Y a pas plus Mai 68: 10-11 (La nuit de barricades)

Foi exatamente na noite de hoje, há 40 anos – de 10 para 11 de maio –   que realmente  a Revolução Estudantil e Operária na França deixou a latência e se converteu em realidade o que , hoje 40 anos depois, ainda ninguém sabe explicar em toda a sua abrangência.

Mesmo os soixante-huitards discordam entre si, mas é essa a riqueza de um movimento plural,  que não quis o poder, mas o desejo de mudar.

Porém, há lembranças , il y a de souvenirs:

Nuit verte
Celle des barricades… ?
Nuit verte ou rouge ou bleue ou noire
Qu’importe camarades ?
L’espoir de la victoire !
Cela importe camarade !!!

Je suis venu
J’ai vu
J’ai cru
 ….

Fiquem aqui com uma entrevista de Alan Finkielkraut , um dos mais expressivos nome da direita;-)) francesa, em relação ao movimento que pregava  entre outras  coisas É PROIBIDO PROIBIR  (Il est interdit d’interdire) e SEJAMOS REALISTAS PEÇAMOS O IMPOSSÍVEL: (Soyons réalistes, démandons l’impossible!)

ALAIN FINKIELKRAUT

Nascido em Paris em 1949, Alain Finkielkraut é ensaísta, produtor da rádio France-Culture e professor de história das idéias na Escola Politécnica.
Midiático e polêmico, é considerado uma das referências do pensamento de direita na França. Em 2005, criticou a onda de revoltas juvenis ocorrida nos subúrbios franceses.
Também afirmou que a seleção francesa de futebol não era “Branco, Azul e Vermelho” nem “Branco, Preto e Pardo” (como se diz desde a Copa de 98), mas sim “Preto, Preto e Preto”. Nesta entrevista concedida a Aude Lancelin, do “Nouvel Observateur”, o autor de “A Ingratidão” (Objetiva) e “A Humanidade Perdida” (Ática) comenta as influências de 1968 sobre a família.  

PERGUNTA – Em 1977, em “Le Nouveau Désordre Amoureux” [A Nova Desordem Amorosa], o sr. escreveu que tínhamos passado de uma era de “repressão sexual” para uma espécie de imperativo categórico de gozar, que era igualmente coercivo. Tudo o que aconteceu desde então confirmou sua opinião?
ALAIN FINKIELKRAUT
– Aquele foi um livro anti-1968 habitado pelo espírito de 1968. Era a época do “tudo é político”, e o discurso sobre o sexo remetia ao registro judiciário da acusação.
Na contramão disso, optamos pelo gênero da celebração, especialmente pelo elogio do gozo feminino. Sem a liberação sexual, não poderíamos ter escrito esse livro. Mas o escrevemos para libertar o amor do domínio do discurso da libertação. De fato, o que é o desejo amoroso senão a experiência de uma maravilhosa sujeição?

PERGUNTA – O filósofo americano Allan Bloom, nos anos 1990, disse: “Você pode ser um romântico hoje, se quiser, mas isso seria um pouco como ser uma virgem num puteiro”. O sr. pensa, como ele, que o amor hoje em dia está comprometido?
FINKIELKRAUT
– O que compromete o amor é o fato de não se enxergar senão um confronto entre as exigências do desejo e sua repressão. É essa a razão pela qual, em “A Nova Desordem Amorosa”, Pascal Bruckner [co-autor do livro] e eu quisemos reintroduzir o personagem esquecido do amado.
Contudo, se hoje fosse escrever uma seqüência para esse livro, começaria por um elogio erótico ao pudor. Este não é apenas uma restrição arcaica, o resquício de um preconceito burguês -pelo contrário, eu o vejo como um atributo ontológico da mulher.

PERGUNTA – Um autor como Michel Houellebecq propaga uma visão segundo a qual 1968, longe de ter dado início a uma era de libertação sexual real, teria estendido o domínio da luta capitalista para o próprio sexo, de tal modo que cada um se torna substituível, em estado de insegurança permanente. O sr. concorda com essa visão?
FINKIELKRAUT
– Quisemos acreditar que a libertação sexual iria suprimir a dimensão da infelicidade. Mas não é porque tudo é permitido que tudo é possível, Houellebecq teve o mérito imenso de ter chamado a nossa atenção para isso. O desejo é uma escolha, e escolher é excluir.
Sem dúvida hoje, mais do que nunca, é difícil ser feio, tímido ou antiquado. A proibição era um álibi para o fracasso. Nossa época é mais livre e, portanto, de certa maneira, mais cruel.

PERGUNTA – Ensaístas como Michel Schneider ou Eric Zemmour denunciam hoje uma confusão ou sobreposição das identidades sexuais e tendem a atribuir às mulheres as desordens que, segundo eles, solapam a sociedade ocidental. Como o sr. vê esse tipo de receio?
FINKIELKRAUT
– Não vejo como certo que a sexualidade seja a instância última de todos os nossos comportamentos.
Em outras palavras: não sou freudiano. Assim, não penso que a crise atual da transmissão em nossas sociedades proceda mecanicamente de um desaparecimento da função “viril”, nem, a fortiori, de uma conspiração feminina.
Em contrapartida, observo que se perdeu uma certa idéia do pai. E o problema não se reduz à questão de saber se os pais estão certos ou errados em trocar as fraldas de seus filhos -a meu ver, estão certos. A família tornou-se lugar de uma negociação perpétua.
Hoje tudo acontece num registro puramente afetivo, e não mais simbólico. Maio de 1968 não terá sido, em tudo isso, mais que um momento de aceleração do processo democrático que nos carrega há muito tempo.
A democracia -como afirmação da igualdade de todos os indivíduos, como passagem de uma vida suportada para uma vida desejada- se adapta muito dificilmente à partilha dos papéis. Assim, a família deixa de ser uma instituição para converter-se em uma associação precária. Se isso é bom ou mau, não posso dizer.

 

 

A íntegra desta entrevista foi publicada no “Nouvel Observateur”. Aude Lancelin (c) 2008 “Le Nouvel Observateur”. Tradução de Clara Allain .

 

Retirado do suplemento MAIS! da Folha de S. Paulo, de domingo 4 de maio de 2008. 

 Mais fotos, slogans  e cronologia aqui: Le Monde – Le Mai 68 jour après jour 

Não perca – À ne pas rater:-)

Feliz dia! Obrigada por comentarem;-)

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

8 Responses to Y a pas plus Mai 68: 10-11 (La nuit de barricades)

  1. Excelente! Dá vontade de roubar este post oportuníssimo.

    Beijos.


  2. Sem falsos elogios ou rendilhados de simpatia, pois sabes que entre nós não existe isso, digo-te que roubar não podes, pois este blog é teu, e tudo que está nele.
    Enjoy it!

    beijos, besos, kisses, baci:-)
    Meg


  3. Ah sim, esta é especial para ti: um grande e querido Amigo meu, ao ler esta entrevista disse: Putz, se isso é a *DIREITA deles…olha…;-))

    Eu morri de rir.

    M.

  4. O Réprobo disse:

    Querida Meg,
    Há um livro de Jacques Laurent, um dos Hussardos (com Nimier. Blondin e Déon), escola Monárquica na política, mas libertária na escrita e, em parte, nos costumes, em que ele apela directamente aos estudantes insurrectos, para que não se ficassem por uma contestação superficial da moralidade dominante, mas se mostrassem originais na tentativa de conquistar o país. É a «Lettre Ouverte aux Éudiants», que recomendo. Nada disso aconteceu. O sexo passpu a ser menos escondido, mas tudo o resto ficou na mesma, como a lesma. A Universidade não passou para as mãos dos alunos porque, embora seja ministração massificada do ensino, é impossível que venha a ser gerida por ignorantes e, com grupos grandes, não há como contornar a aula magistral,sob pena de ineficácia. Os operários que as cabecinhas tontas sobreaquecidas diziam defender voltaram-lhes as costas, porque o snobismo proletário não queria ficar a dever favores àqueles filhos-família. Resultado,a turbulenta geração ocupa hoje o Poder dos papás, com os mesmos vícios que eles e barrigas iguais. A revolução apodreceu.
    Beijinho

  5. Nelsinho disse:

    Maio de 68…
    Andava eu do vale à montanha, da montanha ao monte, por matas inóspitas e emboscados perigos…

    Quando disso me vi livre, corri pros braços da amada.
    De sexo livre eu sabia nada, mas sabia-me o incontido desejo, aquela ânsia danada!…Ah!…Felicidade!

    As barricadas eu ignorei e, perdoem-me a franqueza, por tal nunca me interessei.

    Beijos, Meguita
    E parabéns para todas as mamães!

  6. Meg disse:


    A rigor, não haveria o que responder, e sim agradecer. Maio 68 é um conceito “guardachuva”, ou conceito “ônibus”, cabem todas as opiniões a respeito e mais algumas. Só não cabe não ter opinião, mas aí também já é…ops. cabe tudo.

    Mas eu reponderei alguns e mais os outros comentários mais antigos de posts idem.
    beijos, queridos.

    Já disse que amo vocês??? Já???
    ;-)
    M.

  7. maio de ’68 não sei, mas janeiro foi safra de boa cepa.

  8. maio não sei, mas janeiro de ’68 teve safra de boa cepa.

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