Acerca da vida, da amizade e … da crítica.

sandra bréa em foto de antonio guerreiro, seu ex-marido. em 1970

sandra bréa.foto de antonio guerreiro.seu ex-marido. em 1970

“Brevity is the soul of wit”. Shakespeare. Hamlet.Act 2, Scene 2

“Eu achei, sim, uma nova amiga. Mas você sae perdendo. Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo. Sou uma pessoa muito medrosa. Tenho problemas reais gravíssimos que depois lhe contarei. E outros problemas, esses de personalidade. Você me quer como amiga mesmo assim?

“Se quer, não me diga que não lhe avisei. Não tenho qualidades, só tenho fragilidades. Mas ás vezes (não repare na acentuação, quem acentua pra mim é o tipógrafo) mas às vezes tenho esperança. A passagem da vida para a morte me assusta: é igual como passar do ódio que tem um objetivo e é limitado, para o amor que é ilimitado. Quando eu morrer (modo de dizer) espero que você esteja perto. Você me pareceu uma pessoa de enorme sensibilidade, mas forte.[…]

“Vc foi o meu melhor presente de aniversário. Porque no dia 10, quinta-feira era meu aniversário e ganhei de você o Menino Jesus que parece uma criança alegre brincando […]. Apesar de, sem você saber, ter me dado um presente de aniversário, continuo achando que meu presente [..] foi você mesma aparecer, numa hora difícil, de grande solidão.

“Precisamos conversar. Acontece que eu achava que nada mais tinha jeito. Então eu vi um anúncio de uma água de colônia da Coty, chamada Imprevisto. O perfume é barato. Mas me serviu para me lembrar que o inesperado bom também acontece. E sempre que estou desanimada, ponho em mim o Imprevisto. Me dá sorte. Você, por exemplo, não era prevista. E eu imprevistamente aceitei … [..]. Sua, Clarice”

Em 11 de dezembro de 1970, Clarice Lispector escreveu essa carta para Olga Borelli, escritora, professora, sua amiga, secretária e acompanhante.

Sei que é uma coisa muito feia, querer fazer *bonito* com o talento dos outros, mas eu, tal como aquele rapaz grego, o Sócrates, não tenho em mim nenhum talento, sabedoria, nenhuma capacidade criadora. E nisso reside a pequeníssima diferença que me faz ser … assim, digamos, diferente. (o grifo da ironia).Talvez acredite mesmo que sou especial. (modesta, então nem se fala). Aliás, a modéstia é o segredo do meu sucesso e não me pergunte: que sucesso?
Essas considerações, portanto, são inspiradas nas inseguranças – fragilidades – incoerências -inadequações de Clarice, já se vê.
A única coisa que eu sei, é que a vida é muito pouco pra tudo o que eu desejo e preciso aprender. E sei que amo a Vida. Sem apego, mas com zelo.
O resultado disso é que é espantoso: ao viver, desenvolvi uma habilidade singular, meu olho (quase) só vê a beleza, a delicadeza de um mundo de pessoas gentis. Elegantes (lat. elègans ‘que sabe escolher; bem escolhido). Consigo ver à distância o que é bom, o que é bonito, o que tem valor. Mesmo que esse valor esteja muuuito escondido. Preciso muito de ser assim, e agradeço por ser assim, pois como não morrer de tristeza, quando há tanta coisa feia nesse mundo, ao redor, ao perto e ao longe. Ao saber que na Amazônia, meu país, mon royaume, assassinaram o velejador neozelandês Sir Peter Blake. A Irmã Dorothy? E aí onde você está, ontem foi a guerra! O horror! O horror. E  um ror de coisas mais.
Um poeta espanhol que eu amo muito, Juan Jose Jiménez (1811-1958), poeta de los poetas cunhou a frase que me tem servido de lema de vida, e como não terei epitáfio, queria ser lembrada por ela. “ Não sou eu que escolhe o melhor; o melhor é que me escolhe.”
Vivo sempre como se me restassem horas de vida, e precisasse ver toda a beleza. Pessoas desabrochando. Florescendo. Expressando o seu *melhor*.
Paulo Francis, uma de minhas paixões irrecorríveis, (OK, há que se ter coragem pra dizer isso nos tempos atuais, diga lá?… ‘pero soy uma chica con clase’) Francis costumava dizer, nos últimos tempos, todos sabem, que se sentia tecnicamente morto. Eu , se passar um dia sem que tenha descoberto algo de bom, papa fina, como se dizia antes, algo de que eu possa falar bem, sou vice-morta.
Não, não se trata de “só falar bem” do que  é escrito ou criado, (*) a diferença é sutil, o que eu quero é escrever acerca do que realmente é bom e tentar mostrar porque o que é bom é bom.
Um dia alguém descobrirá isso , ou ninguém descobrirá e minha vida terá sido em vão. Se descobrirem captarão a ânsia que pauta até o próprio ato de (eu) respirar…
‘Viver nunca foi pra mim uma calma tessitura de dias que se juntam hesitantemente a outros dias, plácido trabalho, lentíssima costura…’ sou ansiosa, não paro pra ser gentil, tenho um gênio danado de danado,  tenho urgências e corro o mais rápido que posso, para chegar aonde? Ao que você, meu outro, faça ou crie e que seja algo original (se é que existe o… original), que você escreva ou crie o melhor.
O que fazer com a ânsia, se viver começa pela paciência da espera? A escrita começa pela paciência da espera. A música começa pela vitória sobre a pausa. (depois da paciência da espera). Quem é músico sabe, quem é escritor sabe.
Eu apenas ardo e espero.
* * *
(*) Para os que acham que só é bom crítico aquele que fala mal (crítico bom é ‘crítico cruel’, o que desce o “pau” hmmm… Masoch perde) eu ainda vou escrever algo  sobre a origem da crítica que remonta aos três trágicos, você sabe, aqueles Ésquilo, Eurípedes, Sófocles. Acredite, se quiser, crítica não é assim. Não era (para ser) assim. Era critério para saber a diferença entre o bom e o fazer bem.
Sorry.

* * *
Rose Marinho Prado, esta ‘crônica'(?) é para você. Obrigada pelo texto, Clarice está em Clarice. Por que a Sandra Bréa? Ora, e não é Clarice?!, você depois verá. Imprevisto, hora da estrela, brevidade… você sabe.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

19 Responses to Acerca da vida, da amizade e … da crítica.

  1. Janice Tomanini disse:

    Você não só é do bem, Megleen, você parece do bem, também. A nossa Rose é assim igualmente. Amo as duas e mesmo sem nos falarmos freqüentemente o amor por vocês continua intacto. Porque amigas assim não se encontra todo dia. :)
    E pode dizer que Francis é sua paixão. Ele é uma das minhas, também. Tenho outra, que você sabe, está morando em Veneza no momento. Beijos e mais beijos para minhas amigas lindas.

  2. Rose disse:

    Esta mulher é muito apaixonante.

    Sem mais,

    atenciosamente

    beijos

  3. Rose disse:

    Sem mais? Claro que não! Este post é sensacional! Mas estou cansada para agradecer tanto. Volto amanhã…

    Se isso é crônica?Não é não. Mas não sei o que pode ser. Intertextualidade, megalinguagem?
    Deve ser alguma coisa nova.
    Até depois quando escrevo mais. Se achar que devo mando p email …q sou muito prolixa. Bye

  4. Tereza disse:

    Meg, gostei muito do post. É muito bom ler você que escreve bem e tem bom gosto.
    Clarice é uma de minhas escritoras prediletas.
    Por pura sorte, o primeiro livro dela que li foi Perto do Coração Selvagem e devia ter a mesma idade dela de quando escreveu o livro.Sou apaixonada pelos contos e
    “A Paixão segundo G.H”, antes mesmo de entender.Se é que entendi. E as correspondências dela.Adoro ler cartas e biografias.A última que li foi Clarice de Moser, onde li a carta que você postou no blog. E Olga Borelli foi a fiel amiga até o fim da vida de Clarice, você sabe.
    beijos. Tereza.

    • sub rosa disse:

      Tereza, querida:
      não saio do You Tube, e dos seus links. Porém, eu queria sobretudo agradeer a você: somente depois que vc escreveu este seu comentário é que pude distender e ficar bem comigo. Sou muito insegura em relação ao que escrevo, não tenho interlocutores, de modo que cada post é um flash.. de medo (ai, por que fui escrever aquilo… o pessoal (os 4 ou 5 queridos que vem aqui) vai odiar, etc etc , o yada, yadda, yada, neurótico.
      Perto do Coração Selvagem? É mesmo refinada, você, hein?:-)

      Gosto dos contos também e acho que ela, como pessoa, entrega o “ouro” nas crônicas e no trablaho de jornalista, aqueles pseudônimos, Tereza Quadros:-) La Keller…
      D. Clarice ia gostar de você.
      -=-=
      Sim, Tereza, sei sim, de amizade inapelável, até o fim da vida entre ela e Borelli. Da dedicação desta e sua quase deprivation . .
      Um beijo, querida salvadora da pátria. Obrigadíssima. Desculpe a demora.

  5. Tereza disse:

    Ah, me lembrei da Olga Borelli no You Tube e ainda está lá. Não sei se você já viu.Tem partes de entrevistas com a Clarice, depoimentos de Olga Borelli, Gullar e outros.Gostei. O link é para a parte 1.

  6. Allan disse:

    Meg,

    Já fui preocupado em aprender e explicar. Hoje aprendo como consequência do viver e só explico se insistem muito. Também descobri que “tal como aquele rapaz grego, o Sócrates, não tenho em mim nenhum talento, sabedoria”. Talvez um pouco de capacidade criadora, eu possua , mas serve a muito pouco sem talento e técnica. Assim, aprendi a relaxar e viver. Se passo um dia sem sorrir ou de mau humor, sou morto e meio. :)

    Beijocas

    • sub rosa disse:

      Allan, queido:
      sou mesmo testemunha dessa sua *grande e engenhosa qualidade* de desvendar através dos seus escritos a chave para a compreensão do que você trata.
      Vc tem a técnica e o talento. Sua escrita tem a leveza e a naturalidad de que pessoas como eu necessitam para entender as fímbrias da vida.
      Adorei a sua forma de estender os conceitos: tecnicamente morto, vice-morta e morto e meio.
      Isto é usar seu passaporte de escritor.
      Quanto a explicar, realmente, é a morte da interrogação. Não é?
      Beijos, querido e muitos Parabéns.:-o)

  7. Rose disse:

    Meg, obrigada pelo post: você no redemunho, no meio dos signos. Um post grandioso, assim lembrando catedrais, ou florestas azuis de espírito e pontos duma estrelinha girando e girando ao som duma cançaõ, esse encadeamento de signos que nada tem de citação, mas um está para o outro assim como X ….

    Clarice se chateou com crítica ao ”Perto do coração selvagem”. Drummond em entrevista – ao Estadão – afirmando que, depois do feminismo, muita mulher quis ser poetisa mas, à primeira crítica, saía chorando.” Existe essa entrevista, é procurar. Que tonto! Mas tudo bem. Ninguém é em linha reta. Nem o Lobato. Nem minha avó.
    Você faz a crítica pelo lado de lá da casa. Prefere chegar pelo jardim, seu jeito. Quem contestar? Sua autoridade vem do saber e do olhar de sentir.

    Clarice, nicho, tão perto da gente/ mas, inclusive, universal. Nela cabem o radinho da Macabea e a Sandra Brea e, a incapacidade de odiar “que me paralisa as noites”, ai o mineiro! E ela NUNCA cortava defeito, qualquer maneira de defeito vale a pena – outro mineiro. Ela queria o cariado (corpo cariado de Macabea) e a Deus. E a barata e queria o é da coisa. E a Angela Pralini, essa personagem é muito! E o universalismo ali jazendo no búfalo esfaqueado, na velha que não acha saída no Maracanã. ”Roberto Carlinhos”, ela pedia. A Maçã no Escuro é Vidas Secas em paralelo.

    A liberdade era texto, liberdade da estiva de buscar a liberdade. Faz-se livre e construa bom texto tabuleiro.

    Dizia-se mera dona de casa. Cosa boa não? Adorava bijuteria barata; não suportava as chatas reuniões lá na Europa.

    Qdo li A Paixão…eu pensava em morrer. Mas, por acaso*, comprei o livro que começava pedindo pra segurar a mão dela. Não pulei do prédio.

    Clarice foi minha melhor amiga, eu não pensava no texto, na modernidade. Carregava livro feito a, um santinho, ali na bolsa. Tempo de sofrimento, eu tinha uns vinte anos e só pensava em morrer. Clarice me salvou.
    Não tenho Clarice como escritora, mas, aprendizado, desses que se abre toda hora, feito os crentes , a Bíblia.
    Daí o post ter me agradado. E tb, p causa desse ‘trem’ de você quebrar um pouco o vidro do monitor e mostrar-se mais e mais. Isso me fez bem, talvez imprima o texto e comece a carregá-lo na bolsa. Santa Meg.

    Mas a mulher apaixonável a q me referi nem é Clarice nem a Sandra Brea de olhar de desespero, lembra?
    A mulher apaixonável é você, Meg. Você, palavra. Nós que a amamos tanto em palavras, chego a pensar, que somos nós. Humano se ama é na palavra e pela. Uns balbuciam, outros têm o dom de escreverem tão bom que conseguem se comunicar no cochicho, no balbucio, no que Clarice buscou sempre: no indizível.
    A palavra é frestra ( ou fresta) por onde nos espionamos, nessa relação a distância e nada distante. À net!
    No mais é ir à praia e olhar o mar, feito as duas amigas faziam.

    • sub rosa disse:

      Rose, obrigada por tudo isso, este texto memorável e enriquecedor, seu talento, seu dom. Quase melhor não falar. Deixemos o se texto pleno no absoluto!
      Obrigada, querida.
      beijos

  8. sub rosa disse:

    Queridos todos, todíssimos, a minha deusa italiana Janice, Rose, Tereza e o meu queridíssimo Allan.
    Recendência da Itália e de carinho e de Clarice por aqui. Clarice, no ar, em tudo.
    Fico nervosa, egoísta até: as mãos procurando o desembaraço dos laços abertos da embalagem dos presentes que me deixam.
    Mesmo que não os mereça, não os recuso e fico com todos esses afagos, venho assim que puder, dizer como me sabem bem, por que negar?
    E responder tudo se é que há palavras e se é que se as houvesse eu teria ‘tento’ e engenho para tanto. Mas, confesso, estou agitada, sem cabeça pra quase nada.
    Meninos e meninas, que tempos esses nossos, de agora, nem tanto de agora, aqui e de aí fora, que consumição! que estrupício!
    Nem vou me referir ao que nos noucateia por aqui, em casa, nas ruas de Belém, sabendo pelos jornais. Hoje, estou com a mente nas pessoas queridas que tenho aí no Rio de Janeiro. ( No caso, sabemos que a geografia dessa violência nos liga mais que supomos).
    Vou pedir licença à uma querida amiga para transcrever o que se passa no coração das pessoas que aí estão:

    ” [..]As operações de confronto ocorrem nas favelas da Zona Norte, mas os arrastões, a queima de carros e ônibus, os assaltos são em qualquer lugar, em bairros da Zona Norte, da Zona Sul, no Centro, na Periferia, orquestrados despudoradamente, não raro, em vários pontos da cidade, a um só tempo.
    Desculpe meu desabafo, mas meus filhos (genros e noras são filhos tb) e meus netos saem de casa todos os dias e só chegam de tarde ou de noite…]”

    ****
    Pelo pouco do que ela escreve se tira o resto, o quanto – estando onde estivermos – nos sentimos tão igualmente alvo atingíveis desses relâmpagos e lampejos do perigo e do medo. Todos os locais se tornam o nosso *aqui*
    Sei que cada um de vocês entende.
    Por mim, só posso torcer e confiar. Confiar muito. Acho que ninguém pode negar que quando ressuma o perigo, a violência do perigo e o perigo da violência, nada mais é científico ou preciso.
    É questão mesmo de acaso ou de fé ou loteria. Todos queremos que dê certo. Ou não é?.
    Beijos em vocês, confiantes mas com o coração aos pulos.
    Com amor, até mais.

  9. Magaly disse:

    Estou defronte do teclado e entendo por que não escrevi ainda uma palavra comentando o “Acerca da vida, da amizade e…da crítica”.

    Essas meninas, Meg e Rose, esgotaram o material verbalizável!

    Primeiro, o post grita, com incrível estridência, verdades, contundências, constatações, preferências e implicações, num universo tão amplo, que o leitor atento mergulha num mar de informações, de conhecimentos paralelos, de particularidades, verdadeiro campo enciclpédico de referências.
    Meg, conheço-a há uns bons anos, trocamos impressões sobre tudo a qualquer hora, curtimos alegrias e tristezas e como você consegue surpreender-me desse jeito! Este seu post é uma presente de rainha para seus súditos, tem majestade, densidade e finesse. Parabéns, amiga. E muito sagazmente você o dedica a quem?! Vocês já pararam para considerar? A Rose é outra força, é outra explosão de sensibilidade. Força paralela que não se encontra facilmente, mesmo na amplidão deste espaço em que estamos todos inseridos.
    Então, gente, quem sai ganhando nesta arena, onde o gênio dessas meninas evolui a cada dia e nos enriquece o espírito com suas luzes? Nós, seus leitores e amigos que temos a possibilidade de desfrutarmos do contato constante com essas duas cabeças privilegiedas e esses dois corações solitários/ solidários.
    Por tudo isso, ninguém melhor do que elas para falarem da inquietante personalidade da escritora que passou a vida lutando para descobrir “o jeito ser gente” e que chegou afirmar que “viver não é vivível”. Seu biógrafo americano Benjamin Moser realizou um estudo original desta personalidade , concluindo que sua obra é “a maior autobiografia espiritual do século XX”. Ele deve ter chegado bem perto da “vertiginosa essência de Clarice”, usando a feliz expressão da ensaísta Yudith Rosenbaum.

    • sub rosa disse:

      Queridíssima Magaly, não sei o que eu, nós fazemos senão ler o que vc escreve, sempre um aporte não suspeitado, um outro ângulo não pensado. não considerado, antes.
      Fiquei por tempos buscando sem muito sucesso, embora muito atraída pelo que disse a ensaísta Yudith Rosenbaum.
      Foi a sua menção à ” viver não é vivível”, de forte cunho existencalista, pensamento de que ela. C.L. era íntima, que me inspirou a escrever o texto ali, lááá acima.
      Obrigada, querida. É dessa atmosfera cozy que gosto no nosso blog, e não é por estar na *nossa própria presença*, mas esse bloguinho em a melhor caixa de comentários do mundo, ever!
      Obrigada, chérie.
      Um carinho especial pra você!

  10. Magaly disse:

    ERRATA:

    1) Leia-se enciclopédico (antepenúltima palavra do 3º parágrafo).

    2) Leia-se desfrutar (fim da 19ª linha; escorreguei no uso do infinitivo, sorry, mas vi a tempo.

    3)Leia-se privilegiadas (quase fim da 20ª linha)

    Daqui por diante, vai crescer o número de escorregões. Você.s vão terminar adotando-os

  11. boczon disse:

    La Bréa…

    …no shape em que aprendi a amar as mulheres

    • sub rosa disse:

      Ixe! Teclaudio:

      finamente, digo, finalmente alguém expressa o abc da entrelinha. O imago da imagem. hehehe
      Se eu não tiver tempo de fazer post, amanhã, 1 de dezembro, et pour cause, em homenagem a essa mulher maravilhosa que morreu esquecida e pior, doente e abandonada, então já está feito aqui.

      Houve um tempo, (hoje, não mais) em que se morria de AIDS mas *SEMPRE* é o tempo de esquecer ou lembrar quem ficou como diz o Osvaldo Soriano – “triste, solitária e final”.

      Escolhi essa foto aí, porque é a que mais atende e corresponde ao pedido de amor e compaixão em Clarice.

      Já no Livro dos Prazeres, ela retrata a entrega sem reservas, desamparada, a única, talvez, que é capaz de levar alguém a sentir uma consciência-de-si, no *outro*.
      Quer coisa mais parecida com a condição … digamos, pedagógica de La Brea? A que ensinou tantos garotos a ser, digamos, rapazes?

      E também porque em minha ânsia de homenagear a atriz (e a pessoa) que se quebrou e se acabou há exatos 10 anos, só lembrei de Clarice que -por acaso e coincidência faz aniversário no dia 10.
      A Rose dividiu comigo uma coluna do Contardo Calligaris mencionando incoerência da escritora em uma entrevista (histórica0 à televisão (TV Cultura), então… lembrei Robertinho Carlos (Sra B. Xavier)… bingo! ali estava a fresta para olhar La Bréa.
      Só lembrei da passagem de “O lustre”: Sandra nessa foto me lembra ” o lustre implume, a que carece de plumas”.
      +++
      Rose fez ali em cima, no comentário de teor majestoso, a conexão com o território do desejo, da solidão, liberdade e sofrimento.
      Done!

      OK, está claro que vc não está pensando em angústia, nem asfixia hahaha… mas o seu comentário foi uma resposta definitiva.

      E tudo isso não é coisa que parece o imaginário de seuas telas? O(s) Sudário(s)? ;-o)
      Como diria o outro sedutor: “… aragem do sagrado”.

      Obrigada.
      Buzi,

      http://boczon.blogger.com.br

  12. Tereza disse:

    Meg, quando eu disse que por pura sorte o primeiro livro dela que li foi Perto do Coração Selvagem foi porque eu era muito jovem e, mais ou menos da idade de Clarice quando escreveu o livro. É um livro que uma jovem com menos de vinte anos é capaz de entender. Imagine se eu, por azar, tivesse tentado ler a Paixão segundo G.H. Depois li contos dela e só mais tarde fui ler A Paixão segundo G.H. Fiquei tão enlouquecida com o livro que, quando vi, já tinha sublinhado o livro todo e só sublinho minhas partes preferidas. Não me preocupei em entender o livro, ficava saboreando cada frase. Eu pensava que ela conseguia dizer tudo o que eu queria e achava que era impossível ser dito, e muito mais, que me deixava sem respirar.Gostei muito de Perto do Coração Selvagem, mas A Paixão Segundo G.H.
    talvez tenha sido o livro que causou mais impacto em mim.A Rose disse o que eu queria ter dito “não tenho a Clarice como escritora, mas como aprendizado”.Acho a Rose ótima.
    Ah, e Meg, você tem interlocutoras fantásticas e posso citar duas, para mim as melhores: Rose e Magaly. Não precisa de minha opinião , não é?
    Mas você é sempre amável. Beijos.

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