Da maior importância: Augusto Boal e Felipe Fortuna

Boal e o Teatro do Oprimido

Augusto Boal, teatrólogo brasileiro que hoje está completando 77 anos) foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2008. A indicação de Boal ao prêmio foi feita em reconhecimento a seu trabalho com o Teatro do Oprimido, técnica criada por ele no final dos anos 60 e que utiliza a estética teatral para discutir questões políticas e sociais.

As comemorações  -tanto pelo aniversário quanto pela indicação – se espalham pelo mundo, (sim, senhor, pelo mundo, tá pensando o quê?) com eventos públicos dedicados à conscientização sobre o aquecimento global, numa iniciativa de grupos do Teatro do Oprimido internacionais. (Conheceram, papudos?) No Rio de Janeiro, cidade do teatrólogo, as homenagens acontecem no Parque do Flamengo.
Dê uma vista na programação de todas as cidade, neste site aqui:
http://headlinestheatre.com/2Degrees08/jokers_events.htm

É o caso de dizer: Ele merece! ele merece!!! Ele merece! E nós, parece que merecemos, não é?

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QUANDO QUEIMAM BIBLIOTECAS

“Tudo é possível quando a política se une à barbárie – incluindo-se a publicação de um livro e a queima de uma biblioteca. Cada um de nós reagirá de modo previsível diante do lançamento editorial e do ato de vandalismo: respeito e admiração por um, horror e repulsa pelo outro. Num poema ainda ensinado nas escolas francesas como lição de humanismo, “De quem é o erro?”, Victor Hugo castiga com dureza uma pessoa que acaba de confessar haver incendiado uma biblioteca. E começa a exclamar colericamente: “Crime cometido por você contra você mesmo, infame! / Você acaba de matar o raio de luz de sua alma! / É a sua própria chama que você acaba de assoprar! / (…) Uma biblioteca é um ato de fé (…) / Então você esqueceu que o seu libertador / É o livro? (…)”. Terminada a longa descompostura, em tom de sermão, o poeta que falou sobre a verdade, a virtude e o progresso, permite que o delinqüente possa pronunciar uma única frase: “Eu não sei ler”. Subitamente, todo o poema se transforma numa composição irônica na qual a força moral do poeta torna-se oca diante do descaso da sociedade em relação a um analfabeto, que reagiu e se vingou a seu modo.

 Por associação, lembrei-me do poema enquanto lia um ensaio perturbador, “Por que queimamos as bibliotecas?”, que trata das violências sociais contra a cultura escrita. Seus autores são dois sociólogos franceses, Denis Merklen e Numa Murard, estudiosos dos recentes episódios de revolta popular que atingiram os subúrbios de Paris – e, especialmente, as bibliotecas de bairro. Eles explicam que, desde 2005, dezenas de bibliotecas foram atacadas e destruídas por moradores do lugar, e se perguntam qual seria o alvo nos casos em questão: uma instituição pública? Um prédio que representa o poder ou a República? Essas questões conduzem os sociólogos, por fim, à interrogação decisiva: o que significa, para os vândalos, uma biblioteca…”

Continue lendo no link abaixo o estupendo ensaio do poeta FELIPE FORTUNA. Lembram de Farenheit 451 de Bradbury? Não estamos longe disso.

 Caderno Idéias- Jornal do Brasil – 15 de março de 2008

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Hoje há dois aniversários importantes para o blog: o da querida  Viv e o do grande  Jerry Lewis, (tomara que se faça justiça a ele em vida, e parem de vê-lo como um mero careteriro) e possivelmente voltarei logo. 

P.S. – Ery Roberto, fique bem, meu Amigo. Você fez o que lhe cabia.  Então…