Escrever, uma paixão.

Escritor importante da vanguarda francesa, André Breton escreveu muito sobre a escrita, a escritura, o escrever. Propôs todo tipo de subversão às belas letras, incitando rupturas, não apenas fissuras, e levantando grandes questionamentos em torno da prática literária.  Ideólogo do surrealismo, um dos lançadores do Manifesto do Surrealismo, em março de 1919, fundou a revista Littérature, com Louis Aragon e Philippe Soupault, e  tinha uma verdadeira obsessão pela palavra e seus significados. Justamente uma de suas investigações foi em torno da questão literária e a existencia e  foi deflagrada, em 21 de setembro de 1919, por uma carta do então jovem poeta Tristan Tzara. Na carta a Breton, Tzara, um dos fundadores do dadaísmo,  afirmou: “Se escrevemos, é apenas por refúgio, de todo ‘ponto-de-vista’. Não escrevo por profissão”. Foi o que bastou para os editores da revista lançarem, três meses depois, a célebre enquete: “”Pourquoi écrivez-vous?”, em bom português, “Por que você escreve?” Instados, romancistas e poetas da época, responderam, mas certamente chamaram atenção as respostas mais radicais. O poeta Paul Valéry foi irônico e niilista: jurou que escrevia “por fraqueza”. O escritor norueguês Knut Hamsun foi mais delicado: “Escrevo para abreviar o tempo”. A questão, por sua complexidade e interesse, perpetua-se ao longo das décadas e certamente move autores e intelectuais um século depois — e, provavelmente, por uma eternidade. Transposta a pergunta a seis escritores e poetas brasileiros, pelo Suplemento de Literatura do jornal O GLOBO, eles aceitaram responder à abstrata indagação. Os escritores/poetas  falaram do seu fascínio pelas letras, conforme a profecia de Breton: “O escritor será capaz de responder à queima-roupa a uma pergunta bem simples”. Segue-se o resultado da enquete feita pelo jornal.

Clarice Lispector: “Vou lhe responder com outra pergunta: – Por que você bebe água? Quer dizer, você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva.”

Millôr Fernandes: “Escrevo porque escrevo, se me pagassem eu só falava.”

Lygia Fagundes Telles: “Mas vocação é a felicidade de exercer o ofício da paixão. Se eu estou apaixonada, estou exercendo esse ofício com paixão. Tem uma coisa ainda: quando eu era jovem, quando comecei a escrever, achava que falar em vocação trazia nisso uma certa arrogância. – Por que você escreve? – me perguntavam aqueles entrevistadores, jornalistas e tal. Aquela mocinha e tal. É preciso dizer que comecei a escrever na idade da pedra lascada, havia muito preconceito em relação à mulher, ao sexo feminino, ao qual eu pertenço. Portanto, havia uma certa ironia, quando vinham alguns jornalistas com o lápis, com a caneta, perguntar: – Por que a senhora escreve? Eu tinha algum pudor de dizer: eu escrevo porque esta é a minha vocação, porque, na minha pobre cabeça, achava que vocação inclui sucesso; eu achava que era arrogante dizer: eu escrevo porque é a minha vocação. Ficava constrangida, eu dizia: escrevo porque gosto, não falava em vocação. Com o tempo, olha o tempo maravilhoso, comecei a entender que, na vocação, não está incluído o sucesso. Não, não está! Fiquei felicíssima: não está incluído o sucesso, você pode ter vocação, e no entanto, passar a sua vida trabalhando, fazendo uma mesa, fazendo um relógio, uma casa, um edifício, sem conseguir sucesso. Mas a alegria, a paixão dentro de você, fazem com que você dê o melhor de si mesmo, e agora estou falando como jogador de futebol: – Dei o melhor de mim mesmo, suei a camisa. Pois é. Isso acontece quando você está escrevendo, dentro daquele instante em que você escreve, em que você trabalha, em que você se entrega à sua paixão. Olha a paixão. ”

Manoel de Barros: “Minha relação com as palavras é orgástica. Escrevo porque preciso ter relações com elas para viver em paz. Depois que uso uma palavra nova, ela me beija. Quer dizer que gostou de mim. Eu sou de bem com as palavras que uso por que elas me são.”

Marcelo Rubens Paiva: “Sempre perguntam a um escritor: «Por que você escreve?». Por que sempre aos escritores perguntam isso? Perguntem a um dentista porque ele obtura. Ou a um pipoqueiro por que ele vende pipocas e não diamantes? Já sei o que um piloto de avião diria. «Meu sonho, desde criança era voar», ele diria. Um comissário de bordo tinha esse sonho, mas descobriu, tarde, que não passa de um garçom, equilibrista de luxo e turbulências. Perguntei a ginecologistas por que escolheram a especialidade. Suas respostas nunca me satisfizeram, e nem seus sorrisos eram marotos. E, a um advogado civil, sempre pergunto por que não criminal. E, se eu insistir, ameaça me processar. Está bem. Também já me perguntei por que escrevo. Ser dono de um banco traria mais conforto. Herdar um seria mais cômodo. Roubar é arriscado. Dentista eu não seria. Menos ainda ginecologista. Vender pipocas não traz o conforto de quem possui um banco. Pilotar aviões, são muitos os botões. Não advogar nem engenheirar. Endinheirar-se é para os estressados. Médicos, dizem, curam estresse. E existe profissão mais estressante que médico? Existe. Cobrador, me disseram. Em especial onde a tarifa de ônibus é R$ 0,77. Por que fazem isso com cobradores? Catar moedas, ouvir reclamações quando falta troco e, nas curvas fechadas, se segurar com os centavos. A profissão mais idiota do mundo é a do motorista de elevador, o ascensorista. Faz algo que todos sabem fazer, colocar um elevador em movimento. Passa o dia sentado numa caixa fechada. Escuta conversas incompletas e piadas sem finais. E tem seus rins e fígado sempre em movimento. Um ioiô humano. A existência de ascensoristas só não é mais estranha que a da gravata. Ou alguém, em sã consciência entende porque laçamos tiras de pano estampado ao redor do pescoço? Existem hábitos inexplicáveis, como enfiar na boca um tubo com algodão na ponta, colocar fogo na outra ponta, chupar uma fumaça, inalar e soltar. Chamam isso de fumar. Dizem que mata. Faço isso há tantos anos… Coisas estranhas. Por que temos cachorros e gatos e vacas domesticadas que nos fartem de leite? Por que o zero está no final do teclado, e não no começo? Por que mordemos canetas e mascamos chicletes? Talvez por isso eu escreva, para que me respondam: Para quê?”.

Marcio de Souza: “Escrever é minha profissão, é meu trabalho. Escrevo porque minha sobrevivência depende disso. Eu vivo do meu trabalho literário. Não tenho outra fonte de renda. Me tornei escritor profissional em 1976 quando da publicação do meu romance Galvez, Imperador do Acre. Sempre fui um profissional em tudo que fiz. Como filho de operário não vejo outra significação para o meu trabalho do que a necessidade de assegurar minha subsistência. A visão burguesa segundo a qual a literatura não é uma profissão, parece-me tão exótica quanto o frio polar para um amazonense. É por isso que eu luto pela dignidade do trabalho de escritor que, aqui no Brasil, é considerado como fruto de horas de lazer ou como uma moeda sem valor de capital social no tráfico de influências. É por isso também que em cada uma das minhas obras me comprometo cada vêz mais junto aos meus leitores para recriar o Brasil contemporâneo.”

Maria Clara Machado: “Não sei definir meu trabalho, eu crio a partir do zero, é vocação, nascí para fazer isso, as teorias ficam para os críticos. Um poeta não escreve assim por causa daquilo. Somos intuitivos, é uma questão de momento.”

Lêdo Ivo: “É muito difícil escrever. Lembro-me de uma observação de Goethe que diz que nós somos seres coletivos. O escritor é aquele que fala pelos que não falam, que canta pelos que não cantam, que não têm até, num certo sentido, biografia pessoal. É muito difícil eu dizer isso porque desde a infância eu queria ser escritor; então, talvez, eu admitisse que escrevo por uma espécie de afirmação pessoal. Se eu não escrevesse, não me sentiria vivo, não me sentitiria existindo. A única explicação que me ocorre é que eu escrevo para ser, para sentir que existo. É aquela história: escrevo, logo existo. Uma reposta meio cartesiana.”

Antônio Torres: “Para quem, como eu, nasceu na roça e estava destinado ao serviço braçal, no cabo de uma enxada, de uma estrovenga e de um machado, tornar-se escritor parecia uma possibilidade remota, praticamente impossível. No mundo onde me criei, lá num ignoto sertão baiano, não havia letrados. Nem livros havia. Mas um dia minha mãe – e nem sei que artes do destino a levaram a ser uma mulher alfabetizada – pois um dia dona Durvalice me mostrou um ABC. E, enquanto me dizia como se chamavam as letras do abecedário, eu me encantava com o desenho, com a forma de cada uma. Foi um deslumbramento. Depois veio a cartilha, da qual não me desgrudava, até mesmo de noite, à luz de um candeeiro. Quando fui para a escola – uma escola rural – a professora percebeu o meu gosto pelas letras. E me botou para ler em voz alta um livrinho chamado “Seleta escolar”, que na verdade era uma pequena antologia de poemas, crônicas e contos. Castro Alves, Gonçalves Dias etc. E depois, ela pedia que eu escrevesse uma composição, cujo tema dizia respeito ao nosso cotidiano. Daí começaram a me pedir para escrever cartas, tanto para os apaixonados do lugar que não sabiam ler, quanto para as mulheres dos migrantes. Isso, de alguma maneira, me levou a crer que a palavra escrita era uma coisa encantatória e socialmente útil. Logo, escrever foi o meu sonho de criança. E, até hoje, quando escrevo, sinto que é aquele menino quem o faz por mim. Dá-lhe, garoto!”

Lya Luft: “Escrevo por uma lúdica paixão. Porque nasci para fazer isso. Porque me alegra, me diverte, me instiga – e me exaure. Porque tenho necessidade e prazer em elaborar com palavras esse traçado de tantas vidas, tantas criaturas, tantos destinos e aventuras que povoam minha imaginação, e que acabarão – ou não – vivendo nos meus textos. Quando escrevo, inicia-se essa escavação, essa arqueologia, começa a desenrolar-se o fio que nasce em mim. Aracne, minha fantasia, produz sempre mais novelos para que eu os teça. Escrevo para seduzir leitores que sejam meus cúmplices na inquietação fundamental, na busca de entender o mundo – e jamais o entenderemos. E também escrevo porque desejo uma releitura dos valores familiares e sociais de meu tempo: cada um de meus romances pode e deve ser lido como uma denúncia da hipocrisia, da superficialidade, da indiferença, da negligência e da mentira nas relações humanas, amorosas, familiares e sociais. Os artistas são recipientes de carvões em brasa e têm visões que tentam esconjurar com traços, gestos, música ou palavras. E nesse trânsito entre realidade e sonho, cujas fronteiras para eles pouco importam, vão e vêm entre territórios que igualmente os convocam. Escrevo porque sou parte disso.”

Ferreira Gullar: “A resposta é a mais simples e óbvia: escrevo para me expressar. Naturalmente, esse “expressar-me” muda conforme as circunstâncias: por exemplo, às vezes escrevo para conseguir pensar claro, já que não consigo fazê-lo sem escrever; às vezes escrevo para contestar idéias contrárias às minhas (e nem publico, só anoto); às vezes escrevo para manifestar meu entusiasmo com uma obra alheia. Quando sou tomado por um “espanto”, que parece revelar-me um lado ainda não percebido do real, tento escrever poesia.”

Moacyr Scliar: “Escrevo movido por um impulso cuja natureza desconheço (e que não quero conhecer), o mesmo impulso que leva algumas pessoas a desenhar, outras a fazer música, outras a trabalhar a terra. Escrevo pelo prazer de contar histórias – o mesmo prazer que tinham meus pais, emigrantes pobres e soberbos narradores. Escrevo porque sempre admirei a obra de escritores, mas escrevo também pelo prazer lúdico de combinar palavras – o mesmo prazer que sentia em criança quando, na marcenaria de meu tio, fabricava com pedaços de madeira aviões e navios. Escrevo para partilhar com outros idéias e emoções, as duas coisas estando sempre juntas. Escrevo por causa da angústia, a angústia de não encontrar respostas para as grandes questões da vida. Escrevo para não me fazer perguntas. Como esta: por que escrevo?”

Alexei Bueno: “A humanidade tem o dom de gerar todas as vocações de que precisa, mesmo as mais improváveis, e no número certo. Daí sempre existirem astrônomos, entomólogos, legistas ou poetas, atividades estranhas, na última das quais me incluo. Quanto ao motivo de escrever, como o de criar qualquer arte, há um único: o Amor que move o sol e os outros astros. É preciso sair de si, livrar-se do egoísmo, praga suprema da espécie e forma geral de estupidez. É preciso fazer falar os mortos. É preciso ter mais vidas que a paupérrima vida nossa. É preciso celebrar a fabulosa grandeza do homem e a nossa terrível miséria. Como brasileiro, e para só falar de literatura, muito pouco eu seria sem o finado Brás Cubas, sem o mestre Aristarco, sem a Tróia de taipa dos jagunços, sem o capitão Riobaldo ou alguns milhares de versos que guardo na memória. É esse amor pletórico pelo que não fomos, pelas nuvens, pelas pedras, que nos expulsa do nosso pobre e efêmero eu. Mas para não ser do egoísmo, paradoxalmente, na mais reles civilização hedonista, é preciso ser ferozmente individual. Só o indivíduo de identidade pétrea pode se dar ao luxo de mandar o egoísmo ao inferno nesta sociedade de massas. Tudo isso ordena o Amor que move o universo. O resto é jogo de palavras. Mediocridade.”

Ivan Junqueira: “Escrevo por uma espécie de fatalidade, por um compromisso inarredável com a beleza e porque, tendo que me expressar, vi-me na contingência de escolher o meio mais eficaz em que poderia fazê-lo, e essa escolha recaiu sobre a palavra escrita ou, mais especificamente, sobre a palavra poética, graças ao seu poder de síntese, de encantamento, de musicalidade e de concreção sígnica. Durante algum tempo, entretanto, cheguei a supor que poderia escapar ao jugo e ao fascínio da poesia através de uma expressão mais plástica e visual, ou seja, do desenho e da pintura, mas cedo descobri que jamais conseguiria dizer o que queria por meio das formas, dos volumes e das cores. Acrescento ainda que, pelo menos no meu caso, a poesia não constitui apenas um veículo de expressão, mas também uma forma de gnose, de teoria do conhecimento que não me foi possível adquirir quando, entre os 20 e 25 anos, estudei medicina e, depois, filosofia, disciplinas que em boa hora abandonei para consagrar-me inteiramente à indisciplina e ao tormento da poesia”.

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Publicado no blog Sub Rosa, em 25 de julho de 2002. A propósito do dia 25 de julho, considerado o Dia do Escritor.

E porque eu a-do-ro meus leitores e muito em especial o valoroso grupo dos que comentam aqui:-) vou fazer um adendo, eles compreenderão: Breton defendia uma arte do inconsciente, sem grandes depurações ou decantações e promoveu diversas enquetes nesse estilo acima, segundo ele “para ampliar percepções”. Daí que na edição de 15 de dezembro de 1929 da revista La révolution surréaliste (criada em 1925) ele fez uma enquete famosa: “Que tipo de esperança você projeta no amor?”:-).
Aqui, no blog, o grupo também fez uma, ligeiramente diferente, mas com o mesmo tema.:-)

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

68 Responses to Escrever, uma paixão.

  1. Carol says:

    Meg! que sorte a minha, passei alguns dias, semanas, mergulhada em pó e livros, nem pude participar do animado debate amoroso:-) ia agora lá, mas me deparo com este post. Meg, você se supera a cada post.
    E o pior (melhor) é saber que já em 2002 vc fazia posts como esse aqui, Que coisa eu estava perdendo.
    Já salvei pra ler, mas estou rolando de rir com a do Millôr:-)
    bj

  2. Ronald says:

    Minha querida amiga, demorou mas chegou, você mandou muito bem. Nem sabia que 25 de julho é dia do escritor.
    mas concordo que escrever é uma paixão, diz muito de nós, cria uma espécie de outro eu.
    Afora o fato de que escrever que é muito íntimo, o que dizer de quem escreve e não publica, aí sim eu acho que é o nó.
    Por que vc não publicou (ou republicou) o que disse o grande e saudoso Haroldo Maranhão?
    Bonito, muito bonito o seu blog e seu conteúdo.
    Um abraço, Meg.

  3. marilia says:

    Eu escrevia no começo porque queria ser como Machado de Assis. Depois queria ser como Castro Alves. Depois queria ser como Álvares de Azevedo. Depois queria ser como Lêdo Ivo. Depois, queria ser como Fernando Pessoa.
    No fim das contas, não fui – e nunca poderia – ser como nenhum deles.
    Daí comecei a escrever para entender e externar uma marilia (assim mesmo: com letra minúscula e sem acento) que eu de certo modo desconhecia.
    Teve uma hora que cansei e fui tocar violão para ser como Vinícius. Aí paro e tento ser como um dos Ramones.
    Não tive nunca sucesso com o violão.
    Com as letras, dizem que sim, embora não leve isso a sério.
    Mas tudo que eu quero é me igualar ao que me inspira.
    Às vezes eu escrevo porque quero ser como um pôr-de-sol.
    E diariamente eu escrevo coisas técnicas e tristes que pagam as minhas contas no final do mês.

  4. Flavia Viana says:

    Meg, que bacana o novo post, que alegria, obrigada por ir buscar no fundo do baú essa maravilha e repartir conosco.
    Meg, estou muito triste com a notícia da morte da Amy Winehouse, lembro de um dia voce falar na “paixão de Amy”.
    Oh! Meg.
    Um beijo, querida

  5. Flavia Viana says:

    Ah! eu queria ver alguns outros escritores darem respostas a essa mesma pergunta, por exemplo, o Veríssimo, a Flora, a Claudia Tajes, o Rubens Fonseca, a Adélia Prado e a Marlia Jackelyne que pra mim é escritora e muito boa.
    Ah! sim, e a Magaly, como eu poderia esquecer?
    bjs

  6. Meg,
    gostei tanto que compartilhei no feicibuqui. Muito bom mesmo.
    Adorei a resposta do Marcelo Rubens Paiva entre as outras também interessantes.
    Saudades de vc.
    Beijo, menina

  7. tereza says:

    Muito interessante o post, Meg.Depois vou reler com mais tempo.
    deixo para você um link sobre Paulo Francis e os livros.
    http://www.ocampones.com/?p=3381
    Beijos.

  8. Magaly says:

    Salve o dia do escritor! Que bem o merece, doador por vocação, ser desdobrável que ajuda na interpretação dos muitos mistérios da alma humana.
    Na enquete apresentada, as respostas surpreendem. Sintonizo com Ivan Junqueira quando mostra sua preferência pelo texto poético “graças ao poder de síntese, de encantamento, de musicalidade e de concreção sígnica do poema.” Ledo Ivo, inspirado em Goethe, passa-nos que o escritor é aquele que “fala pelos que não falam, que canta pelos que não cantam, que não têm até, num certo sentido, biografia pessoal”. Mas a resposta à pergunta pode ser simplesmente “uma espécie de afirmação pessoal”. Lya Luft foi feliz ao asseverar que escreve “para seduzir leitores … como cúmplices … na busca de entender o mundo e … como uma denúncia da hipocrisia, da superficialidade, da indiferença, da negligência e da mentira nas relações humanas, amorosas, familiares e sociais”. Ferreira Gullar é perfeito ao dizer: “escrevo para me expressar”.,, “para conseguir pensar claro, já que não consigo fazê-lo sem escrever” , para contestar idéias contrárias às minhas” , para “ … manifestar entusiasmo com uma obra alheia. Quando sou tomado por um ‘espanto’, que parece revelar-me um lado ainda não percebido do real, tento escrever poesia.” Ah! Isso é que é.
    Fecho essas considerações pinçadas dos textos dos próprios entrevistados que mais fundo ressoaram dentro de mim, com a expressão visceral de nossa Clarice – “escrevo para me manter viva.”,

  9. tereza says:

    “Posso dizer sem exagero, sem fazer fita, que não sou propriamente um escritor. Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projetou no papel, fazendo um espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Mesmo porque não havia analista no meu tempo em Minas”.
    Carlos Drummond de Andrade

  10. tereza says:

    Meg, eu também gostei muito da resposta do Marcelo Rubens Paiva (nunca li um livro dele).E do Millor, hahaha! Sem desmerecer os outros.bjs.

  11. marilia j. says:

    Cecília Meireles, de quem ainda não aprendi a gostar, dizia que cantava “porque o instante existe”. Ou seja: não precisa motivo, o ato é meio visceral.
    Lembrei do lendário Jânio, que teria dito que “bebia porque era líquido, e se fosse sólido comê-lo-ia”
    Parece ser assim. Escreve-se porque é texto. Se fosse música, cantar-se-ia. Porque a necessidade principal é de expressão.

    *Teresa, o Itabirano é mesmo tudo-de-bom. Por isso sou apaixonada por ele.

  12. tereza says:

    “O ofício de escrever, particularmente na sociedade francesa, é em grande parte um ofício de vaidade. Eu falei há algum tempo sem desprezo, apenas com pesar. Eu me vejo diferente de outros autores; quem pode se dizer livre desta ridícula doença?” Camus

  13. tereza says:

    Meg, achei muito interessante o que disse Catherine Millot:

    A idéia da filósofa, psicanalista e ensaísta sobre o que leva alguém a se tornar escritor é “que o escritor vive uma determinada
    experiência que poderia ser qualificada de mística, se ela não acontecesse num contexto fora, a experiência de algo enigmático que o sujeito procura decifrar escrevendo. Isso eu encontrei sobretudo nos poetas, Rainer Maria Rilke, por exemplo, que fala do ‘espaço interior do mundo’, uma experiência de abolição da fronteira entre o dentro e o fora. Também verifiquei a idéia no caso de Joyce, que coloquei entre os poetas por causa do que ele chama de ‘epifania’, o momento em que uma coisa manifesta sua essência. Trata-se de uma
    experiência de tipo místico-estético”.
    Folha de São Paulo – 25/4/9

  14. tereza says:

    Meg, para quem se interessa pelo tema, deixo um link:

    http://www.tirodeletra.com.br/sumarios/Sumarios-Porqueescrevo.htm

  15. oubienoubien says:

    Atendendo a exortação da Marilia, estou aqui, estrangeira, completamente ignorante nesse campo. Acredito que quando não se sabe, o melhor é perguntar, então esperando que alguém me ajude:-), lanço algumas perguntas que me inquietam:
    1- Qual será a diferença de inspiração e de criação entre o romancista e o poeta? E acho que um escritor que seja ao mesmo tempo um narrador e um poeta seria ideal e o ideal, pra responder. Falem, Nelsinho e Marilia e fale, Magaly:-)

    2- Eu nunca ouvi falar de um escritor (ou poeta) que tenha essa profissão” nem nunca vi alguém dizer que ocupa o emprego de escritor (poeta, então…), mas leio e ouço dizerem o ofício de escritor. não é?, será que já pensaram nisso? Ou isso não tem a menor importância?
    3- Por defeito de profissão:-) eu sou obrigada a reconhecer que as melhores respostas são aquelas que incluem nas razões por que escrevem – a autoexpressão, o desejo de se conhecer e uma coisa visceral que é o amor (ou a paixão).
    falei , digo, perguntei muita bobagem?
    Helô, bastante nervosa:-/

  16. oubienoubien says:

    esclarecendo e provando que estou nervosa:-)
    A minha opinião, quando falo (nr 3) sobre as melhores respostas, se referem às do post acima

  17. tereza says:

    Helô, por que o nervosismo? As suas perguntas são bem formuladas e parecem de alguém que possui uma boa formação literária. Desculpe, mas não acredito que você não tenha habilidade para discutir outros temas, bitola estreita, como disse.Você tem uma boa formação filosófica, antropológica, literária e , claro , psicanalítica.O que você já comentou no post anterior é suficiente para provar que você é uma pessoa culta. Só não sei se você adora cinema tanto quanto a Meg:) Portanto, deixe de modéstia e relaxe:)

  18. Celia Trakl says:

    Olha aih!
    Comeca assim e depois…
    nao tem jeito mesmo.
    desculpem mas eu tinha de falar.
    prestem atencao.

  19. marilia j. says:

    Helô:
    Não sei dizer se existe de forma exata uma diferença entre a “ispiração” que move um romancista e um poeta.
    Em princípio, é tudo uma forma diferente de expressar a tal inspiração. Uma diferença de técnicas.
    É possível que uma narrativa em versos tome a forma de um romance. Por exemplo, Cecília Meireles narra em versos, no Romanceiro da Inconfidência. Por outro lado, o desenvolvimento ritmico de textos em prosa muitas vezes os aproxima da poesia em verso livre.
    Na verdade, nunca li nada a respeito disso: a resposta é meio intuitiva.
    Nelsinho e Magaly, help, please…

    ……………..

    Quanto a isso de emprego, ofício e profissão, não sei bem. Só sei da distinção em termos jurídicos, mas talvez ajude.
    O emprego decorre de uma relação empregatícia. Haverá um emprego de escritor se alguém oferecer uma vaga e contratá-lo. Mas acho que isso é, digamos, muito raro.
    A diferença entre ofício e profissão é mais interessante. Em regra – repito, em termos jurídicos – ofício é a atividade manual, técnica e se associa à identidade de um grupo de sujeitos no processo de produção.
    Profissão, por outro lado diria respeito a um conjunto de atividades notadamente intelectuais. Outro ponto relevante é que as profissões se caracterizam como ocupações reconhecidas oficialmente.
    Eu acho que por conta dessa “oficialidade” é que não se fala na profissão de escritor. Não tenho conhecimento de que seja uma profissão reconhecida.
    No fim das contas, me parece certo falar do ofício de escritor ao menos no sentido de estar ligada a uma habilidade artística.
    Certo mesmo é que eu e Drummond temos a mesma, mesmíssima profissão: funcionário público.

    ………………

    Quanto ao seu terceiro ponto, me parece verdade. Embora soe meio repetitivo, acho que quem escreve escreve porque precisa escrever, ou pelo menos, porque lhe parece natural escrever. E como escrever é revelar, expressar, a escrita – a literária, pelo menos – decorre dessa, digamos, necessidade ou naturalidade da expressão.
    Por que a expressão ou sua (des)necessidade acontece dum modo ou doutro na vida de cada pessoa, ou por que uns se expressam escrevendo e outros cantando ou pintando, isso eu já não sei responder.

    Helô, espero ter colaborado de alguma forma pra elucidar suas questões, que aliás, além de ótimas, dão pano pra muita manga. Aliás, concordo com a Tereza, sua nova perspectiva por aqui ajuda muito, porque leva à abordagem de aspectos diferentes (sou adepta do quanto mais melhor). PS.: não sei se notou, mas também não tenho formação literária nenhuma (hehe).

    *Celia, não entendi o comentário… (ah, esses abismos linguísticos…)

  20. Nelsinho says:

    Olá pessoas lindas!
    Para não variar, estou de novo no meio de outro período atolado, que nem com tração integral… E preciso de conseguir sair, para poder pensar em algumas semanas de férias!

    Parece-me, meditando um pouco, que me sentiria “alguém”, se tivesse recebido da mãe Natureza o engenho e arte na medida certa para ser escritor ou poeta, e ainda por cima, disso viver! Por outro lado, experiências no campo da música, revelaram-me um péssimo profissional da arte. Ou seja: adoro música, enquanto não sou obrigado a cumprir um contrato!

    Mudando de assunto, sinto um prazer especial em gerar prosa poética com rimas de permeio, ou rimas mescladas com prosa, principalmente em contos. O texto que me atrevo a colar aqui, é um pouquinho disso:

    “Ressentimento

    Dona Rosa não chorava!
    Dos seus olhos nem uma lágrima rolava,
    mas seu peito arfava, arfava, arfava…

    Seu filho Zé, deitado, peito desnudado
    eu vi, com meus olhinhos, chocado,
    brutalmente dilacerado, esfaqueado, esfaqueado!…

    “Foi o futebol!…do futebol a discussão!
    Malandros! Meteram uma faca no seu coração,
    Demônios! Mataram o Zé! Que judiação!”

    Silenciaram a “Requinta”!!
    As melodias do Zé “Requinta”, filho de Dona Rosa e do Seu Abílio “Chocalho” agora só serão ouvidas pelos Anjos do Céu, que o acompanharão com harpas douradas!

    Sentado no quintal do vô Oliveira, noite quente e escura de verão, eu escutava os soluços e lamentos substituindo as notas fascinantes que costumavam brotar da varanda do Zé e fluíam pelas ruas estreitas, sombrias, milenares, da aldeia perdida.

    ***

    Transportei pela vida indeléveis, sons e imagens daquele pungente drama que a mim também atingiu, com apenas seis anos, apaixonado que era por escutar as belíssimas melodias que o Zé, músico extraordinário, extraía dos instrumentos que tocava.

    Transportei pela vida ressentimento e acusação surda ao futebol…”

  21. tereza says:

    Gostei do seu comentário Marília. Eu também não tenho formação literária nenhuma.
    Quanto ao que disse sobre a Helô, concordo que a contribuição dela tem sido ótima.Ela enriqueceu os comentários. E gostei muito de ter discutido algumas questões com ela.

  22. oubienoubien says:

    Oi, pessoal, oi, Marília,
    obrigada eu, mil vezes.
    comentar por aqui nesse blog, com esse time, devia ser no mínimo profissão remunerada:-). É coisa, digam lá o que disserem, mas pelo menos em mim, novata, é coisa que dá um certo temor. E tremor:-)
    Lindo, Marilia, as suas respostas. Ontem me flagrei comentando a respeito do blog, das questões, das diferentes respostas, o numero de comentarios, cada qual melhor do que outro, e minha amiga não acreditava, primeiro desdenhou, depois quando exemplifiquei ela quis ver o site aqui, uma coisa.
    Só sei que pra ela eu, agora, imaginem só, eu, logo eu já sou uma celebridade:-) Tudo porque ela achou isso de todos vocês. Mais uma leitora e pelo que estou pressentindo, virá juntar-se a nós.
    Marília, se você me permitir vou ser um pouco indiscreta, por que você diz:
    “Cecília Meireles, de quem ainda não aprendi a gostar..”? Será porque ela é uma poeta à antiga? (não falo do ponto de vista cronólogico) Eu gosto muito dela e se pudesse iria tentar fazer a sua cabeça:-) aí é que faz falta uma coisa que a Meg tem, que é o exercício da crítica literária (ela tem vários trabalhos publicados) para poder fazer o “fino convencimento”, como se diz na área psi.
    Mas, até prefiro assim, sabe? Não acho ou melhor tenho dúvidas se o que vocês chmam de formação literária (eu chamaria outra coisa) faz a gente gostar mais ou menos de um poeta ou de um escritor.
    Tereza, fiquei meio assustada:-) quem lhe disse que tenho formação (bondade) nesses campos todos??? Baseada em que, Tereza?:-) Isso é “calúnia!”, não vá me comprometer:-)
    Em todo caso, agradeço pelo bom olhar que me lançam.
    Hoje falei com a Meg, tinha chegado do médico.

  23. marilia j. says:

    Helô,

    Essa coisa de não gostar da Cecília é meio birra de criança. Acho até que já contei essa história aqui nalgum outro post.

    Eu, digamos assim, me desapaixonei irremediavelmente – até agora – com a Cecília depois que li o poema *pra criança* “Ou isto ou aquilo”, que tinha no meu livro da primeira série.

    Lembro que, quando li o texto, fiquei indignada: porque raios eu não posso pôr a luva e o anel? O dedo por acaso não é meu?

    Daí pra frente, me tornei toda má vontade para a pobre da Cecília.

    A coisa foi tão séria que eu tomei uma certa repulsão para com a poesia em geral (ok, eu sou ranzinza desde criança).

    Mas o fato é que eu e a poesia só fomos nos reconciliar anos depois, quando eu conheci o Lêdo Ivo – também num livro de escola – entoando o poema “Primeira Lição” (e me reconciliei tanto que até arrisco escrever uns versinhos – dê dinheiro mas não dê intimidade).

    Mas o certo é que nunca me reconcilei com a Cecília. E não por falta de vontade: por mais que eu tenha tentado depois, só sei dela o que manda o protocolo ( o protocolo incluiu todos os outros poemas do *Ou Isto ou Aquilo* – e aí tambem embirrei com o poema da menina que se sujou na tinta da ponte)

    Eu já pedi *perdão* pra Meg por este deslize. Mas nem ela conseguiu me convencer. Deve ser bloqueio. Ou, como diz mamãe, malcriação.

  24. tereza says:

    Helô, a minha intenção não era deixá-la assustada, hahaha.
    A minha intenção era fazer com que você se sentisse mais à vontade
    aqui nos comentários.Mas que eu acho você culta, eu acho, sim.
    Baseada nos comentários excelentes que você já fez aqui.
    Que bom você ter continuado no post novo:)
    Sobre o meu comentário que você não encontrou no outro post, ele é número 157.Acho que os comentários daquele post não terminam nunca, continuam:)

  25. Magaly says:

    Gente, vocês estão colocando em minhas mãos uma responsabilidade que eu não posso honrar. De onde uma professora de curso médio, já ‘off’ operacionalmente, pode buscar argumentos para se aprofundar num tipo de questionamento em que os próprios escritores e poetas são reticentes? Vejam que esse tipo de enquete já varou século, já trata com gerações plantadas em valores diferentes, com outras possibilidades de novos ofícios e profissões, além das que se mantiveram, e as respostas continuam no mesmo patamar.
    A ‘abstrata indagação’ perpetua-se, na significativa insinuação de Meg. E ouvimos os ecos das respostas, ora irônicas, ora acomodadas, ora espirituosas ou apaixonadas – por fraqueza, para abreviar o tempo, paixão pela palavra e seus significados.
    Os nossos brasileiros escolhidos não fizeram diferente e as razões estão na mesma linha: vocação / predisposição por paixão / prazer / necessidade; resposta através de pergunta similar; resposta impactante, de efeito (tipo estilo pessoal de escrita); por profissão (renda para sobrevivência); por vocação / intenção / intuição; por afirmação pessoal; por sonho de infância / vivências; necessidade de expressão (prosa) / necessidade de entender o impalpável (poesia); por impulso natural / prazer lúdico / angústia / descrédito do mundo / partilha de idéias e emoções; por fatalidade / compromisso com a beleza; por amor x opressão / reconhecimento do poder do homem criado x nossa miséria.

    Este é meu preâmbulo, agora vou dar uma vistinha nos detalhes cobrados pra ver como posso colaborar. Não sou novata, Helô, mas também tremo de medo. Volto assim que conseguir ler o material acima e abaixo deste ponto em que parei pra escrever.

  26. tereza says:

    Magaly, muito querida.Que bom a Helô ter-lhe feito algumas perguntas.Assim você não escapa de nós:) Muito bom ler você.
    Beijos.

  27. sub rosa says:

    Queridos todos, todíssimos
    ainda de pescocinho caído, quero anunciar a minha nova inscrição:-)). Se muitos (quase todos) não entenderem, se preocupa não, isso é gíria, lááá do tempo do Império, é coisa de quem já viveu como eu quase dois séculos.

    Então, começo de novo:
    Oi, moçada, tô na área, se (me) derrubarem é pênalti:-)
    a discussão aqui está boa e eu é que não vou “perder o eu* como perdi a do post anterior:-)
    Quero agradecer à Marília, minha vera e propria bellissima condottiera! obrigada, querida por conduzir o exercício grego por aqui, que está prometendo e penso que vai ser “justo, muito justo, justíssimo”.
    Não sei se hoje, agora, dá pra eu me meter (ui!) como eu gostaria mas vamos ver.
    Se a mente estiver – e sei que está – repleta de teias não sei de qual tipo de aranhas, volto amanhã.
    ah! essa minha mania de er… procrastinar:-)
    um beijo a todos
    Cheguei!

  28. Magaly says:

    Voltei para os primeiros comentários e pensei em fazer assim: respondo a alguns que , pela natureza, aguardam alguma referência e, a partir da altura onde houver razão de opinião pessoal entro na discussão, certo?

    Comentário nº 3 – Gracinha, Marília, tudo que vc escreve. Largue de mão MA, CA, AA, LI, FP, toda essa gente sagrada, sacratíssima. Você já nos enfeitiçou como marília
    purinha da silva, viu? Beijo de que a tem em alta conta.

    Comentário nº 5 – Flavinha? Não me olhe com lente de aumento, pelamordedeus. Sou só a Old Mag que não sabe passar sem a alegria de vocês.

    Comentários nº 12,13,14 – Tereza, bem a propósito as considerações ligadas ao tema pelo nosso CDA, por Camus e por C.Crillot, que, aliás, eu não conhecia. E de boa ajuda o link sobre Por que escrevo?

    Comentário nº15 – Helô, a Marília, mesmo que intuitivamente, como afima, respondeu-lhe a contento a primeira pergunta (comentário nº 19) E tendo adicionando a explicitação entre os termos profissão e ofício, do ponto de vista jurídico – seu campo profissional – atendeu a sua segunda proposição, ajudando na compreensão do todo. E você viu, sim, Helô, na resposta de Márcio Souza, como se pode ser um profissional da escrita literária, como se pode viver da renda de livros publicados. Marília, finalmente, fechou sua terceira indagação com o calor e a vivacidade de quem sabe o que diz. No que me diz respeito, discordo de vc quando se refere a defeito de profissão, que acho das mais nobres em todos os sentidos. Você é inquisitiva, no bom sentido, qualidade que exige duas faculdades essenciais – sensibilidade e inteligência.

    Comentário nº 20 – Olá, Nelsinho, não é pedir demais à mãe Natureza? E ‘nosotros’?
    Prosa poética com rimas de permeio, rimas mescladas com prosa e em contos! (a forma narrativa estruturalmente mais difícil de se elaborar). Está lindo, lindo este seu Ressentimento. Meus parabéns.

    Vou parar por aqui e tentar seguir o ritmo de vocês para seguir na discussão dos pontos que surgirem. Já não estou tremendo tanto.

    Eu os abraço com respeito e carinho.

  29. sub rosa says:

    Carol que meigo, querida! Essa do Millôr é ótima, eu adoro e todo mundo adorou, que derivou praquela do Janio Quadros. Você sabe? traz pra nós, traz Carol.

    Ronald, que bom, que bom, você aqui, preciso perguntar sobre seu livro, já estou me vendo na noite de autógrafos, querido.
    Ah! sim, sim, estou me preparando para homenagear o Haroldo, tudo que escrevi sobre ele foi perdido: perdi meu site, olhe. Você não vai acreditar, foi dessas coisas que só acontecem comigo e com o Botafogo, ninguém acredita.
    Agora, ia ser bom mesmo se você como escritor respondesse, hein? Vamos lá?
    Hahahah, de fato, esses que escrevem e resistem à publicação, a enlivrar-se são uns danados, surrupiam de nós tudo que fazem de bom e, segurem-se, é o caso do meu querido Amigo Nelsinho!
    Pronto, falei!:-)
    —-
    Flavita, minha anjinha, bom demais você ter vindo aqui, sei que às vezes é difícil pra você, mas que bom, Flavita. Olha, pra dizer a verdade eu queria que todos, todos os poetas, todos os escritores revelassem por que escrevem, se revelando, mas também, acho que hoje em dia, não é mais importante por que escrevem, mais importante me parece é qual o significado da sua (deles) escrita, que percepção eles têm do ato de escrever, da sua escrita, da sua “escritura”. A propósito disso, lembro do supramencionado Maranhoso Maranhão, que disse depois de falar por que e como escrevia:

    “…Assim entendo o meu ofício e assim pratico. Não me lambo como os gatos. Ao acabar um livro, não estou feliz, estou aplacado. Não passo de um caçador de nuvens. Porque escrever é caçar nuvens; é tentar captura-las.

    Uau, conheço isso há 24, 25 qanos e até hoje, é forte, fortíssimo, inigualável! Que Breton, que nada.
    Hahahahaha!
    Um beijo, sumana.

  30. Magaly says:

    Puxa! Enquanto eu me punha em condições de entrar no ritmo da discussão, eis que “de repente, não mais que de repente”, entra em cena a dona do pedaço – a Meg! Bem-vinda, Meg! O pano baixou rápido demais, nem deu para sentir o gostinho. Volte assim que puder. Beijinhos.

  31. sub rosa says:

    Ô minha amada Maga: acho que escrevemos praticamente ao mesmo tempo, ó flor.
    Pra não fazer aqueles comments homericamente enormes, fui tentar responder a todos. Em partes:-)
    Ia depois responder à Tereza, Nelsinho e Helô.
    Só quando “publiquei” é que vi este seu belo comentário. Obrigadíssima, querida. Se eu soubesse..:-)

  32. marilia j. says:

    E nessa de profissão e ofício, lembrei do Bilac e sua “Profissão de Fé”:

    “(…)
    Invejo o ourives quando escrevo:
    Imito o amor
    Com que êle, em ouro, o alto-relêvo
    Faz de uma flor.

    Imito-o. E, pois, nem de Carrara
    A pedra firo:
    O alvo cristal, a pedra rara,
    O onix prefiro.

    Por isso, corre, por servir-me,
    Sôbre o papel
    A pena, como em prata firme
    Corre o cinzel.

    Corre; desenha, enfeita a imagem,
    A idéia veste:
    Cinge-lhe ao corpo a ampla ropagem
    Azul celeste.

    Torce, aprimora, alteia, lima
    A frase; e, enfim,
    No verso de ouro engasta a rima,
    Como um rubim.
    (…)”

    E também do Drummond, em “O lutador”:

    “Lutar com palavras
    é a luta mais vã.
    Entanto lutamos
    mal rompe a manhã.
    São muitas, eu pouco.
    Algumas, tão fortes
    como o javali.
    Não me julgo louco.
    Se o fosse, teria
    poder de encantá-las.
    Mas lúcido e frio,
    apareço e tento
    apanhar algumas
    para meu sustento
    num dia de vida.
    (…)”

  33. sub rosa says:

    Marília, você foi no alvo, na veia!
    Eu acabei de chegar, estava lendo e a “tela branca me desafiando, eu querendo me chear na questão da Helô, do ofício de escritor e meio sem jeito e calma e disposição.
    Daí vem você, veja que estou escrevendo um minuto depois de você.
    Essa questão é muito, muito pertinente, sim e tem a ver com o exercicío da atividade desse estranho intérprete e criador do fictício que compõe o real. O que posso adiantar, por enquanto é que a denominação ofício vem da Idade Média.
    Lembra as artes liberais? O
    trivium e o quatrivium? Pois é isso.
    Eu sempre recomendei aos meus alunos, o pulo do gato! Quando vc não souber algo, tente a etimologia, e quando souber, também. Andem com um dicionário etimológico, ó advogados, juristas, filósofos (principalmente), sociólogos, antropólogos,poetas, seresteiros (e)namorados:-) trovadores e demais. Psicanalistas então nem se fala, viu Helô?;-)
    É baseado nos ofícios medievais é que fica a consideração social do trabalhador até hoje.
    E mesmo que -não estou afirmando que seja – a observação da Helô seja dentro do “atirei no que vi e atingi o que não vi”, ela tocou num ponto fundamental. Que veremos depois e pode vir de vocês.

    Obrigada por tornar tudo mais fácil pra mim, Marilia bela, eu acho que esse ponto é muito importante, não sei se notou, só agora notei, na declaração do Haroldo Maranhão, ele fala de ofício, vamos ver depois essas implicações.
    Só adianto que o relojoeiro e o ourives são membros privilegiados da “high society” dos que tem um ofício. E isso porque são peritos, têm, como se diz, hoje, o mais alto grau de *expertise*. Eles sabem o que fazem. Conhecem o seu ofício!
    (aliás, no francês, existe uma expressão, até corriqueira, quando se quer dar o veredicto de quem sabe, sabe: il connaît son boulot:-)
    Mas o escritor, o poeta (eu estou aqui seguindo a tradição do Ocidente que separa aquele que escreve em prosa e o que escreve em versos – lembrem de “Le Bourgeois gentilhomme” do Molière )- será que eles sabem o que fazem, serão peritos naquilo que fazem? Se o fossem teriam o tal pavor da “página em branco? Já leram o que a Marilia nos trouxe, no parnasianismo brilhante, perfeito, magistral de Bilac? Na inglória batalha em busca do mot juste, segundo o veneravelmente sábio, Drummond?
    Necessitariam da tão falada e difamada inspiração? principalmente no caso do poeta?
    E por que, Jesusinho do Céu?

    Quem sabe, não é?
    Qual a opinião de vocês?

  34. marilia j. says:

    Meg, imagine se eu, que nada tenho de inspirada, sendo, quando muito, um tantinho pirada, tirasse, a cada dia, durante, digamos, dois meses, 20 minutos e escrevesse um poema.
    Linha de produção literária. Será que funcionaria?
    Lembro de ter vendido, algumas vezes, uns poemas para apaixonados sem inspiração que queriam impressionar seus respectivos enamorados.
    Eu, mesmo não apaixonada e não inspirada, juntava umas palavras pra expressar o amor que não sentia e deixava um casal feliz, ao menos até a próxima briga. Seria uma profissionalização do poema, isso?
    Qual a diferença entre compor um poema e um parecer jurídico?

    Cansei de responder. Agora eu quero é perguntar!!!

  35. Cara Mestra, ante esse magnífico post e também magnífico assunto, tenho de puxar a brasa para minha pescada:-)
    O que levaria a escrever (antes da escrita) os historiadores como Tucidides e Herôdotos?
    Que nem “historiadores” eram, eram logógrafos.
    E a senhora concorda que o primeiro narrador da nossa civilização foi Homero que escreveu em versos A Ilíada e a Odisséia?
    Como eu não quero falar sozinho, vou dizer o que acho da pergunta de Dona Marília:
    Dependendo de seu talento e da sua competencia alguém pode sim, criar histórias, ficções e poemas. E pode vendê-los. Mas e a qualidade? E a alma dessas criações? Elas serão artísticas?
    Afinal existem escritores que são uma negação como Paulo Coelho e vendem muito.
    Quanto à diferença entre poema e um parecer jurídico isso eu já não tenho idéia e considero a pergunta muito boa, dá pra pensar.
    Espero merecer vossa atenção,
    sou historiador, doutorando na área de Sociedade e Cultura, mas não sei nada de nada:-) fui aluno da Professora aqui e sou apaixonado por literatura.
    Um abraço

  36. Esta é a primeira vez que acesso este excelente blog e já me deparo com um tema referente a algo que amo fazer: escrever. Sobre a pergunta “Por que você escreve?”, tenho que levar em consideração o que eu escrevo. Na minha área, a História, nós escrevemos para “provocar” nas pessoas a reflexão sobre si mesmas, a busca do seu eu. Considero esse objetivo como sendo semelhante ao dos escritos dos poetas, de um modo mais seco e direto, mas não sem tanto esmero quanto eles. Posso dizer escrevo sobre História, para provocar a reflexão (inclusive a minha), mas também o faço pela paixão. Escrever é, principalmente, compartilhar ideias e sentimentos.
    Aos que desejarem ler, tenho textos sobre história neste blog (bloghistoriadores.blogspot.com)! Abraços!

  37. marilia j. says:

    Adoro quando chega “sangue novo” por aqui.
    E pelo visto, os historiadores chegaram em debanda – melhor ainda!!! Adoro história. Só não estudei, porque gosto mais de direito (cada doido com sua mania, né?)

    Pois bem, James.
    Sempre me perguntei como aqueles homens antigos tiveram a ideia de escrever.
    Mas pior do que isso. Muitas vezes, quando dizem de alguém “é poeta” é como dizer “é louro” ou “é alto” – algo intrínseco que você “nasce sendo”.
    Mas quem foi o primeiro a ter a ideia de versejar? E os que nasceram “sendo” poetas antes da escrita? Teriam sido eles que desenharam nas paredes das cavernas?

    E aí vem o problema da “alma” do poeta/de poeta.
    Nunca vi ninguém reclamar quando o sujeito faz a arte e depois vende a arte.
    Mas se o camarada “faz pra vender” aí vem sempre o questionamento…
    O problema do Paulo Coelho, acho eu, é de quem compra – e consegue ler -, mais do que de quem vende…
    Mas a arte vira menos arte se virar ofício de artesão?

    E quanto à diferença entre o parecer jurídico e o poema, refaço a pergunta: é preciso inspiração para fazer um texto técnico ou só o domínio da técnica? E o domínio de uma técnica é suficiente para um bom poema?

    Maurício: você diz que os “historiadores” têm essa intenção de provocar a reflexão. Mas e aqueles que o James falou? Tinham alguma intenção específica ou estavam só expressando o que viam?

  38. Magaly says:

    Marília, penso, sim, que existe uma diferença. Na composição de um poema, mesmo com ausência do que se entende por inspiração, existe o elemento lúdico impulsionando o autor. É uma experiência prazerosa apanhar palavras, arrumá-las, gerar rimas ou apenas sonoridades, dar um sentido ao que se reuniu ou deixá-lo no terreno do abstrato para instigar o leitor. Ao passo que um parecer jurídico é um texto técnico, formal, com termos profissionais específicos e, por mais bem escrito que se apresente, não apaixona, não toca a sensibilidade do receptor. Você mesma, em seu primeiro comentário neste post, falou assim: ”Às vezes eu escrevo porque quero ser como um pôr-de-sol. E diariamente eu escrevo coisas técnicas e tristes que pagam as minhas contas no final do mês.”
    O James (desculpe o tratamento caseiro, mas aqui sou vó dessa turma infernalzinha,
    Meg há de confirmar) toca num ponto vital. O poema feito mecanica e ludicamente pode ter qualidade? Formal, sim, principalmente vindo de alguém com o preparo de nossa colega. Quanto à alma do poema… Na literatura, há casos de obras encomendadas que alcançaram crítica relevante. Vou correr atrás dessas informações pra trazer pra cá.
    E Maurício? Que onda de historiadores, hein? Gostei. Sempre fui inexplicavelmente péssima aluna de história. Prometi reduzir esta lacuna, nunca consegui. Mas ainda é tempo e temos agora vocês aqui, novinhos em folha e com trabalhos de doutorado e até blogs. Desta vez, tiro o atraso.
    Abraços aos estreantes. Beijinhos,meninas

  39. luma says:

    Todas as respostas foram ótimas e particularmente gostei muito da resposta da Lygia Fagundes Telles. No mais, fiquei pensando: Será que todo escritor, ao desenvolver o seu ofício, procura o ineditismo?

    Carlos Drummond de Andrade, escreveu:

    “Gastei uma hora pensando em um verso
    que a pena não quer escrever.
    No entanto ele está cá dentro
    inquieto, vivo.
    Ele está cá dentro
    e não quer sair.
    Mas a poesia deste momento
    inunda minha vida inteira”

    Moram em nós outras vozes e o pensar é simplesmente dialogar. Quem reza, cantarola ou sonha também pensa consigo mesmo! Já o escritor precisa registrar no papel essa conversação interior, com a alma de seus personagens. O escritor não pensa “eu vou escrever todas as manhãs” ou então “vou escrever quando todos estiverem dormindo”; a prática da escrita é algo que se faz o tempo todo, seja caminhando, olhando o movimento das pessoas, com a faísca de nossas inspirações e com os leitores.

    O grande presente que o escritor gostaria de ganhar, ainda é o mesmo presente que sempre desejou: cativar seus leitores. O leitor é a consagração de quem escreve.

    Feliz dia do Escritor! Comemorando atrasadinha, mas comemorando ;)

  40. Dona Marília, refeita a pergunta, eu nao havia a entendido antes, desculpe. . Penso que inspiração é termo muito discutido e se tornou uma espécie de mito, não importa se existe, importa se se acredita ou não.Então, posso estar chovendo no molhado, mas algo técnico (o parcer) serve a quem o procura, se você não estiver procurando (ou precisando) não vai ter prazer ou repulsa lendo-o. O que já não acontece com um poema, onde o prazer é o motivo sem motivo de lê-lo. Então o espírito criador (se pode chamar assim) é um só no técnico e no poeta, a diferença está no resultado, eu acho. No que pretende e a quem se destina, seria isso?
    Não vamos longe, notei que a senhora escreveu lá no alto:
    “Meg, imagine se eu, que nada tenho de inspirada, sendo, quando muito, um tantinho pirada,”
    Quando eu li, eu ri, e pensei: eu numa vida inteira e não seria capaz de fazer um trocadilho com “inspirada e pirada”. É isso que a torna diferente de outras pessoas, a senhora é capaz de fazer isso, dá para entender? Eu acho que a Dona Magaly tem toda a razão eu concordo totalmente com ela (ainda mais que ela citou meu nome). Aquilo que se faz melhor nos diferencia dos outros ou não? Agora quem determina o que é melhor e o pior isso não sei, mas sei que em História e em especial no estudo das civilizações, o que perdura vira tradição e a tradição é parametro para tudo que vem depois.
    O que eu falei do Paulo Coelho não era depreciativo do carater dele ou do talento . Mas também não acho que a questão seja + de quem compra: a História mostra que – favor ler o depoimento do sr Alexei Bueno: “A humanidade tem o dom de gerar todas as vocações de que precisa, mesmo as mais improváveis, e no número certo.”, então a História mostra que toda época “fabrica” o que se compra e o que se vende… e o valor de ambos.
    Foi um prazer discutir com a senhora e com Dona Magaly, espero nao ter decepcionado.
    Eu também gosto mais de perguntar, aprendi que a pergunta é mais importante, será?
    Um abraço a nossa Mestra.

  41. Dona Marília, vou arriscar, quando a senhora fala de linha de produção literária está querendo tirar a a ideia de que o artista da escrita (poeta) não é um “ser especial” , um “eleito”, é isso?
    piorque se for, eu concordo mas sem retirar um única palavra do que escrevi (embora eu, ao contrário do prezado colega Maurício, não tenha talento nenhum para escrever, meu blog é só de cópias do que outros ilustres disseram).
    bom sono a todos.

  42. Marília, entendo que os primeiros, os que James falou, apenas expressavam o que viam, até por que estavam fazendo História sem saber que o faziam. Ao colega historiador James, muito obrigado pelo elogio. Entendo, entretanto, que o ato da escrita inclui talento, mas também muito esforço, ou seja, não precisa ser “especial” para desenvolver esse hábito. Eu tinha dificuldades pra escrever, mas estou melhorando aos poucos. Também acho que escrever seja uma criação, não no sentido de um operário de fábrica, mas de um tecelão, que realiza um trabalho minucioso e artesanal.

  43. Magaly says:

    Luma, gostei do poema em gestação que vc nos trouxe. Se com CDA, a gestação de um poema é fato, então a criação é mesmo um ato de força maior, resultado de uma química interna que se materializa através da escrita pelo esforço e necessidade do poeta.

    Tenho que sair agora Volto de noite pra complementar e perguntar umas coisas que me estão atiçando a curiosidade.

  44. oubienoubien says:

    James e Mauricio, obrigada por tudo que nos trouxeram, a mim principalmente, que tenho interesse nesse nó para onde converge a criação e a expressão.
    Seja a ficção(onde se enquadram as fantasias, os mitos e… as mentiras também) ou o reconto, aqui incluídos o fato real e o imaginário, um romance ou uma biografia, por ex.
    Mauricio diz que faziam História sem saber, mas será que os escritos ou as narrações não tinham um objetivo?
    Eu me pergunto também se contemporâneos de Homero não tiveram a idéia de fazer relatos, com o fim de preservar a memória dos acontecimentos ou outro objetivo. Porque se havia um outro objetivo, o de encantar atrair ou fazer refletir, então certamente eles precisavam de eum diferencial. Será que me faço entender?
    Não quero insistir na discussão sobre ser ou ser especial, mas…

    Marilia, em algumas genealogias da Psicanálise, quase todas, a psicanálise é um discurso sem fala, sabemos dos primeiros pacientes (as histéricas de Freud, por ex) não por seus monólogos ou diálogos, mas sim por uma escrita, ora, se é assim e é, trata-se de um relato. O que faz com que esses relatos sejam conhecidos em praticamente todo o mundo e tenha granjeado a admiração de mais de meio mundo é a sedução da escrita de Freud (o que existe em Lacan mas muito, muito menos).
    Entao, aí você tem o seu parecer judicial:-)
    Precisa domínio da técnica? certamente, e como vc é uma diabinha mesmo, quando escreve, seu pareceres serão atraentes. Naõ acredito porém que tenham a atração de um conto e nem mesmo de um ou vários poemas seus vendidos:-)
    Helô

  45. Magaly says:

    Helô, já estava sentindo sua falta. Não repare não, mas vou entrar e dizer o que penso a respeito de seus pontos de arguição. Todos os vestígios encontrados antes da escrita, como desenhos cravados em pedra, caracteres em tábuas, registros orais passados de geração a geração não devem ter sido atos aleatórios. Parecem mais atos ditados por intuição, preocupação de perpetuar o que existiu da vida em grupo, de manifestação de tendências e labores. (Helô, Marília, James, Maurício, vão anotando as asneiras que posso estar dizendo e podem se contrapor abertamente, sem preocupação. Se não aprendi até hoje, só na ‘marra’ é que vou entender).
    Quanto à sua explicação em terreno psicanalítico, uma beleza, assim como a opinião sobre a diabinha da Marília em seus encantatórios pareceres judiciais.

  46. Celia Trakl says:

    Oi, em 1o. lugar, Marilia, se vc nao entendeu meu comentario anterior, que otimo, espero que nao entenda nunca pois era mais um aviso para prevenir coisas desagradaveis que, infelizmente, ja aconteceram e sei que acontecerao mais cedo ou mais tarde. Xapralah, como se diz.
    Queria falar sobre a condicao do poeta hoje, ja que os Yeats, Keats, Coleridge, Drummond e Joao Cabral rareiam, meu marido eh poeta e tradutor, e digo a todos nao eh facil, pois ele tem gripe, tosse, temos que pagar as contas todos os meses e infelizmente ele nao vende poemas pois nao ha muita gente que queira:-(, ah se tivesse, mas poema nao esta na moda:-) sem falar do vinho e da cerveja, que ninguem eh de ferro:-)
    Mas quero tocar num ponto, depois de ter lido as duas respostas da nossa querida Magaly, e quem sabe mudar um pouquinho o rumo desta prosa: qual eh mesmo o papel do poeta hoje?
    Alguem liga para o poeta ou escolheria o poeta para ocupar algum cargo de poder? O que lhe resta então? Alguem eh poeta em tempo integral ou a atividade eh aa margem de outra que lhe de prestigio ou garanta o sustento, ja que comer eh necessario?
    A Adelia Prado vive do que cria? dos livros que edita? Se sim, e oos outros?
    Minhas perguntas nao sao pra entreter uma discussao, sao um problema que me coloco a cada dia.

    =-=-=
    Para um apanhadinho do trabalho do meu maridovski, deixo um link:-)

    http://www.avenidaperdida.com/18-juli-2011-der-ubersetzer-im-alptraum/
    Se a Isabela vier por aqui, deixo um cheiro para ela, gentil que foi comigo, la no post inclinadinho:-)

  47. Celia Trakl says:

    Oi, Magaly, nao tinha visto voce, agora.
    sempre certeira,
    um beijao para voce.

  48. Magaly says:

    Dentro das discussões deste post, está necessariamente a poesia, uma das formas de expressão do escritor. Por isso, no ato da leitura matutina do jornal nosso de cada dia fui atraída pelo que nos trouxe nosso poeta Carlito de Azevedo em sua página RISCO, do
    caderno Prosa e Verso.
    “Nenhuma experiência humana será esquecida pela poesia. Essa parece ser a grandeza e a miséria da poesia, sua dor e sua delícia, sua declaração de princípios desde Homero, passando por Baudelaire, pelos expressionistas alemães e chegando aos nossos dias tão complexos. A experiência dolorosa, a injustiça máxima, nos chega aqui através de um poema radical, quase um documento poético, de Adriana Lisboa, de quem nos acostumamos a esperar romances, e de quem devemos esperar também, a partir de agora, súbitos deslocamentos, poesia de choque, surpresa, metamorfoses.”

    IMPERIALISMO CULTURAL

    A vida íntima
    de uma menina de dez anos
    na Somália (Somália é qualquer lugar
    neste mundo, neste mesmo mundo):
    o clitóris e os lábios vaginais são decepados
    a menina é costurada em saguida, deixando-se
    apenas uma pequena abertura para a urina e para a menstruação
    a menina é imobilizada até que a pele grude entre suas pernas
    e no dia em que estiver pronta para o sexo
    seu marido
    ou uma mulher respeitada na comunidade
    vai abri-la de novo, cortá-la
    como se corta uma fruta, como se corta
    a aba de um envelope que traz um documento importante
    como o avião corta a nuvem
    como a nuvem corta o céu

    Adriana Lisboa

    A força da linguagem poética é inexcedível, não acham vocês?

    Esta divagação foi só para liberação de forças novas enquanto voltamos á nossa discussão. Aliás, prometi formular umas perguntas e nem pensei nelas. Também sou meio atada para perguntar, mas aqui temos inquiridores ‘first class’.Enquanto ponho a cabeça pra funcionar, conclamo Marília, Helô, Luma, Tereza, Nelsinho, Flavinha, Walter, Ronald, Célia, Carol (esqueci alguém?) enfim, todos, ‘todinhos’ perguntem, vamos, perguntem!

    • Nelsinho says:

      Ternura, crueldade, amor, ódio, medo, autodestruição…
      A linguagem poética pode ser força inexcedível expressando as forças contidas na alma do autor.

      Adriana Lisboa expôs em poucas linhas a inimaginável crueldade de que o ser humano é capaz.

      “…If you pluck out the heart
      To find what makes it move,
      You’ll halt the clock
      That syncopates our love.”

      (Sylvia Plath)

  49. Marianna Stobbe says:

    Beleza de discussão, gostaria de participar, lembrando que a psicanálise, desde os primórdios,se valia da escrita literária para exercer a sua prática , Freud utilizava textos de ficção para
    ilustrar a construção de seus conceitos , como delírios, sonhos e sintomas etc Caso da Gradiva.
    Quanto ao outro ponto sobre o poeta ser um ser especial, acho que todo mundo é especial, ou por outra, todo mundo é igual, mas entre os iguais alguém se destaca por uma determinada condição, há profissionais, alunos atores, pintores e músicos medíocres e alguns são brilhantes, acima da média.
    É isso, obrigada.

  50. Teruska says:

    Puxa vida, Meg! Ler os comentários é tão bom quanto ler o post! Tô encantada mas ando burramente empobrecida de literatura e não ouso sequer falar qualquer coisa…
    beijo.

  51. sub rosa says:

    Terê, Teruska, Teruskinha do meu coração!!!!!
    Que surpresa boa, eu pressentia.
    Minha querida, parabéns pelo seu livro, você, autora sensível de tantos outros.
    Ah! eu vos faço, como diz minha querida Marília, uma exortação: poetas, seresteiros, namorados, correi!!!; Urgente a ler a Teruska, minha amiga querida, minha altamente admirada, com justa razão e descubram lá minhas razões:-)
    Participou, num nível altíssimo, do nosso Concurso de Narrativas Breve Haroldo Maranhão. Escreve um dos mais belos, luminosos e irresistivelmente sedutores blogs desde o início dos tempos. Escrita de encantamento.
    Oh my goddess goodness:
    Façam-me e se este favor, leiam aqui, só para dar um exemplo:
    http://teruska.blogspot.com/2010/04/invencao-do-tempo-filosofia-pura-ou.html

    Era assim que se escrevia, nos primórdios da webescrita! E se escreve ainda, embora alguns, hoje – as almas pantanosas, sobretudo – achem mais produtivo descobrir insuspeitas sintaxes:-((
    (quanto estreitamento de mente, demente). De fato, Teruska tenho visto tieneblas, nas críticas de gênese literária.
    Espero que seu bebê-livro, minha Teruska receba o mais entusiasmado acolhimento.
    Agora, venha cá, eu sou hmmm. linda, eu não digo, mas” gentil, calorosa, bem humorada e magraah! isso tento ser e mesmo assim não recebi nada:-))). hahaha,
    Te adoro, querida, espero que tenha vindo aqui, por força da saudade, como foi sua visita à queridíssima e maravilhosa amiga Fal que, essa sim, é mais que grandiosa, felizmente e para compensar!
    Milhões, bilhões de beijos e fico agora com a invenção do tempo!
    Genial!!!!!
    Obrigada, querida, pela visita.
    Sucesso, todo o sucesso! Que venda muito e seja bastante lido. Parabéns, linda, lindíssima Teruska..

    • Teruska says:

      Meg… de repente me deu uma vontade enooorme de fazer tudo de novo de uma outra maneira! Você disse e a Tereza disse e me sinto cheia de mim!rs Quero escrever, quero aprender de novo, quero sair deste balão azul idiota! (eu também sou exclamativa pra danar)rs

  52. sub rosa says:

    #49
    Nelsinho, querido Amigo, assim ‘maiusculamente’:
    Ainda não li todo o comentário da nossa Magaly, mas li o poema e constato que eis aí um raro e gratíssimo exemplo de poesia denunciando o tempo histórico.
    A Adriana Lisboa de quem conhecia os textos leves, divertidos, humor ágil de escrita televisiva (no que ela também é ótima) me escreve esse documento!
    Irretocável e feliz casamento entre os ideários estético e ético.

    Agora, quanto ao seu fecho, ah! Sylvia Plath no seu melhor!
    Não poderia ser mais lembrança, Nelsinho.
    Belíssimo!

  53. sub rosa says:

    Maurício, seja muito bem vindo.
    Sei que Marília e a querida Magaly, verdadeiras donas deste pedaço:-) já lhe deram as boas vindas.
    Achegue-se, leia, escreva, critique, opine, nós precisamos de você, para alimentar quaisquer discussões.
    Esta agora, praticamente chegando ao fim, mas ainda assim, viva e pujante.
    (Minha preferida até agora, ssshut! não conte a ninguém:-).
    Ah! eu vou logo, logo, visitar o seu blog, não fui ainda por total impossibilidade.
    Mas, desde já acho louvável que além de historiador, vc escreva também com a intenção de provocar reflexão. Isso é necessário pois nem sempre essa historiografia anda lado a lado com uma visão crítica sincronizada e sintonizada.
    Um grande abraço de boas vindas.

    James, pelamor, não precisa chamar a “nossa” Marília de *Dona*, conheço você e seu cavalheirismo, seu jeito britânico de ser:-), mas não é preciso isso, embora, sim, realmente ela seja uma magistrada. Do mesmo jeito, a nossa Magaly, que é tudo o que você imaginar de bom, educado, generoso e justo, mas aqui ela é sobretudo a nossa Maga.
    Parabéns, pelas suas argumentações.

  54. tereza says:

    Meg, assino embaixo de tudo o que disse sobre a Teruska, é escrita de encantamento.Rara sensibilidade. E lembro de você dizer, no antigo Sub Rosa (sim, eu já lia o Sub Rosa) que, se pudesse, pagava a Teruska para escrever só para você:) Lembra? Lembro dos três contos que ela ela enviou para o Concurso Haroldo Maranhão, usando o pseudônimo de Irina.
    Bons tempos !

  55. tereza says:

    Ah! Eu até criei coragem e comentei sobre os textos da Teruska e da Fal no Concurso Haroldo Maranhão:)
    Desculpe O.T.

  56. sub rosa says:

    Ihh!!! é mesmo, não lembro exatamente como eu disse, mas lembro do sentimento, sempre senti esse desejo , brinquei várias vezes com a linda Teruska, e se você diz é porque é, pronto!:-).
    É mesmo??? Você comentou nas 3 belas narrativas da Irina-Teruska?!!! Mas que coisa!
    Puxa, Tereza, você que sabe melhor que ninguém(*): tudo isso perdido, como dói! Pra você ver, meu rosário de perdas. Eu bem que merecia um descanso, um tempo. (permito-me um pouco, um poucochinho de autopiedade:-)

    Mas, menina! como é possível? Eu lembro tanto de uma Tereza que um dia comentou no site meguimaraes dot com, num post raro que fiz (raro porque como eu digo – nos blogs, trato de tudo menos de filosofia e sexo pisc***) em que eu citava o François Roustang, no Un destin aussi funeste. Eu fiquei muito impressionada, pois praticamente ninguém mais além de especialistas conhecia o livro ou o assunto, será que era você?, Seja ou não, belo comentário, bela memória, outra perda… Agora, tem uma coisa: comentários lá no Imagens e Palavras, (onde publiquei os contos breves dos concorrentes), eu, confesso, que não guardei muito bem, lia menos. E agora, nem posso ver, Dommage!

    Voltando ao assunto central, eu esqueci de dizer, mas digo agora que a Teruska tem razão quanto aos comentários, não é à toa que eu sempre falo que os comentários são a alma do blog Sub Rosa, mesmo que seja só um um único comentário tem valor acrescentado para mim.
    Por isso eu tenho tanto cuidado e preocupação com os comentários, você vê?
    :-)
    Obrigada pela surpresa feliz
    (*) por questão de justiça, a Isabela sabe o quanto isso me abalou, e já me ajudou, muito mesmo, mas acho que ela vai me ajudar ainda mais num site novo que pretendo fazer.)
    =-=-=
    E tem gente que ainda me chama de super-exclamativa! Exagerados:-)))

  57. tereza says:

    O comentário foi meu no post que você citou o livro de Roustang Um Destino Tão Funesto. Puxa! Como você tem boa memória! Tem trocentos anos!Você citou o livro e eu disse algo que já não me lembro, só sei que gostei de Roustang e das críticas que fez a Lacan.Parece que ninguém leu aquele livro e então descobri que alguém tinha lido, você:) Ah, e um professor de filosofia que eu conhecia.Foi o que me fez comentar.
    Depois comentei um outro post, que tinha uma pintura de Santa Tereza d’Ávila. Não comentei o texto, mas a pintura e o comentário de Lacan sobre a tela, ele fala de “la juissance”, de Santa Tereza, um lançar-se interminável para o infinito.Depois, o Bandeira e
    tals.Comentava esporadicamente aqui, mas sempre lia o seu blog.

  58. tereza says:

    Sabe o que descobri, Meg? Acho que sou uma de suas leitoras mais antigas:))

  59. sub rosa says:

    Sim, sim, eu fico muito contente – como diz a Marília – com o “sangue novo”, mas é inegável, que uma certa “fidelidade”, traz, sim, muita alegria:-). Eu tive muitos leitores que perdi, naquela saga absolutamente nonsense de morte e coisa e talz, mas os que ficaram, os que permaneceram, como a Magaly, por exemplo, são preciosos, me sinto muito valorizada, reconheço, modéstia às favas:-)
    Agora, você, obrigada, Tereza.
    P.S. Como eu costumava dizer: perdoem-me os que não forem amigos e alegrem-se amigos;-)

  60. marilia j. says:

    Queridos todos,

    Sinto ter de me ausentar daqui por algumas semanas.
    A ausência é necessária, e as saudades do debate serão muitas.
    Em breve, retorno, que também sou das antigas por aqui.

    Grande abraço a todos.

    marilia j.

  61. Magaly says:

    Marianna, que bom mais uma médica psicanalista se enturmando conosco! Você é muito bem-vinda. Venha sempre que quiser, exponha suas opiniões, como acabou de fazer, instrua-nos em sua área, estamos muito animadas com sua participação. A Helô já nos conquistou com sua capacidade de reflexão, sua facilidade de argumentar e de inquirir. vamos andar juntas que essas discussões esclarecem muito, dada a diversidade de pontos de vista partidos de representantes de áreas tão diferentes.
    Desculpe ter demorado a falar com você, é o acúmulo de coisas a resolver.
    Dessa forma, Marianna, consideramos nossa turma com mais um membro e desejamos que vc se sinta bem entre nós. Abraço inaugural da turma do Subrosa

  62. Magaly says:

    Célia, sempre tão simpática, sei que não é fácil a subsistência escudada só em produção literária, principalmente se a inclinação do autor pela poesia é predominante. Mas nessa área há escolhas que dão certo e que podem ser tocadas lado a lado, como magistério, tradução, crítica literária (em jornais, revistas, televisão). No caso de vocês, já há o casamento de poesia com tradução, você mesma falou .Acrescente-se a essa posição a realização pessoal, a felicidade de dar-se àquilo que representa apaziguamento e completude.
    Você é muito querida, Célia. Bom ver vc se manifestar, argmentar , opinar, arguir.
    Até a próxima rodada,e façamos de conta que encerramos por hoje com uma cerveja bem geladinha ou uma generosa taça de vinho tinto. Abraços ao simpático casal.

  63. sub rosa says:

    Magaly, minha querida Amiga, ah! você, você.
    Não sabe como lhe sou particularmente grata em todos os momentos de minha vida, sobretudo nos inúmeros momentos difíceis, em que sua presença tem sido e é decisiva.
    Obrigada por dar as boas vindas à Marianna.
    Acabo de chegar em casa e…:-(
    Você realmente não existe: é, isso sim, uma amiga maravilhosa que saiu do Universo Paralelo me equilibrando face a tantos exemplos de “loucura” que ultimamente me têm aparecido.
    Como se diz aqui na minha terra: Vôte!
    Você é um anjo pejado de afetos.
    Jamais, nem que vivesse duas vidas:-), seria capaz de lhe agradecer o suficiente.
    Um beijo suave, grato e especialíssimo como o adágio de Albinoni.
    Sua Meggy

  64. Caraca!
    O post rendeu e foi um daqueles casos verídicos em que os comentários roubaram a cena, o post em sí serviu “apenas” para puxar o assunto, igual na música quando os artistas ficam “esquentando” os instrumentos e quando menos esperamos o show já começou. É isso: um show!
    Parabéns, madrinha. Sempre muito bom vir aqui(nunca perdemos a viagem mesmo que o busão esteja lotado!)
    Beijo, menina

  65. sub rosa says:

    Pois é, Valter!
    O que esses meus amigos fazem, fazem de tudo, chutam, driblam, entram na dividida, cabeceiam e ainda cobram pênalti:-)
    Hahahahah! adorei essa do busão :-)))))))))))
    Obrigada, afihado. Venha sempre, venha mesmo, gosto de ouvir suas opiniões, tá bem?
    Também sinto falta do meu querido Lord:-(
    bjo.

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