Porque a Amizade é uma forma especial de Amor…

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A UM AMIGO DISTANTE

William Wordsworth

Por que estás em silêncio? É teu amor a planta
De tanta fraca fibra em que o pérfido ar
De ausência o que era assim formoso irá secar?
Nem dívida a pagar, dádiva que garanta?
Porém meu pensamento em ti é vigilante,
Atado a teu serviço em incessante zelo
A mente sem doar requer um mendicante
Por nada, mas poupar que possa teu desvelo.
Fala! embora este doce ardente peito, fito
Para ter mil prazeres almos, meus e teus,
Ficou mais assolado, um esfriar aflito,
Que um ninho abandonado e pleno de nevadas
No mesmo matagal de rosas desfolhadas
Fala, e a ânsia das dúvidas, seu fim saiba eu!

Why art thou silent? Is thy love a plant
Of such weak fibre that the treacherous air
Of absence withers what was once so fair?
Is there no rkbt to pay, no boon to grant?
Yet have my thoughts for thee been vigilant,
Bound to thy service with unceasing care –
The mind’s least generous wish a mendicant
For nought but what thy happiness could spare.
Speak!- though this soft warm heart, once free to hold
A thousand tender pleasures, thine and mine,
Be left more desolate, more dreary cold
Than a forsaken bird’s-nest fill’d with snow
‘Mid its own bush of leafless eglantine
Speak, that my torturing doubts their end may know!

William Wordsworth (1770-1850 – Inglaterra)
In: Grandes Poetas da língua inglesa do século XIX,ed. bilingüe,
organização e tradução por José Lino Grünewald. Rio, Nova Fronteira, 1988)

[*] Young Girl Defends Herself From Love” by William Bouguereau in 1880;

José Lino Grünewald

E por falor em Amizade, olhem aqui;-)

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

22 Responses to Porque a Amizade é uma forma especial de Amor…

  1. Perfeito.
    A amizade é uma forma especial de amor.
    E é assim que amamos você, que queremos ver seu sorriso, sua risada gostosa, ao dizer que tenho vóz de artista, ahhh…
    É assim no silencio, que amo meus amigos e penso neles, querendo toda a felicidade do mundo para os mesmos.
    Ora faço orações, ora penso com carinho e muita força, ora desejo que naquele momento seu rosto esteja iluminado por um sorriso lindo e feliz.
    Um beijo e um lindo dia.
    =-=-=-=
    Querida Aninha,
    muito obrigada.
    continue orando, não resisto, aninha e depois mostre pro se BEM, que ele traduz:
    keep up the good work!
    Não tem erro; tô precisando!
    beijos minha linda
    Meguita

  2. horvallis says:

    Obrigada pela visita, Meg !
    Pode usar os selos. Essa coleção é linda.
    Gosto muito da poesia inglesa dos séculos 18 & 19, especialmente dessa inspiração bucólica que ela sempre tem.
    Bisous !

    ======
    Minha querida, oh minha querida!
    Vc não sabe a emoção, a gratidão, a alegria pela sua generosidade.
    Fiquei felicíssima de ter notado sua vinda aqui , a princípio, e depois quis mesmo me certificar .
    Saiba apenas o seguinte: são gestos como o seu que me fazem seguir adiante.
    Calada, apenas escrevendo o pouco que posso, do que sei, perguntar sobre o que não sei, sempre daquilo que gosto.
    Ser feliz parece que é ter amigos, e eu tenho.
    E dessa terra maravilhosa em que você está, em que vc vive, é que me veio o ensinamento de que o *virtual é real*: transforma vidas.
    Seu blog como sempre liiiindo e falando sempre das coisas que a-do-ro. Brevemente (não tanto quanto eu gostaria) eu estarei aí!
    Muitos beijos
    Meguita.

  3. Meg,
    um poema desses e a ilustração escolhida, viram presentes para mim.
    Vir aqui alegrou o meu dia.
    Espero que tenha o mesmo efeito para você,
    afinal a que se destina a arte, a não ser para aliviar nossa alma?
    Fique bem,
    Um beijo grande

    =-=-=-=
    Bela reflexão, Valter, bela reflexão..
    E, se ainda sim, ela não nos aliviar a alma, o fato de ela existir por si só nos traz um certo tipo de encontro, com sua essência, dela mesmo, da própria ARTE.
    Isso é que nos torna conscientes de nossa existência a construir um mundo.
    grande beijo
    Meg.

  4. Magaly says:

    O poema forte, vibrante põe a gente a pensar. O quadro illustrativo é o máximo.
    Você, mesmo quando passa breve, deixa um rastro benéfco em forma de atmosfera leve e de delicadeza.

    =-=-=-=-
    Obrigada querida Magaly.
    Sempre com mel em suas palavras.
    E eu me pergunto como seria um livro de crítica escrito por você.
    A concisão de seus julgamentos. A justeza de suas comparações.
    Não tomo para mim a beleza desse rastro… tomo para mim, apenas, o fato de tê-lo escolhido
    e apostar que tenho leitores e colegas muito sensíveis e inteligentes como você.
    Que enriquecem , pela parte que nos toca, a blogosfera e a vida das pessoas.
    Obrigada, pelo que você enriquece a minha
    Um grande beijo, minha querida
    Não imagino nem a Internet nem a o Sub Rosa sem você.
    beijos carinhoso
    Sua
    Meggy

  5. Meg,
    Não quero falar do poema em si, ótimo. Prendo-me à tradução. O ato de verter um poema para outro idioma para mim é mágico. É claro que temos magias boas e ruins, mas de qualquer forma parece-me um exercício quase impossível. O resultado na maior parte das vezes me confunde. Nesse caso específico, por dominar as duas línguas, posso comparar. Embora bem feito, o trabalho do José Lino perde o charme que a versão com o inglês antigo possui. Sei que é uma posição elitista, e que nos condenaria ao desconhecimento de muitos poetas importantes, mas acho que poesia a gente, preferencialmente, mais do que os outros gêneros, deveria ler no original. É muito difícil manter o rítimo, a atmosfera, e principalmente a adeqüada escolha das palavras. É na poesia que a palavra é rainha. Veja o caso de “doce ardente peito” que aparece na tradução. A forma original “soft warm heart” me parece bem melhor, tanto na sonoridade, quanto no signiificado. Desculpe-me, parece que me alonguei demais.
    Grande beijo

    =-=-=-=-
    Lord, assim que tiver um tempinho a mais, quero fazer um post sobre traduçaõ e espero sua ajuda.

    Nesse caso especial, o caso é que o Zé Lino era uma belo dum poeta, mas na fase concretista cometias coisas como.. bem eu nem vou mencionar.
    Em compensação há coisas muito belas também.

    Eu acho, tenho para mim que a tradução, principalmente de poesia, poemas, é impossível. Mas que não se deve deixar que isso a impeça.

    A Língua é o instrumento mais rico e ao mesmo tempo mais pobre que temos para nos expressar, etc…
    E tanto é assim que os tradutores têm um santo Padroeiro que é São Jerônimo.
    vc sabe, claro.
    Beijão,
    Meguita

  6. Eduardo says:

    Meguita, onde esta o posta de ontem? O gato comeu?

  7. Eduardo says:

    Meguita, querida, não fugirei ao dever de te cumprimentar pela postagem de tão lindo óleo do William, um poeta e este Bouguereau, um mestre na arte de retratar as mães e filhos da sua época! Um quadro de museu, em qualquer lugar do mundo.
    Mas a verdade é que com o desaparecimento do post de ontem, fiquei sem a resposta da pergunta que me atormenta à muitos anos: por que aquela altura da tela do vaso?
    Beijos enormes, e não precisa explicar nada. Acontece!

    =-=-=-
    Hahahahahah!!!
    Eduardo querido,
    tudo bem, eu entrei em contato com minha amiga MARLIZ e ela disse o seguinte:
    “Diga ao Eduardo que ele é um artista e como tal muito, mas muito observador.
    A Marilyn é um traço de união entre as pessoas ligadas aos ícones.
    E que o belo quadro de flores no vaso, está ali , provisoriamente,
    é questão de se ajeitar as coisas da mudança.
    Há quadros tambpém pelo chão (Oh pecado)
    e outros por cima de cadeiras aguardando o homem que vem colocar os furos na parede.
    beijos
    Recado dado, certo?
    Agora, os meus beijos pois outro dia notei que só me mandou abraço
    Meguita

  8. Eduardo, para mim, o cara era especialista em retratar teenagers, com a falsa pudicícia característica dessa época hormonal da vida, sendo assediadas por cupidos e puttos muito mal intencionados, claro nem todas as telas dele são assim, mas tenho em minha conta que as melhores estão sempre nesse limiar entre a castidade e a vontade de fazer bobice.

    Quer dizer, na época dele nem existia essa coisa de adolescência, a expectativa de vida não permitia esse tipo de perda de tempo.

    Mas que o cara era genial na sua praia, isso era.

    abraço pros moços e beijos pras moças.

  9. Eduardo says:

    Claudio, você tocou no ponto crucial, e daí a genealidade dele. Concordo.

    Abçs

    Beijos Meguita!

    =-=-=-=
    Eduardo, para mim, o Claudio como excelente artista é também excelente crítico, não que uma coisa siga-se necessariamente a outra. No caso, dele, porém, segue-se isso.
    Masssss… o que ele escreveu aí em cima, descontando-se os nove fora, mostra, definitvamente, que Beaugeraud é *o* cara, mas que Claudio, O Boczon, só pensa *naquilo*! pisc*
    Hahahah
    Meg

  10. Yvonne says:

    Oi querida, tudo bem com você? Tudo perfeito. Foto e texto.
    Beijocas

  11. Mário says:

    Meg, um poema cheio de significados a valorizarem a belíssima ilustração. Maravilhoso post!

  12. Meguita, bom dia.
    Está tudo bem por aqui?
    Vim trazer meu beijo.
    =-=-=-
    Retribuo, querida está tudo nos trilhos;-)
    obrigada e beijos
    Meguita

  13. James says:

    Grande aula.

    Um abraço.

  14. James says:

    PS: a Dona Lulu escreve muito bem, não é mesmo?

    Ah, isso é uma das muitas coisas que ela faz muito bem
    Obrigada pela sua elegância ;-)))
    Beijo
    Meg

  15. Wordsworth… Coltrane… Lulu… Pessoa… Benedito… Alex Castro… Bia… MM… Birkin…Vinícius… Sabrina das redes… Madonna (achei feia a tela)…

    Esqueci alguém? A coisa esteve divertida na minha ausência, hein ciumenta?

    :¬)))

    Beijos desde a fria Porto Alegre.

    Tom Eastwood
    =-=-=-=-=-=
    Hahahahah!
    ci-u-men-taaaa???!!!!!!
    quem? eu?
    ara, seu tom Spielberg!!!:-)
    a-do-rei- esse comentário.
    retribuo beijo, desde a tórrida belém
    a) Meg Eastwood Pacino Penn Eastwood

  16. souza says:

    tive certa feita um amigo… ele evaporou….

    =-=-=-=
    Mas não será por isso que deixou de ser Amigo.
    Amizade resiste à distância, e até à ausência.
    Só não resiste diante perda explícita,
    da falta de perdão.
    Não desista!
    Um abraço para você
    Meg

  17. thata says:

    ah, Meg… a amizade é a forma mais especial de amor.
    te mandei um e-mail, dear…espero que tenha ido direitinho dessa vez.
    beijocas

    =-=-=-=
    Concordo com vc.
    É desse amor que sempre falo e que não falha, salvo se não é uma coisa nem outra
    =-=-=-=
    Perdoa, lindinha.
    já mandei resposta ao email que chegou meg-avilhosamente bem
    ;-)
    smooch
    M.

  18. nelson says:

    Meguita, te amo tanto.., Wordsworth nos coloca juntos, no silencio e distancia do amor possivel e ideal,
    Beijos,

    Beatifully said, sweetheart
    Couldn’t say it better.
    A perfect kiss
    love
    M.

  19. Quantos sobrenomes! Ciumenta pero promíscua…

    :¬)))


    =-=-=
    Claro, deixo logo marcado o terrítório, porém um dos sobrenomes está repetido e o outro eu abndonei, justamente o charmoso *DEL TORO, que dei de mão beijadíssima para a Yvone.
    É a Vida, né?
    Ganham-se uns , perdem-se outros.
    Fazer o que, ainda mais que agora, não quero mais amar a ninguém. Tipo assim, gente simples hahaha
    Só namoro astros cinematográficos.
    É isso aí
    beijão
    Meguita, tiqu
    itita pero cumplidora.;-)))

  20. DO MEU CADERNO DA FLORESTA
    Thiago de Mello

    Tradução: Arte de recriar

    Já disse, faz tempo, quando entreguei ao Ênio Silveira a Poesia completa do peruano Cesar Vallejo em português (todo louco quer grandeza que a sorte comum não dá), que tradução de poesia é trabalho fascinante pelo simples fato de ser inalcançável na sua plenitude. Impossível dizer num idioma o que foi poeticamente sentido, pensado e escrito em outro idioma: nunca será a mesma coisa. O que mais e de mais parecido se alcança, por muito competente e abençoado que seja o tradutor, é uma aproximação feliz da criação original. É por isso que o tradutor de poesia tem de ser necessariamente um também criador, estou dizendo um poeta e, ao mesmo tempo, um recriador. Um criador que recria a partir do que foi criado. Reinventor da invenção. O resultado desse árduo e delicado trabalho artístico pode até chegar a ser belo, mas de uma beleza diferente, que tem outro perfil, outra voz, outros olhos.

    A começar, pela diferença do idioma original, com o qual o poeta constrói a sua linguagem, procurando, escolhendo (adivinhando) as palavras, sua matéria-prima, tanto pelo seu valor de significação, para transmitir o sentimento ou a idéia, quanto pela dura e macia sonoridade dos seus fonemas. Poesia é essencialmente música e sua inseparável cadência.
    Convém reconhecer, desde logo, a diferença que existe, no campo da linguagem literária elevada à categoria de arte, entre a tradução de prosa e a de verso. O tradutor de romances e de contos tem melhores chances de maior aproximação da matéria original. O estilo e a linguagem, a própria técnica de composição, bem distinta da usual, preferida por alguns escritores, podem criar dificuldades delicadas ao tradutor consciente da importância do seu labor. Fico em dois exemplos: o Ulisses, de Joyce, que Houaiss recriou para o leitor brasileiro, e o Grande Sertão: Veredas, do nosso Rosa, que Kurt Mayer Classon, alto profissional, reescreveu para os alemães. No geral dos casos, a narrativa trata de contar bem contada a sua história, que se pretende acessível ao leitor comum. O velho e o mar, de Hemingway, Um homem célebre, de Machado de Assis, Fogo morto, de José Lins do Rego. As passagens mais densas, repassadas de vibração poética, na ficção, são construídas com recursos literários próprios da prosa (estou pensando em Faulkner, em Conrad, em García Márquez). Ao contrário da Poesia, cuja linguagem é essencialmente metafórica, onde as palavras ganham asas e têm olhos próprios. De resto, cada dia mais me convenço de que toda palavra tem seu poder de transcendência.

    Que a correspondência (palavra mais adequada ao alcance ideal da tradução) se faça íntegra em relação ao conteúdo, eis um resultado que já conforta e recompensa todo esforço. Mas a forma do verso traduzido será inevitavelmente diversa da do texto original: a musicalidade das palavras é diferente, cada idioma tem sua clave e suas melodias, que muito têm a ver com as raízes profundas da alma do seu povo.

    Poema de versos metrificados e rimados pode parecer de tradução mais trabalhosa. A minha experiência, remador de tantas águas, me convenceu do contrário. A medida certa, o lugar exato das sílabas tônicas, facilita a composição do verso correspondente. O verso livre não tem medida, mas tem cadência (tanto no breve das Odas elementales de Neruda quanto no inumerável de Whitman). O verso branco não tem rima, mas tem melodia. Haja paciência, engenho e ouvido.

    A poesia escrita em castelhano ajuda o tradutor brasileiro pelo parecido das palavras e a conseqüente sonoridade, muito aparentada com a do português que falamos. (Cuidado: muitas palavras com ortografia rigorosamente igual nos dois idiomas podem ter sentidos completamente diferentes.) Refiro-me ao som, não à música, que cada povo latino-americano inventa na sua fala, cada qual mais encantadora que a outra. Muitos versos nem pedem trabalho recriador. A tradução literal recolhe a poesia inteirinha, de alma e corpo. Veja o leitor estes dois versos de Neruda, extraídos do seu célebre Poema 20:

    Puedo escribir los versos más tristes esta noche
    Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

    La noche está estrellada y ella no está commigo
    A noite está estrelada e ela não está comigo.

    Nos poemas metrificados, pronomes, preposições e conjunções, pela diferença do número de sílabas, ora num idioma, ora no outro (e geralmente são essas categorias gramaticais que preparam o lugar para a tônica da palavra), criam dificuldades que exigem atrevidos malabarismos da imaginação, capazes de mudanças de palavras e até de versos inteiros. Tudo por uma sílaba a mais, ou a menos. Para exemplos, a conjunção na, em português, tem uma sílaba única; em castelhano tem duas: en la. A nossa preposição da em castelhano é de la. Caso inverso: mi paloma é minha paloma; minhas penas são mis penas.

    O tradutor demora, o verso cambaio não sai da cabeça, mas acaba encontrando a palavra. Muita vez com a ajuda de neurônios delicados que, enquanto o poema dorme, trabalham lá pelos desvãos do cerebelo e de repente dão com o verso prontinho. (…)

    Tradução: Arte de servir

    Traduzir para o nosso idioma, e para o jeito brasileiro de dizer, a poesia inventada em espanhol faz parte da decisão que tomei, na casa dos meus trinta anos, de fazer a minha parte na integração cultural latino-americana. Foi quando descobri, assustado, como era grande o desconhecimento que temos da cultura e particularmente da literatura dos países da América de fala castelhana. E como os escritores brasileiros são totalmente ignorados por eles. A ignorância está minguando. Os países começam a descobrir os outros (inclusive os de idêntico idioma) também sabem cantar. O final do século promete um Mercosul. Pois estou certo de que uma complementação econômica de verdade só se dará se estiver sustentada numa irmandade cultural entre os povos. A música popular, o futebol, a comida regional estão abrindo caminhos. A pintura, o teatro, a literatura podem fazer muito, mostrando a verdade da alma de cada povo.

    Tencionava dar uma trégua ou até um basta às minhas aventuras de tradução de poesia, depois da deslumbrada travessia do universo que fiz, levado pelas seiscentas páginas do Cântico cósmico, de Ernesto Cardenal, cujo astro principal é o ser humano. Sucede que não pude desatender um pedido de minha amiga Rosemary Alves, editora de Bertrand, quando me propôs a tradução destes Cadernos, de cuja existência, a propósito, o próprio Pablo Neruda, pelo menos em duas ocasiões, me fez breve e velada referência. Numa delas, ano 62, em Temuco, enquanto saboreávamos felizes as “longanizas” da região com seu sobrinho Raul, em cuja casa se hospedava sempre que voltava ao Sul de sua infância. De conversa, lembrava ele os dias do Liceu, os companheiros, o gosto da leitura, os passeios pelo rio Cautín e, com o olhar mergulhado no copo de tinto brilhante, falou vagaroso que escrevia todos os dias e que Laurita lhe guardava os manuscritos. “Todavia los guarda”, recordo nítido o comentário do bondoso Raul. Os cadernos eram um segredo de família. Un secreto a voces, como o Chile diz.
    Aceitei a tradução. Primeiro pelo respeito que me merece Rose, notável profissional do ramo. Depois, porque me deu vontade de conhecer, saber um tanto, através dos poemas que escreveu entre os seus quinze e dezessete anos, o sentimento do mundo, o entendimento da vida daquele jovem estudante a quem vim a conhecer já homem de vasta vida vivida, já poeta querido e consagrado, pessoa fascinante, um ser cheio de magia (construía a seu redor um mundo mágico), que me abriu a intimidade de sua ternura, com quem convivi intensamente momentos que se reúnem aos mais importantes, fortes e inesquecíveis de minha vida. Ainda que nem todos guardem o gosto da alegria.

    [extraído do livro Cadernos de Temuco (1919-1920), Pablo Neruda, Editora Bertrand Brasil, 1998]

    Meg,

    Há um post, no meu blog, sobre este livro. Se quiser dar uma olhada…

    bjo,
    Clé

    =-=-=-=-=-
    Clé, ma chérie.

    Por enquanto estou embargada, os dedos não correm ágeis, e não obedecem ao meu comendo (aliás, nunca obedecem!)
    Certamente estou fazendo erros muitos ao digitar , afinal dizem, é essa uma característica muito minha.

    Mas, querida, diante da leitura desse seu comentário-trnscrição, a única coisa, é chorar as lágrimas de pura comoção estética, agradecer por vc abrir as comportas do desejo, o alívio da procura, e pedir publicamente que me dê a licença necessária e a concordência para que eu transcreva este texto como post, aqui no Sub Rosa.
    Escrever sobre tradução é um desejo que tenho e uma promessa anunciada.
    E mais: vou escrever um email para você.
    Vai tomar seu tempo,mas.. o quefazer.?
    Isso só acontece quando realmente os blogs estão realmente cumprindo o seu papel e numa dos aspectos mais importantes que ele tem, essa disseminação do belo, do útil, do precioso, que não necessariamente, – apenas enesse, im dos raríssimos casos, grças a você, estão juntos.
    Eis que tenho de agradecer duplamente: à Lulu,por ter propiciado um post e a você por, ao comentar nele, ter aproveitado a oportunidade de nos brindar com todo o pontencial das idéias que pareciam perdidas e a beleza das relações que estão, por você guardadas!
    E expostas, da melhor, da mais certeira forma!
    Um beijo estalado em cada lado da face.
    E a minha já nascente Amizade.
    Obrigadíssima
    Meg, para vc, agora , Meguita:-)
    P.S: não lerei os erros de digitação, as gralhas…

  21. Caríssima Meguita,

    Você tem, claro, “licença” de transcrevê-las, afinal, nem seria necessário, pois já são palavras públicas e devem, mesmo, ser divulgadas!

    Não se preocupe com os erros de digitação (gralhas)… ah, dedinhos desobedientes!!! Os meus, apenas da mão esquerda, provisoriamente (pois estou me recuperando de uma cirurgia no ombro direito), pulam, feito loucos, de um lado ao outro do teclado, tentando acompanhar meu pensamento!

    Qto ao e-mail, ficarei feliz em recebê-lo, e você não irá, de maneira alguma, “tomar” meu tempo, ao contrário, irá preenchê-lo, de maneira prazerosa…

    “Te encontrar / Dar a cara pro teu beijo”
    [Cigano – Djavan]

    Clé

  22. AMO A MANSIDÃO…

    A mansidão eu amo e sempre que entro
    pelos ermos umbrais da escuridão
    abro os olhos para enchê-los
    da doçura dessa paz.

    A mansidão eu amo sobre todas
    as coisas deste mundo.

    Na quietude das coisas eu descubro
    um canto enorme e mudo.
    E quando elevo os olhos para o céu
    no estremecer das nuvens eu encontro,
    na ave que cruza o espaço e até no vento
    a doçura que flui da mansidão.

    [poema extraído do livro Cadernos de Temuco, Pablo Neruda (1998 – Editora Bertrand Brasil)]

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