Sub rosa: Axiomas

Agora em meu retorno, após quase um ano no estaleiro, me vem uma sensação em que creio que não tenho mais ou quase não tenho mais nada a dizer em blog. Os blogs agora parecem fora de moda, depassés, exceto os de política ou os corporativos.
Isso merece um post: *para que serve um blog, after all?*(***)
Vejo uma quantidade imensa de blogs que eram meus favoritos e que ao se chegar lá há uma mensagem : “aberto exclusivamente a leitores convidados”, beijomeliga. Pfui! Triste! afinal o que  eu posso fazer pra ser convidada? Eles nem vão saber que eu fui lá:-( . Lembro  o  grande Groucho Marx:  “Não entro pra clube que me aceita como sócio”…
Então, fico chupando o dedo, imaginando que meu tempo (o tempo do blog) passou. É como diz na missa: ‘felizes os convidados par a ceia do Senhor’.
Volto cabisbaixa. E vou me queixar à Magaly que tem uma percepção muito correta do que acontece e do que deixa de acontecer:-)
Insisto, porém – já que estou alegre e cheia de vida (e cheia de amor pra dar, hoho) – pelo menos por algum tempo, nos meus poemas, nas minhas rosas e fico com a leve impressão de quando eu deixar de fazer o Sub Rosa, já vou tarde, como diria o Chico, na canção.
Me voilà:

AXIOMAS
Orides FontelaSempre é melhor
saber
que não saber

Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer

Sempre é melhor
desfazer
que tecer

Sem mão
não acorda
a pedra

sem língua
não ascende
o canto

sem olho
não existe
o sol .

Orides Fontela (São Paulo, 1940- 1998)
P.S. Não deixem de ler o artigo do também Poeta Donizete Galvão no mesmo site.
Infelizmente, esgotadíssimo, a Livraria Duas Cidades editou a obra completa de Orides, na admirável coleção “Claro Enigma”

****
That is it.

***Em tempo, ainda em tempo:
Fui visitar o querido  Lord Broken Pottery e lhes digo, esqueçam tudo o que eu disse acima. Vim de lá a tal ponto tocada que  só posso, sem palavras, recomendar que leiam aqui:

Maria Guimaraes Sampaio

e aqui:

Alguém escreveu

Toques de encantarias. Alumbramento.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

16 Responses to Sub rosa: Axiomas

  1. Pode parar, dona Meg, que os blogs continuam com força total. Quem disse que acabaram? E ai da senhora de parar de postar, hein! :) E, se um blog só aceita convidados, devem ter lá suas razões. Há tantos outros abertos. Não dou conta de ler todos que assinei em meu Google Reader.
    Que bom saber que estás a mil por hora!
    Quero continuar tendo boa leitura na blogosfera, e aqui é uma referência, entendeu, lindinha!!!

    beijo, menina

    • sub rosa says:

      Hahaha!
      Ei, Dêzinha, eu não disse que acabaram, só disse que era uma impressão minha. Mas se vc tá dizendo que não, então eu acredito. De fato, eu deveria dizer que há imensas exceções que viriam confirmar a regra.
      Agora, ponha uma coisa na cabeça: blogs como o seu , o da Marilia e outros (não quero ser injusta mas são raros) – tem justamente a força de quem faz opinião, de quem aponta um caminho alternativo, provoca reflexões, com segurança e conhecimento. Há também os que adoro – os satíricos, de humor corrosivo (redundância, porque só entendo o humor como sendo satírico) e já estão rareando.
      Agora, querida, veja bem, eu sou old school, do tempo em que blog era puro deleite, e o destino de quem começa cedo é justamente se ver superado.
      Mas, enfim, pra receber esse seu carinho, apoio e força, tamos aí:-)
      Beijo.

  2. Sua impressão está erradíssima. A gente escreve muito mais pra gente do que pros outros. Continue fazendo bem a si mesma, e deixe que aproveitemos um pouquinho. Foi muito duro esperar você voltar. Uma falta medonha…
    Beijos

    • sub rosa says:

      Ah! Lord, coisa mais linda de se ouvir, de se ler.
      É bom demais quando a gente está “errada a favor”:-).
      Agora, na verdade, mesmo o que é inerente ao texto bom é a irradiação para quem lê, do talento. No seu caso, a capacidade de surpreender, o novo, o signo da criação. É esse o diferencial. É isso que sugere o comentário do Allan quando ele fala de conteúdo.
      Queria escrever assim.
      Mas vou tentando escrever ao meu modo mesmo, embora – e isso é que deve ficar claro na minha cabeça: não sei fazer, só sei – e acho que muito bem, modéstia à parte, descobrir o valor, reconhecer e separar o que é bom do que não é. Não sou crítica, por acaso, sou crítica por estudo e vocação:-)
      Um beijo e thx, milord

  3. magaly says:

    Oi, Meggy, só alegria hoje. Você aqui, trazendo poesia pra gente, encantando como sempre, apresentando poetas que não conhecemos. Obrigada por levar-me a Orides Fontela, uma poeta de alma triste, de vida curta e difícil, de destino penoso, mas uma fonte de lirismo sem enfeites, positivo, acabado.

    “vemos por espelho
    e enigma

    (mas haverá outra forma
    de ver?)

    Novamente obrigada, inspirada amiga.

    • sub rosa says:

      Isto mesmo Maga, vc acertou no alvo: vida difícil, destino penoso.
      A atormentada Orides Fontela era ela própria e ao mesmo tempo, enigma e espelho.
      Poetas entendem poetas, não é?
      Beijos, querida

  4. Teruska says:

    Meg…nem pense nisso! Pelamordideus! Aos poucos a gente vai reencontrando o fio da meada, os amigos que nos encantaram por tanto tempo ainda estão por aí…talvez em outros endereços, mas estão…

    • sub rosa says:

      Ah Teruskaya, quanta saudade. Vc tem razão, ser descoberta e descobrir o fio do estar; a permanência do encanto… isso é mesmo mágico.
      Vc me dá muito mais do que mereço.
      Que belo reencontro, não é?
      bjs, querida.

  5. Allan says:

    A profusão de blogs indica que vai demorar para que elels possam ser classificados “depassés”. Por outro lado, hoje em dia é mais difícil descobrir quem realmente tem conteúdo. Vamos combinar o seguinte: você aproveita toda essa euforia e energia positiva para continuar escrevendo. Nós vamos continuar lendo. Simples assim.

    :)

    • sub rosa says:

      Boa observação, como sempre, Allan, sobre a minha impressão (errada, segundo o Lord).

      Então, tá combinado: embora lentamente e aos poucos, vou continuar escrevendo.
      Ainda bem que escrevo em portugues, imagine se eu tivesse que me defrontar com o bicho papão da doppia consonante:)
      bjs, meu querido amigo.

  6. marilia says:

    Você escreve. Nós lemos.
    Faz bem pra pele*.

    E, principalmente, pra alma…

    Beijos, dear.

    marilia.

    *Quando alguém me pergunta o motivo de alguma coisa que é boa por si mesma, eu respondo que é porque “é bom pra pele”. Assim acaba a ânsia dessas pessoas que acham que deve haver um motivo pra tudo.

  7. Ms o blog é o que ainda acomoda o corpo da escritra. Porque o facebook pode acomodar os pés, ou ser encosto de cabeça.
    Por mais que se quebrem os ossos do texto e se tente ocultar o cadáver, o corpo pesa e se estende às alturas , onde as mãos ainda romântica – quiçá simbolistas – amassam astros e lhe dão formas modernas.
    O blog é latifúndio aberto a quem quiser; facebooks da vida não são invasão ( Alvarenga e Ranchicho, ou menor, Rita e Jabor), mas papel distribuído na esquina: “Olha o prédio Passarinhos no milharal”, baratinho!.
    O blog é um prédio, Meg, ou uma casa no campo. Não isso, escrevo com carvão lá no chão da rua.

    Beijos

    • sub rosa says:

      Uau, Rose:
      é como eu digo e já lhe disse, o texto em vc já vem polido e é um *rebento*. Arrebentação. Sem muro de arrimo.
      Quem, por natureza (e sem photoshop), escreve dessa maneira, certamente escreverá em qualquer lugar.
      Concordo com vc, pois esse era um dos objetivos do blog (instrumento), inicialmente
      Como disse o Lord, escrevemos, most of all, para nós mesmos, mas queremos conservar ou adquirir, um pouco mais de gana, garra e talento.
      O que , aliás sobra em vc.
      Adorei as metáforas. Merecem um post:-)
      Beijos, querida.

  8. Meg querida, eu fico tão feliz com a sua recuperação e a sua volta! Bóra bloguear, que há muito a dizer e muito a fazer neste meio que aproxima tanto as pessoas. Eu passei o último mês afastada, mas por razão de uma tendinite brava que tenho, e que doeu muito, não me permitindo teclar. Mas estou voltando, e quero fazê-lo em sua companhia, e na de gente como a grande poeta Orides Fontela, que você traz! Beijão.

    • sub rosa says:

      Jana querida, queridíssima
      que convite tentador. Aliás, troquemos idéias sobre a dor: estou com dor no braço, não seja bursite…
      (É isto que dá falar com poeta, filha de poeta).
      Voltemos, então. Apoiemo-nos:-)
      bjs, querida

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