ANA C. (Updated)

A TEUS PÉS

HOJE, a poeta Ana Cristina Cesar (1952-1983) será relembrada, na passagem dos 25 anos de sua morte, em evento especial com o título acima, que é também título de seu livro mais conhecido. A reunião inclui o lançamento de Antigos e Soltos(*), livro que traz material inédito da autora, poemas, trechos de diário e relatos de viagem, doado ao Instituto Moreira Salles por sua mãe, Maria Luiza, e organizado por Viviana Bosi.
Na programação da noite estão previstos a leitura de obras de Ana Cristina pelos poetas Antonio Cícero, Claudia Roquette-Pinto, Francisco Alvim, Eucanaã Ferraz e Angela Melim, e um debate com Armando Freitas Filho, Clara Alvim e Viviana Bosi.
As atividades acontecem no auditório e telões serão instalados para que o público também possa acompanhar tudo em outros ambientes do centro cultural.

Auditório do Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea,
Telefone: 3284-7400. Quarta (29), a partir de 19h30. Grátis.

POESIA

olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas

In: Ana Cristina Cesar – Correspondência Incompleta – Organização: Armando Freitas Filho e Heloisa Buarque de Hollanda. Editora Aeroplano

FAMA E FORTUNA

Assinei meu nome tantas vezes
e agora viro manchete de jornal.
Corpo dói – linha nevrálgica via
coração. Os vizinhos abaixo
imploram minha expulsão imediata.
Não ouviram o frenesi pianíssimo da chuva
nem a primeira história mesmo de terror:
no Madame Tussaud o assassino esculpia
as vítimas em cera. Virou manchete.
Eu guio um carro. Olho a baía ao longe,
na bruma de neon, e penso em Haia,
Hamburgo, Dover, âncoras levantadas
em Lisboa. Não cheguei ao mundo novo.
Nada é nacional. Desço no meu salto,
dói a culpa intrusa: ter roubado
teu direito de sofrer. Roubei tua
surdina, me joguei ao mar,
estou fazendo água. Dá o bote.

Mais Ana Cristina Cesar:

SONETO

Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

FLORES DO MAIS

devagar escreva
uma primeira letra
escreva
na imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais

INSTITUTO MOREIRA SALES

POESIA.NET

GERMINA LITERATURA

Update: Queridos, chamem-me do que quiserem, digam que sou boboca, baboca , bobaca;-) or whatever, mas que estou faceira e muito de narizinho pra cima (ui, que dor) ah estou! Olhem só o que ganhei:

Um link no Portal Literal: http://portalliteral.terra.com.br/links/sub-rosa

Sim, sim, claro eu sei, que não foi só essa que vos tecla. Mas se considerarmos que a indicação do Sub Rosa veio da escritora Cecília Gianetti, sim, ela mesma, a nossa Berliner então, estou igual  a um que? A um albatroz ,para lembrar o Poeta, librando  a mil palmos do chão. Se quiserem podem comentar, votar, o que seja.

Ah! e por favor me deixem dizer aquele irresistível: Conheceram, papudos, tá?;-))) Não vou perder votos por dizer isso, não? É, porque, se se registrarem e votarem, a coisa vai ficar melhor ainda.;-)

Beijos e até mais.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

14 Responses to ANA C. (Updated)

  1. ana vidal disse:

    Gosto muito, muito da poesia dela. Foi uma perda grande e muito prematura, infelizmente.

    Mas gosto ainda mais de te ver de volta, amiga!

    beijão

  2. marie tourvel disse:

    Que lindo soneto, Megleen. Feliz que tenha voltado a postar. :) Um grande beijo, amiga querida.

  3. ana vidal disse:

    “Poesia, tecnologia, política e charme. Se ainda são perdoáveis os trocadilhos na era eletrônica, quem não bookmarca este marca touca.”

    Quem o diz é a escritora Cecília Giannetti, recomendando o SubRosa nos Links Comentados do belo Portal Literal (literatura brasileira): http://portalliteral.terra.com.br/links

    Sim, sim, o SubRosa! Vocês leram bem, amigos.
    A nossa Meg não merece menos que isso, certo?

    =-=-=-=
    Ana V., és uma qu’rida:-)
    Obrigada,
    só tu mesmo:-)))

    E se não fosses tu…
    Beijos

    P.S. Ah Ana a Cecília Gianetti, escritora, blogueira, jornalista da Folha de S. Paulo, ela é a editora do Portal Literal, e está fazendo um belo trabalho. Quieria chamar atenção para a interatividade. Soube que podem ser todos colaboradores. Escrever para o Banco de Dados etc… Se puderes, vái lá e detém-te a ver sobre isso.

  4. sub rosa disse:

    Queridos todos:
    Ana V. , na verdade acho que escrevi mal dizendo que Ana Cristina seria* relembrada*, não achas?
    Relembrada não é quando a pessoa está esquecida e aí voltam a lembrar-se dela.?
    Pois então. Não é o caso.
    É por isso que estou escrevendo pouco. Não acerto o tom.
    Mas tens razão, Ana C. é grande no poesia e na prosa. Quanto mais o tempo passa, o distanciamento deve provocar , no meu entender, não mais publicações dela mesma, mas de estudos apurados sobre ela escreveu e publicou. Como tradutora, por exemplo. Com a imodéstia de sempre ;-) é o que acho.
    *****

    Marie, olha só outra coisa advogando a favor da minha ausência: Eu coloquei dois poemas diferentes sob o título SONETO.
    Só agora reparei e corrigi. E FLORES DO MAIS, dedico a você, que é uma alusão intertextual a Flores do Mal do seu, nosso querido Baudelaire.

    Então? Está provado que esse meu estado não é o melhor para escrever?
    ****
    Ah! sim, Ana V.: Obrigada por lembrar.
    Estou muito faceira mesmo com o link recebido, ainda mais sendo de quem proveio uma escritora que admiro muito e que no momento e está escrevendo um livro muito aguardado num projeto especial – ela escreve tendo com realidade material/ espacial/geográfica a cidade de Berlin.

    Ah se alguém quiser me ver sorrir mais:-) vá até o Portal e deixe um voto de aprovação.

    ****
    No mais, eis porque não estou escrevendo com mais freqüência.
    Tenho muito a agradecer ao querido Paulo Cunha Porto, ao querido Huckleberry Friend do Codornizes,
    ao Nelsinho do Mukandas e à querida Marília.
    pelos dardos e não só.

    Estou escrevendo sobre Graciliano Ramos – este ano comemoramos os 70 anos da primeira edição de VIDAS SECAS.
    Mas a nevralgia , as dores no rosto, são intensas e me impede de fazer o que mais gosto responder aos comments.
    Ery Roberto, vc escreve tão bem que lê-se e fica-se sem palavras para resposta; Aninha, você é toda amor e inteligência e graça – obrigada por tudo.
    E fiquem certos de que estou aleerta para o carinho de vocês todos. E agradecida.
    Vão ao Portal, hãn?
    ;-)
    Beijos e até mais.
    Meghz

  5. denise rangel disse:

    Meg,
    Acabei de ver um poema da Ana Cristina, no blog da Marcia Clarinha. Não a conhecia (que lapso). Obrigada por compartilhar conosco.
    Parabéns pelo link no Portal, hein. Mereces, mereces…
    Ótimo fim de semana!
    beijo,menina

    =-=-=-=
    Beijo, Denise, sei que recebes os feeds do SR, mas é sempe uma alegria ver-te aqui.
    Obrigada, minha linda

  6. Magaly disse:

    Meggy, Meggy, que beleza! Eu vi e por pouco não perdi. Acabei de tornar a formatar o computador (mudei pro Vista) e, por isso, estava absorvida a instalar impressora , anti-espyware, antivírus, esses programas indispensáveis para segurança, quando de repente parei tudo para ver se havia algo postado no Subrosa, como faço praticamente todo dia. E lá estava o Subrosa invocado e por quem!
    Parabéns, parabéns, parabéns, mil vezes parabéns! Fala quem tem olhos de ver e autoridade para julgar.
    Vc tem que estar faceira, gente!
    Muitos beijos.

  7. Magaly disse:

    Tão embevecida fiquei que cometi o pecado de não me referir à poesia de Ana C., poesia com alma, ora seca, ora pedinte, sempre vibrante. E à força que é a voz que a indicou, Cecília Giannetti .
    Agora vou fazer o que compete a nós todos, fiéis leitores do Subrosa – votar .
    Sábado ou domingo, devo ligar para comemorar, hein? Sábado passado, liguei e deixei recado.
    Mas um beijinho, garota

    =-=-=
    Poi sé , minha flor, eu estou agora, agorinha ligando para você, minha docinha.
    Beijos
    Obrigada.
    Sua
    Meggy

  8. marilia disse:

    eu digo, eu digo…

    tenho sempre muito a aprender aqui!!!

    beijos queridíssima meg!

  9. marie tourvel disse:

    Cadê a “nossa” Cecília mesmo, Megleen, querida? ;)
    Beijocas!

  10. aninha pontes disse:

    Meg querida, seja lá quem quiser aprender alguma coisa, e coisas boas, é só aparecer aqui.
    Local de se aprender muito.
    Com você estamos sempre aprendendo.
    Você é dez. Ou a nota máxima.
    Beijos querida.

    =-=-=-=-=-=

    Minha Aninha, minha Aninha querida
    Estaou indo lá com você e tenho que avisar o escritor Valter Ferraz, que lá no Portal está sendo feita uma homenagem ao padrinhos dele de escrita o grande JOÃO ANTÔNIO.
    Como estou com compromisos por aqui, não fiz nada, mas o Valtyer é descendente em linha direta de João Antônio e obrigada pelas palavras. Mágica forma que você tem de sempre nosa tocar o coração e a mente.
    Muitos, muitos beijos.

    E ah! Aninha estou notando o email diferente: vou precisar de um certo apoio seu, numa causa aí:-)))

  11. Meg, querida,
    A indicação é muito mais que merecida. Poucos divulgam cultura como você e, sabemos, é só o que vale ser divulgado. Quando ao fato de estar escrevendo sobre Vidas Secas, fico feliz. Escrito em 1938, era um livro que não teria sobrevivido se o velho Graça vivesse mais do que viveu. Dizia-se que cortava tanto, enxugava tanto o texto à cada edição, que o livro acabaria em pouco tempo. Certa vez, testando os conhecimentos de meu pai, pediu que cortasse o maior número possível de “que” do livro. Graciliano achava que (eu até que os uso) estragavam a qualidade do que estava escrito. O velho Ricardo foi lá, e conseguiu excluir quatro, para admiração e enorme espanto do famoso escritor. Histórias de família… (o velho também não gostava de reticências, dizia que preferia dizer).
    Beijos
    =-=-=-=-=-=
    Aaaaaaai! Lord, que maravilha esses bocados de magia da vida que desconhecemos dos escritores. Obrigada por nos enriquecer, partilhando-os.

    Vc está vendo o meu duplo, triplo sofrimento?
    Primeiro: pra quem é prolixa no bom e no mau sentido, imagine, escrever sobre quem dizia belamente que a escrita deve ser enxugada e enxuta, no texto que já ficou célebre.

    Segundo: Em correspondência com a Ana Vidal, nossa querida d’além mar, eu dizia: como escrever sobre um gigante em formato para publicação em que o espaço é contado a toques e, ainda mais para um blog, onde não funcionam os textos mais longos?

    Terceiro: e como é que eu faço pra não fazer feio se sou amiga do neto do Velho Graça?
    E mais, se tem o Ricardo Ramos , no *Retrato Fragmentado*?

    Mas eu não sou boba, não;-)))
    Já convoquei um ghost writer, não tão ghost assim, e que é o melhor que poderia ter. Você conhece.:-) Fique bem curioso:-)

    E pensar que as inclinações literários de Graciliano foram revelados em um/dois Relatórios de Prestações de Contas do Prefeito de Palmeira dos Índios.

    Ah! e tem mais, eu acho que o Haroldo deve estar se divertindo com meu sofrimento;-))

    Ma-ra-vi-lho-sa! deliciosa essa parte que nos contou.
    O Haroldo (Maranhão) tinha problema com os adjetivos:-) Igualzinho, cortando por anos e anos. E pedindo para outros cortarem , até para mim, pediu, imagine, milord!
    Ah vocês, esses escritores… maravilhosos escritores!
    Beijos

  12. Eduardo disse:

    Meg,

    faço minhas as palavras do nosso amigo Lord; mais do que merecido o premio para seu blog! Fiquei muito feliz com sua visita e comentarios! Estava com MUITA SAUDADE!

    Bjs GRANDE e bom Domingo!

    -=-=-=-=-=
    Eduardo querido: A minha saudade, então era imensa…. você sabe que *todos* sabem o quanto nossa amizade não é de principiantes:-))))
    Eu posso não estar presente, na letra, em escrita, mas estou em pensamento e atenção.
    Nós somos Amigos temos uma história.
    Só que vc sabe meu ritmo é lento, sou um Rubinho Barricello em relação a você que é um…quem, meu Deus, Viviane me socore quem é o mais rápido do mundo? Pois esse mais rápido é você Eduardo
    E boas-vindas à PAULINHA, que em pouco tempo vai adorar a blogosfera.:-)
    Beijos.
    Meg

  13. léo e só disse:

    oi Meg

    Eu não conhecia ana Cirstina Cesar. Sò de ouvido, e os bobões que me falavam dela sempre diziam que a oça não era poeta.

    BAH.

    são uns bobões com perdas e pedras nos corações.

    Gostei muito, principalmente soneto

    abs

    PS: daqui, da minha cadeira, faço um joinha e um sorriso pela indicação! :D ;D

    =-=-=-=-=

    Oi Leo querido;-)
    Pois é , há maneiras e maneiras de se ver e ler e considerar a Poesia e quem é Poeta.
    Às vezes as pedras não estão no coração estão na cabeça mesmo hohoho.
    Particularmente, eu acho que ela tem uma produção riquíssima, e , muito culta que era, havia muito diálogo e intertextualidade.
    Sem contar que foi uma excelente crítica e uma boa tradutora.

    E convém lembrar que ela morreu muito jovem e situar bem a época em que viveu e em que criou mais que foram os todo especiais anos 70.
    Beijo, querido

  14. Nelsinho disse:

    Que apareçam todos os poetas e poetisas, para que os admiremos e seus trabalhos possamos venerar.

    É só seguir o filão que a Meg vem pondo a céu aberto!…

    Um beijo
    =-=-=-=
    Beijo, querido
    Vc é um amor.
    E mais beijos para a sua musa.

%d blogueiros gostam disto: