ANTONIO RAMOS ROSA

INCÊNDIO BRANCO

Não, não era o inacessível

na brilhante brisa.

Não, não era o indizível

ou era e tudo se dizia.

Era a vasta planície de amendoeiras

como uma mesa viva. Esplendor absoluto,

presença de uma essência transparência,

terra como oferenda, brancura branca,

torre horizontal, coroa de mil coroas,

alba de nuvens alvas, mar e bosque,

instante absoluto de aparição perfeita

que não treme, fulguração tranqüila,

palácio transparente, constelação da terra,

palavra e fada, joelhos de donzela,

imagem incendiada só pelo branco,

única, toda, amendoeira e fábula,

pétala de mil pétalas, ó sono da inocência!

Antonio Ramos Rosa ( *1924, Portugal)

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

5 Responses to ANTONIO RAMOS ROSA

  1. O sub rosa faz aniversário e, claro, quem ganha o presente é o leitor, não é, querida? Saudade de você. Um grande beijo e depois vê a Frank e a Isaurinha que eu coloquei lá no Letras. Beijos!

  2. Magaly says:

    Lindo o poema, lindo, lindo!

  3. sub rosa says:


    Marie, não se entregue tanto à volúpia de trabalhar. Depois lhe conto o que acontece com os workaholics.
    Entregu-ese mais a outras coisas… ao prazer, por exemplo. Eu, por mim, vou fundar a B.I.B (Busca Insaciável do Prazer). Vamos?
    Beijos, minha linda.
    E o carinhoso obrigada pela sua insuperável gentileza, minha flor.

  4. sub rosa says:


    Maga e Claudio:
    Eu fico feliz e nem esperava outro juízo de vocês.
    É um dos meu mais queridos e admirados Poetas.

    É uma fina e especial gravura de sentimentos, desenho de cores e retoques de traços irretocáveis.

    Penso eu.
    Belíssima composição.
    Obrigada, queridos, por repartirem comigo o gosto.
    Megstart.

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