ALUMBRAMENTOS: misticismo e erotismo em MANUEL BANDEIRA

Albayde, Alexandre Cabanel, 1848

Por toda a obra poética de Manuel Bandeira (Recife, 1886 — Rio de Janeiro, 1968) encontraremos poemas nos quais misticismo e erotismo se fundem em ‘síntese feliz’.
Um dos mais expressivos é “Alumbramento“, escrito em Clavadel, na Suíça, em 1913, e que também aparece no livro Carnaval,em 1919.

Descartando-se, desde já, a idéia de que Bandeira deva ser considerado poeta católico, como um Dante em italiano, um Claudel em francês, um Gerard Manley Hopkins em inglês, um Silesius em alemão, um Juan de la Cruz em espanhol ou um Murilo Mendes em português, é mais que plausível considerá-lo como poeta religioso e até místico.  Sim, “religioso sem igreja” daí que muitas vezes entregue-se ao misticismo lidima e abertamente; em outras vezes, sinta-se a agonia da tensão, em outras, a inflamada afirmação do erótico, como se pode ver em Vulgívaga ou Duas Canções do Beco, ou Cântico do Canticos até o enlace reconciliado entre corpo e alma.

1-O relance erótico.

*ALUMBRAMENTO

Eu vi os céus! Eu vi os céus!
Oh, essa angélica brancura
Sem tristes pejos e sem véus!

Nem uma nuvem de amargura
Vem a alma desassossegar.
E sinto-a bela… e sinto-a pura…

Eu vi nevar! Eu vi nevar!
Oh, cristalizações da bruma
A amortalhar, a cintilar!

Eu vi o mar! Lírios de espuma
Vinham desabrochar à flor
Da água que o vento desapruma…

Eu vi a estrela do pastor…
Vi a licorne alvinitente!…
Vi… vi o rastro do Senhor!…

E vi a Via-Láctea ardente…
Vi comunhões… capelas… véus…
Súbito… alucinadamente…
Vi carros triunfais… troféus…
Pérolas grandes como a lua…
Eu vi os céus! Eu vi os céus!

– Eu vi-a nua… toda nua!

Clavadel, 1913.

**CÂNTICO DOS CÂNTICOS

Ela – Quem me busca a esta hora tardia?

Ele – Alguém que treme de desejo.

Ela – Sou teu vale, zéfiro, e aguardo

Teu hálito… A noite é tão fria!

Ele – Meu hálito não, meu bafejo,

Meu calor, meu túrgido dardo

Ela – Quando por mais assegurada

Contra os golpes de Amor me tinha

Eis que irrompes por mim deiscente…

Ele– Cântico! Púrpura! Alvorada!

Ela – Eis que me entras profundamente

Como um deus em sua morada!

Ele – Como a espada em sua bainha.

Nota – Não confundir (sei que os leitores mais atentos não o farão) com os poemas da produção pornográfica de Bandeira que é, realmente, *hot*;-).
Mas, notem o poético termo *deiscente* como imagem do órgão sexual feminino. Em morfologia vegetal, fruto deiscente é aquele que se abre, maduro, deixando escapar as sementes.
Notar também que o toque místico no erótico é a alusão ao livro búblico mais erótico que há e que é… o Cântico dos Cânticos.

III- VULGÍVAGA
Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!

Não sei entre que astutos dedos
Deixei a rosa da inocência.
Antes da minha pubescência
Sabia todos os segredos.

Fui de um… Fui de outro… Este era médico…
Um, poeta… Outro, nem sei mais!
Tive em meu leito enciclopédico
Todas as artes liberais.

Aos velhos dou o meu engulho.
Aos férvidos, o que os esfrie.
A artistas, a coquetterie.
Que inspira… E aos tímidos – o orgulho.

Estes, caçôo e depeno-os:
A canga fez-se para o boi…
Meu claro ventre nunca foi
De sonhadores e de ingênuos!
E todavia se o primeiro
Que encontro, fere a lira,
Amanso. Tudo se me tira.
Dou tudo. E mesmo… dou dinheiro…

Se bate, então como o estremeço!
Oh, a volúpia da pancada!
Dar-me entre lágrimas quebrada
Do seu colérico arremesso…

E o cio atroz se me não leva
A valhacoutos de canalhas,
É porque temo pela treva
O fio fino das navalhas…

Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico

É a visão de um prostituta, é um caso de empatia próprio dos grandes criadores. De viver sentimentos e estados de espírito alheios a ele. A raiz da palavra é vulgus, (aquele,a que se avilta ou que se prostitui).

♣♣♣

2-A CONTRIÇÃO – MÍSTICA: SEPARAÇÃO E UNIÃO CORPO E ALMA

CONTRIÇÃO
“Quero banhar-me nas águas límpidas
Quero banhar-me nas águas puras
Sou a mais baixa das criaturas

.Me sinto sórdido

Confiei às feras as minhas lágrimas
Rolei de borco pelas calçadas
Cobri meu rosto de bofetadas

Meu Deus valei-me

Vozes da infância contai a história
Da vida boa que nunca veio
E eu caia ouvindo-a no calmo seio

Da eternidade

Os momentos místicos e eróticos em Bandeira não são estanques . Este poema é do seu livro Estrela da Manhã (1960). E foi comparado pela sua majestosa religiosidade aos Salmo 50 da Bíblia.

♣♣♣

3- A SEPARAÇÃO CORPO – ALMA

air

Manuel Bandeira teve seus momentos de agnosticismo. E até de satanismo à la Baudelaire, Verlaine e Rimbaud:
Veja, por exemplo, do livro Belo, belo o poema ARTE DE AMAR. Desde Ovídio, todo grande poeta escreveu sua arte de amar.
Note que esta de Bandeira é, ao mesmo tempo, bela e estranha, porque é EXCLUSIVAMENTE carnal e faz a linha, obviamente, da separação entre corpo e alma:

A ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

♣♣♣

3.1 A COMUNHÃO CORPO E ALMA

NU
Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
– Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos –
Brilham. Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu’alma

Nua, nua, nua…

In: Estrela da Manhã, 1960.

Para esta tentativa, e sob esta rubrica, nada mais lógico e significativo que concluir com outro também conhecidíssimo poema de Bandeira, cujo título já denota uma ‘síntese feliz’ entre o misticismo e o erotismo, entre a carne e o espírito, entre corpo e alma.


UNIDADE

Minh’alma estava naquele instante
Fora de mim longe muito longe

Chegaste
E desde logo foi Verão
O Verão com as suas palmas os seus mormaços os seus ventos de sôfrega mocidade
Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molície
O instinto de penetração já despertado
Era como uma seta de fogo

Foi então que minh’alma veio vindo
Veio vindo de muito longe
Veio vindo
Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo
No momento fugaz da unidade.

[Manuel Bandeira]

♣♣♣

Manuel, Bandeira do Brasil, meu poeta de culto e devoção, no 40º aniversário de sua morte.
Manuel, estrela da vida inteira, cuja única imprecisão foi dizer, um dia, que era um “poeta menor”. Errou. Mas confirmou sua grandiosidade.

♣♣♣

ADENDA: 1-Este post é dedicado a todos, claro, mas mais especialmente ao querido Amigo que é quem mantém o excelente blog Afinidades Efectivas.
. Pedindo desculpas pela primariedade do trabalho, sem esquecer que foi feito para ser contido em um blog.

2- Manuel Bandeira disse no Itinerário para Pasárgada: “Não há nada de que goste mais do que de música“. Ele é o Poeta brasileiro com maior número de poemas musicados. Escolho, não só por gosto pessoal, Azulão, musicado por Jayme Ovalle, cantado por Nara Leão, como pela noite inesquecível em que assisti Jessye Norman (oh yeah!) interprepretá-la na sua primeira vez no Brasil, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Dia inefável.

Esta gravação foi muito, muito gentilmente cedida pelo artista plástico e meu amigo querido Claudio Boczon. Além, claro, de ser o músico melhor e o DJ insuperável no mundo inteiro e na Santa Felicidade;-) Obrigada, querido, e milhões de Pocalunki, com l cortado, para você.

UPDATE importantíssimo:
Vejam que autêntica maravilha esse link, do INSTITUTO CAMÕES, uma conferência de Gilberto Mendonça Telles: “A experimentação poética em Manuel Bandeira”, com que a Tereza, amabilíssima, nos presenteou.
Não é por nada não, mas os leitores do Sub Rosa são, simplesmente *o* barato total;-) – Gíria que acabei de inventar…cuidado!

***
 Obrigada, querida, por enriquecer o presente feito ao nosso querido Amigo Réprobo.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

25 Responses to ALUMBRAMENTOS: misticismo e erotismo em MANUEL BANDEIRA

  1. Manuel Bandeira.
    Meu primeiro poeta.
    O primeiro de quem li a obra completa, aos 13 anos, ansiosa, num livro que me emprestaram sob condição de “ter cuidado com ele, pois era valioso”. Me entregaram no quarto, de onde nunca saiu até a dona ir buscar lá. Tive mesmo muito cuidado.

    O poeta que estava na primeira carta que recebi – o poema era “Desesperança”.
    O poeta de quem, na vida passada, fui o porquinho da índia!!!!
    Em consequência, aliás, fui sua primeira namorada, veja que graça…

    Por isso vim correndo aqui comentar =))

    =-=-=-
    Se entendi bem, hoje estou meio fraca do bestunto;-) ele foi meu primeiro poeta também. E continua até hoje um dos que mais admiro e um dos que mais estudo. É dos que mais publico no Sub Rosa há muito tempo.
    E eu sou uma das três mulheres do sabonete Araxá:-)
    beijo

    P.S. E correndo ou não, venha sepre, sempre comentar, OK? Obrigada.
    Estou pensando muito, mas muito seriamente em transformar o Sub Rosa em um blog só póético ou pelo menos só literário.

  2. Tereza says:

    Meg, linda a sua homenagem ao Manuel Bandeira.
    Gosto muito de “Antologia”.Achei incrível ele fazer um novo poema com fragmentos dos seus poemas passados e ficar maravilhoso.
    Beijos.
    =-=-=-=
    Olá Tereza, seja bem-vinda!
    Como eu já disse acima, estou muito “lenta”, mas desde que li seu comentário, não compreendi bem, o que me parece ser uma falta minha.
    Você está dizendo que existe algo, tal como um livro ou mais exatmente *UM* poema de Bandeira, que é feito de fragmentos de seu poemas já conhecidos?
    Por favor, se for assim, diga para mim, para nós, como é o Poema, OK?
    Eu tentei procurar mas não encontrei.
    E olhe que tenho (ou penso ter) a obra completa do Bandeira – ossos do ofício – tanto a poética quanto a obra em prosa. Que foi lançada em seu centenário, tipo 5 ou 6 volumes, e agora a Cosac e Naiff. editou várias coisas e deu um belo tratamento às Crônicas.
    Por favor, querida, reparta com a gente, sim?
    Beijos e obrigadíssima
    Meg

  3. Tereza says:

    homenagem a Manuel bandeira, desculpe-me:)

    ;-)))
    perfeccionista!

  4. Claro que não conhecia o Poeta, mas lembrou-me o Zezé de «Meu Pé de Laranja lima» a cantar “quero uma mulher bem nua” :)
    Boa onda, a Nara Leão.
    Beijinho

    =-=-=-=
    É um excelente poeta, Cristina, um dos nossos mais conhecidos.
    Ele é excelente, como poeta, como antologista e fez maravilhosas traduções.
    E dedicou-se sozinho ou junto com seu amigo, o escritor paulista Mario de Andrade, a História da Música.
    A Nara Leão – (sublime!) canta também uma das Modinhas, recolhidas por M.B
    Um beijo, querida

  5. Nelsinho says:

    PÔÔÔÔÔXAA!…Tô sem fôlego e chocado, com o tão pouco que conheço Manuel Bandeira!

    Lembro de integrar um pequeno grupo que produziu e montou um enorme painel em mosaicos de papel lustrado, que foi exposto no Museu Soares dos Reis, na minha cidade natal. O tema era de Bandeira; Aquele em que a caça come o cano da arma do caçador…

    Obrigado, Meg, pelo presente!

    =-=-=-=-=-=
    Uau!
    Você, Nelsinho tem mesmo uma intimidade com o Poético.
    Que maravilha.
    O Bandeira como sabe, ficou turbeloso muito cedo, muito jovem e foi para Calavadel , na Suíça, onde teve conhecimento com númeroso poetas e intelectuais que estavam lá, Foi amigo de Claudel, o irmão de Camille Claudel, e isso o influenciou muito.
    Voltando, foi tudo, romântico, surrealista, modernista e manteve sempre uma alta qualidade. Cometeu alguns desvariso;-))) . O que é absolutamente normal.

    Só para vc quero confessar que estou meio *down*, (bastante) não repare minha ausência e me desculpe.
    Beijo
    Meg

  6. O Réprobo says:

    Querida Megamiga:
    Estou prostrado em agradecimento! Já era muito dar-nos Manuel Bandeira, quanto mais associar o meu pobre nome a Ele! Tenho aqui mesmo à frente a Antologia dos 80 anos, «Meus Poemas Preferidos», onde, dos que incluiu, penso só constarem «Alumbramento» e «A Arte de Amar». Misticismo e Erotismo, essas minhas duas atracções maiores, apesar de tentar não ser completamente sugado por uma delas!

    «A Arte… é do melhor que conheço e o Satanismo dos Grandes tem que se lhe diga, não é uma desmiolada desculpa de consumos dúbios como em gangs juvenis de hoje, ou pretexto para a crueldade, como em seitas de sempre. Nesses grandes poetas que tão bem referiu, Verlaine, por muito satanismo que versejasse, era Católico fervoroso. E de Baudelaire é a famosa citação “A mais bela astúcia do Diabo é fazer-nos crer que não existe”. Neles, considerando os tempos de descrença que na Intelectualidade já se viviam, cantar o Demo e fingir-se dele servidores acabava por ser um acto de Fé.

    Adorei a «VULGíVAGA».
    se destacados como dístico
    “antes da minha pubescência
    sabia todos os segredos”
    estes versos exemplaríssimos, mais do que o índice de perversão, dão-nos conta da inescapabilidade da Espécie ao Pecado Original, sem referir a Queda, que só os estudiosos não perderam de vista, mas cuja consequência pode latejar em qualquer indivíduo.
    E até, sob a capa da fascinação corporal, é profundamente religioso o canto da Alma nua, já que, mesmo antes da Ressurreição Final, com recuperação das extensões, toda a tradição pictórica sacra ocidental pintou as alminhas no Céu ou no Inferno em físico tomado de completo despojamento.
    Um encadeamento de Mestra e aparato crítico a condizer, mas isso em nada admira na Grande Meg.
    Beijo-Lhe as Mãos, por ter tornado melhor a minha vida.

    =-=-=-=-
    Queridísimo Amigo Réprobo:
    É como dizem: Beautifully and flawlessly said!
    Exceto pelas palavras dirigidas a mim, que tomo como uma das mais raras e nobres artes que é o de demonstrar o gosto ante o mimo, nada mais posso dizer sob pena de desviar a atenção da sua riquíssima análise.
    Obrigadíssima e encantada,
    MegAmiga;-)

  7. av says:

    Passo para deixar um beijo. Esta cavaqueira diária com vocês, meus amigos, já faz parte dos meus hábitos e vai fazer-me falta. Volto para a semana.
    Até lá!

    E sais levando um outo beijo, querida Ana.
    Já te deixei meus votos, lá.

  8. Ateus Pés says:

    Meguitar,

    Grande lembrança esta da Nara, vou tentar fazer uma versão pressa música, quem sabe rola até um medley com Blackbird.

    pocałunki

    Putz, seria *o* bicho:-)
    Faça, sim e assim que fizer, mande-me por favor.
    Obrigada, sempre, Mr. Ateu, por tanto do seu talento .

    pocalinkinho.

  9. profa red says:

    Bandeira da vida inteira.

    Belo post, Meg!

    De recifes arejando.

    Rose

    =-=-=
    Obrigada, Rose. É preciso ser bom para reconhecer o bom, dizem lá os ingleses. Ou os irlandeses;-)

  10. tereza says:

    Querida Meg:
    Estava me referindo ao poema Antologia que foi publicado na Antologia da Moderna Poesia Brasileira.Autor: Fernando Ferreira de Loanda.
    Vale a pena ler “A experimentação poética de Manuel Bandeira “do Gilberto Mendonça Teles que faz referência ao poema.Ele diz que o poema Antologia é realmente uma antologia dos melhores versos de Bandeira. Se quiser ler o texto :
    http://www.instituto-camoes.pt/cvc/bdc/revistas/revistaicalp/manuelbandeira.pdf

  11. tereza says:

    Eis o poema completo( no texto do Gilberto MendonçaTeles ele está incompleto):

    Antologia

    Manuel Bandeira

    A vida
    Não vale a pena e a dor de ser vivida.
    Os corpos se entendem mas as almas não.
    A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
    Vou-me embora p’ra Pasárgada!
    Aqui eu não sou feliz.
    Quero esquecer tudo:
    – A dor de ser homem…
    Este anseio infinito e vão
    de possuir o que me possui
    Quero descansar
    Humildemente pensando na vida e nas mulheres que
    amei…
    Na vida inteira que podia ter sido e que não foi.
    Quero descansar.
    Morrer.
    Morrer de corpo e alma.
    Completamente.

    [Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir]
    Quando a Indesejada das gentes chegar.
    Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
    A mesa posta,
    Com cada coisa em seu lugar.

    =-=-=-=

    É assim?
    Ah! Tereza, que presente maravilhoso.
    Desculpe, tenho o grande pecado capital da gula ( e não só) diante de acepipes maravilhosos como este seu.
    Só num blog se tem esta alegria.
    Fiquei lendo, perdida, o ensaio fantástico do GMT.
    E até aprendi o que era centão:-)

    Confesso que o dia estava *gris*.
    Seu presente trouxe muito luz.
    Obrigada.

    Não há como agradecer mais, mais, e mais.
    Meg

  12. tereza says:

    Meg, gosto do poema que Drummond escreveu em homenagem a Bandeira:

    Passárgada

    Não foste embora pra Passárgada
    Não era o teu destino.
    Não te habituarias lá.
    Em teu território próprio, intransferível,
    nem rei nem amigo do rei,
    és puramente lúcido
    e dolorido homem experiente
    que subjugou seu desespero
    a poder de renúncia, vigília e ritmo.

    É, é bonito.

    O dístico em que ele fala:

    Ontem, hoje, amanhã – a vida inteira
    teu nome é, para nós, Manuel, bandeira

    é um dos mais felizes que já vi.

  13. tereza says:

    Desculpe-me, colei o poema do Bandeira e não ficou em forma de poema.
    Bjs,

  14. tereza says:

    Obrigada por “consertar” o poema:)
    Que bom que você gostou:)
    Beijos.

    -=-=-=-
    Não foi consertar. Eu sei o que você queria fazer.
    Só que não tem acesso a modificar e eu tenho.

    E, para falar a verdade, não foi bem *gostar*: eu adorei, fiquei melhor, menos triste.
    E aprendi um monte.
    E ainda tem mais: Vc me livrou de uma tonelada de burrice! Ou de ignorância.;-)
    Como dizem os brits:
    you are savvy!
    you’ve made my day!

    Obrigada, Tereza.

  15. Magaly says:

    Voltar à tona e encontar um post seu acima de qualquer espécie de crítica é um consolo e tanto, Meggy.
    Um belo trabalho de análise e crítica, onde é notável a cuidadosa exposição dos poemas e as observações críticas oportunas, enriquecedoras. Nota dez, amiga minha.

    Acho esplêndida a sugestão de tornar o Subrosa um blog de literatura com ênfase na poesia. Será uma fonte de referência utilíssima e uma delícia como estudo e exercício continuado. Pode contar com esta aprendiz no ‘pé da conversa”.

    Estou eufórica em vê-la ativa e entusiasmada para conforto e alegria de todos nós.

    Beijos

  16. Meg,
    Falando de literatura, poesia, matemática, hip hop, fofocas sociais, o que você escrever, minha cara, sou tua fã!
    E venho comentar sempre.

    Mas confesso que de tudo aí em cima, poesia e lieteratura são minhas preferidas….

    kkkkkkkkkkkk

    beijos e beijos, dear.

    =-=-=-=-=

    Tô ‘maus’, dearest
    Devo a mim mesma uma crítica, ou melhor, uma apreciação de um livro muito bom, tento escrever e não consigo.
    Assim que puder, volto.
    Mas, obrigada pela preferência;-))))))))))
    Beijos

    P.S. Eu adoro hip hop e sou louca por um “batidão”…Hohohoho

  17. gugala says:

    s-e-n-s-a

    -=-=-=-=-=-

    Putz, meu amigo querido.
    Você achou?
    Sensa é você.
    bj

    Megala;-)

  18. Sempre com belos posts, Megleen, querida. Esse Bandeira é demais. “Minh’alma estava naquele instante
    Fora de mim longe muito longe”. Gosto realmente disso. Um grande beijo.

    =-=-=-=-=-=
    Outro beijo pra você, querida
    Você sempre demonstra bom gosto.
    E sabe do que fala

    Obrigada, amiga
    Megleen

  19. Cat says:

    Mana, querida, que lindo post! Eu que adoro aprender, quantas palavras bonitas para degustar e não esquecer. Esta semana estive lendo o “libérrima e exata como a concha” que ele, como diz você, com total *imprecisão* chamou de Improviso(!) à sortuda Cecília Meireles e pensei: como conseguia inserir em seus poemas palavras simples como chamazinha e outras, no mínimo diferentes, como denastros. E por causa de todos aqueles Louvo o Padre, louvo o Filho, O Espírito Santo louvo, achava que ele era super-católico. Ah, e que linda música! Fiquei a imaginar Meg assistindo Jessye Norman… Parabéns por tudo, pelo post, por escrever tão bem e trazer coisas tão boas. E que “as cinzas das horas” passem, mana. Beijos.

    =-=-=-=-=-=

    Oi, maninha querida
    Devo milhões de notícias a você, mas você me perdoa, não é?
    Cat querida, Manuel Bandeira tem poder! Você aqui é uma alegria quase próxima da felicidade!

    Eu mesmo me imagino assisitndo Jessye Norman, coisa mais linda não há! Nem pode haver . Ela tem 3 metros de altura…E a voz é imensuravelmente linda e vc deve conhecer.
    O Bandeira, se a gente apertasse ele, mesmo, muito bem apertado, ele ia dizer que era católico sim, mas católico “da pá virada”.
    Na graça que ele tinha fazia graça com os santos, por exemplo dizia que Santa Terezinha era a Miss Céu…veja só, que danadinho.
    Falando nisso , tenho promessa com ela.
    E Cecília, uma deusa.


    Obrigada por sua sensiblidade imensíssima. É exatamente por isso que estou esperando: que passe a cinza das horas.
    E demora, às vezes.
    Beijos especiais, até então.
    Mana

  20. Meg,
    Bom voltar aqui e encontrar o Bandeira, meu poeta favorito. Quando jovem, ainda na escola, gostava de recitar poemas dele. As mocinhas gostavam de ouvir e assim, unia o útil (não confundir com útero) ao agradável. Eram outros tempos.
    Beijo grande

    =-=-=-=-
    Oh milord, que mais querido não pode ser:

    Hahahaha!
    Não não há perigo de confundir, mas que é engraçado, é.
    E eu fico a imaginar que perigo que era o Lord:
    Cantava, tocava violão e declamava ou recitava, (qual é o certo?) logo quem, Manuel Bandeira?!.
    A competição não era desleal, não?;-)

    Putzgrilo: Lady Cordélia venceu perigos, aposto:-)

    Um beijo para os dois.
    Meguita

  21. Ronald says:

    Que bandeira que vc deu…que bandeira eu não “te esqueceu”… lá lá lá lá lá li rá rá…que manezinho eroticuns…procurava coisas desses malafamados, como o poema a bunda de Brecht – acho que é isso – e abundavas-te aqui em bandeiras azuladas de ovalles. Dei com a cara na porta e toquei a campainha…nem pensar em retroceder…daí assoviei…só se for agora a bossa vai prosseguir….estamos aí! Bezikisis. Rurunardosan, o “inclonável” título oriental.

    =-=-=-=-=-=
    RONALD JUNQUEIRO,
    RurunardoSAN, para os japoneses e coisa e tal, meu querido!!!!!
    Seja bem-vindo, sempre.
    Já vi tua volta triunfal.
    Que bonitaço o teu blog, maninho.
    Já está nos *Hot Links*, visse?;-)))

    E continuas sendo o grande jornalista de sempre.
    Tu queres um poema de Brecht?
    Responde que tenho uns mil por aqui.
    O Brecht não era propriamente um …. cavalheiro

    -0-0-0-0
    Pois é, a bossa não morre mais, vai completar 500 aniversários
    “Olha só quem já vindo ali”…lembras da Leni?
    Não vi a enquete, só vi as respostas.Dá um beijo pra minha amada Elis Marchioni Rojas.

    Me dá notícias? Me escreve, me telefona?

    Beijos, do estaleiro.

  22. Shi says:

    Eu realmente não tenho poetas peferidos, mas gosto demais do Bandeira. “Pensão familiar” acho fascinante, pela perfeita adequação a todo e qualquer tempo vivido pela humaidade, passado, presente e futuro… “A arte de amar”, sem palavras pra definir, putz! Até pq eu num sou muito boa com palavras, especialmente qdo o tema é poesia… rs. Por isso gostode vir aqui – quem sabe u mdia eu encontro as palavrs certas, né? :-D
    Bjo, queridona!

    =-=-=-=-
    Shishizinha, queridazinha
    Para falar nessa obra-prima que é Pensão Familiar tem que ser assim, não é?
    Aliás, eu acho que foi lendo esse poema que Vinicius começou a chamar todo mundo pelo diminutivo. Né? Só pode, só pode…

    Putitanga, Shi, você *SEMPRE* teve as as palavras certas, sempre. E devo esse presente das suas visitas e de ler coisas tão bacanas no seu blog e de ter commnets tão gostosos como os seus, à nossa queria Tourvel, né?
    Então…

    Muitos, mas muitos beijos e Parabéns pela lembrança do poema de Bandeira. Que justo, justinho, justíssimo, como você definiu.
    Eitcha….

    Meguita

  23. Ronald says:

    Uauauuuuuuuuuuuu!!! Lobo bobo uivando pra lua às 15:37 de hoje. Isso póóóódeee! Não tem lista no blog. Tem que ser na mulheca. Abrir caixa dos comentários e escrever lá: minhas preferidas, amadas, inesquecíveis, cantadas etc..são: ryryryryryryrrararararararara! e ainda reclamar, pôxa, só três?… tem até ums rebeldes que colocaram bônus
    Então, que alegria saber ti! Vais sair logo do estaleiro. Bota fé, bota fora…bota alguma coisa em algum lugar. Eu passei por um perrengue uteístico e tive que desacelerar…o Imarginálico é desculpa esfarrapada pra não perder o hábito de escrever…vou catar teu e-mail por aqui, se não achar, me escreve pro ronaldju@gmail.com

    bacciküsses! Égua! Ficou horrível essa coisa meio suzammensatz..parece bate não sei o quê…hehehehehe! bjks.

    • sub rosa says:

      Volte sempre e obrigada, Stela.
      Vou ver seu blog.
      Estou um pouquinho lenta, mas logo, volto à rapidez habitual.
      Hahahaha, claro que não é verdade, Bandeira fala, em poema, sobre a pressa e o vagar, não fala?
      beijos.

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