Uma vida fabiana

Vidas Secas - 70 anos - Edição Especial Edição especial que contém, além do texto integral, fotografias de Evandro Teixeira que, durante dez dias, percorreu o sertão nordestino especialmente para produzir as imagens deste livro. Publicação prevista para 28/11/2008.

Olá pessoal.

A nossa Meg não está bem de saúde e me pediu que viesse aqui para agradecer a todos vocês, leitores do Sub Rosa e amigos que enviaram seus depoimentos e deixaram comentários durante esses dias de comemoração.

Ela também me pediu para publicar meu depoimento, o texto “Uma vida fabiana” e o artigo “Enxada versus caneta: educação como prerrogativa do urbano no imaginário de jovens rurais” em seu outro blog Textos Especiais.

Fico encabulada, confesso, mas não consegui me escusar: quando tentei falar com ela ontem à noite, não pôde me atender. Assim, antes de irmos aos Textos Especiais, breves explicações sobre os textos.

No início deste ano, ao concluir uma especialização, depositei uma monografia onde procurei homenagear “Dialética do esclarecimento” (1947-2007), obra de Adorno e Horkheimer e “Vidas Secas” (1938-2008), de Graciliano Ramos. Abaixo, seu resumo:

Além de homenagear os aniversários de setenta anos de Vidas secas (1938-2008), romance de Graciliano Ramos, e de sessenta anos de Dialética do esclarecimento (1947-2007), clássico dos filósofos Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, este trabalho é uma análise comparativa entre o imaginário de Fabiano – personagem de Vidas Secas – e o de jovens da zona rural do sul e sudeste do Brasil pesquisados por Maria José Carneiro (1998), para discutir a educação como prerrogativa do urbano no imaginário do homem rural. Através da análise de resultados da referida pesquisa de campo (CARNEIRO, 1998), pôde-se constatar que, tal qual Fabiano, o homem rural ainda percebe a educação como prerrogativa do urbano, tendo as vezes que optar entre sair do rural para freqüentar escolas e universidades ou ficar, se não tiver aptidão para os estudos, ocorrendo, dessa forma, a antinomia do título deste trabalho: enxada versus caneta. Ao mesmo tempo, o esclarecimento está associado à evolução, modernidade e domínio da natureza, visão que é dialética e filosoficamente criticada por Horkheimer e Adorno (1985) na obra também objeto desta homenagem. Este trabalho também enfoca o fenômeno da desruralização em busca de educação e qualidade de vida, políticas públicas de incentivo à permanência no campo e as novas configurações dos espaços urbanos e rurais. Ressalta que o desenvolvimento rural deve ser promovido porque é um direito do cidadão rural, que este deve ter acesso a educação em seu espaço de origem para que não continue a ser forçado pelas circunstâncias a optar entre sua profissão e a educação, ou seja, enxada ou caneta.

Em outubro, para participar de um colóquio internacional de educação, converti a monografia em artigo e, já que precisava resumir o trabalho a um máximo de quinze páginas, retirei a crítica filosófica de Adorno e Horkheimer, mas consegui publicá-la a parte, na Revista Autor, com o título “Uma vida Fabiana” em 01-Nov-2008.

Quanto ao artigo apresentado no colóquio, estou aguardando o parecer – tomara que uma carta de aceite – de uma revista. Assim, pelo menos por enquanto, não poderei atender ao pedido de Meg e postá-lo em Textos Especiais, pois uma das exigências para sua publicação é que seja inédito. Mas vejam como ficou o resumo de seu resumo:

Este artigo […] adotou trabalho de campo de Carneiro (1998) sobre o ideal “rurbano” dos jovens de duas áreas rurais do sul e sudeste do Brasil e o comparou ao imaginário de Fabiano, personagem do romance Vidas secas de Graciliano Ramos (2006). Tal qual Fabiano, embora desejem educação, os jovens pesquisados a percebem como prerrogativa do mundo urbano, enquanto o espaço rural é visto como lugar de trabalho , tendo que optar entre sair do rural para freqüentar escolas e universidades ou ficar, quando não têm aptidão para os estudos […].

Em Vidas Secas, vocês devem lembrar, um dos filhos faz uma pergunta à Fabiano e este “vira o rosto para fugir à curiosidade infantil”. Acha que os filhos não têm o direito de saber, porque vão querer aprender sempre mais. O que eles devem aprender mesmo é a cortar mandacaru, amansar gado, consertar cercas… No entanto, já no final do livro, quando mais uma vez fogem da seca em direção à cidade grande, pensa nos filhos “em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias”. É esta antinomia que meu trabalho aborda, comparando-a a resultado de trabalho de campo realizado por Maria José Carneiro, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em 1998. Espero que ele seja publicado.

Meg manda beijos.

Um abraço,

Isabela.

Textos especiais – Uma vida fabiana

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11 Responses to Uma vida fabiana

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  2. Isabela,
    Não esqueça de me avisar quando sair o artigo, tá?
    Beijo

  3. Orlando Gemaque says:

    Estava estranhando pois a Meg falava muito do Ricardo e da Vivina e do seu texto, professora, assim que parabenizo você pelo excelente artigo que agora vou poder imprimir.
    Um abraço

  4. Orlando Gemaque says:

    Em relaçao à foto da capa do livro, é impressionante como se reconhece uma foto do Evandro Teixeira.

    Não sabia, nem os colegas aqui, dessa publicação.
    Depois desses trabalhos todos, que lemos, ele já se tornou fácil fácil, um dos meus escritores preferidos.
    Qual é mesmo a editora?
    Outro abraço e parabéns.

  5. Celia Tralk says:

    Isabela
    Moramos em Munique, e meu marido foi aluno de Filosofia da Meg. Ele leu e ficou encantado com a riqueza do seu trabalho, encadeamento entre os autores alemães e Graciliano Ramos.
    Pela consistência seu trabalho merece ser publicado e estudado não só no Brasil.

    Parabéns a você e a toso que participaram nesta homenagem.

  6. Celia Tralk says:

    todos, evidentemente.

  7. marilia says:

    Um belíssimo trabalho, sem dúvida.

    = = =

    Como está a Meg??

    = = = =

  8. Isabela says:

    Muito obrigada, Orlando. A editora é Record.

    Lord, eu ou Meg avisamos, sim. Obrigada.

  9. Magaly says:

    Olá , Isabela, fala a sua conterrânea. Você parece constrangida a pisar em terreno alheio, mas Meg é assim, confiante , consciente da boa índole de seus escolhidos e nos abre seu espaço como nos abre seu coração.
    Você está tão bem aqui como nos outros sítios em que a encontrei. e gostaria, como disse o Lord, de saber da publicação de seu trabalho.
    Na realidade, o que temos a fazer é agradecer sua presença entre nós e receber as luzes de seus conhecimentos, eu, por mim, com humildade fabiana.
    Um beijinho pra você

  10. gugala says:

    melhoras, meguita

  11. Isabela says:

    Oi Célia, obrigada. Pesquisar é perceber e descobrir estas ligações. Beijos.

    *

    Oi Marília, estou aguardando notícias, mas acredito que Meg está se restabelecendo. Obrigada por perguntar.

    *

    Magaly, você é um amor, transmite gentileza a cada palavra. Gostei muito de seus comentários lá no Textos. Assim que o artigo sair, avisamos, sim. Obrigada e um beijo.

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