Tony Curtis – One of the last Hollywood Royalty

Nascido Bernard Schwartz, em 3 de junho de 1925, Tony Curtis morreu ontem, quinta feira, em Las Vegas. Dois dias depois do falecimento de Arthur Penn.  Ufa! que semana!
As notícias e as biografias de ambos estão na internet inteira mas entre os textos escritos  no Brasil eu recomendaria os de Luiz Carlos Merten , um dos meus críticos de cabeceira. Aqui sobre o ator e este outro sobre o diretor.

Como sempre digo, não faço posts com necrológio ou elogio fúnebre, nem poderia, falo somente da minha experiência pessoal  com os filmes que vi.

Tony Curtis with Jack Lemmon in Some Like it Hot (1959)

Tony Curtis e Jack Lemmon-Some Like it Hot (1959)

Tony Curtis later revealed he and Marilyn Monroe had a relationship off the set of Some Like It Hot

Fonte: The Guardian

Tony Curtis: An American Prince, biografia

Tony Curtis e sua biografia: An American Prince

Fonte: ABCNEWS

O título não é meu, já se vê, mas de  um fã do ator na Revista LIFE.
Eu concordo. Tony fez pelo menos dois ou três filmes que são meus preferidos forever and ever:
“Quanto Mais Quente Melhor” (Some like it Hot), 1959, de Billy Wilder. Há uma cena antológica, um das mais eróticas da história do cinema, quando o personagem de Tony se deixa seduzir por uma linda, vulnerável e fatigada Marilyn Monroe/Sugar Kane. A sequência é típicamente de Wilder: montada em paralelo com imagens de um tango dançado por Jack Lemmon (Jerry) nos braços de seu valente e apaixonado partner,  Joe E. Brown (Osgood e seu bocão), responsável por uma das mais famosas “lines” do cinema :
Jerry: I’m a man!
Osgood: Well, nobody’s perfect!

Por cenas como essa é que se diz que Some like it hot é a maior e melhor comédia de todos os tempos.
O outro filme é A Embriaguez do Sucesso”(“Sweet Smell of Success” , 1957), filme bárbaro que não é muito conhecido, mas qualquer cinéfilo vai lembrar por causa do tema e do abominável personagem de Burt Lancaster. O filme é de arrepiar o coração. Ou o estômago. Você que conhece sabe o que é. Quem não viu trate de.
E finalmente, mas não só esses, o excelente “O estrangulador de Boston”/O homem que odiava as mulheres/(Boston Strangler, 1968, Richard Fleischer) filme que até eu- que não entendo nada de cinema – fiquei impressionada com o diretor, com as cenas e, claro, o desempenho de Curtis. Aqui ele contracena com Henry Fonda
(Agora vem cá,  afinal qual é  mesmo o título em português desse filme: é O Estrangulador de Boston ou O Homem que odiava as mulheres? Vou logo avisando que sinceramente não sei. Vi o filme pela televisão, sabe como é, estou confusa e não há São Google que me responda direito então vai aqui o link para o homem que inspirou o filme,  Albert de Salvo). Vou logo avisando pra não confiarem em mim.

Filmes como esses  me fazem esquecer minha birra pessoal com Tony Curtis (é assim que eu sou, figurati!, tenho birra com altas figuras hohoho). Para falar a verdade eu até pensava que ele já tinha morrido – ignorância é meu nome do meio – a birra é com o que ele, indelicadamente, disse de Marilyn Monroe, santa e deusa do meu altar e não vou ajudar a divulgar aqui. Melhor mostrar o texto abaixo, do blog “O aviador inglês”, que fala lindamente dos dois:
Caso este video seja bloqueado (depois falam mal e perseguem (d)os torrent’s guys) ouça e veja aqui.


“[…]I’m through with love, essa canção de dor de corno originalmente interpretada em Some like it hot (Quanto mais quente melhor), é uma interpretação fabulosa. Melancólica, ela anuncia-nos que desistiu do amor, e canta a sua dor num vestido negro, condizente com o seu luto pelas ilusões perdidas, mas com os peitos semi-descobertos. E tão provocante é o seu desconsolo que vemos o desejo no rosto de Tony Curtis, que se lança do quarto para a sala onde ela actua, como se aguilhoado pelo canto da sereia. Tão transparente é esse desejo que esquecemos o vestido dele, o gesto tão feminino da mão que segura a estola, e exultamos com o seu arrojo em saltar para o palco e beijá-la na boca, para espanto e fingido horror dela. […]”

-=-=-=-=-=-

Com a morte de Tony Curtis, de fato, como diz o fã , vai celeremente desaparecendo uma espécie de dinastia que era composta por casais como Tony e Janet Leigh, Bogart e Lauren Bacall, Debbie Reynold e Eddie Fischer,Sinatra e Ava Gardner e tantos outros que você só vai saber pelos obituários ou se tiver acesso às revistas do século passado ou do mais passado ainda, como Cinelândia, Filmelândia e  outras que são vendidas a peso de ouro nos sebos especializados.

Não deixe de ver as fotos dessa royalty aqui. Dê uma olhada.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

18 Responses to Tony Curtis – One of the last Hollywood Royalty

  1. Um dos poucos filmes a qu assisti com papai foi com Toni Curtis. Isso pq Seu Manuel não era dado à diversão; ao contrário da minha mãe, chamada de Gilda ( a do filme) lá nos cafundós de Minas.
    Ele tb pintava quadros …não é?

  2. sub rosa disse:

    Rosezinha:-)
    Você viu isso no cinema? Mentirosa:-) Vc deve ter visto outros. Esse é daqueles que a gente só viu na tv ou nos cineclubes. A gente não tinha idade pra isso, certo?
    Ah, sim, agora li melhor e entendi, vc viu filmes do Tony, não exatamente ” Quanto mais quente melhor”…
    Mas ir ao cinema com o pai, que farra!. Doce, pipoca, guaraná… tudo.
    beijo

    • sub rosa disse:

      Sim. sim, Rose, putzgrila! esqueci de dizer isso no post, ele virou um ótimo pintor, chegou mesmo a fazer sucesso.
      Ei queria ter dito que ele foi bem sucedido. Casou 6 vezes, a filha Jamie Lee Curtis deixou por muitos anos de falar com ele.
      Não seria fofoca, pois tem a ver com a carreira dele. E afinal, ela é que fez o anúncio da morte.
      Ela é figura muito respeitada nos meios…
      bj.

  3. Putzgrila! Onde estava essa palavra? Ela sim , da nossa geração. Nunca menti idade.
    Mas é assim: eu fui ao cinema com papai uma vez, ver O convidado bem trapalhão, com Peter Sellers. Foi demais,pq ele nunca saía, só trabalhando. Minha mãe se atirava no chão e cobria-se com o tapele! Bem horrível, porque ela fazia teatro, era bem exibida antes de casar com ele…Mas estou falando de mim , putzgrila, Meg…É que passei a noite acordada com meu cachorro q está doente. O filme a que me referi é ESSE a que vc se refere sim…

    • sub rosa disse:

      Ah! bom…
      Hahahah, dá vontade de rir só de lembrar o Peter Sellers detonando tudo, um verdadeiro Átila:-(
      Ahh! Rose, tomara que tudo dê certo com o Yuri. Estou torcendo, por aqui.
      Um beijinho

  4. magaly disse:

    Dívida grande, Meg! Cinco posts sem visitar, mas dou uma passadinha em cada um, pode contar, com comentários breves para acertar a marcha.
    Pra começar, você me pega bem à beça.’Quanto mais quente melhor’, posso dizer sem exagerar, é a comédia mais bem construída do cinema americano .Marilyn é aquela beleza e graça inimitáveis e Tony Curtis, versatilíssimo. Aqui pra nós, enjoava um pouco a sua beleza de rosto, mas sua veia artística suplantava qq senão. Seja feliz onde possa estar agora, Tony.

    • sub rosa disse:

      Maga querida; vc vir aqui hoje já é uma alegria potencializada, significa que vc – graças a Deus, está menos sobrecarregada, que as coisas estão mais a contento, pouco a pouco se recolocando em lugar, não é?

      Perfeito o que vc diz sobre Quanto mais quente melhor, concordo exata e justamente com o que diz (fico feliz em falar de Billy Wilder. Agora se tem mais Jack Lemmon e/ou Walther Mattau, aí é o ouro sobre o azul:-)
      Marilyn , sou suspeita pra falar:-))
      ===
      Aah!!! eu também, eu também.. achava a beleza do Tony Curtis, sei lá, tipo assim, exagerada:-) Mas vc sabe, não é? ninguém é responsável pela cara com que vem ao mundo:-)

      Beijos, minha linda querida.

  5. Allan disse:

    A saída de cena de Tony Curtis faz-me sentir um pouco mais solitário.

    • sub rosa disse:

      É assim, não é?
      Eu devo confessar, como já disse no post, que não sabia, não acompanhei sua carreira, os inúmeros casamentos etc.. No meio do caminho – assim dizem – ele sofreu uma decaída exatamente à medida em que ia perdendo a beleza: filmes cada vez menos artísticos, enfim, foi ficando feio foi esquecido pelos studios e pessoas ligadas à constituição de *casts*.
      Uma pena! Mas vai ver, ele aproveitou bem, morrer aos 85 anos deve provar isso. Ou deveria.
      beijos

    • sub rosa disse:

      Tereza, vou lhe dizer uma coisa e lhe dou toda a razão se vc, porventura, não acreditar; não há porém motivo para não ser verdadeiro: qyando fiz este post, quis dedicar a vc , depois eu pensei muito, pensei e achei que vc, por ser muito intelectualizada, poderia não achar legal… Fiquei pensando será que a Tereza vem? Se vier, comentará?
      Ainda mais em véspera de eleições hohoho (que coisa, hein?)
      Pois bem fiquei feliz por vc ter vindo e pelo link.
      Claro que adorei, e eu não sei bem, vc saberia me dizer os dias em que está passando (reprise de reprise) da minissérie *BLONDE*? Eu vi que a Oates realçou bem no livro que é base da série, esse talento literário da Marilyn. Vc sabia, deve saber, claro vc sabe tudo:-) que isso foi sempre motivo de chacota, motivo de risos.. etc.
      Mas o poema que ela escreveu e foi sempre um dos meus preferidos está lá:
      “Socorro, socorro
      sinto a VIDA avizinhar-se.”
      É demias. É incrível. Vi isso, pela primeira vez, numa edição italiana.
      Obrigada, querida. Não deixe de me dizer, de me informar sobre essas pérolas maravilhosa que só vc sabe e descobre:-). É um grande alento pra mim.
      Um beijo.

  6. Luma disse:

    A vida é éter! Tanto se faz, tanto não se faz, para no final dar no mesmo!

    “Memento, homo, quis puluis es et in pulverem reverteris”
    “Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó has de voltar”

    Mais ou menos sei o que ele disse, mas também não vou divulgar. Pior foi o que disse o estilista do filme. Mas enfim, dor de cotovelo, né?

    O papel que mais gostei foi em “Spartacus” de Stanley Kubrick que atuou ao lado de Laurence Olivier.

    Foi um homem bonito que não soube amadurecer.

    Beijus en tu alma!

    • sub rosa disse:

      Luma, já lhe disse o quanto fiquei feliz com seu comentário. Vc é mesmo muito especial. Não demore tanto a vir aqui, tá bem?
      besos en tu alma, também, querida.
      :-)

  7. Meg

    Já percebeu o jeito criativo e efetivo com que a Magaly conversa – escrevendo?
    É muito descolado e criativo! Cada palavra equivale a uma espécie de proximidade afetiva que não parece virtual. Ela faz uma mágica.

    O post é sobre o Tony Curtis mas não posso deixar essa minha percepção. Ponhamos lentes mais fortes e reparemos o texto dela. Incrível.

    • sub rosa disse:

      Claro, Rose, e fico feliz que vc – que conhece e entende da arte de escrever diga isso. Eu vivo repetindo. Mas todo mundo vive dizendo que elogio todo mundo:-(.
      Acho que confundem crítica com gentileza. Fico triste, mas eles julgam assim porque só falo do que gosto. Ao que não gosto reservo e destino o silêncio.
      Voltando: acho sim que a Magaly tem uma prosa encantadora, mágicca e muito precisa. É excelente crítica.
      Não é à toa que é poetisa. Já leu os poemas dela? Pois precisa e devia ler. Sua leitura seria muito importante para todos. Prontinhos para serem “enlivrados”.
      Um beijo.

      P. S: não consigo entrar no site do vídeo que está no seu blog tão lindo. Para dizer o mínimo.

  8. tereza disse:

    Meg, eu já achei legal só por ter pensado em dedicar o post a mim:) Muito obrigada. E quando você diz que eu sei tudo, já vi que gosta de brincar hahaha! Eu sei muito pouco sobre a Marilyn, só o que todos já sabem, mas quando li o texto pensei logo em você. Mas você, sim, deve saber tudo que já foi publicado sobre ela:) Gostei demais do poema .Sentir a vida avizinhar-se, quando tudo o que ela queria era morrer.
    Sobre a minissérie “Blonde” eu não sei quando vai passar.Se souber eu lhe digo. Ah, eu não sou muito intelectualizada.Gosto muito de ler e hoje só leio o que gosto:)
    Beijos.

  9. magaly disse:

    Com licença, Meg, quero mostrar minha infinita surpresa a vocês duas, Rose e você, pelos comentários sobre meu jeito de falar. Você sempre me estimulou e sempre acreditei que fosse uma espécie de encorajamento para que eu ousasse mais. E agora vem Rose descobrindo qualidades de que eu nem suspeitava. Ai, que vontade de abraçá-las, pq confio na sinceridade das duas e pq, a esta altura da caminhada, isso é um afago inestimável.

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