Jean, santa, diana, caçadora

diana a caçadora solitária

“Não tentarei descrevê-la. Era indescritível. Era uma incitação, uma dádiva, uma loucura. A qualidade das rendas e das sedas, a maneira de se entrelaçarem, o modo de se abrir e se fechar, revelar e ocultar, imitar e transformar, parecer-se e desaparecer, tudo isso contrastava maravilhosamente com aquela simplicidade guerreira, andrógina de que já falei: Diana, a santa combatente, Diana, a gamine parisiense. Censurei-me. Ela odiava essa palavra. Désolé.”

FUENTES, Carlos.   (v. o site do escritor)
In: Diana [ou] a Caçadora Solitária.
sobre o seu romance com a atriz Jean Seberg.
*****
“Em 1957, após ser escolhida entre 18 mil candidatas, Jean Seberg – na época com 17 anos – estreava no cinema interpretando Joana D’arc, em Saint Joan, dirigido por Otto Preminger.
Dois anos depois, protagonizou Acossado, de Jean-Luc Goddard, tornando-se um mito da década de 60. Aí foi “aquela coisa que todo mundo sabe;-) até hoje.

Considerada a primeira estrela desglamurizada do eixo Paris-Hollywood – pequena, cabelos curtos e ar despojado –, ela tornou-se ativista de causas populares, ligada aos Panteras Negras americanos.

Foi no reveillon de 1969 que Jean Seberg e Carlos Fuentes se conheceram. Ele com 41 anos e ela com 30, filmando no México. A partir de então segue-se um tórrido romance que não durou mais de três meses, mas foi o bastante para marcar profundamente o escritor. Até o lançamento do livro, quase ninguém sabia da história. Carlos Fuentes conta desde a noite em que a conheceu até o dia em que ela foi encontrada, em 1979, dentro de um carro, numa viela de Paris, duas semanas após sua morte.

Algumas passagens são reveladoras, como a campanha de desmoralização movida pelo FBI, divulgando durante sua segunda gravidez que o pai da criança seria negro – fato inverídico que a abalou e resultou num aborto espontâneo. Um ano após a morte de Seberg, em 1980, o FBI rendeu-lhe homenagem póstuma, admitindo que a caluniara dez anos antes como parte de um programa de contra-inteligência. E comprometeu-se, a partir de então, a não mais utilizar a calúnia e nem combater os ativistas de movimentos populares.

O insólito encontro de Fuentes com Romain Gary (o marido), após a morte da atriz, num labirinto do jardim de um palácio europeu, traz à tona um diálogo duro e cruel, recheado de machismo e humor negro.”

Da edição brasileira do livro pela Editora Rocco.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

6 Responses to Jean, santa, diana, caçadora

  1. Mario disse:

    Não sabia desses fatos.
    Uma boa tarde para você.

    =-=-=-=-=
    Ficaram escondidos mesmo, Mario, até a morte dos cônjuges (aaaiiiiiiii!)
    Tudo de bom para você, também.
    Beijão

  2. Olha, estou preocupado comigo mesmo. Não lembro de ter lido isso. E imagina que nem peguei a foto! Coisa inimaginável para Milton Ribeiro!

    Bem, a história é linda, ela é linda, etc.

    O Gary é um chato e…
    Gosto mais de coisas narradas, sim.

    beijo!

    =-=-=-=-=
    Olha, guri, isto é para veres que sempre se perde alguma coisa quando não se assíduo no Sub Rosa. Mas também, assiduidade pra que? Nem a dona dele é!

    Querido, para as narrativas – que, convenhamos, nem todas são interessantes – existem praticamente todos os os gêneros em prosa…, logo…;-)))
    beijão

    P.S E não te impacientes, nem tenta perder a sanidade, isso é difícil e não paga a pena, ora…

    P.S2 – Bom, diga-se a teu favoe, no Sub Rosinha só havia a foto e a citação;-) A resenha foi em tua homenagem.

  3. O Réprobo disse:

    Querida Meg,
    sou eu, o finado réprobo. A mocinha estava nos antípodas da minha maneira, mas quem não invejou Belmondo, naquela fita em que ela resultava tão bem?
    Por falar em fitas,
    voltei, num Blogue a muitas mãos:
    http:corta-fitas.blogs.sapo.pt/

    Beijinhos

    ========
    Que-riiiiiiiiii-doooooooo!
    Querido Réprobo, sempre vivo, vivíssimo, de todas as pessoas com um niquinho de juízo e coração. Bem, todos sabem que sou uma pessoa comedida e bastante discreta, mas talvez até por isso mesmo;-))) – hão de perdoar, se for o caso, a minha manifestação de alegria e muito mais, verdadeira comoção!!!!
    Oh! querido, que coisa mais melhor di boa;-))) vê-lo aqui.
    Olhe só, estou – como disse a nossa adorada Ana V. – muito aos bocaditos, tentando voltar, afinal este 2008 é o 7º ano do Sub Rosa. Vamos ver como o vamos e poderemos comemorar.
    Fico um pouco mais forte se conto com sua presença.
    E o Corta Fitas é blog de escol. Conheci-o através da Aníssima que lá escreveu bem e bonito.
    Vou colocar nos favoritos e logo escreverei email, a saber das novidades.

    Um abraço com todo meu carinho e um beijo de muita alegria pela sua volta, ainda que seja , como a minha, do jeito que se pode.
    Feliz mesmo,
    Meguita

  4. marilia disse:

    Eu sempre descubro coisas novas aqui.
    Mas que as polícias de inteligência (e contra-inteligência) – no mundo todo – fazem m…, eu já sabia…

    O Réprobo (ex réprobo, eu diria) de volta!!

    Profundíssima emoção!!!

    Beijitos, Meg, dear

  5. sub rosa disse:

    Lilik, nós descobrimos juntas – e não é fazendo média que eu digo isso – esse dsetalhe da CIA, eu não sabia.
    Se não fosse o blog e vocês, os meus 7 queridos, eu nem me daria ao trabalho de pesquisar.
    Beijocas.

  6. Magaly disse:

    Eu me lembrava dela e da citação, vide o Subrosinha, mas não conhecia essa história tão triste.
    E que atitude mesquinha a do Serviço de Inteligência! Cruzes! O mesmo bicho aviltou toda a categoria, será?
    Desculpas, e tardias, resolvem a difamação?
    Fiquei curiosa sobre o livro do Fuentes.
    Um big beijo pra você, Meggy.

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