Ainda sobre o ensino público…comentário ao post de Lulu

Olá a todos os que eventualmente me lêem:
Seguinte: eu escrevi um post sobre o que me cabia (pelo menos o que eu achava que me cabia dizer) a respeito da ocupação da Reitoria da USP, e que possivelmente o panorama já deve ter mudado, baseado em um post da minha amiga, a professora Luana que escreve o blog Diário da Lulu

Ela, a maravilhosa e divina Lulu – aqui vai um link para outra Lulu (Louise Brooks) que eu adoro:-) respondeu mas tinha tanto a dizer que o post virou carta e a carta virou post.
Aqui está está a minha resposta a essa resposta. O melhor é ler aqui:Sobre o ensino público. O texto lá está com todos os links e minha respostas, obviamente está lá nos comments.
Se alguém quiser ler, nós duas vamos ficar i-men-sa-men-te gratas, digo, contentes.Não por nós sermos ma-ra-vi-lho-sas.. quer dizer , também, mas não só, é porque somos duas meninas; eu com 632 anos, mas com corpinho de 631 e a Luana, bem.. quem a conhece sabe o quanto é linda, e ainda por cima brilhantemente inteligente.
Só tem um problema, Lulu, vc está trabalhando, quando puder me diga se posso escrever o seu nome completo, ou se prefere que não… Viram só, não combinamos nada!

Luana; Lulu:
sei que não são duas pessoas diferentes, mas quero separar bem, a pessoa que escreve aqui (n)este blog e a minha amiga tão recente, mas já tão querida.
Como disse lá no meu post, tal como Aristótels, amo muito ser delicada com todos, mas amo mais a correção (em vários sentidos) e o respeito a todos.
Dito isto, vejamos para que não soe artificial o que vou responder aqui (deveria transformar em post também?;-))] uma vez que também vc já sabe e já conversamos a respeito.
Então, pelo respeito a seus leitores e eventuais e pouquíssimos leitores meus que aqui venham, eis o que tenho a responder;
1- Acho que houve aquele erro célebre – de minha parte – discrepância entre a idéia do mensageiro e a mensagem.
Sim, mas não é por isso que vai-se jogar fora, como vc diz, nem a mensagem , nem a mensageira inábil.
2- A respeito do que disse seu professor, obviamente Lulu, que o que ele disse é algo que eu e muita gente *take for granted*: mas acontece que às vezes, o óbvio está tão na nossa frente que nos faz tropeçar nele.
A respeito da política e de seus fatos, outros o fizeram melhor que eu, já menconei entre eles, o professor Idelber Avelar por quem nutro a maior consideração, e, não raro vou ao blog dele, não só para visitá-lo ou ler o post do dia – o que seja o que se chama de “bater o ponto”;-), mas vou também para ficar esclarecida, e algumas vezes, escrevo para ele, para perguntar coisas que não sei ou que ele sabe melhor que eu.
3- Meu post não guarda nenhuma semelhança com o post do prof Idelber, que tem uma intencionalidade – no caso realizada, – que é de mostrar o factual na cena e nos solo político – ou seja trazer (e trouxe) para a luz, o que de político não pode ser ignorado neste caso da ocupação da Reitoria da USP.
E uma vez que isso seja admitido, passemos então propriamente ao meu post.a) se ele não é “político” o que é então? Eu respondo que ele é – com muito boa-vontade – uma conversa com você sobre o ideal e o existencial.
b) e era necesária? Sim, Lulu era necessario, não só por causa de tudo que andei lendo e como também talvez mais até por causa do que *não* vi e não li.

c) A mensagem do meu post, que acredito foi morta ou retalhada pela inabilidade da mensageira intenta o seguinte:
* – mostrar que o que passei a falar era baseado em experiência, pessoal e vital , e que essa experiência já foi vivida por mim, mais de uma vez, muitas vezes e que você a estava vivendo agora.

d) De modo algum acho que – pelo o menos o post seu que eu li e que tentei dialogar com ele – é um texto escrito com légèreté (a ligeireza que vc diz e que eu tomo no sentido de ligeiro, próximo do ser leviano, daquilo que demanda muito mais tempo e reflexão).
Ao contrário, disse, digo e reafirmo que seu post é digno de ser citado como um dos que melhor traduz o que é que se deve esperar de Universidade. Não preciso de aprovação de ninguém, logo sinto-me confortável para dizer e repetir: seu post é brilhante no que se refere à uma Universidade ideal e palavra *ideal* tem um peso afirmativo.

Sabe por quê? Porque se não lutarmos pelo ideal, não teremos o possível.
Fico p*** da vida em ver Maio soixante-huit ser colocado de maneira pejorativa, pois foi esse movimento, que abriu caminho para muito do que se conseguiu e para o que necessitamos agora: SEJAMOS REALISTAS; PEÇAMOS O IMPOSSÍVEL! era uma das palavras de ordem do movimento na França (que muita gente, até hoje, que o viveu, não gosta: queriam aulas, do jeito que fosse, de qualquer modo, memo de um jeito ruim em qualquer condição)
Deixo claro que não o vivi;-)
mas muito precisei dele.

e) acho que seria boa idéia transformar essa resposta num post, pois isso deve ser lido, para fazer justiça a nós duas, certo?
Eu digo assim ” Lulu, uma das mais brilhantes pessoa que conheci defende uma Universidade deontológica (corram aos dicionários, crianças, é para isso que eles existem) mas facilito o trabalho – deontológico: o SER TAL COMO DEVE SER.
Era (e é) um elogio sincero e justo.

f) e finalmente eu falei sobre o famoso sei lá como resposta ao: “Que melhores formas de realizar esse combate…etc..”

E então arremato dizendo que se você não sabe então, está em boa companhia (por modéstia não dise a minha, mas ficou subentendido) a dos seus colegas e a companhia do Giannotti.;-)
E mencionei a “prática teórica” que já foi motivo de riso antes e hoje, não sei não, mas os blogs estão me dando a idéia de que voltou, só não sei com qual nome.

Para finalizar: O inevitável, Luana é o não saber: afinal se soubéssemos, não diríamos?
Se soubéssemos, seríamos mais maravilhosos e espetaculares e inteligentes que os que estão lá e mais toda a USP e já não teríamos dito, espalhado aos 4 ventos e falado; a “nossa” solução?

Então essa é a ‘situação’. Essa é a circustância. Essa é a parte existencial.
Ao contrário do que cantava Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora não espera acontecer…” eu digo que não e repito: quem não sabe e quer saber e resolver alguma coisa é que constrói, é o que caminha.
É como diz um famoso e muito subestimado poeta espanhol Antonio Machado (lê-se Matchado), amigo de Lorca: Caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao caminhar.

Então, alunos e profesores seja de que instituiçao do ensino público, inclusive da USP , Luana e Lulu e outros que puderem e queiram ouvir:
Nada nos é dado, tudo o que se ganha(?) é ganho pela luta, acertando aqui e errando ali, avançando um pouco mais lá, e recuando um pouquinho para cá, em outras instantes.
Nós, os da minha geração já passamos por isto e fizemos o que *CIRCUNSTACIALMENTE* era possível e tivemos um resultado. Pelo qual lutamos. Nem sempre ganhamos . Nem sempre ganhamos tudo que queríamos, mas sempre se saiu mais enriquecido de cada vez.

Cabe agora a vocês – nas circunstâncias próprias e específicas de vocês, lutar para obter o que for o máximo de suas possibilidades.
Ninguém os vai presentear com nada, tudo será conquista de vocês.

E nem deixe que lhes digam ao contrário: Peçam tudo etc…;-)

Era o que eu tinha a dizer.
(mentira tinha mais a dizer mas sei que ninguém aguentará ler até aqui.
Anda mais com meus erros de digitação hohoho.)

Um abraço a todos, um beijo a Luana, outro à minha Lulu.
Respeitosamente é isso o que quis dizer. E disse.
Está erado? Ensinem-me então a aprender o certo!
Maria Elisa (Meg) Guimaraes;
Meglyn para os amigos mais próximos e queridos:-)

P.S Ah sim, para ser mais do que sincera, reclamei da Lulu, não ter comentado no meu post, e reclamarei por todos os bons comentaristas: afinal o filé mignon de um post , está muitas vezes (não sempre) nos comentários.
M.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

10 Responses to Ainda sobre o ensino público…comentário ao post de Lulu

  1. Eduardo.P.L says:

    Meg, querida, depois de tantos elogios vou lá na Lulu, não por nada, mas mulher bonita, como vc disse, merece! Bonita e inteligente! Ulalá!

  2. Ah Eduardo, que bom, vc sempre tão querido e tão solidário ;-)

    Sei, sei, moças bonitas…
    E inteligentíssimas..
    Mulheríssimas como diz a Fal.
    E no meu caso, gripadíssima.
    Bom, obrigada, querido
    Volto logo.

    E volto indo ao Varal;-)
    beijos
    M.

  3. James says:

    Acabo de ler o texto da dona Lulu e o coment da senhora. Não sou muito antenado com a política na academia, mas se eu continuar lendo textos assim vou melhorar muito minha redação.

    Um abraço.

  4. James,
    Eu nunca sei quando vc está sendo irônico e isto é uma qualidade sua (ou uma incapacidade minha) de que eu gosto muito.
    ;-)
    Agora, que vc merece um prêmio, ah isso merece: a carta da Lulu (que é a professora Luana Almeida (não deve ter mal escrever o nome (e sobrenome aqui) para mim, que na verdade é parte do post é ótima e bem escrita. Já o meu comment está mal redigido (não que eu consiga melhorá-lo) e cheio de typos.
    Mas fiquei feliz com o resultado. Ants eu jamais imaginei que poderia dialogar com as pessoas através de um post ou mesmo de um comment. As pessoas se recusam a isso, ofendem-se ou então fazem algo muito feio que é o silêncio.
    Na verdade, eu digo que detesto o silêncio porque sei que posso interpretá-lo a meu favor e contra quem é bobo o suficiente de achar que ficando calado consegue alguma coisa, alguma ofensa ou qualquer resultado. Para mim fica sendo uma deficiência:-)))
    No caso da Lulu, é a brilhante inteligência dela que me fascina e acho que perdi um bocado por não tê-la conhecido antes.
    By the way, preciso ir ao Reflexões mas estou com um imenso trabalho para o início do mês de junho.
    Espero fortemente, que vc tenha comentado lá também.
    Beijão pra vc.
    (mas acho que não há como escapar da política: tudo é político)

  5. lulu says:

    Minha querida Meg,
    acho que, no mínimo, com tudo isso e essa generosidade de elogios, vc me economiza, digamos… uns dez anos de análise, por baixo!!
    :-)
    e sabe que eu adoro debates? não tem porque fugir deles, nem nada, estou até um pouco frustrada, porque afinal, parece que concordamos na mioria dos pontos!! :-)
    mas sua versão do gerlado vandré é bem mais linda e interessante que a original, e de fato, emputece o escárnio e o mal dizer com os militantes de outrora, vc está coberta de razão, devemos mesmo ficar putas da vida ( e como são charmosas, as mulheres irritadas por uma boa causa!) , e vc tem toda razão, repito.
    E que bom que o seu sentimento é de enriquecimento, porque também é triste um coração amargurado.
    e esse seu texto está ótimo. e claro cristalino.
    e um beijo bem grande,
    Lulu.
    ~*~*~*~*~*~*~

  6. Lulu, voce viu o link para a Louise Brooks?;-)
    ~*^*~*~*~
    Bem,
    Olha só, eu nunca vi esse tipo de debate, os que tenho visto, – ou melhor os que eu vi, no tempo em que havia, eram todos levados para o mar encapelado do desafeto, da ofensa pessoal e talz…
    Uma pena porque pelo menos as pessoas que debatiam, e elas sabem quem são – eram e são muito ricas de idéias e foram desistindo.
    Não quero fazer referências pessoais, mas se eles me lerem , algum deles me ler, pelo menos, quero dizer que devo muito a eles. Aprendi muito com eles. Principalmente pelo humor cáustico e pela soda;-)))
    Já o caso do Vandré – e sei que se as pessoas quisessem mesmo elas comentariam – fiz de propósito e isso é uma experiência que gosto que é a improvisação.
    Isso virou hino e eu sempre tive implicância com isso. Posso estar errada. E se estiver…
    Mas voltando à questão das debates, o que reconheço em certos blogueiros é que acham perda de tempo discutir. Tipo assim: a bola é minha então ninguém mais joga, o que equivale, mudando o que se deve mudar, à expressão: ah! eu sei mais por isso não vou perder tempo com vc que sabe menos …ou o que ainda é pior, extremamente pior: não vou discutir com você porque pensamos de forma tão diferente que não chagaremos a um acordo.
    Debate , qnão é , necessariamente nem para ficar em desacordo ou para ficar de acordo.
    Já vi muita gente terminar um debate dizendo : bem você tem a sua opinião, eu tenho a minha,então paremos por aqui.
    Minha nossa!
    Discutir é fazer as idéias experimentarem a força dos argumentos.
    Se eu já dou por assumido, que uma opinião de alguém não vai fazer a minha mudar, então além do isolacionismo, não teremos diálogo, teremos, isso sim, uma justaposição de monólogos.
    Claro que quem disse isso foi alguém que me mostrou a sua opinião:-) não importando que ele tenha vivido no século V a.C.
    Mas vc fica me devendo o lance da *coisa Rosa Luxemburgo* :-) está bem?
    Eu gostava muito dela, nem sei se gosto mais, e adoro gente jovem, porque gente muito velha (INDEPENDENTE DA IDADE BIOLÓGICA) calcifica as opiniões.
    É este o significado de eu dizer que necesito sempre e semprre vou necessitar de um mentor intelectual , alguém que saiba o bastante para entender que saber não se gasta e que não tenha medo de uma vez que seja estar errado… e reconhecer isso.

    Tem uma parada:-) da Rosa Luxemburgo que foi assim, ela estava em um lugar – era uma lider política, marxista etc vc deve saber, claro e aí entraram os algumas pessoas fazendo um alarido e queixas etc…
    Ela que era judia, disse;
    Podem entrar, mas por favor não me venham com mágoas nem judaicas nem cristãs. Tenho muitas coisas mais sérias e de outro tipo para resolver.
    Para mim, ela é fod***a, pronto, disse!
    =====
    E de qualquer forma, sempre haverá uma outra vez para a Ágora:-)
    Um beijão e quem sabe não resgatamos um hábito mais salutar, de resolver o que escrevemos, abdicando de algumas certezas, certo?
    M.
    Ei, não posso deixar escapar isso: tenho uma proteção fantástica em relação a elogios , sou quase impermeável a eles, mas o única a que não resisto é exatamente o meu ponto fraco: NÃO tenho texto claro e cristalino e já falamos disso, certa vez.
    Se o texto agora está melhor que antes, iuhuuu!
    Valeu!

  7. Meg,
    Li o texto da Lulu (muito inteligente), li o que você escreveu, tenho lido o que se escreve sobre o momento atual da USP. A frase: “A dor é de quem tem.”, insiste em me visitar. Significa que estou fora das universidades há muito tempo. Acho salutar que os estudantes discutam a realidade em que vivem. Salutar e pedagógico. É bom ver os professores agitados, debatendo, com opiniões diversas. Acho esse momento rico. Uma certa rebeldia que ainda sobrevive, me faz considerar que é na agitação que o pensamento cresce, evolui. O final desse episódio será positivo, apesar das aulas perdidas. O objeto da polêmica em si talvez seja o menos importante.
    Beijão
    :
    :
    Querido Lord:
    Especialmente, porque você merece, a Lulu irá responder elle-même.
    E, não poderia, esteja certo obter melhor resposta
    Lulu é brilhante, tal como eu disse e o querido Lord vem confrimar.
    Um beijo
    Meg

  8. Yvonne says:

    Meg, não estou conseguindo entender esse assunto da ocupação da USP. Beijocas gostosas para você.

    :
    :—–
    ~~~~

    Querida Yvonne, não se preócupe… muita gente não está entendo inclusive esta que voc tecla. Mas saiba quue como disse o grande caetano Veloso:
    “Só não está confuso, quem está mal informado.
    Muitos beijos, lindinha, estarei lá , logo mais
    Meguita

  9. Só para dizer que acompanho aqui, na Lulu, no Idelber, no Jayme Serva, a questão da USP.
    E para dizer que as duas primeiras são lindas, inteligentes, excelentes debatedoras e de belos textos.
    E para dizer que, no meu tempo, a política univers….
    Beijos.

    =
    =
    =
    ……
    Mirto, nice try!
    ;-)))
    Embora mereçamos, vamos agradecer, pois não é sempre que um guri de POA, tché,
    diga tantas verdades delicadas, e que nem todos confessam:-)
    Estou voltando de lá:-)
    Meguita

  10. lulu says:

    Meguita querida vou entrar aqui na sua caixa de comentários para me envaidecer mais um pouquinho e roubar um espacinho para agradecer aos comentários tão bacanas e gentis, do Milton, do Lord ( sim, é na agitação que o pensamento cresce e evolui, perfeito), do James.
    Pô, a gente fica até achando que vale a pena, tanta agitação. e como é importante isso!
    Mesmo.
    queria agradecer a todos.
    e quero dizer que eu também sou fã da Rosa Luxemburgo, e que cometi um erro capital: ao querer me defender de uma crítica que eu achava que viria, acabe incorporando o discurso, sabe? e acabei falando o que não acho e não sinto.
    Mas falemos mais a fundo sobre isso, outrora, com mais tempo.

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