Duas linhas, enquanto não volto: o que acham?

É mesmo assim?

“… havendo de tratar da dor do bem perdido, o primeiro perdido sou eu, porque, quando quero combinar a dor com a perda, a perda com o bem, e o bem com a dor, me acho cercado por todas as partes, e preso sem saída, dentro de um círculo por uma parte inevitável, e por outra incrível. Todos crêem que a dor é a medida da perda, e a perda a medida do bem; sendo, porém, certo, como é, que o bem possuído se estima menos, e o mesmo bem perdido se estima mais, daqui se segue que a perda cresce e faz maior o bem, e que o bem perdido, feito maior, faz também maior a dor. De maneira que, caminhando do bem para a perda, e da perda para a dor, o bem, a perda e a dor são menores; porém, tornando da perda para o bem, e do bem perdido para a dor, a dor, a perda e o bem são maiores; e tudo isto, sendo o bem o mesmo, e não diverso”

Antônio Vieira (Portugal [Lisboa]*1608 + Brasil[Salvador/Bahia] 1698)
Pe. Antonio Vieira
Fico uns dois dias fora do ar.
Volto logo. Nem respirem;-)
————-
 


P.S. Meninas e meninos:-) Volto logo com o post sobre esta delícia aqui.

Um beijinho para a Sofia.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

24 Responses to Duas linhas, enquanto não volto: o que acham?

  1. AV disse:

    O magnífico Vieira, que sabia tão bem das coisas…

    Cá te esperamos, Meggy. Volta depressa, porque nós não precisamos que demores para considerar-te um bem perdido que aumenta de valor com o tempo de espera e com a dor da perda. És um BEM de valor máximo para os teus amigos, seja lá de que perspectiva for visto.
    Grande beijo, amiga.

    PS: A imagem promete, querida… a quem vais oferecer, “de bandeja”, os bens preciosos que estão em cima dela?

  2. CoRa disse:

    Pois sabia sim… E a dor da perda ainda quantas vezes não mitifica o perdido a ponto de tirar-nos a medida exata do real sentimento… se calhar as vezes vem primeiro a dor e depois o sentimento… porque a saudade é uma perdazinha temporária que nos cabe bem suportar, ao saber-se a volta e daí a perda ser transitória…. Espero ansiosa o próximo post agora com condições de ater-me melhor à mensagem… Obrigadíssima ao seu apoio pela Maggy (sua quase xará canina). Ela sobreviveu bravamente e se recupera. Beijinhos!!! e inté

  3. Sofia disse:

    Meg, o meu ‘amante’ Vieira sabia muito desta vida! Tenho aprendido muitas coisas com ele! E sim, é verdade que estimamos mais os bens perdidos do que alguns que possuímos.. São os amores, são os amigos de que tanto gostávamos e que não andam por perto! É pena, mas vamos sempre a tempo de aprender, não é?

    beijo enorme também para ti e volta logo e volta logo

  4. O Réprobo disse:

    Querida Meg,
    muito obrigado pela singularização cromática de “menino”, ehehehehe.
    Vieira tinha um engenho único. Mas será maior o bem perdido, ou mera perspectiva que lamenta sem o poder confessar a nossa incapacidade superveniente de possuí-lo? Seria assim o uivo de dor pela nossa pequenez adventícia que se camuflaria de mera ampliação do que nos escapara.
    Beijo, querêmo-La muito de volta depressa e com a alegria e deliciosa Escrita de sempre.
    Beijinho

  5. marie tourvel disse:

    Ai, Megleen, o Padre Vieira… O Bruno Garschagen, conhece? do Vertigem -que está desatualizado, escreveu há uns meses atrás um belo ensaio sobre ele no caderno Mais! da Folha. Ficou daqui, ó? Beijos, querida. E ficamos te esperando.

  6. Irrefuhren disse:

    É assim mesmo….

  7. Magaly disse:

    Ah! Os contornos filosóficos dos textos do exímio orador que foi Pe. Antonio Vieira, incansável defensor dos direitos dos indígenas e, por isso, chamado por eles de Paiaçu (em tupi, grande pai), dos judeus, dos cristãos novos! Opunha-se à prática da escravidão, aos métodos e critérios da Inquisicão, aos sacerdotes de seu tempo.

    O Barroco brasileiro deve muito aos Semões de Vieira.

    Em nossa peregrinação da perda para a dor ou da dor para a perda, preservar o Bem, perseguir uma reestruturação interna deliberada..

  8. profa red disse:

    Com licença…

    Volte logo, Meg.

    Beijos a todos.

  9. profa red disse:

    Oi, Meg. Beijos

    * mandei msgemantes mas acho que não saiu

  10. David Santos disse:

    Olá!
    Como o Vieira, podemos querer, mas não volta a nascer!
    É brilhante este post.
    Abraços

  11. Alvaro disse:

    Volta logo, minha doce Meg. Não nos faça aplicar o texto do Pe. Vieira à sua ausência. Beijos

  12. Sofia disse:

    Dois dias? Eu já contei mais…

    ;-)

    beijo

  13. marie tourvel disse:

    Megleen, Megleen…
    MEGLEEN… Cadê você? Estamos com saudade. Beijos

  14. Parece que é verdade: voltei!

  15. Sábio Vieira, bom conhecedor do espírito humano e das suas (nossas) fraquezas… e da eterna tensão entre abraçar o pássaro que temos na mão ou deixá-lo fugir porque outrois dois voam ao longe. Beijinho, Meg, e que o regresso não tarde.

  16. Ery Roberto disse:

    Meguita, já tá na hora de voltar. A gente fica com “fome” de coisas boas e lindas. Das que só você sabe produzir. Dê notícias, mulher! Beijos.

  17. profa red disse:

    Nove dias Meg não escreve. Não é tanto tempo. Mas todos estão com saudades.
    Nove dias, dez?

    Se passar de um mês, farei um protesto na Praça da Sé.
    Por enquanto está no prazo.

    rs

    Beijos

  18. aninha-pontes disse:

    Cuide bem de você.
    Um beijo saudoso.

  19. Fausto disse:

    Abandonei não, Meguita. Ando meio afastado do mundo, ou de uma parte dele. Mas sempre por aí, sempre à espreita.

    Um beijo!
    @)–;——–


  20. Queridos todos, todíssimos:
    Mas que ricos, que anjos!
    Ana, Cora, Sofia, Réprobo, Marie, Magaly, Rose, Ery Roberto e Aninha. Fausto!!!!
    Ainda permaneço mais uns diazitos ;-) no estaleiro.
    Volto logo e com muitas surpresas.

    Preciso ficar boa, o mais que puder, para não ficarm como conta-gotas.
    Beijos e obrigada:-)

    P.S: Irrefuhren e David , sejam muito bem vindos e obrigada.
    Aninha Pontes, minha anja preferida, fico comovida com o seu carinho que nunca falha. Você me dá mais até do que mereço.
    E eu adoro isso, não estou reclamando: afinal só dá quem pode, não é?;-)))
    Beijos.


  21. Hey! George Cassiel!!!! também tu, não é? Bem-vindo de novo:-)

    Álvaro, obrigada, querido

    beijos
    Meg

  22. azia disse:

    maravilha, o nosso vieira. e também o gregório “boca do inferno”:

    Quem perde o bem, que teve possuído,
    A morte não dilate ao banimento,
    Que esta dor, esta mágoa, este tormento
    Não pode ter tormento parecido.

    Quem perde o bem logrado, tem perdido
    O discurso, a razão, o entendimento:
    Porque caber não pode em pensamento
    A esperança de ser restituído.

    Quanto fosse a esperança alento à vida,
    Té nas faltas do bem seria engano
    O presumir melhoras desta Sorte.

    Porque onde falta o bem, é homicida
    A memória, que atalha o próprio dano,
    O Refúgio, que priva a mesma morte.

    até já.

    =-=-=-=
    Mr Heartburn;-)
    Autêntica maravilha. Muito bem lembrado. Nossas duas glórias de um barroco há muito seqüestrado. Aqui Gregório, sublime, tirou passaporte para escrever tudo o que mais quisesse e entendesse:-)
    Vou pedir licença para usar aqui no blog. Posso?;-)
    inté.

  23. azia disse:

    terá que pedir pra gregório, mas tenho a certeza de que ele não só aceita como dará uma risada de satisfacção.

  24. Magaly disse:

    Oi, meu amor, fique logo boa. Vim só fazer presença. Estou com dificuldade de fixar a vista hoje, Parece que o assunto é interessante. Volto pra ler e comentar
    Bjs

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