JOAN BROSSA – 4 POEMAS

brossa_poema_nupcial2.jpgPoema nupcial


ruixat_lletres.jpgruixat lletres (temporal de letras )

Si fueras una ola, serias mi juego favorito…
Si fueras una ola, serías mi juego favorito.
Si me quisieras siempre, serías la plenitud.
Si fueras una manera de hablar, serías el diálogo.
Si lloraras inquieta, te buscaría y no te encontraría.
Si fueras una puesta de sol, serías la más bella de todas.
Si fueras un árbol, serías un cedro.
Si ostentases colores, serías blanca y roja.
Si fueras la nieve, pasarías más allá.
Si fueras una sustancia, serías el bálsamo.
Si fueras sustituida, serías la madera de una columna.
Si yo fuera un barco, te llevaría delante mismo de la proa.
Si no fueras una muchacha, serías una rosa silvestre.
Si fueras una estrella invisible, serías el mutuo amor.
Si me rodeases suavemente y te disolvieses, serías el rocío de la
noche que moja los árboles.
Si desfallecieras, serías un escudo roto.
Si fueras una flor, nunca te apagarías.
Si relampaguearas, serías talmente una piedra engastada del color
del flujo del mar.
Si te viese en cualquier lugar, te señalaría a ti.
Si fueras indiferente, serías el crepúsculo.
Si me mirases distraídamente, serías mi esperanza.
Tu presencia me parece la forma más placentera de la armonía
…….misma.
Si la música se llenara de ti, brotaría un acorde grave y lastimero.
Si fueras un trébol, serías la llave de la aurora.
Si fueses la suavidad, serías el peso del agua.
Si fueras la tristeza, serías los días y el tiempo.
Si fueras un deseo, serías pasión desplomada.
Si fueras la luna, serías un ala.
Si fueras un reloj, serías un círculo profundo.
Si fueras el espacio, serías su mitad y su centro.
Si no fueras una estrella favorable, serías una roca que defiende
…….un territorio.
Si te escondieras de mí para siempre, serías la noche circundante.
Si fueras un camino, serías la orilla del mar.
Si fueras un jardín, serías un astro de flores.
Si fueras un paisaje, serías un bosque que respira.
Si fueras un anillo, serías eternamente irrompible.
Si fueras sombra densa, serías un camino entre los astros diáfanos.
Si fueras una tarde, serías un día.
Si fueras un año, serías un siglo.
Si fueras un ruido, serías el ruido de unos pasos que resuenan
oídos en secreto.
Si fueras un pedestal, serías una isla azulada.
Si el mundo fuese roto en pedazos, serías su silencio.
Si inclinaras más la frente, el corazón tintinearía claro.
Si suspiras, el tiempo que pasa se vuelve dulce.
Si te encaramas por el cielo, en la meditación te encuentro.
Si fueras una bolita, serías una sola gota de agua.
Vives en el sentido de la llama, no en el de la ceniza.
Si fueras un número, serías una cantidad inacabable.
Si mudaras de forma, serías una montaña oscura y agradable.
Si fueras el viento terral, dormirías sobre una cola de colores.
Si te conociera la lluvia, caería en el lugar que tú indicaras.
Si intentaras salvar a alguien, lo llenarías de espigas.
Si fueras una pared, te escudarían los árboles.
Si cayera la luz, serías la copa de cada día.
Cubrirías la juventud, si fueras la madrugada.
Si pasara el otoño, tú serías la primavera inminente.
Si fueras un color, serías la alegría del sol en un bancal de hierba.
Si fueras una voz, tendrías el color de un perfume.
Si fueras un perfume, tendrías la voz del color que te llevara.
Si fueras un cristal, apagarías los suspiros.
Si fueras un desierto, ondearías sin ningún límite.
Si eres una palabra, serías amarse
Si fueras un ídolo yo prepararía tu adoración en los santuarios.
Si fueras tibia claridad, te rodearías de rebaños.
Si fueras una gota de sangre, iluminarías.
Si el mundo de vida fuera todo soledad y caos, ya estarías destinada a
……manifestarte.
Si el mundo fuera una brumosa caverna, en ti convergerían infinitudes.
Tu eres el más bello reflejo de la Imagen primordial
Que allende los tiempos se multiplica inexpresable.

JOAN BROSSA -Espanha-Catalunha -( 1919 – 1998)
(Versión de Alfonso Alegre y Victoria Padilla)

==-=-=-=-
Brossa , com origens no surrealismo , foi participante do movimento e da revista Dau al Set – importantíssimo para as letras catalães e espenhala e para a Poesia em geral.
Para ir além: Joan Brossa – Poesia
Daul al Set (significa a Sétima face do dado), como vocês todos devem saber.

Joan Brossa o la revolta poètica – EXPOSIÓ VIRTUAL

brossa_maquina_escriture.jpg maquina ecriture.

—-
P.S . Existe um livro de Poemas – uma antologgia – de Joan Brossa , em português que foi traduzido por SÉRGIO ALCIDES e RONALD POLITO : “POEMAS CIVIS“.
Os tradutores se imopuseram estudar o idioma catalão para traduzir esse poeta que tem laços com o Brasil, sobretudo (mas não só) por ter sido amigo e interlocutor de João Cabral de Melo Neto, quando este foi embaixador do Brasil em Barcelona.

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

12 Responses to JOAN BROSSA – 4 POEMAS

  1. Vc acabou de me ajudar muito com esse post. Viva as coincidências !

    Ah! é?
    Vou lá ver. Mostre aí para esta que não crê em coincidências ;-)

  2. danicast says:

    Sabe, Meg, o pós-morte te fez bem. Seu blog está melhor do que nunca.
    Sem sacanagem, falo sério e é um grande elogio, porque eu não gostava tanto assim do seu blog anterior. E eu acho que te entendo um pouco, porque eu também estou no pós-morte… Gostei, linkei.

    Muito obrigada. Tudo de bom para você.
    Meg

  3. Meg, através de sua postagem hoje vou conhecer mais um poeta de escrita espanhola(catalão êle?). Assino um blog de literatura espanhola que se quiseres te passo o link quye trás ótimos escritores e poetas. Me cobre!
    Este aqui já está nos favoritos e vou ler com toda a atenção. Aprendí com Neruda a apreciar a sonoridade da língua espanhola, tenho uma gravação de Neruda recitando sus poemas no Rio de Janeiro, algo imperdível.
    Bem, fico por aqui senão tomo todo o teu espaço e apaciência de quem vem aqui.
    Fique bem.
    Um beijo grande

    Valter, uma excelente questão que vc colocou aqui: na verdade o Joan Brossa é um poeta de expressão catalã, não necessariamente espanhola ou castelhana. Tanto que é traduzido para o francês ou para o espanhol para quem não tem acesso à língua catalã. Que é chamada de *valenciana* (ai, que bom uma paella agora:-)

    Sim, claro que quero que me passe o link: vc tem o meu email. Obrigada.

    O diferencial do Joan Brossa é que ele provêm do surrealismo, como você pode ver no primeiro poema chamado Poema Nupcial, de que eu gosto muito e o último poema maquina ecriture, que é perfeito, seja que interpretação você dê.
    Então ele aborda vários temas, como a morte, o cinema, o capitalismo , o futebol, expressando-se visualmente… Pouco a pouco, da forma que eu puder, colocarei aqui, mas já lhes dei vários links.

    E por favor escreva o quanto queira: é bom para todos, para mim e para quem mais venha aqui. Meu sonho era ter um blog, em que os comentaristas /comentadores pudessem dicutir entre si. Aí eu ficaria muito feliz.
    Um beijão e obrigada.

  4. Eduardo says:

    Meg, já que todos falam dos textos, razão primeira destas postagens, deixa eu cumprimenta-la pela excêlencia das ilustrações. E não é de agora. Vem lá do primeiro Sub! Beijos!

    Obrigadíssima, Eduardo.
    Como eu lhe falei, o poetas oriundos do surrealismo, como você sabe, usavam muito a ilustração, a expressao visual.
    E os três poemas visuais, inclusive o temporal das letras (que lembra um pouco o título do filme do Peter Greenway: aforgado em números) são de autoria do Brossa.
    Beijo enorme.

  5. lulu says:

    que lindo, Meg. Obrigada, que presentes.

    O temporal de letras e a máquina escritura são poemas belos, belos, belos. Ás vezes chovem letras em mim, às vezes a escritura se despedaça inteira. Moída pelas mesmas letras. Sim, perdoe-me desde já pela primeira leitura assim tão chã, tão ao pé da letra ( hihihi… e mais um pedido de perdão pelo trocadilho) mas a força poética do Brossa é sempre impressionante e, para mim, arrebatadora.
    E que prazer te ver trazendo meu amigo Sergio Alcides para aqui, as nossas confluências e influências se desdobram, né?
    Meg,
    fique bem.
    Um abraço forte,
    Luana.

    Lulu, vc escreve tão bem, que nem gosto de responder alguma coisa mais longa, só para não desviar a atenção dos leitores para o que vc escreve. O trocadilho é ótimo, e por isso é mau, pois dizem que trocadilho bom só o infame e o seu é ótimo,:-)))))) está mais para play word.

    A bem da verdade, mais uma dessas coisas que quase não se pode explicar, eu estava vendo se não havia tradução em por tugues do Joan Brossa -achava um horror, e aí descobro que o Sérgio Alcides de quem você me falou, e que aprendi sobre ele com vc, como co-autor de uma tradução do Brossa. Fico encantada com essas “confluências”:-)

    Um beijo, querida.

  6. aninhapontes says:

    Meguita querida, estou com o Eduardo, todas as vezes que chego aqui, me encanto com as ilustrações.
    São lindas imagens que falam também pelo post.
    Está tudo bem com você.?
    Ah! vou cobrar o que me disse lá, também vou querer abraçar você. Talvez logo.
    Fica bem, se quiser falar comigo, me chame.
    Beijos

    Aninha, obrigada.
    Está tudo bem, sim.
    Eu fiquei esse fim de semana fora de casa e,
    em dívida com você e os meus 7 ótimos leitores:-)
    Claro que chamo por você,
    e o abraço virá que eu sei!

  7. Meg,
    Finalmente encontrei o seu espaço. Gostei muito, muito mesmo, voltarei mais vezes. Obrigado pelo link, você também está no blog do Lord.
    Beijo

    Uma imensa alegria, Lord.
    Imagine que seu post estava desde o dia 21, retido como spam:-(

    Agora veja…

    Eu fiquei muito, muito feliz, pois até então eu lia vc seus comentários, seu blog e ficava de olho compriiiido :-)
    Deixa eu dar um jeito na casa que já era toda sua, e ainda mais a partir dagora

    Abraço forte
    Meg
    Um abraço

  8. Matilda says:

    Que bonito e sonoro, Meg.
    “Si me quisieras siempre, serías la plenitud.
    Si fueras una manera de hablar, serías el diálogo.”
    Gostei muito.
    Beijos, :).

    Uau! Matilda,
    Gostei que tenha gostado.
    Eu gosto também desse trecho e gosto do poema inteiro.
    Este verso é um dos mais belos que vi:

    Si fueras una estrella invisible, serías el mutuo amor.

    Um beijo pra você

  9. Yvonne says:

    Oi Meg, obrigada pelo carinho do seu comentário lá no meu cantinho. Gostei do seu blog e vou voltar mais vezes.
    Beijocas carinhosas

    Yvonne , como diria o cineasta: é tudo verdade!
    Aqui, a casa é sua , OK?
    Bjks
    Meg

  10. denise says:

    Meg, confesso que só olhei as figuras e li o início do poema, mas já o salvei pra ler com calma. Acho que estou ficando velha, ando com uma preguiça…
    beijo grande,menina

    Denise, não seja má consigo mesma!
    Vc está é cansadíssima depois do trabalho imenso
    que tem tido no Projeto de Leitura.
    Isso é que é.
    Beijos
    M.

  11. denise says:

    Pode ser, mas, mesmo assim, não posso me privar de um prazer, que é ler. Além disso, o poema é belíssimo!
    beijo, menina

  12. interaubis says:

    poeta é aquele ser que tem o que dizer e diz, né
    ;)
    e eu ainda vou aprender catalão pra ler as poesias do Gaudí, hehe
    bjo

    Olá,
    que prazer esta visita.

    Acho que é uma excelente definição, sim. Perfeita.
    Também queria aprender para ler não só Gaudi, mas muitos ,tantos que por causa da língua não chegamos a co nhecer direito.
    Bem-vindo e volte sempre.
    Beijo
    M.

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