Sociedade da poetisa viva – Adília Lopes

canova

NO MORE TEARS
Quantas vezes me fechei para chorar
na casa de banho da casa de minha avó
lavava os olhos com shampoo
e chorava
chorava por causa do shampoo
depois acabaram os shampoos
que faziam arder os olhos
no more tears disse Johnson & Johnson
as mães são filhas das filhas
e as filhas são mães das mães
uma mãe lava a cabeça da outra
e todas têm cabelos de crianças loiras
para chorar não podemos usar mais shampoo
e eu gostava de chorar a fio
e chorava
sem um desgosto sem uma dor sem um lenço
sem uma lágrima
fechada à chave na casa de banho
da casa da minha avó
onde além de mim só estava eu
também me fechava no guarda-vestidos
mas um guarda-vestidos não se pode fechar por dentro
nunca ninguém viu um vestido a chorar

IN: O decote da dama de espadas, 1988

*** *** ***
NÃO GOSTO TANTO

Não gosto tanto
de livros
como Mallarmé
parece que gostava
eu não sou um livro
e quando me dizem
gosto muito de seus livros
gostava de poder dizer
como o poeta Cesariny
olha
eu gostava
é que tu gostasses de mim
os livros não são feitos
de carne e osso
e quando tenho
vontade de chorar
abrir um livro
não me chega
preciso de um abraço
mas graças a Deus
o mundo não é um livro
e o acaso não existe
no entanto gosto muito
de livros
e acredito na Ressurreição
dos livros
e acredito que no Céu
haja bibliotecas
e se possa ler e escrever.

In:Florbela Espanca espanca (1999)

***  ***  ***
FRAGMENTO


“Em 81 disse à Dr.ª Manuela Brazette, psiquiatra, “Eu sou feia”. Ela disse-me “Não é ser feia. Não há pessoas feias. Não tem é atractivos sexuais”. Lembrei-me então do homem que em 74, tinha eu 14 anos, se cruzou comigo no Arco do Cego. Lembrei-me do homem, da cara do homem vagamente, mas lembrei-me muito bem do que ele me tinha dito ao passar por mim. Tinha-me dito “Lambia-te esse peitinho todo”. Lembrei-me também da meia-dúzia de outros homens que durante a minha adolescência me tinha dito quando eu passava “Coisinha boa” e “Borrachinho”. Ainda hoje me sinto profundamente agradecida a esses homens. Pensei que estavam a avacalhar, que eram uns porcalhões. Mas quem estava a avacalhar era a Dr.ª Manuela Brazette, ela é que é uma porcalhona. Acho que um homem nunca consegue ser mau para uma mulher como outra mulher.

(In: Irmã barata, irmã batata. Braga/Coimbra: Angelus Novus, 2000)

**** **** *****
COUP DE GRÂCE

Uma mulher
nunca pode
apaixonar-se
por um homem
antes de o homem
se apaixonar
por ela
o homem pune-a
por isso
e por muito mais
o homem não a abate
vai-se embora
fechado em copas
a mulher pune-se
a si mesma
se não tem vergonha
por si
tem pena
menina e mãe
num saco
estóicas
como a pescada
que antes de o ser
já o era

(In: Obra. Lisboa: Mariposa Azual, 2000

**** **** *****

Não podemos
desamar
quem nos ama

Se nem
quem nos desama
podemos desamar
****
Mesmo
uma linha
recta
é o labirinto
porque
entre
cada dois pontos
está o infinito

IN:Caderno, &Etc, 2007

*******

COM FOGO NÃO SE BRINCA

Com fogo não se brinca
porque o fogo queima
com o fogo que arde sem se ver
ainda se deve brincar menos
do que com o fogo que arde sem se ver
é um fogo que queima
e muito
e como queima muito
custa mais
a apagar
do que o fogo com fumo.

In: Um Jogo bastante perigoso, 1985.

********

Clarice Lispector,
a senhora não devia
ter-se esquecido
de dar de comer aos peixes
andar entretida
a escrever um texto
não é desculpa
entre um peixe vivo
e um texto
escolhe-se sempre o peixe
vão-se os textos
ficam os peixes
como disse Santo António
aos textos.

******
Minha avó e minha mãe
perdi-as de vista num grande armazém
a fazer compras de Natal
hoje trabalho eu mesma para o armazém
que por sua vez tem tomado conta de mim
uma avó e uma mãe foram-me
entretanto devolvidas
mas não eram bem as minhas
ficámos porém umas com as outras
para não arranjarmos complicações.

In: Clube da Poetisa Morta, 1997

*** *** ***
Palavra (escolhidas) de Adília:


“Adília Lopes e Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira são uma e a mesma pessoa. São eu.”

*****
“Há sempre uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade naquilo que escrevo”.

*****
“Tive um esgotamento psíquico no Natal e estou a escrever isto no princípio da Primavera. Sinto que ainda não estou bem. Peço desculpa por o texto ser breve e aos saltos, aos trambolhões.
Escrevo sempre por inspiração e num impulso. Sophia de Mello Breyner Andresen diz muito melhor do que eu o que é e como é para mim escrever um poema. Está tudo em “Arte Poética IV” de Dual.
O poema que ilustra e encima este meu texto foi escrito da seguinte maneira que passo a registar.
Eu vivo de uma maneira sofrida actualmente porque tenha uma doença psíquica, posso vir a ter dificuldades de dinheiro e o mundo não está cor-de-rosa. O dia a dia é muito sofrido. Desde que o meu pai morreu que decidi deixar crescer o cabelo que usei sempre muito curtinho durante 21 anos seguidos. Passados dois anos e só dois pequenos acertos do cabelo, decidi experimentar fazer rabo de cavalo. Comprei um elástico e quatro ganchos. Essa compra motiva o poema, a meu ver.
O poema surge assim de minha vida presente e passada. É autobiográfico à sua maneira. Já não uso rabo de cavalo. Surge da leitura. E surge da Sophia. Decalquei o poema “Soror Mariana – Beja”, de O nome das coisas.

SOROR MARIANA – BEJA

Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor.

A expressão “em rabo de cavalo” é o quotidiano. As minhas grandes influências, que admito e reconheço, são Sophia, Ruy Belo e Sylvia Plath. Foi com eles que comecei a escrever e é com eles e por eles que continuo a escrever e a ler.
Eu tenho a minha vida, mas assim como digo “Bom dia!” e a expressão “Bom dia!” não é de minha autoria, alguém a inventou muito antes de mim, a minha poesia é como se não fosse minha. Sinto-me despojada, desapossada, despossuída da minha poesia. O que faço é conviver: pôr a minha vida em comum.
A ideia das sombras e do desassombro não é também minha. Um namorado dizia a certa altura que havia menos sombras em mim, o que me fez ver que tinha havido e que havia sombras em mim. Um programador de televisão falou de desassombro a respeito de algumas das minhas prestações televisivas.
A minha poesia é uma poesia ao quadrado. Fiz uma metáfora de uma metáfora: em vez de trigos cortados, o cabelo apanhado em rabo de cavalo. Acrescentei um capitel: as sombras. Onde a Sophia viu paisagem, eu vi o meu corpo.”

(publicado originalmente na revista Relâmpago número 14, de Portugal e em 2008 na revista Inimigo Rumor nº 20)

*****

OBRAS DE ADÍLIA:

Este é um grande problema. Só tomei conhecimento do mundo de  Adília Lopes, quando ela “desembarcou” no Brasil, em 2002, com a ‘Antologia’, organizada pelo Carlito Azevedo, com posfácio da Flora Susssekind – minha ‘ídola’-  publicada pela  Cosac Naify, e a essa altura, ela já fazia poemas e poesia há tempos. (Observem os títulos, o que já é uma pista “quente” sobre a autora e os sutilíssimos vieses de sua obra. Sempre sarcástica, irônica e dedoublée. Aparentemente ingênua ou de menor importância, devia vir com um aviso: cuidado, o que vc está lendo  contém referências – as  nem sempre  e as completamente – explícitas a Ann Sexton, Sylvia Plath, Rimbaud, Verlaine, Camões, Clarice Lispector, Soror Mariana Alcoforado, Fernando Pessoa, Sophia, ah! e as intertextualidades todas e mais algumas…  ). Adília não tem medo do ridículo. Faz-se de tonta e muitos dizem que se expõe mais do que se devia.  Fala de sua doença e de sua aparência. E daí? Afinal… e o risco subscrito que faz parte do jogo perigoso?

Deliberadamente não escrevi nada pessoal ou (im)pessoalmente crítico. Para quê? Não só agora, Adília é já conhecidíssima, a internet está coberta de ‘adílias’. Uma verdadeira *sociedade da poetisa viva*.  Reparem, ela escreveu um  livro chamado “Clube da poetisa morta”.  Melhor alusão que essa? Para além disso, a mistura que faz entre o (auto)biografismo, o lírico  e o poético e o prosaismo da narração, alguns de seus poemas são narrativas – ela faz questão de mostrar… é o  que  imprime beleza,  em seu modo tão ‘despreconceituoso’ , a uma  invenção intertextual, que é  um verdadeiro  ganho insuspeito para quem a souber ler. Leiam comigo e descubra – e me ajudem a descobrir,  as marcas, os slogans, os aforismos, os *ditados*, os provérbios reconstruídos (a pão e agua de colônia, não é lindo e genial?), seus gatos que gostam de brincar com as baratas (dela). Vocês  lembram de um shampoo [xampu] chamado Vidal Sassoon?, pois Adília faz a festa, com Judith, Dalila e Salomé e seus próprios cabelos.

Pois bem, falando de águas que são passadas e de moínhos que são movidos, até que não faz mal dar uma lida  aqui na wikipedia.

Só para (não) finalizar, fiquem com esse presente  que me dei: Adilia Lopes; as crônicas do meu moínho.

***** Bibliografia:
[Primeiras edições:  Um jogo bastante perigoso. Lisboa: da Autora, 1985;
O poeta de Pondichéry. Lisboa: Frenesi/ & etc., 1986;
A pão e água de colônia (seguido de uma autobiografia sumária). Lisboa: Frenesi/ & etc., 1987;
O marquês de Chamilly (Kabale und Liebe). Lisboa: Hiena, 1987;
O decote da dama de espadas (romances).  Lisboa: INCM/Gota D’Água, 1988;
Os 5 livros de versos salvaram o tio. Lisboa: da Autora, 1991;
Maria Cristina Martins. Lisboa: Black Sun, 1992;
O peixe na água. Lisboa: & etc., 1993;
A continuação do fim do mundo. Lisboa: & etc., 1995;
A bela acordada. Lisboa: Black Sun, 1997;
Clube da poetisa morta. Lisboa: Black Sun, 1997;
Sete rios entre campos. Lisboa: & etc., 1999;
Florbela Espanca espanca. Lisboa: Black Sun, 1999;
Irmã barata, irmã batata. Braga/Coimbra: Angelus Novus, 2000.]
A mulher-a-dias. Lisboa: & etc., 2002.
César a César. Lisboa: & etc., 2003.
Poemas novos. Lisboa: & etc., 2004.
Le vitrail la nuit * A árvore cortada. Lisboa: & etc., 2006
***
E mais:
Dobra – Poesia Reunida. Assírio & Alvim, 2009
Apanhar Ar. Assírio & Alvim, 2010

(Neste, último, o que reservará Adília para nós? Eu, confesso muito triste, ainda não sei. E você o que achou? O que acha? Foi para vocês que fiz o post, talvez tenha ficado assim mais ou menos,  mais pra menos, mas lhes digo, falar de Adília é isso, uma odisséia, verdadeira  tarefa de Ulisses:-)

(updated)

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

28 Responses to Sociedade da poetisa viva – Adília Lopes

  1. Rose disse:

    !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. tereza disse:

    Já li só um pouco de Florbela Espanca.E do que li, gosto do poema que todo mundo conhece, talvez por ter sido musicado ou talvez por ser menos sombrio (dos que eu conheço):”Fanatismo”. Ela não poderia ter escolhido melhor título .Um amor desvairado, desesperado, excessivo. Talvez por ser excessivo, eu goste dele.Mas para mim, Florbela Espanca e outros na poesia só a conta gotas:) O excesso de sentimento dela me esgota.
    Beijos.

  3. tereza disse:

    Eu li “In: Florbela Espanca” para depois ler as poesias!!! Para você ver como a Florbela Espanca me incomoda…
    Então vi que as poesias não eram dela:)
    Gostei de ler a Adília que eu não conhecia.
    Esperemos pela Magaly.
    Bom fim de semana:)

  4. sub rosa disse:

    Tereza, pode ser que tal como a Adília, vocês duas sintam e achem que Florbela Espanca espanca mesmo.
    Não é um trocadilho, na verdade, grande parte do lirismo português reside no “excesso excessivo” do sentimento. Justamente o que deixa você esgotada. Mas não há o que fazer. :-) É escusado, como dizem eles:-)
    Mas vamos combinar que a luta de Florbela , a luta para vencer ou ultrapassar o estigma do incesto só poderia dar essa tinta – espessa – da melancolia e sofrimento.
    =-=-=
    Espanca, porém, é apenas uma referência a mais em Adília.
    Referência muito cara, obviamente: ela diz que Sylvia Plath é uma de suas inspirações e Sylvia , certa vez, declarou : ” “I like black statements”.
    Adília é menos gótica.
    =-=

    Em 2003 eu fiz um post apresentando Adilia, no outro subrosa (o sub rosinha) que, como todos (não) sabem foi deletado. Dommage!
    Hoje, mais de sete anos depois, seus poemas estão traduzidos para muitas línguas mas… Adília permanece desconhecida no Brasil, exceto pela crítica. E assim mesmo, parcela pequena da crítica.
    Adília é *cult*.
    Em Portugal, ela foi “desconstruída” pelos críticos.
    Adília é *kitsch*.”’


    Então, é por isso que tento ajudar um pouco esse conhecimento a se estender pois ela – tendo altos e baixos, é muito boa, é culta e usa as palavras com um raríssimo senso de propriedade e habilidade. Proeza e destreza.. É uma poetisa tb para quem nao gosta de poesia.:-)
    Tomara que dê certo.
    Este post é uma tentiva. Um trabalho de deixar sementes. Vamos em frente. “Pra cima é que se cai”

    Adília é *pop*.

    :-) bjs

  5. Magaly disse:

    Ih! Meg e Tereza, conheço tão pouco de Adilia que não vou conseguir acrescentar quase nada. Só sei que tem contribuído para dar feição impactante aos poemas que produz com sua forma estritamente irônica de se expressar, desconcertando de certo modo as categorias pré-estabelecidas. É mestra em mesclar surpresa, humor (mesmo o negro), banalidade em tudo que diz. Enfim, é adepta da ironia radical. Seu texto é dessacralizante, como em:

    “Vivo
    dia a dia
    sou
    uma mulher-a-dias

    Dia a dia
    perto porto parto da eternidade.”

    Isso não diminui o valor de sua produção poética e não lhe diminui o grau de sagacidade com que vê o mundo e seus intricados problemas.
    Prometo que vou me habilitar lendo mais alguns de seus poemas e procurando senti-los e analisá-los com as pequenas armas de que disponho
    E falarei da Florbela, que conheço um pouco mais, de quem aprecio os belos sonetos e de quem reconheço a inclinação pelo sentimento excessivo que a esgotou tão prematuramente.

    • sub rosa disse:

      Magaly, minha querida.
      Este poema que vc escolheu é um dos mais interessantes da obra de Adília, não quer dizer que seja bom, ao contrário o poema em si é parco. É meio pobre, não acha? Mas o que é rico é justamente, me parece, ela poder tratar de uma assunto muito importante em sua vida e em seu trabalho: a religiosidade e a vivência dessa religiosidade. Que não é fácil, sabemos todos. Negamos o que acreditamos, somos menos veementes do que desejamos etc… (falo no sentido impessoal, as pessoas, de modo geral, são assim. Religião é prato difícil de ser digerido, eu sei disso, ou acho isso.
      “Mulher a dias” é uma expressão em português versão portugal:-), que como vc sabe e todos tb sabem, significa a faxineira/arrumadeira que é paga por dia. No Brasil, no Rio e em Belém, pelo menos, é assim que chamamos a moça da faxina, que limpa e arruma nossas casa e coisas.
      então essa idéia de que a religiosidade é algo que tal como a poesia é vivida quotidianamente, cuidando do verso, do poema.
      Eu acho muito linda a aproximação e o jogo de palavras e de idéias: o afazer diário, dia por dia.

      Adília, em uma entrevista (eu acho que ela devia era publicar um livro com suas entrevistas que são interessantíssimas, pena eu ter mais algumas delas, como esta que saiu publicada em INIMIGO RUMOR – que a minha foi perdida em viagens) assume, reconhece que os poemas não são bons, mas dirá depois essa pérola:
      “não me interessa a cruz sem a luz, nem a luz sem a cruz”
      Disse isso a respeito de seu livro “César a César” (frase bíblica) ao tratar de São João da Cruz.
      Mesmo a gente sentindo que ela fez um jogo de palavras a gente pode extrair daí um significado mais profundo. O que vc acha?

      ***
      Ando lendo a Adília, e não sei como vou sair disso (não que isso seja importante) mas estou fascinada com a quantidade de riquíssimas alusões que ela faz. Por exemplo, ao bestiário de Apollinaire, aos gatos, o de Baudelaire…. a sua gata Ofélia, que ela diz ter medo que morra afogada… a gente fica pensando que é mais uma bobagem da poetisa, – ou – e isso eu confesso, com vergonha, achei que era uma referência ou alusão à Ofélia, suposta namorada de Fernando Pessoa – até que se lembra que Ophélia era a Ofélia de Hamlet, que Shakespeare faz com que seja morta… justamente, afogada.!

      E as coisas que ela conta, uma referência enorme à Condessa de Ségur(!!!) , que eu já estou velha e nunca soube quem era:-) E Adília é que me veio falar dela. Você já imaginou que a minha vida seria tão mais pobre, se eu não tivesse lendo Adília e seu encantador mundo encantado?
      Vou lendo e descobrindo, tentando descobrir.
      Não acredito em escritor, poeta ou não, que não se imponha como desafio. Para o bom ou para o ruim, bem ou mal.
      Tal como a Tereza e Florbela para Tereza:-)

      Aliás eu imagino como era Florbela nos tempos de Florbela (veja essa nome flor , bela). Que coisa mais “adília”, quase dália, hein?
      perdão!
      =-=-
      Pode ser que no fim, Adília não seja importante coo Manoel de Barros é importante. Mas os dois – igualmente -, me conquistam pelo encanto, feitiço ou magia com que me seduzem. Dentro de mim, dentro de sua leitura.

  6. Clara disse:

    Meg,
    eu nunca tinha ouvida falar nessa escritora e fiquei interessada até mais pelos comentários que pela poesia.
    Encontrei esse pedaço, não sei se será um pedaço ou poema inteiro, que gostei muito:

    Quanto mais prosaico
    mais poético
    A poesia
    (escreveu Novalis)
    é o autêntico real absoluto
    isto é o cerne da
    minha filosofia
    quanto mais poético
    mais verdadeiro.

    Gosto sempre do teu entusiasmo, professora querida, continue assim.

  7. Orlando Gemaque disse:

    Sinceramente?
    É muita informação para se processar.
    Acho que a verdadeira poesia é mais simples, ou mais direta. Como Manoel de Barros, por exemplo.
    Que fique registrado, não é preconceito contra a poetisa, mas é muito barulho por por coisa.

    Meg, vc também nos ensinou isso, certo?

    abs

  8. Orlando Gemaque disse:

    Sinceramente?
    É muita informação para se processar.
    Acho que a verdadeira poesia é mais simples, ou mais direta. Como Manoel de Barros, por exemplo.
    Que fique registrado, não é preconceito contra a poetisa, mas é muito barulho por pouca coisa.

    Meg, vc também nos ensinou isso, certo?

    abs

  9. Carlos Correia Santos disse:

    Olá, minha querida. Preciso agradecer a imensa gentileza dos teus comentários lá no blog GRÃOS PARÁ HISTÓRIA. Senti como um fraterno abraço a uma causa que me é caríssima: dar a conhecer as fotunas todas e imensas da região Norte. Preciso dizer que estou também encantado com teu blog e já me dedico a lê-lo com atenção e carinho. Grande abraço.

  10. Rose disse:

    Meg, gostoso é brincar com Adília. Poema nem é poema, esquecer o poema, um pouco, tá? Depois lembra de novo e sobe-se na mesa. Oh! O Poema!

    De ”conversando com ela”.

    Oi, Adília.
    Seu cabelo: as ondas do seu cabelo de mar levado! E da vida tudo se leva lava.

    ‘No more tears’ –
    Adília, qdo eu tinha 11 anos chamava as crianças menores e frente ao espelho esbugalhava os olhos sem piscar. “ Ela sabe chorar , olha!”.
    Meu primo com retardamento mental lavava o olho com sabão. Olho verde-sabão.

    FRAGMENTO –
    Homem pode ser mau! E uns competem com a mulher feito as mulheres competem entre elas

    COUP DE GRÂCE –
    Depende da mãe. Corta a corrente, porque a mãe às vezes não é estóica, Adília. Algumas são meio Dercy ( Gonçalves). Eu acho que a mulher que se apaixona se castiga. Porque ‘’a melhor faixa não é a de presidente, mas a de miss’’, li ontem sei lá onde.

    ‘’Não podemos
    desamar
    quem nos ama’’
    – Nem vem. Este argumento… não caio. Não amar é meu Direito.

    COM FOGO NÃO SE BRINCA – . Gostei de lembrar do fogo com fumo. Tinha esquecido. Apaziguou.

    In: Um Jogo bastante perigoso, 1985.
    Adília, mas você devia saber na própria carne. E ovo de livro é feito o peixe da manhã. Sobra a mesa – ice ( Clarice). Ponha o ovo no gelo e dure igual um livro.

    ”Minha avó e minha mãe
    perdi-as de vista num grande armazém
    a fazer compras de Natal”
    – E se o armazém toma conta de você, tome conta da conta e fica dona da conta. Sem conta nem há Natal de lembrar.

    ” Há sempre uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade naquilo que escrevo”.
    – Não julgue a si, jogue-se como eu me joguei ( quem disse isso?)

    Beijos, desculpe aí a brincadeira. Às vezes, gosto de esquecer a literatura. Nem é o caso de dessacralização – nem citação, hoje as citações não são mais citações e sim, meros nomes cheios de luz. Eu estou velha e velhos brincam feito criança.

  11. Magaly disse:

    Não fiz o que prometi, não pesquisei Adília, não li outros dos seus curtos e desconcertantes poemas, Não que tenha negligenciado, mas por uma razão tão gostosinha que acho que vocês vão entender e me perdoar. Pra frente é que se anda, não é? Acontece comigo também e quanto mais pra frente ando, mais embaraçada fico. Preciso de mais tempo para fazer as mesmas coisas. Deito mais tarde, quase sempre de madrugada. A fisionomia logo dá sinal de desalento.
    Minha neta Helena aparece e pergunta: está doente? E se respondo negativamente, ela conclui: está carentinha! E vejo-a entrar de ‘mala e cuia’ pra não me deixar cair o ãnimo. Um imenso saco de pão de queijo pro forno na hora da ceia (somos, as duas, viciadas em pão de queijo); o dvd À Deriva (a que eu não havia asistido no lançamento) sacola com material de dormir; maletinha com material de crochê; mais o violão!. Alguém, em sã consciência, pode resisitir a um carinho assim? Fui!

    Vou tentar, pelo menos, responder às considerações da Meg, em seu comentário ao meu, assim mesmo, sem elementos, intuitivamente.
    Meg, é pobre, sim, o poema que transcrevi, o despojamento encobrindo tema de relevância na vida da poeta. Só que senti isso de maneira muito fugidia Você agora é que me traz a verdadeira profundidade do que ela quis passar ao leitor.
    Com certeza, há um sentido mais amplo no jogo de palavras (referência ao livro César a César – que não conheço) que ela tanto usa, mas eu preciso ler mais seus versos para falar conscientemente.
    Da condessa de Ségur, a única coisa que sei é que se trata de uma russa que casou com um francês, o Conde de Ségur, no princípio do século XIX. Nunca corri atrás de mais detalhes. Shame of me, como diz você.
    Falei, falei e não fui até Florbela. Por ora, deixe-me com a incubência de ler, pelo menos, a Wikipedia . Quem sabe ainda me intrometo antes de você produzir novo post?
    Fico por aqui, assim mesmo, um pouco acanhada por não ter feiro direito o ‘dever de casa’.

  12. tereza disse:

    Magaly, que coisa mais fofa é a sua neta. Atenciosa, carinhosa, certamente você merece todo esse carinho :)
    Nada melhor que receber amor, atenção, carinho.
    A Adília concordaria que entre uma neta amada e um texto, escolhe-se a neta:)

  13. Rose disse:

    E olha só, Meg, que a neta de Magaly seja lá; seja aqui virou um texto gostoso feito pão de queijo.
    Adília liberou a gente. E fornadas de textos, uns virando peixe, outros, pão de queijo. Tudo é prosa, nesta janeiro à Adília com q seu post nos cutucou.
    Sem jogo de dados e com jogo de dados. Os dias vão.

  14. Magaly disse:

    Teresa e Rose
    Hoje é mesmo dia de amar pra lá do normal o mundo, os netos, (oito ao todo), os amigas, a vida, tudo o que nos circunda e estimula. Rose, Teresa, vocês são incríveis, sentem-se ‘cutucadas’ por ‘dá cá uma palha´ e já entrosam a emoção com a lição, providenciada pela mestra das mestras. Obrigada, queridas, a -d-o-r-e-i!

  15. Isabela Percov disse:

    Estou encantada com este sítio por várias razões, a primeira é que sempre quis ler em vosso português do Brasil, acerca de Adília Lopes, muito conhecida e discutida por cá, em Portugal. Em Espanha, também.
    A segunda, mais importante até , é que cheguei até aqui, por obra de São Google:) , e por causa de um assunto totalmente diferente. O que mais me encantou foram os comentários, uma conversa fluída do dono do blogue com seus leitores e destes entre si.

    Digam-me lá, afinal qual o segredo de se fazer uma coisa tão bonita, tão aconchegante e onde respira-se um à vontade que não lhes digo e nem lhes conto.
    Olhem que o sítio é que é muito giro. E vou vos estar a ler, aqui bem caladinha.

    Gosto muito de Adília, e acho, em minha fraca opinião, que ela começou muito, muito bem . Até o ano 2000. Fez belíssimo poemas, com muita pungência, inteligência e profundidade. Depois, atravessou um período difícil de afirmação, auto+afirmação, melhor dizendo.
    Hoje, infelizmente, Adília jaz, presa da personagem que por sadismo pessoal criou para si mesma.
    Faz anedotas, faz adivinhas, faz coisas impensáveis, e cai na banalidade, isso a meu ver.
    Mas, exatamente por isso é que deve ser conhecida e até mesmo – por que não – estudada.
    Afinal, todos os grandes poetas, todos os grandes escritores teem dentro de si e de suas obras uns lados menos abonados, menos bafejados pelo “génio” que outros, dentro de uma mesma criação.

    Peço vénia a todos para deixar essas palavrinhas.
    Muitos parabéns e muito obrigada.
    Estarei, agora, a ler e a observar bem caladinha.
    :)

  16. Christiana disse:

    Acho que “Mulher a dias” é um belo poema. Discordo do que foi dito, que é pobre e parco. É pequeno, sim, é singelo mas tem profundidade.
    Excelente escolha da Magaly a quem aprecio muito quando escreve sobre poesia, o que ela provou saber quando falou sobre “Passageira em trânsito”.

    Além do mais, deixem-me contar um fato pessoal:
    certa vez, assisti a um debate na PUC onde se discutia a poesia de Adília Lopes, e, vejam que coincidência, depois da exposição da professora Sofia dos Santos Silva, a Colasanti em pessoa, falou com entusiasmo de Adília.

    Uma parte do que foi dito por Socorro, está aqui:

    http://www.letras.puc-rio.br/catedra/revista/gandara_13.html

    Posso não entender muito de poesia, mas lendo isso fiquei muito comovida.
    Deixo a todos um fraterno abraço.
    À Magaly e ao blog, a minha admiração.

  17. Rose disse:

    Mais isto, talvez seja bom ver

  18. Rose disse:

    Até a Condessa de Ségur! aqui pode ser ouvida – na net.
    Un bon petit diable…

    Essa poetisa tem uma grande valise …q me lembram tantas coisas…

    ( funciona bem ,o francês é bom)

    http://www.podcastjournal.net/LIVRES-AUDIO-Un-Bon-Petit-Diable_a5348.html

  19. Magaly disse:

    Recado de Meg
    Amigas, Meg manda dizer que está sem poder visitar-nos por ora. Foi apanhada por uma virose pouco complacente que a tem deixado meio desanimada. Está em pleno check-up médico, o que vai roubar-lhe uns dias. Assim que a liberarem, voltará aos nossos indefectíveis comentários que fazem a nossa festa semanal.

  20. Magaly disse:

    Isabela Percov,
    Você nos seduziu com suas palavras aprovação e admiração. Falo-lhe por Maria Elisa Guimarães (Meg), a dona do Subrosa, que anda enfrentando uma espécie de gripe recheada de efeitos alérgicos, nada que vá durar demais. Sou Magaly, leitora da ala veterana. É com enorme alegria que a recebemos aqui com uma importante condição: caladinha, não! Você já é uma das nossas ! Contactou-nos com a maior simpatia, mostrou-se entusiasmada com o entrosamento do grupo, com os comentários em compasso de conversa descontraída e espontânea. Estamos assim, contando com sua participação, trazendo-nos notícias de Portugal, do movimento de blogs e atividades afins, o que vai enriquecer nossos comentários, nossas relações.
    Meg falará com você assim que voltar, lá para terça ou quarta da semana vindoura.
    Um forte abraço de nós todos.

  21. Magaly disse:

    Christiana,
    Confesso-me tocada com suas palavras incentivadoras relativas à minha tentativa de crítica aos poemas da Colasanti. Não tenho formação de crítica literária e não sou mais do que uma autodidata feliz em minhas parcas investidas. De Adília, muito pouco conhecimento até surgir este esclarecedor post da Meg que disponibilizou detalhes de trabalhos da escritora em diversas fases. Confesso que me impressionei com a contundência do estilo enxuto, econômico, irõnico por excelência, beirando a dessacralização. Â medida que a gente vai se ambientando na atmosfera que a poetisa respira, vai percebendo seus verdadeiros princípios e força mobilizadora. A contribuição que você deixou, passando-nos aquele link rico em informações, foi muito boa mesmo.
    Agradecemos seu fraternal abraço e esperamos, Meg, eu e interessados comentaristas, que continue a visitar-nos e a participar de nossos trabalhos.
    O Subrosa agradece sua admiração.

  22. Allan disse:

    Não conhecia a Adília, mas já virei fã.

    Beijocas :)

  23. Saio daqui sentindo-me ignorante. Não conhecia Adília. Você é uma grande professora.
    Beijo carinhoso

  24. Isabela Percov disse:

    Ó Magaly , a si e a todos, um bom dia!
    Não julgava que minhas palavras colhessem tanto agrado. Mas ainda bem, fico contente. Obrigada.
    Pouco tenho lido os blogs portugueses e estrangeiros, salvo alguns já bem tradicionais (se é que se pode falar em tradição em internete, não é?) sinto que hoje os blogs ~cedem alugar às chamdas redes sociais, o Quora, o Facebook e que tais.
    Fico muito feliz com sua recepção e estimo a continuação das melhoras de Maria Elisa. Que, suponho será Meg:) tão mencionada.
    Um grande beijinho, neste início de domingo, frio, gelado…

  25. Luma Rosa disse:

    Meguita, esteja bem! Melhoras!

    Apanhar ar é um suplemento, portanto, prepare-se mocinha para (re)ler toda a obra!

    Mas isso será fácil, já que Adília vem lhe trazendo grande alegria!

    Beijus,

  26. tereza disse:

    O.T.
    Querida, acho que você vai gostar:

    O maior acervo cultural do mundo:

    http://europeana.eu/portal/index.html

    • sub rosa disse:

      já estou inscrita lá.
      Eu tenho a impressão de que existe a Internet… e mais a Internet *com* a Teresa, a Cat Miron, e mais uns dois ou três amigos que tenho.
      Como é que eu não sei dessas coisas pra surpreender meio mundo? Tsc… tsc…
      Um beijo, querida
      obrigada.
      Ah, o outro link, aquele, da Marilyn, *preciosíssimo*, um pouco com egoísmo, eu, fico com ele, por enquanto, tá?:o)

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