trabalhando nesse resgate, conseguiu reunir, a obra completa  do compositor: em 14 CDs e em 14 volumes, 229 músicas, cujo escopo era reunir toda a obra de Noel, incluindo os inéditos e os até então desconhecidos e, importante, as músicas gravadas por Noel (queira ver aqui).

O que encontrei de melhor sobre o centenário de Noel está aqui em dois soberbos trabalhos:

1-A  Semana Noel Rosa, coletânea de 7 posts sobre Noel, valorizado pela leveza da linguagem e pela seleção pessoal de músicas e excertos das letras -feita por André Barcinski.  No post  que  fecha a semana ele escolhe suas 10 músicas preferidas , do Poeta da Vila. Ora, André, em cerca de 250 músicas, praqticamente todas geniais (Noel jamais deixou cair a qualidade,  quer nas letras e também nas músicas, escolher só 10…tsc tsc.. que ‘judiação’ ops… 0 termo politicamento incorreto que Noël oferece em sua  “Leilao

2 ‘O centenário do poeta maior’, por Julio CesarRibeiro, conhecedor profundo do assunto, do samba e da música brasileira. Primoroso, riquísimo. Não deixe de ler, mesmo que você ache que conhece a vida de Noel. Lá, você encontra, de forma detalhada e ilustrada a famosa polêmica de Noel e Wilson Baptista. Corra pra lá.

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Eu, de fato, fico angustiada e nervosa quando me dizem escolha os seus dez filmes preferidos, seus 10 ou 15 livros idem, os que levaria para uma ilha deserta…suas 10 séries ( eu amo Law&Order e todas as franquias e House) mas amo outras também e quando querem que eu escolha 10, dá  vontade matar e de morrer (assis valente).
É terrível saber que o que você escolhe, significa que um milhão de outras probabilidades ficaram de fora. Irrrgh.
Mesmo assim vou deixar estas duas, uma sentimental, Noel cantou o amor sentido, o amor sofrido, complicado, a um tempo poético e autoflagelador. Um masoquismo que faria o Leopold morrer de inveja :

“Jurei não mais amar pela décima vez/jurei não perdoar/ O que ela me fez (…)/ Joguei meu cigarro no chão e pisei/Sem mais nenhum/Aquele mesmo apanhei e fumei/Através da fumaça/neguei minha raça/Chorando a repetir/Ela é o veneno /Que eu escolhi/Pra morrer se sentir”/

Mas o sofrimento de Noel era escondido (ou realçado) pela malandragem, pela malícia, pela ironia e pela zombaria. Eis aqui uma que é obra-prima  (btw, serve de epígrafe ao maravilhoso blog do artista plástico Claudio Boczon).

“O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu/e também vão sumindo, as estrelas lá do céu/Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal/A minha terra dá banana e aipim/Meu trabalho é achar quem descasque por mim /(Vivo triste mesmo assim!)

E para dar o toque final, a letra filosófica: Positivismo
“A verdade, meu amor, mora num poço / É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz / e também faleceu por ter pescoço / o infeliz/autor da guilhotina de Paris (…) O amor tem por princípio, a ordem por base / o progresso é que deve vir por fim / desprezaste esta lei de Augusto Comte / e foste ser feliz longe de mim (…) Para não sentir mais o teu veneno/Foi que eu já resolvi me envenenar”

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Discografia de Noel Rosa .

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Cereja do bolo:

Marcos Sacramento – Pela Décima Vez – (beleza puríssima!) Ouça, bem alto, ouça tudo!:-)Resistir, quem há-de!

O amor termina. Quando? como?

jill swan lake ballet

O filme  An Unmarried Woman (“Uma mulher descasada”) .  O ano 1978.  O diretor, Paul Marzusky.  Nunca assisti no cinema. Todos falavam, críticas em revistas,  jornais,  e pessoas, tipo assim gente, de cara e dente, vizinho da gente etc… , os prêmios e indicações.  Dizem que, no Brasil, a série  Malu Mulher, (cómeçar de novooo, Simone)  que bombou e fez cabeças em sua época, era cria legítima do filme. Foi o filme- produto-ícone da causa feminista. Eu, nada e  lamentava não estar entre os happy few. Um dia, década de 1990, na HBO, a amiga telefonando, avisando, o filme já começando. Vi, e vi que era bom.  E, pelo que vi , o mesmo tema  e  quase no mesmo tom – foi repetido à exaustão. Compreendi que sim, para a época,  o filme, as situações, o chamado ‘discurso’, ah sim, deve ter sido mesmo um breakthrough para o feminismo, um novo ethos.  Uma coisa, porém, eu jamais esqueci e ficou até hoje registrada.
Quero falar da reação de Érica (a personagem do filme), mulher bonita, rica,  (não classe média, eu diria), conhecedora de Arte, tudo do melhor que você possa imaginar -‘estilo os ricos também choram’ – bem casada, bem sucedida, feliz,  e muito glamourosa, sobretudo, muito glamour, assim do nada recebe a notícia do marido: ele  quer e vai abandoná-la,  quer o divórcio: conhecera outra mulher; quer sair pra outra.
A reação de Érica, eu dizia, foi de tal maneira ‘flabbergasted’, estupefacta, ela mostra tal confusão, a dor, o reflexo, o sentimento, a razão em xeque: como o amor pode acabar?!!!  ( só por essa cena e sequência, Ms. Clayburgh (‘captured the imagination of a generation’) vale um tratado de atuação). Ao contrário de tudo o que me disseram, por esta cena, nada de feminismo, mas a angústia do ser humano diante do que não compreende, do que não se explica, do que não se comunica, ‘do que não tem jeito nem nem certeza, nem vergonha, nem nunca terá’.

Eu realmente procurei na Internet (onde mais? hein Tereza?, hein Cat?) mas não encontrei  as quotes, as lines desse diálogo ou melhor desse monólogo magistral. Ela diz, acreditem em mim, ela pergunta, feito torrente:  — Como deixou de me  amar? quando você deixou de me amar?  Como foi? Por inteiro ? por partes, deixou de  amar primeiro o meu rosto? Depois o meu corpo? Foi deixando de me amar por partes?  Foi aos poucos, um dia gostava menos que no outro dia? Um dia quis que eu não existisse, que desaparecesse, que morresse? Foi me tirando de dentro de você… em que momento…? As perguntas esgotando qualquer possibilidade de resposta, não buscavam respostas, queria mesmo isso: perguntar. Porque quando não sabemos inventamos o espaço da pergunta.
Situações como essa, são banais. Aí estão, por um lado,os cronistas, as colunistas ‘que tem paixão pelas relações humanas’ (com todo o respeito) explicando o que se passa nesses momentos. Concordamos ou discordamos delas, se assim sentirmos. Ou concordamos com o doutor Calligaris, em outro plano. Mas, de fato, não sabemos nada a respeito de viver essas situações.   Não sabemos nada dos sentimentos de ninguém, nada sabemos da dor, do prazer ou do amor do *outro* . A compreensão, se houver, é analógica, a percepção é parte da realidade, somos o centro de referência da percepção: sei do amor, porque o sinto. Porque sinto   a (minha) dor é que imagino a dor do outro.
Os (filósofos, pensadores) existencialistas se baseiam na subjetividade (primeiro em Sócrates) de Descartes, experiência radical de solidão: a realidade é a realidade pessoal de cada um de nós, da existência, a minha, irredutível à dos outros.
Daí as perguntas tão conhecidas – “foi bom pra você“? ou  “doeu“? (a mãe perguntando depois da queda ou do machucado do bebê). Ou a expressão “algo se quebrando dentro de mim’  que só tem sentido… para mim. Não mais. E é porque não sabemos nada do prazer, da dor, da vergonha do outro, que criamos a linguagem que diz, explica ou mascara o que sentimos ou o que o outro sente.  Solipsistas, somos todos. Na verdade, quando perguntamos  sobre a dor de se perder o amor queremos, com a pergunta, nos apossar do desamor do outro.

Mas este texto não pretende, longe de mim, ser ‘afetado’, me perdi em explicações dispensáveis. O melhor de tudo é ver Jill Clayburgh, ou melhor, Erica, de  completamente desorientada até ao ganho da consciência de enfrentamento com a vida que lhe restou, para suas experiência e tentativas agora, por sua própria conta e risco. Sem depender a não ser de si mesma, as suas procuras de definição, auto expressão, e de encontro de um ‘teto que seja seu‘ (**).
E, como  afinal, os homens são ‘o‘ problema mas não sao ‘o” inimigo, existência é coexistência, e  viver é convivência (Mitsein) o melhor mesmo é  ver o que perpassa- na bonita e engraçada, simbólica e engraçada cena final,  quem sabe uma troca – metáforas abolidas -:  Alan Bates ou  um quadro dele.

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(*) Jill Clayburgh morreu aos 66 anos, em novembro passado, após lutar 21 anos contra um cancer linfático. Chapeau! Ms. Clayburgh.

(**) Expressão que dá nome a um ensaio de Virginia Wolf. Usado também,  e traduzido, por Clarice Lispector.

(***) Tive motivos pessoais para escrever este texto, mas ele saiu mais depressa, depois da referências a situações em Perto do Coração Selvagem, de Clarice e de alusão direta à ensaísta Yudith Rosenbaum.

João Guimaraes Rosa, sua Hora e sua vez

JGR Museu cordisburgo
.

Tude se finge, primeiro; germina autêntico é depois.”
De um dos prefácios de Tutaméia.

 

Uns tesouros que quero dividir com vocês: são fragmentos de uma homenagem feita a Guimaraes Rosa, por um amigo seu, médico, escritor, intelectual brilhante e Professor Emérito da Faculdade de Medicina da UFMG,  Luiz Otávio Savassi Rocha.
Publiquei este excerto no Sub Rosinha… bem, leiam até o fim,  lá nos encontramos:-) Naqueles dias de 2001, não havia o Google – e dá pra se imaginar o mundo sem o Google? – hoje, não digo que seja mais fácil, longe de mim,  é apenas mais simplestudo está aqui. Leia mais deste post

II Colóquio Filosofia e Literatura – GEFELIT

De 18 a 21 de outubro, o GRUPO DE ESTUDOS EM FILOSOFIA E LITERATURA (GeFeLit) da Universidade Federal de Sergipe estará promovendo o II Colóquio  Filosofia e Literatura – FRONTEIRAS. Este ano, o homenageado será -adivinhem – o professor Benedito Nunes.

Eu poderia deixar só o link, mas o programa é tão valioso quanto difersificado, os convidados e participantes são o que de melhor existe na área de reflexão convergente entre esses dois domínios: a filosofia e a literatura, que não posso deixar de exibir aqui o conteúdo do encontro:

No dia 18, terça-feira:
Conferência de Abertura:
“Deleuze e a literatura”
Prof. Dr. Roberto Machado – UFRJ(*)
Dia 18 de outubro, às 19:00hs
No Auditório da Didática V – UFS

Vejam só o programa: Leia mais deste post

Benedito Nunes ganha Premio Jabuti 2010

Mais um prêmio relevante  (todos os prêmios e homenagens são mais que merecidos) para Benedito Nunes, o escritor, pensador, crítico, ensaísta e professor paraense Benedito Nunes.
“A primeira fase do 52º Prêmio Jabuti já foi concluída e comemorada pelos vencedores das 21 categorias da premiação. Uma delas é Teoria/Crítica Literária, cujo primeiro lugar é do paraense Benedito Nunes, com a obra A Clave do Poético. Editado pela Companhia das Letras e organizado por Victor Sales Pinheiro, o livro reúne uma série de ensaios sobre os pontos altos da produção de Benedito Nunes. A Clave do Poético – O crítico, filósofo e professor discorre nos ensaios sobre a filosofia de Nietzsche, Spinoza e Wittgenstein e vai até os mais recentes desenvolvimentos da literatura brasileira contemporânea.”

Leia mais aqui: Benedito Nunes recebe o Prêmio Jabuti…

Penso que os leitores do Sub Rosa são como eu mesma: adoramos saber do Leia mais deste post

Benedito Nunes – homenagem

Mais uma homenagem ao grande sábio:

mais homenagens

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O professor, crítico, ensaísta, pensador e escritor Benedito Nunes ganha homenagem da Saraiva

Ele será homenageado em meio ao coquetel de lançamento da inauguração  da Saraiva Megastore, aqui em Belém, na quinta, 19, às 19 horas.

Leia aqui um perfil de um dos mais respeitados intelectuais reconhecido mundialmente, ainda em vida. Leia e aí então vc vai entender por que ele é uma glória, simplesmente o “mACSSimo”, um orgulho para o Brasil, em tempos de valorização de tanta mediocridade.

Ah! sim, não é por nada, não, mas é que eu vejo e leio por aí tanta gente se definindo como “filósofo” (grossas aspas e fat chance) que fica meio difícil a gente saber por que um estudioso e pensador da mais rara estirpe filosófica, recusa o título de filósofo ligado a seu nome.