Passageira em Trânsito – Marina Colasanti

Marina Colasanti, escritora, contista, ensaísta e poeta  receberá, no dia 4 de novembro, pela 4ª vez, o prestigioso Premio Jabuti, categoria Poesia, com o livro “Passageira em trânsito”. O Sub Rosa, privilegiado que é, publica aqui uma recensão de autoria da também poeta  Magaly Campelo  Magalhães, em estilo preciso e sensível, acerca do livro de Marina.

Falando de Passageira em Trânsito, de Marina Colasanti, premiada com o Jabuti/2010 em Poesia.

Magaly Campelo Magalhães(*)

Delicioso o trânsito desta passageira desde os primeiros minutos em que seu avião taxiou na pista e ‘fez-se ave’, na figura criada por sua delicada percepção, elevou-se às alturas, descortinando um mundo de sensações, o ‘andar da paisagem’, o pressentido ‘rumor de águas escuras’ ou o fragor do mar que, ‘próximo, despenca´. O leitor sufoca, tal a intensidade das emoções captadas dos gestos humanos, da diversidade dos tipos e paisagens, da complexidade das aproximações, das aparentes ou não inclusões / exclusões, tudo isso guarnecido com reveladoras impressões pessoais. Esse agudo senso de observação mesclado ora de lirismo, ora de humor crítico, ou de sensualidade impressiona e encanta, como em:

Viagem por um fio

Na Classe Executiva deste avião
aplicada como o homem com seu laptop
uma mulher borda.
Fino fio liga mão e tecido
– cordão e placenta –
enquanto a agulha vai
ponto a ponto
tecendo a nova vida de um desenho.
Olhar posto no bastidor
perfil recortado contra a janela do avião
a mulher viaja.

Não, não esqueço

Na praça Djeema el Fna
em meio a saltimbancos e advinhos
eu vi a moça espástica
sentada na cadeira.
Trazia o cabelo preso e
ao redor do pescoço
solta como decote ou colar
movia-se uma cobra viva.
Se busca de uma cura
se devoção ou jogo
jamais hei de saber.
Mas não esqueço as mãos erguidas
os dedos espalmados
e o puro espanto de seu olhar perdido.

Hoffmann não suspeitaria
O estudante Anselmo
tinha orgulho de sua bela escritura
e das plumas de corvo bem cortadas
molhadas no nanquim.

Depois, a Bic venceu as plumas em duelo singular
e em lugar dos corvos depenados
quem morreu foi a caligrafia.

Marina é, a um só tempo, a desveladora de emoções escondidas, a pintora de recantos idílicos ou assustadores, a contadora cativante de breves casos, a divertida observadora de reações alheias, a que reconhece Eros como em ‘Pelo lanho de um instante’, ‘Poema quase persa’, e que é capaz de produzir um poema do mais puro lirismo, como em ‘Minhas filhas vida acima’ e ‘Viagem por um fio’.

A um homem não

A um homem não se diz: ciclame, a tua
presença faz do meu jardim
um jardim mais precioso.
A um homem não se chama gladíolo
miosótis, íris.
Da espécie vegetal
a um homem
só baobá choupo palmeira se comparam
poder e tronco.
No entanto, que
gentis podem ser com mãos e boca
capazes de entregar flor e semente
se apenas o desejam

Sobre fundo azul

Estridor de pássaros
retalhando os choupos
no céu da tarde?
Ou folhas que cantam
ao vento que vem do Tejo?

Essas muitas Marinas, em trânsito, permeiam o livro, trânsito que permeou a vida desta escritora e poeta desde sua origem africana (nascida etíope). Criada na Itália até sua pré-adolescência e chegada ao Rio de Janeiro depois da 2ª guerra mundial, Marina fez daqui sua morada definitiva, o berço da família que construiu –  o Brasil, sua pátria simbólica, receptora de sua inspirada obra literária.

 

magaly campelo magalhaes

Magaly Campelo Magalhaes

Magaly Campelo  Magalhães, nascida a 07/03/1927, em Maceió / Alagoas, no seio de família de classe média quase toda voltada para o magistério, havendo poetas entre os que se incorporaram à familia por matrimônio. Pelo lado materno, ascendência portuguesa, espanhola e indígena. Pelo paterno, portuguesa. Curso primário (hoje fundamental) em escola pública, assim como o secundário (hoje médio), com muito bom aproveitamento. Paralelamente ao curso médio, curso pedagógico, o que motivou seu ingresso no quadro de professores da própria instituição de ensino, através de registro por recomendação. Com o casamento em 1951, estabeleceu-se no Rio de Janeiro dedicando-se unicamente à família, nos primeiros anos. A partir dos anos 1960, matriculou-se na Cultura Inglesa e na Aliança Francesa. Nesta, concluiu o curso prático, em 1965. Na Cultura Inglesa, concluiu o curso prestando o Proficiency, o que lhe deu direito à extensão universitária de Didádica Especial de Inglês, em 1968, na UERJ (UEG, na ocasião). Como 1968 foi um ano politicamente crítico, as Universidades públicas tiveram revezes. A UEG teve que realizar suas provas conclusivas em outras casas ligadas a Cultura, como O Museu da Imagem e do Som, onde seus exames finais foram prestados e para onde foi convidada a atuar como profesora. Nos anos 1970, cursos avulsos de literatura, o que aparecesse para não estacionar. Nos anos 1988 e 1989, curso livre de Antropologia, na Faculdade Hélio Alonso, ministrado pela Profª. Walderez La Roche, do corpo docente da FACHA. Anos 1990, o apelo da linguagem cibernética. Em 1998, a corte ao cyberspace, aos novos caminhos e sua abrangência. Em 2003, a estréia em blog – um mundo novo, nova guarida: Eu, Pensando e  Onde Estamos? O primeiro, pausado desde setembro de 2007 (para dar tempo a atividades novas, fora da internet), aguarda volta ao exercício ou fechamento definitivo. O segundo, de linha religiosa, em plena atividade, tendo completado 7 anos de existência.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

38 Responses to Passageira em Trânsito – Marina Colasanti

  1. Célia disse:

    Gostei muito desse artigo.
    Principalmente porque você desmanchou um mistério como a Mag consegue escrever muito bem, sobre assunto tão difícil como é o do post do Onde Estamos .
    Está explicado ela é mesmo muito preparada intelectualmente e é muito educada e atenciosa com os leigos como eu.Não conhecia o outro blog dela e vou ler. Um abraço a você e outro para a Mag.

  2. Silvia disse:

    Eu concordo em tudo por tudo.
    Parabéns a vc e à Magaly (Mag).
    Gostei dos poemas, embora não conheça a autora. Vou procurar conhecer.
    Magaly muito obrigada pelas palavras maravilhosas que vc deixou pra mim.

    • Magaly disse:

      Célia, delicadamente, você me descobre por inteiro, mas é como lhe disse lá, no ‘Onde Estamos?’, tudo acontece na base do esforço por entender o que ainda é mistério pra nós. Eu não tenho conhecimentos especiais, é tudo uma questão de apreender a essência dos preceitos com que vamos lidar para passá-los adiante, divulgá-los. Vamos tateando, mas chegaremos lá.
      Meg e eu estamos felizes com sua presença e esperamos contar sempre com você. Um forte abraço.

    • Magaly disse:

      Sílvia, só agora nos conhecemos, mas logo nos identificamos e muito pelos caminhos do ‘Onde Estamos?’. Aqui, também, é um lugar de aprendizagem. O blog da Meg é tambem uma escola, tal a variedade de conhecimentos que ela nos oferece semanalmente, com ilustrações de toda ordem e indicação de leituras paralelas. E ela junta a isso uma tal carga de energia, uma saudável alegria de oferecer, de doar que ninguém pode se furtar a juntar-se ao grupo.
      Agradecemos sua vinda e seu apoio ao nosso trabalho. Beijos.

  3. Mag não consegue escrever. Ela segue e a gente vai no rumo.
    Eu já tinha percebido nos e-mails e scraps uma leviandade no uso das palavras. Ela chuta tudo e reinventa um jeito que é dela. Isso se chama estilo.
    É gostoso ler o jeito dela arranjar as Letras no tabuleiro. Fica um arranjo lindo e..perceba que nas entrelinhas sempre há um boi. De coisas pra pensar.

    • Magaly disse:

      Rose, mais uma vez festejo seu comentário porque, a cada um, vou ganhando uma qualidade que não conhecia. Acho que, de tanto batalhar com você no Orkut, acabei por pegar as manhas da redação, onde você pontifica. Querida, aceite, estamos diante de uma mestra, das boas, das competentes, São Paulo inteiro sabe disso e a internet se encarrega de levar essa constatação além dos limites geográficos. Meg e eu comentamos sempre o seu nível de competência e adoramos que você esteja sempre por aqui.
      Grande abraço, com beijinos de quebra.

  4. Mes amies,
    Que delícia de post.
    Excelente abordagem nessa resenha de MAG.
    Tipo da resenha que me faz desejoso de ler o livro resenhado.
    Fraternellement ‘a vous,
    Beto.

    • Magaly disse:

      Adalberto, visita mais que esperada e valorizada, você está entre os amigos que nos oferecem uma produção sempre impecável em seus vários canais de expressão. Que bom que gostou da resenha e que se disponha a ir ao encontro da Passageira em Trânsito. Você vai adorar.
      Abraços de Meg e Maga.

  5. Magaly disse:

    Venho dizer que a minha amiga Meg me tributa uma honra sem par. Claro que reajo positivamente, e não podia ser de outra maneira, mas, entre feliz e humilde, reconheço a voz do coração de braços dados com a da razão. Devo-lhe um muito obrigada atencioso, carinhoso, cheio de emoção. E não menos às amigas que se manifestaram, as recentes amigas Célia e Sílvia e à minha sempre surpreendente amiga Rose, com quem travo deliciosas batalhas no Orkut e em e-mails. Saibam que Rose é uma caixa de infinitas surpresas, bem como uma grande mestra de nossa língua.
    Vejo entrar o comentário do grande amigo Adalberto que também me prestigia delicadamente, ele que é um baluarte deste nosso universo.
    A sorte me reservou a dita de relacionamentos maravilhosos nesta área e me declaro a mais bem aquinhoada companheira de vocês todos.
    Abraços bem fortes e alegres.
    Beijo especial pra você, Meg.

  6. César disse:

    É uma feliz surpresa chegar até aqui, através de um mecanismo de pesquisa, e encontrar tamanha qualidade num blog e excelente trabalho de crítica. Acho perfeita essa constatação “da complexidade das aproximações, das aparentes ou não inclusões / exclusões, tudo isso guarnecido com reveladoras impressões pessoais.”
    Não li o livro, ainda, mas conheço bem o trabalho de Marina e isso é muito aplicável à sua forma poética.
    Notável a precisão da análise, como lembrou a editora.

    • Magaly disse:

      César, Meg e eu agradecemos seu comparecimento ao Subrosa que se vê prestigiado com a sua avaliação espontânea e positiva. De minha parte, confirmo sua impressão quanto à qualidade do blog – é, sem nenhum exagero, estrela de primeira grandeza no universo blogueiro, com reconhecimento já registrado fora de nossas fronteiras. Por outro lado, suas referências à minha tentativa de crítica me estimularam sobremodo.
      Esperamos que você se torne visitante assíduo e que nos traga suas impresões pessoais sobre o livro que levou o Jabuti/2010. Agradecimentos renovados de Meg e Magaly

  7. marilia disse:

    O que faz um resenhista?
    Ele faz você se encantar com o livro antes de folheá-lo. Faz você sentir a necessidade de ler.

    Nesse mundo maluco em que vivemos em que não há tempo pra nada ou quase nada, eis a função primordial de um resenhista: ele nos lembra que precisamos ler e, getilmente, nos ajuda traçando sugestões de caminhos possíveis.

    Sua preciosa contribuição ajuda a evitar que, de degrau em degrau, não acabemos incapazes de ler além de 140 caracteres e involuindo até grunhindo (percepção do Saramago que eu adotei, porque me deu medo, muito medo).

    Aquele que lê um livro, se encanta e divide seu encantamento é uma pessoa generosa em sua essência. E não muitos são os que cumprem essa tarefa com a delicadeza que encontrei aqui.

    Lendo o texto da Magaly, descobri a necessidade de, depois de tantos anos, reencontrar Marina Colasanti.

    Dela, ainda na infância, li “Uma ideia toda azul”, encontrado nalguma pratileira de uma tia minha que nunca me negou um livro.

    Agora, aqui no Sub Rosa, encontro a Meg e a Magaly, que, juntas, como a minha tia outrora fez, generosamente me dão a doçura dos textos de Marina.

    Pessoas assim nos fazem desembrutecer.

    Por isso, agradeço.

    E, claro, vou sair correndo pra ler o livro. E os outros todos textos da Magaly que puder encontrar.

    Resumindo: A-D-O-R-E-I

    *smachs*

    marilia j.

    • Magaly disse:

      Marília, é Magaly quem lhe fala, encantada com seu depoimento, com sua verve, com seu jeito especial de comentar os fatos. Bem que ‘nossa amiga’ está sempre a fazer referências a você. Vá, sim, volte à Marina e sinta a energia que ela transmite em seus poemas – sua força de observação, de captação de detalhes, de percepção crítica, sua capacidade lúdica, seu olhar complacente ou denunciador, seu ardoroso modo de expressar-se diante de qualquer cenário ou situação.
      Meg e eu estamos tocadas com suas palavras neste comentário e e lhe deixamos um grande abraço de agradecimento.

  8. Meg, querida

    Magaly faz uma resenha tão boa quanto os breves poemas da autora. Por meio dela, tive a oportunidade de ler “meus” primeiros versos de Marina Colasanti. Eu apenas a conhecia de nome, sequer tinha percorrido uma linha dos seus escritos.
    Obrigada, Magaly, por me apresentar à Marina com tanta delicadeza.

    Peço licença a vocês para colocar um link em meu blog de imagens.

    Ah! O comentário da Marília está perfeito, assino embaixo. :)

    Um grande beijo.

    • Magaly disse:

      Elis, gentis foram suas palavras que nos afetaram tão beneficamente. É gostoso saber que apresentamos algo agradável para amigos que nos visitam. Ando curiosa agora para conhecer os livros infanto-juvenis da autoria de Marina, todos ilustrados por ela própria que é também voltada para Artes Visuais e Plásticas.
      Fique à vontade para colocar o link em seu blog de imagens.
      Deixamos beijos e agradecimento.

  9. denise rangel disse:

    Meg,
    Que direi em vista desta resenha? Fiquei como uma aluna, boquiaberta, sorvendo as palavras da mestra. E nos revelando subterfúgios do texto de Marina. Amei. Obrigada por nos brindar com Mag.
    beijo nas duas meninas

    • Magaly disse:

      Denise, as duas meninas agradecem penhoradas. E se derretem com suas palavras de aceitação e estímulo. Que coisa mais cativante esse seu jeito de dizer que amou algo! Queremos que saiba que estamos agradecidas e bem felizes. Muitos beijos de nós duas.

  10. Júnia Figueiredo disse:

    Mag e Meg… Os semelhantes se reconhecem. Como também reconhecem poesia de qualidade.
    Parabéns a ambas por nos mostar coisas belas!
    Júnia

  11. Magaly disse:

    Júnia, você vai gostar de ler esses poemas da Marina e vai descobrir que a Mag não os desvendou por inteiro. Cada olhar é um olhar novo, prescruta coisas que o observador anterior não captou. Vou esperar pela reação de cada leitor alcançável .
    Meg e eu agradecemos suas palavras. Beijos.

  12. Meg e Mag. Dupla fantástica, tão inspiradora quanto a literatura suave desta mulher especial que é Marina Colasanti.

    Lembro que meu primeiro contato com ela foi em 1995, quando algumas pessoas queridas saiam do BB e um deles nos deixou um texto. Era a crônica “Eu sei, mas não devia”, que caiu como uma luva para a situação de conformismo que vivíamos e do que resultou uma mudança implacável contra nós, funcionários da instituição, representado por um Programa de Demissão Voluntária (que era voluntária com muita pressão!).

    Aqui, neste belo trabalho da Magaly, é possível sentir com muita intensidade a veia contista da Marina, e que de tão bom, nos convida a ler este livro. Resenha com qualidade é assim: remete-nos de forma direta à vontade de descobrir ou redescobrir o autor.

    Valeu Magaly. Parabéns pela lembrança de Marina, do seu merecido prêmio e do Passageira em Trânsito.

    Abraços nas duas.

    • Magaly disse:

      Ery Roberto, seu comentário causou-nos agradável sensação de aprovação e simpatia. Esta sintonia com os amigos que decidem deixar uma palavra de adesão à nossa maneira de sentir o outro, de interpretar o que vai na alma do poeta que se expressa, levanta a nossa auto-estima, estimula-nos além do esperado. Você acaba de fazer esta proeza e tudo que podemos fazer é apresentar-lhe, no mesmo tom simpático, nosso abraço de agradecimento, desejando-lhe uma boa leitura do roteiro brilhante de nossa poeta muito justamente premiada.

  13. Isabela disse:

    Olá, Meg e Maga.

    Soube, através deste post, que Marina Colasanti recebeu três Jabutis na categria poesia e que receberá o quarto. Vejam quanto desconhecimento de minha parte. Agora, a patir destas recomendações, sinto-me na obrigação de buscar o prazer na leitura de Passageira em trânsito.

    Beijos,
    Isabela

  14. Magaly disse:

    Olá, Isabela, é enorme o prazer de senti-la aqui, entre nós. Aliás, sabendo o quanto você está envolvida com seus estudos e pesquisas, nem sei como ainda consegue visitar os amigos.
    É verdade que, entre os prêmios conquistados por Marina, estão quatro Jabutis: dois em Crônica, um em Literatura Infantil e este agora em Poesia.
    Você vai saber apreciar a argúcia com que ela tece seu discurso poético e sua extrema delicadeza em lidar com emoções e sentimentos.
    Um grande abraço, Isabela, e nosso agradecimento.

  15. Que lindo, Magaly. Deu vontade de ler toda Marina Colasanti.

    • Magaly disse:

      De verdade, César? Pois eu lhe digo que você não vai se arrepender por uma simples razão: eu não consegui condensar naquele texto toda a genialidade de Marina como poeta. Ela nos tranporta a ambientes singulares, a sítios místicos, a míticos recantos, revolve nossas emoções, deixa-nos de alma lavada e nos encanta, enfim, com sua mágica sensibilidade.
      Um forte abraço de nós duas, César, e um sonoro muito obrigada.

  16. Antônio Augusto disse:

    Uma passageira em transe.
    De fato e de direito, é uma passageira em trânsito. Carregada de versos e de emoção e que veio de longe. Da Eritreia. Mas onde fica isso? No coração de uma poetisa, de Marina Colasanti, a Passageira em Trânsito. E em transe poético. Por que a um homem não se diz ciclame? Nem gladíolo? E se esse homem for um jardineiro que colhe versos e flores? Nada disso importa diante da beleza dos versos de Marina Colasanti. Os seus versos trazem a marca de vários lugares por onde ela passou. De quem cruzou os oceanos e voltou incólume com a memória marcada pelos versos. O livro é uma colheita. De versos. De rosas. De sonhos. Trouxe para casa vários poemas colhidos ao longo da viagem, de uma viagem que valeu a pena.
    Colheita

    Trago para casa
    Um poema,
    A viagem já
    Valeu a pena.

    É assim o verso de Marina, sucinto, breve, incisivo. Como uma nota musical. Como uma rosa. Magaly disse tudo. São muitas as Marinas, tantas quantas os seus versos.

    • Magaly disse:

      Antônio Augusto, onde você esconde seus versos? Sim, porque acabo de reconhecer seu texto como tecido poético de fino apelo. Seu comentário é um legítimo poema em prosa, onde a singeleza rege o ritmo das palavras e as arranja harmonicamente. Delicioso bordado artístico. Os fios que você usou para realçar a alma da poeta, destacar seu estilo, alcançar o timbre exato de seu verso se mostram perfeitos e fazem jus à colheita que ela realizou, enquanto em trânsito, em magnífico transe poético.

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  18. Ully Santalices disse:

    estava pesquisando pra um trabalho no meu colegio, que é poesia feminina com a professora Diana s/ poesia e encontrei este assunto. assim por alto, gostei mto do que vc escreveu. Vou copiar pq gostei muito e vou colocar a poetisa e mais as suas explicaçoes no meu trabalho. se a prof gostar vou comprar o livro. tenho 16 anos e quero me formar ir pra universidade e talz. obrigado.
    também achei a senhora muito linda. é sincero.

    • Magaly disse:

      Ully, que bom que você gostou do que escrevi sobre a poesia de Marina e, se vai dar subsídios à sua pesquisa, então fico mesmo satisfeita. Ótimo seu empenho em estudar, alcançar a universidade e preparar-se para uma carreira, para uma profissão. Obrigada pelo elogio no final de sua mensagem, mas não vamos ficar só nesse ligeiro encontro. Você pode me procurar no Orkut ou no Facebook (os que mais ou menos eu frequento).
      Um beijinho doce para comemorar este nosso primeiro contato

  19. Pingback: Pausa (de mil compassos) « Sub Rosa (flabbergasted) v.2

  20. Magaly disse:

    Meggy, foi uma experiência que se renovou, estarmos juntas num post, envolvidas numa homenagem a uma figura de destaque de nossas letras. Só regozijo, isto que conta.

  21. nelson disse:

    Magaly e texto perfeição justa homenagem, ,melhores duas se conhecem nas letras, pausas e simplicidades, lugar comum dos bons sentidos e jovialidades

  22. Magaly disse:

    Nelson, que alegria vê-lo por aqui! Obrigada pelas lindas palavras, arrumadas de um jeito que é só seu e que nos faz exultar de satisfação. Um forte abraço nosso
    Meg e Maga

  23. Vivna de Assis Viana disse:

    Magaly,

    vivo em atraso, a Meg sabe e – importante! – perdoa, mas sempre chego!
    Depois de tantos comentários coerentes e afetuosos, talvez eu devesse dizer que não há mais o que dizer. Há. Coerência e afeto nunca sobram, e prova disso é a abordagem que você faz da obra maravilhosa da Marina, que vai receber mais um prêmio pra lá de merecido.
    A Marina gosta de bordar, sabia? E borda muito bem. Na vida real e na ficção. O primeiro poema que você postou (palavra horrorosa!) é ela, inteira. Autora bordadeira, bordadeira viajante, viajante autora. É ela.
    Goste i muito de te ler, te sentir. E agradeço à Marina e à Meg pela ponte.

    Beijos. Afetuosos, claro.
    Vivina.

  24. Magaly disse:

    Vivina, estou feliz com sua visita e suas palavras de simpatia e afeto. Você sabe ver o lado positivo das atitudes e dos sentimentos.
    Magnanimamente me põe a par do gosto de Marina pela arte de bordar, o que revela a infinita delicadeza com que foi criado o poema ‘Por um Fio’ – a alma da poeta captada e galvanizada em versos.
    Obrigada Vivina, mil vezes obrigada, vou ficar de prontidão para não perder nenhuma dessas suas visitas ao Subrosa.
    Se você não sabe , tenho um bom estoque de doces beijos para oferecer a quem me deixa alvoroçado o coração .
    Sendo assim, um beijinho doce pra você, Vivina.

  25. Nora Borges disse:

    Também sou atrasadinha, mas vim! Faz tanto tempo que não visito blogs…
    Adorei ler o post Meg. Obrigada, Magaly.
    Beijos.

  26. Magaly disse:

    Nora! Você por aqui? Que satisfação sua visita nos traz! Os posts da Meg sempre valem a pena e eu estou sempre aqui por perto, abelhuda como sou. Volte sempre, estaremos de braços abertos.
    Beijos.

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