MAGRITTE, MAIAKOVSKI e Maravilhas do APRENDER (post in progress)

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Este post vai sendo feito aos poucos, inspirado nos aprendizes e ensinadores do Aprendendo a Aprender, uma bela experiência coletiva .Não há muito o que dizer, há muto a fruir: o blog é todo incitação, convite, exposição, para a vocação mais persistente no homem: o desejo. De saber.
Bookmark, urgente, por favor a si mesmos: Aprendendo a Aprender:
Obrigada aos aprendizes -eles são cinco – por me recordarem o que disse o *dono* deste blog, Guimaraes, o Super Rosa: “Não é Mestre aquele que só ensina, mas o que de repente aprende. Cerne sabido, mas se aprofundando, Rosa nos lembra que não controlamos o que ensinamos, que ensinamos até o que não sabemos. Ensino mesmo é a arte de ver, rever, lutar para não esquecer. A aprender.
Esta reprodução é de um quadro de René Magritte: Le tombeau des Luteurs… de 1960. Que eu não conhecia e olha que sou magritteira, desde o tempo do Império.
Ora, ora, ora…mas onde é que esses meninos aprendem essas coisas pra ensinar pra gente?
=-=-
Volto, logo, para os poemas de Maïakovski.
Sobre ele podem ler aqui neste site, que é, digo com orgulho, feito em Belém do Pará, por paraenses.
O POEMA. http://culturapara.art.br
Acerca de Vladimir Maiakovski, aqui,

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LILITCHKA!

EM LUGAR DE UMA CARTA
Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto —
um capítulo do inferno de Krutchônikh. (1)
Recorda —
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração – aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
No teu “hall” escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consintas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.

Quando um boi está morto de trabalho ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval –
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.

26 de maio de 1916. Petrogrado.(²)

(Tradução de Augusto de Campos)

¹ Alusão ao poema “Um jogo no Inferno” de A. Krutchônikh e V. Khlébnlkov
² É freqüente, entre os russos, o hábito de datar as cartas no fIm.

Este poema – à guisa de carta- foi feito para Lila Brik, o grande amor da vida do Poeta, Vladimir Vladimirovitch Maïakovski (em russo: Владимир Владимирович Маяковский ) que também era pintor, ator, dramaturgo e roteirista, e por grandioso e angustiado, se suicidou em 14 de abril de 1930. Tinha 36 anos.

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Carta a Tatiana Iácovleva

No beijo das mãos,
na boca que me beija,
no corpo dos meus próximos,
que freme,
a cor
das minhas repúblicas
-vermelha-
deve estar
sempre
acesa.
Eu não amo
o amor de Paris:
cadelinhas de seda
-que se enfeitem!-
em vão.
Espreguiço-me,
e vou dormir,
como quem diz:
“Tout beau!”
aos cães raivosos
da paixão.
Na estatura
só você me ombreia,
fique pois,
sobrancelha a sobrancelha,
ao meu lado.
Deixa
que eu faça alarde
como homem
da grandeza da tarde.
Cinco horas,
e a partir de agora
o pinheiral humano
espesso
amaina:
esmorece
a cidade e sua faina.
Ouço apenas
a discussão dos apitos
dos trens para Barcelona,
ríspidos.
No céu negro
raios piscam passos,
um trovão
de impropérios
no drama dos espaços.
Nuvens de tempestade?
Não.
A simples sanha
do ciúme,
que remove montanhas.
Não creia nessa estulta
argila bruta dos vocábulos,
que esse tumulto
não te cause susto,
hei de frear,
hei de domar o impulso
de um sentimento
de rebentos fidalgos.
A sarna da paixão
pode cair em crostas,
mas a alegria,
esta não se esgota,
quero cantá-la
como quem conversa
longamente,
singelamente em versos.
Ciúmes,
esposas,
lágrimas…
Se danem!
Como Vii
com suas vistas congestas.
Não é por mim
que tenho ciúmes,
antes
me enciúmo pela Rússia Soviética.
Eu vi
os remendos sobre as costas
que a tísica
lambia
suspirando.
E então?
A culpa não é nossa-
cem milhões
andavam definhando.
Hoje
para esses
nossa afeição mais terna-
nem todos
se corrigem
com esporte,
mas em Moscou
serão úteis
criaturas com teu porte:
falta-nos também
gente de longas pernas.
Para isso
em meio à neve
e em meio ao tifo
você andou
com essas pernas altivas?
Para entregá-las
numa ceia furtiva
às carícias
de empresários petrolíferos?
Pare de cismar,
olhos sem rumo
pestanejando
sob os arcos a prumo.
Venha cá
para o abraço cruzado
dos meus grandes
braços desajeitados.

Você não (me) quer?
Hiberne então, à parte.
(No rol dos vilipêndios
marquemos:
mais um X).
De qualquer modo
um dia
vou tomar-te
sozinha
ou com a cidade de Paris.
(1928)

Vladimir Vladimirovitch Maïakovsky (7 de julho de 1893 -14 abril 1930)

*****
ADENDA: Aqui uma versão em inglês da carta à Tatiana, que era mulher lindíssima, mas..
E aqui encontrei uma interessante descrição de Lila Brik.
****
Pessoas queridíssmas, desculpem se não saiu bem, ou se não saiu melhor. Amanhã HOJE é o dia do meu retorno ao médico, lembram, aquele da consulta no dia 16? Pois é, estou muito ansiosa.Alguns dos meus exams não foram lá muito bem…. mas espero que torçam por mim.

Este post é também feito pra querida e adorável Magaly que hoje ONTEM -submeteu-se à delicada intervenção cirúrgica oftalmológica. Mas está tudo bem. Ainda bem. Beijos, minha amorinha.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

12 Responses to MAGRITTE, MAIAKOVSKI e Maravilhas do APRENDER (post in progress)

  1. valter ferraz disse:

    MegMae(desculpe, não resistí) bom te ver na ativa assim, beleza!
    Tô no corre hoje, se der à tardinha páro e leio tudíssimo, tá?
    Beijo, menina

    Meg Mae só se for West;-)

    Tá, tudo bem…;-), mas vê se pára um pouco e se cuida mais um pouquinho, né?
    Beijo
    MMW

  2. Eduardo disse:

    Querida, Meg,

    assim é que se blog!
    Que eu aprendo.
    Sempre, vindo beber saber e experiência, aqui.
    As rosas falam.!

    Muitos beijos e contente por ve-la circular!

    =-=-
    Ô Edu… tô devendo uma pra vc : me aguarde.
    beijo, querido
    Meguita

  3. Mário disse:

    Vim te desejar um bom final de semana, Meg.

    =-=-=
    Valeu, Mario
    Fico sempre MUUUITO feliz quando vc vem aqui, e quando vou lá também.
    Um beijo
    Obrigada
    Meguita

  4. Luma disse:

    Meg, aquele site é um pedaço de bom caminho. É para passar por vez, uma tarde inteira!
    Aprender e ensinar é cíclico, como a vida! Como pais e filhos, que no correr da vida, invertem seus papéis.
    Dê as notícias do médico.
    Bom fim de semana! Beijus

    =-=-=
    Luma querida, obrigada, vc é uma querida, um amorzinho.
    Falarei depois sobre aquela pergunta, inclusive levei-a para o médico
    Desconfio que se soubéssemos a resposta para ela, não haveria mais ninguém sofrendo.
    Mas , aguarde que respondo, sim
    Te adoro, vc sabe.
    Beijos e obrigada
    M.

  5. Regina disse:

    Meg, o Expedito Leal, um dos mais fiéis amigos do Flores, vai colocar um texto sobre o Dalvino lá no Afonso, segundo me avisou.
    Tás vendo como tua postagem foi abençoada e rendeu frutos? Parabéns.
    bjs
    Regina

  6. Regina disse:

    Ele já colocou.
    bjs
    Regina

    ====
    Régia, querida, fui lá e só vi o post sobre a inauguração amanhã, da TV DIGITAL.
    ?????!
    beijos
    Tô mortinha de dor de cabeça:o(((
    M

  7. regina disse:

    Mas ele colocou lá nos comentários do nosso post, mana.
    bjs
    Regina
    PS: V~e o que o Afonsinho falou da Graça Ohana, o safado.

  8. Hahahahahaha!
    A-do-rei!!!!!
    Sabes como estou, e ele (e tu) salvou o resto da minha noite e provavelmente o meu sono e o dia de amanhã!
    Hahahaha

    Hahhahahahah, não paro de rir, e olha que estou in very deep depression.
    Depressão desmoralizada, mas assim mesmo depressão.
    Maninha, esse menino é meu ídalo M-E-S-M-O!!!!!.
    Dá um beijo na Graça Ohana, que eu mando (ela deve estar “sissi”, com justa razão).

    Mana, o Afonsinho tem que ser tombado como patrimônio mulheral da Humanidade!
    A-do-rei!!!!
    E tu ficaste com a a melhor parte, hmmm, sabe como é, né?
    ;-)))))))
    Beijos, mana, beijos

    P.S.
    Muito bonito o que o Expedito Leal fez, merece uma publicação.
    Aliás, uma excelente análise, como tu mesma iniciaste lá.!
    Gostei demais!
    Se ele fizer um lead eu publico no SubRosa 3
    Beijo, muito beijos

  9. regina disse:

    Mana, acho que tu devias passar um mail para o Expedito (está lá nos comentários do “nosso” post) que ele deve fazer, sim, o que disseres. Acho que ele vai ficar alegre.
    E eu disse pra Graça que o Afonsinho safado ia dizer isso.
    Ele me disse isso há séculos.
    bjs
    dorme bem. Tb. já vou
    Regina

  10. Olha só, mana
    Devias falar primeiro, eu falaria em seguida.
    E não esqueças que foi no subrosa3 que publiquei aquela entrevista com o professor Benedito Nunes.
    Basta que ele faça um lead. Mas do ponto de vista de quem vai publicar, ou seja o blog, isto é…eu;-),
    que estarei falando para quem também não o conheceu mas ficará conhecendo.
    Vou ver como faço isso.
    beijão.

  11. O'Sanji disse:

    Ando arredada, mas, sempre que posso, passo aqui.
    Nem sabia mais onde lhe deixar minha mensagem, mas vai ser aqui.
    Por duas razões:
    – Tem um recado para você no plan(o)alto.
    – Last but not the least, fique sabendo que a vou “roubar”.
    :-P
    Sempre te leio, mesmo quando não digo nada.
    Beijos, Meguita

  12. thainara disse:

    eus sou a thai e gostei muito dessa rosa claro parece comigos rsrsrsrsrsrs nem se achewi né mais tudo bem!!!!!!

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