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Marilyn forever e Parabéns, Nelsinho!(updated)

marilyn as theda bara, a original vampire, para ensaio de richard avedon

clique para vê-la ampliada
Aqui, Marilyn está  caracterizada para um ensaio do grande fotógrafo Richard Avedon, [santo do meu altar, meu fotógrafo de culto] mimetizando a original VAMP, a chiquerésima Theda Bara.  Esta foto foi publicada na Revista LIFE de  de 1958.(*). Já conheciam?
Marilyn Monroe  (1926-1962)
There never was a person like her.”
Algumas citações que vão em inglês pois eu não domino suficientemente o idioma para atrever-me a traduzir. Eu, hein, Rosa?:-)

• I don’t know who invented high heel, but all women owe him a lot.
• I don’t mind living in a man’s world as long as I can be a woman in it.
Hollywood is a place where they’ll pay you a thousand dollars for a kiss and fifty cents for your soul.”
I have too many fantasies to be a housewife…. I guess I am a fantasy.
A career is wonderful thing, but you can’t snuggle up to it on a cold night.
. Sex is part of nature. I go along with nature  (What a wit wit!)
* ON underwear:
” I have no prejudice against it”.
ON being asked why she posed for the famous nude calendar:
“Hunger”

A melhor para mim, de todos os seus filmes:

Lorelei Lee:
“Don’t you know that a man being rich is like a girl being pretty?
You wouldn’t marry a girl just because she’s pretty, but my goodness, doesn’t it help?”

(In: Howard Hawks’ Gentlemen Prefer Blondes - 1953)

A respeito dela, disseram:
“She was an absolute genius as a comedic actress, with an extraordinary sense for comedic dialogue. It was a God-given gift. Believe me, in the last fifteen years there were ten projects
that came to me, and I’d start working on them and I’d think, ‘It’s not going to work, it needs Marilyn Monroe.’ Nobody else is in that orbit; everyone else is earthbound by comparison.”

Billy Wilder, director of “Some Like it Hot and The Seven Year Itch”

“She listens, wants, cares. I catch her laughing across a room and I bust up. Every pore of that lovely translucent skin is alive, open every moment-even though this world could make her vulnerable to being hurt. I would rather work with her than any other actress. I adore her.”
     Montgomery Clift, Marilyn co-star in The Misfits

She understood photography, and she also understood about what makes a great photographer - not the technique but the content..”
    Richard Avedon, photographer

There’s someting extremely alert and vivid in her: an intelligence. It’s her personality, it’s a glance, it’s somethimg very tenous, very vivid that disappears quickly, that appears again.
Henry Cartier-Bresson

“I’ve learned about living from her. I took her as a serious actress even before I met her. I think she’s an adroit comedienne, but I also think she might turn into the greatest tragic actress that can be. imagined.”

” She has a tremendous native feeling. She has more guts than a slaughter house. Being with her people vant not to die. She’s all woman, the most womanly woman in the world. (**)
Arthur Miller, writer and husband

********
Há muito, muito mais, mas para mim, isto é suficiente no dia do aniversário  de seu nascimento). I love her so so much, M. Forever.
(*) Desfazendo alguns mitos:
*
Não, eu não conheci a Marilyn Monroe.;-)))
Ah e nem fui contemporânea dela;-))) Nem da Theda Bara, nem da Katherine Hepburn, nem do Cary Grant e outros e outras menos ou mais votados OK?
(**) Demorôôô!. Gostei, gostei…

E uma diva pede música, na voz de outra diva: Miss Peggy Lee: duas divas ambas super, ultra temptressess. E Miss Lee, puro jazz!
‘My heart belongs to Daddy’
(essa música foi cantada por Marilyn  em Let’s Make Love (adorável Pecadora,  com Yves Montand - e gravada em disco. Marilyn era uma cantora afinada. A voz era meio infantil, sempre. A isso atribuo o fato de não ser levada a sério como cantora, mas cantava ‘direitinho’.  Reparem a voz possante de Peggy (a quem adoro)   e ‘Love me or Leave me’, que está aqui por lembrar outra ‘divindade’: Billie Holiday, que tem a melhor rendition  desta música. Deixem-me ver se tenho, se tiver colocarei aqui. Doris Day (grande cantora mesmo, excelente!) também gravou Love me or leave me.



 Se você tiver, souber mais algumas quotes,  dela ou sobre ela, tipo assim, arrasadoras, além do Chanel numéro 5,  pode me mandar pelos comentários. Contribuirá para minha coleção e para o livro que estou escrevendo sobre… ops. ;-))) Thx.

=-=-=
ADENDA:
Para quem está acompanhando os links/enlaces do nosso querido Réprobo  em belo posts acerca de Marilyn, aviso que um deles está quebrado e portanto aqui coloco  o link efetivo: História de Beijos.

**********

Aqui estão os registros de Billie Holiday em Love me or leave me. E o da própria Marilyn em My heart belongs to Daddy;-)


HEAR! HEAR! HEAR! O MUKANDAS FAZ TRÊS ANOS HOJE OH! QUE DIA MAIS FELIZ!!!

 

Pessoas, todas , minhas queridas!: vocês sabem o que significa *MUKANDAS*? Claro,  eu sabia que você sabia. Ora, *Mukanda* significa notícias, cartas, notícia, avisos, oh minha mãe Menininha:-) - então, é claro que isso é o significado de quê, mesmo? Iiiissssooo, exatamente,  a definição perfeita de blog.

E digam se o MUKANDAS não é mesmo um blog gostoso de ser lido ?
Este é um post que adoro. É de quando o Nelsinho querido, começou em junho de 2005) . Só podia ser mesmo: o  Nelsinho correndo e voando da Finlândia para Patagônia. Das geleiras e dos fjords até os ranchos texanos.  O Nelsinho, uma pessoa adorável, culta, sensível e às vezes mostrando seu repúdio da forma firme como queríamos todos fazer a todas essas coisas ruins do mundo. Mas sempre e sempre, sempre a viajar e a voltar para os braços ternos e para os lindos olhos verdes da sua amada Nina!

Todos, os meus 11 ou 12,  lá a dar nosso abraço ao querido Amigo, por favor, está bem?

PARABÉNS,NELSINHO, OBRIGADA! VIDA LONGA AO MUKANDAS!


24 comments June 1, 2008

Da maior importância: Augusto Boal e Felipe Fortuna

Boal e o Teatro do Oprimido

Augusto Boal, teatrólogo brasileiro que hoje está completando 77 anos) foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2008. A indicação de Boal ao prêmio foi feita em reconhecimento a seu trabalho com o Teatro do Oprimido, técnica criada por ele no final dos anos 60 e que utiliza a estética teatral para discutir questões políticas e sociais.

As comemorações  -tanto pelo aniversário quanto pela indicação - se espalham pelo mundo, (sim, senhor, pelo mundo, tá pensando o quê?) com eventos públicos dedicados à conscientização sobre o aquecimento global, numa iniciativa de grupos do Teatro do Oprimido internacionais. (Conheceram, papudos?) No Rio de Janeiro, cidade do teatrólogo, as homenagens acontecem no Parque do Flamengo.
Dê uma vista na programação de todas as cidade, neste site aqui:
http://headlinestheatre.com/2Degrees08/jokers_events.htm

É o caso de dizer: Ele merece! ele merece!!! Ele merece! E nós, parece que merecemos, não é?

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QUANDO QUEIMAM BIBLIOTECAS

“Tudo é possível quando a política se une à barbárie - incluindo-se a publicação de um livro e a queima de uma biblioteca. Cada um de nós reagirá de modo previsível diante do lançamento editorial e do ato de vandalismo: respeito e admiração por um, horror e repulsa pelo outro. Num poema ainda ensinado nas escolas francesas como lição de humanismo, “De quem é o erro?”, Victor Hugo castiga com dureza uma pessoa que acaba de confessar haver incendiado uma biblioteca. E começa a exclamar colericamente: “Crime cometido por você contra você mesmo, infame! / Você acaba de matar o raio de luz de sua alma! / É a sua própria chama que você acaba de assoprar! / (…) Uma biblioteca é um ato de fé (…) / Então você esqueceu que o seu libertador / É o livro? (…)”. Terminada a longa descompostura, em tom de sermão, o poeta que falou sobre a verdade, a virtude e o progresso, permite que o delinqüente possa pronunciar uma única frase: “Eu não sei ler”. Subitamente, todo o poema se transforma numa composição irônica na qual a força moral do poeta torna-se oca diante do descaso da sociedade em relação a um analfabeto, que reagiu e se vingou a seu modo.

 Por associação, lembrei-me do poema enquanto lia um ensaio perturbador, “Por que queimamos as bibliotecas?”, que trata das violências sociais contra a cultura escrita. Seus autores são dois sociólogos franceses, Denis Merklen e Numa Murard, estudiosos dos recentes episódios de revolta popular que atingiram os subúrbios de Paris - e, especialmente, as bibliotecas de bairro. Eles explicam que, desde 2005, dezenas de bibliotecas foram atacadas e destruídas por moradores do lugar, e se perguntam qual seria o alvo nos casos em questão: uma instituição pública? Um prédio que representa o poder ou a República? Essas questões conduzem os sociólogos, por fim, à interrogação decisiva: o que significa, para os vândalos, uma biblioteca…”

Continue lendo no link abaixo o estupendo ensaio do poeta FELIPE FORTUNA. Lembram de Farenheit 451 de Bradbury? Não estamos longe disso.

 Caderno Idéias- Jornal do Brasil - 15 de março de 2008

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Hoje há dois aniversários importantes para o blog: o da querida  Viv e o do grande  Jerry Lewis, (tomara que se faça justiça a ele em vida, e parem de vê-lo como um mero careteriro) e possivelmente voltarei logo. 

P.S. - Ery Roberto, fique bem, meu Amigo. Você fez o que lhe cabia.  Então…


7 comments March 16, 2008

Para a Fal, a mais amada, parabéns para minha sistah quilida…

A deusa italiana é a Fal. Clique em link ali embaixo
Queridos, este é o único post para o qual eu não desejo comentários (tá bom se quiserem…né? deixem, mas só para dizer que sim!
E apôs … todos chispando lá pro site da Falzinha! Minha flawless flower!
Minha linda deusa italiana, eu sou apenas a sua serva muy leal , salve, salve, ó idolatrada.
E duvido que alguém discorde: a humanidade ainda precisa elevar-se muito para chegar perto do que é essa mulher no quesito, agora sim a palavra em seu sentido real, generosidade, doação intensa, ausência de retaliação, além de ser escritora com um dos textos mais preciosos que conheço (e olha que pouquíssimas coisas tenho feito nessa vida além de ler (ok…tá bom, ainda faço outras traquinagens, por certo)

É isso: talento, inteligência, senso de humor, wit (que não são a mesma coisa) e uma incrível compassividade e altivez para entender o ser humano sem pedir explicações. Porque ela é sábia.

E porque entende que muitas vezes a raiva que se tem dos outros provém da raiva que se tem por si mesmo… eu acho, né?

Mas ela, simplesmente é ela. Vão por mim, quem não quer ser amiga da Fal?

Fal, quilida maninha, eu te aaaaammmmmooooo!!!!!!!!!!! Parabéns pra você!
Parabéns! E é como disse a você pelo telefone…*TODO* mundo só quer que você seja feliz.
Minha deusa… trago-te em meu já andado coração. E como sou feliz por isso. Aliás, como você bem, sabe, a Dona Elisa é feliz por isso!
Agora, gente, quando forem lá no LV da Fal, pros neófitos, aquela instituição e agremiação chamada Livro de Vistas da Fal… cuidado, meninas, não sejam umas batráquias desavergonhadas (*): o Rui é meu;-))))))

Meus 5 leitores, aviem-se…. Depêchez-vous!

‘Batráquias desavergonhadas‘ - expressão absolutamente genial inventada por quem mesmo?..Ora, façam um esforço hohoho

E também cozinha que é uma tentação enlouquecedora e diz a lenda que foi ela primeiro que qaundo fez um prato com siris, disse assim depois de comê-los: Esses siris, em verdade vos digo, não morreram em vão… diz a lenda!

Ou seja ela é profissional no ramo de matar todos nós de shakespeariana inveja.

=====

P.S. UPDATE NECESSÁRIO: Por um enorme equívoco este post depois de publicado foi despublicado. Peço imensas e sinceras e humildes desculpas. O que sempre faço quando erro.

Pensando e avaliando melhor, o post está sendo republicado definitivamente. For good!.

Te amo, Fal.

Pessoas queridas, por favor não se sintam menos queridas, acontece que a Fal é especialíssima.


7 comments February 17, 2008

Escritora, feminista, SIMONE DE BEAUVOIR, mulher e mulher-militante (UPDATED)

OK, gente, sei que não pediram minha opinião, e até já estou chegando um pouquinho tarde mas confesso a vocês que gosto muito mais de Simone de Beauvoir hoje do que gostava antes.
Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir (1908-2008).
Muito “certa” (certinha - não confundir com as certinhas do Lalau, embora tenha sido muito bonita - no sentido de rangée) e muito exemplar, antes parecia uma mulher congelada e seu feminismo de um rigor que afastava as garotas da minha idade… ela era tudo o que jamais seríamos ou queríamos. Pior, o que nenhuma mulher gostaria de ser. O seu livro Segundo Sexo, era muito “avant-la-lettre- para ser percebido, por nós, meninas estudantes da PUC do Rio de Janeiro, como feminista, e foi muito mais tido e havido como uma masculinização da mulher. Na verdade, Simone preconizou e foi precursora do que viria ser o feminismo. Ela estava e esteve à frente da Beth Friedman, e até mesmo de Ms. Steinheim, esta é que é a verdade;-)
Mas hoje, com a descobertas do que os idiotas de plantão chamariam de deslizes, e nós mulheres, aceitamos perfeitamente num ser apaixonado, os seu amores, *O* amor, e sua renúncia a este amor , em favor de uma escolha (por Sartre)…. sua militância oriunda de uma reflexão que só se consegue após muitos golpes na consciência, Simone é mais compreensível e mais próxima. Quem pode - se é que alguém pode - julgar Simone - a intelectual que nos faz refletir sobre a moral da ambigüidade: prevendo (o que hoje se sabe) que cabe ao indivíduo criar laços com seus pares através de ações éticas – o que requer projetos que expressem e então, encorajam a liberdade. E principalmente a meta cognitiva e de práxis de que se o homem é livre de um jugo (ou um D/d/eus?) que garanta a ação moralmente correta, eis que Simone nos apresenta à idéia de que a liberdade humana depende da liberdade de todos para ser efetiva. Um bem para além do nosso próprio bem: mas o bem de todos.
E por fim , confesso que foi a Simone tardive que me fez gostar muito mais, mas muito mesmo de Camille Paglia, outra que também anda pensa) sempre na frente, analisando o presente e prevendo o futuro. Salut Camille!
Esqueçam Cerimônia do Adeus (menos a maravilhosa frase final: « Sa mort nous sépare. Ma mort ne nous réunira pas. c’est ainsi ; il est déjà beau que nos vies aient pu si longtemps s’accorder. » e comemoremos os Cem anos de Simone! Viva Simone!

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French writer and philosopher Simone de Beauvoir was born on this day in 1908. Her seminal book, The Second Sex, is considered by many to have launched the contemporary feminist movement. PARIS — Simone de Beauvoir, 1952. © Elliott Erwitt / Magnum Photos .. SLATE Magazine January 9, 2008

Os claro-escuros de Simone de Beauvoir : Comemorações do centenário da intelectual feminista
Octavi Martí, em Paris

Fadela Amara, a atual secretária de Estado para a Cidade do governo Sarkozy-Fillon, encabeçou suas felicitações de Natal com a seguinte frase: “Ser livre é querer a liberdade dos outros. É uma citação de Simone de Beauvoir. O fato de uma ministra de um Executivo que tem entre seus objetivos “acabar com o pensamento de maio de 68″ citar Beauvoir, fundadora do feminismo moderno, maoísta ocasional e que se autodefinia como “totalmente de esquerda” e “desejosa da queda do capitalismo”, combina mal com o lema sarkozista de “trabalhar mais para ganhar mais”, horizonte insuperável do atual presidente da República Francesa.

Simone de Beauvoir (Paris, 1908-1986) foi romancista, ensaísta e militante política, mas essa última faceta demorou para se manifestar. “Lamento que tenha sido necessária a guerra para me fazer compreender que vivia no mundo, e não fora dele”, escreveu em 1985, referindo-se ao período da ocupação alemã, quando ela e seu companheiro, Jean-Paul Sartre, quase não manifestaram qualquer inquietação política, convencidos, já em 1941, de que os americanos viriam libertá-los e que era melhor esperar em casa, junto à lareira, escrevendo romances, peças de teatro ou reflexões filosóficas, tudo salpicado de “amores contingentes” -o que Jean-Paul e Simone mantinham era um “amor necessário”.

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Simone de Beauvoir ao lado do escritor Jorge Amado (centro) e do filósofo Jean-Paul Sartre

Hoje, através de biografias, depoimentos e análises, o “casal livre” que Sartre e Beauvoir simbolizaram é criticado por alguns. Não foram tão “resistentes” como diziam, não foram tão “livres” como pareciam, não tiveram tanta razão como se acreditava. Além disso, a história, a grande história, ridicularizou muitos de seus posicionamentos, boa parte de suas críticas a Camus, Aron ou Merleau-Ponty. E o marxismo já não é o sistema filosófico, e sim mais um entre eles, como esse existencialismo do qual eles foram os profetas; os países comunistas cuja revolução apoiaram com sua presença -Rússia, Cuba, China, Vietnã- hoje são paraísos do capitalismo selvagem ou exemplos ruinosos de aonde pode levar uma teoria quando se omite a realidade. Jacques-Pierre Amette, no semanário “Le Point”, se atreve a perguntar se “Sartre e Beauvoir não serão os Ginger Rogers e Fred Astaire do existencialismo”. No entanto…

O “no entanto” não está exclusivamente nos 1,2 milhão de exemplares vendidos desde 1949 -só em francês- de “O Segundo Sexo”, livro de referência do feminismo, nem na influência do mesmo na evolução da mentalidade contemporânea. Talvez também não esteja na qualidade e no interesse literário da obra de Simone de Beauvoir, que são muito altos e precisam de reavaliação. “Todos os Homens São Mortais” (1946) é um grande exemplo de “novela filosófica”, um gênero hoje malvisto, assim como “Os Mandarins” (1954), que põe em cena o antagonismo entre Sartre e Camus através de personagens reais, que não são meros portadores de mensagens.

E “Memórias de uma Jovem Formal” (1958) é um livro belíssimo, mas toma certas liberdades com a verdade. Nelas, conta-nos que “Sartre correspondia ao desejo que formulei quando tinha 15 anos: era o duplo no qual eu encontrava, levadas à incandescência, todas as minhas manias. Com ele sempre podia compartilhar tudo. Quando nos separamos no início de agosto sabia que nunca mais sairia de minha vida”. E aprendemos que teve como companheiros de claustro Maurice Merleau-Ponty e Claude Lévi-Strauss. “Eu já conhecia um pouco os dois. O primeiro sempre me havia inspirado uma longínqua simpatia. O segundo me intimidava por sua fleuma, mas sabia usá-la e o achei muito divertido quando, com voz neutra e um rosto impenetrável, expôs diante de nosso auditório a loucura das paixões.”

Todo um mundo intelectual é evocado nessas memórias e nos volumes seguintes -”A Força da Idade” (1963) e “A Força das Coisas” (1963)- e isso, somado a essa atitude pública hoje tão criticada, assim como a influência de suas reflexões feministas, transformou Simone de Beauvoir em um mito. E um mito com o encanto da proximidade. Alguns a aproveitam só para descobrir que seus pés eram de barro. Com efeito, de barro humano.

Como no caso de Sartre, Simone de Beauvoir é hoje uma figura mundial, mais respeitada nos EUA do que na França. Em seu país não sabem o que fazer com ela. A televisão lhe dedicará dois filmes, mas em canais menores, como Arte ou France5. Como está distante esse 1984 em que a TF1 -ainda pública- exibiu uma série para comemorar os 35 anos de “O Segundo Sexo”!

Um colóquio internacional reuniu em Paris de 9 a 11 de janeiro especialistas do mundo inteiro para discutir a atualidade de sua obra. Danièle Sallenave publica uma biografia crítica -”Castor de Guerre”- pela Gallimard, editora que também publica um volume hagiográfico: “Simone de Beauvoir, écrire pour temoigner” [Escrever para testemunhar], concebido por Jacques Deguy e Sylvie Le Bon de Beauvoir, filha adotiva da escritora. E a mesma editora reedita um texto de Beauvoir de 1948 que estava esgotado: “O Existencialismo e a Sabedoria Popular”. E isso é tudo o que a época permite.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

SOBRE O FEMINISMO

“Se ser feminista é ser um homem como qualquer outro, como queria Beauvoir, então não sou feminista!” - Antoinette Fouque, fundadora do Movimento de Libertação daMulher, na França. “
A leitura de seu livro ‘O Segundo Sexo’ me causou a impressão de ter-me colocado óculos para ver o mundo.” - Wendy Delorme, escritora, atriz e militante das Panteras Rosa.
É importante que tenha demonstrado que a masculinidade não estava reservada aos homens, mas era um signo cultural e social acessível a todas. Isso é o revolucionário.” - Marie-Hélène Bourcier, estudiosa e crítica da obra de Simone de Beauvoir.
“A posição ética de Beauvoir me apaixona por seu radicalismo: ela prefere mudar a ordem do mundo do que mudar de desejos.” - Danièle Sallenave, autora da biografia crítica de Beauvoir “Castor de Guerre“.
EL PAÍS - - Visite o site do jornal.
Leiam mais estes “amuse-gueule” que escolhi especialmente para nós, vocês e eu;-); enquanto eu fico boazinha, - ainda estou com dor na cabeça do tamanho de um balãozão. Um beijo a todos.
Em especial para as minhas Palpi, Rose, e (Pulsy)Cat;-)) perdoem-me não ter vindo antes.
1- Artes: dois pontos. // 2- Voltaire Schilling //3- Label France //4- Simone- … feminismo

Para os francophiles:
1- Une vie d’écriture et liberté ///2- Simone, la scandaleuse/// 3- Julia KRISTEVA - Dossier- Programme

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A propósito de análises e avaliações: não deixe de ler mais um texto “matador” do professor GILSON CARONI FILHO, sobre a “a judicialização da política e a politização do judiciário” e a figura digamos “atirada” do juiz Marco Aurélio Mello. Se o professor me permite, um certeiro “tiro ao álvaro”! Não percam. Clique aqui
*************************
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Registro com alegria e agradeço o prêmio Post de Ouro , conferido por Ery Roberto Corrêa a este post. Ueba! ;-)!!!!
Obrigadíssima, Ery!

35 comments January 12, 2008

Carlos, ontem, 17 …

Pois então, ontem fez 20 anos que Drummond se foi. Daí que eu - ontem - honrei algumas de minhas dívidas;-) e hoje estou aqui para fazer uma homenagem modestíssima , mas muuuuito pessoal ao Carlos.
Primeiríssimamente de tudo, o poema que tem um significado especial para mim, por ser filosófico, tratar do tema do solipsismo…ops , mas que coisa, olha eu aqui explicando tss.. tsc… what a hell é isso?;-))) Mas, voltando, segue aí, um poema que aprendi , lendo o livro muito do seu lindinho, com poemas pouco óbvios, poemas que nem todo mundo conhece, e que ganhei de presente de um *amigo paulista* que não sei se vai querer o nome dele aqui;-)… O livro chama-se As Impurezas do Branco. Adorável título para estranhos poemas:
Este por exemplo:

QUERO

Quero que todos os dias do ano

todos os dias da vida

de meia em meia hora

de 5 em 5 minutos

me digas: Eu te amo

Ouvindo-te dizer: Eu te amo

creio, no momento que sou amado

No momento anterior

e no seguinte,

como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão

que me amas que me amas que me amas.

Do contrário evapora-se a amação

pois ao dizer: Eu te amo,

desmentes

apagas

teu amor por mim

Exijo de ti o perene comunicado.

Não exijo senão isto,

isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra

nem sei de outra maneira a não ser esta

de reconhecer o dom amoroso,

a perfeita maneira de saber-se amado:

amor na raiz da palavra

e na sua emissão,

amor

saltando da língua nacional

amor

feito som

vibração espacial.

No momento em que não me dizes:

Eu te amo

inexoravelmente sei

que deixaste de amar-me

que nunca me amaste antes.

Se não disseres urgente repetido

Eu te amoamoamoamoamo,

verdade fulminante que acabas de desentranhar,

eu me precipito no caos,

essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade. Quero. In: Impurezas do Branco Obras Completas.

Mas não é u-ma coi-sa?! Já pensaram nisso? Eu já:-))))

O outro poema é de um Drummond bastante sapeca, dedicado à não menos sapeca, à sapequíssima Hilda Hist, mulher lindíssima (aliás, é claro que vocês não conhecem o termo “sapeca”, não fui eu que inventei, mas há a barreira do tempo se vc tiver menos de 117 anos, então não conhece, e é uma pena…)

Assim é que é…

Poema de: Carlos Drummond de Andrade
Para: Hilda Hilst

Abro a Folha da Manhã
Por entre espécies grã-finas
Emerge de musselinas
Hilda, estrela Aldebarã.

Tanto vestido enfeitado
Cobre e recobre de vez
Sua preclara nudez
Me sinto mui perturbado.

Hilda girando boates
Hilda fazendo chacrinha
Hilda dos outros, não minha
Coração que tanto bates.

Mas chega o Natal
e chamo à ordem, Hilda.
Não vês que nesses teus giroflês
Esqueces quem tanto te ama?

Então Hilda, que é sab(ilda)
Manda sua arma secreta:
um beijo em morse ao poeta.
Mas não me tapeias, Hilda.

Esclareçamos o assunto.
Nada de beijo postal
No Distrito Federal
o beijo é na boca e junto.

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Esse poeta! que sab(il)do:-) Mas, minina, a gente lê poema e fica prestando atenção em outras coisas e só depois repara no que o poema conta, que aliás nada deve contar, mas assim, olhando meio de lado… esse Drummond hein, era meio cafifa, adoravelmente, claro. Será que a Hilda estava numa entressafra? Sabe-se lá quanto ciúme foi derramado… “Há uma gota de sangue em cada…etc…” Pois é…

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E para incentivar a leitura, aqui está uma crônica, que é barato total (gíria yada, yada, yada…)

Aquele casal

Aquele casal, o marido me honra com suas confidências:
- Ultimamente, a Elsa anda um pouco estranha. Não sei o que é, mas não me agrada a sua evolução.
- Como assim?
- Deu para usar estampados berrantes, de mau gosto, ela que era tão discreta no vestir.
- É a moda.
- Pode ser o que você quiser, porém minha mulher jamais se permitiu esses desfrutes.
- Deixe Dona Elsa ser elegante. Não há desfrute em seguir o figurino.
- Se fosse só o figurino. São as maneiras, os gestos.
- Que é que tem as maneiras, os gestos?
- A Elsa parece uma menina de quinze anos. Ficou com os movimentos mais leves, um ar desembaraçado que ela não tinha, e que não vai bem com uma senhora casada.
- Posso dar opinião? As senhoras casadas não perdem a condição feminina, e pode até realçá-la por uma graça experiente.
Fixou-me suspeitoso:
- Que é que está insinuando?
- Nada. A mulher casada desabrochou, não é mais um projeto, pode revelar melhor o encanto natural da personalidade.
- Pois fique com suas teorias, que eu não quero saber de minha mulher revelar seu encanto a ninguém.
- Perdão, eu…
- Já sei. Estava querendo desculpar a Elsa.
- Desculpar de quê?
- De tudo que ela vem fazendo.
- Eu ignoro tudo, e adivinho que não há nada senão…
- Senão o quê?
- Aquilo que o dicionário chama de ente de razão, uma fantasia completamente destituída de razão.
- Acha então que estou maluco?
- Acho que está sonhando coisas.
- E a flor que ela trouxe ontem para a casa é sonho? Me diga: é sonho?
- Que é que tem trazer uma flor para casa?
- Veio do oculista e trouxe uma rosa. Acha direito?
- Por que não?
- Eu apertei, ela me disse que foi o oculista que deu a ela. Estava num vaso, ela achou bonita, ele deu.
- E daí?
- Então uma senhora casada vai ao oculista e o oculista lhe dá uma rosa? Que lhe parece?
- Que ele é gentil, apenas.
- Pois eu não vou nessa gentileza de oculista. Não há rosas nos consultórios de oftalmologia. E que houvesse. Tem propósito uma coisa dessas? Ela acabou chorando, dizendo que eu sou um bruto, um rinoceronte. Engraçado. Minha mulher vem com uma rosa para casa, uma rosa dada por um homem, e eu não devo achar ruim, eu tenho que achar muito natural.
- Desde quando é proibido uma senhora ganhar flor de uma pessoa atenciosa? Que sentido erótico tem isso?
- Tem muito. Principalmente se é rosa. Ora, não tente negar o significado das ordens florais entre dois sexos. O oculista não podia dar essa flor, nem ela podia aceitar. O pior é que não deve ter sido o oculista.
- Quem foi, então?
- Sei lá. Numa cidade do tamanho do Rio, posso saber quem deu uma rosa a minha mulher?
- Vai ver que ela comprou na loja de flores da esquina, e disse aquilo só para fazer charminho.
- Ela nunca fez isso. Se fez agora, foi para preparar terreno, quando chegar aqui uma corbelha de antúrios e hibiscos.
- Não diga uma coisa dessas.
- Digo o que penso. Estou inteiramente lúcido, só me conduzo pelo raciocínio. Repare no encadeamento: os vestidos modernos; os modos (só vendo a maneira dela se sentar no sofá); a rosa, que ela foi correndo levar para a mesinha de cabeceira do quarto. Cada uma dessas coisas é um indício; reunidas, são a evidência.
- Permita que eu discorde.
- Discorda sem argumentos. A Elsa não é mais a Elsa. Demora mais tempo no espelho. Fica olhando um ponto no espaço, abstrata. Depois, sorri. Estou decidido.
- A quê?
- Vou segui-la daqui por diante. Contrato um detetive. E logo que tenha a prova, me desquito.
- Não vai ter prova nenhuma, juro. Ponho a mão no fogo por Dona Elsa.
- Pensei que você fosse meu amigo. Fiz mal em me abrir. Vamos mudar de assunto que ela vem chegando. Mas repare só que os olhos de Capitu que ela tem, eu nunca havia reparado nisso!
Esquecia-me de dizer que meu amigo tem 82 anos, e Dona Elsa, 79

Ah! Poeta!


18 comments August 18, 2007

Well, it’s one for the money, two for the show, and three…(UPDATED)

WARNING! Post longo, algumas vezes muuuito auto-referente. O título foi tomado, por empréstimo, de um amigo so sweet, sim, que foi realmente um amor, ao achar que nem precisava me lembrar que dia é hoje;-) Valeu, handsome! Muitas vezes quem faz o blog são os co-bloggers e os meus são ab-so-lu-ment merveilleux. Além do mais, queridos, um link brasileiro, com tudo, absoltumente tudo acerca de ELVIS PRESLEY, 30 anos depois.

Seguinte: não tenho e não consigo pensar em nada para dizer que não soe a clichê, (e todos sabem que pessoas refinadas e cultas, como todos vocês são, não aceitam clichês), mas confesso que tenho vontade de fazer o seguinte gesto, acompanhem atentamente a descrição: eu coloco as minhas mãos abertas, espalmadas -palmas para a frente- e com os polegares encostados à fronte (acho que é isso,) bom um pouco acima da orelha, aí balanço vigorosamente os outros dedos e grito iuhuuuu! (na verdade, boo) e digo: terribly sorry! Eu sou a Meg, e vocêssss, tadinhos, não são. OK, isto in my dreams.
Moça educada, porém, fico só no desejo, contínua e obviamente reprimido e explico:
julie_london amazing!Eu - acreditem, ultimamente e já não era sem tempo, está sendo maravilhoso ser eu. Eu, que palavra doce, eu já estava entediada de ficar encolhidinha e triste -;-)) euzinha aqui, felicíssima, ganhei uma homenagem, digna de uma rainha: músicas maravilhosas da Julie London - what? excuse me? se vc não sabe quem é Julie London, é como não saber quem é Van Gogh, então, você não tem mais jeito hohoho, mas, aproveite que estou num ótimo mood, pode ser que ainda haja tempo.

Vá até o lindísimo e très raffiné blog Three Forms ( que é um blog conceitual: sempre mostra as coisas de, pelo menos, três formas, three ways), perca-se nele, desfrute a beleza , o bom gosto e a inteligência da pessoa que mantém o blog, e depois olhe para a sua direita - lá no blog, no sidebar. E examinem o widget DESTAQUE.
Pois é, foram, viram? Viram o quê? Que estou lá devidamente ladeada (hmmm.. vamos dizer assim) pelo queridíssimo Allan, do delicioso blog Carta da Itália - que realmente está uma loucura com um post sobre uma das especiarias mais especias , o açafrão. E, o não menos nobre, aliás o nobilíssimo blog coletivo, o internacional P.Q.P.Bach

E como eu digo sempre, elogio em si, não significa nada, elogio depende da proveniência;-), certo? então, surfando nas tags do Três Formas ,não poderia ficar mais metida a besta, do que fiquei:
Há um post que adoro: lá é dito que se fosse pra ser cineasta queria ser ninguém menos que Kieslovsk . se fosse para ser pintor queria ser Magritte e se fosse para ser músico queria ser Isaac Stern
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8 comments August 16, 2007

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Readiness is all.
Shakespeare. Hamlet. Act v. sc. 2.

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