Escritora, feminista, SIMONE DE BEAUVOIR, mulher e mulher-militante (UPDATED)

OK, gente, sei que não pediram minha opinião, e até já estou chegando um pouquinho tarde mas confesso a vocês que gosto muito mais de Simone de Beauvoir hoje do que gostava antes.
Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir (1908-2008).
Muito “certa” (certinha – não confundir com as certinhas do Lalau, embora tenha sido muito bonita – no sentido de rangée) e muito exemplar, antes parecia uma mulher congelada e seu feminismo de um rigor que afastava as garotas da minha idade… ela era tudo o que jamais seríamos ou queríamos. Pior, o que nenhuma mulher gostaria de ser. O seu livro Segundo Sexo, era muito “avant-la-lettre– para ser percebido, por nós, meninas estudantes da PUC do Rio de Janeiro, como feminista, e foi muito mais tido e havido como uma masculinização da mulher. Na verdade, Simone preconizou e foi precursora do que viria ser o feminismo. Ela estava e esteve à frente da Beth Friedman, e até mesmo de Ms. Steinheim, esta é que é a verdade;-)
Mas hoje, com a descobertas do que os idiotas de plantão chamariam de deslizes, e nós mulheres, aceitamos perfeitamente num ser apaixonado, os seu amores, *O* amor, e sua renúncia a este amor , em favor de uma escolha (por Sartre)…. sua militância oriunda de uma reflexão que só se consegue após muitos golpes na consciência, Simone é mais compreensível e mais próxima. Quem pode – se é que alguém pode – julgar Simone – a intelectual que nos faz refletir sobre a moral da ambigüidade: prevendo (o que hoje se sabe) que cabe ao indivíduo criar laços com seus pares através de ações éticas – o que requer projetos que expressem e então, encorajam a liberdade. E principalmente a meta cognitiva e de práxis de que se o homem é livre de um jugo (ou um D/d/eus?) que garanta a ação moralmente correta, eis que Simone nos apresenta à idéia de que a liberdade humana depende da liberdade de todos para ser efetiva. Um bem para além do nosso próprio bem: mas o bem de todos.
E por fim , confesso que foi a Simone tardive que me fez gostar muito mais, mas muito mesmo de Camille Paglia, outra que também anda pensa) sempre na frente, analisando o presente e prevendo o futuro. Salut Camille!
Esqueçam Cerimônia do Adeus (menos a maravilhosa frase final: « Sa mort nous sépare. Ma mort ne nous réunira pas. c’est ainsi ; il est déjà beau que nos vies aient pu si longtemps s’accorder. » e comemoremos os Cem anos de Simone! Viva Simone!

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French writer and philosopher Simone de Beauvoir was born on this day in 1908. Her seminal book, The Second Sex, is considered by many to have launched the contemporary feminist movement. PARIS — Simone de Beauvoir, 1952. © Elliott Erwitt / Magnum Photos .. SLATE Magazine January 9, 2008

Os claro-escuros de Simone de Beauvoir : Comemorações do centenário da intelectual feminista
Octavi Martí, em Paris

Fadela Amara, a atual secretária de Estado para a Cidade do governo Sarkozy-Fillon, encabeçou suas felicitações de Natal com a seguinte frase: “Ser livre é querer a liberdade dos outros. É uma citação de Simone de Beauvoir. O fato de uma ministra de um Executivo que tem entre seus objetivos “acabar com o pensamento de maio de 68″ citar Beauvoir, fundadora do feminismo moderno, maoísta ocasional e que se autodefinia como “totalmente de esquerda” e “desejosa da queda do capitalismo”, combina mal com o lema sarkozista de “trabalhar mais para ganhar mais”, horizonte insuperável do atual presidente da República Francesa.

Simone de Beauvoir (Paris, 1908-1986) foi romancista, ensaísta e militante política, mas essa última faceta demorou para se manifestar. “Lamento que tenha sido necessária a guerra para me fazer compreender que vivia no mundo, e não fora dele”, escreveu em 1985, referindo-se ao período da ocupação alemã, quando ela e seu companheiro, Jean-Paul Sartre, quase não manifestaram qualquer inquietação política, convencidos, já em 1941, de que os americanos viriam libertá-los e que era melhor esperar em casa, junto à lareira, escrevendo romances, peças de teatro ou reflexões filosóficas, tudo salpicado de “amores contingentes” -o que Jean-Paul e Simone mantinham era um “amor necessário”.

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Simone de Beauvoir ao lado do escritor Jorge Amado (centro) e do filósofo Jean-Paul Sartre

Hoje, através de biografias, depoimentos e análises, o “casal livre” que Sartre e Beauvoir simbolizaram é criticado por alguns. Não foram tão “resistentes” como diziam, não foram tão “livres” como pareciam, não tiveram tanta razão como se acreditava. Além disso, a história, a grande história, ridicularizou muitos de seus posicionamentos, boa parte de suas críticas a Camus, Aron ou Merleau-Ponty. E o marxismo já não é o sistema filosófico, e sim mais um entre eles, como esse existencialismo do qual eles foram os profetas; os países comunistas cuja revolução apoiaram com sua presença -Rússia, Cuba, China, Vietnã- hoje são paraísos do capitalismo selvagem ou exemplos ruinosos de aonde pode levar uma teoria quando se omite a realidade. Jacques-Pierre Amette, no semanário “Le Point”, se atreve a perguntar se “Sartre e Beauvoir não serão os Ginger Rogers e Fred Astaire do existencialismo”. No entanto…

O “no entanto” não está exclusivamente nos 1,2 milhão de exemplares vendidos desde 1949 -só em francês- de “O Segundo Sexo”, livro de referência do feminismo, nem na influência do mesmo na evolução da mentalidade contemporânea. Talvez também não esteja na qualidade e no interesse literário da obra de Simone de Beauvoir, que são muito altos e precisam de reavaliação. “Todos os Homens São Mortais” (1946) é um grande exemplo de “novela filosófica”, um gênero hoje malvisto, assim como “Os Mandarins” (1954), que põe em cena o antagonismo entre Sartre e Camus através de personagens reais, que não são meros portadores de mensagens.

E “Memórias de uma Jovem Formal” (1958) é um livro belíssimo, mas toma certas liberdades com a verdade. Nelas, conta-nos que “Sartre correspondia ao desejo que formulei quando tinha 15 anos: era o duplo no qual eu encontrava, levadas à incandescência, todas as minhas manias. Com ele sempre podia compartilhar tudo. Quando nos separamos no início de agosto sabia que nunca mais sairia de minha vida”. E aprendemos que teve como companheiros de claustro Maurice Merleau-Ponty e Claude Lévi-Strauss. “Eu já conhecia um pouco os dois. O primeiro sempre me havia inspirado uma longínqua simpatia. O segundo me intimidava por sua fleuma, mas sabia usá-la e o achei muito divertido quando, com voz neutra e um rosto impenetrável, expôs diante de nosso auditório a loucura das paixões.”

Todo um mundo intelectual é evocado nessas memórias e nos volumes seguintes -”A Força da Idade” (1963) e “A Força das Coisas” (1963)- e isso, somado a essa atitude pública hoje tão criticada, assim como a influência de suas reflexões feministas, transformou Simone de Beauvoir em um mito. E um mito com o encanto da proximidade. Alguns a aproveitam só para descobrir que seus pés eram de barro. Com efeito, de barro humano.

Como no caso de Sartre, Simone de Beauvoir é hoje uma figura mundial, mais respeitada nos EUA do que na França. Em seu país não sabem o que fazer com ela. A televisão lhe dedicará dois filmes, mas em canais menores, como Arte ou France5. Como está distante esse 1984 em que a TF1 -ainda pública- exibiu uma série para comemorar os 35 anos de “O Segundo Sexo”!

Um colóquio internacional reuniu em Paris de 9 a 11 de janeiro especialistas do mundo inteiro para discutir a atualidade de sua obra. Danièle Sallenave publica uma biografia crítica -”Castor de Guerre”- pela Gallimard, editora que também publica um volume hagiográfico: “Simone de Beauvoir, écrire pour temoigner” [Escrever para testemunhar], concebido por Jacques Deguy e Sylvie Le Bon de Beauvoir, filha adotiva da escritora. E a mesma editora reedita um texto de Beauvoir de 1948 que estava esgotado: “O Existencialismo e a Sabedoria Popular”. E isso é tudo o que a época permite.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

SOBRE O FEMINISMO

“Se ser feminista é ser um homem como qualquer outro, como queria Beauvoir, então não sou feminista!”Antoinette Fouque, fundadora do Movimento de Libertação daMulher, na França. “
A leitura de seu livro ‘O Segundo Sexo’ me causou a impressão de ter-me colocado óculos para ver o mundo.” Wendy Delorme, escritora, atriz e militante das Panteras Rosa.
É importante que tenha demonstrado que a masculinidade não estava reservada aos homens, mas era um signo cultural e social acessível a todas. Isso é o revolucionário.” – Marie-Hélène Bourcier, estudiosa e crítica da obra de Simone de Beauvoir.
“A posição ética de Beauvoir me apaixona por seu radicalismo: ela prefere mudar a ordem do mundo do que mudar de desejos.”Danièle Sallenave, autora da biografia crítica de Beauvoir “Castor de Guerre“.
EL PAÍS – – Visite o site do jornal.
Leiam mais estes “amuse-gueule” que escolhi especialmente para nós, vocês e eu;-); enquanto eu fico boazinha, – ainda estou com dor na cabeça do tamanho de um balãozão. Um beijo a todos.
Em especial para as minhas Palpi, Rose, e (Pulsy)Cat;-)) perdoem-me não ter vindo antes.
1- Artes: dois pontos. // 2- Voltaire Schilling //3- Label France //4- Simone- … feminismo

Para os francophiles:
1- Une vie d’écriture et liberté ///2- Simone, la scandaleuse/// 3- Julia KRISTEVA – Dossier- Programme

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A propósito de análises e avaliações: não deixe de ler mais um texto “matador” do professor GILSON CARONI FILHO, sobre a “a judicialização da política e a politização do judiciário” e a figura digamos “atirada” do juiz Marco Aurélio Mello. Se o professor me permite, um certeiro “tiro ao álvaro”! Não percam. Clique aqui
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Registro com alegria e agradeço o prêmio Post de Ouro , conferido por Ery Roberto Corrêa a este post. Ueba! ;-)!!!!
Obrigadíssima, Ery!

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

35 Responses to Escritora, feminista, SIMONE DE BEAUVOIR, mulher e mulher-militante (UPDATED)

  1. Meg, querida,
    O revolucionário sempre merece ser celebrado, embora nos dias de hoje, gente como Beauvoir me pareça pertencer a uma casta distante, extinta. Já não se lê como antes. Ficar em casa estudando, escrevendo, dizendo de forma bem dita o que neurônios privilegiados ditam, virou coisa do século passado. Conhecimento e cultura acabaram. Quando? Sei que vou citar um exemplo que fará muitos se arrepiarem, principalmente em post que, em última análise, fala de um dos ícones da esquerda. Pergunto: sobrou no Brasil alguma cabeça que se aproxime da que Paulo Francis tinha? Quando morreu a erudição? Não sei, poderíamos procurar responder mas não seria fácil. O tempo disparou, anda rápido demais.
    Beijo grande

  2. Querido Lord:
    A rigor estou ainda com a tísica e vim aqui justamente por algo que você menciona em seu comentário.
    Antes porém, (gente prolixa es fuego!) quero lembrar que em algum momento em comentário passado você disse que aqui só vinha feras! É verdade, a modéstia não pode me impedir de reconhecer isso, e que a nossa fera-domadora é você! Nossa (*querida) Lulu, que voltou, concordaria comigo.
    Milord, concordo inteitramente com o que diz. E só não me entristeço, porque “a filosofia, hoje, me auxilia..”;-)) a entender que não
    somos o que fizeram de nós, o que as leituras fizeram de nós. Somos, isto sim, o que fazemos do que lemos há muito, os escritores quase deixados de lado e somos, em última análise, o que fazemos do que fizeram de nós.

    É isso que tem *de* nos levar para frente. Você cita o Francis, e eu concortdo, lembrando que, infelizmente, ele foi esquartejado e cada pedaço serve a quem quiser (if I make myself enough clear! hohoho). Aprendemos muito com ele, sim, sempre foi um incitador, e agora vemos justamente faz parte de um outro tempo também para a imprensa.(*)
    Mas hoje aprendo com professores como a professora e historiadora Ecléa Bosi, milord.
    Ela está cada vez mais valorizando e se dedicando a uma história que é o resgate da lembrança dos mais “velhos”, do tempo em que cultura e erudição não havia terminado e em que não se tinha vergonha de *saber* e utilizar o saber. Porque eles, os cultos, os sábios desaparecem, e sim, Lord, parece que levam o mundo com eles. Vão minguando nossos privilégios de saberes. E, no entanto, continua-se, como dizia o outro, não é Lord?
    Um beijo enorme. Adoro quando todos vêm aqui, mas quando você vem, milord, o coração sorri.
    Beijos à Lady Cordélia.
    Megz.

    (*)By the way, milord, perguntei outro dia à minha querida amiga Regina Alves, o que ela achava do Diogo Mainardi e ela respondeu: Ah! maninha (rsrs) nem o Paulo Francis consegue dar jeito em seguidores medíocres.
    Pano rápido.

  3. Quanto aos seguidores do Francis nem vou comentar… Já não achava o modelo original grande coisa, o que dizer então dos epígonos que pululam nos blogs e nas televisões? A erudição começou a morrer com Francis e sua inexatidão. Ele inaugurou o “Se não sei, chuto!” que agora foi transformado em “Se não sei nada, chuto tudo”, sempre acompanhado da arrogância do mestre com cara de batata inglesa.

    Simone. Li seus romances. Não me parecia tão boa quanto deveria. Sofria de objetividade crônica, mas era a ideologia da época. “A Convidada” dá para ler tranqüilamente. Ela era bonitinha, não? E falava francês.

    Beijo.

  4. Saramar disse:

    Assim, como Lord, considero Paulo Francis um espoene, justamente pela coragem de ser irônico e inteligente em época de mediocridade.
    Porém, que vim dizer é que lhe aradeço muio porque seu blog se tornou uma escola para mim.
    Aqui aprendo muito e tenho conhecimento de coisas que (confesso) me eram inteiramente desconhecidas.
    Não me refiro a Simone de Beauvoir, claro, de quem li , há pouco o livro “Velhice”, interessante e completo.
    Fui ler o primeiro texto que você indicou e não me surpreendi com o teor das cartas dela ao amor americano. Afinal, ela viveu o amor do jeito que quis. Para alguém que defendia a liberdade, nada mais coerente que ser livre para amar quem e como quisesse.
    Apesar de tudo, eu a considero contraditória. Mas isso é outra conversa.

    beijos, melhoras

  5. Saramar disse:

    Perdão, Meg.
    Eu quis diz dizer “um expoente”

  6. Querido Milton
    Virei responder ao teu comentário mais tarde .
    Não creio , entretanto que poderei sair-me bem, pois os livros de Simone.. olha só, como escritora são praticamente a única coisa que resistiu ao tempo: a qualidade deles é elevadíssima, preenche os requisitos (dos) mais exigentes e podem até hoje ser lidos como se acabassem de ser escritos.

    Não compreendo o que vem a ser *OBJETIVIDADE CRÔNICA* em livros de mais de 300 até 1.450 páginas;-))).
    OS MANDARINS tem 616 pp. E mesmo eu, impaciente, não perderia uma linha sequer na defesa ou acusação de Camus, por ex. A CONVIDADA tem 500 pag, Segundo Sexo tem mais de mil (1.000) pag) e por aí vai;-)))

    Em todo caso… se eu não tiver mais nada que dizer fica isso aqui com meu beijo.

    Sabes bem que do Francis eu não falo, não concordo com tua visão de que Francis era medíocre, até mesmo porque realmente não era, e isso não pode se resumir a uma questão de opinião. Pois se fizermos isto, será uma cacofonia de doxas , superposições de monólogos (© C.E.M).

    Que se discutam as reviravoltas de posição e situação política de Francis, até posso aceitar, mas julgá-lo por uma coluna – SEMANAL – de jornal, com todas as pressões que isso significa, ah! isso eu não faço. Não tenho consciência para tal. Um dos meus livros de formação na Universidade foi exatamente o “CERTEZAS da DÚVIDA” de Francis, e seus livros se não são grandes romances, perdem-se exatamente pela lucidez de sua crítica. E vale dizer que Francis escreveu muitos livros e não só romances).
    O Francis mais velho, pode ser lido, e seus erros e incorreções não anulam a sua extrema inteligência, cultura. Já o inverso é comprometedor, julgar o Francis pelo seu final , num jornal, suas incorreções e não chutes, sem ter uma idéia ou apropriação do que ele fez antes, principalmente em belos ensaios, análises e contribuições em várias frentes de conhecimento, sinceramente, é perder grande parte, preciosa parte da História da Inteligência no Brasil.

    Mas nota bem, querido Milton, dificilmente me pronuncio a respeito do Francis, porque acho que o problema dele, não é de “chutar”, antes fosse;-)).

    Quanto aos epígonos, adoro uma blague que tu fazes: “Eu gostava do Mainardi pois achava que ele era humorista”.
    Pois eu, confesso, achava que o Mainardi tinha consistência e dizia o que precisava ser dito … até descobrir o quanto ele é fraco, irrelevante mesmo, quer como publicitário, se é que foi algum dia, como cineasta e como o que é agora, um comentarista.

    É isso, são 5 e 17 da manhã e estou estudando;-)
    Mas receber tua visita aqui, para mim, é motivo de alegria sempre maior a cada vez
    Beijo
    Megz


  7. Querida Saramar.
    Adorei seu comentário.
    Lembrou-me o primeiro de todos quando você comentou pela primeira vez e chamou minha atenção.
    Obviamente não me refiro às suas palavras gentis. A essas eu agradeço e espero que continuemos a aprender uma com a outra.

    Bem, creio que agora teremos que fazer o que eu já há algum tempo intentava: escrever um email para você tocando em certas questões pelas quais você demonstre muito mais interesse.

    Eu devo ter lido A VELHICE – aí, Milton, mais um de 814 paginas;-))) o que realmente permite à ensaísta até um certa objetividade, mas não *CRÔNICA* . – há muitos anos, mas sei que ele é hoje muito lido. A prórpia situação ambiental e as qualidades para a vida impõem isso.

    Simone, só por ter escrito este livro, ao lado de Segundo Sexo, já merecia indulto para qualquer coisa que quisesse fazer de sua vida.

    Não sei qual o mal que você vê em quem é pessoa contraditória. ;-)))

    Só sei dizer, Saramar, que para uma existencialista como Simone, viver é um nunca ser algo para sempre, mas um eterno devir, um vir a ser. ninguém, aliás, é bom ou mau, as pessoas são boas, más, mais ou menos, curiosas, adoram ver a desgraças dos outros;-))), adoram julgar os outros. E também adoram ajudar os outros e a si mesmas.Enfim, ser contraditório é um grande sinal de ser , de estar vivo e sobretudo de estar fazendo-se e reinventando-se entregues a um sem-número de possibilidades de ser algo em um momento determinado da vida.
    Viver é fazer-se, escolher, pré-ocupar-se, entregar-se a fazeres ou negar-se a desafios.

    O filósofo não é um legislador. Nem de si mesmo nem dos outros. Ele oferece à consideração dos demais uma forma que lhe parece a melhor de seguir a vida. Mas jamais diz que a vida tem *de* ser deste ou daquele modo.
    E é nisso que reside a sua liberdade, a liberdade dos demais e a possibilidade de efetivar-se maneiras de não sermos obstáculos para ninguém nem aceitarmos imposições de outrem.
    O que até pode acontecer, pode existir, mas só se quisermos.

    Como diria Sartre: “o homem está condenado a ser livre.”.

    . Alegrei-me, como me alegro sempre, com a sua descoberta de que alguém é tomado como *contraditório*

    Um beijo e qualquer coisa, escreva aqui ou para o email que você já conhece, espero.

    Meg

  8. OK, nós nunca iremos nos entender sobre Paulo Francis. Tenho me dedicado a ler alguns Diários da Corte publicados na íntegra pelo Alexandre Soares e, mesmo que tente me despir de preconceitos, não entendo o que haveria de brilhante ali. Há uma crônica sobre Wagner que se mistura com O Bom Soldado na qual não há nadinha de Wagner, nem de Ford Madox Ford. É um rolo só. Brilhantismo naquilo? Onde?

    Porém, era um leitor de PF em jornais, apenas. O jornal me afastou dos livros.
    O que digo sobre Simone é que seus livros são uma sucessão de fatos, as pessoas correm umas às outras para conversar. É assim que eles avançam. Não há preocupação em fazer com que as situações sejam expressivas e há diálogos em excesso. Talvez tenha errado em chamar isto de “objetividade”.
    Parece que estamos em inferno astral, discordando em tudo! Deve ser fase e certamente passará.
    :¬))
    A propósito: viste a “A Vida dos Outros”? Gostei muitíssimo.
    Beijo.

    =-=-=-=-=-=-=-
    Nunca vamos nos entender?????!!!!!!!! What a hell?
    Claro que sim, vamos, pois sempre nos entendemos. O que não quer dizer que sempre concordemos e também o que não quer dizer que a discordância não seja um passo para uma visão melhor do que a que se tem em torno do que se discute. Como já aprendi muita coisa, apenas te lendo, embora num primeiro momento tivesse restrições . Expressas ou não.

    Agora o que está parecendo é que há *não* um inferno astral, muito antes pelo contrário, mas sim a tua pressa e sabes bem que tens essa… essa inquietação.
    O que eu digo é que do Francis eu não falo, exatamente, porque as pessoas acham que só existiu um Francis, que é o da Folha de São Paulo e depois do Estadão, e principalmente do GLOBO (Jornal e TV) como contigo eu posso;-)))), sem querer ofender o Alexandre, moço brilhante e de quem eu gosto muito, eu acho que *TU* estás desperdiçando tempo lendo *Diário da Corte*. Francamente… Se como chamas, os epígonos do Francis estão baseando sua admiração pelo Francis pelas suas colunas de jornal, então estamos todos perdidos e é injustíssimo para o Francis. É esquecer que grande parte do que Francis escreveu em livros, o que escreveu anteriormente (Revista do Diners, Senhor, JB etc) o fez em tempos plúmbeos em que era preciso *guts and balls*. E há livros esgotadíssimos do Francis que são análise de uma lucidez invejável da situação do Brasil na ditadura.
    DETALHE: Nem tudo o que Francis escreveu em livro foram romances, que por alguma razão, são ruins, são fracos.IMSHO. Ele foi ensaísta.
    O que é fato, e que pode ser comprovado é que Francis não era medíocre como dizes. ISSO, goste-se ou não dele, ELE NÂO ERA!!!!! Garanto, se é que tenho alguma credibilidade contigo. Foi apenas em relação a isso que falei que não concordaria contigo e ninguém com (bom) senso avalizaria isso. Ele não era medíocre e é um crime reduzir-se o Francis a uma coluna muitas vezes interessante, mas no mais das vezes, feita no rigor do *borderline*, quando Francis tinha tantas outras coisa a fazer, afinal não vivia de brisa em New York.

    A bem da verdade, o meu querido e uma das pessoas que mais admiro *Fabio Danesi Rossi* é pessoa que sim, por conversas que tivemos, sei que leu praticamente todo o Francis, e não só Diários da Corte, o que denota uma atitude muito mais inteligente e mais honesta intelectualmente, do que se agarrar no que o homem fazia de encomenda. E praticamente no período final de sua vida. O período da *virada*;-)… JUSTAMENTE ESTA QUE O LORD BROKEN-POTTERY alude!.;-)
    Que não gostes do Francis é um direito teu, mas julgarás mais a ti mesmo do que a ele se disseres que o julgas tendo como base UMA PARTE e daí te dás o direito de derivar o TODO.
    Injusto contigo e com tua inteligência.

    Repito: muito pelo contrário acho auspicioso que se discorde se houver mesmo uma efetiva razão para isso, o que é o caso, pois assim sabemos que não somos nem burocráticos, nem movidos pelo er.. compadrio.l
    Tu sempre soubeste que és um dos interlecutores mais estimulantes que há na blogosfera.
    E jamais gostaria de te perder nem como Amigo, nem como interlocutor, e muito menos, deixando as coisas passarem, fechando os olhos, certo?;-))))

    Quanto ao filme A VIDA DOS OUTROS é para mim, um ponto alto do CINEMA *TOUT COURT*. Como estou meio no estaleiro, conto contigo para divulgar, discutir esse filme, que dev(er)ia ser obrigatório.
    Peço emprestado uma caixa de adjetivos, pois não tenho nenhum suficiente que se ajuste para ele…
    Há muito um filme não me motivava tanto, há muito não via a força de um diretor nos colocando ao mesmo tempo no papel de algoz e vítima.
    E mostrando como a vida que *não* é nossa, não pode jamais ser definida ou julgada, pois sequer chegamos perto do que parece ser e do que é realmente.

    Beijos para ti e manda meus cumprimentos à tua Claudia Antonini em sua magnífica estréia no O Pensador Selvagem: Do seio materno aos afrodisíacos. Ela é bamba!

    Meg

  9. Fal disse:

    beiba, eu adorei ler isso tudo. a gente sempre aprende com vc. :o))) te amo. como 2008 tá te tratando, mana?

    =-=-=
    MINHA AMADA QUERIDA
    LIGO E LIGO PARA VOCÊ e nunca sei se se mudou. PRECISO!!!!!!
    Já mandei recado que quero você minha deusa italiana AMADA E IDOLATRADA!

    HOJE DE TARDE CEDI MEU LUGAR PARA A ROSE!
    FALLLL , EU DEVO METADE DA DA MINHA VIDA A VOCÊÊÊÊ e queria que TODOS SOUBESSEM DISSO!!!!!!!!

    P<S. Amo você.

    Um beijo e vou ligar. AGORA!

  10. Meg, a amizade não está em jogo. A gente discorda e isto não significa nem beicinhos nem bombas de nêutrons. Imagine! Quando falo em inferno astral refiro-me apenas a uma fase em que discordamos em três questões consecutivas. E daí? E daí que não é nada grave. Afinal de contas, não precisamos concordar sempre, apesar de nos sabermos irresistíveis e maravilhosos…

    Bem, me encurralaste! Eu realmente baseio minha opinião no que li em jornais. Nunca avancei um passo além deles e, quando leio elogios ao PF, normalmente eles vêm acompanhados de exemplos de publicações em jornal. Talvez, se quando era jovem, tivesse cedido à vontade de ler os livros de Francis, tivesse outra opinião. Concordo contigo quando dizes que é errado sair falando mal de alguém sem conhecê-lo a fundo, but… quem faz isso? Normalmente, o meu grupo, o dos diletantes culturais…., temos opiniões abalizadas sobre quem admiramos e não de quem não gostamos, pois só um estudioso – e isto eu não sou – ou um masoquista vai procurar ler o que lhe desagrada.

    Beijos.

  11. palpi disse:

    Menina, mas isso aqui está uma delícia! Eu li o artigo na Folha, mas nada se compara ao que aprendi nos comentários. Que demais! Adorei! Obrigada, Meguita.
    Eu tenho certeza de que vc está ótima! Tenho, sim. Que bom!
    Beijo

    =-=-=-=-=-=-=

    Realmente, tirando a gripe, como vocês sabe, eu estou muito bem.
    A única coisa que devo registrar, mais para mim mesmo e para minha alegria é que devo tanto, devo muito ao carinho, aos cuidados que recebi de você.
    Que Deus e os anjos façam uma armadura forte;-)))
    Ser sua Amiga é BOM DEMAIS!
    OBRIGADA, QUERIDA!

    Beijos.

  12. Milton, espero que a Meg me dê licença para debatermos. Falo de um Paulo Francis pouco conhecido, daquele que a crônica familiar me revelou. Gente boa de mesa e de copo. Capaz de ficar horas bebendo e falando sobre literatura, cinema, música, esse tipo de coisa. Muitas vezes, nessas conversas, até pela força do álcool, perdemos a acuidade. Paulo Francis era assim, Sujeito capaz de desafiar Nelson Rodrigues, chamando-o de gênio. A brincadeira que mais fazia com o dramaturgo, quando trabalhavam no mesmo jornal, era sorrateiramente, quando o escritor se afastava, correr para a máquina de escrever dele e alterar completamente a idéia do que ele estava escrevendo. Quando Nelson Rodrigues voltava, dava uma lida e não se dava por vencido, continuava dali, mudando um parágrafo, uma vírgula, retomando o texto original. Paulo Francis era assim, um grande gozador.
    A arrogância dele era estudada, proposital, brincadeira.
    Embora não goste do PT e do Lula, e sinta prazer em ver o Mainardi esculhambando o que ele esculhamba, não posso deixar de considerá-lo fraco. Até porque quem critica sempre, tendo opinião cristalizada, sem nunca arejar as idéias, fica cada vez mais pobre. Como concordar com quem sempre expressa a mesma opinião? Em matéria de publicitário prefiro o pai dele, era bem melhor.
    E voltando aos eruditos, gente que lê muito, fala mais de uma língua, tem vasto conhecimento geral, acho que com a morte de Paulo Francis, perdemos um desses representantes. E sobraram bem poucos. No Brasil costumamos confundir arrogância com erudição.
    Grande abraço

  13. valter ferraz disse:

    Meg, não queria atrapalhar o debate que pelo que vejo rapidamente esteve acalorado(e ótimo!) por aqui. Mas aí vai:
    Simone de Beuavoir e J.P.Sartre fizeram parte de minha formação como homem, ser humano pensante. Num momento crucial de minha vida ainda no seminário, em busca de meu tempo perdido, foi nos seus livros que encontrei respostas para minhas angústias. Constam até no meu perfil no blog e fazem parte de minha biografia. Reputo a eles como meus “pais sociais”, aqueles que me fizeram “gente humana”. Só posso vibrar com a citação deles. E só No seu cantinho cultural encontro eco.
    Em tempo: discordo do amigo Milton Ribeiro, mas isso não vem ao caso.
    Beijo, menina

  14. Carlos disse:

    Bom, há vários Paulos Francis “públicos” (do “Francês” não falo, não conheci). O que se tornou conhecido do “grande público” foi o do Pasquim, que, apesar ou por causa da arrogância, escreveu ótimos artigos – quando não estava dando uma de “polemista” -, e, como era um leitor compulsivo, “apresentou” ao mesmo público vários autores pouco ou nada conhecidos; o Geoffrey Barraclough virou até piada, era invocado pelo leitorado em vão a troco de tudo ou de nada. Por que virou o fio e foi trabalhar para “um homem chamado porcaria”, epíteto que tinha pespegado no “Dotô” Roberto, é problema, ou solução, lá dele, teorias conspiratórias tipo “sempre foi da Companhia, só disfarçava” à parte. O que sim é que, a partir de um dado momento, virou paródia de si mesmo, principalmente naquele monumento à vacuidade intitulado Manhattan Concoction, digo, Connection. E, pior, começou a “sissi” e achar que podia dizer o que bem quisesse sem ter que enfrentar conseqüências – nessa tomou um processo, pra lá de merecido, pela lata e se ferrou. O pretenso romancista acho fraco, os personagens eram esquemáticos. Acontece que a última impressão é a que fica, e a que ele deixou foi a de um fanfarrão.


  15. Carlos, faço apenas uma ligeira intervenção (- queria que todos soubessem que o que mais me alegra nos blogs são as trocas possíveis que se podem fazer a partir da exposição espontânea do que sabemos e transformá-las em partilha. (partage du savoir):

    Seria muito bom que o “pedaço” de Francis que ficou fosse esse a que você se refere: o do Pasquim.
    E que você descreve muito bem, e não nega que ele escreveu excelentes artigos, introduziu na Botocúndia autores que não sei quando chegariam.
    O que ficou, Carlos, do Paulo Francis, pululando na cabeça de alguns é exatamente a parte robertomarinhiana. A parte final, a *cerimônia do adeus*, bem a propósito lembrada aqui.
    Acho injusto que seja assim. Quando vejo isso escrito em outros lugares nem sequer dou atenção. Não perco meu tempo com isso. E o que sempre quis dizer pro Milton, em rápidas palavras foram duas coisas simplérrimas: 1- o Paulo Francis NUNCA foi medíocre, ainda que não fosse gênio, era excepcional leitor e escrevia bem 2- Se ele não entendia de música erudita como o Milton entende, não é por isso que vai-se apagar toda uma vida, e jogá-la no lixo. Pronto, é só issso. O Mario Henrique Simonsen entendia de música erudita e de ópera. Hélas!

    Estivesse eu defendendo uma figura ou parte qualquer que fosse do Paulo Francis, eu lembraria a do Francis do Revista SENHOR onde ele editou Clarice.
    Lembraria de sua amizade e sua parceria com Amilcar de Castro e Mario Faustino no SUPLEMENTO CULTURAL DO JORNAL DO BRASIL. Só isso já “calaria” muitas *mãos blogosféricas*, Milton.
    Lembraria o lugar do qual ele se demitiu COMO DIRETOR para não prejudicar companheiros.

    Como eu tenho minha própria impressão do Paulo Francis, sinto-me extremamente mal quando se julga uma pessoa de quem não se gosta gratuitamente e atribui-se-lhe o que de fato não é essencial e sim, meramente. circunstancial.

    Geoffrey Barraclough ???!!!!! Pois olha eu não sei desse até hoje. Dunque…

    Um beijo
    Meg

    P.S. Milton, não estrague o debate com estilingue, quem disse que não acredito numa das melhores *boutades* que já ouvi a respeito do Mainardi? Que foi essa a que me referi, feita por você. O que lhe leva a dizer que eu não acredito nela ou penso que é brincadeira?
    Assim realmente…:o((((

  16. Estou em minoria, buscando apoios. Pago mensalão para quem defender.

    :¬))

    P.S.- Para o Lord: é sincero, a Meg pensa que é brincadeira, mas bem no início, lá na Veja, achei que o Mainardi fosse um humorista. (Dos bons….)

  17. Carlos disse:

    No mais, concordo que a grandimprensa é atualmente pra lá de paupérrima, em forma e em conteúdo. Lááá de vez em quando, e cada vez mais de raro em muito raro, sai alguma coisa lível no Mais! do Folhão, em que pese o ranço uspiunicampiano e a mentalidade de clubinho fechado, se mais cinco pessoas conhecem não presta. E olhe lá. O resto… Mas num país em que Arnaldo Jabor e Jô Soares – Paulo Coelho é, como diria o Ibrahim, “horse com c*” – são considerados “inteligentíssimos”, “gênios da raça”, vocês querem o quê? Sei, tá, tem – fora da grandimprensa – um Emir Sader, um Gilson Caroni, mais meia dúzia de três ou quatro. Quem tem mais ibope, esses poucos ou, sei lá, um “Erro do Escrivão” Pereira ou uma Míriam Porcina?

  18. Sandra disse:

    Nem ouso me meter no debate, oras! Mas eu fico meio encimesmada com o feminismo puro, abrupto, como forma de “medição de poder”. Talvez, naqule tempo, fosse importante. Hoje, não o acho mais…

    Beijos

    p.s. Eu sou uma mula, mesmo! Descobri esta semana que tu fez uma menção linda sobre minha estréia no OPS! EU MEREÇO O CANTO MAIS FRIO DO SEU CONGELADOR!!!

    +-=-=-=-=-=-=
    Hahahahahah!!!!!!
    Sandruska!
    Você é um barato total!: canto mais frio do congelador????!!!!! hahahaha. Nanainananão, o canto mais frio do meu congelador já está ocupado hahahaha….(hohoho)

    Sandra, como sempre você tem razão!
    Mas é como disse o noso querido Lord no primeiro comentário: Simone foi uma revolucionária, ela falou de coisas que possibilitam hoje você poder ser a mulher que é, em 1949. Ou seja ela uma referência, ela disse o que era preciso dizer e que não se dizia -veja bem:Ç na primeira metade do século passado.
    Isso é mérito ou não é?
    E ela justamente ela, experimentou e até agiu extamente ao contrário do que dizia.

    E depois se refez, porque quis. Vejo-a até um pouco ressentida por escolhas que teve que fazer na vida.

    Então é mais que recomendável, ler, tomar conhecimento.
    Tudo foi evoluindo. Mas não se engane ainda hoje há pessoas que não chegaram sequer a esse estágio.

    E você sabe quem quer mudar *o estado getral das coisas precisa ser radical num determinado momento.
    Não estou defendendo, só estou mostrando que uma mulher que nasceu quase cem anos ANTES de você teria que escrever com rigor e firmeza.

    No mais, a gente vai levando, sabendo que ainda tem muita gente (homem ou mulher) confundindo as coisas;-)
    E vou te contar uma coisinha no pé de ouvido: Como existe mulher machista. E olha que quando mulher é machista sai c de baixo!.

    beijocas, linda!

    megtz, bem warmful;-)

    P.S. Viu como você entrou na discussão trazendo inclusive um ângulo que ninguém tinha falado ainda.

  19. Carlos,
    A coisa, pelo visto, é política. Nasci e cresci em berço totalmente voltado para a esquerda. Libertei-me faz tempo desse grilhão. A minha opinião reflete apenas o meu pensamento, tanto faz se agrada ou não tendências. O Paulo Francis é visto como um dos símbolos da direita. Muita gente, não estou dizendo que é o seu caso, acha-se na obrigação de atacá-lo, com medo de parecer reacionário. Conheço gente boa e ruim nas duas tendências. Se o pensamento político me pautasse, não leria Borges. Muita gente, aliás, acha-se na obrigação de criticar o Jabor pela mesma razão. Sou dos que acha que ele escreve razoavelmente bem e diz, freqüentemente, boas verdades. Colocá-lo junto com Jô Soares (esse, sim, muito arrogante, e sem ter do que) e o Paulo Coelho é um certo exagero.
    Grande abraço

  20. rose marinho prado disse:

    Boa conversa. Tô de olho.

  21. Meg, é que escreveste isto: “Quanto aos epígonos, adoro uma blague que tu fazes: ´Eu gostava do Mainardi pois achava que ele era humorista`.

    Pois bem, não era uma blague. Eu achava que tratava-se de um humorista MESMO. Até porque sua coluna ficava lá no fim da revista, longe da política, falando sobre política… Aí achei que era uma gozação e me divertia com aquilo até que um amigo esclareceu-me que ele era “sério”. HAHAHAHAHA Sou um boca-aberta!

    Lord (e Meg, claro), correto, estamos discutindo PF. Jabor está num departamento próximo, mas Jô e Paul Rabbit pertencem, respectivamente a outros dois, bem mais perto do chão. É complicada a questão porque provoca paixões. Francis fazia um tipo extremamente provocativo dentro de um órgão de imprensa mais do que suspeito, numa época em que se acusava a Globo de induzir eleitores, etc., lembram? Era Francis e toda uma circunstância que talvez tivesse me impedido de chegar a ele como deveria ou poderia. Ora, admito que se eu tivesse sido um leitor do Pasquim ou de seus livros, talvez estivesse do outro lado da discussão.

    Porém, hoje, não me sinto tentado a lê-lo, mesmo sabendo que vocês – pessoas que eu respeito muitíssimo – o admiram. O Torre de Marfim, blog que eu leio sempre – gosto muito dos textos dos dois autores, que tornaram-se meus amigos, acho -, também dedicou-se a me espinafrar (educadamente) por minhas opiniões anti-Francis.

    Aqui, ó: http://atorredemarfim.apostos.com/archives/2007/02/post_1.html

    Sim,o Matamoros e o Arranhaponte são jornalistas e espero que não venham aqui me retrucidar. Então, como jornalistas, têm uma visão inteiramente diversa do, repito, homem com cara de batata doce… (Golpe baixo, eu também provoco, claro.) Os jornalistas o amam. Leio sua obra jornalística e acho fraca. Enfim, eu e Francis nunca vai dar certo e nem é importante que dê. Eu sou menos que um cisco em comparação com ele.

    Duas coisas: (1) O que eu acho curioso é que ninguém moverá um centímetro sua posição pré-discussão, mas se aprendem muitas coisas. (2) O que acho desnecessário é esse troço de invocar posições políticas, etc. A Meg e o Lord (apesar de sua evidante nobreza) não são conservadores ou retrógrados, etc., só para utilizar umas palavras antiguinhas.

    Mais uma coisa: sempre fiquei meditabundo com isto. PF, dias antes do enfarto, foi a um médico amigo seu e reclamou de dores no ombro esquerdo. Eu sei, vcs sabem e todos os médicos sabem que este é um tipo de dor que merece uma análise mais aprofundada, pois, tipicamente, é seguida de um enfarto, ainda mais se o sujeito é homem, gordo e tem cara de batata inglesa! Quando ele morreu, eu estava na praia com um grupo de amigos onde havia três médicos e eles – que detestavam PF – disseram “Puxa, mas o médico amigo queria ver o Francis morto!”. Ou seja, não fosse a mãozinha do amigo, ele poderia ainda estar por aí, não?

    Beijos às mulheres, abraços viris aos homens.

  22. Puxa, eu mandei um comentário imenso e ele sumiu!

  23. Ó, o comentário voltou e eu tentei reescrevê-lo!!!!

  24. Hahahahah!

    Milton, quando acontecer isto, já sabe, é só dizer, como fizeste, o coment foi – por alguma razão para o ASKIMET.

    Bem, querido, então é minha vez de pedir desculpas.
    Eu realmente achei que era uma joke.

    Olha só, como vivo em outro fuso horário (ô paisão, esse nosso) agora são 15 horas ainda aqui e estou ido para a médica.
    beijos e adotei o pouco que li em tua resposta.
    beijos e mais beijos a T-O-D-O-S!!!!
    Megtz de 1.500.00 megahertz.

    P.S.. Valter, adorei seu comment.
    Vocês todos são FERAS!

    Bye

  25. É uma joke, só que involuntária, né? Melhor dizendo: sou uma joke!

  26. Milton, meu caro,
    Estou gostando bastante de nosso papo. Se tivesse que indicar um livro do PF (fica parecendo Prato Feito), indicaria Cabeça de Papel. Essa turma do Pasquim, gente como Paulo Francis, Ivan Lessa (que lá em casa era o filho do Orígenes), Tarso de Castro, Millôr, Ziraldo, Henfil, fez a minha cabeça durante muito tempo. Como não lembrar da entrevista antológica com a Leila Diniz? Eles diziam coisas que ninguém tinha coragem de dizer na época. PF falou o que havia para ser falado na hora em que era necessário. Foi preso por isso. Se mais tarde se complicou, cometeu alguns deslizes, está perdoado. Pelo menos por mim.
    Uma coisa que você colocou e que me parece importantíssima nas discussões, é o fato de ninguém arredar pé de suas convicções. Tenho me esforçado muito para perder esse vício. O sectarismo não me parece virtude. Quando discuto, creia-me, quero ser convencido de que não estou assim tão certo. É quando sinto que a discussão valeu à pena, até por ter aprendido alguma coisa nova, conseguido enxergar sob outra ótica. Só assim, com esse espírito, vale à pena essa troca de idéias. Afinal, só estamos aqui gastando os dedos por acreditar que o outro tem o que dizer.
    Você não é um ou uma joke. O Mainardi, sem dúvida, é.
    Grande abraço

  27. Ana Vidal disse:

    Nem me atrevo a interromper este interessantíssimo debate, gente. O que se aprende aqui, meu Deus! E eu que tenho vindo tão pouco…
    Mas afinal é sua, Meguita, a frase mais genial que aqui encontrei: “Somos o que fazemos do que fizeram de nós”. Tão verdade isto, querida! Depois de toda a filosofia que absorvemos enquanto nos formamos como gente, resta o lastro que fica de tudo isso, e esse lastro é, realmente, o que somos. Apetece-me dizer como o poeta: “Não tenho filosofias, tenho sentidos”.
    Obrigada pelo seu post sobre esta figura fulcral do século prodigioso, Meg. Sabe que, ainda hoje, eu tenho a sensação de que a Simone B. e o Sartre foram assim uma espécie de Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont, divertindo-se perversamente com as cobaias que representavam todos seres humanos que os rodeavam? Essa era a faceta antipática deles, essa cumplicidade implacável e pouco humana. Mas também, concordo, levantaram muita poeira que era preciso varrer das mentalidades da época. Isso temos que agradecer-lhes, porque foram dois espíritos privilegiados que fizeram girar o mundo.

    Você também faz girar a blogosfera, amiga. Parabéns!
    Um beijo
    Ana

    =-=-=-=-=

    Ueba!!!!!!
    Eitcha nós!
    Viram só? Conheceram, papudos, viram o que a miúda e querida disse de mim;-))))))))
    Pois é, respeitinho comigo. Isso é só pra saberem com quem estão a lidar;-))))))

    Gente, é quase que minha obrigação fazer esse meu humor duvidoso, já que não sei fazer boutades, blagues e jokes, nem dizer coisas sérias com a aparência de humor devastador como o Milton!!!!!!

    Bem, menina Ana, obrigada, claro, e digo-te que acho que a coisa era mesmo assim. Só não respaldo totalmente a impersonation dos caracteres de Choderlos de Laclos, porque o clima era outro, mais aberto para o mundo, mas que eles tinham prazer sim mover cordas de destinos, ah isso lá *creio* que tinham.

    A questão é que Simone provou de seu próprio veneno quando conheceu o americano Nelson Algren em cartas que foram encontradas e publicadas.
    E o último livro “Cerimônia do Adeus, em que relata os últimos momento de Sartre é puro ressentimento.
    Humano, demasiado humano.

    Você, as usual, absolutamente *perfurante*.
    E eu agradeço as boas palavras, ai que bom que me sabem;_))).

    Ainda aguardo tempo melhor para conversarmos. O post sobre a Turquia está esplendoroso.

    Tendo um tempo decente vou a demorar-me mais por lá. Pela porta do vento, é claro.
    Muitos beijos. tipo xi coração.
    Meggy

  28. valter ferraz disse:

    Meg do pouco que lí do Paulo Francis (Cabeça de Negro foi o meu preferido), acho que ele ficaria puto da vida em terem misturado-o à Sartre e Simone de Beuavoir. Ele era brilhante, pedante e muito, mas muito lúcido mesmo e de um humor desconcertante. Era muitoi difícil acompanhá-lo numa discussão.
    Beijo, menina

    =-=-=-=-=

    ;-))))
    Um beijão, Valter.
    E pra Aninha também que estou com saudades.
    Obrigada, querido. estou me cuidando, diz a ela.
    Megz

  29. Nelsinho disse:

    “Li” Sartre no tempo em que não lê-lo era sinônimo de falta de cultura… E pelo que me lembro, eu sofria mesmo dessa falta de cultura, porque saía fazendo um show off com “A Náusea” no sovaco, esperando que o texto “entrasse” pelo sovaco…

    Leitura mesmo, só muito mais tarde.

    Um beijo, Meg

    Nelsinho

    =-=-=-
    Hahahahahahah!!!!!!!!
    Hahahahah!
    Essa eu não conhecia, mas faz muito jeito e sentido….
    Um beijo querido.
    Meg

  30. rose marinho prado disse:

    A TV Câmara vem mostrando, 22h, séries de entrevistas com Sartre. Simone tá lá; mais pra pontuar e perguntar. Hoje devem mostrar a parte 2.
    Francis, respeito a coragem, nível de saberes e genialidade. Mas Sartre me formou, já no colegial. Daí, não me livrar dessa paixão.
    Na entrevista , claro, fala do avô e da mãe ‘menina’, do padrasto mau e das rupturas com mãe e avô. Relata a falhas no seu processo intelectual. Quando iniciou sua filosofia, não conhecia nem Freud nem Marx. Foi Aron q lhe apresentou a fenomenologia de Hurssel.Essa sinceridade é que me comove. Porque ela não compromete epistemologia alguma. Não deixa de ser um método já que ele expõe de onde ele partiu pra escrever.

    =-=-=-
    Puxa, Rose, malvadeza deles, fiquei à espera e só passaram Literatura Fundamental. Autor português, viu?
    Beijos, não deixe de me avisar.
    Hoje isto é, ontem, não foi uma dia legal, não foi mesmo.
    Beijos, querida Torça por mim, OK?
    Meguita

  31. Orlando disse:

    Grande debate. Já favoritei o Milton e o Lord. Meg, espero que estejas bem, volta logo, Frauen, assim ficamos preocupados. Ana , seu blog é ótimo e da Rose já disse o que penso.
    Minha mulher aqui do lado pedindo pra perguntar sobre o Globo de Ouro. Eu tenho juízo e obedeço:)
    Já é noite, estejam bem, até mais.
    Parabéns, moçada!

  32. BICHO-DE-SEDA
    by Ramiro Conceição

    à MEG

    Dois olhos brotam da Terra…
    No Oriente, nasce o Presente.
    E o Passado — no Ocidente!

    Somos Futuro dum Passado d’Estrelas,
    e Presente, num Futuro, a ser lembrado.
    Se o Universo for fechado: somos Eternidade.
    Mas se aberto: somos — Efemeridades!

    Então, como é possível a presunção de verdades,
    se não passamos, até agora, de assassinos seculares?!

    Muitíssimos
    não perceberam ainda
    que é preciso ser digno!:

    UMA OFERENDA VIVA À VINDA
    DO MISTÉRIO MARAVILHOSO!

    Assim, inventarei um grupo de rock,
    jovem, de nome: BICHO-DE-SEDA!

    =-=-=
    Obrigada Ramiro e desde já eu desejo sucesso.
    Quando gravare o disco, digam-me, OK?
    Meg

  33. Queridos , não tenho mesmo como agradecer a todos, todos que tiveram a gentileza de escrever algo a respeito do assunto, – claro, Paulo Francis tem tudo a ver e espero que tenham ido ler o professor Gilson Caroni.

    Creio que não há quem desconheça o quanto, todos nós, e eu especialmente, gostamos quando acontecem momentos felizes como este que me deram de presente.
    Há uma felicidade imensa em vermos pessoas inteligentes, como aliás são todos os que lêem o SR, mesmo os que não comentam, a deixar suas opiniões, seus pontos de vista, a respeito de uma questão, de um problema etc.
    Tudo como o Lord disse, expormos pensamentos é submetê-los a um crivo que é o pensamento do OUTRO que também se expõe. Mas não para simplesmente exibí-los, no sentido de : “olhem como eu sei das coisas!” ou “eu acho que isso é isso e tá acabado”, ou, mais frequentemente, o “discutir por discutir só para ganhar a discussão” e muito menos para *imobilizar idéias!!!! Não, isso não!
    Au contraire.
    Um debate, uma discussão é uma ginástica do pensamento e só tem valor se for para obter um alvo que é: o fortalecimento da análise e da crítica. Um aumento da qualidade de ver as coisas com a mente. E todos saem ganhando, aliás, ganhando não, pois ganhando pressupõe que outros percam, o que se sai é enriquecido, com certeza sabendo mais. Ou então com mais dúvidas, que é o estado ideal para obter-se mais conhecimento: De *certezas* andamos todos, todos cheios, não é?
    O ganho muitas vezes está em perdemos *todos nós* alguns de nossos *pressupostos* que nem sempre correspondem a uma realidade.
    A “paixão” também é desaconselhável, tanto quanto a frieza e a indiferença – e adquirimos o necessário controle à medida em que substituímos o desejo de impor uma opinião (aos outros ou a si mesmos) pela justeza da lógica. Ou dos fatos.
    Eu agradeço a todos em geral, mas particularmente a você, Milton e a você, Lord, pois espero que todos saibam, que não é que eu REDUZA minha vida ao virtual. Apenas faço do blog uma janela impensavelmente extensa para a realidade. Sob todas as formas. Meu mais importante objetivo, ontem hoje e sempre foi, é e será *aprender*
    E partilhar ou adquirir saberes, beleza e conhecimento é um bem inapreciável.
    Um beijo e abraços respeitosos e afetuosos.
    Meg
    P.S. Um obrigada especial ao Carlos.

  34. valter ferraz disse:

    Meg, puta que o pariu! Falou tudo, mulé! e Viva Simone de Beauvoir que possibilitou isso tudo.
    Beijo, menina

    =-=-=-=

    ;-))))
    Obrigada a você, Valter.

    Simone , acredito, sem desmerecê-la, foi apenas um valioso pretexto.
    Espero que venham outros, muitos outros.
    Beijos.

  35. Ana Vidal disse:

    Ora, é isso mesmo!
    Ginástica mental é o mais importante.
    Um beijo, querida.
    Estás em forma, Meg, que bom!!

    =-=-=-=-=-=
    Obrigada, Aninha
    Vamos agora preparar a vossa vinda: a tua e a da já querida atia Guereiro.
    O brasil merece e muito.
    Um beijo
    Meg

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