Coda: Poiesis e Techné

   

     A publicação do  texto a seguir foi inspirada pela Dra.  Marília Jackelyne Nunes, a minha querida Marília, preciosa amiga, de muito tempo, a quem tanto admiro, sobretudo pela lucidez e inteligência proficientes. Advogada e poetisa, dupla qualificação que maneja com igual habilidade, conduziu um vivo debate, no Sub Rosa, a respeito do fazer literário, seu valor, sua utilidade, seu sentido, sua função e objetivo. Movida pelo apreço a este espaço, em minha ausência, acorreu voluntariamente no difícil momento, introduzindo uma discussão acerca do valor das duas linguagens, a poética e a técnica. Claro está que ela “mimetizou” o verdadeiro questionamento do tema. Seu objetivo real, creio -firmemente -, era acender a troca de opiniões – o velho exercício grego tão caro a esta que vos tecla.
Como o tema geral do debate é de minha particular preferência e estima, só posso agradecer à querida Marília, pelo desvelo, carinho e respeito. Pela sensatez e sabedoria (tão jovem ela é) com que ela sempre nos proporciona viver plenamente a única e breve vida que nos é dada. Ter uma amiga como a Marília  só faz me dar uma inveja danada de mim mesma:-). Pertinente ao tema, peço licença a todos os leitores, para dedicar a ela este curioso e esclarecedor(?) artigo.

“Psicoterapeutas estão sempre diante de um objeto de trabalho fugidio, fluido, impossível de ser aprisionado completamente nas teias da compreensão racional. A literatura técnica é preciosa, porém muitas vezes árida e complexa, fazendo com que o pensamento e a comunicação se tornem densos, pesados e obscuros.

Um jeito de sair desse dilema é ter contato com a poesia. Com ela se aprende a dizer o indizível, a falar e a pensar de um jeito que vai diretamente ao coração e aos sentidos, a expressar as coisas mais complexas de um jeito cativante e belo. Como exemplo, convido o leitor a um exercício lúdico com base em um soneto de Fernando Pessoa. Quero, através da justaposição de discursos diversos, alcançar uma região onde possa haver uma ressonância e fecundação mútua entre as diferentes formas de expressão. De um lado a científica, que rodeia e detalha o tema, com estrutura voltada para a coerência e a clareza. De outro, a poética:  fluida, vibrante, contundente, aberta. Vamos a ele:

“A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.”

Nesta primeira parte do poema, o poeta pode estar descrevendo o fato de haver frequentemente, no processo de desenvolvimento pessoal, uma ruptura precoce (primeiros anos de vida) com algo muito essencial no âmbito emocional e psíquico. Há a criação como que de uma “casca” que não é realmente o indivíduo, uma camada que recobre a essência e que é mostrada ao mundo e a si mesmo como sendo o “eu”. Diversos autores descreveram esse fenômeno, com nomes e explicações diferentes, mas com diversas semelhanças entre si: Gerda Boyesen o chamou de personalidade secundária; Reich, de caráter neurótico; Winnicott, de falso self, Jung de identificação com a persona. Encontramos ainda em Freud o conceito de amnésia infantil, que apresenta ressonâncias com o tema abordado.

Verificamos que, apesar do falso self ser algo diferente da essência do ser, a maioria das pessoas está identificada com essa camada externa. Muitas vezes o fluir da vida e seus acontecimentos acabam levando à percepção de que há “algo mais”, que aquilo que parecia ser o “eu” na realidade não o é, e que permanecer nessa camada seria levar uma vida oca e sem sentido. O poema parece falar desse momento em que é percebido o vazio da armadura externa, e do desejo de buscar aquilo em si mesmo que é essencial, que necessariamente é infantil (uma ruptura dessa magnitude só poderia se dar num estágio precoce do desenvolvimento) e chora (sem sofrimento não haveria pressão suficiente para tal cisão).

Se fossemos utilizar o jargão, ficaria mais ou menos assim em linguagem técnica:

No meu desenvolvimento psicossexual, no decorrer da minha infância, houve conflitos que me fizeram sofrer. Meu ego, usando o recalque e outros mecanismos de defesa, tornou esse conflito inconsciente, havendo como consequência uma fixação da libido em uma das fases desse desenvolvimento. Gerou-se em mim uma típica amnésia infantil que me pro¬tege de memórias doloridas e conflituosas. Esse processo foi tão intenso e profundo que deu-se uma ruptura no contato com meu cerne biológico, criando-se em mim uma estrutura de caráter neurótico, uma personalidade secundária. Muito cedo na vida meu self verdadeiro não encontrou um ambiente que permitisse sua expressão espontânea e livre. Devido a isto, criei um falso self através da submissão às exigências ambientais e é isto que vivo hoje como sendo o meu eu, tendo a vaga noção de que em algum lugar de mim existe este self verdadeiro, aguardando um momento propício para vir à tona, qual semente em solo seco esperando a chuva. Isso tudo bloqueia minha circulação libidinal e minha capacidade de auto-regulação, a um ponto tal que impede o contato com meu desejo e com minha energia vital, e por isso sinto minha vida bloqueada e sem sentido. Quero reverter este quadro e creio que o caminho a ser trilhado nesse sentido é o de retornar ao momento do conflito infantil original para tentar resgatar a minha essência vital. Devo, para tanto, conscientizar aquilo que é inconsciente para poder resgatar o material infantil patogênico causador da minha neurose e do meu descontato comigo mesmo.

Observamos que a linguagem da psicanálise é mais detalhada e precisa. Mas nunca terá o sabor, o impacto e a concisão de um bom poema.
Podemos e devemos pensar como Freud, mas seria bom se pudéssemos nos expressar como Pessoa.
Como diz Helena Rosenfeld, “a arte, a linguagem poética e metafórica, é um dos meios pelos quais podemos tangenciar o indizível, roçar o não-representável, isso que escapa da designação, essa realidade que a linguagem busca e não acha”.

Fica aqui o convite ao leitor para que, caso tenha achado interessante a brincadeira, divirta-se com o poema completo:

“A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.”

Ricardo Amaral Rego
Médico e psicoterapeuta. Diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

28 Responses to Coda: Poiesis e Techné

  1. valter ferraz disse:

    Meg, para quem tenta ler o Livro do Desassossego do Fernando Pessoa(ou seria do Bernardo Soares?) o texto do post vem a calhar. Personas e mais personas escondendo/mostrando quem é ou foi. O autor às vezes usa suas artimanhas e noutras está apenas tentando se esconder/mostrar ao mundo. Um exercício de psicanálise, creio eu. Logo, eu que não tenho formação acadêmica auguma, bruto como um Boka do Capão, só ternho a aprender.
    Na literatura e na vida temos que usar tudo o que tiver à mão.
    Beijo, menina

    • sub rosa disse:

      Valter, meu querido afilhado,
      Verdade verdadeiríssima:-). E maravilhoso seu comentário, elegante com uma disjunção inclusiva… adorei. O personas artimanhas e esconder/mostrar.
      Ah! Valter, quando sai seu segundo livro?
      Um beijão em voce e outro leve para Aninha.

  2. Isabela disse:

    Meg, outro dia, vi alguém chamar o fingidor de Fernando Pessoas hahaha. É John Gray que, em Cachorros de palha, discute de forma interessante sobre o self como um feixe de memórias. Quero até reler esse livro.

    Ah, lendo este post, lembrei logo de um trabalho de Escher que foi utilizado por um professor meu em uma de suas aulas sobre poiesis: Autorretrato en esfera reflectante, 1935; M.C. Escher . Dá para vê-la aqui, neste link que encontrei via Google: http://bit.ly/pbIwq7

    Beijo, Meguita. Take care.

    • sub rosa disse:

      Belyta, querida, vamos começar pelo fim, com o take care: estou fazendo isso, por isso só vim agora, pisc*:-). Obrigada, obrigada.
      Bem, próximo passo, vou confessar um segredo, não conte nada a ninguém, mas aqui pra nós, que ninguém nos ouça nem leia: eu – jamais de la vie tinha ouvido falar em John Gray! E você vai até reler! eu não digo o que digo? :-)
      Que caia sobre mim… etc e tal:-)
      Outro segredo, este pior ainda, eu pensei que você tivesse se enganado e confundido o nome do Peter Gay:-) lembra? Bem mais no contexto do texto:-)
      Agora, do Escher eu sou presidente do fã-clube mundial. E é quase imposssível que estudos sobre a poiesis deixem de citem o gênio, não é?
      Adorei o quadro da mão, quase uso para ilustrar o texto.
      Obrigada, minha menina, você é o meu orgulho.. isso quando não humilha a gente:-), pensa que eu não li o que falaram de mim? hahahah.
      Ah sim, depois vou lhe responder sobre o orifício do Chico:-) gostou? Como você e Flavinha dizem: kkkkkkkk
      beijos.

  3. marilia j. disse:

    Meg. Primeiro, rompendo o meu silêncio auto-imposto, agradeço as palavras delicadas – e talvez exageradas – a meu respeito. Sobre o texto, não duvido que o pessoa estivesse em auto-análise ao escrever. Fingir a dor que sentia, afinal, era uma das finalidades de seu fazer poético. Nisso, nalgum momento, senti a similitude, talvez imaginada, entre o pessoa e a amy. Viajei?

  4. sub rosa disse:

    Marília, minha bela
    Tomara que você possa ler essa resposta, se não eu mando pra você por email, certo?
    Estou triste, muito triste porque você, novamente, vai se submeter à inflexível vigilância da Santa Inquisição, mas a causa é nobre, justa, principalmente justa:-) Vou sentir muito, afinal você equilibra(va), às maravilhas, a minha ecologia afetiva. Nem lhe conto.
    Nah! de jeito nenhum exagero, embora pessoas como você, já lhe disse, só possam ser descritas com exagerados exageros:-).
    Nah! de novo, você não viajou, tenho certeza, embora eu pense que “fingir a dor que sentia” não era propriamente finalidade mas meio de Pessoa tornar real o seu fazer poético. E até mesmo de gerir sua vida, adiando a morte (o que não aconteceu com o amigo Sá-Carneiro)
    E acho sim que há similitude com o material de vida de Amy .Que foi à última consequencia, infelizmente.
    beijos, querida

  5. Magaly disse:

    Estou sempre a repetir que a linguagem poética é a que consegue transmitir, em sua síntese, a profundidade de sentimentos e dores, o arroubo de emoções, tudo que é impossível externar: espanto (vide resposta de Gullar na enquete do post anterior), dor, medo, mistério profundo, crueldade.
    Fernando Pessoa atingiu um patamar de capacidade incrível em manipulando a linguagem sucinta dos versos. Nesse soneto, nessa auto-análise, ele percebeu seu ‘falso self ‘e dispôs-se a identiicá-lo pela integridade de seu eu psíquico. E que exemplo de clareza nesse divagar psicoanalítico!

    Ih! Eu não tenho que falar do que não entendo. Em boa hora, lembrei-me de que temos no nosso time duas psicanalistas. Acudam vocês duas, Helô e Marianna!

    Meu dia amanhã está tomado. Só posso voltar à noite. E vou querer ler tudo que vcs tiverem escrito. Aliás, estão meio difíceis esta semana e a próxima, mas hei de’ tirá-las de letra’.

    Isabela, já vou atrás do Cachorros de Palha. Já tinha lido uma entrevista desse pensador britânico. Precisamos abrir os olhos, pensar, refletir. E o artista Escher ! Lembro da exposição dos trabalhos aqui, no Rio.

    Meg, seu post está fenomenal . Admiro muito nossa Marília. Que ela possa voltar rapidinho, rapidinho.

  6. sub rosa disse:

    Ih, minha maga Magaly querida, você tem toda razão. Repete, mesmo.
    Pois é, o *espanto* é (causa) de quase tudo. Da estranheza, da ruptura da familiaridade com o que nos rodeia, da problematização, o theorein, da reflexão, da crítica, e duma coisa importantíssima, em minha opinião: o autoconhecimento, ou pelo menos da investigação a respeito do eu.
    Agora, tenho uma dúvida, quando se dá essa mudança de atitude, quando somos “revirados” pelo espanto, pela perplexidade, será que temos consciência de que podemos transformar isso em criação e aí fazemos isso?. Ou é justamente o contrário: nós nos expressamos na linguagem de que dispomos e os outros é que descobrem isso em nós? O “outro” é que é dono dessa interpretação?
    Você que é poetisa, na qualidade de poeta, quando você cria (gesta, como você gosta de dizer) um poema, você tem consciência de todo o significado que sua criação encerra?
    Ei, Nelsinho, essa pergunta é para você também, querido Amigo.
    Em poucas palavras, você se entrega a duas atividades: uma de criar e outra de interpretar?
    (e olhe, eu acho que isso não se aplica só à Poesia, também pode estar ligada à arte, à ciência, filosofia, à psicanálise, e até mesmo à técnica. Qual o seu pensamento a respeito?)
    A propósito, e quanto à sua Maria Elisa, o que ela pensa sobre isso?
    Eu também não entendo nada de psicanálise, além do superficial e estou lutando para trazer de novo a Helô para cá, você sabe o porquê, não sei se ela vem, acho que sim.
    Mas, como diz a Marília, exorto:-) a Mariana, que não se espante e participe da discussão. Ela poderá nos trazer um grande aporte.
    -=-=-=-
    Tá vendo só? Você e a Isa sempre me “humilhando”, puxa, vocês sabem de tudooo:-)) Cachorro de Palha, né?
    =-=-=
    Agora, muito importante: a Marília é adorável, exemplo de pessoa altruísta, delicada, desprendida, atenciosa, e sensível. Ela fez o que você faz sempre por mim, minha linda. E isso me tocou o coração.
    Ela e você “organizam o movimento/ orientam o carnaval/E inauguram o monumento/No planalto central do nosso Sub Rosa”/
    Certo? diga lá,:-)))
    É o que eu digo: quando penso que conto com pessoas como vocês, sinto que tenho muita sorte de eu ser eu:-), quem vai poder negar?
    Iuhuuuu!
    beijos

  7. Orlando Gemaque disse:

    Meg, isso me faz lembrar o que aconteceu com seu ídolo Noel Rosa: de um relatório médico ele fez uma letra de samba (que depois foi musicado).
    Daí, eu pensei que se pode fazer um bom parecer jurídico ou um diagnóstico em versos, tranqüilo, com rima e tudo.
    Mas o inverso, será que pode?

  8. Magaly disse:

    Sua pergunta, Meg, muito sagaz, aliás, bem colocada e pertinente devia ter como alvo um profissional, com conhecimento de causa, que lhe pudesse fornecer uma resposta de nível alto. Eu sou uma intuitiva, uma pessoa que apenas se identifica com o falar poético e só posso dar uma resposta guiada pela intuição natural. Intuo, por exemplo, que, diante do inexplicável, do contundente, da dor profunda, do encantamento, processa-se no íntimo do poeta essa urgência em externar-se sem, necessáriamente, essa percepção criadora imediata. Que pode até existir na esfera do inconsciente. Agora, que os ‘outros’ descobrem algo mais do que o próprio poeta , isso lá é verdade. Lembro-me de alguém me ter contado sobre um comentário delicado (de CDA?) sobre poemas criados tão à vontade nos quais leitores e críticos encontravam tantos sinais criativos, presença de tantos recursos linguísticos. À sua segunda pergunta, respondo não, não tenho essa consciência, minha urgência é expressar-me, reduzir a carga emocional que me aflige ou encanta. E acho, sim, que essas questões têm muito a ver com a arte. Literatura e arte não se dissociam e a psicanálise está em todas.
    Meg, você pergunta por minha filha, tenho certeza de que ela teria muito a passar pra gente, mas é quase impossível estar com ela, que trabalha no centro, faz doutorado no Fundão e reside em Santa Teresa, bem lá em cima. Laurinha lança seu primeiro livro na próxima sexta feira.
    Não se humilhe não, ô dona de tanto conhecimento! Li sobre o filósofo por sorte. Fazendo pesquisas na internet, dei com o nome dele, li a entrevista a respeito do conteúdo de Cachorros de Palha e só. Pura coincidência.
    Se falei muita bobagem, pode puxar-me as orelhas, na vista de todo mundo. Cabelo branco não é motivo para concessões.
    Abraços a todos.

  9. Isabela disse:

    Olá, Magaly! Se você encontrar, compre mesmo, acho que você vai gostar de “Cachorros” (rsrsrs), como costumo chamá-lo.

    Meguita, este livro já tem uma década e na época do lançamento recebeu várias resenhas, teve reportagens em várias revistas, o escritor foi páginas amarelas e foi entrevistado no Milênio da Globo News, cujo programa foi reprisado tempos depois e creio que está disponível na internet. Foi por isso que aqui em casa soubemos dele e o compramos. Eu já o li duas vezes, espero reler novamente, pois não é “maçônico”, de linguagem hermética: são reflexões acessíveis a pessoas sem formação filosófica, como eu, mas ao mesmo tempo dá muito o que pensar.

    J. Gray cita Fernando Pessoa umas duas vezes e, ao final de trecho de Bernardo Soares, arremata:

    “algumas verdades não podem ser ditas senão como ficção”.

  10. sub rosa disse:

    Isabela e Magaly e mundo inteiro e cruel:-)))):
    Vocês todos são testemunhas, viram como a Isa até coloca detalhes para acabar comigo de vez? Viram, viram, viram?

    Tenho duas maneiras de descrever o meu estado d’alma:-), todas duas referentes ao meu rincão distante e ao vexame, sim, sim, insurmountable:-)

    a)- aquele poema que o Manuel (deu) Bandeira fez para mim:

    Ri, desdenha, pisa
    Mulher diferente,
    tão indiferente, desumana (El)Isa

    2- Olhem os requintes da crueldade isabelística:
    O livro – conhecido por tudo que é cristão hahaha:
    1- já tem uma década,
    2- objeto de reportagens inúmeras em revistas idem
    3- foi entrevistado …logo por que(m), pela revista Veja, ora, vejam só.
    4- Puxa, que essa é de arrebentar o malho, como dizia o grande filósofo Zé Trindade: Está na internet…, quem diria?
    5- Ela, a mulher desumana, segundo Bandeira, meu Manuel, a minha Isabela que eu julgava um ser seráfico, santa do meu altar:-((((, com tudo isso, premida ante a força dos fatos, ela já comprou e até discute em família, GRRRR… já leu, releu e treleu:-))) e diz com alguma pena de muares como eu: linguagem e reflexões acessíveis etc…etc…
    Não me esperem mais aqui, pois vou ali me suicidar com disparo de carabina, veneno arsênico e estriquinina, peixeira de baiano e atropelamento de artomóver:-)

    Grande brincadeirinha, Isa, porque com você eu posso, né, Isabelyta? e – mais importante -sei que você não vai processar ninguém aqui pisc****, entendeu – oh yeah!
    Mas, falando sério, querida:fiquei impressionada não tanto com o niilismo hesitante do Gray (mas que nome mais apropriado hohoho), e sim com o que ele diz do Pessoas
    Estrangeiros que falam sobre o Pessoa, eu já li alguns, nenhum porém como a Susan Sontag, minha ensaísta de cabeceira.
    Além de que ele gosta do meu escritor favorito: Robert Musil.
    Obrigada, muito mesmo, querida você é a reserva cultural jovem desse pedaço. O que você não me ensina, chérie.?
    Te adoro, minha Kasting:-). Beijos
    (*) P.S – Faltou eu colocar um KKKKKK (copyright você e Flavinha)

  11. oubienoubien disse:

    Oi gente, oi Magaly:
    aqui dificilmente se poderia aplicar a técnica psicanalítica quer para emitir opinião sobre o texto em si, como para a pergunta de nossa querida Meg.
    Aí, vcs tem de se contentar com a minha simples opinião, claro, com umas leves pitadas de “psicanalismo”. Se servir, assim eu posso abranger as duas questões.Vamos lá, então:
    Meg, vc faz no mínimo quatro perguntas na sua pergunta, e vou tentar repondê-las:
    1- nem todos “revirados” (gostei do termo) conseguem transformar isso em criação.
    2- se conseguirem, aí temos uma espécie de “sublimação” , (grossas aspas).
    3- “e aí, fazemos isso”?
    Depende, há quem faça e seja bem sucedido, ou seja, crie (poiesis) uma obra de arte reconhecida pelo seu tempo e/ou fora do seu tempo ou então (desconfio que no mais das vezes) sai alguma coisa que não vale a pena, artisticamente.
    4- ” os outros é que descobrem”/ ‘são os donos da interpretação’?
    Sim, sim, pelo menos é o que se espera, afinal, a expressão do fato gerador de motivos, já é em si mesmo, um fim. Exatamente como descreve a Magaly sobre seu método, próprio, pessoal, de criação e de sua intuição.
    Quanto a serem donos das interpretações, não é assim que funciona? A gente não se apropria daquilo que gosta?
    Feliz ou infelizmente, o “outro” é sempre mais “dono” do que o criador.
    Pra finalizar, quanto ao texto em si, eu o vejo como uma brincadeira, conforme falou ou sugeriu o Orlando, o texto técnico, aí, corresponde quase a um diagnóstico de ‘fechamento’. O que seria impossível pois por um único exemplo (ou uma única estrofe) não se aplica. Uma investigação clínica ou teórica leva muitos anos ou mesmo uma vida toda. Isto é quase um truísmo.
    E analisar poetas, escritores, artistas, muitos tem se aventurado mas sempre a título precário e com autores já mortos. O que é a condição para um trabalho completo. Um que eu admiro muito é o que a Kristeva fez com Nevral. Com o trabalho, bem entendido, quanto à parte literária, pfff, nula!
    Bem, desculpem eu não me estender mais.

    Magaly: você é realmente mágica, só você mesmo me faria voltar aqui, obrigada. Abraços a todos.
    Helô

  12. marilia j. disse:

    Helô!
    Que bom que você voltou.
    Eu mudinha aqui, mas de olho.
    E em plena crise existêncial: versos ou direito, direito em versos ou de versos para direito.

    Há muito tempo, escrevi isso na última página do código (ócio de aula chata):

    “Escrevo versos
    No verso da lei.
    E então, no meu cérebro,
    Já não sei se o verso
    Está no verso da lei
    Ou se a lei
    Está no verso do verso…

    Ando confusa com essa briga
    Entre o verso e a lei.”

    Mas que sejam superadas as crises, pois que a Helô está de volta. E eu silencio de novo – agora um tanto mais tranquila.

  13. luma rosa disse:

    Qual a linha divisória entre o consciente e o inconsciente?

    Não penso que os poetas usem de artifícios para expor o seu íntimo, porém a poesia acaba sendo veículo para transportar os sentimentos para fora da alma, tanto do poeta quanto de quem o lê.

    Em contrapartida, os sentimentos expostos pelo poeta são na maioria das vezes espontâneos e, em algum lugar, se li ou ouvi, não lembro, a afirmação de que todo poeta é um grande ator, pois de certa forma, ele é “tomado”.

    Freud questionou: “De que fontes esse estranho ser, o escritor criativo, retira seu material? (Escritores Criativos e Devaneios)
    O poeta como pessoa normal tem tendência em falar de si. René Descartes quando muito jovem, se perdeu em amores por uma mulher vesga e por toda a vida ele se inclinou a amar mulheres de olhar incerto – isso se refletiu em sua obra, certamente!
    Na obra citada acima, Freud escreveu “Nós, leigos, sempre sentimos uma intensa curiosidade – como o Cardeal que fez uma idêntica indagação a Ariosto – em saber de que fontes esse estranho ser, o escritor criativo, retira seu material, e como consegue impressionar-nos com o mesmo e despertar-nos emoções das quais talvez nem nos julgássemos capazes”

    Quanto aos versos de Fernando Pessoa, Freud explica: :D

    “Uma poderosa experiência no presente desperta no escritor criativo uma lembrança de uma existência anterior (geralmente de sua infância), da qual se origina então um desejo que encontra realização na obra criativa. A própria obra revela elementos da ocasião motivadora do presente e da lembrança antiga (p.156)”

  14. Magaly disse:

    Oi, Helô, ando falhando muito aqui nos comentários e, quando venho me equilibrar, já existe um volume de coisas enorme a ler e me sinto meio perdida. Por ex., no “A Perda do EU”, na altura do comment 132, mais ou menos, entrou o post seguinte, o “ Escrever, uma Paixão” e eu migrei pra lá para tentar participar da discussão já que não tinha podido entrar na anterior. Nem percebi que eles continuaram pra valer, Minha visão está passando por uns dias ruins e meu tempo pra tela diminuiu muito. Aí, apelei para os que acabavam de abrir excelentes fontes novas (psicanalistas, historiadores) e para os antigos (advogados, escritores, acadêmicos, professores, leitores amigos), que já haviam mostrado tanto serviço. Como os últimos posts tinham a ver muito com psicanálise, vocês duas foram as primeiras solicitadas. Nada de magia. Sou tão miúda que magia não cabe em mim. O que adoro mesmo é a participação do grupo todo, à cata de um denominador comum, a garra com que se lançam na discussão do tema e suas implicações e o empenho em manterem um nível de compreensão e aceitação saudáveis.
    Seu arrazoado está bem convincente. O texto foi mesmo exposto para recreio dos leitores curiosos / participantes, como diz o próprio autor, também da área, e não com pretensões a estudo /pesquisa que exige muito mais elementos de investigação. A escollha de Meg foi gratificante. Pontos pra nós todos.

  15. Magaly disse:

    Luma, gostei mesmo da sua exposição, elucidando pontos já discutidos, trazendo transrições autorais, corroborando com sua contribuição para a melhor compreensão do texto em apreço, Sua opinião é sempre de grande valia por sua autenticidade, sua facilidade de expressão e sua cumplicidade.Beijinhos

  16. Magaly disse:

    Marília, seu poema marotíssimo é você sem ‘tirar nem botar’. Engraçado, inteligente, original. Vai demorar muito esse castigo de a gente ficar sem esses poemas / surpresa?
    Por enquanto, dá pra aguentar essas pequenas aparições clandestinas.
    Isso quer dizer que vc continua refém da ‘placa’?

  17. Nelsinho disse:

    Sexta feira de uma semana difícil. A hora de almoço já passou e nem me apercebi, de tão absorto preparando as defesas para ataques que poderão ou não vir nas próximas horas…
    Nova visita ao Sub Rosa, ler de novo o texto, ler comentários, mas Oh tristeza: O meu ler é distraído, não é sentido! Como então fazer-me de entendido e dizer uma besteira a anos-luz daquilo que está aqui discutido?
    Vou tentar agora interpretar as baboseiras técnicas que escrevi e amanhã, em casa, releio post e comentários.

    PS: Comi entretanto duas bananas, o que definitivamente ajuda nada no entendimento de coisa alguma!

  18. Nelsinho disse:

    Voltando por aqui – a reunião fatídica ainda não aconteceu-, fiquei meio receoso que o que falei acima não seja bem interpretado!!…

    Então, esclareço que as tais “defesas contra possiveis ataques”, assim como as “baboseiras técnicas” dizem respeito exclusivamente ao trabalho para o qual sou remunerado!

    Nadica de nada a ver com o blog! A não ser a parte em que eu não estou conseguindo “aglutinar”, “processar” a matéria do post e do forum de comentadores.

  19. sub rosa disse:

    Nelsinho:
    Primeiro que a gente aqui, o pessoal da casa, nunquinha que vai entender mal você. como já disse estou com os crossed fingers. Não que vc precise, claro. vc é bamba, vc é bamba, você é bamba :-)
    Conte tu-di-nho depois, está bem? ar-re-ben-te!:-)
    Ah! sim, caso vc queira tem uma perguntinha aí que fiz para a Magaly, e para você. (E, claro , para todos). veja o comment número 8.
    beijão.

  20. sub rosa disse:

    Helô, querida, querida, queridíssima, que bom, muito obrigada. ;- pisc*
    Marilia, vc nem vai ler, mas você põe meu coração em metades. te adoro, querida, querida, queridíssima.
    Luma, você sempre você, querida, querida, queridíssima.
    Magaly, você a mais querida de todos os tempos, sempre, querida, querida, queridíssima.
    Pronto, quero ver alguém dizer que fui prolixa.
    (já quanto à originalidade…)
    Obrigada, estou muito feliz! (dentro do possível, estou)

  21. Nelsinho disse:

    Com os meus dez anos eu me apaixonei por uma lourinha da minha idade. Ela tinha um porte altivo quase aristocrático e caminhava de nariz empinado de olhar fixo em algum ponto bem na frente da sua trajetória, ignorando em absoluto tudo o que a rodeava. É claro que, fazendo eu parte de tudo o que a rodeava, a minha frágil figurinha ganhava mimetismo e se confundia com as desprezíveis sombras que pelo seu ângulo de visão desfilavam. Sua alteza estudava em colégio de religiosas e era transportada de automóvel, o que ajudava a torná-la ainda mais inatingível e misteriosa, pois andava sempre acompanhada. “Luminosa”, era como em pensamento eu a chamava, até por abominar seu verdadeiro nome: Maria dos Anjos! “Mianja”pros íntimos…

    Fiz muitas quadras rimadas, que depois lia às gargalhadas! E é por isso que estou aqui contando as desventuras de recém desmamado. Sentia um prazer imenso em criar versinhos cantando as propriedades luminosas daqueles cabelos louros e da pele imaculadamente branca, mas tropeçava na minha própria intolerância, auto ridicularizando-me na tentativa de interpretar-me.

    Bem que eu tentava treinar recitando em voz sussurrada: “Batem leve, levemente, como quem chama por mim…”. Depois, em som gutural: “…No seu fojo do Líbano dormita/ De olhar semi cerrado um lobo enorme!…”. E lá eu tentava de novo:

    Oh!Lourinha linda
    olhos azuis, pele rosada!
    Fonte de luz infinda
    queres ser minha namorada?

    Luminosa nunca ouviu nem leu os versos da minha paixão e eu sigo com a mesma dificuldade em recitar o que escrevo. Continuo também fervoroso admirador de Vilaret e sua espantosa capacidade de transformar a mais singela quadra em emoção pura!…

    Lamento-me por não ser capaz de “Dizer” os meus poemas, mas tenho, sim, consciência de tudo o que encerram, mesmo aqueles escritos em momentos de atroz crise de identidade.

  22. sub rosa disse:

    Nelsinho:
    Antes de mais, tenho que lhe dizer uma coisa, (I can’t help it ): mas que minimo precoce, vc me saiu, hein? Ah ha!
    Eu, modestamente, acho que é muito mas muito difícil o autor ter consciência (correta)daquilo que está criando e muito mais difícil ainda, ter consciência crítica do que acabou de criar. Pode ser uma baita besteira o que estou dizendo mas – sem querer ser provocativa, eu lhe pergunto, a consciência a que vc se refere não é a consciência que advém do distanciamento? Principalmente distanciamento no tempo</b?
    Que essa
    ciência; só vem depois e às vezes muito depois que o criador – no caso você – se expressa? Uma cons-ciência que muita vez só se dá depois que se ultrapassa uma “crise de identidade? Atroz?
    Eu sempre recomendo que não se misturem os dois planos, pois a crítica do autor ou é maior ou muito menor que a sua capacidade criativa.
    Ou não é?
    Ai, que bom seria uma “cavaqueira” um pouco mais detidamente com as peSsoas a respeito disso:-)
    Olhe, estou me preparando para viajar, não sei se próximo a este fim d’ano ou no ínício do próximo, passarei concerteza pelo Rio, quem sabe não nos encontramos e encontramo-nos com a Magaly? Ah! sonhar não custa, não é?
    :-)

    • Nelsinho disse:

      Seria “de sonho, sem dúvida! Eu estarei em Lisboa no mês de Setembro e estou louco para ir passar o Natal com a minha gente de Dallas. Fora disso, vamos tentar acertar os comprimentos de onda para nos encontarmos na mesma frequência. Mesmo que esteja em Macaé, eu venho ao Rio para o encontro.Concerteza!…

  23. Nelsinho disse:

    Falando sobre os escritos que tenho o desplante de de quando em vez dar à luz, digo que eles acabam muitas vezes por ser a fonte das homéricas brigas comigo próprio. Digo, frequentemente, que não me conheço o suficiente porque, não raramente, perco a minha identidade e duvido de tudo o que faço e produzo, até que seja assolado por um “surge” de auto confiança, quando então, estupidamente me superestimo. Para logo a seguir me envergonhar e me encolher ao que realmente sou…
    …e, sinceramente, eu não sei o que sou.

    Ainda assim, ouso sonhar encontrar pessoalmente as magas do mundo encantado das letras…

  24. sub rosa disse:

    Nelsinho, querido:
    Li com encantamento e mesmo alegria o que vc escreveu. Não hesito em dizer que se é assim, então está no caminho certo e sabe disso. (sem contar que está maravilhosamente bem escrito)
    Para tudo dizer – e dizer da melhor maneira possível, lembro o que escreveu o grande Augusto Monterroso em seu “Decalogo del escritor:
    “Cree en ti, pero no tanto; duda de ti, pero no tanto. Cuando sientas duda, cree; cuando creas, duda. En esto estriba la única verdadera sabiduría que puede acompañar a un escritor”.

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