Parem as rotativas: Joel Silveira, profissão repórter (R.i.p)

Seria mesmo muita pretensão (coisa que aliás não me falta, para meu embaraço, algumas vezes e alguma pequena glória, em outras) a minha de fazer um necrológio de Joel Magno Ribeiro Silveira, na certidão e conhecido por todos os brasileiros que não só respiram, mas vivem, como um dos maiores repórteres de toda a História do Jornalismo.
Para escrever este texto não quis consultar nada nem ninguém. Sei como são os elogios fúnebres, ah eu sei. Afinal, o gênero é grego. Se é que me façoclara.

JOEL SILVEIRA ( setembro de 198 – agosto de 2007) foi um ser híbrido. Híbrido por demais eu diria: foi poeta, cronista, contista e tentou o romance em suas incursões literárias. Mas foi também político (Secretário de Educação do Estado de Sergipe).Agora o que fez de melhor, mesmo, no duro, foi ser repórter. Escritor (no sentido que se dá a quem escrve e é publicado) prolífico, repórter absoluto!

Ganhou prêmios importantes: o Machado de Assis , em 1998, pelo conjunto de sua obra e ganhou um honroso Prêmio Jabuti. Um prêmio Líbero Badaró (prêmio jornalístico)

O que eu queria escrever aqui é que ele era e foi muito, mas muito importante. A última notícia que tive dele foi em conversa com o querido Luiz Gravatá, meu Captain, e amigo de Joel – afinal, de quem o Gravatá não é amigo? E é *ruim* achar alguém com relevo e importância que não seja também amigo do Gravatá. Ou conhecido: ele estava mesmo muito doente.

Agora me digam, se ele estava tão doente e se atingiu a tal *idade provecta*, porque será que Carlos Heitor Cony na Folha de S. Paulo fez uma homenagem, re- publicando um texto antigo de 1998? Por que os necrológios dos colegas não estão coalhando a Internet ou os blogs de jornais? Por que esse vexame tão fácil de ser evitado?

A única – aprendi duramente, como crítica, que não se devem usar esses advérbios generalizantes, superlativos e excludentes, portanto deixem-me logo acrescentar que a única grande e boa matéria sobre o Repórter que se vai é a do Geneton Moraes Neto , em seu site e que tem a qualidade de mostrar que doente embora, Joel estava trabalhando e investigando, ocupado com os acidentes envim o descalabro (não só) aéreo do País e certamente sem poupar o Governo.

Agora o que eu queria mesmo era saber quem foi que colocou na cabeça de quantos que o Joel Silveira guardava alguma parecença, semelhança com Paulo Francis… ah isso eu queria.

Nada, absolutamente nada a ver.

Eu comecei a conhecer e a saber a respeito de Joel numa época em que a Universidade (ou se quiserem a Academia, se eriçava com a questão jornalismo X literatura.

E conheci o maravilhoso (meg-avilhoso, sim) texto de Joel, um encanto, uma delícia de sarcasmo, pimenta bem ardida, rascante e ferino, e um magnífico contador de causos. E criador de casos. E que ia às raias da deselegância e da ofensa mais desatinada.

And that is that.

Ele foi protagonista de uma das mais sborosas histórias que se têm notícia no mundo jornalísticos e eu que proverbialmente não sei contar piadas e nem *anedotas* (que são coisas diferentíssimas) como estou no meu blog e com meus leitores que são condescentes comigo (sim, eu sou uma flor amorosa) vou tentar reproduzir, pois já soube em terceira mão, contado, por ele, para uma entrevistadora famosa a nossa Oriana Fallaci, pisc* , Marilia Gabriela:

O Joel SILVEIRA deve muito da aura que possui ao seu talento colocado em cheque pelo medo: Ele se meteu numa enrascada do tipo “cherchez la femme” nos Diários Associados e como castigo o Assis Chateaubriand o mandou ser correspondente da F. E, B traduzindo, ele foi obrigado a ser correspondente de guerra. Morria de medo e Chatô lhe deu a ordem, sabendo o grande repórter que tinha, ordenou: “Você me vá cobrir a guerra e por favor não me morra!”

E Marília, séria perguntou: E aí? você não morreu?

Joel ainda mais sério: Claro que não morri, Marília, se eu morresse estava despedido.

Pano rápido!

E toda a minha admiração por Joel. Um comprador de casos . Grande Repórter. Grande bibliografia que eu me dispenso de escrever aqui. Vale tudo o que você encontrar que não seja literatura, mas Tempo de Contar, Record, 1985 – é o máximo. Faça-se o favor de não deixar de ler.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

5 Responses to Parem as rotativas: Joel Silveira, profissão repórter (R.i.p)

  1. Eduardo says:

    Meguita, querida,

    concordo com você, não há o que comparar com Paulo Francis! Agora virou mania, se quer elogiar alguém, desenterram o Paulo.
    Joel foi o reporter, e dos bons!

    Bjs.

    =-=-=-
    Pois é, Eduardo, é isso mesmo. E eu iria mais longe: também quando querem ofender:-)
    Na verdade, quem perde com isso são as pesoas que ficam confusas cada mais e não sabem que não houve só um só aulo Francis, naquele homão de quase 2m de altura, de uma educação e polidez incríveis, e que não foi só um foi tantos.
    E que, como diz o meu amigo, descarrilou – e não lhe tiro a razão…
    E- embora a cultura enciclopédia do Francis estivesse falhando nos ultimos anos, ele não pode ser cristalizado somente com o último Paulo Francis.
    Além de que o Francis yada..yada.. yada…
    beijos, querido
    Meguita

  2. Meg, querida o teu post ficou muito legal, completinho. Como sempre, vai a fundo nos assuntos.Agora, deixa eu dizer: lá no perplexoinside ninguém o comparou ao Paulo Francis. Foi apenas uma referência ao estilo de ambos. Não literário ou jornalistico (que nem conheço o do Joel, pois confesso por lá que não o conhecia), mas estilo de ser, modo de expressar. Contuntes, irônicos, sarcásticos e um pouquinho cruel. Foi isso que pude inferir nos comentários., E é o que sempre me atraiu no Paulo Francis. Quando ele esbanjava cultura eu não gostava, cada um que faça proveito da sua cultura, quem não tem que corra atrás (fiz isso minha vida inteira). Agora, quando era irônico(e, como era!), sarcástico,l cínico e cruel, eu adorava

    =-=-=-
    Querido Valter:-)
    Sinto imensamente desapontá-lo, mas com todo o respeito não foi no seu blog ou em sua caixa de comentários que eu li isso.
    A procedência maior foi mesmo off the record.
    E leia o meu post com atenção que vc verá quem está sendo leve e docemente aguilhoado:-)
    Um beijo,
    Meg

  3. Continuo: eu nadorava e teria adorado também o Joel Silveira. Este sim, devo correr atrás do prejuízo. Não preciso mais que duas linhas à respeito de uma pessoa ou de um assunto para saber que perdí o bonde.
    No mais, aprendo sempre contigo,
    Beijo grande, menina

    =-=-=
    Continuo:
    Um grande beijo e quando é sai???!!!

    já tô ficando “desinquieta” e consumida:-)
    ]
    Beijão

    Meguita

  4. Magaly says:

    Vc tem razão, Meg, Joel Silveira foi um repórter acima dos parâmetros conhecidos. Combativo, ousado, competente, ele fez uma careira brilhante e merece nossas homenagens. Pretendo um dia ler Tempo de Cont.ar

  5. Meg,
    querida estou tão ansioso quanto você (ou mais, não sei). Está na mão do editor. Depois de longo silencio, ontem falou-me via fone que devido à greve do pessoal do MinC, sacumé né? atrasou tudo, e blá-blá-blá- acho que vai mais de um mes ainda.
    Na espera e na espera. Fazer o quê?
    Beijo querida
    (prá fazer o folow up do livro entrar naquele link lá: MEU LIVRO)

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