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Psiu, podia responder…
Pessoas queridas e lindas, podiam responder, assim fazendo um favor:-)? Brigada. Depois, vejam o vídeo. Ou o inverso, vejam o vídeo e depois respondam.
Ah! olha só: não é ‘pecado’ não ter lido o Graciliano. Leram o texto do Ricardo? E mesmo que não tivessem lido o texto do Ricardo. Acho que jamais leremos os livros que gostaríamos. Falo sempre do meu exemplo que comecei a ler gibi, HQ e depois pulei direto pro Kafka. Eu juro… que malvadeza, por isso que sou assim;-). Só queria ter uma idéia. E acho que vocês também, não é? Amanhã tenho um médico, mas antes passo por aqui.
Adoro vocês e obrigada pelos lindos emails.
Ah e “essa coisa de Graciliano” – como me disse a Céu, pois é essa coisa de Graciliano é como todas as outras do Sub Rosa. Leves, livres, soltas, divertidas e se possível que a gente possa se emocionar.E Luciana Rayol, a nossa queridíssima amiga (ex- Cintaliga) agora tem o seu próprio portal e, como ela é um (agri)doce de menina:-) claro, tem seu próprio blog. Ela é fã da Vivina e isso me basta;-)
Frase e música do dia:
“Prefeito não tem pai”. G.R.
Update: Continuem votando, OK?. Obrigadíssima.
25 comments 12 November 2008
Estrangeiros – cap. 68 no ar! (Updated)
ESTRANGEIROS -
O sentimento de não pertencer. A lugar nenhum, a qualquer grupo, a ninguém. Esse estranho poder de olhar as coisas de fora, de circular como um fantasma entre pessoas que ingenuamente pensam que você está lá, naquele mesmo plano. Eu sempre acreditei que esse foi o sentimento mais forte que me levou a escrever ficção: o fato de eu ser estrangeira dentro da minha própria casa. O estranhamento, a distância, às vezes até a ausência de compreensão do outro ou do mundo: “Eu não sou daqui, eu não pertenço a esse mundo e é isso o que eu vejo”.
Mas eu nunca achei que esse fosse um sentimento exclusivo. O que eu não imaginava é que ele fosse tão compartilhado. Quanto mais eu leio, quanto mais vivo, mais estrangeiros me são apresentados. Gente que não sabe onde está nem para onde vai. E que escreve no meio do caminho.
Foi daí que partiu a idéia deste projeto. Já que esse sentimento de não pertencer impulsiona tanto a criatividade, resolvi convidar alguns autores, amigos ou não, mas sempre admirados, a se tornarem mais estrangeiros do que já são. Nenhuma das pessoas nesse projeto compartilha a nacionalidade ou a cidade onde mora. Cada autor vai escolher alguma cidade de qualquer outro autor envolvido no projeto para criar um diário de ficção por um ano. A idéia do jogo é aumentar o estranhamento para que a criatividade ganhe na mesma proporção. Já as regras são poucas:
1. O autor não pode conhecer a cidade sobre a qual está escrevendo
2.Também não pode visitar a cidade durante o período em que durar o projeto
3.O personagem que escreve o diário deve ter a mesma nacionalidade do autor.
A divisão das cidades por autores ficou decidida assim:
Daniela Abade – Udine/Italia
Florencia Abbate – Hamilton/Canadá
Claudia Chibici–Revneanu – Santos/Brasil
Max Mauro – Cidade do Mexico/México
David McGuire – Buenos Aires/Argentina
Matt Rubinstein - Graz/Austria
Gonzalo Soltero – Sidney/Australia
A condição de estrangeiro vai ser levada ao limite. O autor é tão estrangeiro ao local que vai ter que buscar a cidade na sua própria imaginação. Pelo menos uma vez por semana o diário de cada autor será atualizado online. Os autores publicarão seus textos em suas próprias línguas. Assim o leitor também se verá estrangeiro. Ele pode entender o que o autor de sua mesma nacionalidade escreveu, mas muito provavelmente não vai conseguir ler o que andam escrevendo sobre sua própria cidade. O olhar estrangeiro sobre a cidade do leitor também o fará se sentir um estrangeiro.
Ao final do projeto a idéia é que todo material seja reunido para ser traduzido e publicado em todas as línguas em que ele foi escrito. Mesmo que em várias versões, os estrangeiros vão finalmente falar a mesma língua e se conhecer nos lançamentos pelas diferentes cidades. E, obviamente, mostrar que, apesar de estrangeiros, o abrigo que eles buscam não está tão longe assim. Porque está em suas próprias palavras.
Está no ar o capítulo 68.
Estes são os autores. E nós acompanhando vivamente.
Bocca ao lupo! Dani e co-autores, all of you ;-)
Ah! comentários são muito bem-vindos, lá.
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Não resisti (mas quem me pode culpar?) e trouxe para cá, o coment da Magaly, para cá.
Meg,
Estou impressionada, é um senhor plano, original, ousado, um jogo com planejamento e regras. Muito interessante . Quase não conseguia deixar a leitura dos capítulos para vir comentar aqui e resisti a deixar comentários em cada capítulo para economizar tempo e vista. Não posso mais passar horas na telinha.
Que habilidade a de Daniela em tecer personagens, ambientação, movimentação. Estou agradavelmente enredadada pelos lances da narrativa dela e absolutamente curiosa pelo efeito que as diferentes versões irão produzir.
Muito talento e jogo preciso com o elemento com que ela magistralmente lida – a palavra.
Outra coisa que surpreende: o fato de que a gente começa a analisar o próprio comportamento e constatar que aqui, ali, passou por esse tipo de estranhamento. Só que as palavras nem sempre vêm em socorro se não houver o cimento indspensável à construção – o talento, conhecimento, a capacidade de expressão.
E você, hein? …………
Um maiúsculo OBRIGADA
E um beijo
Só mesmo vc , Magaly, minha crítica literária favorita:-) Estamos juntas no nosso “Graciliano Ramos“, não é?
12 comments 1 November 2008
Gênio! Esta crônica do César Miranda é de gênio. Falei!
Ou Olimpíadas Internacionais de PEQUI;-)

Pequi, arroz de pequi, flor de pequi e por aí vai!
ATENÇÃO: Agora o César está em novo endereço!!!!!! No A POSTOS
15 comments 10 April 2008
Feias, quase cabeludas (II) Um, dois, três; para Gugala e Claudio
(poema visual de Joan Brossa)
O Feias e Cabeludas I foi uma homenagem que fiz a Lord Broken-Pottery, -confiram, silvp- um grande Amigo, (que sempre me deixou tranqüila em relação isso, o que é fantástico) e um dos escritores que mais amor demosntra pelas palavras. De ordinário, obviamente, escritores tem relacionamento íntimo, às vezes estranho, às vezes de amor, às vezes mágico com as palavras.
Creio que não as escolhemos, elas é que nos escolhem. São maviosas, às vezes maldosas, ora amigas, ora tiranas, indomáveis, e ninguém me tira da cabeça que tal como falou o Huckleberry Friend, os livros e as palavras são entes animados, aliás animadíssimos;-) e fazem *gato e sapato* de nós, de acordo com o mood em que estejam.
Então, a crônica do grande escritor Haroldo Maranhão (minha recensão sobre um livro de Haroldo, publicada na Revista COLÓQUIO - LETRAS da Fundação Calouste Gulbenkian, marcou a minha estréia como crítica literária em âmbito internacional – te mete, se eu ia perder a oportunidade dizer isso, exibida e modesta como sou. hohoho )
UM, DOIS, TRÊS.
Três pacholas. Três alvares. Três araras. Três bocós . Três patetas. Três pongós. Três ineptos. Três papalvos. Três pataus. Três pacóvios. Três quadrúpedes. Três tapados. Três acéfalos. Três basbaques. Três sandeus. Três lanzudos. Três simplórios. Três bananas. Três trevosos. Três bisonhos. Três sabões. Três toupeiras. Três jericos. Três tijolos. Três escuros. Três paparotos. Três obtusos. Três orates. Três cabeças de galo. Três anastácios. Três paturebas. Três beldroegas. Três nanocéfalos. Três inhenas. Três coiós. Três lesmentos. Três xexés. Três varridos. Três babões. Três chasquetas. Três quartos para alugar. Três camelos. Três lapúrdios. Três marmotas. Três bocas-abertas. Três bucéfalos. Três nulos. Três mancos. Três cabeçudos. Três babosos. Três vazios. Três pachecos. Três labrostas. Três patos. Três salsinhas. Três paspalhos. Três calinos. Três estultos. Três pancrácios. Três microcéfalos. Três descerebrados. Três ocos. Três estropiados. Três desentendidos. Três alonsos. Três encasquetados. Três negativos. Três vesgos. Três hierofantes. Três letrudos. Três bolônios. Três escassos. Três burlões. Três zebróides. Três palhouços. Três lóios. Três padres de réquiem. Três desconexos. Três anfigúricos. Três pigmeus. Três acanhados. Três bordalengos. Três bate-orelhas. Três estafermos. Três marrecos. Três acanhotados. Três ningres-ningres. Três deslambidos. Três acácios. Três caras n’água. Três chochos. Três tolhidos. Três abananados. Três boiotas. Três ovas. Três pãezinhos. Três paparretas. Três contusos. Três confusos. Três sabaquás. Três manés. Três patolas. Três orelhudos. Três tábuas rasas. Três curtos. Três apedeutas. Três patacos. Três malabrutos. Três ventosas. Três mal arquitetados. Três apagados. Três pecos. Três quartas-feiras. Três nabos. Três paspalhajolas. Três deficientes. Três desalumiados. Três azêmolas. Três cepos. Três toscos. Três caliginosos. Três jacarés. Três minguados. Três pax-vóbis. Três belarminos. Três bonifrates. Três patetas das luminárias. Três matutos. Três labregos. Três parvos. Três papa-moscas. Três simplícios. Três pandorgas. Três mulas ruças. Três lerdaços. Três lucas. Três ignaros. Três abobados. Três legalhés. Três cabeças de bagre. Três pamonhas. Três canhestros. Três banfistes. Três lavados. Três savadilhas. Três zeros à esquerda. Três tontos. Três seposos. Três aluados. Três labruscos. Três capiaus. Três desbolados. Três bom-serás. Três pascácios. Três joões-ninguém. Três zés cuecas.
Haroldo Maranhão, 1991
ADENDA:
A história, por trás do texto é, mais ou menos a seguinte:
Haroldo, um sedutor (difícil um grande escritor que não o seja) era também um ótimo crítico literário embora, discreta e modestamente, sempre negasse isso.Muito do que escrevi sobre Haroldo foi com profundo constrangimento, pois ele sabia mais do que muitos escritores e críticos reunidos. (Ele dirigiu um dos melhores Suplementos Literários do País, junto com Benedito Nunes e Mario Faustino, lembrem-se). Pois bem, uma ‘jovem’ escreveu um longo artigo sobre algumas obras de Haroldo Maranhão, e desgostou certos críticos provincianos (eram três) que, sentindo-se diminuídos, a ofenderam e insultaram. (mas… qual crítico – dos bons, nunca foi insultado?)
Haroldo – um verdadeiro D. Quixote – em (disfarçada) defesa da jovem, escreveu um alentado estudo crítico sobre/contra um pretenso projeto de história de literatura nacional, de autoria dos críticos ofensores e auto-proclamados ofendidos;-). Muniu-se de extensa argumentação e de uma bibliografia irreprochável. Tudo nos conformes.
Mas de quebra, quando o artigo foi publicado, ele não resistiu, e – retirem suas conclusões -junto ao artigo em diagramação especial , publicou essa obra-prima chamada ‘Um, dois, três’.’ Eu a ofereço a vocês. É algo precioso e raro. Dificilmente será publicado em livro, e quando quiserem ofender (com razão, por favor, só quando tiverem razões, afinal, sou uma pacifista, todos podem atestar) alguém que mereça, basta adaptá-lo. Todas as palavras têm o mesmo significado. Mas as minhas preferidas são bonifrates e belarminos. A “jovem”, claro, adorou.(quem diria!)
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“…Para Lord Broken-Pottery“
9 comments 3 April 2008

