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Vidas Secas, assim dizem…
Veja todas as capas e artes gráficas aqui no site: Graciliano Ramos . Diga-se, aliás, que site fantástco. Merece prêmio também. Explore tudo o que há lá.
Acho que foi a amazing Amazon que lançou esse recurso não só de pedir aos consumidores que opinassem sobre o produto comprado, mas também de consultarem os indecisos se as “reviews”, poderiam gerar outros compradores. Eu acho ótimo, quando não estou segura da qualidade do que quero. Principalmente eletrodomésticos que, dizem axiomaticamente, é como casamento: para acertar só tendo *sorte*.;-)
Bem, eu sei o que o texto hoje (?) está ruim, mas acho que vocês estão me entendendo. Por exemplo, a Cultura manda emails pra gente convidando-nos a dar nossa opinião sobre vários produtos que compramos, portanto isso por aqui é conhecido. Abre-se então um fórum e as pessoas chegam a conversar entre si. Ou até a trocar desaforos. Olha só Desaforos no Forum (Claudio Boczon, essa é sua)
Agora quando o produto é um livro… vejam o que pode sair.
Estes exemplos foram tirados de uma grande livraria, e eu bem que entrei em contato com as pessoas que emitiram opinião, pedindo permissão para reproduzir. Eu adorei, adoro ler, afinal eu vivo disso, não é?
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Vejam só e depois digam o que acham, OK?
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Animalização
Adriana C. – email@email.com
Exemplo de adequação perfeita entre técnica literária e realidade expressa, o romance “Vidas secas”
exibe, por meio de uma estrutura fragmentada e de uma linguagem enxuta, o isolamento de seus
personagens diante dos limites da sobrevivência. Limites que justamente se revelam na dificuldade de
compreensão e expressão dessa realidade pela palavra. Entre outros aspectos, é esse primitivismo
lingüístico de Fabiano, Sinhá Vitória, e dos dois filhos, que os animaliza, aproximando-os do outro
componente do grupo, a cachorra Baleia. Os seres humanos, comunicando-se precariamente por
fragmentos de frases, balbucios, interjeições guturais, xingamentos, onomatopéias, não parecem
elevar-se do nível do animal que, mesmo sem possuir a faculdade da fala, comunica-se “com o rabo,
com a língua, com movimentos fáceis de entender.”
Nesse sentido, isolamento, primarismo de raciocínio e linguagem, e animalização são as várias faces
concorrentes de uma mesma realidade, aquela que se inscreve nos sobreviventes do drama social e
geográfico da região natal de Graciliano Ramos e aqui expressa por meio de sua genialidade literária.
– por Adriana C.
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Péssimo
10/08/2002
César Garcia, – Vargem Grande do Sul , email@rantac.com.br
Livro chatíssimo, se você está cansado de estar de bom humor leia,
assim seu humor vai piorar rapidamente!
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Eu Sou Teimoso! 15/08/2002
Lorêdo F., São Luís – MA , email@globo.com
O nome dele não é César Maia, é César Garcia.
Como pode um sujeito desse afirmar que “Vidas Secas” é um livro chato?
Quem diz uma coisa dessas só pode ser uma pessoa tola, cuja existência é carente de intelecto e estima pela genuína literatura de qualidade.
O principal livro do alagoano Gracialiano Ramos é simplesmente, meus caríssimos amigos,o maior fenômeno da prosa nacional e estrangeira de todos os tempos. Não tem pra ninguém!
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Opinião não se discute
08/09/2002
L. H S., – Porto Alegre , email@wabstar.com.br
Temos o direito de expressar nossa opinião ou estamos expostos ao ataque pessoal grosseiro e prepotente?
Quanto ao livro, considero-o chato, mal estruturado,
realidade muito artificial e personagens mal definidas e superficiais.
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Quanto absurdo!!!
24/09/2002
Vera M. – São Paulo , email@hotmail.com
Lorêdo… Escrevo êste apenas para deixar meu apoio: CONCORDO CONTIGO PLENAMENTE:
EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU!!!!!!
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A mudez em Vidas Secas
25/09/2002
Marta C. M., – Vitória da Conquista-Ba , mcardmoura@ig.com.br
Vidas Secas é mais uma extraordinária obra de Graciliano Ramos que deveria ser lida por todos os brasileiros.
A obra chama a atenção para a incomunicabilidade do homem com o mundo e consigo mesmo.
Tal incomunicabilidade dá-se por um processo que podemos definir como alienação cultural.
Um homem que se alimenta do papagaio de estimação (que pouco falava), serve para ilustrar não apenas a condição miserável de vida a que é submetido, mas também como uma excelente metáfora para provar que aquele que não se expressa, que não tem condições de defender-se, também é devorado pela vida.
Fabiano desejava muito ter um espelho.
Metaforicamente o autor nos chama a atenção para o fato de que submetido a condições desumanas de vida e reificado, o homem não consegue ver a si mesmo, sua auto-estima é praticamente nula. – por Marta C. M.
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Clássico
18/04/2003
Leonardo, Recife – PE , email@hotmail.com
Não o considero o meu [livro] favorito.Aliás, é muito difícil ter uma obra favorita quando se fala de Graciliano Ramos.
Se eu escolher Vidas Secas, vou deixar de lado São Bernardo, Angustia, Infancia, Memorias do Carcere e as compilações de crônicas Linhas Tortas e Vivente das Alagoas.
Dificilimo escolher mas posso lhe assegurar que Vidas Secas é de uma qualidade dificilima de se encontrar atualmente. O livro É perfeito.Já li umas quinze vezes e toda noite leio sempre um capitulo
(que pode ser lido separadamente) e não me canso.
É bizarro mas não me canso.O Estilo de Graciliano, nesse livro não tão complexo quanto Angustia,
chega ao seu apice. É impossivel detesta-lo!.Eu lhe asseguro ainda mais: compre esse, não vai se arrepender.
PS: Clássicos estão alem do nosso julgamento.
Só podemos dizer algo que ateste o seu status.O resto? é ladainha.
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Um monstro
23/07/2003
Rafael, – Fortaleza , email@hotmail.com
Graciliano Ramos não nasceu nem morreu rico. Não frequentou, nem de longe, universidades e academias. Escreveu escassos quatro romances, 3 livros de memória, um de contos (Embora ”Vidas Secas” e Infância possam ser lidos como contos) e um outro que não sei dizer (Alexandre é sarcástico demais para Lit.Juvenil.). No entanto, o alagoano aprendeu (sozinho) e ao mesmo tempo: português, espanhol, italiano, francês.
Na cadeia, arranhou um pouco de Russo. Lia tudo em Francês, amava Emile Zola, Flaubert, Stendhal, os russos(Dostoievski, Gorki, Andreiev, Tolstoi [o maior escritor de todos os tempos, para ele]) e não ia muito com a cara de Machado (preferia mais Aluisio Azevedo, pela firmeza e preocupação social. Também lia muito Machado mas não morria de amores). Esse homem, que vivia trabalhando pesado (tinha vários empregos e morreu ganhando menos do que os própios filhos!) com apenas quatro livros, superou ou ficou ao lado de Machado. Perfecionista, cultor da forma e do estilo- mais sempre com conteúdo.
Um Descartes, que ousou combater Shakespeare (para o velho, Hamlet não tinha uma loucura lógica, até está tem que, para ele, ser lógica).
Vidas Secas não é um marco mas apenas uma obra-prima entre São Bernardo, Infância, Memórias do Cárcere e Angústia. Um livro duro, pesado, mas com um “punch” forte. Dostoievski teria amado.
10 / 10
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Graciliano Imortal!!
05/02/200
Diogo, – Recife-PE , email@bol.com.br
Coloco Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, entre outros da geração regionalista,
como os melhores escritores que esse país já conheceu!
O livro apesar de áspero e realista, envolve o leitor do começo ao fim.
Romancista de primeira o Velho Graça, como era conhecido nessa sujíssima ABL de hoje!!
Ótimo livro leia esse e aproveite para continuar lendo todas as outras grandes obras desses escritores maravilhosos que eu citei no começo!!
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Uma obra crítica e sincera
17/07/2005
Vinícius R., – Porteirnha – MG , email@gamil.com
Graciuliano Ramos fala da vida atual, no contexto político e econômico, por meio das metóforas deste livro. É sublime o modo com que se inicia e encerra a obra, mostrando que a vida segue sempre em frente e nada é duradouro…
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Prática de leitura
15/08/2006
Marcio L, RIO DE JANEIRO – RJ , email@uol.com.br
Este é um dos livros mais recomendado.
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muiuto bom
14/01/2008
RAIMUNDO M. C., açailândia – MA , email@hotmail.com
eu indico esse livro, tem uma otima historia e afinal de contas é excelente
Queridos continuem votando lá na pesquisa e torçam por mim, vou ao médico e volto, tá bom? Digam o que acham, não de eu ir ao médico mas das *quentes, abrasadas” opiniões sobre Vidas Secas. Algumas vão sobre o autor pessoalmente. E o que que vocês queriam?;-)
Como diz o Jeff Corwin, viram o que eu faço por vocês;-)))
13 comments 13 November 2008
SIBILA – POESIA SOBRE TUDO, POESIA
Do poeta Régis Bonvicino - nome importantíssimo quer na criação literária, na crítica, na divulgação, nos experimentos editoriais e numa verdadeira ‘militância/missão’ incessante de “bateia”, ou seja a crivar a poesia de valor incontestável – recebo o material de divulgação de mais um número da bela e especialíssima revista SIBILA (não conheço um grande Poeta que não saiba a importância da revista e que não leia a revista.
O nome SIBILA, uma homenagem, de certa forma, foi retirado de um poema de Murilo Mendes(*)-um dos mais importantes Poetas brasileiros em todos os tempos e que merece ser muito mais divulgado. Dizendo melhor, merece ser muito, muito *conhecido*
Ao lado de uma equipe respeitável que você pode ler aqui , Bonvicino criou e fundou a SIBILA, cujo primeiro número foi lançado nos Estados Unidos e no Brasil (São Paulo). Agora, a revista que já possui 11 números impressos. E está on line. Ganho nosso, espero.
O que importa ressaltar não é exatamente o impacto e a importãncia dessa revista, pois cada um pode ver pela matéria poética e o rico material traduzido. Importa reconhecer um convite desafiador que a palavra SIBILA engendra: o desafio de interpretar uma nova maneira de dizer o já-dito, o não-dito, o que é renovo, rompendo a cegueira da familiariedade.

Susan Bee (Revista Sibila)
Sibila é a personagem ( na verdade, pelo menos há seis) da mitologia grega e da romana que possui o dom da profecia, do vaticínio, muitas vezes enigmático. A Poesia é a arte que carrega consigo o dom profético e o de ser morada da linguagem. A poesia é a linguagem. Haverá entre elas um parentesco semiótico e semiológico . Eis um ambicioso projeto. Uma ruptura. E que traz consigo, a crítica, o ensaio, a tradução, e pricipalmente o olhar voltado para a atualidade atemporal, para o que é materia de fatura poética. A ingerência do olhar, da análise e posivelmente a posse, mas sobretudo e sobre tudo, a inovação e o sem limite.
No número 7, a capa, por exemplo, traz MANÉ GARRINCHA, em outro número Oiticica em um ensaio, ou ainda em outro, Miriam Chnaiderman fazendo seu filme sobre José Agripino de Paula.
O que me impressiona ao lado disso tudo, sem dúvida, é o material iconográfico. A produção fotográfica, as gravuras, as pinturas, tudo isso é de fazer a gente se orgulhar de ter um veículo de expressão. A arte de se fazer arte. Poeticamente.
E a polêmica esquenta, esquenta: sobre INIMIGO RUMOR a outra revista brasileira, hoje luso-brasileira!
Seguem dois excertos, um deles contido na SIBILA que é uma jóia , uma gema e merece ser lida . massivamente.
Afinal, não há escrita de qualidade sem leitura de qualidade
Este aqui :
“Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.”
Oswald de Andrade. Manifesto Antropófago
10 comments 27 May 2008
O suplício e a sedução dos corsets, high heels e outras artes:-) – Updated 2
Como resultado, um andar ondulante, que será entendido pelos que gostam de dominar como uma oferta e pelos que gostam de ser dominados como uma ordem.
Ah os sofrimentos estéticos! … ah! as artimanhas da sedução e os sacrifícios cometidos em busca de seduzir ou ser seduzido. Na moda, nas artes plásticas, cinema, objetos e publicidade, um interessante e questionador esboço de comportamento feminino. Mas seria só feminino?
Neste site – vi muitos e talvez melhores – mas este, especialmente, tem uma história, ou seja apresenta os corsets, (aaaah! sim, corsets, corselets, são espartilhos como todos sabem) e eles apresentam assim: desde os 1800 (os anos jacksonianos e vitorianos,) os antes das guerras, até os nossos dias.
Daqui se passam para muitos outros, mas dá para iniciar.
Corsets Trough Time
♣ ♣ ♣
Bem, have fun, enjoy , I hope.
Agora estou mergulhado no livro da escritora, poeta e jornalista Ana Vidal “Contos do Sul” e há muito não lia contos tão bem-feitos, tão bem construídos, imbricados em sólida literatura da qual é herdeira e já tão sua, e que me fazem lembrar Mario de Andrade, pelo humor à sorrelfa e a construção literária, onde a vida pulsa… Ai: “Não sirvas a quem já serviu…, não peças a quem já pediu”. Que delicia! . Flaubert dizia de Bouvard e Pécuchet que isso era realmente o Zeitgeist.
Fiquem bem.
Paratodos e para a Ana:
Diane Krall: Temptation (I adore it)
Annie Lennox, a magnífica – Talk to me like lovers do .
♣ ♣ ♣
Per favore, não saiam daqui sem ir lá no árbitro da elegância dos pés femininos. Não, não é o escritor Alex Castro, “O” Libertino Radical, de livro novo, que também entende profundamente do assunto. Trata-se do nosso Amigo, o Réprobo, especialista em parcialismos;-), o nosso Réprobo das Afinidades Efectivas. Sumidade!
E prometo que este é o último post sobre este assunto tão ‘caro’, não é Saramar?. Aliás. acho que isso de sapatos é ruim pras nossas bolsas;-) (OK, foi mal)
AGORA ACHTUNG; Espartilhos (corsets, corselets) não são só instrumento de suplício, parece que há muit(o/a)s adeptos dessa bela peça do vestuário que o usam mais por prazer, mais por apimentada elegância, propriamente, se é que me faço entender;-)))
Vejam este site´- cliquem em português
MADAME SHER!
Por favor, em todas as fotos de slideshows e em alguns links (enlaces) passem o mouse, OK?
Volto depois pra responder tu-di-nho!, Viu,, Ju, querida altona:-)
Ah! se alguém tiver aquela foto da Scarlett O’Hara, no início de GWTW (…E o vento levou.) com a Babá apertando e sufocando a coitada com um lindo espartilho, me manda por favor? Manda… ? Ah Obrigada, que lindas e lindos vocês são.
+_+_+_+_+_+_+_
Ahá! vejam só, não percam o post da querida Marília sobre o descobrimento do…bem vão lá e vejam por vocês mesmos. Quem diria, ó querido Réprobo:-) afinal tem origem … real, realíssima;_)
Essa menina é ótima e o blog dela é um dos meus favoritos:-)
11 comments 22 May 2008
Escritora, feminista, SIMONE DE BEAUVOIR, mulher e mulher-militante (UPDATED)
Mas hoje, com a descobertas do que os idiotas de plantão chamariam de deslizes, e nós mulheres, aceitamos perfeitamente num ser apaixonado, os seu amores, *O* amor, e sua renúncia a este amor , em favor de uma escolha (por Sartre)…. sua militância oriunda de uma reflexão que só se consegue após muitos golpes na consciência, Simone é mais compreensível e mais próxima. Quem pode – se é que alguém pode – julgar Simone – a intelectual que nos faz refletir sobre a moral da ambigüidade: prevendo (o que hoje se sabe) que cabe ao indivíduo criar laços com seus pares através de ações éticas – o que requer projetos que expressem e então, encorajam a liberdade. E principalmente a meta cognitiva e de práxis de que se o homem é livre de um jugo (ou um D/d/eus?) que garanta a ação moralmente correta, eis que Simone nos apresenta à idéia de que a liberdade humana depende da liberdade de todos para ser efetiva. Um bem para além do nosso próprio bem: mas o bem de todos.
French writer and philosopher Simone de Beauvoir was born on this day in 1908. Her seminal book, The Second Sex, is considered by many to have launched the contemporary feminist movement. PARIS — Simone de Beauvoir, 1952. © Elliott Erwitt / Magnum Photos — .. SLATE Magazine January 9, 2008
Os claro-escuros de Simone de Beauvoir : Comemorações do centenário da intelectual feminista
Octavi Martí, em Paris
Fadela Amara, a atual secretária de Estado para a Cidade do governo Sarkozy-Fillon, encabeçou suas felicitações de Natal com a seguinte frase: “Ser livre é querer a liberdade dos outros”. É uma citação de Simone de Beauvoir. O fato de uma ministra de um Executivo que tem entre seus objetivos “acabar com o pensamento de maio de 68″ citar Beauvoir, fundadora do feminismo moderno, maoísta ocasional e que se autodefinia como “totalmente de esquerda” e “desejosa da queda do capitalismo”, combina mal com o lema sarkozista de “trabalhar mais para ganhar mais”, horizonte insuperável do atual presidente da República Francesa.
Simone de Beauvoir (Paris, 1908-1986) foi romancista, ensaísta e militante política, mas essa última faceta demorou para se manifestar. “Lamento que tenha sido necessária a guerra para me fazer compreender que vivia no mundo, e não fora dele”, escreveu em 1985, referindo-se ao período da ocupação alemã, quando ela e seu companheiro, Jean-Paul Sartre, quase não manifestaram qualquer inquietação política, convencidos, já em 1941, de que os americanos viriam libertá-los e que era melhor esperar em casa, junto à lareira, escrevendo romances, peças de teatro ou reflexões filosóficas, tudo salpicado de “amores contingentes” -o que Jean-Paul e Simone mantinham era um “amor necessário”.

Simone de Beauvoir ao lado do escritor Jorge Amado (centro) e do filósofo Jean-Paul Sartre
Hoje, através de biografias, depoimentos e análises, o “casal livre” que Sartre e Beauvoir simbolizaram é criticado por alguns. Não foram tão “resistentes” como diziam, não foram tão “livres” como pareciam, não tiveram tanta razão como se acreditava. Além disso, a história, a grande história, ridicularizou muitos de seus posicionamentos, boa parte de suas críticas a Camus, Aron ou Merleau-Ponty. E o marxismo já não é o sistema filosófico, e sim mais um entre eles, como esse existencialismo do qual eles foram os profetas; os países comunistas cuja revolução apoiaram com sua presença -Rússia, Cuba, China, Vietnã- hoje são paraísos do capitalismo selvagem ou exemplos ruinosos de aonde pode levar uma teoria quando se omite a realidade. Jacques-Pierre Amette, no semanário “Le Point”, se atreve a perguntar se “Sartre e Beauvoir não serão os Ginger Rogers e Fred Astaire do existencialismo”. No entanto…
O “no entanto” não está exclusivamente nos 1,2 milhão de exemplares vendidos desde 1949 -só em francês- de “O Segundo Sexo”, livro de referência do feminismo, nem na influência do mesmo na evolução da mentalidade contemporânea. Talvez também não esteja na qualidade e no interesse literário da obra de Simone de Beauvoir, que são muito altos e precisam de reavaliação. “Todos os Homens São Mortais” (1946) é um grande exemplo de “novela filosófica”, um gênero hoje malvisto, assim como “Os Mandarins” (1954), que põe em cena o antagonismo entre Sartre e Camus através de personagens reais, que não são meros portadores de mensagens.
E “Memórias de uma Jovem Formal” (1958) é um livro belíssimo, mas toma certas liberdades com a verdade. Nelas, conta-nos que “Sartre correspondia ao desejo que formulei quando tinha 15 anos: era o duplo no qual eu encontrava, levadas à incandescência, todas as minhas manias. Com ele sempre podia compartilhar tudo. Quando nos separamos no início de agosto sabia que nunca mais sairia de minha vida”. E aprendemos que teve como companheiros de claustro Maurice Merleau-Ponty e Claude Lévi-Strauss. “Eu já conhecia um pouco os dois. O primeiro sempre me havia inspirado uma longínqua simpatia. O segundo me intimidava por sua fleuma, mas sabia usá-la e o achei muito divertido quando, com voz neutra e um rosto impenetrável, expôs diante de nosso auditório a loucura das paixões.”
Todo um mundo intelectual é evocado nessas memórias e nos volumes seguintes -”A Força da Idade” (1963) e “A Força das Coisas” (1963)- e isso, somado a essa atitude pública hoje tão criticada, assim como a influência de suas reflexões feministas, transformou Simone de Beauvoir em um mito. E um mito com o encanto da proximidade. Alguns a aproveitam só para descobrir que seus pés eram de barro. Com efeito, de barro humano.
Como no caso de Sartre, Simone de Beauvoir é hoje uma figura mundial, mais respeitada nos EUA do que na França. Em seu país não sabem o que fazer com ela. A televisão lhe dedicará dois filmes, mas em canais menores, como Arte ou France5. Como está distante esse 1984 em que a TF1 -ainda pública- exibiu uma série para comemorar os 35 anos de “O Segundo Sexo”!
Um colóquio internacional reuniu em Paris de 9 a 11 de janeiro especialistas do mundo inteiro para discutir a atualidade de sua obra. Danièle Sallenave publica uma biografia crítica -”Castor de Guerre”- pela Gallimard, editora que também publica um volume hagiográfico: “Simone de Beauvoir, écrire pour temoigner” [Escrever para testemunhar], concebido por Jacques Deguy e Sylvie Le Bon de Beauvoir, filha adotiva da escritora. E a mesma editora reedita um texto de Beauvoir de 1948 que estava esgotado: “O Existencialismo e a Sabedoria Popular”. E isso é tudo o que a época permite.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
SOBRE O FEMINISMO
“Se ser feminista é ser um homem como qualquer outro, como queria Beauvoir, então não sou feminista!” – Antoinette Fouque, fundadora do Movimento de Libertação daMulher, na França. “
A leitura de seu livro ‘O Segundo Sexo’ me causou a impressão de ter-me colocado óculos para ver o mundo.” - Wendy Delorme, escritora, atriz e militante das Panteras Rosa.
“É importante que tenha demonstrado que a masculinidade não estava reservada aos homens, mas era um signo cultural e social acessível a todas. Isso é o revolucionário.” – Marie-Hélène Bourcier, estudiosa e crítica da obra de Simone de Beauvoir.
“A posição ética de Beauvoir me apaixona por seu radicalismo: ela prefere mudar a ordem do mundo do que mudar de desejos.” – Danièle Sallenave, autora da biografia crítica de Beauvoir “Castor de Guerre“.
EL PAÍS – - Visite o site do jornal.
Leiam mais estes “amuse-gueule” que escolhi especialmente para nós, vocês e eu;-); enquanto eu fico boazinha, – ainda estou com dor na cabeça do tamanho de um balãozão. Um beijo a todos.
Em especial para as minhas Palpi, Rose, e (Pulsy)Cat;-)) perdoem-me não ter vindo antes.
1- Artes: dois pontos. // 2- Voltaire Schilling //3- Label France //4- Simone- … feminismo
Para os francophiles:
1- Une vie d’écriture et liberté ///2- Simone, la scandaleuse/// 3- Julia KRISTEVA – Dossier- Programme
35 comments 12 January 2008






