Alma Lusa, por Luis C. Nelson

            Quando,  em abril deste ano,  discutíamos a respeito da lírica portuguesa, a do conceptismo, a do Cancioneiro Geral, com a valorosa e aguerrida equipe de comentaristas que, imodéstia à parte, só o Sub Rosa tem;-), o meu amigo Nelsinho (Luís C. Nelson, do blog Mukandas ) manifestou neste belo comentário (clique para ler) (“Devo ter recebido um pouco da alma de Bernardim, a julgar pelas vezes que entro em choque frontal comigo próprio...”)  a sua identificação com Bernardim Ribeiro, o poeta do Eu dividido.
Gostamos tanto do comentário,  que logo  surgiu a questão:  nós, brasileiros, teríamos  herdado algo da   triste, melancólica por natureza, alma lusitana? O que se entende por “alma melancólica do português” ? E, ao fim e ao cabo, portugueses e brasileiros partilhariam o mesmo substrato melancólico?
Claro que diante disso, eu não ia deixar por menos. Pedi a Nelson que – em sendo possível, expandisse para nós esse conceito.
E ele – que há muito me honra com sua amizade, não regateou esforços para, a despeito da sua eterna falta de tempo, produzir este belíssimo texto que se segue.
Deixem-me apenas dizer que o texto a seguir   vem reconfirmar que seja onde quer que escreva, no seu blog, em sua página pessoal no Facebook, nos comentários, Nelsinho faz de cada lugar um palco textual em que – utilizando o distanciamento da ironia, na observação da realidade e sua percepção poética –  algumas das suas  inquietações metafísicas e, por que não dizer?, alguns sutis malaises existenciais, encontram a sua melhor expressão literária. Muitíssimo obrigada, Nelsinho.

ALMA LUSA
“Se meu mestre estivesse aqui para me elucidar e ajudar a escrever algumas frases sobre a tão cantada alma lusitana, por certo ele começaria com uma afirmação, que poderia muito bem ser …

“…que dos lusos poetas os corações,

de tão tristes parecem talhados,
com aqueles mesmos machados
que talham as tábuas dos seus caixões…”

Não disponho de tempo para os caminhos da pesquisa nos velhos e belos alfarrábios do Real Gabinete Português de Leitura, ou nas fontes mais ou menos escondidas, mais ou menos esclarecidas nos meandros da Internet, sobre as origens dessa tão intrínseca tristeza, que de tão intrínseca, é tumor que o tempo não logra extirpar.
Recuo decididamente no tempo, diretamente para as madrugadas de frias névoas. Junto-me aos rudes, andrajosos e miseráveis autômatos que desfilam ecoando seu calçado de madeira com brôchas de ferro pelas graníticas vielas e quelhos da aldeia sem idade, suas enxadas às costas, seus mirrados estômagos roncando de mau humor a água-ardente e algumas gramas de pão de milho oferecidos pelo senhor da terra como mata-bicho, até que suas mulheres lhes aportem às lavouras, a habitual e pobre malga de caldo de cebola. Exausto, sigo-os enquanto descem os montes ao final da massacrante jornada de sol-a-sol. Olho as reações dos seus rostos tristes, que tão tristemente se alegram com as parcas moedas que, com desprezo, são colocadas sobre suas calejadas mãos. Completando o soldo, um copo único de vinho tinto e uma côdea a mais de pão de milho. A poesia sai-me esfomeada e mortalmente triste, mortalmente tísica…

Flano para os meus verdes anos e relembro a minha paixão pelos grandes veleiros aparelhados para a pesca do bacalhau. Furtivo e ladino, escalo o portaló e esgueiro-me por entre os dóris empilhados ao longo do convés, do qual se solta e sobe aquele inebriante odor do piche e da estopa do madeirame recém calafetado. Encho os pulmões, inspirando a coragem e sacrifício daqueles homens de rudes modos por cujas faces rolam lágrimas enquanto agitam lenços brancos em resposta aos amargurados acenos de despedida das mulheres em prantos, com suas crianças ao colo, sua triste sina da difícil sobrevivência em terra, enquanto esperam a promessa de improváveis melhores dias com boas comissões de pescado. Muitos meses passarão, alguns perecerão, perdidos dentros dos seus pequenos doris que remam frenéticamente para o nada, no meio do súbito e assassino nevoeiro, sobre as geladas águas da Terra Nova. A poesia sai-me soluçada em saudade, solidão, medo e sofrimento atroz…

Serão estes dois exemplos suficientes para justificar a alma de um povo? Certamente que não mas, se o pesquisador se embrenhar pelos “mists”da história, por guerras e perigos esforçado muito mais do que promete a força humana, por vidas errantes, por terras estranhas, por sofrimentos lancinantes, por dores tamanhas…”

.
“Nelson Castro, ou Luis C. Nelson, ou simplesmente Nelsinho,  nasceu na invicta e mui nobre cidade do Porto, Portugal, nos idos de 1944. Seu pai era um daqueles fotógrafos-artistas de studio, que retocava pacientemente os negativos e coloria manualmente suas incríveis ampliações, delas fazendo verdadeiras obras de arte, geralmente muito mal pagas.

De seu pai, recebeu não só o gosto pela fotografia e paixão pela literatura e musica, mas também “skill” para as coisas técnicas. E foram as habilidades técnicas que o levaram a ingressar na Escola Técnica Elementar e depois na Escola Industrial Infante D. Henrique, o que lhe valeu a inesquecível honra de haver sido aluno do Poeta Pedro Homem de Melo, que nesse estabelecimento lecionava língua portuguesa.

Sua trajetória profissional incluiu estaleiros navais em Angola e no Brasil, mas gastou a maior parte da sua vida nas lides da exploração de Petróleo ou a ela ligado ao redor do planeta, motivo pelo qual gosta de dizer-se simplesmente ‘Oilman’.

A poesia é sua mais cara atividade no universo das letras, no qual aliás não possui nenhum crédito acadêmico, dedicando-se também a contos e crônicas da vida real.”

Ora bem, agora teremos música, a condizer com o tema e com o texto. Ouçamos:
Havemos de ir a Viana
Música: Alain Oulman e Letra: Pedro Homem de Mello
Intérprete: Amália Rodrigues (Disco: Amalia e Vinicius)

***
Fado triste
Autor: Vitorino/Intérprete: Misia
(Disco: Paixões Diagonais)

***
Ser Aquele
Letra: o poema “Ser Aquele”, de Fernando Pessoa
Intérprete: Camané (Disco: Sempre de Mim)

***

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

77 Responses to Alma Lusa, por Luis C. Nelson

  1. o'sanji disse:

    Meg, mas que surpresa linda! :)

    Nelsinho é para mim (juntamente com sua mulher Nina) das pessoas mais belas ao cimo desta terra.
    por outro lado, sinto-me extremamente honrada por ser sua amiga e, apesar da distância (geográfica) que nos separa, saber que posso contar sempre com eles.
    ademais, me sinto muito orgulhosa de ter incentivado Nelsinho a publicar os textos que escrevia. sim, já passaram alguns anos sobre a data em que o Nelsinho me enviou um texto para eu ler. um dos textos que deu origem às “mukandas” (cartas) que ele iniciaria pouco tempo depois. é como se eu fosse a “madrinha” desta “alma lusa” conhecedora do mundo e que, por isso mesmo, talvez escreva com a eterna saudade que caracteriza muitos dos grandes escritores portugueses.
    Nelsinho, você merece esta homenagem e muito mais. :)
    o meu abraço amigo e cheio de saudade.

    • Nelsinho disse:

      O’Sanji: Ficamos comovidos e com imensa saudade! Precisamos de outro encontro na Casa da Morna…
      Infelizmente, as “Mukandas” originais às quais por vários anos deste tanta força e apoio, não escaparam aos descomandos subitos da minha sombra!

      • sub rosa disse:

        O’Sanji :
        como posso agradecer a você, por esta alegria, uma das maiores que já tive,
        “ao cimo da terra”e em “plan(o)alto”, o maior… e mais todo o carinho, a atenção que vc sempre tem para comigo, hein, minha musa?

        Nelsinho: puxa, muito obrigada, muito mesmo, por tanta beleza, é como diz e muito bem, a Isabela a quem parodiando, eu poderia também dizer: : sim, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza senão não se faz a beleza não!
        Vinícius de Moraes, sei lá, sei lá, Vinícius tem sempre razão!

        Queridos, sintam-se em casa e à vontade para dizer o que queiram a todos que comentarem.

        um grande beijo,

  2. Celia Trakl disse:

    Meg, ontem mesmo passamos por aqui, li o texto do Nelsinho, chamei o Cesar. Nao deu para comentar, vinhamos cansados de, imagina, uma noite de fados. A fadista Misia nos inebriou.
    Voltei agora, que a noite se aproxima, mas sinceramente Meg e Nelsinho, a beleza desse texto nos pegou de jeito.
    As descricoes desses estado d’alma sao para se pensar e nelas se afundar, inspirando-nos.
    Cesar achou perfeita essa solucao:
    “A poesia sai-me esfomeada e mortalmente triste, mortalmente tisica…”

    E eu, confesso que fico paralizada, Nelsinho, voce escreve lindamente.

    Vamos sair agora a noite, para uma apresentacao de son e lumiere, uma poetisa daqui faz um recital de poemas de Rilke.
    Então, tudo conspira para a atmosfera de sua e nossa alma luso-brasileira.

    Parabens, linda homenagem.

    Que bom saber o que significa mukandas:-)
    abs

    • sub rosa disse:

      Célia, minha Schauspielerin favorita:-)
      Mísia é muito, mas muito boa intérprete, além de ser muito interessante a sua figura. Soube que ela estava vivendo em Paris, e devo dizer que essa é, no mínimo, a segunda vez que Mísia vai aí para Munique, e alguém me dá notícias…
      Depois podias passar por aqui e falar mais sobe o concerto.
      Ela lembra, de um certo modo, a Ute Lemper, não achas?

      Eu te entendo perfeitamente, Célia, eu acho que a Magaly, tua querida também, disse tudo a respeito do texto do Nelson.

      Um beijo para ti e para o César. Obrigada aos dois.
      P.S. – Ah! sim, eu sei o quanto Rilke é querido em Munique.:-)

    • Nelsinho disse:

      Muito obrigado, Célia! Adoraria poder estar na platéia da Mísia!

  3. o'sanji disse:

    mukanda/s = carta/s
    língua kimbundu, de angola.

  4. Isabela disse:

    Ai, Celia… que delícia deve ter sido a noite de fados. Ontem Misia cantou o seu bonito Fado triste? Quando escuto um fado, tenho certeza que é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um fado, não.

    Nelsinho, o texto ficou perfeitamente melancólico e nostálgico, fiz questão de fazer uma cópia dele para mim. O parágrafo dos seus verdes anos me fez logo lembrar de A tempestade, do Madredeus. Não sei se vocês lembram dessa música que fez sucesso há uns dez anos. Permita-me, Meguita, postar o finalzinho da letra:

    “Destroços de madeira na corrente, deixam ver o que em tempos foi uma proa, pintada de carinho e muitas cores, ao estilo dessa nossa boa gente. Fica o drama dos que esperam na falésia por quem Deus já destinou à eternidade e é lição que contra Deus não há vontade, fica a fúria calma da grande saudade.”

    Muita melancolia e beleza, juntos, nesse post. Parabéns.

    • sub rosa disse:

      Isa, minha bela:
      confesso a você que há muito, há muito mesmo ouço falar dos Madredeus, acho que há cerca de 15 ou 20 anos., se não for mais. Meus amigos Paulo Lima e o querido Fausto Rêgo, que sempre aparece aqui no Sub Rosa, eram os mais entusiastas. Em meus blogs, sempre estavam, em indicação, dois websites referentes a eles, mas, vergonhosamente, eu nunca ouvi nem tive em mãos um disco completo deles.

      Certa vez, tive a sorte de ver em Lisboa, não só o filme do Win Wenders a respeito da cidade e as locações, extraordinárias locações. E para mim, de tudo desse belo filme era a voz de Teresa Salgueiro que se sobrepunha, de fato, aos céus de Lisboa.

      Mas, agora, lendo essa letra, fiquei, como diz a Célia, paralisada!. Nem parece uma letra de m´´usica, mais parece um roteiro, a descrição de uma tragédia.
      Pode deixar, querida que vou me debruçar, agora, sim, sem mais delongas, sobre o que mais eles. Obrigada.

      Adorei tudo o que vc disse.
      E a mim, isso é tão mais caro e importante porque o simples fato de se escolher uma música, um livro, um filme ou , no caso, um texto, isso é já uma crítica, uma eleição. E mesmo que se saiba o que se está fazendo, Isabela, sempre a crítica é algo que se fundamenta na apreciação de quem vai receber a avaliação. O público-alvo.
      Há pessoas- e vejo muita gente boa incidir nesse erro- que acham que crítica é apontar defeitos. Muito antes pelo contrário, apontar defeitos , simplesmente, é tarefa de gente “*mau-humorada*”, algumas vezes incompetentes que se valem da crença do povo menos esclarecido de que crítico bom é aquele que “desce o sarrafo”… O verdadeiro crítico em minha opinião é aquele que não tem “parti pris: analisa e avalia, sendo capaz de dizer por que o bom é bom, e pro que o ruim é ruim.
      Vc me desculpe, todos me desculpem, não estou querendo ser metida, mas cheguei a um ponto de minha vida e minha carreira, em que não me posso aborrecer com coisas de que não gosto:-). Por isso eu digo: a crítica é sempre uma eleição. É atividade eletiva, a não ser crítico de jornal que é obrigado a fazer o que mandam:-)

      E, definitivamente, as pessoas dizem: você não elogiou, vc “apenas criticou”. Puxa! isso é um absurdo, crítica não falar mal e nem é falar bem. Espero que essa crença mude. Um dia talvez eu faça um post a respeito. Crítica é krinein, critério, pesar, medir e “passar no crivo” distinguir, separar e decidir.
      Sendo assim, como eu já disse antes, eu esperava – secretamente– que gostassem do texto do Nelsinho. Mas, a felicidade veio, quando vi a real acolhida que vocês deram.
      Mostra que a abonação foi confirmada, pois tenho um sincero respeito pela ‘vossa” opinião.
      Suas palavras foram irretocáveis, se me permite dizer.
      E obrigada por sempre contribuir com algo importante.

      Beijos a vc e a todos. E por favor, quem tiver um remédio contra a prolixidade, me avise imediatamente. Podem emailar-me:-)
      Meg

    • Nelsinho disse:

      Bem haja, Isabela! O “Madredeus” é sempre uma referência para quem gosta de boa música e de poesia!

  5. Isabela disse:

    Meg, desde o post anterior descobri que havia a possibilidade de fazer assinatura para receber notificação de novos posts via e-mail e aderi. Agora acabei de descobrir que também posso ser notificada sobre os comentários mais recentes. Vou assinar para ficar a par das novidades rsrsrs.

    • sub rosa disse:

      Que bom você dizer isso, Isabela.
      Eu não entendo nem um por cento (1%) de tudo o que o WordPress disponibiliza aqui. Preciso sempre que me digam, e isso eu lhe dou minha palavra de honra. Eu fico horas tentando… imagine quando eu fui, por absoluta necessidade, colocar os comentários em moderação, levei séculos e não consegui:-).
      Eu acho uma boa, pode ser que receba muitos, mas o mais certo é receber poucos e com a vantagem de nem precisar vir aqui, não é?
      Obrigada, minha querida. Mais uma dívida:-).

      Eu depreendo do que vc disse que isso é feito automaticamente pelo WordPress, eu não preciso fazer nada para esses emails serem enviados, certo? Pois bem, eu não sei quantas pessoas assinam o blog nem os comentários…:O:O:O:O
      bjs

  6. Rose disse:

    Maravilhoso Texto! É seguir a trilha dos lusos …a trilha que Nelson fez…e Comover-se.

    SEM COMENTÁRIOS na hora em que um valor mais alto se alevanta!

    Obrigada!

  7. Nelsinho disse:

    Tal como lhe disse, querida Meg, fico completamente sem jeito e não há muito o que eu possa dizer sobre a atenção tão especial dada ao meu humilde texto! Uma coisa este seu post deverá provocar: Dar maior atenção e constância às tão abandonadas “Mukandas do Nelsinho”, fazer reviver as “Mukandas Poéticas”, aparecer mais nos comentários do Sub Rosa!

    Um beijão, Meg e muito obrigado

  8. sub rosa disse:

    Minha doce e querida O’Sanji, minha diva, minha amiga querida. Do plano mais alto! Ai, que bem que me sabe o doce da sua presença, minha linda.Obrigadíssima!
    A verdade é que isto aqui está mesmo uma festa!
    Bem haja! O melhor de tudo, realmente, é o que vem por acréscimo, Nelsinho, confesso que estava apreensiva, encantei-me à primeira lida, pelo texto, ele é realmente significativo, cuidei que não saberia apresentá-lo à altura, mas agora, veja só, Isabela, Rose, O’Sanji, Célia que bom, vieram para a festa, só falta a nossa querida Magaly.
    Lady Maga, está por aí?

    Ó Nelsinho, é festa, amigo: providenciemos as alheiras e o vinho… melhor ainda, as sardinhas assadas numa bela fogueira;-) não esquecer os martelinhos e o caldo verde:-)

    O’Sanji querida, você sempre se incumbiu da música aqui no Sub Rosa. Lembra que nos apresentou a nossa Katia Guerreiro e o Bernardo Sassetti? Nunca esqueci.
    Mas, como razoável anfitriã, (ou seria anfitrioa? socorro, Rose) vou ali providenciar a música, de hoje:
    Teremos, pois, um belo fado de Pedro Homem de Mello, na voz da divina Amália: “os pecados têm vinte anos/os remorsos têm oitenta;-)..
    Depois, a Mísia, e seu “Fado Triste” e por fim, este que descobri mais recentemente: o Camané a cantar um fado cuja letra é um poema de Fernando Pessoa: “Ser Aquele”.

    Afinal, não podemos fazer a festa sem ele que faz aniversário no dia 13, neste mês de junho que é o mais lindo do ano. Ahá!!!!! Quem poderá negar?;-)

    Avio-me por aqui, estou realmente emocionada. prontus! que além de incrivelmente lindo, o texto do Nelsinho proporciona tanta felicidade!

    Nelsinho, leve um beijo nosso à sua querida Nina.
    Muito obrigada, Nelsinho, nós é que dizemos.
    A música é presente da nossa own private D.J, Isa, abela!!!!!:-)
    bjs a todos.

  9. Magaly disse:

    Nelsinho, que exposição magistral da alma lusa! Com que mágicas pinceladas você desvelou alma e pendores lusitanos, dando-nos a exata medida dessa tendência à tristeza e à melancolia. Tendência que nos afetou, sim, que está presente em nossa música , em nossa poesia, em nosso folclore.
    Seu texto é de impacto e você foi muito feliz ao estruturá-lo. Linguagem cuidada, sobriedade e elegância de estilo, contornos poéticos de mestre. Um belo trabalho.
    Agradecemos sua soberba contribuição que, inclusive, nos trouxe ao conhecimento o termo angolano para cartas. O que pedimos é que nos reserve uma surpresa como esta sempre que conseguir elastecer o seu tempo. meu abraço de parabéns.

  10. Rose disse:

    Estão corretas as duas formas, Meg. Pode falar anfitrioa ou anfitriã.

    ……………………………………………………………………………………………………………………….

    Dica: leia o texto do Nelson em voz alta. Grave, ouça. Uma beleza!. É de se ouvir, também.

    • sub rosa disse:

      ‘brigada, fessora.
      vc devia fazer um blog só sobre essas dúvidas.
      Pra quem tem blog fashion:-)

      Puxa, não tinha pensado nisso. Vou fazer, sim. Fica a sugestão, para todos.

      Ah! uma dúvida que eu tenho.
      Essa expressão “feito eu; feito um ogro. está correto usar o “feito” em lugar tal como, como (comparação)?
      Juro que isso é da maior importância pra mim, mas se quiser, responda por email:-)
      bjs

  11. Rose disse:

    De facto agora me ocupo com meu blog estiloso, deve saber disso. Mas quem sabe …no futuro? Faço então um tira-dúvidas. Dúvidas que incomodam! Não aquelas coisas de ” Qual é o feminino de peixe-boi?”

    … Mas então, a menina Meg pode sim, usar o ”feito” para estabelecer nexos comparativos. Afinal, os humanos fazem comparação o tempo todo – é um jeito de viver, reconheço. É bom alternar os conectivos. E o ”que nem” será lícito usar? Boa pergunta.

  12. Nelsinho disse:

    A forte gripe deixou-me desinteressado neste Dia dos Namorados, pelo que a rotina dos dias comuns de quando estou em casa em nada se alterou em razão da data. A minha namorada produziu um daqueles “risotos dos céus” com frutos do mar ao molho de caril (curry), que devorei sem ter qualquer, mesmo que leve, percepção dos gostos ou aromas. Mesmo assim, eu disse-lhe do quanto adorei o prato, enquanto atacava e devorava o creme com neves acompanhado de um cálice (ou dois) de um Towny Don José cujo sabor também não senti! Rosas não enfeitaram o dia do meu bem neste nosso quatragésimo oitavo Dia dos Namorados, mas restam muitos dias do mês de Junho até à data real em que tudo começou…

  13. o'sanji disse:

    Meg, minha querida.
    hoje, em homenagem ao Nelsinho, e dedicando a tod@s quant@s vieram aqui dizer coisas tão lindas, dou-vos música! :)
    Deliciem-se com este “tango” da Cristina Branco: http://youtu.be/gPZYcLcshGk

    para o Nelsinho, em especial, Garda, uma cantora e compositora angolana, que gravou o seu primeiro disco aos 80 anos! :))
    dedicando a Nina tb, nos dias dos dois eternos namorados! :)

  14. Daniel Sant'iago disse:

    Em noite e dia de alegria com vinho tinto, sardinha assada e marchas populares… soube-me muito bem ler a melancolia do povo que ´
    é o nosso.
    Soube-me bem e apetece-me confessar-te que… bem cá por dentro… sinto este jogo de contrários… sem ter necessidade de ditar um vencedor.
    Daqui… este jeito tão nosso de sentir saudades e de as matar… como se da tristeza de recordar retirássemos o encanto de lembrar o longe, a casa, a Morna ou o vira.
    Muito obrigado, Nelson!

    Daniel Sant’Iago

    • Nelsinho disse:

      Quanto orgulho pela sua presença, Poeta! Muito obrigado, também em nome da Meg (que ousadia a minha!), pela sua presença no SubRosa!

      Gente: Para quem não sabe, Daniel Sant’iago é um Poeta maravilhoso com livros publicados. Eu tive a honra de receber de presente, autografado, o seu “Brinco de Palavras”!

      Muito obrigado de novo, Daniel. E sim, nós nos encontraremos na Morna, desde que consigamos a presença do Tito Paris, coisa que tem sido difícil depois do seu trabalho com a Mariza!

  15. Grande texto, não restam dúvidas.
    Embora não comprometa o sentido, seria interessante, Meg, uma espécie de glossário, pois perde-se um pouco se ignorar o significado de termos como dóris, brochas, mata-bicho, malga, portaló, etc.
    Também faço um reparo à citação de Camões que deveria vir destacado do texto próprio do autor.
    Feitas as contas, resta a pergunta, o que acham os brasileiros? alguém conhece um texto semelhante a respeito?
    O blog continua como sempre, excelente.
    Um grande abraço, Meg

    • Nelsinho disse:

      Orlando: Ouso de novo responder diretamente. As palavras são puríssimas, antiquíssimas e perfeitamente em uso ao tempo da minha infância/juventude. Elas são joias, agora esquecidas, da língua portuguesa, mas podem ser encontradas nos dicionários. Seu uso era imprescindível para os desígnios desse texto.

      Usei Camões (coisa muito frequente nos meus textos), mas alterei o original, como poderá comprovar. Para grifar ou destacar, eu teria de ser exato, alterando com isso o “ritmo”do meu escrito. A obra de Camões é fonte inesgotável de recursos para todos nós, amantes das letrinhas.

      Muito obrigado pelo seu belo comentário!

    • Nelsinho disse:

      Em tempo: “Brôchas” e não “Brochas”; A primeira refere-se a um tipo de “prego”de ferro para reforço do calçado, a segunda a um pincel de pintura.

  16. Flavia Viana disse:

    ¡Hola, que tal?
    meg, muito boa escolha e muito bem editado o texto. acho que posso dizer que o nelsinho já é de casa, não?
    orlando, tudo bem? vem cá, tu não achas que é um pouquinho de exagero? diante de palavras deconhecida o que se faz? Dá-lhe Aurélio, certo?
    agora quanto a essa citação, tudo bem, podes ter razão, eu por ex passei batida.
    muito boa a música, tanto a do post, da isabela, quanto a da o’sanji, pela parte que me toca, obrigada.
    bjs

  17. sub rosa disse:

    Daniel, seja bem-vindo. Muitíssimo.
    Esteja em casa, sempre.
    um abraço.

  18. sub rosa disse:

    Orlando,
    Muito obrigada por ter lido e comentado. Em parte, você tem razão, vou já, já, providenciar a notação gráfica para a citação.
    Quanto aos termos que você cita , aos quais eu acrescentaria mais um, quelho, são responsáveis pela força e pela beleza da escrita, em sua riqueza semântica. Muito embora as leituras na internet sejam rápidas e apressadas, eu não ousaria roubar de nenhum leitor, o prazer do texto.:-).
    Espero por aqui a Clarice:-)

    Flavinha, querida: você é uma anjo. De candura.:-)
    Veja a citação. Leia.

    Rose :
    Você que é professora e analisa os falares e os escreveres, tem algo a dizer?

    O’Sanji, querida, adoro a Cristina Branco, mas é que adoro mesmo. Tenho aqui o seu disco de 2005, Ulisses, que foi quando a “conheci”.
    Agora, pensei que a Cesária Évora era “tuda”! Até ouvir a Garda! Que coisa, que energia!. Ai, quisera eu:-)
    Fui ler a respeito dela, fiquei impressionada:

    http://musica.sapo.pt/noticias/discos/cantora_angolana_garda_edita_primeiro_album_aos_80_anos

    Nelsinho: Que belo dia dos Namorados, anyway:_)! Por coincidência, aqui em casa, também tivemos um peixe ao caril (yummy!). Nada porém comparável ao vinho do Porto… Hmmm…:-)
    M.

  19. Magaly disse:

    Nem vim mais aqui,. por falta de tempo, mesmo. Mas está uma festa gostosíssima. Adorei os fados todos e os intérpretes. e o comparecimento do vibrante pessoal da ‘terrinha’. Outro abraço pra você, Nelsinho, vc merece!

  20. Rose disse:

    Eu teria muito e mais a dizer, virei esses dias aqui. Eu não disse tudo que achei sobre o texto desse post.
    Dizer que gostei é pouco.
    Volto assim que surgir brecha nas aulas.

  21. Rose disse:

    Aqui alguma coisa sobre Camões*, Vasco da Gama e…os portugueses e seu modo de colonizar ( dialogando com as culturas locais).

    http://noticias.terra.com.br/educacao/historia/noticias/0,,OI5185013-EI12887,00.html

  22. Isabela disse:

    Agenda – Telecine Cult

    Dois filmes sobre fados na Agenda do Sub Rosa:)))

    Na terça-feira, dia 28/06, Amália – o filme e, na sequência, Fados, de Carlos Saura.

    Amália – o filme (2008)
    Ter, 28/06 às 22h00
    Qui, 30/06 às 13h30

    Fados – Carlos Saura (2007)
    Qua, 29/06 às 00h10
    Sex, 01/07 às 04h20

  23. Isabela disse:

    Pessoal, só mais uma coisinha.

    Eu estou sempre querendo aprender e já que vocês estão falando em termos antigos ou pouco conhecidos, a Meg até já tirou dúvida com a Rose, já que também estamos falando de tristeza e melancolia na música e na poesia e, aproveitando, já que temos poetas por aqui…

    O que será que Manuel Bandeira quis dizer com a expressão “gosto cabotino de tristeza?”

    Flavinha, não adianta, já fui ao Aurélio :/

  24. Rose disse:

    Drummond, resgatando a herança portuguesa, Isabela. Aí, fazendo par com Bandeira.

    Confidência do Itabirano
    ”E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
    é doce herança itabirana”.

    http://letras.terra.com.br/carlos-drummond-de-andrade/460645/

  25. Flavia Viana disse:

    gente, hola!
    quero dizer a todos que agora a minha leitura do texto do Nelsinho ganhou, mais beleza e força – como diz a Meguita.
    Tanto que vou colocar aqui o poema de Camões. sempre existem outras pessoas mais lentas, que nem eu:-)

    As armas e os barões assinalados
    Que da Ocidental praia Lusitana,
    Por mares nunca dantes navegados
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados
    Mais do que prometia a força humana
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;

    E também as memórias gloriosas
    Daqueles Reis que foram dilatando
    A Fé, o Império, e as terras viciosas
    De África e de Ásia andaram devastando,
    E aqueles que por obras valerosas
    Se vão da lei da Morte libertando
    Cantando espalharei por toda a parte
    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

    — Luís de Camões,
    Os Lusíadas (1572)
    Canto I, 1–2

    minha nossa, essa nossas língua portugues, me perdoem, mas é a coisa mais linda do mundo. E Nelsinho tem toda razão.

    hahaha, Isabela, então se vc já foi, eu nada posso fazer, alguém se habilita?:-)
    até mais,, vou pro tronco, em precisamente daqui a 3 minutos
    lerê, lerê…

  26. Magaly disse:

    Passei tão apressadamente em minha volta, há pouco, que não mostrei a minha admiração pelo comentário de Daniel Sant´Iago. Não surpreende que seja poeta e já consagrado, ele faz prosa poética. Elegante, filtrada, ritmada. E isso abre a nossa curiosidade pelos seus versos. Como ficaríamos felizes, Daniel, se nos trouxesse um de seus poemas!

    Sobre o termo cabotino usado por Bandeira, Isabela, sabe que pode ter a ver com dissimulação? O cabotino é um dissimulado, gosta de atrair a atenção pra suas qualidades (reais ou fictícias). Não é de Fernando Pessoa o verso que diz que o poeta é um fingidor?

    Ah Rose! Foi excelente sua observação sobre Drummond citando Confissões de um Itabirano. Bem pertinente. Aliás, Rose, você tem olho clínico pra essas coisas.

    E Teresa que não apareceu? Seus apartes são bem interessantes.

    Bem, meus amigos, faz-se tarde, preciso parar de tagarelar. Amanhã tenho muito o que fazer. Boa noite, bons sonhos.

  27. Carol disse:

    Olá,
    aproveitando minha hora de almoço aqui na Universidade, vim ler o texto “Alma Lusa”, e vou me valer de Guimarães Rosa, a quem tomo por empréstimo para dizer o que ele achava da língua portuguesa (igual a você, Flavia) e do emprego do léxico, tanto o já existente até mesmo o da invenção:
    “importante é fugir das formas estáticas, cediças, inertes, estereotipadas, lugares comuns etc… o leitor tem de ser chocado, despertado de sua inércia… tem de tomar consciência viva do escrito … o sentir e o pensar, a partir da poesia, do mistério do sentimento do mundo… A maneira de dizer tem de funcionar por si. O léxico tem seu ritmo, a rima, as aliterações, as assonências, a música subjacente ao sentido – valem para maior expressividade.
    E mais adiante:
    “A língua e eu somos um casal de amantes que juntos procriam apaixonadamente, mas a quem até hoje foi negada a bênção eclesiástica e científica. entretanto, como sou sertanejo, a falta de tais formalidades não me preocupa. Minha amante é mais importante para mim.”

    As palavras são realmente o grande tesouro do aventureiro da escrita, eu acho que neste texto, o autor usa bem o seu tesouro.
    A músisa no post e nos comentários são lindas.
    E eu também gostaria de saber se em “brasileiro” existem textos a respeito do carater triste, melancólico do brasileiro.
    Como sempre há um diferencial neste blog.
    Parabéns a todos, Meg.

    Pra não dizer que não falei do Bandeira, quanto a pergunta de Isabela, concordo com o Daniel, e com Magaly: em português de Portugal (desculpem eu falar diante de pessoas lusas) estúpido significa também, tolo, pateta, bobo (em Pt br, é usado mais no sentido de grosseiro, mal educado).
    E “gosto cabotino” pode ser como diz a Maglay, um gosto narcisista, que os tristes geralmente também são narcisistas.

    tenho certeza de que falei bobagem, desculpem, sim? mas como a Isabela disse muito bem, estou aqui para aprender.
    Estou sendo cabotina e também prolixa, Meg
    :-)
    obrigada.

  28. Magaly disse:

    Voltei para me aproximar de O´Sanji, a única que aqui encontro pela primeira vez Quero que saiba como a achei simpática, alegre , animada e agradecer o tango de Cristina Branco que realmente me deliciou. Um simpático abraço.

    E já que estou aqui de novo, Rose, você lembrou bem o ‘que nem’, forma comparativa de largo uso popular no nordeste. Ao mesmo tempo, desculpe, querida, a torcida que dei no título do poema de Drummond. A esta altura, nem copiar mais eu sei, pois vc tinha acabado de nomear Confidências do Itabirano.

    E você, Carol, que ‘falou e disse’, cheia de entusiasmo, tantas coisas sobre a lingua portuguesa que afortunadamente herdamos e orgulhosamente amamos, por acaso, não concorda com a idéia de que “Confidências do Itabirano” segue essa linha?

    Meggy! Volte logo. Olhe quantos comentários novos!

  29. Rose disse:

    Magaly, sua sintaxe mudou muito…Mas é bacana até. Que nem sei lá.

    E a Tereza? Quede ela?

  30. Isabela disse:

    Magaly, Daniel, Carol, Rose, pessoal: gostei muito, obrigada :*

  31. sub rosa disse:

    Queridos todos, todíssimos mesmo:-)
    Desculpem pela ausência, foi inevitável.
    Estou aqui, lendo os comentários, com muito prazer. Muito obrigada por tudo.
    Par falar a verdade, eu também, Carol, estou aqui justo para aprender, o que faço desde sempre. Por isso gosto tanto de meu, nosso, blog:-)

    Daniel, parafraseando o velho bardo, que levei comigo para o hospital, deixe que eu lhe diga: “Bless thee, bully Poet”!
    É o que devo dizer a quem demonstra com mestria, perícia e arte tal amor pelas palavras.Adoro esse jogo de “semas” que convocam os temas.
    Pessoas queridas, vejam aqui:
    http://brincosdepalavra.blogspot.com/
    Obrigada por estar aqui nesse humílimo blog, Poeta!
    Obrigada, muito obrigada, por mais isso, Nelsinho.
    M.

    • tuytuy11 disse:

      Olá, “sub rosa”!
      Abençoado mas não poeta!
      De facto, as palavras seduzem-me e deixo-me embalar. Nada a fazer senão amar. Muito!
      Quase sempre… os semas induzem o meu leitor nos temas. Uma vez escritos… os meus textos pertencem a quem me lê.
      E muito obrigado porque há muito que me não via no “Brinco de Palavras”!
      Encantado!

  32. sub rosa disse:

    Isabela
    minha querida, “gostei muito, obrigada :* ” você diz.
    Mas, eu pergunto e, se lhe for propício o tempo e houver o dispor-se, por favor me diga: o que foi mesmo que lhe causou o estranhamento?
    Como eu conheço você um poucochinho, algo me diz que você descobriu coisas *pisc, pisc* e não quero ficar fora dessa.
    gente, com a Isabela eu não brinco.:-))
    Divide com a gente, Isa, tá?

    bj

    • Isabela disse:

      A partir da ideia de melancolia e tristeza na poesia, lembrei daqueles conhecidos versos de Desalento, do Manuel Bandeira (que aqui em casa tenho na voz do próprio Bandeira e na de Olivia Hime):

      Eu faço versos como quem chora
      De desalento… de desencanto…
      Fecha o meu livro, se por agora
      Não tens motivo nenhum de pranto.

      Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
      Tristeza esparsa… remorso vão…
      Dói-me nas veias. Amargo e quente,
      Cai, gota a gota, do coração.

      E nestes versos de angústia rouca,
      Assim dos lábios a vida corre,
      Deixando um acre sabor na boca.

      – Eu faço versos como quem morre.

      * * *

      Lembrei que ele também diz:

      *
      Uns tomam éter, outros cocaína.
      Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
      Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
      *

      E na Oração a Teresinha do Menino Jesus:

      *
      Perdi o jeito de sofrer.
      Ora essa.
      Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
      Quero alegria!
      *

      Nunca havia pensado na expressão “gosto cabotino da tristeza”, mas, por causa da discussão aqui no Sub Rosa, fui consultar o dicionário. No entanto, foi o pessoal daqui que me deu a deixa. Foi só e somente isso. ;-*

      Bom final de semana.

    • Isabela disse:

      E você, mana, quer dizer alguma coisa sobre o tal gosto cabotino da tristeza? *pisc, pisc*, digo eu rsrsrs
      Bjos

      • sub rosa disse:

        Ah! querida, não, não, por enquanto ainda não. Além de que, alguns “colegas” aqui já responderam.
        Mas se tivesse ou melhor se eu tiver que dizer, acredite é nessa linha do que a Carol falou. Não é que a tristeza seja um sentimento cabotino, sempre, penso eu. Quando é verdadeiramente sentida e *inevitável* é legítimo. Mas penso que o que ele quer dizer, o grande Manu, Manuel, é que alguém pode alimentar tristezas que podem ser ou evitadas ou superadas. Incidentalmente: estou lendo um livro (não sei se tem alguma coisa a ver com isso, mas penso que sim, que tal como Freud falou a tristeza, a depressão, o desencanto tem, muitas das vezes, consciente ou, o que mais acredito, inconscientemente(*) um fundo fortemente narcisista. O livro de que falo, além dos escritos freudianos, é O Mal, o Bem, e mais além – Egoístas, Generosos e Justos. Nossa, uma certa situação que vivi, foi esse livro e o próprio Gikovate que me ajudaram… hahaha, felizmente.
        Dê uma “ouvida” aqui!
        Obviamente, a relação não é direta! Per favore!
        :-)
        beijos, maninha

  33. sub rosa disse:

    Orlando e Carol:
    Os dois assim se expressaram:
    1- ” Grande texto não restam dúvidas […] Feitas as contas, resta a pergunta, o que acham os brasileiros? alguém conhece um texto semelhante a respeito?”
    Carol:
    “E eu também gostaria de saber se em “brasileiro” existem textos a respeito do carater triste, melancólico do brasileiro.

    Bom, não que eu seja “*a*” provedora de respostas, ai quem me dera, mas eu confesso que estou com a Isabela quando diz (comentário #40):
    “…já que também estamos falando de tristeza e melancolia na música e na poesia…”
    Perfeito, eu acho que é assim mesmo.
    Se falarmos do “caráter melancólico triste do brasileiro,” creio que a pergunta ganha uma conotação socioantropológica, certo?
    Então, sob esse ponto de vista, eu acho que os escritos de Sérgio Buarque de Hollanda são o melhor que eu conheço. O que não significa que eu conheça muitos outros.
    Do ponto de vista do que disse a Isabela, eu apontaria o que falou o Antonio Candido em “Formação da Literatura Brasileira”:
    ele diz , mais ou menos, que somos – no início – um galho bem desenvolvido da literatura portuguesa. Nossas manifestações artísticas e literárias são -em grande parte – a expressão de um povo transplantado da Europa e aqui -grifo meu – mesclado com outros tipos étnicos de que essa literatura própria é reflexo verídico.
    Tendo os portugueses essa matriz melancólica, infere-se que os brasileiros… vocês concluem, queridos.
    Porém, lembrem-se do que sempre digo: um blog tem que ter um caráter lúdico, tendendo à leveza (e à beleza,claro).
    O acadêmico pertence à Academia, certo?

    Um beijo e desculpem a imprecisão: estou em franca recuperação, mas não total.
    Até o outro post.
    M.

  34. Flavia Viana disse:

    Meguinha, minha professora lindinha, ¡hola! ¿qué tal?
    Que bom que voltou.
    Olhe, eu há dias falando com meu ‘com-sorte’, ele disse que havia esse livro:
    Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira , de Paulo Prado.
    Mas eu queria mesmo era dizer:
    TGTF!!! kkkk
    para todos, um abraço.
    então, até o próximo post.. ¿que sera sera? rsrs…

  35. Flavia Viana disse:

    Ueba, Isabela, se você diz:-), obrigada. deix’star, que vou dizer pro com-sorte:-)
    e hoje é dia de ver Woody Allen: o filme Meia noite em Paris
    Ueba de novo:-)

    beijão

  36. Sonia C. Gemaque disse:

    Oi, Meguita, Meglinda, oi a todos
    há quanto tempo, anos, não é? Que saudade.
    O Sub Rosa continua um luxo.Passo por aqui sem comentar e agora fiquei com remorso de mais uma vez passar muda e sair calada.:)
    Todos já falaram a respeito do texto do Luis Nelson, eu concordo com todos. Só queria dizer, mesmo sem procuração do Orlando, que ele citou os vocábulos e a alusão a Camões, não para apontar erros ou crítica negativa, mas sim para a melhor assimilação e melhor compreensão na leitura, ou seja tudo foi do “ponto de vista do leitor”. Tomara que todos tenham entendido assim, dou testemunho pois discutimos nós dois, a respeito, antes. E ao procurar no dicionário, sim procuramos, sentimos o “gosto não muito gostoso” da interrupção. Afinal, quelha/quelho, significa segundo o Houaiss:
    1 pequeno cano a descoberto
    2 calha us. para escoar águas pluviais; calheira
    3 nos moinhos de cereais, peça de madeira por onde escorrem para a mó os grãos que saem da canoura
    4 viela estreita
    5 Regionalismo: Portugal (dialetismo) trecho elevado e mais ou menos plano de terreno próprio para a lavoura.
    – Brocha e brôcha, são também termos polissêmicos e mata-bicho, idem.
    Então, tudo bem, Orlando viu a nossa dificuldade e resolveu fazer a sugestão a Meg. Nada, mas nada mesmo, em desfavor do autor do texto. Assim espaeramos.
    E, afinal é como dizia Diderot: “Mas quem deverá ser o mestre? O escritor ou o leitor?” Diderot, Jacques, o fatalista, 1796:-)

    Parabéns por não deixarem ‘cair a peteca’ da discussão sobre a tristeza e melancolia na poesia e na música, o Confissões de um Itabirano é sempre fantástico.
    Fiquei de olho comprido foi mesmo pelo anúncio de Isabela (pode-se dizer que é um anúncio, pois eu não sabia que existia) sobre Bandeira cantado por Olivia Hime. Eu conhecia o Música em Pessoa, (poesias de Fernando Pessoa) cantado entre outros por Olivia Byington. Já é meio antigo.

    E eu poderia citar também o que dizem ser o livro mais triste da língua portuguesa: o livro “Só” de Antonio Nobre. É tão triste que realmente mete impressão, a tristeza, a melancolia dos Românticos.
    Até Manuel Bandeira (ora vejam só ele, de novo) fez um poema em homenagem a António Nobre, em seu livro A cinza das horas, (1917)

    Será que valeu?
    Parabéns, Meguita a você e a todos seus leitores.
    E a Flavinha, sempre serelepe. beijos, menina.
    bjs
    Clarice.

    • Isabela disse:

      Oi, Sonia:-)))
      O nome do disco é “Estrela da vida inteira” e foi lançado no centenário de Bandeira. É um trabalho muito bonito, mas já é antigo, também.
      Mais informações aqui http://bit.ly/lLv3Hs no site do selo Biscoito Fino.

      Bjos
      Isabela

      • sub rosa disse:

        Ainda há para venda, Isa?
        Estou como a Clarice. Só conhecia o do Pessoa. Imagine que quando saiu ainda nem havia CD e o LP (vinil) é primoroso trabalho de edição e da produção que é da Olivia Hime e a Elisa (irmã da Olivia) Byington. Não é isso, Clarice?)
        bjs

  37. Sonia C. Gemaque disse:

    Meguita, só para testar, meu comentário não foi publicado?
    bjs, desculpas e vamos ver:-(
    :-)

    • sub rosa disse:

      Pois foi, não foi, querida Clarice?.
      Que bom, que bom, você voltar. Eu estava mesmo com saudades:-)
      Fique com um beijo e divida com Orlando!
      :-)

  38. Rose disse:

    É preciso ser triste para entender os homens tristes? Nem sei. Mas ,se não é ( triste), Nelson soube construir a tristeza, neste texto bordado de odisséias e sombras. O blog ficou mais triste, no que a tristeza tem de criação, mas também, alegre. E, esfomeado! É só ler estas delícias: “Completando o soldo, um copo único de vinho tinto e uma côdea a mais de pão de milho”. Ou: “pobre malga de caldo de cebola”. Pode ser pobre mas me parece bem saboroso…Texto de sustança!

  39. Nelsinho disse:

    Oi Meg, Oi povo do Sub Rosa! Hoje é Sábado e eu estou em casa, o que é sempre acontecimento!
    Sonia, Orlando: Relendo, concedo que eu respondi ao Orlando de forma não muito adequada, pelo que peço desculpas, embora não houvesse da minha parte nenhuma intenção de resposta menos polida. As palavras em questão podem ser encontradas por exemplo, no Dicionário Priberam de Lingua Portuguesa, que tem serviço on line. Quelho ou quelha pode na verdade ser considerado um sinônimo de Viela. Mas, lembro-me muito bem das ruelas das aldeias que eram ao tempo chamadas de “Quelhos”. Alguns eram verdadeiros labirintos. Mata-bicho era a forma de se referir ao dejejum, aliás, forma muito usada por nós em Angola onde, acredito, ainda esteja em uso por muita gente. “Malga” – Deixem -me dizer-lhes que não lembro de ouvir as minhas avós algum dia dizerem “Tigela de sopa”, mas sim “Malga”;
    Brôcha, ou Brocha é um prego com a cabeça muito larga, o que permitia usá-lo como reforço do calçado. “Portaló” termo náutico também em uso atual no Brasil (e.g, “Escada de Portaló”).
    Abraço a todos e muito obrigado por todos os comentários aqui feitos ao texto, à oportunidade de amigos queridos como a O’Sanji e o Daniel Santíago aqui virem também!

  40. Nelsinho disse:

    Típico Quelho de Salzedas
    Salzedas-Quelho dos Judeus
    Placa `no Quelho de Salzedas

    Não sei se os links acima vão funcionar, mas eles levam ao meu “Flickr” e são fotos que tirei há algum tempo em Salzedas, a aldeia dos meus pais, no Norte de Portugal; É uma aldeia antiquíssima, tem um convento de 900 anos e um “Quelho” histórico, reduto de judeus lusitanos

  41. Rose disse:

    Lindos esses lugares, Nelson. Parece até que eu me lembro de alguma coisa quando olho pra eles. Decerto, vidas passadas, isto é , se elas existiram…não sei.

  42. Nelson, se me faz favor, não se rale, você foi muito gentil, imagine a família do meu marido é portuguesa!:-).
    Orlando também ficou aflito, pensou que não foi hábil ao escrever…
    Bem, a Meg não veio, (e estou certa de que se não veio é porque não foi possível, todos sabemos que ela é muito correta nesse aspecto, além de muito hospitaleira), então, vou pedir licença e dizer que tudo isso só mostra que estamos em ótimo lugar. Por aí se vê as pessoas se atacando e achando que isso é o certo, não é mesmo.
    Já aqui, mostramos o quanto nos pesa se ao menos “pensarmos” ter sido menos gentil ou como vc diz, menos adequados.
    E isso é muito bom.
    Agora, quanto às fotos de seu flickr, elas nos levam duplamente aos seus dois textos, tanto pela ilustração ao vocábulo quelho, quanto ao que o Nelson escreveu em sua bela autoapresentação: o amor à fotografia-arte que herdou de seu Pai.
    Parabéns duplos ou triplos, Nelson.

    E nós, como ex-alunos de Universidade, e alunos para sempre de vida, da Meg, só podemos dizer que o Nelson ganhou mais dois fãs.
    Um abraço e obrigado a todos.

  43. sub rosa disse:

    Mas, queridos, o que tenho eu mais a fazer aqui? pisc*
    Tudo já está dito. Tenho a maior confiança em vocês. Aliás, dizendo melhor, tenho orgulho de vocês e nem sei se mereço (embora me esforce para tanto), todo o cuidado, o carinho, a sabedoria que emprestam a este blog.
    Eu tenho mais é que agradecer, e penhoradíssima, a vocês que tratam tão bem este espaço que muito prezo. Obrigada por me deixarem ficar tanquila, sabendo que ao voltar aqui, principalmente ao acordar, virei aqui e não tomarei sustos, que não terei surpresas ruins nem sobressaltos, que tudo estará bem:) Ufa! vocês não sabem o quanto anseio por isso.
    Adoro quando interagem entre si: conversam, perguntam, respondem, se cumprimentam, trocam ideias e opiniões, o maior sinal de que tudo está no melhor dos mundos.:)
    Eu não esperava outra coisa de vocês. E também não desejava senão isso: que compartilhassem comigo da admiração pelo texto, portentoso, do meu querido Nelsinho, a quem considero tanto que fico emocionada, e também envaidecida, de ter publicado e oferecido à partilha com todos vocês e todos que o lerem, que aqui vierem. E testemunhar esta tão verdadeiramente carinhosa, inteligente e sentida acolhida. Eu quis tanto isso e, sem dúvida, humildemente, vejo que tal aconteceu.
    Acreditem, em 10 anos de blog, este post foi, indiscutivelmente, um dos que mais me marcaram, um dos melhores, um dos que não esquecerei. Bem haja!
    E, espero, aqui neste blog e em seu Mukandas Poéticas II, Nelsinho, por certo nos brindará com outros tantos textos. Tão brilhantes, tão vibrantes.
    E agora, caiam para trás e para os lados:-))): sou tão fã do que o Nelsinho escreve -independente do fato de sermos amigos e colegas de blogagem – e acho que posso dizer isso – que eu gostaria que vissem uma prova desse devotamento:
    Leiam aqui:
    http://goo.gl/K2jSY
    É lá no fim. Procurem com cuidado.:-)
    beijos, muito, muito gratos. A todos!
    Para todos um grande beijinho (à la mode).

  44. sub rosa disse:

    Isa, o link que faltou, não deixe de dar uma *ouvida*. É um tiro certeiro:-) mas não sei se tem a ver:-)
    Aqui:

    http://guria-poars.blogspot.com/2009/09/flavio-gikovate-talk-show-cbn-egoistas_18.html

    tendo ou não tendo, vale a pena! Depois me diga!
    bjs

  45. Tereza disse:

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