Vivina de Assis Viana: ‘Será que estou lendo o que estou lendo?’

Será que estou lendo o que estou lendo?

“Nos últimos tempos, com uma frequência que eu gostaria que fosse menor, tenho me perguntado se realmente estou lendo o que estou lendo. Ou ouvindo o que estou ouvindo… Explico: às vezes, é tudo tão absurdo, tão irreal, que fico pensando que minha mãe, que me alfabetizou – à noite, na cozinha da fazenda –, não trabalhou direito. Ensinou errado. […]
“Li, nos jornais diários, que uma professora de Belo Horizonte, justamente da UFMG, enviou um parecer ao MEC sugerindo que o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, não seja distribuído nas escolas públicas, por induzir ao preconceito.” […]
“Literatura não é coisa que chega pronta, nunca foi. É uma linha de pensamento que nasce no autor e atinge, na outra ponta, o leitor. Não passivamente. Pensativamente. Discordando, questionando, indagando. Até concordando, por que não?[..]”

 

Apesar de já estar sendo discutido em todas as redes sociais, é importante ler a reflexão crítica, ponderada, argumentativa e cheia de perplexidade que Vivina faz sobre o assunto em sua coluna no Primeiro Programa. Ao mesmo tempo, descubra a força do pensamento esclarecido da professora Magda Becker Soares(*) professora emérita e pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), da UFMG, que Vivina reparte conosco.

Leia , ouça o podcast, comente lá.

* * * * *

(*) Em contato com o pensamento de Magda Becker Soares:

(1) LEITURA e ESCRITA: “Letrar é muito mais que alfabetizar”.

(2) Letramento: a diferença entre ler e apossar-se da escrita.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

28 Responses to Vivina de Assis Viana: ‘Será que estou lendo o que estou lendo?’

  1. Meg.
    Tive uma leitura pouco orientada.
    Tinha o discernimento de uma traça para escolher os livros. Ou seja: era de papel? Escrito em português? Tava valendo!
    Então, li coisas loucas, ruins e, evidentemente, coisas muito boas, mas que, àquela altura, não eram para serem lidas.
    Se eu fosse contar minhas peripércias, esse comentário ia ficar enoooorrrrme.
    Mas gostaria de dizer que no meio dessa bagunça toda, eu li as Caçadas de Pedrinho. E muitos outros livros do Lobato. Talvez quase todos, não tenho certeza.
    É claro que retratava preconceito. Um preconceito que havia, aliás. Ou será um preconceito que há?
    Hoje em dia, na cantiga de roda, não se atira mais o pau no gato… Fiquei indignada. Entretanto, eu nunca maltratei nenhum bichinho por causa da cantiga.
    O que estamos querendo de nossas crianças quando pintamos para elas um mundo fora da realidade? Estamos sendo esmagados pelo politicamente correto. Beirando a alienação coletiva.
    Primeiro, protegemos da realidade. Não ensinamos a discernir. Depois jogamos uma quantidade violenta de informação. Sem discernimento, não se sabe diferenciar o certo do errado. Para se estar incitando afogar nordestinos é um pulo.
    As crianças que estamos criando, parece, só terão dois destinos: ou serão limitadas, ou serão sem limites.
    Porque a literatura tem de ser fácil, mastigada para eles? Porque não podem aprender a discernir? Criticar?
    Convivo muito com crianças e com suas mães.
    A julgar pelos padrões atuais, eu deveria ser irremediavelmente traumatizada. Afinal, li o que não devia, cantei as cantigas erradas, competi, ganhei, perdi, fiquei de castigo, pulei muro, fiz bagunça, levei palmada, fiquei sozinha em casa, comi comida da rua. Isso sem falar que vi o Pica Pau na tv. Todos os episódios: TODOS!
    Deveria estar morta, ou, no mínimo, pior que a Cristiane F. (aliás, li esse livro por volta dos 12 anos).

    Mas, curiosamente, me sinto muito bem…

  2. Allan disse:

    Nunca fui aquele tipo de leitor que lê até bula de remédio, mas por ter sido orientado em casa, pelos meus pais. Por outro lado, sempre li muito, a biblioteca do meu pai era uma seleção eclética e vasta.

    Aqui na Itália os livros são censurados. Isso mesmo: censurados, com partes cortadas, parágrafos modificados e traduções dirigidas. Terrível! :/

  3. Magaly disse:

    Meggy, é difícil escrever depois dessas duas criaturas tão absolutamente sintonizadas com alma infantil, tão despojadamente entregues ao labor de educar, de ensinar a ler ‘pensativamente’, refletindo, debatendo, aceitando, discutindo, crescendo, virando gente de verdade. Você já me havia apresentado à Vivina, agora me mostrou a importância de sua obra como escritora.
    Magda, por sua vez, deixa-nos aquela impressão de plenitude, de certeza de que estamos diante de uma educadora do mais alto calibre.
    Obrigada, Meg, por me dar esta oportunidade tão feliz assim. tenho certeza de que

  4. Magaly disse:

    Continuação:
    Desconsidere, querida, as palavras além do último ponto. Um gesto involuntário deve ter-me feito tocar em Submit, perdi o fio da meada.
    Você foi muito feliz em sua postagem. Abraço as homenageadas com carinhoso respeito.

  5. Norma disse:

    bem, eu acho que tudo está muito bem, bem escrito, pessoas inteligentes e famosas. mas por favor alguém me diga, o livro tem sim conteúdo racista ou preconceituoso não tem? Vi ontem no jornal nacional, a tia Nastácia ser chamada de macaca preta como carvão (+/- isso).
    Então eu não sei. Pra mim, preconceito é preconceito seja lá em que época for. Se for só para elogiar, aí não tem graça, não tem discussão, não esclarece a gente.
    Gostei muito do comentário da n. 1, marlia, mas nem todos tem a sorte dela.
    desculpe.

  6. Tem preconceito. A questão é que não precisamos escondê-lo debaixo do tapete pra fazer pose de politicamente corretos. A criança lê. Vê tia Nastácia lá, chamada do que seja. Mostra-se que ela tem o carinho de Narizinho. Discute-se o preconceito. Ensina-se a respeitar o diferente. Simples, né? Ou não?

  7. rose marinho disse:

    A obra precisa ser lida no contexto. É uma oportunidade para a discussão em sala de aula; em casa…
    O problema é que isso não vai acontecer. Por causa da precariedade da Educação no Brasil ( não me refiro só à rede pública).
    De qq modo, censurar não se pode. Inégavel que a obra de M. L. é o que de melhor temos na Lit. Infantil.

    Qdo criança, tive a oportunidade de conviver com o mais acirrado preconceito em relação aos afrodescendentes. Minha querida avó, adorável, ponderava, eu na poltroninha onde me criei- ao lado dela, ótima contadora de histórias…ponderava que ‘ Ah” Olha que os negros são inferiores. Repare isso”.
    Mergulhada numa família assim, numa Minas Gerais assim, entendo que o preconceito se adquire, é uma herança. Eu me livrei – espero que totalmente – pq fiz sociologia um tempo e …Bastou p entender tudo, ou quase.
    Mas M. Lobato não fez mais que expor nos seus livros o que talvez lhe fosse natural, o preconceito, e tb, natural para a mentalidade do Brasil.
    Pequena eu escutava alguns adultos condenando Monteiro pq o achavam subversivo ou algo assim.
    Que fique a obra.
    Parabéns pelo post e pelas autoras nele contidas.

  8. Orlando Gemaque disse:

    E aí, Meg?
    muito bom o debate , a troca de ideias a respeito desse caso, aqui vão alguns de meus palpites, primeiro, é claro que não só na obra do Lobato vamos encontrar preconceito ou até mesmo racismo, afinal todo mundo é preconceituoso e sempre será, faz parte do ser humano. Vários escritores, compositores (o Noel, então, desanca as mulheres, os judeus) artistas etc. exibem preconceito em suas obras, afinal quem escreve, escreve a sua experiência.
    Por outro lado, acho que os escritores, principalmente os de literatura infantil, devem botar as barbas de molho: o que em Machado, Lobato, Jorge Amado é atribuido ao pensamento de uma época, agora não é mais. A época é outra, o patrulhamento é cada vez mais forte. Por isso este assunto não deve ser considerado, simplesmente como um Febeapá. Afinal, olha só a repercussão do fato, chegou até o Ministro da Educação e deu no que deu.
    Abraçao minha amiga.

  9. Célia disse:

    Eu fico abobada com essa história de o menino, o adolescente ler o livro e o professor se tornar uma espécie de tradutor, apontando o que deve ser lido, esquecido, assim e assado. Quem decide se este ou aquele professor está “preparado para lidar com o assunto”? Isso é ciência? Interromper a leitura ou encher o livro com nota de rodapé? Francamente, não sei como irão legislar sobre isso. Feita a denúncia da denúncia, sinto que os tais do CNE, Ministério da Educação, se sentem inseguros, ou esquecem o caso como besteira rematada ou levam a sério o preconceito às avessas que se criou.

    Valeu, Meg. Já estava com saudades dessas discussões ótimas aqui nessa maravilhosa edícula:-)

  10. Rita Barros disse:

    e é censurando que se ensina a combater qualquer coisa? tem mais é que falar e discutir. como disse a marlia, daí a queimarem livros é um passo.

  11. Rita Barros disse:

    e como é isso de censurar os livros aí na Italia? Ninguém diz nada? fica tudo assim numa boa? cada vez mais dificil discutir civilização, costumes, barbárie, educação e repressão. nem a sociologia dá jeito. e o pior de tudo é o conformismo.

  12. Carlos disse:

    Tem muito caroço nesse angu.
    De saída: querer banir Monteiro Lobato como “racista” é uma cretinice – como de resto qualquer forma de censura pretensamente “protetora”.
    ML usa esterótipos derrogatórios? Claro que sim. E daí? Se formos passar um “pente fino” na literatura mundial, duvido que haja algum autor que escape ileso.
    (Vocês já leram – com olhos “politicamente corretos” -Homero? Sófocles?Dante? Goethe? Balzac? Victor Hugo? E Shakespeare, lembram do Mercador de Veneza e do Shylock? Pra não falar de Mark Twain e seus “niggers”.)
    Marília, eu também fui traça. Meus pais jamais direcionaram diretamente o que eu lia ou deixava de ler. Indiretamente, claro, com os livros que compravam para mim; mas não ficavam esquadrinhando, “isso pode, isso não pode”. Aliás, li todo o ML infantil e boa parte do “adulto”.
    E muita, mas muita porcaria. De quadrinhos os mais diversos (vem cá, o Fantasma e Mandrake não são “racistas”?) a todo o Tarzan (quer coisa mais “eurocêntrica”?) em prosa a montes de Livros de Bolso (“Edições de Ouro / É a melhor leitura / Verdadeiro estouro”) de Shell Scott e sucedâneos. Sem falar nos seriados da Republic e montes mais de lixo roliudiano.
    Mais do que isso: pertenço a uma geração e a uma classe social que foi criada para ser preonceituosa, racista, sexista e classista. De novo, não que meus pais me inculcassem tais preconceitos, pelo contrário. Mas que eles estavam lá, estavam, insofismáveis.
    Escapei sabe Gaia como e por quê. Tenho cá a minha hipótese, mas não vou me meter a fazer antropologia de sarjeta de boteco. Duas coisas eu sei: tivemos acesso a uma gama de informação naqueles tempos pré-Cambrianos, paradoxalmente, muito mais diversa do que existe hoje; e demos a sorte hidtórica de adolescer num tempo de grande efervescência cultural
    Outros tempos, outro “zeigeist”. Matavam-se mendigos impunemente – e não continuamos matando? -, mas pelo menos nenhuma futura data venia advogava publicamente o afogamento de nordestinos.
    (Volto depois para falar besteira especificamente sobre educação.)

  13. Rose disse:

    Não sei o que me ” salvou ” da procissão dos preconceitos mais pesados…isso, que peguei lá em Minas – desculpe Minas…Acho que foi o rock…rs os anos setenta, a sociologia, tudo junto. Ou nada disso. O meu sangue, alma.

    E nem virei caça-preconceituosos, graçassss a Deus!Mas caçar o M.L. agora?

  14. Magaly disse:

    Meg, achei o documento que procurava. Agora posso vir com serenidade e entrar na discussão do palpitante assunto que mobilizou seus leitores. Na realidade, eu não teria argumentos novos a acrescentar, um debate aberto, com pontos instigantes, via de regra, esclarecedores.
    O preconceito sempre existiu, o preconceito existe sob várias formas, em vários sentidos e direções, universalmente – o preconceito de classes, o preconceito religioso, o preconceito racial.
    No nosso caso, o que se podia esperar de uma sociedade escravista? Como se deu a libertação de nossos escravos? Foram dadas a eles as condições de se manterem livres? Em pé de igualdade com a sociedade dominante?
    O preconceito racial logo mostrou sua pior face. E essas coisas demoram a ser contornadas. Nada que o justifique.
    Monteiro Lobato exibiu a ferida social, muito aberta ainda.
    Esconder isso da criança de hoje? Por quê? Isso é História. Cabe aos educadores a elucidação dos fatos, a devida orientação aos jovens do presente. É aí que entra a clarividência do mestre, a sensatez do verdadeiro educador, como as duas professoras homenageadas por Meg neste oportuníssimo post.

  15. Magaly disse:

    Meg, assim que você puder voltar aqui, não se esqueça de me passar aquela trilha sonora que você me prometeu. Quero que ela encerre meu álbum de músicas, ok?

  16. Carlos disse:

    O que causou toda essa celeuma não foi uma exegese acadêmica de “Caçadas de Pedrinho” ou de ML em geral, e sim um parecer de uma integrante do CNE (que é um órgão colegiado) “desrecomendando” o uso de “Caçadas…” como material de leitura (para que série? Faz toda a diferença.)
    Vamos pegar por aí, então. Pessoalmente, tenho vários pseudopodos atrás com a idéia de “recomendar” (leia=se obrigar, como tarefa escolar) literatura. Uma coisa é *sugerir* e/ou, se for o caso, dizer que, e por que, os autores A ou B e as obras X ou Y são represenetativos dessa ou daquela corrente literária, historicamente situada; outra é transformar o que deveria ser prazer e descoberta em “dever de casa” – o que frequentemente garante que o estudante tomará ojeriza por A, B, X, Y e se bobear, por extensão, pela leitura, ainda mais na cultura do Ctrl+C / Ctrl+V.
    (Estou falando de ensino básico, “por supuesto”, não de especializações em Letras.)
    E aí entram dois outros caroços. Um: o MEC é de longe o maior comprador de livros do país, livros esses que são distribuídos para a rede escolar. Donde a inclusão ou não de um livro na lista do MEC tem grande importância econômica para as editoras, e isso sem falar nos desdobramentos para o resto da obra do autor e de “produtos associados” (TV, filmes etc.), e também para o catálogo da editora como um todo, livros didáticos inclusos e não raro à frente. O que vocês acham que sustenta a Abril?
    Donde, não digo aqui nestas tertúlias, mas na “repercussão midiática”, a dis cussão não será sempre isenta de interesses outros. Afora, é óbvio, os interesses ideológicos, políticos e partidários.
    (O segundo caroço vem mais tarde.)

  17. sub rosa disse:

    Obrigada, muitíssimo, aos que se dispuseram a comentar este post cujo teor e mérito são todos de Vivina e da prof. Magda Soares.
    Obrigada à Marilia, Allan querido,Rose, Magaly, Orlando, Rita Barros e Norma – muito prazer, sejam bem vindas – Carlos (oh! meu amigo!!) e à
    Célia.
    Confesso que eu tenho um enorme receio de que as pessoas se restrinjam a considerar este fato como “apenas”(?) uma besteira, uma doidice, uma versão mais recente do FEBEAPÁ. Claro que não deixa de ser, mas ele traz desdobramentos sérios em si mesmo e nas decisões das autoridades que legislam, que decidem o destino que se dará ao que está sendo “julgado” – no caso, não só a obra de Lobato, mas qualquer outro livro destinado a jovens). Ambos são e serão produtos do insidioso e massivo perigo que é o *politicamento correto*. Sei que nem preciso explicar, mas quando vejo e leio por aí, argumentos minimizam o fato, que se limitam a ridicularizar o que já é ridículo, eu penso, por ex., no cerceamento da criação literária. Os livros de literatura infantil que se dirigem justamente e sobretudo à imaginação criadora deixam de ser livros *para* crianças/jovens para se tornarem livros *de* crianças. Que, supostamente, não sabem ler nem interpretar o que leem. E, portanto, a leitura será monitorada. Filtrada. Teremos livros com *bula*. O pensamento não corre solto: será interpretado e sequestrado ainda na primeira leitura. Resultado:a apreensão é duvidosa, tendenciosa. E aí, que Deus nos livre e guarde:-) quem faz literatura infantil pensará duas, tres, sabe-se lá quantas vezes antes de escrever uma frase ou pensamento de forma genuina e natural. Pensem nisso. Pensem.
    Bom, aqui pra nós, vamos ser sinceros, todos concordamos que escrevo e expresso muito mal as idéias, modéstia à parte:-) , vocês que leem o Sub Rosa, sabem que sou prolixa, confusa na expressão, um número *soterrante* de informações num mesmo parágrafo, ah! isso eu sei, mas que tenho idéias eu tenho, né gente? Entao, au secours! eu queria dizer isso que vocês devem estar entendendo, com menos palavras e com menos circunlóquios.:-o(
    Alguém aí na sala pode me ajudar?

    O mundo, definitivamente, não é ascético, como explicou a Marilia. A propósito, in my days, leitura puxava leitura: e eu me lembro de ter
    tido/lido/vivido uma das mais ricas lições de tolerância, de compreensão, vivência com o *outro*, com o *diferente* – ao ler o livro de Graciliano Ramos, (escrito em 1937) “A terra das crianças peladas” . Das crianças de várias cores, de Raimundos pelados e de olhos bicolores. De várias cores, não só a preta – aliás, existe macaco vermelho também, basta ver o Animal Planet :-o). Censuramos o vermelho? Todos leram, não é? Quem não leu, leia, vão por mim e verão que nessa época -Graciliano e Monteiro Lobato são da mesma geração literária- já se fazia na comunicação entre escritor e leitor, com o auxílio – e não com a imposição ou interveniência – dos professores ou notas explicativas – aquilo que dizemos ser a criação *pessoal* do mundo (“Lebenswelt“). Pode-se querer mais?
    (q.v o post SubRosa do dia 15.outubro)

    Já as outras implicações, foram ricamente apresentadas pelo Carlos, pela Rose, Magaly, todos.
    Como eu disse, voltarei para responder a cada um pessoalmente, certo, Rose? Aliás, que sufoco ter de dizer afrodescendente e sem hífen, hein?
    Valeu, my people!:-)

  18. Magaly disse:

    Posso, então, voltar. Sim, só para insistir num detalhe, um ponto crucial em toda essa discussão. Quero perguntar se vocês leram o que a Profª Magda escreveu sobre o patrulhamento da leitura literária. Este é um ponto em que devemos insistir, com toda a nossa energia. Censura no campo literário, não! Deixemos que a criança leia livremente, absorva a essência do que foi dito pelo autor, use sua própria intuição acerca do que leu, aprenda a pensar por si mesmo. Exercitando a leitura pensada e independente, ele chegará a um porto definido.
    Pedagogia é a ciência da educação e do ensino, conjunto de teorias e métodos de instrução que tendem a um objetivo prático. Pedagogo, aquele que aplica os métodos de ensino em seus diversos graus, professor, mestre. “Pedagogizar a leitura literária” é atitude fora de propósito. Significa cercear, patrulhar, comandar a criação. A criança vai se conduzir pela interpretação de um pensante em outra época, submetido a injunções diferentes, fora do cenário em que foi reproduzida a situação, o fato em si, a mensagem da época e do meio, a visão do autor inserida em seu tempo.

  19. Norma disse:

    bem, volto aqui para dizer que estou um pouco zonza mas eu e meus filhos, a família toda ficamos em melhores condições de discutir o assunto. (minha filha tem um trabalho para fazer sobre este assunto). só se fala nisso, mas não explicavam. Pra ter uma idéia, eu não sabia se preconceito e racismo era a mesma coisa ou se era diferente.
    obrigada, magali. marlia, é muito simples mas tem que saber fazer, não é?
    eu agora só tenho que elogiar. ehehe

  20. Rose disse:

    Deveriam proibir os contos de fada. Aqueles, dos bárbaros! São violentos!
    A Condessa de Segur, nem pensar. Personagens maldosos? Não.
    Olha que nome de texto!
    Vou apoiar a censura, loucamente.

    • sub rosa disse:

      rose, o bruno bettlheim escancarou essa análise de muitos contos de fadas. o bom é que ele não disse o que era mau. nem falou que causavam mal.
      agora, minha flor, é com a mais deslavada falta de vergonha que registro aqui, a minha vergonha em não conhecer nada, nadica de nada de madame la comtesse de segur. Mas como vc é chique e culta, hein?
      Vou pedir que vc me conte algumas histórias:-)
      escreva sobre personagens maldosos/malvados. escreva, escreva-se:-). Me escreva.
      bjs

  21. Tereza disse:

    Textos ótimos, comentários muito bons, não tenho mais o que dizer, a não ser que sempre aprendo muito vindo aqui. E que Monteiro Lobato era o meu autor preferido. Quando era criança aprendi a amar História e mitologia Grega lendo O Minotauro. E me divertia muito com a Emília. Quanto ao racismo, devo ter me livrado dele, pelo menos no nível consciente, lendo outros livros, convivendo com pessoas que combatiam o racismo e tal como a Rose, talvez o rock e a Sociologia tenham contribuído.

  22. Tereza disse:

    Meg, os politicamente corretos deveriam ler o livro do Bettelheim, não é? Para entenderem que o ser humano
    é muito mais complexo do que imaginam, com a sua pedagogia barata.Eles devem ignorar o inconsciente humano.Conheço muitas crianças que adoram o Lobo Mau de Chapeuzinho Vermelho. E como gostam de monstros!
    E adultos também. As personagens más são muito interessantes.

    • sub rosa disse:

      Terezaaaa!!!!
      olhe só, agora a festa a que já havia, está completa:o) você veio. Aqui e na Cecília. Que luxo!!!!!
      Um beijo, querida. Volto já:-)))

  23. luma rosa disse:

    Meg, escrevi sobre este assunto no “luz” e ficaria grata se você fosse lá saber o que penso :) http://luzdeluma.blogspot.com/2010/11/livros-censurados-e-incentivo-leitura.html
    Ultimamente estamos assistindo a tanta deseducação e falta de respeito com os nossos símbolos nacionais, mas não vou entrar no campo político porque o seu blogue não merece fazer menção de estrupícios.
    Beijus,

  24. sub rosa disse:

    Luna, estou indo para lá. O caso é que o link que vc deixou aí em cima na Cecília, parou meu coração:-)
    Obrigada, minha linda e até o dia 17:-))
    beijos
    P.S Uma pena eu não ter sabido, a tempo, do bookcrossing blogueiro barasileiro tsc tsc tsc.

  25. sub rosa disse:

    Luma, estou indo para lá. O caso é que o link que vc deixou aí em cima na Cecília, parou meu coração:-)
    Obrigada, minha linda e até o dia 17:-))
    beijos
    P.S Uma pena eu não ter sabido, a tempo, do bookcrossing blogueiro barasileiro tsc tsc tsc.

  26. Pingback: O julgamento de Monteiro Lobato: vai para o Index? « Sub Rosa (flabbergasted) v.2

%d blogueiros gostam disto: