Valha isso o que valer…

Quero, antes, deixar registrado um atestado de minha admiração por duas pessoas amigas: Pedrinho Dória, o Ped, e Idelber Avelar. É claro que gosto muito dois e em ocasiões diferentes deixei isso claro. Mas agora não se trata de gostar e sim de reconhecer-lhes o valor e a fulgurante inteligência de ambos.

Tão importante quanto isso é recordar o bom e velho Platão que no diálogo Teeteto chama a atenção para as dificuldades de um debate, para a dialogia e seus escolhos. O que está se passando (ou já passou, espero) entre os dois é exatamente isso, o momento em que se coloca no *crivo da reflexão a própria reflexão*. Os aparentes desencontros, aparentes injustiças, são apenas uma etapa salutar na discussão. Eu diria que são a apresentação da carteira de identidade para a mobilização do ato e do funcionamento da cultura.

Por favor, não parem. Fechar-se em silêncio? Nunca! Nada de pedir o boné, nada de se impedir de escrever sobre um tema tão delicado quanto importante para a nossa- a de quem os lê – compreensão do mundo em que vivemos, ou uma parte importante dele.

Eu acredito em discussões producentes em que a linguagem seja expressão de algo mais que interesses, vaidades e paixões; quando ela se legitima e se fundamenta pela lógica e pela crítica. Eu acredito no diálogo em que só há atritos exatamente porque há respeito e conteúdo honesto no que se diz. E o atrito é a possibilidade que se tem de fletir-se em direção a nossas idéias, apartá-las do pré-concebido, libertá-la da quotidianeidade e da visão da banalidade do que acontece no mundo. O atrito é enriquecedor por isso, (Platão usa a metáfora das lavadeiras, na Carta VII) é exatamente para o que serve, para tornar visível que as idéias que apresentamos não são meras opiniões. Mas podem ser mais bem delineadas, de parte a parte. Por fim só há atrito, no bom (melhor) sentido, quando há diálogo e não meramente justaposição de monólogos.

Todos sabemos que não resolveremos situações antigas espinhosas, delicadas, e que falar a respeito delas pode causar inevitáveis efeitos de colisão, mas usar com consciência o falar e o dizer implica grandes avanços na busca do entendimento.

Enfim, pelo que vale, aproveito para agradecer tudo o que aprendi com vocês, com o Idelber e com o Ped (com este desde 2001 – aliás beijos para a Laurica e Leila – ;-)

Yours, mine, ours;-)


Gentchieee!!!!!!
Olha só o que eu ganhei da minha amiga de fé ;-) , a poetisa Ana Vidal – que faz um dos melhores e mais diversificados e deliciosos blogs desses dois continentes…
Agora, vem cá: como se não bastasse o presente maravilhoso que recebi e que vocês todos devem ter notado;-) – obrigada, obrigada, esse lindo layout foi presente de uma amiga muito querida e talentosíssima , eu agora ganho o Doctor, -a crush of mine! com um simbólico e redundante instrumento perfurante… ops! digo, apavorante! pisc*
Obrigada, querida Ana. Não é por nada não, mas às vezes fico uma baita inveja de mim mesma.;-)

P.S. É isso, o Milton não me ofereceu a Marilyn (parabéns , Milton, foi o melhor PHS de todos os tempos e estás também arrasador em teus outros belos textos) mas ….

P.S. Ana, claro que ao escrever o meu, empobreci o wit do seu título: Your House or mine? Foi de gênio!;-) . Sorry!